Volume 4
Capítulo 1: Os Planos das Férias de Verão ⑤
Era por volta das 19hrs que nos reunimos naquela noite.
Comprei os fogos de artifício com Himegi mais cedo quando nos encontramos em frente à estação, procurei me manter neutro ao interagir com ela pra que aquela conversa com Takahashi não me perturbasse mais. Depois da tarefa cumprida, ficou combinado de que nos reuniremos com o pessoal no parque próximo a praia próximo dali.
Não tinha muito sentido em nos encontrarmos apenas para acendermos fogos de artifício, mas todos pareciam animados e não quis estragar isso. Chinatsu e Shiina também apareceram.
— Essa é a verdadeira essência do grupo Shiroi Gamen! — exclamou Chinatsu, segurando uma vareta que cintilava na ponta em várias tonalidades da mesma cor. Cada um de nós carregava uma com cor diferente.
Os outros estavam mais afastados de mim e Chinatsu, então aproveitei para perguntar:
— Como vai ser daqui pra frente em relação ao seu mangá?
— Bem, parece que já consegui um editor apesar do resultado não ter saído ainda.
— Oh, entendo... isso é muito bom.
Chinatsu havia concorrido em um concurso de mangás — em que eu a ajudei como um assistente — e aparentemente recebeu ótimos elogios, a questão agora era aguardar o resultado chegar.
— E já disseram como vão proceder depois desse resultado? Afinal, você é ainda menor de idade...
— Disseram que por ainda ser uma estudante, me seria permitido publicar uma história curta se for o caso. De todo jeito, é o que já estou fazendo!
— Oh, sério?
— Isso mesmo, essa garota não dorme no ponto... — continuou Shiina ao se aproximar. — Apesar de ter escrito uma história curta, vai precisar ficar o tempo das férias produzindo as páginas para não comprometer seu rendimento escolar no segundo semestre...
Eu a encarei incrédulo, enquanto Chinatsu ria de nervoso.
— Também não é algo tão certo de que vou me manter na editora, mesmo que apenas publique uma história curta...
— Não diga isso. Uma oportunidade é uma oportunidade, certo? — indaguei.
— Isso mesmo, Chitose... — concordou Shiina. — Tenha mais confiança em si mesma.
— E caso precise... se puder ajudar com algo, é só pedir.
— Sim, vocês estão certos! — A garota loira sorriu radiante. — Mas não se preocupe com isso, Shiroyama. Shiina vai vir me ajudar durante as férias. Você já me ajudou bastante, viu!
— Bem, não exagere.
Não esperava que ela teria este rumo, mas agora irá correr atrás de seu objetivo. Observei os outros brincando com os fogos de artifício, como se fossem vaga-lumes multicoloridos dançando sob o luar. Em particular, Yonagi se mantinha um pouco afastada com sua vareta colorida e olhava o manto noturno que surgia pelo horizonte.
Ela parecia estar distante, com sua mente divagando milhões de coisas naquele instante. Me aproximei e encostei uma vareta que peguei do pacote, acendendo-a na dela. O ato pareceu a surpreender um pouco, mas tão logo sorriu de um jeito infantil:
— Deixa de ser preguiçoso.
— Me deixa... — disse, grunhindo. — As estrelas lá encima estão mais interessantes do que os feixes luminosos que estamos perigosamente segurando e jogando uns nos outros?
Conforme falava, apontei para nossos colegas. Himegi e Kuroi fugiam de Teru que segurava quatro varetas cintilantes e imitava algum tipo de monstro. Seria um urso? Um Gundam? Ou era um mamodo gigante que atirava lasers pelos dedos?
Yonagi deu risada da cena, ou foi pelo meu comentário? Seja como for, a tirei do devaneio que a deixou à parte do que acontecia no momento.
— Desculpe, acho que só estou pensando em coisas demais...
— Hum... ah, é? — respondi sem pretensão, mas ao nos encararmos repentinamente me recordei de nossa última interação e virei o rosto. Porque ela fez o mesmo?
— Você... sabia? Em Yokohama, a vista das estrelas será bem mais nítida neste mês... — subitamente, Yonagi puxou assunto. — E em novembro ou dezembro ocorrerá uma chuva de meteoros. Parece que este ano será ótimo para observação.
