Our Satellites Brasileira

Autor(a): Augusto Nunes


Volume 4

Capítulo 3: Começa o Interescolar ⑤

O segundo tempo foi menos intenso, com o placar sendo 4x0 para a Yoriyoi. O jogo já era considerado decidido, mas os jogadores da Kanryou estavam determinados a mudar aquele destino. Rentaro agia menos ofensivo e auxiliando na defesa dos passes inimigos. Por mais que estivessem ganhando, teriam que continuar impressionando por causa dos olheiros. Dito isso, o recomeço ameno se tornou gradativamente ativo novamente, pois os atacantes da Yoriyoi tornaram a revezar seus toques, evitando perdê-los para seus oponentes. Rentaro decidiu avançar numa arrancada e surpreendentemente fez um gol quase no meio-campo até a rede, aproveitando da distração que os outros causaram no goleiro. A multidão foi à loucura, aquele cara não era insano demais?

Tomoyo e Sakuya berravam extasiadas, o que quase me deixaram surdo por tamanho agudo. Caso não saibam, usar um Hyper Voice é muito efetivo em mim... Himegi e Kuroi torciam animadas, mas Yonagi permanecia em silêncio, apenas admirando o jogo. Ela me fitou após perceber que não prestava atenção na partida.

— Você faz muito isso, sabe? — comentou Yonagi, em meio aquela gritaria. Se não estivesse próximo, não conseguiria ouvi-la.

— Fazer o quê?

— Observar os outros. Sua atenção se desvia para quem está ao seu redor, como se esperasse ver como os outros estão agindo.

— Ah, acho que faço isso sem querer... — expressei. — Não é como se estivesse interessado no que cada um faz, no entanto.

Yonagi sorriu para mim e logo sua atenção se virou para o campo, pois Rentaro fez outra arrancada e avançou incansavelmente, causando tormento para o time da Kanryou. É, começava a sentir pena deles...

Olhei de soslaio para as garotas, que nem respiravam ou piscavam pra não perderem nenhum momento da partida, como se cada passe fosse um cometa Harley atravessando a imensidão do espaço. Como Rentaro conseguiu atrair toda aquela atenção se nem via aquilo acontecer?

Ah, claro... é o efeito popular. Seu físico, sua aparência, ofuscam qualquer um que fique ao seu lado. Isso me fez pensar que ter ganho dele naquela corrida só me fez parecer um idiota completo, pois nunca iria conseguir manter aquele ritmo durante um jogo de uma hora de duração.

O que estou sentindo? Observando esse desenrolar... seria frustração? Acho que sim. Inveja? Mas nem competia no jogo... em meio daquela multidão animada, tudo para mim se movia em câmera lenta. Era como se o tempo estacionou e a vida passasse por mim como um feixe de luz. A atmosfera se estagnou e a gravidade oscilou, empurrando a todos e me deixando no mesmo lugar. Aquele pequeno espaço era meu único território... não. Até mesmo aquele lugar não me pertencia e um lapso surgiu em minha mente. Uma súbita dor de cabeça me arremeteu, lidar com multidões assim não é mesmo o meu forte...

Acho que pensei demais... sim, esqueça do desnecessário...

“Apenas faça o que eu mando. Esqueça do que for desnecessário e me obedeça. Nada é mais correto do que eu digo, e o que for contra mim está errado. Aprenda sobre isso e não aja fora do esperado.”

Aquelas palavras...

“Pessoas abaixo destes conceitos não passam de seres que serão esquecidos. Não é necessário nada além do que se acha certo. Os que não prestam serão descartados pela sociedade, sem misericórdia. Se não quer que sua vida seja miserável, então aja sob os meus conceitos.”

Isso aconteceu em um certo lugar, há algum tempo atrás.

Mas não era necessário pensar sobre aquilo nesse momento, certo?

Respirei fundo e, visualizei quando o jogo encerrou e o time de Rentaro comemorava no campo, enquanto a torcida vibrava.

***

Momentos depois, estávamos no lado de fora aguardando os jogadores saírem do vestiário. A evasão da multidão suavizou minha dor de cabeça, mas decidi permanecer quieto. Enquanto as calouras e os amigos e primas de Yonagi se animavam em relembrar as melhores jogadas do time, Teru parecia embasbacado sobre o quão incrível foi o jogo. Eu e Tatsuhiro ficamos próximos de Yonagi, agindo normalmente, e tia Mikoto não parava de olhar para a tela do celular.

