Our Satellites Brasileira

Autor(a): Augusto Nunes


Volume 4

Capítulo 2: O Primeiro Dia em Yokohama ②

Era um dia calorento, então a van alugada do tio Ikishi veio a ser muito útil por causa do ar-condicionado. As ruas estão atormentadas pelos turistas aproveitando o verão. O ryokan ficava bem próximo do estádio de Yokohama e, em relação a isso tio Ikishi revelou a atração principal do dia:

— Comprei ingressos para o jogo de beisebol hoje à noite. Como Kae disse previamente a quantidade de pessoas, consegui pegá-los a tempo. Vocês se importam?

Ninguém do clube de literatura se opôs. Não sou particularmente fã de esportes e nunca fui a um jogo de beisebol ao vivo, só que Chiba também tem um estádio de beisebol, então... achei desnecessário vir até Yokohama pra isso, mesmo ainda sem nunca ter ido ver um jogo de beisebol...

Uma onda de animação se instalou dentro da van.

— Vamos apostar quem de nós pegará a bola de um home run! — exclamou Sakuya.

— Hein? Como vamos apostar isso? — questionou Tomoyo, confusa. — Você falou isso da boca pra fora, não é?

— Você sabe como a Sakuya é, Tomoyo... — grunhiu Tatsuhiro. — O que ela mais quer é tirar fotos com os jogadores e chamar atenção, como sempre...

— Não sei se será possível, mas quem sabe? — concluiu Yonagi, com um sorriso discreto.

Ela ficou entre as duas primas na última fileira da van. Himegi e Kuroi interagiam na frente delas, rindo dos assuntos malucos gerados por Sakuya. Enquanto isso, Tatsuhiro retrucava com a irmã ao meu lado e de Teru.

— É assim que se fala, Kae! — exclamou Sakuya, animada.

— Será que isso vai dar certo, mesmo? — indagou Himegi, contendo uma risada. Tomoyo começou a rir junto, entretanto Kuroi apenas reagiu sem jeito.

— Não vão na onda da Sakuya... — alertou Tatsuhiro. — Ela sempre fala demais. Quando começa a tagarelar, não para mais... além disso, a Tomoyo é sempre ingênua e começa a rir do nada...

— Cala a boca, Tatsu! Temos que aproveitar as férias, certo?! — A garota estufou o peito. — Qual o intuito de irmos a jogos ao vivo se não for para olhar garotos bonitos?!

— E eu não fico rindo à toa, seu idiota! — Tomoyo parecia um tomate de tão vermelho que ficou seu rosto.

— ... — Tatsuhiro virou o rosto, bufando. Parece que não gosta de interagir com as irmãs quando ficam cheia de si daquele jeito...

— E então, meninas! Como eu ia dizendo, o que mais podemos fazer enquanto estamos aqui em Yokohama é... — Sakuya tornou a proferir em voz alta sobre os planos do fim de semana, ignorando completamente o irmão. Tio Ikishi se incluiu na conversa do jeito dele e tia Mikoto ria de tudo.

— Irmã idiota... — Tatsuhiro murmurou, o que foi desagradável por ter sido o único a ouvir. Pior ainda foi ter compreendido o que ele sentia naquele momento. Ele ganhou totalmente minha compaixão!

— Hum?

Ele deve ter notado minha expressão sentida da situação, mas me ignorou logo depois.

Não fiquei particularmente interessado em interagir tanto na conversa das garotas, no entanto. Mas Teru permaneceu em silêncio, olhando para a janela constantemente.

Não éramos tão próximos, então não soube o que poderia fazer para quebrar o gelo. Mas dadas as circunstâncias atuais, tinha a possibilidade de vir conversar comigo em algum momento. Quer dizer, só há eu de conhecido do mesmo gênero ali. Decidi não me manifestar e ficar em silêncio.

Visitamos várias lojas e passeamos por várias ruas em torno do Odori Park até Akebonocho. Seguimos para as vias comerciais diversas de Isekaicho. Até mesmo Teru ficou animado em alguns momentos vendo mercadorias eletrônicas, mas sabia que se estivéssemos em Akihabara seria o paraíso para ele. Também visitamos algumas livrarias e galerias de arte pela influência de Yonagi, então pude ficar um pouco mais à vontade.

