Volume 4
Capítulo 1: Os Planos das Férias de Verão ③
Àquela altura do campeonato, já fiquei acostumado com a tremenda aglomeração de alunos para verem suas notas no quadro geral. Pode-se dizer que de longe era o maior treinamento que aquela escola transmitia a nós, o espírito competitivo. Ou seria melhor colocar angústia pela sobrevivência?
De qualquer jeito, assim que eu e Himegi chegamos no pátio onde os quadros gerais estavam, a imensa aglomeração de pessoas tornava impossível de se ver as colocações. Himegi encontrou suas colegas e foi em direção ao quadro geral do primeiro ano. Quanto a mim, tentei me aproximar do quadro do segundo ano à duras penas.
E mais uma vez, àquela altura do campeonato já deveria estar acostumado com muitas coisas, mas certamente nos surpreendemos com o que vemos.
As colocações gerais foram essas:
RESULTADO FINAL DA MÉDIA GERAL DE FIM DE SEMESTRE
Yonagi Kaede: 4ª Posição.
Kumiko Horie: 29ª Posição.
Hiyatetsu Bara: 33ª Posição.
Himegi Kyouko: 117ª Posição (Primeiro Ano).
Takahashi Kuroshima: 47ª Posição.
Nana Nishimura: 115ª Posição.
Chinatsu Chitose: 108ª Posição.
Shiina Toshi: 31ª Posição.
Kuroi Hoshida: 97ª Posição (Primeiro Ano).
Teru Yamada: 110ª Posição (Primeiro Ano).
[...]
Shiroyama Hideo: 40ª Posição.
...
Eu fiquei sem palavras.
Na minha última colocação das avaliações diagnósticas, consegui o 15° lugar. Apesar do meu rendimento ter sido reduzido por causa do estresse passado durante aquelas semanas, me iludi de que minha posição nesse ranking não decairia tanto.
Foi uma surpresa e tanto para mim.
Após vermos nossas notas, todos decidiram se reunir. Apesar da queda de pontuação de todos — exceto Yonagi —, ninguém ficou em uma posição ruim, o que ainda significou uma vitória.
Ao ver Chinatsu e Shiina agindo normalmente, fez parecer que aquilo não era algo muito incomum de se acontecer.
— O resultado das provas finais sempre é diferente das avaliações diagnósticas, mesmo... — respondeu Chinatsu.
— Eles usam um critério para fazer as médias da qual os alunos não sabem qual é... — continuou Shiina. — Muitos tentaram entender a lógica por trás das médias, mas ninguém conseguiu descobrir até agora.
— Nem mesmo os do terceiro ano? — questionei.
Shiina balançou a cabeça.
— As avaliações são mais fáceis de prever o resultado por terem um sentido mais simples de critério. Como elas servem apenas para avaliar o aluno posteriormente, o grau de dificuldade é menor e se torna possível calcular seu resultado. Mas não é algo que ajude muito nas provas finais.
— Que ótimo... agora é que nós precisamos mesmo aproveitar essas férias! — exclamou Himegi.
— Não quero pensar sobre as próximas provas durante um bom tempo! — grunhiu Teru.
— O que vocês pensam em fazer? — perguntou Kuroi.
Enquanto todos murmuram sobre o que deveriam fazer nas férias, minha mente fervilhava.
Afinal, o fato de ter vencido Kumiko foi apenas pelas provas terem sido avaliações. Agora faz sentido o fato dela ter ficado tão confiante. Se fosse para comparar as provas, era relativamente mais fácil pontuar nas avaliações, enquanto você estudava para as provas finais. Era bem provável que não deveria haver competições nessas épocas, vendo que todos que eu conheço tiraram uma nota menor.
Pode-se dizer que aquelas são épocas neutras, pois todos vão se preocupar com eles mesmos em se saírem bem nas provas finais.
Parando pra pensar, irá ocorrer muitos eventos no próximo semestre, o que dará menos tempo de poder estudar para aqueles testes. Ou seja, os jogos podem servir como o mesmo exemplo.
