Our Satellites Brasileira

Autor(a): Augusto Nunes


Volume 4

Capítulo 4: Aquela Conversa Sob o Luar

Não percebi em que momento adormeci, mas ao despertar ainda era noite daquele mesmo dia. Parece que descansei num período de três horas, por ainda não ser madrugada. Ao meu redor, os demais dormiam e roncavam profundamente. Me levantei cautelosamente e saí do quarto ao corredor, coberto pelo breu. Não precisei me preocupar com tropeçar em nada pelos meus olhos terem se acostumado com a negritude, mas a luz do quarto das garotas é visível. Elas não foram dormir ainda, então...

Diante das surpresas que tivemos, dificilmente alguém dormiria tranquilamente — exceto Teru... —, provavelmente estariam jogando conversa fora até que o sono chegasse.

Sim, conversando... conversando...

O que será que as garotas conversam numa hora dessas? Talvez sobre garotos... não. Definitivamente estão falando sobre garotos. Não me deixarei ser enganado pela natureza versátil das garotas! São seres ardilosas, planejando e avaliando quem for de seu interesse ou simplesmente apontar o indivíduo que devem evitar a todo custo... o cerne da questão é que poderia ficar o resto da noite pensando em todo os cenários possíveis, mas nunca saberei o que de fato passam em suas cabeças.

Além disso, teve aquilo que ocorreu no dia anterior de fazerem Rentaro levar comida para Yonagi totalmente de surpresa! Aquelas primas devem ter planejado todos os tipos de estratégias possíveis para essa viagem... assustador.

Desviei minha atenção para a escada, mas antes que pudesse descer os degraus, um barulho de porta abrindo ecoou pelo corredor, me dando calafrios. Olhei para trás e vi que alguém saiu do quarto das garotas, era Tomoyo. Ela usava um pijama e andava descalça na ponta dos dedos para não fazer barulho. Sakuya saiu logo atrás dela.

Decidi me misturar a escuridão nas escadas para não ser visto, pois elas encostaram os ouvidos na porta do quarto dos garotos. O que elas estão pensando em fazer?

— Acho que eles já estão todos dormindo... — murmurou Sakuya para não fazer barulho.

— Vocês... vocês querem mesmo fazer isso? — indagou Ayase, que apareceu na entrada do quarto das garotas.

— Himegi e Kuroi não quiseram participar, então vai ser com a gente mesmo... — expressou Tomoyo. — A essa altura, qualquer um saberia que fui eu ou a Tomo, mesmo...

Quanto tempo será que precisou para essas duas agirem de forma tão descarada sem sentirem um pingo de culpa? Elas foram mais inconvenientes do que a própria Kumiko e em menos tempo! Tudo o que consegui fazer até agora sendo descarado foi fazer Kiyoshi rir de tudo o que digo e ter uma conversa misteriosa... espera, essa conversa aconteceu apenas dez minutos depois de tê-lo conhecido... oh, que terrível.

De qualquer jeito, parece que vão aprontar novamente. Sakuya abriu a porta do quarto dos garotos silenciosamente e o adentraram sem qualquer hesitação. Em questão de dois minutos saíram rapidamente dali aos risinhos e retornaram para sua base.

— Garotas... são assustadoras... — murmurei...

— Se são os garotos que fazem isso... — soou outra voz ao meu lado, o que me assustou a ponto de quase gritar de desespero. Porém, uma mão cobriu a minha boca, abafando minha voz. Ao olhar acuado ao lado, vi que era Kiyoshi ao meu lado.

— O que está fazendo aqui?! — esbravejei aos murmúrios.

— Hum? Fui beber água, é o que você também vai fazer, não é? — indagou Kiyoshi, indiferente. — De qualquer jeito, essas garotas aprontam demais com o Rentaro... se ao menos ele revidasse, seria mais divertido de se ver.

— Rentaro? Então elas entraram no quarto por causa dele? Fazer o quê?

— Provavelmente tirar fotos dele dormindo... — disse Kiyoshi, após um bocejo. — Sempre que têm a oportunidade, elas fazem isso.

Ele ajeitou sua postura e subiu até o corredor.

— Não acha que deveríamos dar o troco alguma vez ou outra?

O sorriso travesso dele foi mais assustador que aquelas garotas... mil vezes pior! O que ele tinha na cabeça?!

Seu celular é visível em sua mão e se dirigiu para o quarto delas. Oh, que perigo! Se ele tirar uma foto delas sem permissão, será um grande problema, mas se o impedisse, vão descobrir que as estava observando! Meu corpo enrijeceu, mas reagi. Avancei vários passos de uma vez e segurei o braço dele.

— Não faça isso! — exclamei baixo, mas Kiyoshi só me fitou indiferente. Droga, acho que não consigo convencê-lo a parar...

— Não fazer o quê? — Uma voz feminina soou à frente de Kiyoshi. De braços cruzados, Yonagi nos encarou seriamente. — Kiyo, o que você estava prestes a fazer?