— O que foi, tia? — perguntou Yonagi, curiosa.

— Ah... nada. Não se preocupe... só não achei que seu tio fosse demorar tanto pra aparecer...

— Falando nisso, tio Ugawa apareceu ontem do nada e mal falou conosco! — reclamou Sakuya. — Por qual motivo ele ficou tão abalado daquele jeito, hein?

— Também fiquei curiosa... queria ter falado mais com ele... — expressou Yonagi, preocupada.

Percebi imediatamente que tia Mikoto já ficara sem opções sobre o que deveria dizer, então ignorei a dor de cabeça e intervi:

— Você parece estar querendo mesmo falar com ele... são tão próximos assim?

Ela me encarou como se fosse responder o óbvio, mas em vez de ser descarada, apenas suspirou:

— Queria poder passar mais tempo com meus tios... e você? Não passa por isso?

— A família Shiroyama não se comunica entre si com tanta frequência... — expliquei, indiferente. — Todos os meus tios moram em Tokyo e quase nunca vamos para lá, então... não fazemos muita questão de promover encontros.

Apesar de ser uma realidade cinzenta, é mais comum do que se imagina. Talvez venha daí minha surpresa diante da imensa consideração que Yonagi tem pelos seus parentes.

Você por acaso faz parte da família Dumbledore, Shiroyama?! — exclamou Kuroi. — Tem que ser muito apático pra conviver com parentes tão excêntricos!

— Tudo bem você considerar isso como um detalhe, mas resolveu levar como uma característica?!

— Os principais sintomas dos apáticos são: desinteresse generalizado; falta de vontade e perda de qualidade de vida...

— Não leia os sintomas sobre apatia de maneira tão casual! E não é porque parece que seja apático!

— Pobre criança... — tia Mikoto lamuriava em seu canto, apesar de parecer mais aliviada por ter mudado de assunto...

— Que garoto estranho... — grunhiu Sakuya, arrancando risos de Tomoyo.

— Não se preocupe, Shiro! Não conviver com seus parentes não o torna um indesejado, viu! — Himegi disse com convicção. — Tenha em mente que isso não define paradigmas!

Aprecio a vontade dela tentar me motivar, mas diante dessa situação querer me causar positividade apenas me gerou o efeito oposto...

Depois dessa discussão sem sentido, tio Ikishi surgiu com a van no estacionamento. Em seu encalço vieram Kiyoshi e tio Ugawa com expressões rígidas.

— Me desculpem pela demora! O trânsito esteve terrível desde de manhã!

— Onde vocês estavam, papai?! Perderam o jogo inteiro! — retrucou Sakuya. — Tivemos que gravar tudo!

— Ah, acontece que precisamos ajudar o Ugawa a resolver algumas pendências na desembargadora e demorou mais do que o esperado...!

Ouvi a conversa por cima pela manhã antes de virmos pro campo. Ugawa é um despachante de Hachioji que veio para Yokohama resolver um problema na desembargadora e tentaria ver Yonagi depois. Ele veio com o filho, que fugiu durante o caminho. A ideia seria de Ugawa resolver o assunto principal enquanto tio Ikishi e Kiyoshi fossem procurá-lo.

Pelos seus rostos, fracassaram em sua busca.

— Conseguiu ao menos resolver o problema na desembargadora? — perguntou tia Mikoto.

— Sim... desculpem mesmo pela preocupação... — Ugawa enxugou o suor da testa com um lenço de bolso. — Fui alertado em Hachioji que houve uma fraudação em um contrato com um cliente meu, por isso tive de ir resolver...

Yonagi o fitava, aflita.

— Tio... o senhor não parece mais calmo do que ontem...

— Oh, querida. Não faça essa cara. Só estou ainda assustado sobre o caso... — Ele afagou gentilmente sua cabeça. — Foi um grande susto pra mim.

Tatsuhiro me encarou, e acenei positivo. O fato de o próprio filho estar desaparecido deve estar consumindo tio Ugawa profundamente. Apesar da aparência quase anêmica, a força de vontade dele mascarar o desespero para não preocupar mais ninguém é louvável, de verdade.

Nesse momento, o time de Rentaro apareceu pela saída com todos os membros animados.

— Pessoal, vejo vocês depois! — O loiro social se despediu dos colegas e veio em nossa direção. — Oh, os tios e Kiyoshi já chegaram! Me desculpem pela demora!

