Volume 7
Capítulo 4: Explorando Okayama com Charmosas Britânicas
“Quer ir se divertir?” perguntou Emma-chan, inclinando a cabeça enquanto estava aos meus pés, com os olhos brilhando de expectativa. Era o dia seguinte ao que eu havia pedido para Charl se conter, e eu tinha acabado de me arrumar para sair.
“Sim, vamos entrar no carro,”respondi.
“Hum! Abraço…!” No momento em que ela percebeu que íamos sair, o rosto de Emma-chan se iluminou e ela estendeu os braços em minha direção, exigindo um abraço.
“A Emma-chan continua grudenta como sempre, né?” comentou Charl, nos observando com um sorriso irônico. Eu estava preocupado que ela ainda estivesse chateada com a noite passada, mas ela parecia ter superado sem esforço. Sua expressão estava livre de qualquer resquício de insatisfação.
“Charl, você também está pronta?” perguntei.
“Sim, como estou?” Ela abriu os braços, exibindo sua roupa — um suéter branco felpudo combinado com uma minissaia azul-clara. Era claramente o conjunto que Shimizu-san e as outras lhe deram de presente, já em bom uso.
“Combina muito bem com você. Você está uma gracinha,” eu disse sinceramente.
“Ehehe…” As bochechas de Charl se suavizaram em um sorriso bobo, e por um momento, tive que resistir à vontade de abraçá-la.
“Lady Charlotte,” chamou Kaguya-san, atraindo a atenção de Charl. Ela se virou com um olhar confuso.
“Sim?”
“Ainda não lhe dei meu presente de aniversário. Por favor, aceite isto.” Kaguya-san estendeu uma pequena sacola de papel, mas Charl balançou a cabeça vigorosamente, agitando as mãos em protesto.
“N-Não, eu não posso aceitar…!” Sua voz estava carregada de culpa. Kaguya-san, como empregada de Kanon-san, ocupava uma posição que fazia com que tal gesto parecesse imerecido para Charl. Embora Charl fosse como uma irmã mais nova para sua mestra, Kaguya-san não tinha obrigação de preparar um presente, e o senso de decoro de Charl tornava difícil para ela aceitá-lo.
Mas eu sabia melhor. Conhecendo Kaguya-san há anos, eu sabia que ela não estava agindo por obrigação. Ela só se esforçava tanto por aqueles de quem realmente gostava, e Charl — fofa, gentil e inegavelmente adorável — claramente havia conquistado seu favor.
“Sou a única cujo presente você não aceita…?” perguntou Kaguya-san, cobrindo o rosto com as mãos, com um tom de falsa mágoa. — Que atriz.
“Eh!? N-Não, não é isso…!?” gaguejou Charl, desconcertada pela reação dramática da geralmente calma Kaguya-san.
“Lottie, você é má…! Menina má…!” Emma-chan, que observava em silêncio, apontou para Charl com as bochechas infladas. Tendo se aproximado de Kaguya-san enquanto morávamos juntos, ela estava claramente chateada por ela.
“Está tudo bem,” eu disse suavemente, dando tapinhas nas costas de Emma-chan para acalmá-la. Seja pelas minhas palavras ou pelo toque gentil, ela se acalmou, pressionando o rosto contra meu peito. Continuei acariciando sua cabeça, minha atenção dividida entre ela e a cena que se desenrolava.
Os olhos suplicantes de Charl encontraram os meus, silenciosamente implorando por ajuda. “Apenas aceite,” eu disse a ela. “A Kaguya-san te deu por carinho, então não precisa se sentir mal. É o melhor para ela agora.”
“Então... obrigada...” Charl cedeu, aceitando o presente com uma expressão de desculpas. Eu não pude deixar de pensar que Kaguya-san teria ficado mais feliz se ela tivesse aceitado com alegria, mas essa era apenas a natureza de Charl — sincera e imutável.
“Por favor, abra”, insistiu Kaguya-san com um sorriso gentil, percebendo a hesitação de Charl. Incentivada, Charl espiou dentro da sacola, e seu olhar de desculpas se transformou em um sorriso radiante.
“Será que você se esforçou por isso ontem?” perguntou ela, com a voz transbordando de compreensão.
“Com tantas pessoas dando presentes, verifiquei para evitar duplicatas, e deu tudo certo,” respondeu Kaguya-san. “Acho que vai combinar com você.”
Curioso, inclinei-me para frente, imaginando o que Kaguya-san havia escolhido. Percebendo meu olhar, Charl alegremente tirou o item da sacola e o colocou na cabeça. “Como ficou?” perguntou ela, exibindo-se com um gesto brincalhão.
Era um gorro de tricô branco e fofo, daqueles que se vê em países com neve, combinando perfeitamente com seu suéter. O modelo a complementava sem esforço, e percebi que Kaguya-san devia tê-lo escolhido pensando no presente de Shimizu-san e dos outros. Ela provavelmente o pegou depois de deixar Livi no hotel perto da Estação Okayama.
“Combina muito com você,” eu disse, sorrindo. “Você está adorável.”
“Ehehe... Obrigada, Kaguya-san,” Charl respondeu radiante, sua gratidão tão calorosa quanto o chapéu agora em sua cabeça.


Charl irradiava alegria, seu lindo sorriso transbordando gratidão enquanto agradecia a Kaguya-san. Em resposta, a fachada fria de Kaguya-san suavizou-se por um breve instante, uma expressão gentil cruzando seu rosto antes de retornar à sua postura composta de sempre. Charl, absorta em sua própria alegria, provavelmente não percebeu. Mas quando Kaguya-san me flagrou observando, seu olhar tornou-se gélido, um olhar cortante e indiferente que poderia congelar qualquer um. Como sempre, seu tratamento comigo era completamente diferente de como ela tratava Charl.
“É tão injusto,” murmurei baixinho, meio resignado à sua frieza.
“Vou trazer o carro. Por favor, preparem-se,” anunciou Kaguya-san, com um tom seco ao se virar para sair, talvez para disfarçar um leve constrangimento.
“Ela é tão gentil, não é?” disse Charl, com a voz calorosa de admiração.
“Com você, Charl, com certeza,” respondi com um sorriso irônico. Morando juntos, eu tinha visto a gentileza da Kaguya-san com a Charl e a Emma-chan inúmeras vezes. Não que ela fosse abertamente carinhosa — ela fazia pequenas coisas por elas ou falava baixinho, tudo isso mantendo aquele ar frio e sereno. Mas comigo? Ela era implacavelmente rigorosa desde que eu era criança, uma treinadora espartana quando se tratava de tarefas domésticas ou qualquer outra coisa.
“Bem, tanto faz. Vamos nos apressar antes que ela fique brava,” eu disse, dando de ombros. Já acostumado com o jeito dela, reuni a Emma-chan e Charl e fomos para o carro que a Kaguya-san havia preparado.