Apesar de estar de pijama como as outras, a cor lilás das roupas ou seu cabelo num pequeno rabo de cavalo não suavizaram seu olhar intimidante...

— Hein? E já presume que a culpa é minha? — indagou Kiyoshi. No entanto, ele parecia estar se divertindo.

— É o que a situação se parece para mim... — retrucou ela. — O único que teria a mesma ideia idiota que Tomoyo e Sakuya seria você, sem dúvidas.

— Se sabia que as duas iam fazer essa brincadeira com o Rentaro, por que não as impediu? — incitou Kiyoshi.

— Sobre... sobre isso... eu tentei as impedir, mas não me ouviram... como sempre.

Yonagi ficou sem jeito, enquanto Kiyoshi manteve-se relaxado.

— Deixando isso de lado, que bom que você apareceu... — intervi. — Não o deixe entrar no quarto das garotas. Isso seria complicado para mim, injustamente.

Soltei o braço de Kiyoshi e desviei minha atenção para as escadas.

— Você ia realmente me impedir, Shiroyama? — indagou Kiyoshi. — Pode ser que pudesse visualizar alguma coisa interessante, sabe?

Ele balançou o celular dele, tentando me provocar.

— Kiyo! O que está dizendo?! — esbravejou Yonagi contra ele.

Os dois irmãos se confrontaram, com um tentando pegar o celular do outro. Certamente, não estou acostumado em vê-la agindo tão casualmente tantas vezes no mesmo dia — foi estranho —, mas achei tranquilizador.

Se ela falou normalmente conosco depois do que aconteceu mais cedo, então está tudo bem.

— Deixo-o em suas mãos... — disse, e desci as escadas, encarando aquela escuridão enquanto ouvia a discussão entre aqueles dois.

 

Atravessei o saguão silencioso e bebi um copo d’água. Não tinha notado o quanto minha garganta esteve seca até terminar de beber, acho que ando tomando café demais...

Não estou mais com sono, apesar de tudo o que ocorreu naquele dia. Senti que o cansaço de antes foi momentâneo. Decidi observar o jardim da varanda novamente durante algum tempo. Abri a porta de correr e me sentei por ali mesmo, sentindo aquela brisa gelada percorrer por todo o meu corpo. Não quis observar nada em particular, apenas o ambiente.

Desejei por um momento que o tempo não passasse e permanecesse desse jeito indeterminado. Aquele segundo poderia se tornar minutos, ou horas, ou dias, até anos e não me incomodaria, pois seria proveitoso e minha mente poderia pensar o quanto quisesse.

 Meu celular vibrando me tirou do transe. E observei as mensagens que recebi. São mensagens de casa, da minha família. Li rapidamente e deixei a opção como lida, mas não quis responder.

A reunião familiar da qual sou o único ausente já aconteceu, e sei de todos os detalhes... minha irmã estúpida conversou abertamente com meus pais e o martelo da decisão foi soado.

Quanto tempo demorei fitando a tela do celular, lendo e relendo as mesmas palavras enviadas a mim?

[Harumi voltará a conviver próxima de nós, Hide].

Um alguém que passei a considerar como um fantasma em meu passado voltará a me atormentar... minha irmã que saiu de nossas vidas anunciou seu retorno, para meu infortúnio.

Eu não respondi nenhuma das mensagens desde que vim à Yokohama. Caso me perguntassem a razão, daria respostas prontas como: — Eu não quis responder. — Ou: — Eu não tive tempo de responder.

Nem todas são desculpas convenientes, mas eram ótimas respostas para evitar interação social. Elas criam uma aura que afasta conversas ou o alongamento delas, um método infalível.

Mas naquele momento, apenas não quis ver nada e ninguém. Não consegui entender direito, mas as interações que presenciei nessa viagem foram todas novas para mim... suas personalidades são complexas demais de se lidar. As primas de Yonagi provavelmente me odeiam, mas as odiaria se estivesse no lugar de Rentaro... era um sentimento confuso e estranho.

Ou será que ficaria mesmo? Algo do tipo nunca ocorrera comigo, e elas só brincam por ele ser bonito e por ser alguém que conhecem... pessoas solitárias estão fora de cogitação, mas pessoas populares não. Pelo costume de estar sem máscara ao lado do clube de literatura, percebi tardiamente que poderia ser melhor estar com o meu rosto coberto.

Em algum momento, estar assim passou a ser uma medida que me acalma. Não seria julgado ou incomodado e ninguém falaria comigo. Foi o que acreditava, e até mantive esse ideal de certa forma. Não o descartei de vez, e sei que posso tirar algo dessa experiência.

Fechei meus olhos, e parei para pensar em quando tudo aquilo começou desde que passei a cobrir o rosto... fazia apenas três meses. Antes disso, só havia aqueles olhares repugnantes em mim, estranhos e julgadores. Durante toda minha infância...