— É mesmo? Que sorte, então... — respondi, coçando a testa. — É bom receber boas notícias, pra variar.
Yonagi não me respondeu, apenas acenou a cabeça. Enquanto observamos os outros se divertindo à beira das ondas, que circundavam repetidamente seus movimentos, o manto anil do céu se tornava um vasto campo negro iluminado por aqueles pontos vagueando por aquele local.
Aquele final de semana passou normalmente. Eu e Takashi ficamos jogando durante a noite toda e dormimos até tarde. Após isso, decidi colocar alguma leitura em dia e decidir sair até Kaihin-Makuhari para passar o tempo em alguma livraria. Como esperado de julho, o ardor do verão é escaldante. Podia ouvir o canto das cigarras próximos as árvores aqui e ali. Mesmo usando roupas leves, era difícil andar pelas ruas.
Fiquei completamente agradecido pelo fato de ter realizado aquele trabalho de meio-período com Chinatsu. Eu e Takashi recebemos algum dinheiro de nossa mãe para aproveitarmos as férias, mas desde cedo fiz economias justamente para momentos como aquele.
Assim que cheguei em casa da rua naquela segunda-feira, li um pouco do livro que tinha comprado e adormeci na cama. Como esqueci de ligar o ventilador, acordei suado e sonolento. Levantei relutante e fui ao banheiro. Ao olhar no espelho, ignorei a cicatriz na boca que seguia até o nariz e fitei meus olhos cansados. Minhas olheiras já estão menores que antes. Dada minha sonolência, tinha certeza de que em breve voltaria a dormir... o que é isso? Por acaso virei algum tipo de urso pra ficar hibernando?
Bom, não que relute de fazer isso... eventualmente, essas olheiras sumirão quando repor todo meu sono.
Após o banho, saí do quarto para comer alguma coisa e encontrei meu irmão na sala mexendo no celular.
— Você dormiu bastante, hein? — comentou Takashi. — Estava tão privado do sono, assim?
Apenas murmurei como resposta, indo direto até a geladeira. Não era ainda tarde da noite, mas resolvi não fazer café. Em vez disso preferi tomar um copo de leite.
— A mãe e o pai já estão dormindo, então?
— Sim. Ah, parece que vai sair um filme legal no cinema esta semana. Poderíamos ir ver.
— Oh, podemos mesmo.
Fazia muito tempo que não saía com meu irmão. Por outro lado, foi há apenas poucas semanas atrás que visitei o cinema com o pessoal do clube de literatura. Decidimos que iríamos ver o filme na quarta-feira, sendo a primeira atividade oficial das férias de verão.
Não esperava que combinaria algo tão cedo, mas ainda haverá as sessões de estudo do grupo Shiroi Gamen na biblioteca por causa dos deveres de casa. Se bem me lembro, terá outra sessão no final daquela semana para que Yonagi nos dê informações sobre a estadia em Yokohama.
Ainda não tinha contado aos meus pais sobre aquela decisão, e como respondi no calor do momento — por livre e espontânea pressão... —, não é como se tivesse realmente vontade de ir, apesar do que Yonagi me disse anteriormente. O que faríamos lá era algo que não sabia e permaneceu como incógnita.
Afinal, posso pegar algumas lembrancinhas em Yokohama. Parece que lá também terá atividades de verão interessantes, mas o objetivo real da família Yonagi se reunir daquele modo não foi explícito. De todo jeito, era melhor saber a razão primeiro para formular uma resposta depois.
Ainda estava decidindo o que realmente farei naquele período de férias. Se eu pudesse, ficaria na livraria ou na biblioteca local todos os dias durante o máximo de tempo possível. Ficar em casa também tinha suas desvantagens... dei poucas pesquisadas sobre telescópios, já que não tinha um modelo certo. Nem mesmo pensei em pedir opinião para Yonagi, que sabe mais do assunto do que eu, pelo visto...
Mas não esperava que aquela semana inicial de férias iria definir o rumo daqueles dois meses...
No LINE, Himegi e os calouros queriam combinar todo o tipo de coisa conforme os dias passavam. Decidi não ficar olhando muito o celular e me concentrei em ler meus livros recém-comprados e relaxar sozinho.