◆◆◆
“—Nossa, Lottie, você está adorável!” Os olhos da Livi brilharam quando chegamos ao hotel e ela viu a roupa da Charl.
“Hehe, obrigada, Livi. Você também está linda,” respondeu Charl, com um sorriso radiante ao retribuir o elogio.
“Não precisa de bajulação,” disse Livi, acenando com a mão em sinal de desdém.
“Não é bajulação,” insistiu Charl, balançando a cabeça.
Sinceramente, eu também achei a Livi bonita, mas dizer isso só faria a Charl ficar emburrada, então fiquei quieto. Livi, no entanto, tinha outros planos.
“Mais importante…” disse ela, aproximando-se de Charl com um brilho travesso nos olhos. Antes que alguém pudesse reagir, ela deu um beijo rápido na bochecha de Charl.
Charl deu um gritinho, pulando para trás e cobrindo o local com a mão. “Eu te disse para não fazer isso na frente do A-kun!”
“Tudo bem, só um beijinho. O Akihito não ficaria bravo por uma coisa tão pequena,” disse Livi, disfarçando com um sorriso casual.
Para falar a verdade, eu não me importei. Se fosse um cara, eu ficaria furioso — não com a Charl, mas com o cara. Mas isso? Era só a Livi sendo a Livi.
“Eu não quero isso na frente do meu namorado!” protestou Charl, com as bochechas coradas. Eu já tinha percebido antes — ela não se importava com os beijos da Livi, contanto que eu não estivesse por perto. Elas eram próximas, e parecia que isso era algo natural entre elas. Pensando bem, a Charl uma vez me deu um beijo na bochecha como agradecimento, provavelmente influenciada pela Livi.
“Tá bom, tá bom, entendi,” disse Livi, dando uma risadinha. Então ela caminhou em minha direção e, por um instante, fiquei tenso, imaginando se ela tentaria o mesmo comigo enquanto a Charl estivesse ali.
Mas, em vez disso, ela se inclinou em direção à Emma-chan, que estava nos meus braços.
“Emma, aqui—”
“Não!” Emma-chan gritou, escondendo o rosto no meu peito para escapar.
Tendo visto o beijo da Charl, ela devia saber que seria a próxima. O rosto da Livi se fechou, genuinamente chocado. “Eu pensei que estávamos ficando próximas…!”
Para a Livi, beijos na bochecha eram uma saudação normal, então a rejeição da Emma-chan doeu como um aperto de mão recusado.
“A Emma-chan não gosta muito desse tipo de coisa, então não tem jeito,” eu disse, tentando amenizar a situação. Foi melhor do que o tapa que a professora Sasagawa levou uma vez, então a Livi devia se considerar sortuda.
“Ah, bem, acho que não tem jeito. Eu não faço isso com crianças que não gostam — essa é a minha regra,” disse Livi, dando de ombros, recuperando o fôlego.
“Espera, eu também não gosto, né!?” Charl interrompeu, aproveitando-se das palavras de Livi.
“Mas Lottie, você não desgosta de verdade, né?” Livi provocou, com um tom exasperado.
E esse era o ponto principal. A regra da Livi de evitar crianças que não gostavam era genuína, e a Charl só levou um beijo porque, no fundo, ela não se importava quando era a Livi.
“Eu não gosto disso…!” Charl insistiu, inflando as bochechas.
“Claro, claro, eu entendo,” disse Livi, desconversando com um sorriso brincalhão. Tive que conter o riso — ver esse novo lado emburrado da Charl quando Livi estava por perto era realmente divertido.
“A empregada vai buscar o carro, certo?” Livi perguntou, mudando de assunto.
“Sim. Ah, e um aviso — provavelmente não tente beijá-la,” avisei. Eu não sabia ao certo, mas Kaguya-san provavelmente ficaria brava. Ou desviaria com reflexos de ninja.
“Haha, não se preocupe, eu não vou. Só faço isso com amigas próximas,” disse Livi, rindo baixinho.
Ontem, ela mal tinha falado com Kaguya-san, conversando principalmente com Kanon-san, então ela claramente sabia onde traçar a linha. Espera aí — isso significava que ela tentaria com Kanon-san? — Isso provavelmente irritaria a Kaguya-san também. — wAinda bem que a Kanon-san não está aqui hoje.
“Certo, vamos para o carro,” eu disse, guiando Livi e os outros até onde Kaguya-san esperava no estacionamento. “—Hum, Akihito, você vai no banco da frente?” perguntou Livi, notando a disposição dos assentos. O carro não era uma limusine desta vez, mas um sedã de cinco lugares, provavelmente escolhido pela flexibilidade.
“Considerando o grupo, achei que o banco da frente seria melhor para mim,” expliquei. Emma-chan estava na cadeirinha dela atrás, e colocar Livi na frente seria estranho e um pouco triste para ela. Mas se Charl sentasse na frente, eu acabaria ao lado de Livi, e Charl nunca aceitaria isso. Então, banco da frente mesmo. Emma-chan ficou um pouco chateada, mas não havia nada que pudéssemos fazer.
“Então, vocês querem ver o palácio primeiro, certo?” Confirmei, lembrando que Charl havia verificado os pedidos de Livi pelo aplicativo de mensagens.
“Sim! Você não pode vir ao Japão e não ver um palácio!” Livi assentiu com entusiasmo.
Olhei para Kaguya-san. “Daqui, o Palácio de Okayama é o mais próximo, então deve servir.”
“Ótimo, por favor, nos leve lá,” eu disse. Era apenas uma viagem de cinco minutos, então chegaríamos rapidinho.
Enquanto Kaguya-san ligava o carro, Charl falou, com um toque de preocupação na voz. “Já é final de ano, então estará aberto?”
“Está tudo bem. Eu verifiquei — estará fechado do dia 29 ao dia 31,” assegurei. Hoje era dia 26, então estávamos a salvo.
Três dias depois, e teríamos perdido.
“Uau, essa foi por pouco… Que sorte a nossa. Deve ser porque somos boas meninas todos os dias,” disse Livi, exibindo um sorriso radiante, já de ótimo humor.
“Eu duvidaria você seja uma boa menina,” provocou Charl, com um raro brilho travesso nos olhos. Seu lado brincalhão significava que ela estava de ótimo humor.
“Que cruel! Eu posso não vencer a Lottie, mas sou uma aluna exemplar, sabia?” retrucou Livi, inflando as bochechas em um fingido mau humor.
Aluna exemplar? — Isso não combinava muito com a vibe da Livi. Ela era atenciosa e gentil, mas sua energia me lembrava a de Akira. “Vocês eram quietas na escola?” perguntei, curioso.
“De jeito nenhum,” respondeu Charl antes que Livi pudesse, com um tom pragmático.
“Lottie!? Isso não é verdade, né!?” protestou Livi, inclinando-se para Charl com os olhos arregalados.