Céus, amanhã será o novo jogo da Daiichi, e Kirisaki estará lá. Quero falar com ela. Não, vou falar com ela, mas ainda não tenho certeza do que dizer. Por onde devo começar?

Tentei descartar essa possibilidade, mas no fundo, sei que será algo possível de acontecer. O que estou pensando ao julgar os planos de Teru? Que idiota. Que repulsivo. Eu sou patético.

De onde que aquele garoto tirava tanta confiança em si mesmo? Ele se acha um super-herói? O que tinha na cabeça? Ele sabia das consequências que vão ocorrer, certo? Entenda as coisas sem que as pessoas precisem te dizer, droga!

Kuroi ama Rentaro, que gosta... de Yonagi? Ao menos foi o que as garotas tentam causar empurrando-o para perto dela a todo momento. Ah, que perturbador! Não podem fazer isso em algum outro lugar, por favor?

Escondi meu rosto sob os joelhos, e não quis enxergar nada além da escuridão. Oh, onde eu estou com a cabeça? Por qual razão deveria me sentir responsável? Eu sou mesmo tão responsável assim? Sou realmente confiável?

Tudo está escuro, tão denso... impossível de se enxergar. O que se encontra à mostra na minha frente que não quero ver? Porque estou fazendo isso comigo mesmo? Não consegue nem se ver direito no espelho sem sentir remorso ou repúdio, idiota! O que pensa que está fazendo, seu imbecil?!

Eu deveria acabar com isso... sim, isso tudo vai acabar. Darei um fim àquilo. Não deve ser tão difícil, é apenas algumas palavras. Se as repetir várias vezes em minha mente, posso transmiti-las sem muitos problemas. Terei que ter confiança em minhas próprias palavras, ao menos... é tudo o que me resta. Tudo. O que estou querendo provar? Ah, eu sei. Desde o começo... tudo estava lá. Tudo está organizado em minha mente. E, no entanto, quis evitar de me enxergar do outro lado. Simplesmente não consigo me imaginar em tal situação, mas não é como se não quisesse, sabe? Quer dizer, todos devem querer imaginar tal coisa em algum momento em suas vidas, mas sabe? É difícil, não parece ser algo tão natural quanto algumas pessoas possam parecer demonstrar. Oh, sei o que isso parece. Ah... como sou arrogante. Será que deveria parar de pensar agora? Sim, isso seria o melhor.

Sei o que devo fazer. E o farei. Está tudo certo. Acalme-se. É isso... é isso...

“Você é o que é, pare de achar que é especial.”

...

“Continue se rastejando na sombra do _____... e você se tornará patético.”

...,

“Você não será ninguém apenas agradando. Sua aparência é horrível por não pensar em si mesmo. Você acha que chegará a algum lugar se continuar assim?”

..., ...

“Você é tão previsível. Patético. Porque acha que é especial? Sua vida é mais patética do que a de qualquer um.”

“Sei o que é bom para mim. E você será apenas um boneco, no fim. Um mero fantoche que será descartado. É tudo o que você será.”

“Obedeça-o... ceda sua vontade ao _____ e perderá sua individualidade. Ah, você nem mesmo tem uma, não é? Você é apenas uma criatura patética, que rasteja por todo canto. Mas eu irei te dizer: se você for como _____, não passará de lixo. Você nunca será capaz de ser como eu, nunca conhecerá alguém bom. Você está no fundo do poço, e não possui chance alguma... receber misericórdia dos outros é tão bom assim para você?”

“Definha-se em uma pena ridícula de alguém que nunca te amará. Definha-se em sua própria existência, pois do que adianta ter nascido se não pode ser mais do que isso?”

...

Harumi, você não sabe de nada.

Senti algo escorrer de meus olhos. Deslizou pelo meu rosto e caiu no chão. Ouvi minha própria respiração, e contive os grunhidos. Oh, estou tendo aqueles pensamentos novamente.

Se tornaram mais constantes, então já não sinto mais aquela raiva súbita. Meu peito pesou e ardeu, minha mente zonzou. Meus olhos continuaram se derramando e não soube se poderia fazer aquilo parar, mas deveria. Preciso parar antes de começar a soluçar...

Eu sei o que é esse sentimento... ser patético. Ver que minha existência é... ah, pare de pensar. Por favor, apenas por um momento... vamos, pare de chorar. Enxuguei os olhos nas mangas da camisa entre os intervalos dos pequenos soluços, deixando-as ensopadas. A partir daí, notei que a chuva parou há muito tempo. Tudo ao redor se aquietou... e se estagnou. O tempo... parou? Meu desejo se tornou realidade? Ou apenas fui o único preso durante um momento? Esse ínfimo instante durou uma tenra eternidade em minha mente... uma viagem pela mente de acontecimentos que parecem ter ocorrido há alguns dias, mas que levaram anos...

