Our Satellites Brasileira

Autor(a): Augusto Nunes


Volume 4

Capítulo 3: Começa o Interescolar ②

Apesar da perturbação de Teru em cima de mim pra saber dos últimos acontecimentos, o ignorei na maior parte do tempo lendo alguns dos livros que comprei até que me deixasse em paz. Horas depois, a maioria de nós saiu de seus quartos — ou seria toca? — e se reuniu na sala de estar, onde já me encontrava.

Ayase e Makoto conversavam com certa animação, enquanto Tatsuhiro os acompanhava. A garota, em questão, aparentava estar decidida a fazer algo, mas os outros dois ficaram indecisos... ou algo assim. Como não entendi o rumo da conversa, decidi voltar minha atenção ao livro.

Não percebi o momento em que Ayase se afastou deles, mas tão logo ouvi a voz de tia Mikoto, que se aproximou de todos nós:

— O que acham de fazermos algo para animarmos Kaede?

— Viram? Eu disse que seria uma boa ideia! — exclamou Ayase, animada.

— Bom... é a minha mãe, afinal... — suspirou Tatsuhiro.

— Vão fazer algo pra ela? — proferiu Kuroi, aparecendo na sala junto de Himegi.

— O que poderíamos fazer? — perguntou Himegi. — Sempre que acontece algo com ela, nunca conseguimos fazer nada...

Assenti com Himegi. Em todos os momentos, quando Yonagi ficou tensa ou triste, não era possível conversar mais do que apenas algumas palavras. Ela sempre procurava ficar sozinha com os seus pensamentos, não que não fizesse o mesmo.

Desde que havíamos chegado, Yonagi não saiu do quarto com suas primas e as calouras. Pela falta de ideias, as duas devem ter saído de lá pra pedirem opiniões... duvido que aquelas primas estejam ajudando de verdade, poderiam estar conversando sobre todo tipo de coisa para tentar animá-la, mas para mim isso mais parecia que...

— ...elas à estão sufocando com tanta proximidade... — murmurei. — Às vezes, não é apenas melhor estar sozinho?

— Shiro...

— Mas estar sempre sozinho também é triste, não é? — questionou Ayase. — E eu gostaria de tentar animá-la de qualquer jeito!

— Concordo que muitas vezes é bom refletir as coisas por si mesmo... — comentou Makoto. — Mas, estamos aqui por ela. Queremos que ela possa compartilhar seus problemas conosco, assim como se divertir com todos também.

— ...

Fiz uma careta. Eles são amigos de infância ou anjos? Se me dissessem que faziam parte dos Little Busters, eu acreditaria na hora!

Teru não disse nada, apenas mexia no celular. Kuroi, no entanto, desviou o olhar, parecendo estar pensando em algo distante.

Fiquei cabisbaixo durante alguns segundos. Então, nesse caso, estar sozinho é a escolha errada? Não, não poderia ter essa resposta. Quer dizer, acho que ninguém poderia. A questão é que havia mais de uma resposta.

Parece que vão seguir pelo caminho contrário ao meu.

— Seja como for... — expressou Tatsuhiro. — Fazer algo pode ser melhor do que simplesmente não fazer nada.

— Acho que está decidido, então! — Tia Mikoto foi à cozinha e voltou usando um avental rosado. — Vamos preparar algo gostoso para animar Kaede!

As meninas ficaram animadas e os garotos confusos. Tia Mikoto segurava vários aventais e foi distribuindo-os para todos nós. Enquanto fitava meu avental, apenas um pensamento surgiu em minha mente:

— O evento da cozinha foi desbloqueado...?!

 

Acredito que era algo inevitável de ocorrer se você juntasse um grupo de garotos e garotas em um mesmo lugar. A cozinha é um local misterioso, pois tinha a capacidade de agradar ambos! Tia Mikoto pediu permissão para usá-la e, tínhamos cerca de uma hora para preparar algo.

— Certo, o que podemos fazer para nossa garotinha?

Ela nos fez aquela pergunta, e todos nos entreolhamos... oh, eu sei o que é este momento! De repente, alguém vai dar um passo à frente e dizer: — Quero fazer algo que possa colocar todos os meus sentimentos! —, ou algo do tipo. Tal qual nos eventos clichês em Shoujos, você precisa provar e elogiar os pratos da garota que mais gosta! Só que sempre acho legais todos os pratos, o jogo terminava em aberto...

As garotas deram um passo à frente e disseram em uníssono:

— Que tipo de doce pode deixar Kaede feliz?!

Hum? Então vão no caminho dos doces em vez de fazer um prato salgado? Estão querendo animar Yonagi ou conquistar o seu estômago?

— Doce ou salgado? Seria melhor se todos decidirem, então... — entoou tia Mikoto.

— Algo doce pode ser bom, mas pratos salgados são ótimas opções também... — ponderou Makoto.