“Você não causou problemas, mas estava sempre fazendo barulho e levando bronca. Você até provocava os outros,’ disse Charl, implacável.
“Isso é… eu não posso negar…” Livi murmurou, murchando rapidamente.
Quanto mais eu a ouvia, mais ela parecia com Akira — só que sem a parte de causar problemas. Com Akira, às vezes ele ia longe demais e se metia em encrenca.
“Mas, mas, minhas notas são ótimas! Eu sempre fico em segundo lugar depois da Lottie! E agora que a Lottie não está mais lá, eu sou a número um!” Livi declarou, estufando-se de orgulho enquanto se gabava para mim.
Então era aí que ela se diferenciava de Akira. Inteligente, perspicaz e cuidadosa para não ultrapassar limites. “Charl, você ficava em primeiro lugar lá, hein?” eu disse, impressionado. Como esperado, ela era brilhante.
“Estamos falando de mim!?” exclamou Livi, pega de surpresa pela mudança de foco para Charl.
“Aqui eu estou em segundo lugar, depois do Akihito-kun,” disse Charl calmamente, referindo-se à prova antes das férias de inverno.
“Eh, Akihito, você venceu a Lottie em uma prova!? Isso é incrível!” disse Livi, com os olhos arregalados de interesse. Ela provavelmente nunca tinha vencido Charl.
“Bem, mesmo que as perguntas fossem em japonês, nossas notas foram quase as mesmas. Não sei como será a próxima prova,” eu disse modestamente. Estávamos empatados na maioria das matérias, mas literatura clássica — o ponto fraco de Charl — fez a diferença. Sem essa matéria, a diferença era mínima. Vencer Charl, que estava em desvantagem por causa do idioma, não era exatamente uma façanha para se gabar.
“Mesmo assim, só de ganhar já é incrível... Estou com inveja...” disse Livi, fazendo beicinho.
“Nossas pontuações nunca foram tão diferentes, né?” disse Charl, oferecendo um sorriso gentil para tranquilizá-la.
Os lábios de Livi se franziram. “A Lottie é sempre tão calma. Parece que existe uma linha intransponível que eu nunca consigo cruzar.”
Ela não negou a proximidade das pontuações, então Charl provavelmente estava certa. Nunca ganhar, mesmo estando tão perto, deve ser doloroso. Eu vislumbrei as dificuldades ocultas de Livi.
Logo chegamos ao estacionamento do Parque Ujo, perto do Palácio de Okayama.
“Abraço...!” Emma-chan exigiu, ansiosa para se libertar da cadeirinha do carro.
“A Emma realmente adora abraços, né? Ela também costumava implorar por eles para a Lottie o tempo todo,” disse Livi carinhosamente.
“Acho que isso a faz se sentir segura,” acrescentou Charl, com a voz suave.
Enquanto eu segurava Emma-chan, Livi e Charl nos observavam com sorrisos carinhosos. Como Charl disse, Emma-chan provavelmente buscava abraços para se sentir confortável, um hábito que Charl talvez tenha começado.
“Vamos?” perguntou Kaguya-san, trancando o carro e nos lançando um olhar. Ela também estava nos acompanhando, e com ela por perto, eu me sentia completamente tranquilo quanto à segurança de Charl e das outras.
“Temos que ir andando até o castelo, né?” observou Livi.
“Mas é perto,” respondi.
Quando começamos a caminhar, a voz de Livi se fez ouvir. “Aquele lago é enorme!”
“É o fosso do castelo. Foi construído para manter inimigos ou animais afastados,” expliquei.
“Ah, um cisne ali. Que fofo!” disse Livi, com sua animação contagiante. Emma-chan também olhou fixamente para o cisne, completamente encantada.
“Já os vi em dramas de temporada ou animes, mas vê-los pessoalmente é realmente emocionante…” Charl murmurou, com os olhos fixos no fosso e na ponte. Como estrangeira, castelos devem dar a sensação de entrar em uma história.
“A-kun, você já esteve aqui antes?” ela perguntou.
“Sim, em uma excursão da escola primária,” respondi, enquanto lembranças de comer bento com Akira e amigos voltavam à minha mente.
“Uma excursão com o A-kun… Que inveja…” disse Charl, com a voz carregada de genuína inveja. Ainda não tínhamos compartilhado nenhum passeio escolar.
“Em fevereiro, teremos uma viagem escolar, tipo uma excursão,” expliquei, sorrindo. Graças à data incomum, eu poderia ir com minha noiva, o que me deixou muito animado.
“Sim, estou ansiosa…” disse Charl, com as bochechas coradas enquanto me encarava com expectativa.
“Ow, dois? Nós também estamos aqui, então será que não poderiam se isolar no mundinho de vocês?” Livi interrompeu, lançando-nos um olhar exasperado. Kaguya-san suspirou, e Emma-chan, em meus braços, parecia animada, provavelmente pensando em se juntar à viagem.
“D-desculpe…” Charl gaguejou, o rosto ficando vermelho enquanto se encolhia de vergonha.
“Desculpe, serei mais cuidadoso,” eu disse, me sentindo envergonhado. Livi deu um sorriso resignado e deu de ombros.
“Você parece feliz, o que é ótimo,” disse ela, seu olhar anterior claramente provocativo.
“Bem, estou acostumada,” acrescentou Kaguya-san secamente, indiferente às nossas travessuras.
“Eles parecem estar sempre flertando, né?” disse Livi, sorrindo.
“Claro. Eles flertam em todo lugar, o tempo todo,” disse Kaguya-san com a maior seriedade, soltando uma frase absurda.
““Kaguya-san!?”” Charl e eu exclamamos em uníssono.
“Por favor, falem mais baixo,” disse ela, colocando um dedo nos lábios para nos silenciar. Eu não estava totalmente convencido de que ela estava falando sério.
Enquanto conversávamos animadamente, atravessamos a ponte sobre o fosso. “Parque Ujo?” Charl leu em voz alta, notando os caracteres esculpidos em uma grande rocha. “Não é o Palácio de Okayama?”
“Ah, aparentemente Ujo é outro nome para o Castelo de Okayama. Acho que é por causa da fachada preta?” eu disse, vagamente me lembrando da minha excursão escolar.
“Para ser precisa, é por causa dos painéis externos laqueados de preto,” esclareceu Kaguya-san, preenchendo as lacunas. A cor preta provavelmente evocava corvos, daí o nome “Castelo do Corvo”.
“Nossa. Aliás, tem um monte de pedras empilhadas por toda parte. Os tamanhos são bem variados também,” disse Livi, observando os muros de pedra.
Quando os vi pela primeira vez, fiquei impressionado que não desabassem, apesar dos tamanhos desiguais. “Em japonês, chamam-se ‘ishigaki’. São construídas para defesa, para marcar limites ou para prevenir deslizamentos de terra. Empilhar pedras assim... as pessoas daquela época eram incríveis,” eu disse, maravilhado com a habilidade.