Ora, as vias comerciais de Chiba são tão incríveis quanto, ok? Mas, bem... hum. Yokohama não ficou tão atrás, então acabei me divertindo de certa forma.

De tempos em tempos meu celular vibrava. Recebia mensagens constantes do meu irmão e minha mãe. Mas depois de uma tentativa de ligação de uma certa pessoa, decidi desligar o telefone. Depois de fazer compras, passamos em frente ao templo Itsukushima rapidamente. Sua entrada era impressionante, mas devido ao número exorbitante de turistas, decidimos seguir adiante...

Após uma rápida votação, decidimos parar para comer Yakiniku em um Tokyozan já em Kotobukicho. Oh, a refeição no ryokan foi surpreendente, mas nada como comer carne grelhada de vez em quando... tio Ikishi disse que o jogo vai começar em breve e seguiríamos para o estádio após terminarmos de comer.

O dia passou muito rápido devido a toda aquela correria, Sakuya e Tomoyo não paravam de falar na van, mas naquela altura já tinha aprendido a lidar com suas vozes irritantes me entretendo com alguns dos livros que comprei, tio Ikishi disse algo durante o percurso até o estádio:

— Ah, vamos encontrar os outros amigos de Kae durante o jogo! Assim, iremos embora todos juntos!

— Hein? O que eles estavam fazendo durante esse tempo todo?! — retrucou Sakuya.

— Rentaro disse que foi treinar, pelo que me lembro... — disse Yonagi. — Ayase e Makoto ficaram com ele durante todo esse tempo. Vocês sabem que esse trio faz tudo juntos.

Ela disse nomes desconhecidos, então não dei tanta atenção. Uma vez me disse que tinha decidido se transferir de escola no ensino fundamental, então esses amigos devem ser de antes disso ter acontecido.

— Ah, quero conhecê-los! — exclamou Himegi. — Como você era antes de vir para a escola Daiichi, Yonagin?

Em dado momento, Yonagi deve ter dito sobre a transferência para os outros, não que soubesse quando. Porém, aquela pergunta me deixou curioso, então parei de ler no mesmo instante.

— É que... bem... — Yonagi gaguejou algumas palavras.

— Ah, é uma história interessante! — brincou Sakuya, abafando risinhos. — Certo, Kaede?

— Sakuya...

A voz de Yonagi falhou uma oitava... justamente quando ocorre de sua timidez estar dominante.

Himegi e Kuroi insistiram em saber mais daquela conversa, mas Yonagi não disse mais nada. Uma parte de mim também desejou saber mais a respeito, mas algo também me atormentou. Decidi retomar a leitura para desviar aquele interesse sucinto.

Sério, o barulho daquelas garotas ficou mais irritante do que antes.

Perto das 18h, a van atravessou o Seiyomon que nos direcionava ao estacionamento do estádio. A estrutura era tão grande que só restava ter uma face de demônio e ter sido invocada por algum Sannin lendário...

Tio Ikishi estacionou a van e direcionamos para a entrada, da qual entregou os bilhetes de todos na entrada. Passamos pela plataforma que conduzia ao seu interior — barulhento e animado —, uma tigela gigante com as bordas das arquibancadas tão imensas que mal dava para se ver seu topo. Enquanto chegávamos em nossos assentos, os jogadores surgiram dos vestiários, arrancando gritos dos fãs. Logo tudo ficou lotado e os torcedores vibravam e gritavam quando a partida começou.

Os jogadores eram rápidos e ágeis, cada lance sendo mais incrível que o anterior. Não era fã de beisebol, mas já me imaginei como um lançador quando era mais novo, derrotando qualquer tipo de batedor que aparecesse em minha frente. Infelizmente, não tenho uma mira boa e nos jogos na escola era horrível como batedor, então desisti da ideia em pouco tempo.

Tio Ikishi comprou suvenires para todos. As meninas seguravam uma bandeira enorme e gritavam com todos os seus pulmões. Estávamos torcendo para os Yankees, por acaso? No entanto, gostei da ideia de os bonés serem parecidos...