Minha visão não ficou mais tão enevoada... levantei o olhar para o céu noturno, sem motivo nenhum. Visualizei a presença da lua, me iluminando. Aquela sensação que sempre procurei... por muito tempo... por sua solução, e mais uma vez não veio. O que procuro não parece estar em lugar nenhum... mesmo que revire todo o mundo de cabeça pra baixo. E mesmo assim, visualizava a lua toda vez... pra confirmar. Mais um dia se passou e o sentido de estar cada vez mais longe de onde gostaria ficar é mais sólido e mais forte.

Minha cabeça, tão pesada, tombou pro lado sem ter o que pensar... e minha atenção se voltou para a pessoa que acabou de passar pela porta de correr da varanda e se sentou ao meu lado.

— Shiroyama.

Sua voz me chamou. Nossos olhos se encontraram no silêncio. Yonagi me encarou com um tom de preocupação, era o que está escrito em seu rosto. E, no entanto, não disse nada durante alguns segundos. Meus olhos ficaram em um transe momentâneo pelo seu olhar.

— O que está fazendo aqui?

Foi tudo o que consegui pensar em dizer.

— A conversa... lembra?

Ela me respondeu de imediato, o que me gerou dúvida. E então, complementou:

— A nossa conversa. O que acha de termos ela aqui e agora?

— Desde quando... você chegou?

— Desde que o vi enxugando as lágrimas... — disse. — Quando dei por mim, já estava aqui ao seu lado.

— Parece que desta vez sou eu que deveria estar envergonhado... — comentei, coçando os olhos.

Na primeira vez que a vi, conheci seu lado tímido e vulnerável. Desta vez, eu que estou nesse lado da moeda. Ela não pediu explicações sobre nada, apenas disse que queria conversar sobre o que havíamos prometido.

— Acho que devo começar por isso... — entoou Yonagi. — Em como você é curioso para mim.

— Curioso? Para você?

— Tudo sobre você... tudo o que fez até agora... me intrigam muito... — disse. — Eu o estive observando de longe e, apesar disso, parece que nossa distância não mudou tanto.

— Sim... nossa distância é... quase a mesma de antes... — murmurei.

— Não exatamente, não depois de tudo aquilo que aconteceu... — expressou Yonagi.

— Não sabia o que deveria pensar sobre todos... sobre sua posição... — disse, fitando o jardim. — Há muita coisa que não experenciei. E não quero receber atenção indesejada. Se é para estar em algum lugar, então que seja da melhor forma possível. Se é para ter relacionamentos com os outros, que não seja por coincidência de ocasiões.

— Você acha que nosso relacionamento começou por uma coincidência? — indagou ela, seus olhos mergulhavam sob os meus. — Tudo o que aconteceu até agora, foi uma coincidência pra você?

— Não existem coincidências... — afirmei, mais para mim mesmo. — É o que busco acreditar, mas houve momentos que duvidei. De todos e... de mim mesmo. Não pude descartar a possibilidade que poderia não estar ali naquele momento.

— Como assim?

— Veja, estar rodeado de pessoas assim... se outra pessoa estivesse ali, poderia ter sido diferente. Tudo seria diferente.

— Mas não seria o mesmo sem você. — Ela se aproximou. — E o que tem isso? Este era o problema? Foi tudo sobre você?

— Não queria pensar que minhas decisões seriam decisivas para outra pessoa. Eu nunca parei para pensar nisso, na verdade... — pausei. — Não estar nesta posição foi onde sempre estive. Estar rodeado por questões causadas pelas minhas próprias ações era minha realidade. E todas essas consequências... nunca foi ego inflado, não poderia nem mesmo cogitar isso.

— E por quê?

— Porque? Bem, não há uma razão específica para isso... — engoli em seco. — Se as coisas ocorrem deste jeito, não há muito o que se fazer em relação a isso. Não sabia como reagir, e queria ver... queria ver o que você faria.

— O que eu... faria?

— “O que Yonagi Kaede faria nessa situação?” Foi o que pensei. Pois alguém como eu pode não estar à altura, e almejaria um caminho diferente para chegar no mesmo lugar.

— Porque?

— Bom, não é como se pudesse agir da mesma maneira que você. E somos parecidos em alguns casos, mas sei que faria as coisas de um jeito que...

— Não, não é isso. Estou querendo saber a razão de você se desprezar tanto.

— Ah...

— Por que fazer isso consigo mesmo? Porque se coloca tão para baixo? Eu sou mesmo alguém que está em um nível diferente dos outros?

— É porque você está..., mas não do jeito que acha que pensa que estou dizendo... — Aquelas palavras escaparam de minha boca, e senti meu rosto esquentar. Minhas mãos formigavam. — Ah... esquece o que eu disse...

— Não... não posso esquecer... — murmurou Yonagi, seu rosto corou, mas sua expressão permaneceu determinada. — O que não estou achando direito sobre essa opinião?

— Nunca... nunca pensei... que poderia seguir os mesmos trilhos que você... — gaguejei. — Mas..., mas eu tentei... e continuarei tentando encontrar uma forma diferente. Pois quero que me veja traçando meu próprio caminho.

— Ah. Então...