“Dizem que existem três tipos de construção de muros de pedra usados no Palácio de Okayama. Gostaria que eu explicasse?” ofereceu Kaguya-san, olhando para Livi.
Livi balançou a cabeça vigorosamente. “Eu ficaria confusa, então está tudo bem…!”
Percebendo algo, perguntei: “Livi, você odeia estudar?”
“Sim,” respondeu Charl por ela, assentindo imediatamente.
“E mesmo assim, ela fica em segundo lugar nas provas…” eu disse, impressionado.
“Ela se esforça porque quer me vencer,” disse Charl, com um tom carinhoso. Era cativante — a determinação de Livi em superar Charl, seja por amor ou teimosia, a tornava estranhamente encantadora.
Teria sido divertido fazer um passeio com as explicações da Kaguya-san, mas hoje, nós apenas iríamos apreciar a paisagem e a história. Enquanto caminhávamos pelo Parque Ujo em direção ao Palácio de Okayama, partes do castelo surgiram à vista, e Livi e Charl olharam ao redor com curiosidade de olhos arregalados. Emma-chan, no entanto, sucumbiu ao sono, pressionando o rosto contra meu peito para tirar uma soneca.
“O castelo está à vista…!” exclamou Livi, com o rosto iluminado ao ver a torre principal.
“É realmente preto…” disse Charl, olhando para ele com admiração. O design elegante e escuro parecia cativá-la.
“Construído há tanto tempo, e é tão bonito…! A tecnologia japonesa é incrível!” disse Livi, batendo palmas animadamente.
Mas eu precisava esclarecer. “Acho que esta é uma reconstrução. O original não sobreviveu.” Mantive a explicação vaga, evitando mencionar a guerra para poupar Livi ou Charl de qualquer desconforto. De qualquer forma, ele havia sido reconstruído e repintado recentemente.
“Ah, é mesmo? Mas conseguir reconstruir assim... a tecnologia japonesa ainda é incrível…!” disse Livi, com o entusiasmo intacto. Ela era uma menina tão boazinha.
“Certo, vamos entrar,” eu disse, guiando o grupo para dentro da torre principal. Lá dentro, descansamos em um café, saboreando um parfait recém-lançado enquanto nos recuperávamos da caminhada. Depois, exploramos as exposições. Com poucos visitantes e sem permissão para fotografar, Charl e Livi riam enquanto tiravam fotos, até me incluindo em algumas. A fotografia profissional de Kaguya-san capturou ótimos momentos, tornando a experiência verdadeiramente maravilhosa.
◆◆◆
“Estou com fome…” disse Emma-chan, com a voz baixinha. Depois de sair do Palácio de Okayama, tínhamos planejado visitar Korakuen, um dos três grandes jardins do Japão, já que ficava perto. Mas Emma-chan, agora acordada, estava claramente faminta.
“Emma, você não pode aguentar mais um pouco…?” perguntou Charl gentilmente.
Os olhos lacrimejantes e suplicantes de Emma-chan encontraram os dela. Ela parecia entender que estávamos ali por Livi e estava tentando não ser egoísta, mas a fome estava vencendo.
“Por que não? Vamos almoçar,” disse Livi com um sorriso, incapaz de ver Emma-chan em apuros.
“Livi… Mas…” Charl hesitou, claramente dividida. Ela queria priorizar a visita de Livi.
“Não é como se só pudéssemos vir ao Korakuen hoje. Podemos voltar outra hora. Além disso, eu também estou com fome,” disse Livi, com um tom reconfortante.
Ela estava sendo atenciosa, mas tinha razão — teríamos outras chances de visitar o Korakuen. Olhei para Kaguya-san, que assentiu levemente. “Charl, vamos aceitar o convite dela e almoçar. Podemos voltar outra hora,” eu disse.
“…Livi, me desculpe…” disse Charl, com a voz carregada de culpa.
“Está tudo bem, de verdade. Então, o que vamos comer? Estou com vontade de ramen,” disse Livi animadamente, tentando animar Charl.
“Lámen!?” Emma-chan exclamou, com os olhos brilhando.
“A Emma também quer lámen…!” Charl disse, olhando para mim e para a Kaguya-san para avaliar nossas reações.
“Claro, por mim tudo bem. Kaguya-san, e você?” perguntei.
“Não tenho motivos para me opor,” respondeu Kaguya-san, como esperado. Ela raramente demonstrava suas próprias preferências em momentos como esse.
“Então está decidido! Na verdade, tem um lugar que eu estava curiosa para conhecer — podemos ir lá!?” Livi disse, com a animação palpável. Ela provavelmente tinha pesquisado lugares para comer lámen no hotel.
“Parece ótimo. Onde fica?” perguntei.
“Aqui!” Livi me mostrou o nome e a foto do restaurante no celular dela. Eu pesquisei o caminho no meu.
“É perto, legal. Eu também queria experimentar esse lugar,” eu disse. Era menos de dez minutos de carro, perfeito para a paciência de Emma-chan, e um restaurante famoso que apareceu na TV.
“Sério? Estamos na mesma sintonia!” disse Livi, sorrindo.
“Totalmente,” concordei, divertido com nosso gosto em comum por ramen.
“…Eu também gosto de ramen, sabia…?” murmurou Charl, puxando minha manga. Ela estava se sentindo excluída — ou com ciúmes? Ela tinha dito que tinha superado o ciúme intenso, e não tinha demonstrado isso hoje, mas talvez esse momento a tivesse afetado.
“A Lottie com ciúmes é muito fofa…!” Livi gritou, cobrindo a boca com as duas mãos, completamente encantada.
Eu entendia — Charl é adorável.
“Sim, eu sei, então não se preocupe,” eu disse, dando um cafuné cuidadoso na cabeça de Charl enquanto equilibrava Emma-chan.
“Ah…! Ele deu um carinho nela tão naturalmente! Cafuné na cabeça!” O gritinho animado de Livi ecoou pelo estacionamento.
“Por favor, falem mais baixo,” repreendeu Kaguya-san, com um tom áspero. Era raro ela repreender alguém além de mim ou do Akira.
“Desculpa…” disse Livi, encolhendo-se com um olhar abatido. Como a causa, senti-me um pouco culpado.
“Dar tapinhas na cabeça de outra garota é algo que eu não posso ignorar…?” disse Charl, com um tom estranhamente advertido. Ela devia ter pensado que eu daria tapinhas na Livi também.
“Eu não faria isso, mesmo sem o aviso,” respondi com um sorriso irônico.
“A-kun, você pode ser um pouco distraído às vezes,” retrucou Charl, com palavras incisivas.
Será que eu realmente sou tão pouco confiável em momentos como esse?
“Onii-chan, ramen…” Emma-chan puxou minha camisa, sua expressão triste me lembrando que ela era quem tinha começado tudo aquilo.