Na quarta-feira, eu e Takashi fomos ao cinema Makuhari Techno Garden, o mais próximo de nós. Pegamos um ônibus até lá. Como havíamos chegado cedo para a sessão, decidimos matar o tempo caminhando sem um rumo definido.
— Achei que você iria convidar alguém da sua escola, Takashi... — comentei, surpreso.
— Na verdade, eu que pensei que você faria isso, Hide...
— Hein? Achei que a sua situação era melhor que a minha...
— Hum? Não, na verdade? — ponderou meu irmão. — Apesar disso, nós combinamos de nos encontrarmos no fliperama mais tarde.
— Por isso você escolheu uma sessão de mais cedo... — retruquei. — E você foi convidado pra alguma coisa, no fim das contas.
— Ora, você não foi ao cinema há pouco tempo? — questionou Takashi. — E foi com garotas também, certo?!
— Vocês vão para o fliperama mais tarde, ainda é uma atividade melhor...
— Mas garotas não vão para locais assim! — grunhiu Takashi. — Elas apenas querem ficar naquelas máquinas de garra ou algo assim, certo? Além disso, não há muitas garotas que gostam de RPG, então os grupos são sempre compostos de garotos.
Parando para pensar nisso, o fato de ter ido ao cinema com um grupo misto realmente foi algo surpreendente... e ainda teve mais garotas do que garotos!
— Mas realmente não foi o que se parece...
Sério, as chances de haver algum tipo de relacionamento nestes casos é quase nula. A menos que já tenha um casal predefinido antes de tal evento ocorrer, gerar casais em membros de clube era algo muito difícil, além de ser superficial na maioria dos casos.
Não é porque possuem os mesmos gostos pessoais signifique que fiquem juntos. Isso não passa de uma superstição causada pela mídia!
Dito isso, parece que o clube de jogos no qual meu irmão participa era realmente unido. Isso é muito bom.
— Garotas só ligam pra máquinas de fotos e karaokê, mesmo... — Nós dizemos ao mesmo tempo, indiferentes.
Enquanto caminhávamos, uma livraria surgiu em meu campo de visão. Decidi parar nela por ainda haver algum tempo.
— Pode indo na frente, te encontro em frente ao cinema.
Takashi foi na frente, despreocupado. Entrei na livraria, ávido a querer encontrar alguma coisa interessante. Não era a mesma coisa que sebos, mas sempre há a oportunidade de encontrar algum tesouro!
Passei durante as estantes e, meus olhos se encontraram com pessoas conhecidas (de novo?).
Himegi e Yonagi estavam juntas. Provavelmente uma fazia companhia à outra. Ambas usavam roupas casuais: camisas leves e shorts.
— Oh, é o Shiro! — exclamou Himegi.
— Oh, uma preguiça... — murmurou Yonagi, parecendo surpresa.
— Ei, que pretensão é essa? Mesmo tendo reagindo do mesmo jeito, porque agiram de formas diferentes? — retruquei. — E eu ouvi o que você disse!
— Deve estar imaginando coisas, é apenas uma surpresa que uma preguiça tenha conseguido sair de sua casa. Oh, isso seria uma evolução, talvez?
— Ei! Você disse duas vezes! Duas vezes! E que expressão pensativa é essa?!
Enquanto esbravejava contra Yonagi, que coçava o queixo. Himegi dava leves risadas.
— O que você está fazendo aqui, Shiro?
— Bem, acho que o mesmo que vocês. Passeando... — respondi, amargurado. — Ou, algo assim. Na verdade, só vim ver um filme.
— Podia ter combinado com o grupo todo, sabia?! — exclamou Himegi.
— Grupo? — perguntou Yonagi. — Ah, é o de estudos, certo?
— Sim! Isso mesmo! Aliás, posso saber porque você entrou no grupo e não mandou uma mensagem sequer?
— Eu... não sei o que devo dizer... Além disso, a Chinatsu e Shiina do clube de artes estão nele também, certo?
O que é isso? Ela é uma tímida reversa que prefere conversar pessoalmente? Que tipo de nerd é esse?
— Além disso... já vamos nos encontrar na biblioteca local, então por enquanto prefiro só prestar atenção... — continuou ela. — Apesar de tudo, ter alguém como o Shiroyama conseguindo ensinar aos outros é algo novo pra mim.
Como esperado de uma resposta de Yonagi.