— Você é incrível... — disse, olhando para baixo. — Quer dizer, suas habilidades são incríveis, e olhar para você me faz acreditar que posso ser incrível também se estiver no mesmo patamar. Pode ser de uma outra maneira, mas isso é... possível. Mesmo que seja eu.

— Isso... isso de novo! — retrucou Yonagi, tentando desviar o olhar. — Por que faz isso consigo mesmo?

— Eu...

— Por que acha que sou alguém tão incrível assim? — Seus olhos voltaram a me captar totalmente. — Pelos jeitos superficiais que as pessoas me rotulam? Pela forma como todos depositam toda a sua confiança em mim?

— Por que você é o que é, Yonagi. — Eu a fitei, sem hesitar. — Por que sei que irá conseguir cumprir o que fala, não importa o que aconteça. Você pode ser inabalável, e pode inspirar os outros. Com essa determinação, pode chegar onde quiser... por não esconder quem você seja. Porque... porque simplesmente é você.

Yonagi piscou algumas vezes para mim ao ouvir minha resposta e cobriu seu rosto nos joelhos.

— Assim... como você me desenhou? — Sua voz estava abafada.

Meu rosto ardeu mais ainda e grunhi.

— Ah... aquilo... aquilo foi apenas uma expressão reflexiva... — desviei o rosto. — Seu... seu rosto é bonito... quer dizer, é parecido... você parece que reflexe demais sobre as coisas...

— Ah... — Ela levou um segundo pra dizer: — Assim como você... também reflexe...

Sua resposta me fez fitá-la novamente, que recuperou um pouco a postura.

— Você está sempre pensando. Então, está sempre refletindo... — Seu rosto corou ainda mais. — Você... você presta tanta atenção em mim quando estou assim?

— Eu... eu só estive... curioso sobre que tipo de pessoa você é... E, para mim, você é isso. Alguém que fica refletindo sobre tudo, que pode ajudar os outros e mudar as coisas, que pode mostrar ser tímida e gentil e mesmo assim impor sua posição sobre as outras pessoas e não ser ultrapassada por ninguém. Você é esse tipo de pessoa, e não sou igual.

Yonagi olhou para o céu e disse:

— Essas palavras... alguém me disse algo parecido antigamente... — refletiu. — Mas ninguém colocou isso além das palavras como você...

— É por isso que evitou de falar sobre seu irmão?

Ela acenou com a cabeça.

— Aliás, sempre quis te perguntar sobre isso... — acompanhei seu olhar ao meu. — ...o que conversou com Hisashi Masayoshi durante a convenção? E outra coisa...

Yonagi palpitou quando tomei o assunto à tona.

— ...seu irmão disse que ele é um ex-colega do seu pai... isso é verdade?

Diante de tantas questões, a garota à minha frente, deslumbrante sob a iluminação da lua, me encarou gentilmente.

— O fato do meu irmão agir assim comigo... é que sou muito parecida com meu pai. Isso é o que as pessoas costumam chamar alguém de... excêntrico. E sim, Hisashi Masayoshi estudou junto com meu pai... quando fui pedir seu autógrafo e disse meu nome, ele ficou surpreso.

— O que ele disse?

— Que sou realmente filha do meu pai... interessada nas mesmas coisas... — Ela recordou do momento com um sorriso infantil. — Sabe? Pra mim, meu pai é como um herói... ele seguiu seu sonho e trabalha com o que ama... por isso, quero trilhar seu caminho também... foi o que disse para o Hisashi.

Seus olhos brilhavam ao lembrar do pai. Foi então que percebi... seus pais não estão presentes nessa viagem. Seus tios querem que ela se divirta o máximo possível, mas não podem substituir o desejo dela de querer vê-los... foi por isso que se manteve trancada no quarto em vários momentos.

— E, o que tem de você ser parecida com seu pai?

— Meu irmão... ele acha que sou excêntrica igual meu pai. Correr atrás de um sonho em vez de um objetivo tão concreto é algo que... só alguém como ele consegue fazer.

Seu jeito nostálgico e levemente brincalhão em falar do assunto acalmou meu coração e o deixou tão leve como se estivéssemos na superfície da lua... quer dizer, essa sensação sempre me acomete quando conversávamos, mesmo nas discussões.

— Meu pai... trabalha como pesquisador físico no Observatório Europeu do Sul, que fica no Chile, operando o telescópio Atacama. Ele está sempre ocupado, então raramente nos vemos... — Ela fitou a luz do luar, ressaltando sua silhueta. — E toda vez que o vejo... ele exibe o mesmo sorriso infantil de sempre... desde pequena decidi que quero conquistar o mesmo que ele, quero entender... o que é essa felicidade de vivenciar sua vida da maneira que deseja!

Sua íris resplandecia pelo brilho prateado, exibindo as distorções causadas pelas ondas turvas formadas pelo canto dos olhos, levemente contidas pelos seus dedos finos.

Minha visão parecia até mais clara ao vê-la tão iluminada pela lua dessa forma...