“Desculpe, já vamos, então aguente firme,” eu disse, dando tapinhas na cabeça dela e guiando Kaguya-san e as outras até o carro.
◆◆◆
“Ramen…!” O rosto de Emma-chan se iluminou quando chegamos ao restaurante, seus olhos fixos no prédio.
“Onii-chan, anda logo…!” ela implorou, abrindo os braços para um abraço.
“Eu sei, eu sei,” eu disse, sorrindo enquanto a levantava. Ela se agarrou a mim, com o olhar ainda fixo no restaurante.
“Você parece mesmo um pai, né?” disse Livi, com um tom carinhoso.
“E a Emma pode ser mimada o quanto quiser,” acrescentou Charl, com um olhar terno.
Os olhares delas me deixaram inquieto, então tomei a iniciativa e entrei para escapar.
“—Ramen Niboshi, talvez seja a primeira vez que experimento,” murmurou Charl enquanto nos acomodávamos em uma mesa, seus olhos percorrendo o cardápio.
“Eu também. Será que é gostoso?” disse Livi, com a animação evidente.
“Onii-chan, o que é isso?” Emma-chan perguntou, apontando para a foto de um tsukemen no cardápio — uma tigela de molho marrom com um ovo meio cozido e brotos de bambu, acompanhada de macarrão simples.
“Isso é tsukemen,” eu disse.
“Tsuke…men? Não é ramen?” ela perguntou, inclinando a cabeça. Se não fosse ramen, ela provavelmente não ia querer.
“É um tipo de ramen. Vou pedir esse. Quer experimentar, Emma-chan?” ofereci.
“Hum…!” ela assentiu ansiosamente, provavelmente influenciada pela minha escolha.
“Estou curiosa sobre este,” disse Livi, apontando para um prato de mazesoba no cardápio — um prato sem caldo com chashu, brotos de bambu, nori, cebolinha e uma gema vibrante.
“Parece… pesado…” disse Charl, olhando para o prato com cautela.
Intrigada, Emma-chan olhou fixamente para o mazesoba. Eu nunca tinha experimentado, então não podia julgar se era muito doce para ela.
“Posso dividir um pouco com você se eu conseguir?” Livi ofereceu com um sorriso.
“Hum!” Emma-chan assentiu alegremente. Era raro ela aceitar comida de alguém além de mim, Charl ou Sophia-san, o que mostrava que ela estava se aproximando de Livi.
Mas conhecendo a Emma-chan, ela poderia devorar tudo, deixando a Livi sem nada. “Não, tudo bem. Eu pego o mazesoba e a gente divide, Emma-chan,” eu disse. Eu daria a ela o tsukemen como prato principal e dividiríamos o mazesoba. Se ela gostasse, eu poderia dar o resto para ela e comer o tsukemen.
“Mhm...!” Emma-chan assentiu com ainda mais entusiasmo, claramente preferindo essa opção.
“Akihito, roubar a Emma de mim é um pecado grave...?” disse Livi, num tom meio brincalhão, mas com um toque de ressentimento.
“Roubar, você diz...” eu disse, rindo sem jeito.
“Eu estava criando um vínculo com ela, e você apareceu... Era a minha chance de compartilhar algo com a Emma e receber aquele sorriso fofo dela...” disse Livi, fazendo beicinho. Ela provavelmente era do tipo carinhosa, provavelmente a mesma que mimara Charl quando crianças.
“O que eu escolho…” Charl murmurou, ainda indecisa enquanto encarava o cardápio. Kaguya-san, já decidida, sentava-se com postura impecável, sua imobilidade quase intimidante.
“Tem ramen normal e niboshi soba, que não é tsukemen, então é difícil escolher. Se você está indecisa, por que não experimentar o tsukemen, já que é uma raridade?” sugeri. Tsukemen era menos comum no interior, o que tornava a experiência boa.
“Se o A-kun diz, eu vou com esse,” disse Charl, com um sorriso adorável.
“Lottie, tentando se misturar com o namorado,” provocou Livi, com um sorriso travesso.
“O quê!?” Charl exclamou, com o rosto corando intensamente.
Kaguya-san lançou um olhar fulminante para Livi. “Acho que já te avisei para falar mais baixo?”
“Hya!? D-Desculpe…!” Livi deu um gritinho, com os olhos marejados e enrijecendo como um cervo diante dos faróis. Ela se encolheu, abatida.
Ela só estava brincando, então pareceu um pouco dura. Mesmo assim, Kaguya-san estava certa — fazer barulho poderia incomodar os outros.
“Livi, Kaguya-san só estava te avisando — ela não está brava, então não fique triste,” eu disse, tentando animá-la. Kaguya-san não estava realmente brava; ela apenas havia dado um aviso severo para evitar incomodar os funcionários ou outros clientes.
“Sério…?” Livi perguntou, olhando para Kaguya-san.
“Eu entendo as brincadeiras entre estudantes. No entanto, incomodar os outros é diferente, então, por favor, tenha cuidado,” disse Kaguya-san. Resumindo, brincar era aceitável se não incomodasse ninguém. Ela era surpreendentemente tolerante — exceto comigo e com Akira.
“Obrigada, Kaguya,” disse Livi, sorrindo agradecida.
“Não é algo pelo qual você deva me agradecer,” respondeu Kaguya-san secamente.
“Vamos pedir logo? A Emma parece estar no seu limite…” disse Charl, percebendo o olhar lacrimejante de Emma-chan. Nós a fizemos esperar demais, e a atmosfera tensa provavelmente a silenciou.
“Eu vou fazer o pedido para todos,” disse Kaguya-san, assumindo o comando depois de ouvir nossas escolhas. O tsukemen chegou primeiro, seguido pelo mazesoba. Assim que a comida de todos foi servida, apertamos as mãos.
“““Obrigado pela refeição!””” dissemos em uníssono.
Livi, observando atentamente, nos imitou. “Obrigada pela refeição!” disse ela, tropeçando em falar “itadakimasu”, mas se esforçando ao máximo. Ela era de fato adorável, embora eu nunca diria isso em voz alta.
“Emma-chan, quer misturar?” perguntei, sabendo que o mazesoba precisava ser mexido e pensando que ela gostaria.
“Mmh…!” Ela disse, pegando os hashis e misturando animadamente.
“Vamos ver quem consegue misturar mais bonito!” Livi disse, sorrindo enquanto começava a misturar o dela, transformando a brincadeira em um desafio divertido. Emma-chan, incentivada, misturou ainda mais rápido. Livi era ótima com crianças.
“É difícil acreditar que a Emma-chan não gostava dela,” sussurrei para Charl.
“Naquela época, Emma rejeitava qualquer pessoa de fora da família, então não havia como chegar até ela. O fato de elas estarem se divertindo assim é graças a você, A-kun,” disse Charl.
Eu não entendi muito bem como era graças a mim — eu só tinha brincado com a Emma-chan. “Bem, se eu tive uma boa influência sobre ela, isso é ótimo,” eu disse.
