Volume 5
Capítulo 3: O Verdadeiro Peso Considerado aos Representantes ②
As aulas complementares incluíam questionários adicionais e atividades práticas. Ainda mais naquele momento, as experiências de laboratório foram as mais frequentes. Em troca de longos períodos de conteúdo teórico, a escola optou em realizar mais práticas para reduzir a carga, não que fosse facilitar realmente em algo. Em relação aos questionários, não tive escolha senão resolvê-los dentro dos prazos, mas as práticas de laboratório foram propostas aos alunos ocupados com os treinos para as atividades de grupo.
Parece que durante aquela semana, os representantes de cada classe aliada para lecionar esses exercícios complementares já foram escolhidos. Naquela terça-feira, eu, Kuwasabe, Takahashi e Inuzuka fomos a um dos laboratórios depois do primeiro treino da manhã.
— De acordo com a colocação de classes, teremos que realizar essa mentoria para não termos acréscimo de dificuldade nas provas... — murmurou Takahashi.
— Isso parece um pouco exagerado para mim... — comentei, desanimado. — Será que isso é para promover mais acesso de informações e promover a relação entre as classes aliadas, também?
— Foi a mesma coisa que pensei... — expressou Kuwasabe. — Não sou o tipo de pessoa que conversa com muitas pessoas de outras classes.
— Mesmo assim, ter de fazer atividades práticas de laboratório é uma chatice! — retrucou Inuzuka. — Não ligo de perder aulas de química ou biologia, mas ter que observar experiências bestas já é demais.
Fiquei frustrado em relação aos questionários, mas não me importava com aulas de laboratório. Não é algo que tenha realmente interesse, mas também não detestava. Chegamos na sala e batemos na porta.
— Vocês devem ser todos da classe C, certo? — Uma garota de óculos abriu a porta. — Entrem.
Assim que entramos, pegamos jalecos em cabides logo ao lado. A garota de óculos prendeu seus cabelos ondulados cinzentos em um rabo de cavalo. Ela foi até um quadro branco que continha algumas informações da experiência.
— Sou Maki Kaori. Classe E. Serei a representante de vocês nas aulas práticas de química e biologia. — Ela indicou as informações contidas no quadro branco. — Hoje faremos uma experiência simples de biologia retratando osmose em uma cebola.
— Experiência simples, ela disse? — indagou Inuzuka. — O que diabos é uma osmose?
— Cale a boca... — retrucou Maki, indiferente. — Para simplificar ainda mais as coisas, façam dois grupos.
Apesar da garota ser séria e ríspida, compreendi que era pela sua responsabilidade. Fiz dupla com Inuzuka e Takahashi fez par com Kuwasabe.
— Muito bem, vamos a explicação: a osmose é um tipo de processo que acontece quando duas soluções estão separadas por meio de uma membrana semipermeável e ocorre a movimentação de água da parte mais concentrada para a de menos concentração. Isso é facilmente visto no dia-a-dia em legumes, como quando uma alface perde lentamente água quando é temperado.
Dito isso, ela indicou uma outra parte da explicação:
— Agora, vamos revisar os materiais necessários para o experimento.
Materiais:
Osmose da Cebola Temperada
- Microscópio;
- Lâminas e lamínulas;
- Pinça;
- Cebola Roxa (pigmentação ajuda na visualização);
- Sal;
— Certo, agora partiremos para a prática — continuou Maki. — Vocês vão tirar apenas uma parte da camada externa da cebola usando a lâmina e colocarão na lamínula, essas placas transparentes, para observar a estrutura das células da cebola. Coloquem uma gota de água na lâmina e depois coloquem o pedaço de cebola na lamínula para que observem. É importante aqui que vocês anotem as características da cebola antes de usar o sal, desenhar pode ser uma ótima escolha.
Peguei a cebola roxa e cortei uma parte da camada externa com cuidado, enquanto Inuzuka colocou a gota de água da lâmina, pegou a lamínula e a encaixou para observar no microscópio. As células de cebola são vegetais, mas a forma como se acopla é similar a diversas placas amontoadas.
Aproveitei e fiz desenhos rápidos e anotações no caderno. A seguir, tivemos que colocar uma pitada de sal no pedaço de cebola e depois observar as mudanças.
Quando sal foi adicionado, as células me pareceram murchas em relação à antes. A água contida nelas se esvaiu.
— Nas células vegetais, os vacúolos são os responsáveis por armazenarem água — explicou Maki. — Quando há muita água absorvida, essas células ficam turgidas. Porém, quando se adiciona algum tipo de tempero como sal ou açúcar, essa água é liberada da célula, deixando-a plasmolisada. Isso é a osmose.
