Our Satellites Brasileira

Autor(a): Augusto Nunes


Volume 4

Capítulo 3: Começa o Interescolar ⑥

Teru ainda permaneceu aborrecido.

— Nós podíamos ao menos ter pedido uma sobremesa! Qual foi dessa pressa toda?!

Nós quatro saímos a passos largos. Não precisei nem dizer uma única palavra, Himegi e Kuroi acompanharam meu ritmo. Somente Teru continuou reclamando...

— De todo jeito, seu timing foi perfeito... — disse a Himegi. — Nem mesmo cogitei da possibilidade de vermos os jogos da nossa escola.

— Como assim? É a nossa escola, então temos que ao menos prestigiar! — indagou ela. — Francamente, como você diz o impensável e não o que todo mundo faz?

— Impensável...

Não gostei de como soou essa palavra...

— Por mim, já não aguentava mais aquela atmosfera... — expressou Kuroi. — Vocês têm a minha eterna gratidão!

— Ei! Sério, isso? — Teru falou, mas foi ignorado.

— Além disso, acho que será bom que fiquem sozinhos por algum tempo. Durante todo esse tempo, eles não tiveram um momento em família desde que chegamos.

Ela tinha um ponto. E como disse para tia Mikoto, tudo está tranquilo. Rentaro e Tatsuhiro ficarão de olho em Yonagi, não há preocupação. Tomoyo e Sakuya empurrarão o jogador exausto ao lado de Yonagi, que a confortará como um verdadeiro príncipe encantado. Tudo acaba bem e com um final feliz.

A verdade é que não queria voltar para o estádio por não me sentir recuperado da tontura que senti mais cedo, mas não revogar a decisão. Ainda mais por ser o mais velho entre eles.

Compramos novos ingressos e milagrosamente conseguimos assentos alinhados. Nós quatro seguimos a ordem de: Kuroi, Himegi, eu e Teru. A torcida vibrou quando os jogadores entraram no campo. Takahashi assumia a liderança, com Inuzuka logo atrás, confiante.

Esse cara foi corretamente descrito como um completo orgulhoso. Apesar disso, sua boa aparência atraiu os olhares de muitos. Não me surpreendeu o fato de Chinatsu ter começado a gostar dele.

Ao todo, os jogadores da Daiichi pareciam confiantes. O outro time da Kanryou entrou em campo, também brandados pelos torcedores. Caso perdessem, estarão fora da competição de vez. Deve ter sido por isso que a família Yonagi não quis permanecer ali, a escola Daiichi é sua inimiga nessa ocasião.

O jogo começou de maneira surpreendente. Takahashi e Inuzuka assumiram o ataque iminente de forma explosiva, pois em poucos minutos fizeram o primeiro gol. Inuzuka brandiu seus braços e fez pose para comemorar.

Esse cara pode realmente se tornar popular... que problema...

A partida recomeçou e ele logo assumiu a posição da bola, driblando todos à sua frente e, se alguém o empurrasse, Inuzuka fazia o mesmo. A partida resultou em muitos passes de falta, pois todos da Kanryou se irritaram com Inuzuka e tentavam impedi-lo a todo custo. Porém — por mais arrogante que fosse —, ele era imbatível.

Mesmo sendo irritante, as garotas acham isso irresistível de certa forma, pois muitas gritavam o seu nome e ele retribuía sorrindo e vibrando. Todos os atacantes da Daiichi agiram ao mesmo tempo em um show de passes constantes entre si e Takahashi finalizou com um chute direto ao gol.

Todos da Kanryou se alarmaram contra os outros jogadores, mas não conseguiam evitar seus ataques. Por mais que cometessem faltas contra Inuzuka, ele parecia não se cansar. E a cada vez que se machucava, ficava mais agressivo e mais assustador. Não posso culpá-los...

O primeiro tempo da Daiichi contra Kanryou ficou 3x0. Houve faltas nos dois times, mas a maioria foi remetida a Kanryou, direcionadas em suas canelas, Inuzuka foi realmente impiedoso...

Veio o intervalo e recebi uma ligação. Era Takahashi.

— Estou te vendo da arquibancada. Queria saber se vai participar da festa que iremos fazer após os jogos.

— Festa? Ah.

Lembrei que quando Takahashi disse sobre o interescolar, fariam uma festa para depois do jogo terminar, reunindo alunos do primeiro ao terceiro ano.

— Parece que aquela festa terá mesmo...

— Oh, é verdade! — Himegi se animou. — Me esqueci completamente por causa da família da Yonagin...