“Sim♪” disse Charl, com um sorriso radiante.
“Já chega, obrigado,” eu disse para Emma-chan, vendo o mazesoba bem misturado. Ela assentiu alegremente. Coloquei uma porção no prato de uma criança para ela e adicionei macarrão tsukemen em outro prato, colocando o molho entre nós.
“Você mergulha esse macarrão nesse molho para comer, okay?”
“Hum!” disse Emma-chan, espetando o garfo no mazesoba primeiro. “Que delícia…!” exclamou ela, com as bochechas corando adoravelmente.
Eu também experimentei. Apesar do sabor intenso, não era pesado, provavelmente graças à gema. Estava delicioso — eu poderia ficar viciado.
“É muito bom. Essa foi a escolha certa,” disse Livi, radiante enquanto comia seu mazesoba.
Charl olhou para o mazesoba com desejo. “Quer experimentar, Charl?” perguntei.
“Eh!? Mas…” ela hesitou, provavelmente preocupada em pegar a minha parte.
“Tudo bem, experimente,” eu disse, deslizando a tigela em sua direção.
“Então, eu aceito…” disse Charl, pegando cautelosamente alguns noodles e levando-os à boca. “Mhm…! Está realmente delicioso…!” ela disse, com os olhos brilhando de alegria.
“…Um beijo indireto natural…” Livi murmurou baixinho.
“—!?” O rosto de Charl ficou vermelho como um tomate.
“O tsukemen está bom?” perguntei rapidamente, mudando de assunto para distraí-la.
“Ah, está delicioso também…! Você gostaria de experimentar um pouco…!?” disse Charl, ainda sem jeito, mas aproveitando a oportunidade.
“Tudo bem, eu tenho o meu,” eu disse, já que estava dividindo com a Emma-chan.
“Ah…” disse Charl, encolhendo-se de vergonha ao voltar a si.
“Obrigado por se lembrar de mim,” eu disse, sorrindo.
“Não…” Charl murmurou, ainda sem jeito.
“Ei, Lottie, eu também quero experimentar o tsukemen,” disse Livi.
“Ah, claro,” disse Charl, oferecendo-lhe o tsukemen e o molho, com o rosto ainda corado.
“Quer um pouco do meu?” perguntei a Livi.
“Não, eu já comi um pouco do A-kun mais cedo,” disse ela, pegando o tsukemen de Charl.
“Hm, isso é delicioso à sua maneira! É ramen, mas diferente de ramen, e tão bom!”
Charl observou o sorriso feliz de Livi com uma expressão calorosa e satisfeita, finalmente se acalmando. Virei-me para a minha porção e vi Emma-chan devorando silenciosamente seu tsukemen e mazesoba, com as bochechas infladas como as de um esquilo. Sua adorável concentração aqueceu meu coração durante este almoço alegre.
◆◆◆
“Obrigada por hoje, foi muito divertido! Vamos repetir amanhã!” disse Livi, saltando do carro depois de um dia inteiro de ramen, Korakuen, mais passeios turísticos e jantar. Ela estava radiante de satisfação.
“Eu te acompanho até o hotel,” ofereci.
“Não, não, é logo ali! Até logo!” disse Livi, acenando com um sorriso radiante antes de sair correndo. Sempre tão tranquila.
“Ela está sozinha,” murmurou Charl enquanto a observávamos partir.
“Hã?” perguntei, virando-me para ela.
“Ela pode não parecer, mas é uma garota solitária. Na verdade, ela quer ficar mais tempo conosco, mas age assim para que não percebamos,” disse Charl, com a voz suave.
Sozinha, é? — A energia contagiante de Livi dificultava a percepção, mas se Charl disse isso, deve ser verdade. “Se ela tivesse nos contado antes de vir para o Japão…” Charl acrescentou, com um toque de arrependimento na voz. Ela provavelmente queria passar mais tempo com a Livi.
Se a Livi tivesse entrado em contato antes, Charl provavelmente a teria convidado para ficar em casa. Mas, considerando a culpa que Livi sentia por Charl, fazia sentido que ela não tivesse nos procurado. “Bem, ela queria te surpreender e te fazer feliz, então não tem jeito. Além disso, temos bastante tempo para passar juntos a partir de amanhã,” eu disse.
“Sim, você tem razão,” disse Charl, assentindo com um sorriso, embora sua expressão demonstrasse um toque de solidão.
“Você pode nos levar até a casa da Karin daqui?” perguntei a Kaguya-san. Karin havia mandado uma mensagem dizendo que estava em casa e, como já estava escuro, eu não queria que ela andasse ou pegasse o trem sozinha.
Depois de nos despedirmos da Livi, fomos buscar a Karin em sua casa.
◆◆◆
— Perspectiva da Charl —
“Oh… Onii-chan, Onee-chan, boa noite…” Karin-chan nos cumprimentou timidamente quando chegamos, com sua voz suave. Como prometido, ela me chamou de Onee-chan quando nossos amigos da escola não estavam por perto, sua leve timidez sendo absolutamente encantadora.
“Boa noite, Karin,” eu disse calorosamente.
“Boa noite,” acrescentou A-kun.
Notei que a porta atrás de Karin-chan estava ligeiramente entreaberta, revelando um vislumbre do rosto de uma mulher — a mãe de Karin-chan. Olhei para A-kun, e seu olhar desviou de Karin-chan para trás dela. Então, seu sorriso caloroso vacilou, substituído por um sorriso vazio e formal, como a cortesia de um estranho. Carregava uma rejeição silenciosa, e meu peito apertou.
O A-kun ainda não resolveu seus problemas com seus pais biológicos, não é?
“Karin, vamos entrar no carro,” disse A-kun, em um tom gentil, porém firme.
“Ah, sim…!” respondeu Karin-chan, com seu sorriso adorável alheio ao olhar da mãe. A-kun fez uma reverência rígida para a mãe de Karin-chan, e eu o imitei antes de irmos para o carro.
“A Emma-chan está dormindo, né…” disse Karin-chan, avistando Emma na cadeirinha e parecendo desapontada. Por estar perto, ela provavelmente esperava brincar com ela.
“Ela está cansada e dormiu, desculpe,” disse A-kun.
“Sim, ela é pequena… então não tem jeito…” disse Karin-chan, assentindo com um sorriso. Como ela disse, Emma frequentemente cochilava, sua jovem energia se esgotando rapidamente.
“Está muito apertado?” perguntei, sentando no meio.
“Sim, está ótimo… estou animada para a festa do pijama…” disse Karin-chan, concentrada na festa do pijama em vez do espaço.
Seu entusiasmo em se juntar a nós, mesmo que apenas por uma noite, era comovente.
“Vamos tomar um banho juntas, tá bom?” Eu disse, convidando-a para uma tradição de festa do pijama.
