Volume 5
Capítulo 2: Inesperadamente, o Buraco Negro surge entre as Regras ④
Terça-feira. Como prometido a Inuzuka, comecei a ir para escola de bicicleta. Era um percurso relativamente longo, mas por ser outono, as manhãs não trouxeram ventos quentes, e sim secos e frios. No final, se mostrou ser um exercício prático e motivador.
Conforme as aulas passavam, a todo momento os corredores se enchiam de alunos indo aos ginásios. Parece que muitas garotas já haviam começado a praticar suas coreografias para as danças de ginástica artística. Durante os intervalos, muitos alunos murmuravam pelos arredores sobre decorações e atrativos, sem contar as danças ensaiadas dos times de torcida. Era como se estivesse vendo um outro lado da escola que normalmente não vemos. Estranho, mas aos poucos comecei a me acostumar com tanto alvoroço.
Diante disso, visualizei Himegi com um grupo de torcida do primeiro ano treinando durante o almoço no pátio central. A julgar pela corrida contra o tempo naquele mês, os horários de usar os ginásios aparentam estarem bem lotados...
Depois daquela discussão com Teru, não o vi mais. Kuroi também não se viu presente em nenhum grupo de torcida — É seu lado tímido entrando em ação aqui —, e encontrei Yonagi treinando durante a pista de corrida junto a outras pessoas. Ela era rápida com uma pose perfeita, alcançando velocidade gradativamente durante o percurso e ultrapassando as outras.
Como foi absolutamente tranquilizante de ela estar no meu time...
Ao finalizar mais uma corrida amistosa, ela parou para enxugar o rosto com uma toalha e me viu observando. Nisso, se aproximou.
— Como está indo seus treinos?
— Tentando não cair no meio do caminho sempre que vou correr — balbuciei indiferente, o que a fez rir. — Além disso, tentando entender as regras do basquete nesse ínterim. É bastante coisa para absorver em tão pouco tempo.
— Oh, vai participar do basquete?
— Bem, pode ser que fique como reserva, no entanto. Bom, melhor do que jogar futebol...
— Tem razão, você poderia se atrapalhar tentando correr rápido e chutar a bola na direção errada...
— É, tem razão. Minha precisão é horrível, então acabaria acertando na trave todas as vezes.
Tirando as insinuações inúteis, Yonagi parece ter voltado ao antigo status quo. Isso me lembrou que poderia lhe perguntar mais informações sobre as posições de ranking, mas senti que agora não era o momento adequado para isso.
— Teru me entregou o papel assinado como havia te pedido, por isso vim agradecer. Mas...
— O que foi?
— Ele parecia estar ainda mais perturbado do que ontem. Além disso, disse que está pensando em sair do clube. Estou até agora tentando entender o que possa ter acontecido. Será que...
— Não foi nada em relação a você — intervi.
— Você sabe algo a respeito?
— Tenho uma boa noção, mas para te tranquilizar, não tem nada em relação com os assuntos do clube. O melhor a se dizer é: “o que aconteceu durante as férias de verão devem permanecer nas férias de verão”.
— Só que não deixo de pensar que isso possa ter sido culpa minha. Ou ao menos, que tenha uma parcela de culpa nisso...
— Yonagi, Teru está desse jeito por causa de suas próprias ações. Suas consequências o trouxeram para o estado emotivo em que se encontra agora.
— Entendo... bem, se é assim que as coisas são, não tem o que se fazer, certo? — Ela me fitou. — Se minha preocupação com Teru é irrelevante, então devo direcioná-la pra você?
— Hum? Como assim?
— Mesmo que aja como um autêntico zumbi durante o tempo inteiro, ainda consigo distinguir quando há preocupações em sua mente... — Seus olhos azuis me penetraram. — ...pelo menos as de mesma intensidade como a que teve de lidar enquanto estávamos em Yokohama.
Pisquei algumas vezes, sem reação.
— O que é isso? Algum tipo de super poder?
