Our Satellites Brasileira

Autor(a): Augusto Nunes


Volume 4

Capítulo 1: Os Planos das Férias de Verão ④

Atravessei a rua e entrei no parque Nakatakahama, da qual fui me encontrar com quem me enviou a mensagem de mais cedo. A pessoa em questão manteve-se escondido atrás de uma das árvores próximas ao balanço.

— Não esperava que receberia alguma notícia sua em tão pouco tempo... — murmurei, indiferente. — Hiyatetsu Bara.

— Me chama só de Hiyatetsu... bem, do jeito que quiser... — Ele se levantou de onde ficou. Aparentemente, resolveu levar a sério o fato de agir como meu observante. De onde estávamos era um ângulo cego para qualquer um que saía da escola. — Está com tempo, agora?

— Um pouco, na verdade... vou fazer algo mais tarde, mas não é necessário ter pressa.

Nos afastamos da entrada do parque e me escorei em uma das árvores, pronto para ouvir o que ele tem a dizer:

— Eu sei que faz apenas uma semana desde que toda aquela confusão aconteceu..., mas sabe que não há como deixar a guarda baixa, certo?

— Tem razão... não vi nenhuma ação feita por Kumiko desde a intervenção das avaliações — disse. — E as provas finais justamente terminaram hoje, o que há de importante em comentar?

— Mesmo fora do Conselho Estudantil, ainda tento manter contato com a Kiboumori — explicou ele. — Mesmo que não pareça, ela está de olho na Kumiko...

Isso pode ter sido fruto da minha investigação na própria Kiboumori ao criticar os métodos de Kumiko. No entanto, ainda foi bom de ouvir que essa desconfiança veio por parte dela. Não sei como Hiyatetsu ainda mantém contato com uma pessoa tão apática quanto aquela garota...

— E... pode até parecer exagero meu... — Ele continuou. — Mas, sinto que Kumiko anda agindo estranha... ao menos foi a impressão que tive.

Ao conversarmos há uma semana atrás, ele me confessou que se interessa por Kumiko — ainda estou digerindo essa informação... —, não me é uma surpresa dele ficar notando em qualquer detalhe vindo dela. Ou melhor, pode ser algo que apenas alguém atraído como ele possa notar.

Se bem que o simples fato de querer eliminar a mim e Yonagi por si só já era algo exagerado vindo dessa estranha..., mas não vim provocá-lo mais do que já foi feito. As coisas estão diferentes agora.

Usarei isso ao meu favor.

— Não se preocupe. Até mesmo a menor das informações pode vir a ser útil... — falei. — Não acho que precise ir a fundo em persegui-la, mas se surgir alguma oportunidade, tente descobrir mais sobre o que ela pretende fazer.

— Você acha que ela vai tentar causar outro incidente durante os jogos?

— Não duvido de nada, muito menos dela. O importante é que todos devemos nos assegurar de evitar ceder qualquer detalhe que ela possa usar contra. Se por ventura você e Chinatsu voltarem pro Conselho Estudantil caso ela venha cometer algum erro, será a possibilidade mais segura dela não poder fazer mais nada conosco.

— Entendo... nesse caso, ficarei de olho nela se conseguir.

— Mais uma coisa... já que veio falar comigo, gostaria de te pedir um favor...

— Oh, diga! Farei tudo o que estiver ao meu alcance!

— Primeiro, se alguns dos amigos próximos de Kumiko estiverem agindo, me avise.

Justamente no caso de Hiyatetsu, ele foi manipulado por Higusa Amari a mando de Kumiko para repassar informações do Conselho Estudantil para ela. Seus outros comparsas, Todo Himura e Ichika Yari, a ajudaram indiretamente e não devem ser ignorados.

— Estou consciente da Higusa... mas terei os outros em mente, pode deixar.

— Segundo, não sei se será possível obter qualquer informação, mas o menor dos detalhes pode ajudar... quero que descubra mais sobre quem é Mitsuhara Kobune.