Parece que ainda resta muita coisa da qual preciso observar mais. E, de fato, o que mais era necessário ali era recolher informações. Falando nisso, recebi uma mensagem inesperada da qual me mantive neutro pra não chamar atenção de ninguém.
Não era uma questão de me preocupar com detalhes, afinal. Se ainda sou capaz de me surpreender com o que esse lugar pode proporcionar, então aceitarei o desafio.
Tão logo caminhávamos pelos corredores em direção ao prédio especial. Apesar das conversas paralelas entre nós, demorei pra perceber que tal cena se tornou algo tão normal que todo aquele receio dos calouros interagirem com Chinatsu por causa dos rumores causados por Kumiko se dissipou rapidamente.
— Parando pra pensar... somos um grupo estranho — murmurou Shiina, inexpressiva.
— Estamos mais pra um bando desgovernado... — Chinatsu tentou conter sua risada.
Oh, estamos mesmo andando igual um bando... ou seria uma manada? Grupos de estudos são realmente bizarros...
— Ah, qual é... — Himegi fez um muxoxo. — Não somos tão estranhos assim como um bando...
— Não diga bando como se fosse uma palavra comum... — expressou alguém se aproximando de nós. Yonagi surgiu em outro corredor adjacente quando estávamos prestes a cruzar o percurso suspenso ao prédio especial. — Mas... não acho ruim dizer que somos bem distintos.
— Defina “distinto” ... se todos possuem gostos distantes, mesmo quando parecemos os Power Rangers... — ressoei.
— O clube de literatura é bem exótico, mesmo... — comentou Shiina.
Essa garota realmente tem papas na língua. Ela consegue chamar atenção de todo mundo mesmo estando sonolenta quase todo o tempo. O que se passa em sua cabeça pra conseguir dizer o que deve ser dito no momento certo?
Se somos exóticos, então somos mais parecidos com o grupo da Era do Gelo do que com os Power Rangers... ei, espera. Se for isso... então eu sou o Sid?! Ah, cara...
Enquanto coçava a nuca por ter pensado em algo tão inútil, alguém a minha frente se segurava pra não rir tanto. Yonagi me encarava em intervalos cobrindo a boca pra não gargalhar tão alto... oh, não é possível que ela tenha pensado o mesmo que eu...
— Nos vemos mais tarde, então... — expressou Chinatsu, sem entender o que aconteceu entre nós.
Chinatsu e Shiina seguiram para o clube de artes, então se despediram e tomaram seu rumo.
Apesar do que foi dito, sermos um grupo estranho ou não era irrelevante... já que o fato é que nos damos bem. Ao menos na medida do esperado.
No entanto, não esperava que Yonagi ainda resolveu planejar atividades do clube no dia, sendo que nem sequer consigo imaginar algo interessante. Mesmo assim, todos se sentaram em seus lugares na mesa usual à sua espera, em que chamou nossa atenção com um leve pigarro:
— Bom... acredito que todos aqui tenham se saído bem nas provas finais, certo?
Todos assentiram.
— Então, hoje é o último dia de clube deste semestre. Gostaria de saber se vocês terão algum plano para as férias.
— ...
Fiquei sem saber o que dizer. Na verdade, acho que minha expressão de surpresa disse por mim. Os outros — pelo contrário —, a responderam animosamente:
— Não... não tenho nada em particular pra fazer, estou livre! — proferiu Teru, fitando avidamente para as garotas.
Teru, entendo sua animação. Mas se acalme, por favor. Você está olhando demais para elas...
— Eu apenas verei minhas séries favoritas e alguns filmes de terror, sabe? Por mim, tudo bem em querer fazer algo... — respondeu Kuroi.
Fala sério, essa garota só sabe falar disso? Ela é aquele estereótipo de personagem que só segue um tipo de regra?
— Yonagin, você tem algum plano em mente, não é?! — exclamou Himegi, animada. — Conte-nos!
Uh, depois do resultado da convenção de escritores outro dia, mantive a preocupação com os planos futuros de Yonagi para nós. Quer dizer, a ideia em si foi boa, mas literalmente todos agimos separadamente. Qual será o intuito de fazer a mesma coisa durante as férias?