A experiência foi ridiculamente simples, mas explicativa. Quando olhei no relógio, bastante tempo havia se passado e logo seria o intervalo. Diferente dos questionários, aquelas atividades de laboratório são mais dinâmicas e até divertidas. Maki nos pediu para limparmos as bancadas antes de sairmos, então comecei a limpar, mas quando me virei para pedir ajuda à Inuzuka:
— O que você está fazendo?
Ele parecia estar mastigando alguma coisa, mas não havia nada ali para se comer...
— Oh, não sabia que cebola com sal pudesse ter um gosto bom.
— Você o quê?
Me virei em direção à Takahashi, e o vi fazendo a mesma coisa. Assim que Maki se virou para nossa direção, Inuzuka me puxou para baixo.
— Anda, come um pouco!
— Eu não vou comer cebola crua!
— Se ela reclamar do nosso mau hálito, ela pode desistir de dar essas aulas pra gente. É o plano perfeito!
— O mau hálito aqui é o menor dos problemas?!
Mas antes que pudesse me afastar, Inuzuka forçou um pedaço de cebola crua com sal para minha boca. Tentei cuspir, mas...
— O que estão fazendo?
A presença de Maki me fez engolir a cebola de uma única vez. O gosto foi duvidoso, mas não era particularmente ruim por causa do sal.
— Nada, nada... — titubeou Inuzuka.
— Vocês... estão comendo cebola crua com sal em um laboratório? Quantos anos vocês têm?
Aquela expressão seca dela foi assustadora. Ou pior, ela não está irritada, mas decepcionada. Ei, eu não ia comer! Eu sou inocente, não sou?! Não tenho direito nem a um advogado que diga “Objection!”?
Saímos do laboratório correndo, Inuzuka e Takahashi não paravam de rir, enquanto que Kuwasabe parecia estar em dúvida do que estávamos fazendo. Cara, se você não fez nada de errado, por que está correndo junto conosco?
Subitamente, uma mão me puxou. Maki havia me alcançado e segurou minha gola para que não escapasse. Tentei pedir ajudar aos outros, mas já tinham ido embora. Senti uma aura assustadora vindo daquela garota e decidi não fazer movimentos bruscos ou poderia explodir como um Kamikaze.
— Vocês... não terminaram de limpar o laboratório. — Ela respondeu secamente, com um olhar assassino.
— Ah...
Esqueça o Kamikaze, é capaz de causar ainda mais trabalho se retrucasse aqui. O ato já foi falho antes mesmo dele agir?
Ela me puxou novamente até o laboratório para que a ajudasse a limpar. Não foi algo demorado, mas ela manteve distância sempre que olhava a cebola comida em cima da bancada. Talvez pelo alerta de mal hálito...
— Então, você é o Shiroyama... — expressou Maki, em algum momento.
— Bem, sim.
— Shiina comentou que recebeu muita ajuda de um aluno da classe C chamado Shiroyama. Foi você que desenhou aquele quadro monocromático no concurso de artes, não é?
— Foi sim... — murmurei. Não esperava que alguém ainda se lembraria daquele quadro que tinha feito.
— Você é bom com desenhos, mas está no clube de literatura... — ponderou a garota. — Você é estranho.
— Ah, vendo desse jeito, parece que sou mesmo...
Que garota direta! A língua dela é tão afiada assim? Parece que estava julgando todos os meus pecados enquanto olha diretamente para minha alma!
— Oh, não quis dizer isso num tom pejorativo. É só o meu jeito de falar com os outros, mesmo...
— Não se preocupe. Mas, me parece que está à procura de alguém com essas habilidades, já que me descreveu tão bem assim.
Maki parou de limpar a bancada e me fitou. Era como se estivesse analisando cada palavra que digo. Seu olhar é deveras nebuloso.
— Você parece ser bem atencioso como a Shiina... — Ela se aproximou. — Achei que fosse igual àqueles idiotas com cérebros do tamanho de tardígrados...
— Acho que você pode dizer que apenas tenho que conviver com eles... — comentei, coçando a nuca. — Você nunca sabe o tipo de pessoa que são aqueles ao seu lado até existir a convivência.
— Bom, eu estou encarregada de ser a representante complementar da classe C. Se tiver alguma dúvida, pode me procurar — Ela estendeu a mão e nos cumprimentamos. — Só me prometa que não irá mais cometer burrices como comer cebola crua dentro de um laboratório.
— Não é como se essa ideia fosse minha, sabe...
De repente, nós ouvimos uma batida na porta.
— Kaorin, estou entrando... oh, se não é o Shiroyan?
Shiina se aproximou de nós com o mesmo olhar sonolento.
