Our Satellites Brasileira

Autor(a): Augusto Nunes


Volume 5

Capítulo 3: O Verdadeiro Peso Considerado aos Representantes ①

Uma semana se passou após a conversa com Kumiko e Takahashi. O treino progrediu sem muitos problemas. Como treinávamos em dois períodos diferentes por dia, logo estava pegando o jeito em como fazer marcações, realizar defesas básicas e tentar algumas cestas. Não é que fui uma pessoa que nunca jogou basquete na vida, mas foi questão de não ter levado a sério até aquele momento.

Porém, a questão que mais me incomodou mesmo durante todo esse tempo foi o tal de Gotou. Quando quis perguntar aos outros membros do time quem ele é realmente, veio as respostas:

— Ele é simplesmente o às da escola em basquete — disse Hiro.

— Aquele cara é uma aberração do esporte... — continuou Yotsuka. — Apenas joga basquete, mas sem dúvidas que ele é muito talentoso.

— Muitos o chamam de Destruidor, por causa da sua presença! — murmurou Morita. — Ele é bastante agressivo, afinal.

Ou seja, foram informações que não ajudaram muito. Por acaso, precisa entender do porquê minhas pernas estarem tremendo?

Em algum momento de sua vida já teve que passar um período difícil de ter sido alvo de bullying por valentões ou por alguém popular. O ser humano é uma criatura desprezível que gosta de demandar território, e os nerds que não sabem se defender ou como reagir sempre são tratados como lixo.

Takahashi manteve uma distância considerável de mim durante aquele período. Em todos os jogos de treino, jogávamos em times diferentes. Pode ser que não tenha intenção em me alocar no time titular, mas acho que só fez isso para tentar aliviar a frustração. Por isso, decidi ser mais ágil durante as jogadas para tentar acompanhar sua velocidade de ação.

Por estar indo de bicicleta para a escola, meu cansaço usual havia se reduzido e estranhamente senti mais disposição na hora de praticar — Não entendo a lógica dessas práticas sociais... —, apesar de tudo, evitava de ficar parado na quadra. Sentir aquela tensão vinda de Takahashi me deixava desconfortável.

— Oh, Shiroyama! Sua agilidade melhorou muito! — exclamou Inuzuka, fazendo um passe de bola para Hiro. — E quanto a sua velocidade?

— Acho que está bem, mas se tiver que correr do Takahashi acho que preciso chegar à Mach 2.

Os outros integrantes do nosso time, riram.

— Esse cara é hilário. Não entendo nada dessas coisas que ele fala! — expressou Kikkawa.

A partida havia terminado, e Inuzuka se aproximou:

— Ei, você sabe o que está acontecendo com Takahashi? Já faz uma semana que ele anda perturbado e não quer nos contar nada.

Visualizei o instante em que Takahashi entrou no vestiário. Pode ser que o Grupo Takahashi já tenha notado seu nervosismo, mas até aquele momento ninguém o fez desabafar.

— Andem logo! O próximo grupo virá em breve para usar a quadra! — exclamou Kawashita, preocupado. — Anda logo, Kikkawa! Passe logo esse pano no chão!

— Porque é sempre eu?!

— Inuzuka, você sabe quem usará a quadra agora?

— Hum? Acho que o time vermelho, acho. Eles andam pegando quase todos os horários disponíveis. Está cada vez mais difícil de poder usar esse lugar em paz por causa desses folgados!

— Eu sei do que Takahashi está tão nervoso, mas antes de começar a falar, preciso descobrir algo primeiro. Está comigo?

— Hein?

***

Exatamente após nosso horário ter terminado, veio a equipe vermelha de basquete vir treinar na quadra. Nós ficamos do lado de fora do galpão e espiamos por entre as janelinhas. Era estranho, mas o time inimigo emitia uma aura diferente da nossa, como se estivessem exercendo alguma atividade obrigatória.

— Quem é o tal de Gotou? — indaguei para Inuzuka, que apontou para um sujeito alto e musculoso com cabelos vermelhos.

— Aquele é Gotou Hajime. O melhor jogador de basquete da escola — começou Inuzuka. — Logo no começo, cheguei a pensar em me inscrever no clube de basquete, mas aquele cara me irritou a ponto de desistir da ideia.

O time inimigo começou o treino base com aquecimentos rápidos, mas Gotou era o único que fazia passes de bola sozinho. Emitia um semblante sério e maduro de um jogador profissional. É alto, musculoso e seu corte de cabelo na régua o faziam transmitir uma sensação de que deve ser respeitado.