— Mas garotas gostam de coisas doces! Quando estão tristes, querem comer coisas doces! — indagou Ayase.

Que tipo de lógica era aquela? Por acaso, as garotas pensam que se entupir de glicose vai causar o mesmo efeito que ser notada pelo garoto que a interesse? Isso aqui não é um Shokugeki!

— E se Yonagi não for do tipo de querer coisas doces? — questionei. — Ela parece ser do tipo que qualquer coisa seja boa.

— Qualquer coisa?! — retrucou Himegi, dando um tabefe no meu ombro.

— Ai! Digo no sentido de mais valer a intenção de animá-la do que a questão em si! — grunhi, desviando dos golpes dela. — Doce ou salgado... a atenção aqui vale mais do que for entregue, não?

— Oh? Que surpresa... — expressou tia Mikoto. — Isso até que foi bem profundo.

Subitamente, os olhares de todos se voltaram para mim. Enquanto as garotas continham um riso, os garotos me fitavam incrédulos...

— De qualquer forma... vamos decidir algo juntos, seja o que for. Ela pode querer gostar assim bem mais... minha opinião, não sei.

As palavras saíram da boca conforme fiquei mais nervoso, principalmente ao ver aquele rosto carinhoso de tia Mikoto sob mim... ah, quero sair dali!

— Então, qual é a resposta certa? — indagou Kuroi.

— Bem, ao meu ver a resposta certa é que nenhuma dessas opções estão erradas! — respondeu tia Mikoto. — Conheço minha sobrinha, e ela realmente não comenta suas preferências na frente dos outros. Mas acho que um pouco de atenção será ótimo também.

Grunhi baixinho. Por que fui abrir a boca se ela já tinha a resposta?

— Vamos fazer grupos e preparar pratos diversos, afinal estamos em muitos aqui.

— Meninas, venham aqui! Já tenho uma ideia sobre o que fazer! — proferiu Ayase, puxando Himegi e Kuroi para si.

Himegi assentiu animada, enquanto Kuroi ficou indecisa.

— Ah, sim...

Encarei os outros garotos, sem saberem como reagir. Éramos em maior número, mas não tinha ideia do que fazer. Nos reunimos sob assembleia para discutir os próximos movimentos:

— Senhores, eu tenho um plano em mente... — disse Makoto. — Há uma receita que já fiz antes e posso dizer com firmeza que poderemos exercê-la, sem problemas.

Oh, incrível... mesmo que seja mais novo, ele detém um senso de liderança inato! Estamos salvos nesse campo de batalha desfavorável!

— Como esperado do Makoto... — suspirou Tatsuhiro. — Sinceramente... não faço ideia do que temos que fazer, por isso deixo isso com você. Dê as ordens.

— Digo o mesmo... — assenti. — Não temos opção senão ajudar como mão de obra...

— Vamos fazer o nosso melhor! — exclamou Teru.

Cara... não precisa gritar tão alto, sabe? Quer dizer... estávamos bem próximos, então foi desnecessário. Makoto e Tatsuhiro olharam torto, mas dispensaram comentários... assim como as garotas. Ayase tentava se conter de não rir e Himegi ficou sem jeito. Kuroi, no entanto, bufou e desviou o olhar dele. Isso o deixou desorientado.

— Hum? O que foi?

Confesso que estou quase abandonando o apoio desse cara... sua ignorância já estava saindo pela tangente de tão irritante!

— Bem... como as garotas parecem já saber o que farão, os ajudarei com os seus preparativos! — Tia Mikoto se aproximou, serena.

Oh, o que era aquilo? Aquela mulher é um completo anjo! Estávamos no céu? As deusas que acolhem os seres humanos falecidos para outros mundos são mesmo reais?!

Parece que as garotas decidiram fazer algo doce, um mousse. Foi uma escolha interessante, já que não aparenta ser algo demorado de se preparar e, em uma hora daria para produzir bastante. Quanto a Makoto, ele optou por algo salgado.

— Vamos preparar uma torta, é o caminho mais seguro. Podemos pedir para tia Mikoto fazer o recheio enquanto ficamos com a massa... — explicou Makoto.

— Então, sabemos claramente da nossa missão... — expressou Tatsuhiro. — Quero ver a cara das minhas irmãs quando virem o que somos capazes de fazer na cozinha!

— Ah, isso mesmo! Normalmente os garotos são zero a esquerda quando se trata de comida, mas vamos colocar nossas almas nisso! — proferi, determinado.

Enquanto Teru ficou desnorteado com a reação das garotas pelo seu estardalhaço, nós três juntamos as mãos e demonstramos nossas convicções!

Logo, Teru resolveu ajudar tia Mikoto enquanto forneci apoio à Makoto e Tatsuhiro, que misturavam farinha de trigo com água e ovos. Organizei a mesa e fui limpando a sujeira dos condimentos, enquanto escolhia a fôrma certa. Como resolvemos com ela em fazer uma torta de frango, deveria ser desfiado. Sob a panela de pressão o frango cozinhou rapidamente por dez minutos, e após isso eu e Tatsuhiro fomos desfiando manualmente enquanto a massa era colocada na fôrma.

