Volume 4
Capítulo 3: Começa o Interescolar ⑦
Conforme nos conduzimos para a saída do estádio, tornamos a escutar novas vaias surgindo de vários locais. Conforme o campo das arquibancadas esvaziava, uma série de empurrões nas rotas de saída aconteceram com intensidade. Muitos torcedores gritavam:
— Eles voltaram! Eles voltaram!
A área externa do estádio se concentrava muitas pessoas, para entrarmos na área do estacionamento foi um suplício pela agressividade submetida aos torcedores. Sons pipocando ao ar foram soados em diversas direções, eram fogos de artifício? Não...
São batidas.
A situação ficou ainda pior do que durante a partida, os punks pareciam ter se reunido para se vingarem de terem sido expulsos. Não houve tempo de entender o que estava acontecendo.
Eu conduzi os calouros por entre a multidão, procurando a melhor rota para evitar confusão. Havia aglomerados de pessoas aqui e ali se agredindo ou discutindo, então a melhor escolha foi evitar esses epicentros. Senti um puxão em minha camisa e vi que Himegi se segurou em mim para que não se perdesse. Kuroi fez o mesmo com ela. Teru andava ao meu lado, abrindo caminho. As diversas brigas coletivas ocorriam por todos os lugares, e ficaram piores a cada segundo que passava. Um torcedor caiu a nossa frente com o rosto sangrando, eles trouxeram armas para as brigas?
Olhando em alguns cantos, vi pessoas com bastões brandindo uns nos outros. Usaram armas brancas para não serem interceptados pela revista civil que poderiam receber? Ao contrário de bens próprios que não são utilizados em ocasiões do tipo, bastões simples comprados em qualquer loja desportiva podem ser descartados, não sendo acusados. Só que dentro do campo ninguém usou bastões para agredir.
Senti que as aglomerações se tornaram mais agressivas a ponto de os torcedores sentirem medo da ação dos punks. Corremos por vários metros e vencemos a distância do quarteirão, atravessando a rua e entrando em uma via comercial, procurando se afastar cada vez daquele arrastão. Paramos para respirar e olhei para trás.
As pessoas corriam aflitas, pois os punks começaram a perseguir quem fugia, incluindo nós. Não vi Kirisaki durante a nossa saída do campo, ela conseguiu escapar em segurança?
Não, aquela não era hora para pensar nisso. Um agressor brandiu um bastão em nossa direção, foi bem persistente em ter nos seguido desde a nossa saída do estádio. Isso não é nada bom.
As garotas se encolheram e gritaram, eu e Teru ficamos paralisados para agir. Minhas pernas travaram e meu coração acelerou de repente. Porém, ao vê-lo se aproximar cada vez mais com intenção de agredir, resolvi não agir por mim.
Mas pelos outros.
Joguei o meu corpo na frente do agressor e ele balançou o bastão para sua esquerda. Me esquivei por reflexo e agarrei seu pulso com força, que grunhiu de raiva. Ele agarrou o meu braço e pareceu que ficaríamos em um impasse de força, então quebrei minha insegurança para sair daquela situação chutando sua canela.
O chute foi direto no osso, então a dor foi instantânea. O agressor largou o bastão e segurou a perna que chutei com uma careta dolorosa. O empurrei contra o chão e joguei o bastão em seu rosto, atordoando-o. Achei que era um mero bastão de madeira, mas o engano me provou o contrário. O pedaço de aço chocou-se contra o rosto do garoto bem no nariz, sangrando-o, em seguida desmaiou pelo choque.
— Vamos! — berrei, largando o bastão. — Antes que venha mais deles!
Assumi a liderança e corri com toda a força dos meus pulmões, os outros fizeram o mesmo. Contei cerca de três quarteirões até parar de mexer as pernas, exausto. Felizmente, chegamos a um ponto de ônibus e todos o pegamos no momento certo. Afundamos nas cadeiras, tontos pela correria.
Não era daquele jeito que planejava gastar minha energia naquelas férias...
Minhas pernas tremiam pela adrenalina e ardiam como fogo. Estávamos todos suados pela correria e arfávamos desesperados. Meus pulmões queriam saltar do peito e meu coração ameçava sair pela boca.
O time de Takahashi vai ficar bem? A julgar pela força do Inuzuka, pode ser que não tenham problemas com brigas, mas pelo seu temperamento...
E Kirisaki?
Ah... deveria me preocupar seriamente com ela?
Não tinha como me comunicar... só posso presumir que estivesse segura.