A maneira como ele os trata como se fossem seus próprios parentes é surpreendente, sério... não tive como não o encarar de tão incrédulo que fiquei.

— Não se preocupe, eles acabaram de chegar... — tia Mikoto o sorriu calorosamente. — Já que estamos todos aqui, vamos almoçar todos juntos!

— Não tem mesmo problema de deixar seus colegas pra vir conosco? — indagou Yonagi.

— Está tudo bem. Já deixei avisado que vim com meus amigos e o treinador aprovou.

Oh... que cara responsável. Se bem que pra mim é mais como se ele tivesse o dever de justificar todas suas ações pelo fato de ser tão popular... que vida difícil. Era óbvio que Rentaro preferia passar mais tempo com Yonagi e os outros, mas precisou coordenar todo seu tempo com o treino da equipe. Apesar de valorizar todo esse esforço, não deixo de pensar que toda essa carga não passe de um sacrifício que ele mesmo teve de arcar.

Subitamente, senti o olhar de Kiyoshi sob mim. Parece até que ele leu minha mente ao sorrir tão presunçosamente como fez... oh, que medo! Tive um imenso calafrio no mesmo instante.

Fomos para um restaurante chamado Ootoya, em Honcho, relativamente próximo ao estádio de Yokohama. A entrada do restaurante parecia com um dos esconderijos usados pela máfia tirados dos filmes do Jackie-chan, mas o seu interior é aconchegante.

Pegamos uma mesa espaçosa, os adultos se reuniram em uma parte e o resto de nós dominou parte do acervo. As garotas rodearam Rentaro, animadas pra comentarem o que acharam do jogo. Por ser um restaurante especializado em syokudo e teishoku, então a maioria tomou seu tempo pra escolher o que comer.

Optei pelo teishoku e passei o menu para quem estivesse mais próximo. Como os holofotes estão todos no jogador prestigiado — e quero evitar de puxar assunto com Teru sobre qualquer coisa menos seus sentimentos —, resolvi dar uma procurada sobre telescópios na internet pra passar o tempo.

Apesar de gostar muito sobre o espaço, sei pouco sobre telescópios. Dizem que há modelos destinados para quem é iniciante no assunto. O primeiro passo que preciso dar é entender como funciona cada tipo de telescópio e então estabelecer um caminho a partir daí:

“Telescópios refratores são caracterizados pela sua simplicidade e design. Eles usam lentes para direcionar a luz e formar imagens. Através dessas lentes, produzem imagens claras e nítidas propícias na observação da Lua e de planetas”.

Oh...

“Telescópios refletores são caracterizados pelo uso de espelhos para coletar e focar a luz, em vez de lentes. Possuem aberturas maiores para capturar melhor a luz na observação de objetos mais distantes como nebulosas”.

Franzi o cenho.

Ambos tipos são muito legais de se usar..., porém, preciso fazer uma escolha assertiva e consciente! Apesar de entender a diferença clara entre cada um, não quer dizer que poderia escolher levianamente...

Os valores mais em conta são de telescópios refratores, que passam da casa dos 40.000 ienes!

O choque foi tremendo que quase larguei o celular. Oh, droga... o que devo fazer? Nem em sonho que tinha tamanho valor... precisaria ao menos trabalhar durante mais algum tempo com Chinatsu, sem contar os gastos...

— Ah... porque tudo tem que parecer tão inalcançável?

Murmurei estressado, enquanto o restante do pessoal conversa fervorosamente sobre o jogo. Que se dane essa partida... do que valeu todo o meu esforço em querer consertar tantos mal-entendidos se nem consigo obter algo de meu interesse?

Nesse instante, Teru tinha ido ao banheiro, mas nem Ugawa e Kiyoshi estavam presentes. Curioso, perguntei para tio Ikishi onde foram parar, que respondeu:

— Parece que Ugawa foi fumar lá fora e Kiyoshi quis pegar um ar fresco ou algo assim.

— Esse cara já está tão preocupado com o que aconteceu e ainda vai fumar?

— É justamente por isso, moleque... — retrucou o tio. — Os adultos não possuem muitas válvulas de escape como os jovens. Conforme você cresce, seus problemas também aumentam proporcionalmente. É um ponto de vista que varia para todo mundo, mas a essência continua a mesma.

Estou emburrado pelo fato de não poder obter o telescópio, por mais que não tivesse pensado muito a respeito antes, dentro de mim manteve um resquício de vontade. Olhei da tela do celular para Yonagi, considerando o quanto ela ficou interessada nessa possiblidade... bom, não tem o que se fazer quanto a isso.