— Ah...! Deixa pra lá. Acho que só estou pensando demais, talvez... desde que tudo aquilo aconteceu, eu ainda...
Sua balbucia durou mais alguns segundos, mas foi o suficiente para que meu coração batesse com o dobro de sua ação. Não tenho nem ideia de que tipo de analogia inútil deva fazer nesse momento! O jeito fofo dela de não saber reagir me desnorteou mais do que meus próprios pensamentos...
Ao que “aconteceu”, ela se refere à nossa conversa no ryokan? Só tivemos essa conversa uma única vez e foi o bastante para abalar minhas defesas psicológicas?! Oh... pare de bater tão forte assim, coração! Você quer que ela escute suas batidas?!
— É que... você só não parece mais do mesmo jeito que costuma ser. — Yonagi tentou suavizar seu nervosismo. — Será algo que seja igual ao que Teru esteja passando, talvez?
— Não... não, é algo meu... — Me enrolei nas palavras. — Mas, é muita gentileza a sua se preocupar, assim. Obrigado.
Nós nos encaramos em silêncio, com o rosto da garota mais avermelhado do que tivesse corrido uma maratona de 10km. Ela desviou o olhar durante algumas vezes, em que um sorriso tímido surgiu no canto da boca.
— Ah... é melhor eu ir. Se... se precisar conversar a respeito, posso te dar ouvidos.
— ...tudo bem, acho.
Yonagi se despediu de mim relutante para retornar ao seu treino. A visualizei de longe enquanto minha mente tentava alocar tantas informações recebidas durante tão poucas horas.
Me aloquei debaixo de uma árvore no pátio externo, ainda aturdido. O que estou fazendo? Quando foi que me senti tão abalado em minhas convicções? A ansiedade apertou tanto meu peito que se não parasse em algum canto, tenho certeza de que sairia correndo para qualquer lugar a fim de conter tanta angústia contida.
Um buraco negro... uma densidade profunda demais de conter em um único ponto trará a singularidade à tona o conhecido Horizonte de Eventos, capaz de absorver até mesmo a luz mais brilhante. Sinto o calor do dia me abrasando, mas meu interior se acobertou num frio assustador resultante de lapsos resgatados em vivências que me são atualmente tão sombrias quanto o lado obscuro da lua.
O que realmente está em jogo naquele momento, a situação de cada um e os riscos impostos. São diferentes vertentes que se emaranharam durante aqueles dias e tornavam difícil de se prever o que poderá acontecer. Não havia considerado a possibilidade de acatar que problemas maiores pudessem surgir, então como devo prosseguir?
Restam poucas semanas para que o Festival Esportivo comece. Até aquele prazo terminar, tenho que sanar todas as dúvidas e questionamentos, além de obter mais informações. O medo do tempo ser curto a ponto de gastá-lo indevidamente com artifícios externos é capaz de me prejudicar... por isso mesmo, preciso manter a calma!
Shiroyama, respire! Se acalme! Controle sua ansiedade! Não deixe que esse buraco negro se forme dentro do coração e engula tudo até não sobrar nada! Apesar de ofegar e grunhir pela dor de cabeça, minha mente mostrou que há coisas nesse meio que não dependem do meu esforço.
Primeiramente, o fato de Teru não querer estar mais presente conosco se mostrou uma consequência drástica após os acontecimentos do clube de jornalismo, o que de fato abalou nossas convivências até o momento, por isso que Yonagi tomou devida posição. No mais, Kuroi não quer falar com ele. Se fosse considerar o tempo de duração até o evento, ela estará pronta para as atividades?
Ainda há o fato de quais são as intenções de Mitsuhara Kobune... e é a incógnita que mais me atormenta no momento. É horrível se sentir contra a parede, mas não tenho escolha senão direcionar todo meu ser nesse evento! Há muito tempo que busquei por essa alternativa, e agora não precisarei dominar com essa situação completamente sozinho!
Takahashi e Inuzuka. Chegou a hora de trocar mais informações com os dois, e de começar a raciocinar sobre o que deve valer a pena me dedicar neste evento.
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