Ah, rixa entre escolas rivais são assustadoras mesmo! O que foi aquilo? Parecia uma horda de zumbis invadindo a cidade e, o tempo mudou no fim do jogo pelo céu límpido ficar nublado. Nuvens cinzentas e grossas condecoraram o horizonte, não demorando para começar a chover pesarosamente. Logo o primeiro jogo de nossa escola terminou de maneira inesperada e ficamos no meio de uma briga coletiva entre estudantes revoltados, que ótima maneira de terminar o dia!
O celular de Himegi vibrou, que atendeu exasperada:
— Yonagin!
Não consegui entender o que Yonagi disse no outro lado da linha, mas pelo tom de voz parecia estar desesperada de preocupação.
— Sim, fomos atacados durante a briga do lado de fora do campo... não, ninguém se machucou... — Ela olhou de soslaio para mim durante algum momento e desviou o olhar. — Os meninos estavam conosco o tempo todo. Nós já saímos de lá... pegamos um ônibus agora e não vamos demorar pra chegar. Sim, pode deixar...
Yonagi parecia ser uma mãe zelando pela segurança de seus filhos ao ver a expressão de Himegi ao se sentir acolhida. Uma onda de alívio nos dominou por finalmente estarmos a salvo. Olhei para a janela do ônibus, completamente molhada pelos pingos de chuva que escorriam como cascatas, a torrente se agravava a cada segundo e ouvimos barulhos de trovões em alguns intervalos.
Aproveitei pra trocar mais mensagens, das quais recebi algumas informações relevantes. Não ficamos muito tempo no ônibus e nos molhamos intensamente por causa da chuva. Fomos acolhidos por tia Mikoto, que nos mandou ao banho de imediato para não pegarmos um resfriado. Momentos depois, Kiyoshi e tio Ugawa apareceram, ensopados.
— Eu disse que não era uma boa hora pra continuarmos a procura... tio teimoso... — reclamou Kiyoshi, torcendo a camisa no saguão.
— Desculpe, não pude evitar... — murmurou tio Ugawa, sem jeito.
Todos nós tomávamos chá para nos aquecermos. Himegi e Kuroi tremiam de frio, da qual Yonagi prestou toda sua assistência:
— Vou pegar mais cobertores para vocês... — desaparecendo escadaria acima.
— Vocês dois, hein... — retrucou tio Ikishi, nervoso.
— A culpa foi minha... quis procurar mais um pouco por pistas antes da chuva começar e... — falou tio Ugawa, antes de tia Mikoto o advertir com os olhos para nós que estávamos à mesa. — Oh, desculpe.
— Sabemos sobre Oguro... — esclareceu Rentaro, que apareceu no salão. — Não precisam esconder o que está acontecendo, sério.
— É, imaginei que tal assunto não estaria fora do sentido logo de você... — comentou Kiyoshi, indiferente. Tinha um sorriso sarcástico em seu rosto, como se já previsse que aquilo pudesse acontecer.
— De todo jeito, não queremos os mais jovens ouvindo um assunto desses... — decretou tia Mikoto. — Vão todos lá para cima, por favor.
Teru, Himegi e Kuroi se fitaram confusos, mas subiram as escadas sem dizer nada. Porém, permaneci no mesmo lugar, chamando a atenção dos mais velhos.
— Eu prometi e cumpri o que disse, fui responsável por todos no estádio e essa confusão toda aconteceu... — disse, sem rodeios. — Acho que ao menos devo saber o motivo.
— Agora sim gostei desse cara! — exclamou Kiyoshi, rindo sarcasticamente.
— Shiroyama, não é necessário que precise se preocupar com isso... — começou tia Mikoto.
— Agradeço a preocupação, mas eu e ele ficamos de olho para nada acontecer com Yonagi, como vocês temiam... — intervi, apontando para Rentaro. — Dizer que não estamos envolvidos a essa altura não vai adiantar nada.
— Ah... bem que desconfiei disso no restaurante... — suspirou ela.
— E não é que esse moleque é ousado mesmo? — bufou tio Ikishi, de braços cruzados. — Ouviram nossa conversa no quarto, foi?
— Não, Kiyoshi me contou por cima... — mentiu Rentaro. — Apenas deduzimos o resto por nossa conta.
Oh... então ele também sabe mentir?
— Oh, não lembro de ter comentando tanta coisa assim, Rentaro... — proferiu Kiyoshi, se espreguiçando. — Desse jeito posso ter minha reputação e confiança acabada, sabia?