— ...e então, teve aquele momento que você recebeu a bola de cabeça e o outro do time fez um gol de bicicleta! Foi simplesmente incrível! — entoou Sakuya, entusiasmada.

— Ah, sim... teve esse passe, né? Otoyanashi é realmente muito talentoso com jogadas difíceis...

— Não, não! Estou falando de como você foi incrível em conseguir agir rapidamente quando esteve cercado daquele jeito! O resto não importa!

Oh, pobre Otoyanashi... não se preocupe, sua jogada foi incrível! Por mais que eu também não lembre de como distingui-lo dos demais...

Apesar do comentário maldoso de Sakuya, vários de nós deram risada.

— Oh...! Agora que você falou, gostaria de poder ver o que gravaram da partida. Quero mostrar pros meus amigos depois.

Todos pegaram seus celulares para lhe mandarem as fotos e vídeos. Antes que resolvesse ir até fora do restaurante para apaziguar minha mente, uma mão me deteve.

— Você não tem meu número, certo? — Yonagi disse. — Aqui. Me mande o que você gravou do jogo.

— Ah, certo... — peguei o celular, esquecendo da aba aberta anteriormente. Em dado momento, Yonagi ficou em silêncio. — Hum? O que foi?

— Você está pesquisando... sobre os telescópios?

— Ah, sim... estou sim. Mas...

De repente, Yonagi se aproximou mais de forma animada.

— Você já escolheu qual modelo vai comprar?! Quer dizer, qual tipo mais te interessa?

— Eu olhei por cima dos tipos agora a pouco, mas... você sabe como eles funcionam?

— Os telescópios refletores são bem legais por darem para ver nebulosas e até pequenas manchas de galáxias..., mas, acredito que os do modelo refrator são melhores para desfrutar o que há no sistema solar! Além disso, sua manutenção é prática e bem simples de ser feita... claro, depende de qual for o modelo por causa de suas partes retiráveis e de como suas lentes...

— Acalme-se, Kaede. Desse jeito você vai intimidá-lo com seu fascínio compulsivo pelo espaço em si...

Fiquei tão surpreso com a empolgação de Yonagi que não notei quando Kiyoshi apareceu e ficou entre nós. Ela piscou algumas vezes sem entender suas palavras, até seu rosto ficar vermelho e começar a gaguejar:

— Eu... eu tenho... que ir no banheiro!

Ela saiu apressada em direção à toalete, me deixando mais atordoado ainda...

— Fala sério... essa garota não deixa de ser uma criança... — suspirou Kiyoshi, indiferente.

— O que foi isso... que acabou de acontecer?

— Ah... Kaede é fissurada por uma trilogia de um ex-colega do nosso pai... — explicou Kiyoshi. — Ela brincava de ser astronauta quando era pequena e até hoje sonha em querer explorar o espaço... que figura!

Dessa vez fui eu que fiquei sem reação.

— Imagino que foi a primeira vez que ela falou pelos cotovelos, certo? Não o julgo por ficar surpreso dela falar tanto sobre essas coisas...

— Não tanto... eu também gosto...

— Oh, jura? Que inesperado... — Kiyoshi agia tão casualmente que parece não ter notado o fato de ainda ter deixado sua irmã mais nova envergonhada.

— Realmente... não houve nenhum amigo de Kae que realmente se interessasse pelo assunto... — expressou tio Ikishi.

— Bom... a Kaede é muito inteligente... — comentou Makoto. — Por mais que também ache interessante algumas coisas, é difícil tentar acompanhar um assunto do qual não se domina... e ela sabe de muita coisa!

— Exatamente... — Rentaro riu, sem jeito. — Gostaria de poder saber mais a respeito para saber conversar mais com ela... sinto que isso a deixa mais solitária do que se parece...

— Você é muito atencioso, Rentaro! — bajulou Sakuya. — Eu gosto desse jeito dela, mas tenho que concordar que não compreendo nem metade do que ela entende a respeito!

— Quer dizer... saber sobre o espaço é difícil, tem que entender muita coisa... — comentou Tomoyo.

— Ah, até que gosto quando ela começa a explicar... — expressou Ayase. — Suas explicações são bem detalhadas!

— Não imaginei que Yonagin tivesse tanto interesse assim... — murmurou Himegi, surpresa.