As garotas resolveram que não fariam apenas um tipo de mousse. Elas foram no mercado e compraram mais ingredientes, além de copos descartáveis para o doce.

— Ei, ei! O que estão fazendo aí? — ressoou uma voz próxima a nós. Era Sakuya e Tomoyo. — Estão cozinhando?!

— Estamos querendo animar Kaede. Querem ajudar? — convidou tia Mikoto.

Ah, preferia que elas nem tivesse descido antes de terminarmos... ou poderiam nem descer, né? A julgar pelo olhar gélido que me deram mais cedo, já senti o mesmo olhar sob todos os garotos.

— As garotas até entendo, mas os garotos vão conseguir fazer algo comestível? — indagou Sakuya.

Antes que alguém pudesse responder, Tatsuhiro tomou a dianteira:

— Pro seu azar, Sakuya, faremos uma torta deliciosa que a fará calar a boca! — brandou ele, determinado. — Essa será a última vez que nos insultará sobre algo, principalmente sobre cozinhar!

— Não diga isso tendo ajuda da mamãe, seu imbecil... — Sua irmã o azedou. — Garotos são inúteis na cozinha, principalmente você!

— Eu não estou nem aí. Só quero saber de comer algo diferente! — disse Tomoyo, sedenta.

— Vamos, meninas. Deixem de serem ariscas e venham nos ajudar... — acalmou tia Mikoto. — É pela Kaede, certo?

— Oh... você está certa! E isso parece ser bem divertido! — As duas responderam entre risadinhas. — Já sei! Vamos fazer creme de chocolate!

— Essas duas só gostam de brincar... — retrucou Tatsuhiro.

Como o tempo estipulado na cozinha chegava ao fim, a escolha foi a melhor. Agora haveria duas opções de doce e uma de salgado... droga, perdemos! Porém, apesar das intrigas, o grupo dos garotos permaneceu resistente!

— Se bem que isso não era pra ser uma competição, sabe... — Makoto sorriu, sem jeito. — Mas elas têm razão, foi realmente divertido. Foi uma honra trabalhar com vocês, senhores.

As garotas conversavam alto enquanto cozinhavam, gerando uma animação barulhenta. Segundo Sakuya e Tomoyo, Yonagi preferiu ficar no quarto e não quis dar detalhes do que havia acontecido.

— Se ela não quis contar nem para vocês, então a coisa é séria... — disse Himegi, preocupada.

— Tenho certeza de que com esses mimos ela vá se acalmar... — ponderou Tomoyo. — Eu espero, né.

— Acho que... o jeito de a deixar animada era que alguém especial fosse entregar os comes... — comentou Sakuya. — Alguém muito... muito especial, entenderam?

As garotas riram entre si, o que parecia ser algum tipo de piada interna. No entanto, enquanto Himegi ria envergonhada, Kuroi apenas estava cabisbaixa. De todo jeito, parecia que — a pessoa especial — não era nenhum de nós ali.

Pouco antes do tempo acabar, os pratos ficaram prontos. A nossa torta de frango cheirava muito bem. E o mousse parecia delicioso. O creme de chocolate de panela foi bem simples, mas não deixava de ser doce, afinal. Todos fizeram as próprias porções de cada especiaria e, enquanto tia Mikoto montava a bandeja de Yonagi, uma voz conhecida soou:

— Oh, isso tudo está com um cheiro ótimo!

Era a voz de Rentaro, que acabara de chegar do seu treino exausto, mas satisfeito. As garotas se animaram em vê-lo e, enquanto comentavam sobre a ideia de fazer os pratos, Sakuya pegou a bandeja de Yonagi e o entregou:

— Rentaro, seria ótimo se você pudesse entregar a ela!

— Hum? Porque eu?

— Quer dizer... ficamos com ela durante esse tempo todo... — Sakuya fez um muxoxo. — E todas nós pensamos que você seria a melhor opção para consolá-la!

Ele ficou sem saber o que dizer, enquanto todos ficaram em silêncio. Sério, aquela garota...

— Oh, se é assim... posso fazer isso... — expressou o rapaz, sem jeito.

— Sério? Obrigada! — exclamou Sakuya, com um sorriso travesso.

Ela o acompanhou por entre as escadas com Tomoyo atrás. Quanto ao restante, nos ajeitamos nas mesas para comermos nossas porções.

— Essa garota sabe ser ardilosa, mesmo... — riu tia Mikoto, organizando a cozinha.

Teru tentou se aproximar de Kuroi, mas ela se afastou para bem longe. Ouvi gritos animados no andar acima vindos de Sakuya, mas não poderia saber por qual razão.

Na verdade, não queria saber.

***

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