— Você realmente chama os outros por apelidos, hein? — murmurei.
— Não tem o que se fazer, é o jeito dela... — expressou Maki, conformada. — O que a traz aqui?
— Então, já falou com ele a respeito? — Shiina perguntou à Maki.
— Perguntar o quê?
— Shiroyama, você é bom com desenhos e está no clube de literatura — interveio Maki. — Isso o torna um grande esquisito, mas acho que é quem estou procurando nesse momento.
— ...
— Preciso de alguém que revise uma história junto comigo e a ilustre. Shiina é minha melhor amiga, então ela fará as ilustrações, mas ela confia muito em você e o encarregou de fazer a revisão da história.
— Hein? Isso já foi decidido sem nem eu saber?
— Não achei que fosse recusar um pedido desse, Shiroyan... — proferiu Shiina. — Estamos com esse projeto há muito tempo, mas nunca achamos alguém realmente disposto a nos acompanhar, sabe...
Não achei a proposta particularmente ruim. De fato, já circundava por aí uma certa fama de que sou bom na escrita — Graças a Kumiko de ter reerguido o jornal escolar... —. Posso dizer que tive expectativas de ser chamado para tal coisa, mas não nessas circunstâncias.
— Bem, não vejo mesmo uma razão para recusar. Pode ser interessante.
— Mas tem uma condição que deve seguir... — continuou Shiina. — Para darmos prosseguimento neste projeto, teremos que nos chamar por apelidos ou nomes próprios.
— Que raios de condição é essa?
Fiquei sem entender o que aquilo deveria significar, enquanto que Maki cobriu o rosto.
— Isso é muito a sua cara, sua doida...
— Eu já chamo os dois por apelidos, então é a vez de vocês.
Aquilo foi uma tática para nos entrosarmos? Mas não imagino que Maki concordaria tão facilmente com...
— Vou te chamar de Shiroyan, Shiina tem bom gosto para apelidos.
Entendo seu ponto, mas...
— Kaorin não é o tipo de apelido que gostaria de dar para outra pessoa... íntimo demais. Então... vou te chamar de Rin.
— Hum?
— Oh... — Shiina bateu palmas, enquanto Maki me encarou incrédula.
— Ninguém... nunca me chamou de Rin, antes...
— É ótimo ser único — comentei. — Pensando nisso, posso dar o apelido de Nacchi para Shiina, certo?
— O... outro apelido inesperado...
— Eu gostei! — Os olhos de Shiina brilharam. — Nosso grupo se chamará Sankakusei, a <Estrela de Três Pontas>!
— Sankakusei?
— O tema da história que Kaorin quer escrever é sobre estrelas! — explicou Shiina. — Queremos publicar esta história como um livro para nossas amigas.
— Entendo... que ideia legal.
Não sei o que foi mais bizarro, ver Shiina Toshi completamente empolgada com algo ou se Sankakusei pudesse ser um nome melhor que Membros do Laboratório, organizado em codinomes dados como 001, 002 e 003. Mas duvidei que fossem aceitar a mudança de nome, já que nenhuma delas possuem a personalidade de cientista maluco que quis testar uma máquina do tempo usando uma banana no micro-ondas. Era realmente uma pena...
Enquanto falava com Shiina, percebi que Maki se encolheu, ainda chocada com a troca de apelidos e possivelmente envergonhada com a apresentação de suas ideias de forma tão repentina para um estranho como eu.
— Olhando assim, você realmente é a membro 002... a envergonhada Rin como a Cristina!
— Não entendi o que você quis dizer, mas não me chame de Cris... Só Rin está bom!
Apesar de Maki parecer rígida, é uma boa pessoa. Mas não era sobre isso o que me passava na cabeça...
— Estou em outro grupo com garotas... — murmurei, exausto.
Logo, o sinal tocou. As duas se entreolharam e se despediram, seguindo juntas pelo corredor. Desci as escadas e segui em direção à minha classe, e novamente passou uma pessoa conhecida entre aqueles dias seguindo a direção oposta.
Será mera coincidência?
Estou começando a perceber que devo me atentar a acompanhar o que ocorre aos meus arredores. Como situações como as que tinha acabado de me envolver ocorriam de repente, pode haver um detalhe importante passando despercebido por mim.
Não existem coincidências.
Nessa ocasião, não posso contar com os outros. Na verdade, não queria envolver ninguém nisso. É algo que devo alcançar com as próprias mãos. Estimativas que devo obter por mim mesmo.
Para evitar de me comprometer futuramente, terei que me mover. Sem mais hesitações, será a primeira vez que lidarei sozinho dentro desse território a fim de permear um objetivo há muito tempo planejado.
***
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