No entanto, seu olhar é ainda mais assustador. Um dos jogadores estava se alongando e os dois se esbarraram, em questão de instantes Gotou o jogou no chão com apenas um tapa, como se estivesse espantando um mero mosquito.

— Sai da frente, seu verme! — Sua voz ecoou por toda a quadra, fazendo todos estremecerem.

— Essa é a estrela do basquete da escola?

— Agora você entende com o que teremos que lidar... — expressou Inuzuka. — Esse imbecil acéfalo pratica sozinho e não trabalha em equipe, exceto com Juugo. O jogo precisa ser do jeito que ele quer e isso realmente me irrita!

— Seria demais pensar que poderíamos ter uma vantagem se o time dele tivesse problemas de cooperação?

— Impossível. Todos obedecem ao Gotou. Ele já deve estar elaborando alguma estratégia para lidar conosco.

Aquilo são realmente péssimas notícias. Como poderemos lidar com uma aberração do esporte e ainda vencer? Além disso, como alguém tão pavio-curto quanto aquele cara poderia ser considerado um às?

Isso me fez lembrar de péssimas memórias... de novo não.

Quando estava no fundamental II, havia sempre um valentão que me atormentava por causa do meu rosto, e o insultava tendo desempenho melhores nos estudos. O ser humano se prende em um estigma de que todos devem ser iguais a todos, onde a diferença é algo estranho.

Neste cenário, o diferente nunca seria tratado como um igual.

O que mais odeio das escolas do fundamental são a formação de classes, pois eram sempre os mesmos alunos. Em uma situação dessas, ter a mesma pessoa te atormentando por tanto tempo é algo terrível e insuportável. Porém, quanto mais era maltratado, mais me dedicava e ganhava destaque.

Achava que sendo reconhecido pelas minhas habilidades, a situação poderia mudar em alguma hora, mas... um dia, este aluno tido como valentão foi questionado pelos amigos:

O Shiroyama é ridículo, mas ele é muito inteligente... disse um deles. Você não tem medo do que ele possa querer planejar em fazer como vingança?

Medo? De alguém como ele? Ele deu de ombros. Porque eu teria medo?

Eles se viraram para mim, como que quisessem que acendesse uma fagulha para tornar aquele ambiente em um inferno.

Mas...

Eu tenho medo de você...

Essas palavras asquerosas saíram de minha boca antes que pudesse pensar no que deveria fazer. O bullying é capaz de destoar por completo o mental de uma pessoa, por isso era tão perigoso.

Eu e Inuzuka retornamos para a classe, mas decidi que continuaria a observar aos treinos deles para tentar obter alguma coisa. Gotou tinha que ter algum ponto fraco, certo?

Pelo nosso acordo, teremos que competir em três atividades individuais em conjunto com nossos representantes durante dois dias, e realizar uma atividade em grupo. Ou seja, Gotou usará seu apoio para lhe render mais pontos. Julgando pela quantidade de pontos que iríamos conseguir nas atividades individuais, pode ser que perdendo no jogo de basquete ainda possa ter uma chance de vitória.

O problema aqui foi: o que está sendo apostado neste jogo é meramente uma questão de pontuação?

Enquanto voltávamos à sala, uma garota de torcida passou por mim. Notei que ela seguiu em direção ao ginásio. De repente, meu campo de visão notou o treino do time de vôlei vermelho. Um Teru cansado estava quase desmaiando em meio ao campo.

Parece que os alunos do primeiro ano tinham diferenças de gênero nas atividades de grupo. Se não fosse por isso e devido à aposta, escolher vôlei seria a minha primeira opção sem nem pensar duas vezes.

Enquanto questionava as opções que tive de escolher para o evento, procurava afastar aqueles pensamentos nocivos de minha infância... como se tentasse deter o percurso de uma maré inteira.

***

Fora os treinos árduos de educação física, ainda tivemos que manter o ritmo com as outras disciplinas. Infelizmente, teve muitos dias em que acabei adormecendo nas aulas, o que me fez acumular atividades extras. Céus, quando eu poderei conseguir dormir?!

Ainda, o fato da preocupação com Gotou parece estar se alastrando por entre os jogadores do time após a intensificação vista nos treinos. Takahashi não estava conseguindo conciliar o ritmo do jogo, deixando muitas vezes à Yotsuka tomar as rédeas.

Era realmente complicado não se preocupar com a situação, ainda somado ao estresse de ter de acompanhar a todos. Nossas conversas tornaram a se reduzir gradativamente, o que não foi um bom sinal.