— Deixando tudo isso de lado, vamos continuar... — interrompeu tio Ugawa, frustrado. — Agradeço aos dois por terem colaborado em silêncio conosco!
— Mas, Ugawa...
— Se preocupar com isso é irrelevante, Mikoto... — rosnou ele. — Nas circunstâncias atuais e no estado em que me encontro, quanto mais ajuda receber, melhor!
— Prossiga, senhor Ugawa — pediu Rentaro.
— Não achamos Oguro, procuramos em praticamente todos os lugares suspeitos próximos daqui... — amargurou-se. — Primeiro foi o desaparecimento de Oguro e agora esse arrastão que começou do nada próximo ao estádio e se direcionou pra lá! Isso não faz sentido...
— Você acha que essas duas situações estão interligadas? — questionei. — Sabemos pelo seu relato que Oguro fugiu de você por conta própria usando seus amigos, então... a possibilidade de eles terem orquestrado esse arrastão pode ser alta, é isso?
— É possível... — concordou ele. — Nada disso foi uma mera coincidência, disso tenho certeza!
— Quer dizer que planejaram estender o arrastão a partir do lado de fora? — indagou Rentaro. — Deve ter sido assustador de se ver...
— A briga dos torcedores se iniciou ainda dentro do estádio durante a partida e se tornou algo fora do controle... — expliquei, devastado.
No entanto, ainda há peças que não se encaixam no meio dessa história...
— Bando de moleques desagradáveis... — retrucou tio Ikishi.
— Mas, eles levariam uma rixa entre estudantes tão a sério assim? — indagou tia Mikoto. — Porque fazer isso?
— No começo, achamos que poderia ser uma rivalidade entre si... — comentei. — Só que... por não estarem de uniforme, podem ser de qualquer escola...
— Não, não de qualquer lugar... — corrigiu Kiyoshi, me fitando. — Já identificamos que este não é o caso.
— Não é?
— O problema é justamente este... — explicou Kiyoshi. — Oguro não faz parte de nenhuma destas escolas. Não teria sentido ele ter causado toda essa confusão por algo que não tem ligação alguma.
— Espera, estão achando que logo ele planejou tudo isso?
— Não ele exatamente... — respondeu tio Ugawa, como se estivesse distante. — Há alguns meses, ele se envolveu com pessoas duvidosas que sempre se metiam em problemas. O fato é que esse grupo que causou esse arrastão para gerar pânico, sem dúvidas.
Conectando com sua história anterior sobre o que foi fazer em Yokohama, posso entender da onde tirou essa teoria...
— Isso mesmo... — continuou Kiyoshi. — Como disse, ele não causou toda essa confusão diretamente. Seu paradeiro ainda é um mistério e parece que não vão parar.
— Vocês acham que eles irão causar esta confusão nos próximos dias do interescolar?
— Infelizmente, não acho que vão cancelar o evento... — grunhiu tio Ugawa. — Mas, agora temos certeza que é lá onde teremos que observar. Vamos ficar próximos do estádio dessa vez e ligaremos se avistarmos alguma coisa fora do comum.
— Rentaro, você ainda vai querer jogar? Mesmo com todos esses problemas? — Tia Mikoto perguntou diretamente a ele.
— É claro! — respondeu, de imediato. — Não posso deixar que algo assim atrapalhe o nosso time. E como o Shiroyama disse antes, estaremos de olho na Yonagi.
— O time Kanryou foi eliminado do jogo. Então só haverá os dois times da Daiichi e da Yoriyoi... — explicou tio Ikishi. — Amanhã terá dois jogos e a final será na quarta-feira, sem interrupções.
— Peço mil perdões pelas ações do meu filho! — Tio Ugawa baixou a cabeça, totalmente abatido e tomado pela vergonha.
— Vamos fazer o nosso melhor — assegurei. — Isto é o que podemos fazer neste momento. Contamos com vocês pra que resolvam isso o mais rápido possível.
Depois dessa conversa tensa, eu e Rentaro retornamos ao quarto e permanecemos em silêncio, mesmo com Teru insistindo em querer saber mais a respeito. A chuva ainda caía fortemente lá fora e um ambiente melancólico se formou ali. Enquanto meu corpo era vencido pelo cansaço, minha mente tentava relutantemente querer encontrar uma solução. O que Oguro quer tanto de Yonagi que até mesmo atrapalharia o jogo de Rentaro?
Além disso, se ele não faz parte de nenhuma das escolas participantes, de qual seria?
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