— Minha mãe trabalha como diretora em uma das melhores universidade de Tokyo, e meu irmão está cursando direito... para eles, o que meu pai vive é uma fantasia... como se ele...

— ...vivesse em uma realidade diferente da deles... — complementei, e novamente nos encaramos em silêncio. — É por isso... que deseja ter um telescópio?

— Eu... eu só queria poder me sentir mais próxima do meu pai... nem que seja apenas um pouco... — Sua voz embargou e novamente coçou os olhos, emocionada.

Nisso, tirei um cartão do bolso. O pequeno pedaço de papel continha um número de telefone.

— Quando disse sobre aquilo no restaurante... seu irmão me disse que se ainda tiver interesse, deveria o comunicar...

Yonagi ficou surpresa.

— Não me diga...! Será que ele consertou?

— O quê?

— Quando... quando Kiyoshi era mais novo, meu pai deu a ele um telescópio modelo HRT60L para que pudesse ver as estrelas e... no início do seu ensino médio, ele o quebrou.

Isso explica e muito a relação que os dois irmãos têm. Apesar disso, não parece que Kiyoshi a despreza, muito pelo contrário.

— Ele não quer que você sofra com desilusões... sonhos podem ser impossíveis de se alcançar...

— E apesar disso, vou insistir nisso. — Ela proferiu. — ...por mais que me sinta sozinha em não poder compartilhar isso com ninguém. Estou em um lugar que preza meu esforço.

Sim, nós somos alunos da Daiichi, a escola de elite que visa conceder aos estudantes prestigiados o direito de ir para onde quiserem. Até mesmo seguir uma carreira difícil pode ser possível. Isso mostra o quanto de determinação Yonagi possui para manter seu sonho até o fim.

— Eu quero poder chegar cada vez mais longe... e conseguir boas oportunidades... — Ela murmurou. — E por isso, desde o momento que te conheci, senti que teria que saber mais sobre quem é Shiroyama Hideo. O que a professora Harashima viu em você para o colocar em uma disputa comigo?

— Não acho que vou conseguir entender as razões daquela professora... — murmurei. — Mas, sinceramente, posso enxergar algumas coisas.

— Quais?

— Não a vejo de baixo como um astro... — disse, fitando a lua. — Você é alguém que está no topo e não há ninguém igual. Você é simplesmente única.

— ...

— É única. E não é você que se coloca no topo, foram os outros que a deixaram neste pedestal. Só que você pôde se manter lá. É isso o que consigo enxergar, e é o que a professora Harashima também viu, provavelmente. Se não há alguém para estar ali, não poderá ter as experiências para o futuro. Mesmo para as pessoas solitárias, temos que ter desafios, e sem isso, definhamos. Você tem um potencial incrível, e quero ver isso. É isto o que percebi quando a conheci, e o que me deteve sobre as outras questões do clube. Quero estar perto e ver isso, e acabo não conseguindo evitar...

— ...!

— E eu... não é como se estivesse na mesma posição. Estou sozinho, pois ninguém considera que posso chegar em algum lugar. Durkheim disse isso: se você não estiver integrado a sociedade, estará à margem. Será descartado e subestimado. E por isso... não a vejo como um astro. Você é alguém que poderei alcançar. Não, que posso andar lado a lado. Mesmo sozinho... isso é possível.

— Por isso que... você chorou desse jeito?

Uma vez disse para ela: Tudo o que sonhei e desejei, a sociedade destruiu”. Foi exatamente o que aconteceu comigo.

— Minha mãe trabalha como pedagoga em uma creche... e meu pai trabalha em uma empresa de exportação como um gerente administrativo... — proferi, com a garganta seca. — Se for analisar, não tempo nenhuma característica que mostre algo fora do comum..., mas desde que nasci...

Minha voz surpreendentemente não falhou. Contei a ela uma pequena parte de minha infância...

— ...odeio minha irmã mais velha, por mais que seja horrível de se ouvir. — Meus olhos pesaram. — E depois de tanto tempo fora, ela resolveu voltar. Apesar do jeito que seu irmão a trata, ao menos ele pensa em ti. Se tratando da Harumi... qualquer um próximo de si se torna uma mosca.

Me senti um pouco mais aliviado por conversar sobre isso com ela, que não proferiu nada, mas assentiu. Aparentemente, Yonagi não odeia seu irmão, apenas o acha imprevisível demais.

— Entendo...

— Pode-se dizer que desde pequeno não tive valor algum atribuído, exceto pelo o da minha mãe, que sempre me ajudou...

— Desde... desde pequena... — começou Yonagi, a voz cada vez mais embargada. — Sempre tive que superar todas as expectativas que foram impostas, e conforme passei por elas... fiquei cada vez mais sozinha. Meu irmão se afastou de mim pela escolha que fiz... e isso me assolou profundamente. Amigos e parentes tão próximos se tornaram parte do plano de fundo, por quererem ressaltar algo que não queria.