— ...a supervisora? Porque?

Após de receber o resultado do teste especial, tentei entender mais sobre aquela mulher e o que colhi foi uma tremenda desconfiança. Ela foi a responsável pelas situações problemáticas que fui obrigado a passar desde que pisei nessa escola... sem contar que parece saber sobre mim.

— Só estou curioso pra saber mais sobre ela... o último teste especial que fiz me deixou com essa pulga atrás da orelha.

Hiyatetsu me encarou incrédulo, mas resolveu não questionar.

— Vou ver o que posso fazer, mas quanto a isso... não sei se posso te dar expectativas...

— Como eu disse... o que puder descobrir está bom. Não vou forçá-lo a nada, também... — dei de ombros. — Não surgiu nenhum outro candidato para secretário?

— Diferente da tesouraria, os secretários não são tão urgentes a ponto de pedirem uma audiência imediata... — explicou ele. — Mas, já deve ter alguns candidatos consideráveis. Provavelmente no retorno das aulas anunciem o novo secretário escolhido.

— Então, use esse tempo pra definir seus objetivos — proferi. — Foi o que te disse uma vez: cargos do tipo não valem tamanho esforço quanto fazem parecer. Não são os títulos que fazem todos te reconhecerem, é o fato de ser reconhecido que te atribuem um título.

Por mais que tenha falado bonito, a realidade de ser chamado de “zumbi escritor” não me dá crédito algum...

Excluindo esse detalhe, parece que essas palavras o tocaram. Hiyatetsu estendeu sua mão, determinado:

— Certo! Pode deixar! Tenha certeza de que vou voltar pra esse lugar sendo alguém diferente, Shiroyama!

— ...é assim que se fala.

Nós apertamos as mãos e nos despedimos. Não tinha certeza sobre o que o tempo fará com esse cara exaltado, mas..., se as estações podem mudar tão drasticamente, os seres humanos também conseguem, certo?

 

Havia vários alunos da escola na estação, então o espaço se encontrava bem cheio. Usar máscara nesses lugares era sufocante. O trem não tardaria em chegar, mas senti uma súbita densidade de pressa se rodear no local. Provavelmente devido a apreensão dos alunos de quererem aproveitar o tempo de férias o quanto antes. Eu me incluo, lógico. Como Yonagi ainda não deu uma estimativa de quando será essa estadia em Yokohama, preciso aproveitar o máximo de tempo em casa possível.

Todos tínhamos combinado de comprar fogos de artifício para comemorarmos o início das férias, mas parece que os outros ainda tinham algumas coisas para fazer, então decidi ir na frente e passar em alguma loja perto da estação para fazer as compras. Decidi esperá-los por ali.

Grande parte dos alunos presentes detinham dos uniformes de educação física, o que significava a presença de vários esportistas. Se bem me lembro, o interescolar será em breve, algo em torno de daqui a duas semanas. A escola ficará aberta para que possam praticar, assim como para os outros clubes que participarão ativamente no Festival Esportivo. Os próximos dois meses serão bem animados para eles, já que o momento de mostrarem suas habilidades é sucinto. Estar diante de um desafio para direcionar sua vida para o futuro deve ser uma pressão enorme... estavam seguindo os passos da escola Karasuno, por acaso?!

Enquanto tinha pensamentos inúteis sobre aquelas atividades físicas exaustivas, meu campo de visão encontrou figuras conhecidas.

Takahashi e seu grupo se reuniram com mais outros alunos do que parecia ser o clube de futebol, conversando animadamente com sorrisos reluzentes e tomando energéticos. Pareciam uma equipe de atletas profissionais que acabaram de sair da academia depois de uma sessão de exercícios como se não fosse nada demais. Olha só, como são adolescentes sociáveis e saudáveis!