— Parece divertido. E depois que os jogos terminarem, vamos para casa... acho uma boa maneira de terminarmos nossa estadia por aqui... — disse Kuroi.

— Pelo visto vamos todos participar, Takahashi... — respondi na ligação, indiferente. Àquela altura, já não sei mais o que pensar direito.

— Certo. Depois te digo onde será. Ah, e terá um teste de coragem, então se prepare.

Takahashi desligou e fiquei em dúvida.

— Teste de coragem?

Teru ficou surpreso.

— Oh, temos mesmo que participar!

— Hein? — expressei, confuso.

Ele puxou o meu braço e disse:

— Tenho que falar com você!

Como ainda restava alguns minutos para o jogo recomeçar, decidi ouvi-lo. Nós nos afastamos das garotas e fomos para longe de onde ficava as arquibancadas.

— Eu... eu acho que Kuroi possa estar gostando do Rentaro! O que você acha?!

Engoli em seco. Parece que Teru não é tão avoado como pensei...

— O que acho? Bom, não sei se devo achar algo ou não...

— Ah, certo. Você sempre é tão neutro, Shiroyama.... mas para muitas coisas é muito indeciso, viu.

Dei uma risada seca, apenas não respondi por não querer... quer dizer, como vou dizer algo nessa situação?

Afastei minhas perturbações e decidi só ouvir o que ele teria a dizer.

— E se for? — indaguei. — O que vai fazer?

— Agir primeiro!

— Hein?

— Veja, ele não terá tempo a não ser se concentrar nos jogos! —começou Teru, animado. — Então, vou aproveitar que iremos para a festa da escola em que ele possivelmente não estará lá e direi para Kuroi o que sinto!

— Hein?! Mas..., mas já? — questionei, incrédulo. O que ele tinha na cabeça?!

— Ela gosta de coisas de terror, então se puder impressioná-la no teste de coragem pode ser que algo aconteça! — exclamou o garoto. — Eu quero que ela repare mais em mim! É assim que um homem deve agir!

Como disse, quem você está chamando de homem?

Prevejo um futuro terrível, mas...

Não é impossível de se ver os riscos, porque essa tamanha insistência? Qual o sentido de as pessoas quererem se arriscar em algo que sabem que podem não dar certo?

É por querer viver o momento. No fundo, sempre soube que essa é a resposta correta. Dizem que um arrependimento é maior se você não tentou daquele que agiu e não funcionou.

Teru saberá lidar com o possível desapontamento que terá quando o momento chegar? Talvez deva impedir que sua ideia siga adiante para que Kuroi não tenha problemas com ele depois...

Ou não? Não é como se realmente me importasse, mas fiquei interessado no que pode acontecer. Se alguém levasse uma rejeição, como ela ficará?

Pode ser o que sinto quando penso em Kirisaki? Ainda não tinha certeza, mas posso fazer daquilo um teste. Quem diria que a ideia de Teru poderia me fazer aproveitar coisas novas, não é mesmo?

Então, usarei daquela posição neutra ao meu favor. Deixando de lado o que eu quero, Teru vivia se autodeclarando como — homem de verdade —, e vai levar aquela ideia adiante até que se prove o contrário. Pela aceitação ou rejeição de Kuroi, o quanto ele mudará? O quanto ele evoluirá como pessoa?

Pensar naquelas possibilidades me deixaram interessado.

— Certo, se você está decidido não posso impedi-lo... — disse. — Mas pense nas consequências. Não farei muito, mas também não contarei nada disso a ninguém.

— Obrigado! Você é incrível!

Ele ficou bastante animado, mas Kuroi parecia bem menos agitada. O que percebi foi que ambos estão num impasse e se um quisesse se mover, o outro também deveria. Isso é o que acho. Nesse caso, teria de seguir aquele fluxo e ver o que posso fazer?

De qualquer forma, voltamos para assistir ao jogo. Naquele segundo tempo, houve uma grande vaia na torcida pelo outro lado. E justo quando os jogadores retomaram sua concentração na partida, algo estranho aconteceu.

Surgiram punks entre os torcedores que causaram grande comoção atacando ou empurrando quem estivesse por perto. Takahashi avançou e fez mais um gol, mas recebeu insultos entre vaias e torcidas por entre as arquibancadas, gerando conflitos.

O que aqueles caras pretendiam, afinal? A multidão ficou apreensiva, mas os responsáveis juvenis começaram a tomar medidas preventivas, tentando tirar os punks do meio da torcida. Uma cacofonia se instalou e não dava para compreender exatamente o que estava acontecendo do outro lado, mas uma espécie de perseguição se gerou e algumas pessoas começaram a correr por entre a multidão do outro lado.