Apenas Inuzuka e mais alguns outros mantiveram sua determinação para motivar o time. De fato, tentei interagir mais com os integrantes das outras classes, mas não é como se tivéssemos tanta convivência para isso ser fácil de se fazer.

Por outro lado, um deles pôde fazer isso: Kuwasabe. O tipo magro com canelas finas, mas versátil. Ainda por cima, se empolga com facilidade sobre praticamente qualquer coisa, então não foi difícil puxar assunto:

— Se eu puder ao menos fazer uma única cesta neste jogo, estarei satisfeito.

— Você só quer atrair os holofotes, não é?

Kuwasabe era bastante atrapalhado para fazer os passes, então me acompanhou também como zagueiro. Talvez ele não soubesse a posição em que se encontrava?

— Deixem isso comigo! — Ele conseguiu bloquear o ataque inimigo durante o jogo-treino e saiu de sua posição para agir como atacante. — Eu vou marcar este ponto! Foquem em mim!

— Não é isso o que você tem que fazer, idiota!

Muitos tentaram alertá-lo, mas foram ignorados. Kuwasabe correu a plenos pulmões, venceu a distância do campo e se aproximou da cesta. Flexionou as pernas e se preparou para pular, gritando:

— Se eu ganhar, quero ir a um encontro!

Isso é tipo de coisa para se dizer no meio de um treino? Que estranho...

Ele pulou já pronto para arremessar a bola, quando Yotsuka se esbarrou nele e impediu o passe. Kuwasabe caiu de cara no chão como um galho seco.

Houve o sinal do início das aulas, encerrando o treino matutino. Takahashi e Inuzuka começaram a xingar Kuwasabe, que permaneceu se contorcendo no chão, cobrindo o rosto.

O pobre Kuwasabe foi importunado pelos dois demônios durante toda a manhã na classe, em que o resto do grupo Takahashi dava risada na tentativa heroica de virar o jogo.

Infelizmente, se as coisas continuarem daquele jeito, não estaremos preparados para enfrentar aquele tirano conhecido como Gotou. Ao menos o humor de Takahashi melhorou um pouco por causa das piadas com Kuwasabe, apesar de ainda ser ranzinza...

Tinha algumas ideias em mente, mas não em relação a melhorar o ânimo do time. E devo dizer, a solução veio logo depois sem nem mesmo ter feito nada.

No intervalo, Kuwasabe se viu convencido novamente:

— Aquilo... aquilo só aconteceu porque vocês me deixaram em uma posição ruim! É, é isso mesmo! Eu poderia ter feito a cesta se não estivesse tão longe!

— Deixa de ser um péssimo perdedor, Kuwasabe...

— Não me enche, Takahashi! Tenho certeza de que teria marcado o bendito do ponto!

— Ah, está querendo dizer que quis ficar mais perto da cesta? — indagou Takahashi, fitando Inuzuka. — Não me diga...

— Vocês ficam estipulando que os melhores são apenas os atacantes, e isso não é verdade!

— Então você quer ter a sensação de estar próximo da cesta, certo? — continuou Inuzuka, rindo.

— Isso! Eu quero ter a chance de acertar a cesta com as próprias mãos!

— E se for o corpo todo, já serve, não é?

— Hein?

Subitamente, Takahashi e Inuzuka o pegaram pelos braços e pernas no meio do pátio, chamando atenção de todos.

— Não, gente! Era só brincadeira... ah, não...

— É hora de se sentir dentro de uma cesta, Kuwasabe! — exclamou Inuzuka.

Os dois o carregaram como se não fosse nada pesado, e o colocaram dentro da cesta de lixo rapidamente. Todos os presentes deram risada. A cena foi tão icônica, que até o próprio Kuwasabe começou a rir desajeitado.

Após isso, o treino da tarde avançou sem problemas ou discussões. De certa forma, Kuwasabe salvou o dia.

Não foi em todos os treinos, mas tentava observar as atividades do grupo vermelho. Gotou é um cara enorme, mas muito versátil. Seus passes são extremamente precisos e, mesmo não querendo admitir, ele é um ótimo jogador. Neste dia, em questão, estavam fazendo jogos-treino entre si e desta vez não houve gritaria. Gotou compartilhava os passes com outros jogadores habilidosos em seu time e realizavam cestas surpreendentemente rápidas.

Porém, não fiquei surpreso pelos passes ou trabalho em equipe. E sim com o próprio Gotou. Ele aparentava estar bem-humorado, diferente da primeira vez que o vi praticando. Provavelmente está satisfeito com o treino do dia, já que não estava gritando com ninguém naquele momento.

***

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