Não é algo que faço com regularidade, mas vez ou outra vejo o próprio físico justamente por causa de toda essa presença atlética rotineira. Suspirei irritado, pois só de pensar que haverá tantas atividades físicas pra fazer me deixou cansado. Pior ainda, me fez ter lembranças desagradáveis de uma certa pessoa em minha convivência familiar.

Geralmente quando você se relaciona com as pessoas acaba recebendo influências externas, cabendo a cada um querer absorver para si o que se observa. Mas não tem jeito, as melhores influências são aquelas em que você sente vontade de querer saber mais a respeito a partir da própria curiosidade.

Enquanto mantinha minhas divagações, notei que Takahashi se deu conta da minha presença e fez um aceno. Fiz um cumprimento de cabeça e permaneci no mesmo lugar. De repente, ele se distanciou dos outros e veio em minha direção.

— Parece que está treinando bastante, hein? — disse.

Foi uma surpresa ele resolver se aproximar, dado tudo o que aconteceu...

— Bem, sim. O interescolar está se aproximando, certo? — respondeu, sem rodeios. — No entanto, você parece estar bem mais cansado do que ultimamente.

— Acho que preciso de um tempo para tudo, mesmo... — disse, suspirando. — Mas para você, descanso deve ser uma palavra para definir uma pausa de um treino a outro no seu dicionário, certo?

Takahashi deu um sorriso animado, parece ter gostado da piada.

— Preciso conversar com você, Shiroyama.

Até imagino sobre o que seja. Afinal, só se passou apenas uma semana após nossa última conversa direta.

— Kumiko te disse sobre a ideia egoísta dela? — retruquei.

— Sim... — Ele olhava para os trilhos. — E ela disse que como você me escolheu, ficou furiosa por ter aceitado os seus termos e não está falando comigo.

— Dessa vez eu juro que foi tudo um grande acaso para mim... — disse, indiferente. — Afinal, não pretendia dizer nada do nosso acordo até o Festival Esportivo. As coisas simplesmente aconteceram com ela querendo antecipar os preparativos.

Senti o olhar de Takahashi me avaliando. No fim, ele apenas suspirou.

— Ela me disse que já escolheu uma pessoa para representá-la nesta disputa. Isso era o que eu queria vir te falar.

— E você está determinado a ganhar, certo? — O encarei.

— ...

— Takahashi, apesar de tudo o que aconteceu até agora nunca quis te prejudicar. Na verdade, o quero como um aliado. Sobreviver nesta escola não será nada fácil e, não quero admitir, mas preciso da ajuda dos outros.

— É meio difícil um solitário como você admitir algo assim, hein...

— Além disso, apenas encarei este desafio dela por não querer que me cause mais danos.

— Bom, o que você fará? Eu estou em uma posição complicada, entende?

Posso entender os sentimentos de Takahashi. Bem, mais ou menos. Não é como se pudesse compreender totalmente a afeição que ele tinha por Kumiko — o mesmo que acontece com Hiyatetsu —, mas tenho que arcar com tamanho problema para que as coisas não se voltem contra mim depois.

— Não se preocupe. Apesar de ter ficado irritada com você, ela sabe que não aceitou essa proposta com facilidade. O ódio dela ainda está direcionada a mim. Farei algo a respeito quando o momento chegar.

Não era preciso ficar pensando em coisas que ainda vão acontecer. Ter dois meses para pensar nisso com muita calma é o verdadeiro exagero, na verdade.

— ...além disso, enquanto as coisas estão estacionadas até que aconteçam, pode ir dissipando a amargura dela aos poucos. Fique me insultando para ela ou o que quer que seja, não me importo.

Takahashi suspirou, mas não pareceu insatisfeito com a minha resposta. O trem chegou e uma multidão de pessoas saíram das portas automáticas, ele tornou a se afastar de mim para voltar aos seus amigos. Em meio ao vozerio da multidão de passageiros, ouvi suas palavras antes de sua voz desaparecer:

— Espero que o seu descanso não seja se manter do jeito em que se encontra, senão pode se arrepender.

***

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