Kuroi permaneceu em silêncio, fitando as reações das garotas e de Rentaro.

São várias reações distintas, e justamente por isso que acabei falando:

— Do que estão falando? Porque falam como se fosse algo extravagante demais para quererem entender?

...

Todos me encararam da mesma forma, como se tivesse conversando em outra língua. Seus rostos confusos diziam claramente: — o que esse moleque está falando?

No entanto, somente um deles reagiu ao contrário. Ao meu lado, Kiyoshi tentava conter sua risada. Ele tremia tanto que o garçom que passava perto até lhe perguntou se precisava de um copo d’água...

— Rapaz... você está sendo melhor que a encomenda... — Kiyoshi enxugou os olhos turvos. — Nunca houve ninguém que tivesse feito toda essa gente parar de falar de uma só vez!

— ...

Todos ainda me encararam incrédulos, até que aos poucos alguns começaram a rir junto com Kiyoshi.

— Essas crianças... não cansam mesmo de surpreender... — Tio Ikishi suspirou.

— Realmente... tem toda razão.

Tia Mikoto deu leves gargalhadas, enquanto o restante evitava de me encarar — exceto Sakuya, que me direcionou um olhar torto ainda pior do que da outra vez... —.

Logo, os pratos começaram a serem postos na mesa. No entanto, Kiyoshi proferiu aos tios assim que conteve sua crise de riso:

— Foi mal, mas tio Ugawa quer logo voltar para o ryokan. Como me ofereci para acompanhá-lo, estou indo agora...

Apesar do momento descontraído (me excluindo), certamente o tio de Yonagi não estava em boas condições de passar esse momento em família. Kiyoshi terminou de se despedir do pessoal e ao se virar, veio na minha direção:

— Quando puder falar com Yonagi, diga que o Toya Galaxy HRT60L ainda está em boas condições...

— O quê?

— Ela vai entender quando dizer o recado... já que ainda mantém tanto interesse assim...

— Mas sou que quero... a ideia veio de mim.

— Jura? Então... — Ele me entregou um cartão. — Se estiver realmente interessado, ligue para mim que contarei mais detalhes. Até mais...

O Yonagi com cara de raposa fez uma breve saudação e desapareceu na entrada do restaurante. O que foi que acabou de acontecer aqui? Ele consegue ser mais evasivo do que qualquer um que já conheci na vida até o momento!

— Que droga, Ugawa... — lamuriou tio Ikishi. — Ele podia esperar mais um pouco. Assim que acabarmos aqui vamos voltar ao ryokan...

— Deixe-o. É um momento difícil para ele... — tia Mikoto o reconfortou num tom em que as garotas não os ouvissem. O resto resolveu se concentrar na comida à sua frente.

Teru aparece do banheiro e se deparou com todos pensativos. Ele repousou o olhar de Kuroi até mim em segundos, dizendo:

— O que foi que aconteceu?

Ah... ignorância deve ser mesmo considerada como uma benção, às vezes...

— Ah, Shiro! — Himegi me chamou, de repente. — Se esse é o interescolar, então nossa escola também está participando, certo?!

— Isso... desta vez, será a vez do time de Takahashi a jogar. Será agora no início da tarde... — disse, ainda desnorteado.

— Hum? Nós deveríamos ver, pessoal!

— Não, quero dizer... só viemos aqui ver os jogos do Rentaro, não é? — indaguei.

— Ah, acho que não tem problema! Só precisamos voltar ao ryokan depois, certo? — sugeriu ela. — O que acham?

— Hum, pode ser uma boa ideia... não faz sentido ficarmos prendendo vocês em nosso cronograma a todo tempo, mas... — Tia Mikoto proferiu. — Só que, seus pais...

— Não se preocupe. Podemos nos virar, e vou ficar responsável por eles... — disse. — Aliás, como foi um jogo tranquilo, tenho certeza de que não haverá preocupações.

Uma breve troca de olhares foi o suficiente para a compreensão seja estabelecida.

— Bem, tem razão... meninas, vão atrás de Kaede, por favor... acho que vocês têm o direito de irem se divertir, afinal, é um evento para vocês também.

Sinto que Yonagi não vai querer olhar para mim, e lidar com seus parentes possa ser mais fácil do que com colegas de clube. Para todos os efeitos, a ideia de Himegi veio em boa hora. Nós desfrutamos do almoço e quando Yonagi retornou, já havíamos saído dali.

***

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