— ...

Continuei a fitar Yonagi em silêncio. Ela encarou o céu, as estrelas e as nuvens com uma expressão triste.

— E então fui transferida para aquela escola, da qual fiquei totalmente sozinha e sem ninguém ao meu lado... tive que me proteger em uma casca fria e solitária por todo este tempo desde então. Exceto que...

Seus lábios pararam durante um momento, e seus olhos se estreitaram como se evitasse querer se expressar. Ela parecia estar se segurando, contendo suas emoções. Isto era algo consciente?

— ...ele estava lá. E achei que não ficaria sozinha.

— Ele?

— Oguro. Meu primo... — expressou Yonagi, visualizando a imensidão acima de nós. Seus olhos brilhavam. — Ele era minha única companhia naquele lugar.

Minha atenção não se desviou da imagem à minha frente. A garota que era tida como um dos maiores gênios daquela escola... naquele momento é a garota tímida que a conheci em meu primeiro dia, nada mais.

— Ele esteve comigo durante todo o ano passado, mas... nos desentendemos e como consequência, Oguro saiu da escola. Ele... era da sua classe, Shiroyama.

Então, tomei o lugar como estudante de Oguro na escola Daiichi. Esta era a relação que tinha com Yonagi?

Mas, eu servia como um alguém que lhe fazia companhia assim como ele fez? Não, não era isso.

Nós somos rivais. Oponentes em uma disputa. Não há inimizade entre nós, mas sim um tipo de curiosidade para ver quem era aquela pessoa da qual compete.

Foi isso que ela viu em mim. Foi isso o que quis confirmar. E era isto o que quis buscar conhecer dela. É o que a professora Harashima me disse antes: Yonagi recebeu vários obstáculos e desafios, os superou com o próprio esforço até chegar onde está hoje.

— E por isso que... — tornei a falar. — Quando discutimos naquela vez, você achou que aconteceria a mesma coisa com Oguro?

— Acho que nós dois cometemos erros no passado... — entoou Yonagi. — E não quero repetir isso. O peso de um relacionamento, seja pessoal ou apenas uma disputa, isso tem um valor. Acabei me acostumando a esperar que as pessoas que se relacionam comigo me façam de exemplo como símbolo de valor para ego próprio.

Se você é considerado alguém de status, então quem lhe enfrentasse será reconhecido como uma pessoa incrível, mas e para quem era a pessoa de status? Como seria esta perspectiva?

Será desmerecido de suas habilidades se for superado.

— Por causa disso... — continuou Yonagi. — Senti que fui odiada em muitos momentos. Tudo o que quero é um dia me desvencilhar destes olhares e tomar um rumo próprio.

Ser alguém que toma o próprio rumo, ela é alguém que quer buscar isso com mais afinco do que qualquer um.

— Mas Oguro não era assim, quis me usar como um artifício de status... — Sua voz carregou peso. — E percebi que ele não me ajudaria quando mais precisasse dele...

Yonagi querer ajuda? Porque alguém pensaria tal coisa?

— Querer ajuda... — murmurei. — E neste ponto... não somos diferentes.

Ela me fitou desta vez. Meus olhos tremiam.

— Pois por mais que peça ajuda... não teria ninguém para estender a mão... — toquei a deformação em meu rosto, como para confirmar que estivesse ali presente, como sempre esteve. — E não me restou escolha senão estar sozinho. Tudo o que me restou foi... aprender.

— Aprender...

— Aprender a como agir. Aprender a como lidar com as situações. — Minha visão desvaneceu por um instante, enxergando traços de memórias distantes. — Então durante todo este tempo... estive observando.

— ...

— Eu achava que, se pudesse aprender sozinho, não precisaria da ajuda de ninguém para tal. — Minha boca tremeu. Não, meu corpo que balançou. Mas há frieza no local.

— Mas... apesar de achar algo como isso... — Yonagi tornou a falar. — Nunca pensei em dizer isso para alguém... você não está mais sozinho, Shiroyama.

— Não estou... sozinho?

Ela me olhou com ternura. Seus olhos tinham um sentimento profundo carregado, vendo através de mim.

— Todos estamos aqui... e estaremos juntos. Por algum tempo... — Ela se agarrou nos joelhos e pousou sua cabeça neles, mostrando um sorriso gentil e sincero.

Meus olhos congelaram naquele momento, e senti que o tempo parou... parou de verdade. Aquele instante me foi eterno, meu corpo se imobilizou e não consegui pensar.

Ela desviou o olhar para a lua novamente, e suas pupilas pareciam mais vívidas do que nunca.

— Até que as decisões sejam tomadas... até que tudo se encerre. É isso que vai acontecer. E eu quero... quero ver o que irá me mostrar. Se estamos aqui para aprendermos um com o outro, então não terei mais anseios com os meus erros. E não os ignorarei. Eu irei crescer cada vez mais, e ir mais alto ainda.