Em poucos minutos de jogo, já levantava e vibrava a cada rebatida intensa das jogadas. O que era aquilo? Quando se está em um estádio, se torna inevitável não se animar com um jogo daqueles!

Veio o intervalo do jogo e, decidi ir ao banheiro. Houve uma multidão querendo a mesma coisa, formando uma grande fila. Segundo tio Ikishi, havia outros banheiros espalhados pelos cantos das arquibancadas, mas eles são próximos para cada saída. Se eu me movesse para o próximo, iria demorar tempo demais e poderia atrasar muito ou até me perder. Não tive escolha senão esperar ali, e então vi Teru ao meu lado.

— Shiroyama... — Teru me chamou. Olhei de relance para ele, esperando ouvir o que tinha a dizer. — Você... sabe guardar segredos?

Aquela abordagem repentina me deixou surpreso. Não somos melhores amigos, e mesmo assim quer que guarde um segredo?

— Notei há algum tempo que esteve em silêncio. Tem algo te incomodando?

Decidi arriscar uma pergunta, mas Teru não se alterou.

— Você sempre agiu de maneira discreta a ponto de identificar a reação dos outros?

— Agir como parte do cenário não é algo tão difícil. Mas você está fora do seu padrão... — expliquei. — Devo arriscar dizer que é por causa das garotas?

Teru ficou aturdido, parece que acertei.

— Bom, não é como se estivesse totalmente à vontade. Mas estou aqui como convidado, então não posso reclamar de nada.

— Não... não é nada disso. É outra coisa... — murmurou Teru, nervoso.

— Outra coisa? Se é algum segredo, posso guardar como queira.

Assegurei a ele que não diria nada daquela conversa para ninguém.

— Você... — Teru engoliu em seco. — Você já gostou de alguém, Shiroyama?

— Hein?! Que rumo de conversa é esse?! — exclamei, chocado.

— Bem, imaginei que ficasse surpreso que alguém como eu esteja gostando de alguém... — Teru soltou uma risada envergonhada, coçando a nuca.

— Bem, você pode estar certo...

Se eu pudesse dizer o tipo de pessoa que Teru Yamada era, seria o estereótipo de garoto com jeito infantil. Apesar de ele ser apenas um ano mais novo, Teru agia como um estudante no início do fundamental II. Não somente pela sua estatura baixa, mas sua maturidade de lidar com os problemas — o que considero como um fator mais grave por evitar de levá-lo a sério... —.

Era difícil imaginá-lo litigando questões complexas, não que não pudesse resolver. O cerne é justamente o fato dele não parecer com esse tipo de personagem.

Vê-lo interessado no gênero oposto deveria ser uma reação normal, mas não deixou de ser chocante. Afinal, essa insegurança em querer manter isso em segredo foi justamente o de uma criança.

— Bom, se é para ficar entre nós, não vejo problema nenhum...

Em relação ao assunto, não serei de ajuda alguma — estamos no mesmo barco aqui —, a única chance que tenho de não falar besteira é depender do que ele vai me dizer.

— É... sabe como é... as coisas simplesmente aconteceram e, quando percebi... me senti atraído por ela...

Oh... esse cara realmente resolveu confessar o que sente. Droga, por qual razão me senti interessado em continuar ouvindo? Quer dizer, há uma certa animação quando alguém próximo quer se relacionar... e gostaria de poder fornecer apoio, se possível.

Apesar de achar que vou mais consolá-lo pelas circunstâncias... sério, ele ficou tão emotivo que está prestes a chorar a qualquer momento. Bom, não posso julgá-lo. Afinal, quero me aproximar de Kirisaki e... espera, ali ao longe não parecia ser ela?

Resfoleguei de tal jeito que quase esqueci de respirar. Não tinha dúvidas, há alguns metros de distância onde estávamos passou uma garota de cabelos ondulados e uma cicatriz entre seu nariz e boca me foi visível. Kirisaki caminhava pela multidão com seus amigos. Senti uma súbita vontade de correr atrás dela, mas a fila para o banheiro se adiantou e minha atenção se desviou totalmente. Após a conferência do horário, restava poucos minutos para o retorno do jogo. Eu e Teru saímos correndo do banheiro e não tivemos tempo de prosseguir com a nossa conversa.

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