“Hum…” Karin-chan assentiu timidamente, não acostumada com essas coisas. Apesar de ter a minha idade, ela era simplesmente fofa demais.
Pelo retrovisor, A-kun desviou o olhar, um pouco envergonhado com a nossa conversa. Ele provavelmente estava imaginando coisas — afinal, são garotos. Mas quando ele mudava, ficava intenso, quase uma pessoa diferente…
“Por que… seu rosto está vermelho…?” Karin-chan perguntou, inclinando a cabeça.
“Eh!? N-Não, não é nada!” Eu disse, tentando disfarçar. Eu estava pensando na véspera de Natal, então precisava ter cuidado. Rezando para chegarmos logo em casa, suportei o olhar curioso de Karin-chan.
◆◆◆
“Por favor, usem este quarto para dormir. Preparei dois jogos de cama,” disse Kaguya-san, mostrando a Karin-chan um quarto vazio quando chegamos em casa. Esta noite, Karin-chan e eu dormiríamos aqui juntas.
“Onii-chan não vai dormir com a gente...?” perguntou Karin-chan, com um toque de decepção na voz, esperando que A-kun se juntasse a nós.
“Na nossa idade, nem irmãos de verdade dormem juntos, então desculpe,” disse A-kun, com uma desculpa educada. Mas não era o verdadeiro motivo. Ele via Karin-chan como uma irmã, mas como não cresceram juntos, também a via como uma garota. Além disso, provavelmente estava sendo atencioso comigo. Nossa cama de casal de sempre comportava quatro pessoas com um pouco de esforço, mas eu me sentiria desconfortável com Karin-chan, com sua figura marcante, dormindo ao lado de A-kun.
“Até a hora de dormir, vamos ficar no nosso quarto juntas,” eu disse. Nós apenas dormiríamos neste quarto; no resto do tempo, ficaríamos no nosso quarto para que Karin-chan pudesse passar um tempo com A-kun.
“Este é o quarto do Onii-chan e da Onee-chan…” disse Karin-chan, entrando em nosso quarto pela primeira vez, com os olhos arregalados de curiosidade. De repente, ela sorriu sem jeito. “Pensando bem… morar juntos no mesmo quarto sendo colegas de classe… é incrível…”
““Haha…”” A-kun e eu demos risadas secas em uníssono. Mesmo sendo noivos, nossa situação era única, então a reação dela era compreensível. Para mim, morar com A-kun era pura felicidade — eu não suportaria ficar longe dele. Sem isso, eu provavelmente choraria no travesseiro todas as noites, com saudades.
“Então, o que vamos fazer para nos divertir?” perguntou A-kun, sentando-se na cama.
O olhar de Karin-chan fixou-se no colo dele. “Eu quero sentar no seu colo…” disse ela com ousadia, provavelmente se lembrando da última vez.
O colo do A-kun é muito popular… — “Claro, vem cá,’ disse ele, olhando para mim, mas abrindo os braços sem hesitar, talvez porque não fosse novidade. Karin-chan sentou-se alegremente de lado no colo dele. Sentindo-me um pouco irritada, sentei-me ao lado do A-kun, tomando cuidado para não esbarrar nas pernas dela. Sentar atrás dela teria sido mais perto do A-kun, mas tornaria a conversa estranha, então fiquei de frente para ela.
“Hum…” Karin-chan aninhou o rosto entre o pescoço e o ombro do A-kun, esfregando-se nele como Emma fazia. Ela estava agindo de forma mimada, como uma irmãzinha com o irmão mais velho. Mesmo sabendo disso, ver outra garota tão carinhosa com o A-kun despertou sentimentos complicados. Eu tinha dito que tinha parado de ser tão ciumenta, o que significava que eu não me importava com conversas casuais ou contato leve — mas isso? Ainda doía, mesmo que não fosse tão intenso quanto antes. Como eu poderia não sentir ciúmes quando parecia traição bem na minha frente? Eu sou absolutamente contra traição — entendeu, A-kun!? Contendo esses sentimentos, fiquei olhando para eles. Então, uma mão alcançou minha cabeça.
“Hum...” murmurei, sentindo cócegas no carinho suave de A-kun. Seu sorriso irônico parecia dizer: “Desculpe por te deixar com ciúmes.”
Que cara esperto. Tão casual — ele provavelmente conseguiria encantar inúmeras garotas além de mim. Fiquei feliz por ter começado a namorar com ele antes que isso se transformasse em uma corrida de heroínas de comédia romântica ou em um caos de triângulos amorosos.
[Almeranto: Pelo menos essa obra acertou nesse ponto. Odeio esse tipo de histórias.]
“O Onii-chan e a Onee-chan são realmente... próximos, né...” disse Karin-chan, sorrindo alegremente, sem se importar por ter sido ignorada enquanto eu acariciava sua cabeça. Sua compostura me deixou um pouco envergonhada.
“Afinal, estamos noivos. Karin, você gosta de alguém?” perguntou A-kun, curioso sobre a irmã. Era raro ele iniciar uma conversa sobre amor — eu tinha planejado perguntar a ela na hora de dormir, então ele se adiantou. Naturalmente, eu também estava curiosa.
“Hum… eu não entendo muito bem essas coisas…” disse Karin-chan, balançando a cabeça. Tão pura, provavelmente ainda não compreendia o amor.
“E o Akira? Ele é bem legal, né?” disse A-kun, testando a reação dela ao mencionar Saionji-kun. Da escola, eu sabia que A-kun queria juntá-los, provavelmente esperando confiar sua irmã ao seu amigo mais confiável. É por isso que ele frequentemente os fazia sair juntos. Mas, para mim, Karin-chan e Saionji-kun não pareciam compatíveis.
“Saionji-kun… a voz dele é alta…” disse Karin-chan, intimidada por seu jeito enérgico. Além da aparência, sua natureza extrovertida não causava uma boa impressão. Até eu, que antes tinha medo de garotos, achava o Saionji-kun intimidador, embora isso não fosse mais um problema desde que comecei a namorar o A-kun.
“Ele é um bom rapaz... Ultimamente, ele tem tentado não ser tão barulhento, não é?” disse A-kun, defendendo prontamente o amigo. Como ele observou, Saionji-kun estava falando mais baixo perto da Karin-chan, diminuindo o desconforto dela. Mas na aula, o lado barulhento dele ainda predominava, então a opinião dela não tinha mudado muito.
“...” Karin-chan enterrou o rosto no peito de A-kun, sinalizando que o assunto estava encerrado.
Não tem jeito. “O amor não é algo que te forçam a fazer. Não está tudo bem a Karin-chan seguir o próprio ritmo?” eu disse, apoiando-a em vez de insistir na ideia de A-kun de juntar alguém.
“Sim, desculpe,” disse A-kun, sem intenção de forçar a barra. Ele se desculpou e deu um tapinha suave na cabeça da Karin-chan, acalmando-a. Ela estreitou os olhos, feliz, com o humor renovado.