Enquanto perdurei meus devaneios, Yonagi se pôs a falar:
— Na verdade, alguns membros da minha família vão passar as férias em Yokohama e eles alugaram um ryokan pra ficar. Eles me convidaram para passar alguns dias, mas o número de pessoas que disseram que vão e o número que realmente vai não é o mesmo...
Ela disse aquilo com uma voz tão tímida que demorei alguns segundos pra entender completamente... calma aí, essa ideia é totalmente oposta do que essa garota costuma propor!
Será coisa de sua própria consciência? Não... a julgar como ela foi manipulada por Kuroi em fazer a sessão de filme, sua família em si que criou a situação... e aparentemente foi embaraçoso para ela dizer seus planos familiares.
Bom, compreendo esse sentimento. Apesar de querer passar mais tempo com meus primos do que gostaria, é difícil de todos se encontrarem... a família Shiroyama tinha essa complicação da maioria dos membros se localizarem em Tokyo e nós sermos afastados de todos.
Se tratando dela, pode ser que muitos membros podem ainda estar presos no trabalho se não forem estudantes ou algum outro problema repentino possa ter ocorrido... nunca se sabe.
Não era uma razão para estar tão preocupada, mas Yonagi parecia um tanto relutante de ter dito tudo aquilo.
— Oh, ficar juntos em um ryokan? Que demais! — comentou Himegi. — Vai muita gente da sua família?
— Meus tios e primos que planejaram a estadia, mas como terá espaços vagos nos quartos alugados gostaria de saber se vocês não gostariam de passar um tempo por lá conosco...
No caso, serviremos para estabelecer o número total de hóspedes. Não era exatamente um pedido direcionado a nós, então não vi problema.
— Com certeza, eu vou! — concordou Himegi.
...
— Se tem comida e estadia de graça, estou dentro! — aceitou Kuroi.
...
— Eu... estou dentro! Contem comigo! — concluiu Teru, levantando sua mão avidamente.
Ugh...
Todos ali acataram a ideia sem nem pensar duas vezes, como se fossem para um acampamento. E de repente todos olharam para mim, como réu. Pessoal, não olhem assim para mim, ok? Eu não sei lidar com pressão social, certo? Não... Não é como se eu achasse que vocês vão me bater se eu recusar, tudo bem?!
— Ah, certo... eu vou... — respondi, no fim. Levantei minha mão em concordância, apesar de relutante.
— Então... vou avisar meu tio quantas pessoas irão. O intuito de vir hoje aqui era apenas para discutir sobre isso mesmo...
Um sorriso discreto surgiu em seu rosto, mas diante da animação de todos pode ter sido apenas imaginação minha. Por que o fato de irmos me deu a impressão de deixá-la aliviada?
Após suas palavras, todos tornaram a se retirar da biblioteca. Não hesitei em pegar minha mochila e avancei em direção aos corredores. Pelo que entendi, levará algum tempo para que aquela decisão seja tomada. Talvez ainda possa ter alguns dias para ficar em casa sozinho...
Suspirei naquele instante. Tudo o que queria era algumas férias tranquilas... ei! Mas pode ser que estes dias sejam tranquilos, não? Iria ficar em uma casa de veraneio sem precisar arcar com custo nenhum, quantas vezes você recebe uma oportunidade dessas na vida?
Decidi não pensar negativamente na proposta e tentei relaxar.
— Onde está indo com tanta pressa? — indagou Himegi, confusa.
— Está tão emocionado assim que as férias começaram? — disse Yonagi. — Seus olhos finalmente pediram arrego de tanto cansaço?
Ah... para onde foi aquela expressão de alívio que ela fez há apenas alguns instantes atrás?
— Em parte é por isso mesmo..., mas tenho algo pra fazer antes de ir embora, então... — fiz um rápido aceno pra todos. — Até mais tarde...
A luz do entardecer irradiou através dos corredores, das quais não houve transeuntes, um silêncio profundo tomou posse dali, exceto pelo barulho dos meus próprios pés.
Assim sendo, fui até o hall trocar de sapatos e segui em direção a estação.
Para todos os efeitos, aquelas férias estavam só começando.
***
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