Tudo o que passamos e o que vivemos. Tudo foi diferente. O que foi presenciado em nossas visões transmitiu-se em perspectivas alternadas. Tomamos caminhos errados, erramos e aprendemos. Era foi a lição que a professora Harashima quis nos mostrar? Um gênio como Yonagi poderia estar apreensiva sobre suas próprias decisões a ponto de ter de observar um alguém que tentava de tudo para receber mérito em suas ações e falhar? E eu? Teria que ter ciência do caminho árduo que iria seguir por não ser o mesmo que Yonagi? Construir consistência, crescer naquilo e evoluir.

Era tudo tão profundo que não parecia ser real. Mas, mesmo que não fosse, para mim se tornou. Somos oponentes, mas não conheço outra pessoa que possa me ensinar mais do que ela. Era interessante, intrigante. O quanto posso aprender? Se eu tiver de me frustrar, o que ocorrerá depois?

Yonagi parecia estar animada, pois seu rosto estava vermelho. Ei, espera. Ele estava vermelho mesmo?

Por mais que o luar nos iluminasse, não tinha como ter certeza.

Ela se levantou após dizer aquelas palavras e murmurou gaguejando:

— Boa... Boa noite, Shiroyama. O... obrigada pela conversa.

Abriu a porta de correr e já iria fechá-la, quando a respondi:

— Eu não sou bom em lidar com essas coisas, mas vou tentar. Irei aos poucos tirar essas palavras da minha boca. E você será quem verá isso. Bom, os outros também. Mas quero que veja minha evolução, Yonagi. Quero ser melhor do que posso ser. E mais do que penso em querer ser.

Ela me fitou durante alguns segundos, e então falou:

— Então, você poderá ser quem...

— ?

Ela ficou sem palavras e desviou o rosto, correndo para o interior do saguão e desaparecendo nas escadas. Fiquei alguns instantes sem saber reagir àquilo. Disse alguma coisa estranha?

Ei... definitivamente disse algo estranho! Ah, que coisa...

Cocei a nuca pelo nervosismo e voltei a olhar para a lua.

Se havia alguma coisa que Shiroyama Hideo possa fazer, faria. Se teria de errar, erraria. E tentaria de novo. Pois era a única coisa que soube fazer, durante anos foi o método que usei para me adaptar: errando e aprendendo. Aquilo poderia dizer com certeza, que estou no meio do caminho e as coisas podem tomar rumos inesperados. E nunca saberia quais serão estes caminhos, mas que a partir dali em diante as coisas serão diferentes para todos. Mudanças precisam ser feitas. Diante de tudo o que ocorreu até ali, e todos que conheci e estão presentes naquele clube. Nada duraria para sempre, e não é algo que pode ser evitado. As relações se alteram constantemente, e nem sempre era possível prever como se comportarão.

Mas para todos que conheci e aqueles que irei de conhecer, farei algo para que suas mudanças sejam para sua própria evolução. Pois, sei que de algum jeito isso será uma maneira de evoluir também.

De toda forma, meu coração se acalmou — e minha mente voltou a funcionar da maneira irritante de sempre —. Preciso tomar as medidas com toda racionalidade, e estarei lá quando tudo der errado para oferecer a mão. Aprender e ensinar são coisas que andam lado.

Parece que após um longo tempo, compreendi de fato. Agora será o palco para aprender novas emoções e sentimentos. Bons ou ruins.

Sim, Harumi. Você estava errada.

Por mais que tudo aconteça como você ou _____ pensam, minha vida não acabará aí. Não estarei obstruído por paradigmas e nem submissões. Minha vida é minha e apenas minha.

Até que as coisas se desenrolem para o fim e tenha minhas próprias conclusões.         Este é o meu satélite, e estou sozinho. Mas posso observar aquele planeta abaixo de mim, crescendo e evoluindo, acompanhando-o. Aquele satélite distante de mim, parecia tão perto quanto longe... quero alcançá-lo. Este é o meu desejo e vontade?

Eu confirmei em meu coração.

Por mais que ainda não entenda... que não me misture. Foi algo que sempre soube desde o início, e permanece inalterado. Aquele satélite da qual fui taxado e subestimado, como algo que não consegue chegar a lugar algum.

Por quanto tempo seguirei esse caminho sozinho sem querer influências? Não, era impossível dizer que não serei influenciado por aquela imensidão chamada sociedade. Todos emitem ondulações como em um oceano, e conforme afundo cada vez mais, sentirei suas vibrações e aceitarei quais me completariam. Meu coração já sabe disso, por mais que no fim termine com apenas o meu pensamento naquele profundo azul onde a luz não alcança, não deixarei essa pressão definir onde devo estar.

A opinião dos outros não é o que devo assumir como posição, e sim o que acreditar e o que precisa ser feito. Ao menos, vi que ela pode ter este mesmo pensamento.

À todas minhas frustrações, fracassos e desilusões... aceitei-as em meu coração também.

Ao ver aquele satélite que não é um astro, afirmei aquilo para mim mesmo.

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