...Meu carinho na cabeça foi roubado...
“Além disso, não é possível que o Saionji-kun já tenha uma namorada?” eu disse. Eu tinha ouvido da Shimizu-san que ele era popular quando entrou na escola. Embora as garotas agora o evitassem romanticamente, ele era bem-quisto e tinha fãs em outras escolas. Ele parecia ser o tipo de pessoa que arranjaria uma namorada rapidamente.
“Se ele tivesse uma, com a personalidade da Akira, ele me contaria imediatamente,” disse A-kun com um sorriso preocupado.
Verdade.
“Ele é confiável, mas é um pouco desleixado com garotas... Só espero que ele não se apaixone pela pessoa errada,” acrescentou A-kun.
“Dito isso, eu ficaria preocupada se ele se interessasse pela minha melhor amiga,” eu disse, sorrindo. A-kun pareceu surpreso, com o suor escorrendo pela bochecha. Ele não esperava por isso. Mas na festa de aniversário, Livi parecia estar incomodada por dentro, apesar de sorrir, então eu precisava que A-kun avisasse Saionji-kun para não se atrever a fazer investidas. Mesmo que ele fosse amigo de A-kun, isso era outra história.
“Você está brava...?” perguntou A-kun.
“Não estou brava. Mas quando alguém se insinua de forma muito direta, falando uma língua que você não entende e com a qual não consegue se comunicar, é preocupante,” eu disse. Livi estava acostumada com garotos dando em cima dela e conseguia se esquivar, mas a barreira do idioma dificultava as coisas.
“Vou garantir que isso não aconteça de novo. Desculpa,” disse A-kun.
“Não, não, mas obrigada,” respondi.
[Almeranto: Coitado do Akira cara. Não consegue arrumar uma cremosa.]
“—Lady Charlotte, o banho está pronto, então, por favor, entre,” disse Kaguya-san, batendo na porta no momento perfeito. Com nossa conversa encerrada, era ideal.
“Obrigada, Kaguya-san. Karin-chan, vamos?” eu disse.
“Ah, sim…” disse Karin-chan, descendo relutantemente do colo de A-kun.
Peguei nossos itens de banho e peguei Emma, que estava dormindo na cama. “A Emma-chan também vai vir com a gente…?” perguntou Karin-chan.
“Já que a mamãe está fora,” eu disse. Mesmo sendo pequena, eu não podia deixá-la com o A-kun, e pedir permissão à Kaguya-san seria indelicado, então eu mesma daria banho nela.
“Emma, hora do banho. Acorda,” eu disse.
“Hum…? Com sono…” Emma murmurou, relutante.
“Não, nós vamos tomar banho,” eu disse, indo para o vestiário com Karin-chan, tentando acordá-la.
“—Muu…” Emma inflou as bochechas, olhando para mim com descontentamento no vestiário, claramente irritada por ter sido acordada.
“Haha… A Emma-chan está irritada, hein…” disse Karin-chan, rindo baixinho.
“Ela sempre acorda mal-humorada. Mas não podemos pular o banho,” eu disse, sorrindo ironicamente enquanto me despia.
“Eu tinha essa imagem… de que as pessoas no exterior não tomam muito banho…” disse Karin-chan, tirando a roupa também.
“Bem, existem razões para isso… E muitos entendem errado, mas não tomar banho de banheira geralmente significa não ficar de molho na banheira, não que não tomem banho de chuveiro. Alguns tomam banho de chuveiro diariamente. Depende da pessoa… Eu tomava banho de chuveiro todas as manhãs,” expliquei. A qualidade da água, a conservação e outros fatores eram diferentes do Japão. Graças à minha mãe, que morou no Japão, tínhamos uma banheira, mas muitas casas não tinham. Com a água não tão limpa na nossa região, minha mãe limitava os banhos de imersão para proteger nosso cabelo e pele. Poder tomar banhos demorados todos os dias no Japão era uma alegria.
“Entendo…” disse Karin-chan, assentindo.
De repente, os seios dela — muito grandes para a nossa idade — chamaram minha atenção, e eu soltei um suspiro de surpresa. Senti inveja… Diante de um tamanho que rivalizava com o da minha mãe, não pude deixar de falar.
“O que você comeu para eles ficarem tão grandes…?”
“Eh!? Eu… eu acho que… genética…?” disse Karin-chan, corando enquanto cobria o peito.
“Genética… Mas eu…” murmurei, olhando para baixo. Comparados aos da minha mãe, os meus ainda eram bem pequenos…
[Del: É genética, afinal, tal irmã, tal irmão… // Almeranto: Os dois são avantajados em suas respectivas regiões né?]


Algo parecia estranho…
“Os da Onee-chan são bem grandes… né…?” murmurei, minha voz quase num sussurro.
“Bem… talvez…” respondeu Karin-chan, com um tom suave, mas incerto.
Quando Kanon-oneesan me presenteou com várias roupas de cosplay no meu aniversário e tirou minhas medidas, eu usava sutiã tamanho D. Comparada com as outras meninas da escola, eu era um pouco maior… mas diante de Karin-chan ou da minha mãe, essa confiança se desfazia.
“Ainda somos estudantes,” continuou Karin-chan gentilmente. “Eles vão crescer mais… embora eu não queira que os meus fiquem maiores…”
Seu amável consolo carregava uma pontada involuntária. Eu tinha passado de um tamanho C para um D no curto período desde que cheguei ao Japão, então queria acreditar que ainda havia espaço para crescer… mas uma sensação de derrota me oprimia. — Por que eu tenho a sensação de já ter perdido?
“Além disso,” acrescentou ela, com a voz mais animada, “o Onii-chan provavelmente não se importa com o tamanho dos seios… né?”
Como era de se esperar da irmã do A-kun. Karin-chan geralmente era gentil, até mesmo alheia, mas em momentos como esses, ela era sincera. Ela até percebeu meu desejo não dito — ser amada pelo A-kun — e era por isso que eu me preocupava com o tamanho em primeiro lugar.
Mas… dizer que o A-kun não se importava era mentira. Eu não tinha esquecido como o olhar dele se demorava nos seios da Karin-chan. Ele negava, claro, mas ele também já havia se sentido atraído pela minha mãe no passado. Não havia como negar: ele gostava de seios maiores.
“O Onii-chan parece… estar passando por momentos difíceis…” Karin-chan murmurou, seus olhos se voltando para mim. Meus ouvidos atentos captaram cada palavra, deixando um emaranhado de emoções em seu rastro.
—Aliás, enquanto estávamos absortas na conversa, Emma voltou a dormir. Acordá-la novamente foi tão trabalhoso que não pude deixar de me perguntar se aquilo era meu castigo. Mesmo assim, depois, tomei um banho animado com Karin-chan e passamos uma noite deliciosamente divertida antes de dormir, rindo e conversando sobre amor.
Traduzido por Moonlight Valley
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