— E porque disse “apesar de tudo”? — grunhi, mesmo sendo ignorado. Himegi ficou confusa, o que a deixou sem jeito.
— Ah, eu não quis dizer que não quero falar com vocês... quer dizer, eu também não sei explicar direito as coisas...
— Achei que não iria querer ficar para trás, Yonagi... — A incitei. — Então, em termos de quantidade, eu estou na frente no quesito de comunicação, certo?
— Oh, é verdade... você não ficou gaguejando com elas no dia dos fogos de artifício... — ponderou Yonagi, pensativa.
— Foi nisso que prestou atenção?!
Novamente essa garota me faz engolir os próprios méritos pra me provocar... — mesmo que não haja mérito nenhum —. Himegi me encarou seriamente:
— Não trate isso como uma competição para ver quantos amigos cada um tem...
— Não, Himegi. Eu vou tentar me comunicar no grupo... — Yonagi disse em um tom crescente. Seu rosto se endureceu sob um olhar determinado.
Eu me pergunto qual de nós dois encarou a situação daquela maneira primeiro...
Olhei para o relógio e vi que logo será a hora da sessão. Me despedi das duas e me direcionei ao cinema. Encontrei Takashi matando tempo jogando em uma máquina de garra perto dali.
— Você não disse que não gostava dessas máquinas...?
O filme foi muito bom. Pelo nosso combinado, após a sessão ter terminado, Takashi seguiu até a estação mais próxima para se encontrar com os amigos no fliperama. Como não tinha mais nada para se fazer ali, resolvi ir para casa. Por isso, decidi pegar o ônibus mesmo.
Como regra dentro do cinema, tive que manter o celular desligado. Mesmo que quisesse deixar no modo avião, algumas pessoas foram alertadas sobre o ato de gravar dentro das salas, então os guardas sempre ficam de olho. Não tive escolha senão desligá-lo...
Assim que o liguei, várias notificações surgiram ao mesmo tempo. Era realmente trabalhoso lidar com todas aquelas informações de uma vez só, mas fiquei um tanto surpreso com o que apareceu ali.
O grupo no LINE teve várias mensagens não lidas, notificações nos grupos do Twitter, entre outras coisas. Mas não foi isso que me deixou chocado.
Minha mãe ligou para mim várias vezes.
Achei aquilo muito estranho, e me preparei para ligá-la de imediato, mas uma mensagem dela estava escrito:
[está tudo bem. Não precisa me ligar de volta. Conversaremos diretamente em casa.].
A menos que tivesse cometido algum erro bem grave, aquele tipo de coisa não era algo comum de ocorrer. De todo jeito, não precisaria me preocupar naquele momento com coisas desnecessárias. Ainda era cedo e, o ônibus se encontrava vazio. Não demorei muito para chegar em casa de todo jeito.
Ao entrar, vi somente minha mãe ali. Já se passava das 18h da noite, então ela e meu pai já tinham retornado do trabalho. Era realmente um tanto estranho estar de férias e meus pais ainda estarem trabalhando, o que tornava crível que a vida de assalariado era algo complicado e trabalhoso, muito trabalhoso. Que realidade cruel está à minha espera!
— Onde o pai está? — perguntei.
— Ele chegou agora a pouco e foi para a academia... — respondeu minha mãe, preparando o jantar na cozinha.
Típico do meu pai. Sempre que tinha tempo, procurava se exercitar com alguma coisa. Ele era do tipo que não age por palavras, mas por ações. No caso dele em si, era pelo porte. Enfim, se não foi necessário pensar no meu pai naquele instante por não estar ali, vou ignorar a seu respeito.
Tive um certo alívio, já que não era sobre ele o assunto que minha mãe quer falar.
Ela enxugou as mãos em seu avental e se afastou da cozinha, se sentando no sofá. Eu a acompanhei e me sentei à sua frente, olhando em seus olhos.
— Bem, o que foi? — indaguei. — O que quer falar comigo que precisou fazer tantas ligações?
— Seu irmão me relembrou agora a pouco que iriam ao cinema. Peço desculpas por ter esquecido.
Minha mãe está um pouco apreensiva, mas não a pressionei para falar:
— Parece que você e seu irmão estão tendo planos para este verão, certo? Seu pai não soube disso, no entanto.