Próximo a nós também surgiram punks tumultuando. As garotas ficaram assustadas, as pessoas ao nosso redor relutaram por não saber se deveriam ficar ou sair dali. Aquele jogo até então pacífico se tornou uma completa confusão. Apesar de serem em menor número, os punks eram ágeis e se desviavam com facilidades dos que tentavam pegá-los.

Percebi quase tardiamente que era praticamente um grupo de dez vândalos ao nosso encalço, empurrando e agredindo. A multidão tentou se dispersar, subitamente reconheci alguém entre as pessoas assustadas, uma garota de cabelos ondulados com um rosto conhecido. Ela era...

— Kirisaki?!

Ela foi pressionada pela pressão das pessoas que quase tropeçou. Ao vê-la assustada daquele jeito, reagi inconsciente em intervir, mas meu corpo congelou. Himegi e Kuroi se apavoraram — Teru mais ainda —, não posso deixá-los sozinhos!

Um deles invadiu o campo para cortar caminho e rapidamente foi impedido de prosseguir por um membro do time da Daiichi. Ei, ele era...

— Não atrapalhem nosso jogo, seu bando de imbecis! — esbravejou Inuzuka, acertando um soco no rosto do punk, que caiu desacordado. — Vou acabar com cada um de vocês se vão nos atrapalhar!

Aquele cara é realmente insano!

Outros punks invadiram o campo, mas Takahashi e os outros os impediram com pontapés e socos diretos. Em questão de minutos aquela confusão foi contida.

— Juiz, recomeça o jogo! — exclamou Takahashi.

— Está maluco, cara?! — indagou Kazebayashi. — Não temos como proceder, certo?

— Deixa de ser mole, Kazebayashi! — grunhiu Inuzuka. — Ei, povo da Kanryou! Vocês concordam conosco, não é?! Estamos aqui pra provar os nossos ideais e não podemos ser abalados por qualquer coisa que aconteça!

A torcida inteira ecoou abaixo, apoiando a decisão dos jogadores. Muitos gritavam: — Inuzuka! Inuzuka! — a plenos pulmões. Pelo visto, Rentaro não foi o único a conseguir a atenção de todos à sua volta com suas habilidades em equipe.

O juiz assentiu e a partida prosseguiu sem outros obstáculos.

Os punks foram todos retirados do campo pelos responsáveis juvenis e levados ao lado de fora. Eu sei que torcedores podem ser complicados, mas...

Que caras bizarros. Eles pareciam estar fora de si, inclusive.

Himegi e Kuroi suspiraram aliviadas. Eu fiquei tenso também e quando olhei para Teru, ele ficou tão paralisado que suas pernas não paravam de tremer.

— Se... se algo acontecesse, eu iria protegê-los!

Esse garoto não podia apenas ter esquecido o que tinha me dito há alguns instantes atrás? E o que valia querer dizer palavras legais se não conseguia parar de gaguejar? Veja, suas pernas tremiam do mesmo jeito que um certo mentiroso!

— Será que aqueles vândalos vieram aqui apenas para causar confusão? — questionou Himegi.

— Isso não é nada incomum... — expressou Kuroi. — Esses idiotas só querem chamar atenção como se fossem especiais e seus desejos tivessem de ser concedidos...

— É... tem razão, né... — balbuciou Teru.

Poderia até ser uma coincidência mesmo, mas..., não queria acreditar que aquilo aconteceu por causa de uma simples inimizade entre escolas. Além disso, como o primeiro jogo não teve nada do tipo, era difícil achar que a escola Kanryou tivesse planejado aquela ação contra a Daiichi, então foi algo planejado pela escola Yoriyoi?

Quem foi realmente o verdadeiro oponente de quem aqui?

De todo jeito, com a torcida tranquila o jogo recomeçou. Kirisaki não parecia ter sofrido nenhuma lesão. Ela não me viu, e acabei fitando-a de tempos em tempos enquanto acompanhava a partida.

Inuzuka assumiu a liderança e driblou três jogadores antes de passar a bola para Takahashi, que chutou direto para o gol, porém foi impedido pelo goleiro. O líbero decretou escanteio pela bola ter avançado para além da linha branca que delimitava o campo. Takahashi chutou a bola na lateral e Inuzuka acertou um gol de cabeça. Aqueles dois são imbatíveis.

O jogo terminou com a vibração dos torcedores, como se tivessem visto uma partida do Super Onze. No entanto, quando senti que todas as surpresas do dia tinham acabado fui novamente surpreendido...

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