Eu respirei fundo.
— Apenas não quisemos contar a ele. Dizer a você foi o bastante, não?
— Sim, eu sei que me contaram. Mas ele ficou interessado no que vocês estavam fazendo, apenas isso.
Uma súbita frustação cresceu dentro de mim.
— Não precisa ficar apreensiva por algo assim. Afinal, é você que sabe lidar melhor com ele, certo?
— Certo. Bom, não era realmente por esta razão que quero falar com você... — concluiu minha mãe. — O que espero que entenda é que, caso tenha algo pra fazer neste tempo de descanso, faça. Você precisa aproveitar o tempo de lazer também.
Acenei como resposta, meio sem saber o que deveria responder.
Como ainda não disse a ela sobre a estadia em Yokohama, aquele pode ser o melhor momento para dizer aquilo.
— Se é sobre isso, achei que iria falar com Takashi também...
— Seu irmão... bem, ele deve estar se divertindo jogando com os seus amigos... e é o que ele fará durante todas essas férias, mesmo.
Como esperado da minha mãe! Ela reconhece seus filhos muito bem!
— Então o assunto é comigo mesmo, mas... o que isso tem a ver com as férias?
— Hide... preciso que me escute, está bem? — Minha mãe se endireitou no sofá. — Você provavelmente não vai gostar do que estou prestes a dizer, mas você é o único que vai me ouvir.
Eu assenti em silêncio, esperando aquela resposta.
— Harumi... ela me contatou... — expressou minha mãe. — Depois de muito tempo, resolveu voltar a se comunicar.
Ah...
O quê?
Como...
Por que...
Não...
Não tem sentido...
Por que...
— Sua irmã... parece que quer vir conversar conosco... — entoou minha mãe.
Antes que percebesse, cerrei os punhos. O coração bombeou forte, mas percebi que o corpo inteiro tremia. Não disse nada, mas contive a garganta.
Por que?!
POR QUE?!
O QUE ELA ESTÁ QUERENDO?!
O QUE ELA QUER?!
Em minha mente surgiu várias perguntas misturados pela raiva. O que ela queria ali? O que queria conosco? O que estava acontecendo?
Cobri meus olhos com a palma da mão e minha mãe tocou em meu ombro, dispersando um pouco daquela raiva. Ela me encarou silenciosamente, esperando ver minha resposta. Não podia me dar ao luxo de estender aquela conversa mais ainda por causa do estresse.
Mesmo já sentindo tal sentimento pesado várias vezes, ainda me amargurava como se sempre fosse a primeira vez.
— Harumi... ela virá pra cá?
Ela assentiu como resposta.
Senti um gosto amargo na boca. Essa notícia em si é algo ruim. Me fez ter dor de cabeça só de pensar a respeito.
É incrível como o cérebro funciona. Quando os seres humanos têm experiências terríveis por vários intervalos de tempo, nossas mentes nos iludem com outros tipos de pensamentos. Porém, tive que lutar contra a própria mente. Preciso forçar a dizer o que realmente quero fazer sobre essa situação, empurrei toda aquela vontade para minhas cordas vocais:
— Eu... — formei as palavras antes que pudesse pensar muito a respeito. — ...não quero estar aqui.
Eu repeti as palavras em minha mente, reforçando o sentido delas e minha posição pessoal.
Aparentemente, minha mãe esperou uma resposta do tipo de mim, pois ela não retrucou e não quis intervir.
— Seu irmão provavelmente dirá que não se importa com ela e vai se trancar no quarto para ignorá-la. Mas você, eu sei que ficaria conturbado com essa notícia. Se seu irmão não se importa, tudo bem. Mas se você não quer presenciar isso, não vou forçá-lo a nada. Por isso, quero que fique claro que se pretende fazer algo quando isso ocorrer, deverá fazer. Se não tiver nada em mente, podemos pensar em alguma coisa.
Todas as células do meu corpo diziam isso. Eu não quero estar perto, e não faço nenhuma questão de fazê-lo. Ainda me sinto um tanto irregular, mas assenti com ela. Preciso tomar alguma atitude. E para tal, só há uma rota de fuga. Foi a única coisa que consegui pensar pra escapar.
— Quando... — tentei controlar minhas emoções, aflito. — Quando ela virá?
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios