Volume 7

Capítulo 5: Memórias Sob a Estrela do Ano Novo

   Vários dias se passaram desde a visita de Karin, e hoje era véspera de Ano Novo.

“Cheguei!” A voz de Livi soou, alegre e animada.

   Depois de explorar vários lugares nos últimos dias, Livi queria passar o dia em nossa casa, então veio nos visitar.

“Bom dia, Livi,” cumprimentou Charl, com um tom caloroso, mas brincalhão. “Você está cheia de energia esta manhã, não é?”

“Ah, Lottie, bom dia!” respondeu Livi, animada.

“Ah, não, de novo não...!” As bochechas de Charl coraram quando Livi lhe deu um beijo rápido na bochecha, seu gesto brincalhão de sempre provocando a mistura familiar de constrangimento e indignação.

   Essa troca de olhares havia se tornado um ritual diário, e eu estava começando a me acostumar. Charl sempre previa o beijo, então, se realmente se importasse, poderia se esquivar. O fato de ela não ter feito isso indicava seus verdadeiros sentimentos.

“Bom dia, Livi,” eu disse, sorrindo. “Você chegou aqui sem se perder, hein?”

“Bom dia, Akihito! Finalmente encontrei o caminho,” respondeu Livi, com um sorriso radiante enquanto tirava os sapatos.

“A Kanon também não está aqui hoje?” ela perguntou, olhando em volta.

“Não, parece que ela está ocupada,” respondi. Kanon sempre ficava atarefada no final do ano e no Ano Novo, provavelmente envolvida com as exigências da alta sociedade. A ideia de que eu provavelmente teria que navegar por esse mundo algum dia me preocupava um pouco.

“Então, a Emma ainda está dormindo?” Livi olhou para o pequeno embrulho em meus braços.

“Ela acordou há pouco, mas ainda está sonolenta,” eu disse. Depois de se mexer, Emma pediu colo, mas voltou a dormir em meus braços. Era feriado, então não havia necessidade de acordá-la.

“E a Kaguya?” perguntou Livi.

“Ela está no quarto dela,” respondi. Kaguya provavelmente se retirou para nos dar espaço, a mim e a Livi, sua consideração sempre presente.

“Enfim, vamos para a sala de estar,” sugeri, guiando Livi para dentro.

“Oh, isso é um kotatsu...!?” Os olhos de Livi brilharam ao ver o kotatsu montado na sala ontem. Sua reação foi semelhante à de Charl no dia anterior, e tive que conter o riso. Kaguya-san o havia preparado, já que iríamos hospedar Livi na véspera e no Ano Novo.

“Primeira vez que vê um?” perguntei.

“Claro! Lá na Inglaterra, mantemos os sapatos mesmo dentro de casa!” exclamou Livi. Charl já havia mencionado isso antes, mas para eles, até mesmo tirar os sapatos dentro de casa era novidade.

“Ei, vamos entrar!” Transbordando de curiosidade, Livi tirou o casaco.

   Charl e Livi se acomodaram uma de frente para a outra no kotatsu, enquanto eu, com Emma nos braços, sentei-me na diagonal entre elas — Charl à minha esquerda, Livi à minha direita. Pelo que pude perceber, ambas as meninas estavam com os joelhos encolhidos, como na aula de educação física, para ficarem confortáveis. Esticar as pernas incomodaria a pessoa do outro lado, e sentar de pernas cruzadas deixaria os dedos dos pés de fora do calor, então fazia sentido. Eu também não conseguia esticar as pernas, então sentei de pernas cruzadas, com Emma no meu colo.

“Está tão quentinho…!” Livi exclamou, maravilhada, com a voz cheia de admiração. “Então é assim que é…!”

“Hehe, Livi, você é como uma criancinha,” provocou Charl, cobrindo a boca enquanto ria baixinho.

   Mas eu não havia esquecido — ontem, Charl tinha ficado tão emocionada e surpresa quanto eu quando se acomodou no kotatsu pela primeira vez.

“…” Livi inflou as bochechas, claramente irritada por ser chamada de infantil, e lançou um olhar para Charl. Então, um sorriso travesso se espalhou por seu rosto. Ela havia bolado um plano.

   Charl se enrijeceu, preparando-se para o pior, mas eu decidi observar o que Livi estava aprontando. As mãos de Livi desapareceram sob o kotatsu, remexendo brevemente antes de ela tirar algo. Meias…? — As dela, pelo visto. — Ela as havia tirado porque estavam incomodando no calor do kotatsu?

   Não — aquele sorriso malicioso de antes sugeria algo mais. Continuei observando-a.

“Hyah…!?” Charl exclamou de repente.

   Olhei para ela, notando seu rosto levemente corado e a postura rígida. Ao perceber meu olhar, ela timidamente me encarou antes de se virar para Livi, sua expressão insinuando palavras não ditas. Livi, por sua vez, exibia um sorriso travesso de brincalhona, confirmando que havia feito algo. Como parecia uma brincadeira inofensiva, fiquei quieto, observando.

“—!? De novo…!?” Charl exclamou, semicerrando um olho e tremendo levemente, como se estivesse suportando algo.

   Os movimentos sutis de Livi sugeriam outra pegadinha. — O que está acontecendo debaixo do kotatsu?

“Uf… Nn… Faz cócegas…” Charl murmurou, tentando falar baixo para que eu não percebesse.

   Suas bochechas estavam mais vermelhas agora, sua respiração mais pesada. — O que diabos elas estavam fazendo? — Eu poderia espiar debaixo do kotatsu e descobrir, mas provavelmente me chamariam de pervertido, então me contive.

“HeheLivi riu, claramente apreciando as reações de Charl.

   Seu amor por pegadinhas transparecia.

“Olha, seu amado namorado está assistindo. Tudo bem reagir assim?” Livi provocou baixinho.

“—! P-pare com isso…” Charl sussurrou de volta, tendo captado as palavras com seus ouvidos aguçados.

   O corpo de Charl se contraiu, e o olho que ela mantinha aberto se fechou com força. Ela resistiu o máximo que pôde, mas finalmente desabou sobre a mesa, seus braços fracos demais para sustentá-la, pendendo frouxamente.

“Haha… Como sempre, você é tão fraca—!?” A risada triunfante de Livi foi interrompida por um grito de susto.

“Hehe… Você baixou a guarda, não é?” Charl sorriu de canto, com um tom de vitória na voz.

   Seus dois braços estavam agora sob o kotatsu. Embora parecesse exausta, ela havia conseguido contra-atacar.

“E-espera, Lott—” Livi gaguejou.

“Vingança…!” Charl declarou.

“Uwa, hahahaha!” Livi caiu na gargalhada, se contorcendo incontrolavelmente.

   Charl não cedeu, e Livi se debateu como se estivesse sendo feita cócegas. “Pare, usar as mãos é injusto, haha!”

“Não me importo…! Você que começou, Livi…!” Charl retrucou, com um sorriso zombeteiro raro de se ver.

   A frustração anterior havia ativado seu lado brincalhão, e ela estava claramente se divertindo.

“Hya…! Hihihi…! N-não, minhas solas, hahaha…!” Livi gritava.

   Então era isso — Charl estava fazendo cócegas nas solas dos pés de Livi com as mãos. Já que ela chamou isso de vingança, Livi devia estar fazendo cócegas em Charl com os pés mais cedo.

“Eu nem cheguei a esse ponto…! Kyahaha… Hihi…! E-eu só estava acariciando…!” Livi protestou.

“Crianças malcriadas que dão desculpas precisam de punição,” respondeu Charl friamente.

“N-não mais, hahaha! A-Akihito, socorro…!” Livi implorou, com lágrimas nos olhos de tanto rir.

[Del: Isso me lembra que eu sempre devolvo, tipo, 4x mais as brincadeiras entre mim e minha irmã. / Almeranto: Essas brincadeiras de irmãos comigo foram traumáticas, quase morri afogado uma vez.]

   Eu estava sem saber para onde olhar por um tempo, e o apelo dela me colocou numa situação difícil.

“Ah…” Charl congelou, suas mãos parando quando o chamado de Livi a lembrou da minha presença.

“~~~~~~!” Ela puxou as mãos de volta, corando furiosamente e soltando um guincho inaudível. Ela claramente tinha esquecido que eu estava ali, tão absorta nas cócegas.

“Hum… Eu não vi nada, então não se preocupe?” Ofereci com um sorriso, tentando quebrar o silêncio constrangedor enquanto Livi ofegava e desabava no chão.

     Não funcionou.

“Eu te mostrei algo impróprio…” Charl murmurou, olhando para baixo.

   Ver esse lado brincalhão dela era novidade, mas sabendo que ela tinha um lado travesso, não era chocante. “Esse seu lado também é adorável, Charl, então não se preocupe,” eu a tranquilizei.

   Seus olhos se arregalaram em surpresa. “De jeito nenhum, A-kun, você tem esse tipo de gosto…!?”

   Ué, do que ela está falando? — Eu não entendi, mas um novo mal-entendido claramente havia se formado.

“—Como a pessoa encarregada de vigiar a casa, eu ficaria preocupada se você fizesse algo indecente…?” Uma voz interrompeu, carregada de uma aura sombria.

“““—!?””” Todos nós congelamos quando Kaguya-san entrou na sala de estar, a porta se abrindo sem bater. Ela provavelmente calculou o momento para nos pegar de surpresa.

   Seu olhar percorreu nosso corpo, finalmente parando em mim com uma lenta inclinação de cabeça. “A Kenny-sama está suando, respirando pesadamente, com as bochechas coradas e as roupas desarrumadas. Charlotte-sama, suas bochechas também estão vermelhas e você está suando. Gostaria de explicar o que estava fazendo?” perguntou ela, com um tom calmo e o rosto inexpressivo — e absolutamente aterrorizante.

   Eu não tinha feito nada…“Você acreditaria se eu dissesse que a Charl e a Livi estavam apenas brincando…?” arrisquei. Era a verdade.

“Deixando Kenny-sama de lado, a Charlotte-sama faria uma coisa dessas?” respondeu Kaguya-san, cética. O estado desarrumado de Livi poderia ser plausível, mas ela não conseguia imaginar Charl causando aquilo. Para Kaguya-san, Charl era uma dama refinada e gentil — talvez um pouco possessiva, mas não a esse ponto.

“Eu jamais faria algo assim,” eu disse, escolhendo a resposta que provavelmente a convenceria. Doeu um pouco admitir.

“De fato, é verdade,” Kaguya-san assentiu, convencida.

     Ai, meu orgulho...

“Vocês duas, é maravilhoso que sejam próximas, mas, por favor, mantenham um nível de contenção. Principalmente, não deveriam se comportar de maneira tão inadequada na frente de um homem,” ela repreendeu.

““Sim, nos desculpe…”” Charl e Livi murmuraram, com a cabeça baixa.

   A indulgência de Kaguya-san com Charl era evidente — ela simplesmente deixou para lá. “Akihito-sama, por favor, repreenda-as em vez de se divertir com isso.”

“Eu não estava me divertindo!” protestei, sentindo a culpa recair sobre mim.

“Hnmh…?” Os olhos de Kaguya-san se estreitaram, carregados de dúvida. Como eu havia observado atentamente as reações de Charl, não pude negar com muita veemência.

“Muito bem. Me chamem se precisarem de alguma coisa,” disse ela, saindo silenciosamente.

“A-kun, me desculpe… A culpa é nossa por você ter se metido em encrenca…” Charl se desculpou, com a voz baixa.

“Não, tudo bem. Não é como se tivéssemos nos metido em encrenca de verdade,” eu a tranquilizei. Depois do inferno da minha infância, isso não era nada. Além disso, foi Livi quem começou.

   Para evitar mais broncas, nos comportamos, e eu ouvi Charl e Livi compartilharem histórias do passado delas.

 

◆◆◆

 

“—Então, a Charl era totalmente grudada na Livi naquela época?” perguntei, envolvida em suas histórias nostálgicas. Aparentemente, Charl seguia Livi para todos os lugares.

“Ela era tão fofa, sabe? Me seguindo como um patinho,” disse Livi, sorrindo.

“Tch, podemos parar de falar disso…?” Charl murmurou, envergonhada, tentando mudar de assunto.

   Como Emma-chan costumava me seguir por aí, as irmãs eram realmente parecidas. “Mas o Akihito quer ouvir sobre o passado da Lottie, não é?” Livi insistiu, sabendo que Charl não resistiria se me envolvesse.

“Isso não significa que você precisa contar histórias embaraçosas…” Charl protestou.

“Não, eu acho muito fofo,” eu disse honestamente, sem nenhuma intenção de bajulação. O fato de ela ter continuado assim até o meio do ensino fundamental era realmente adorável. A situação do pai dela provavelmente acabou com isso, então evitei o assunto.

“A Charl sempre gostou da Livi, né?” eu disse.

“Ela ficava emburrada e brava se eu brincasse com outras crianças, era nesse nível.” Livi provocou.

“~~~~~~! Vocês dois são tão malvados…!” O rosto de Charl ficou vermelho, mas ela não negou, confirmando que era verdade. A Sophia-san também tinha mencionado isso.

“Desculpa, desculpa,” eu disse, dando um tapinha na cabeça dela. Charl se aproximou, seu humor melhorando.

“...” Livi nos observava atentamente. Ah, é verdade, ela tinha pedido para não flertarmos na frente dela. Ela poderia pensar que estávamos sendo melosos de novo.

“...Mesmo que você pareça com ciúmes, eu não vou entregar o A-kun para você...” Charl disse, interpretando mal o olhar de Livi e se agarrando ao meu braço. — Seria isso uma vingança pelas provocações?

“Não estou olhando para você desse jeito,” disse Livi, fazendo beicinho e virando o rosto. — Espera, será que ela estava com ciúmes mesmo...?

“Nnn...?” Emma se mexeu nos meus braços, abrindo os olhos sonolentos e aliviando a tensão.

“Bom dia, Emma-chan,” eu disse, dando um carinho suave na cabeça dela.

“Nn... Bom dia...” ela murmurou, esfregando os olhos.

“A Emma sonolenta é muito fofa...” A expressão de Livi suavizou, e o clima ficou mais leve instantaneamente.

   Livi, menos familiarizada com o japonês, talvez não tenha percebido que estávamos apenas nos cumprimentando. Para ela, o japonês não era uma prioridade como o inglês era para nós, a menos que você gostasse de anime ou mangá como o Charl.

“Quero pegá-la no colo...” disse Livi, encantada com a fofura de Emma. Como Emma tinha ficado receosa com ela na Inglaterra, Livi provavelmente nunca teve a chance. Emma talvez fosse mais fácil de segurar enquanto estivesse sonolenta, mas eu não tinha certeza de como ela reagiria quando acordasse completamente, então esperei.

“Nos distraímos conversando. Que tal começarmos a fazer udon de Ano Novo?” sugeri, notando que já era meio-dia. Não me admirava que Emma tivesse acordado.

“Vou chamar a Kaguya-san,” eu disse, começando a me levantar, mas Charl me impediu.

“Eu chamo ela, então está tudo bem. A-kun, fique com a Emma e a Livi,” ela ofereceu.

“Entendido, obrigado,” eu disse, me acomodando novamente.

   Com Charl fora, notei Livi inquieta debaixo do kotatsu, olhando para mim. “O que foi?”

“A Lottie é tão apegada, mas adora cuidar dos outros, né? Eu estava pensando que ela seria uma ótima esposa,” disse Livi, claramente orgulhosa de sua amiga de infância.

“Ela já é meio assim,” admiti. Desde que fomos morar juntos, Charl tem cozinhado, ajudado com Emma e até dormido ao meu lado. Noiva ou não, parecia que ela já era minha esposa.

“Morar junto é incrível, né? Olhando para a Lottie, dá para ver que ela te ama de verdade,” disse Livi.

“Bom, sim… com o jeito grudento dela,” respondi, dando uma risadinha.

“E você a mima naturalmente, né? Estou com inveja. Quero um namorado que me mime também,” disse Livi, apoiando os cotovelos no kotatsu, com as bochechas entre as mãos e inveja nos olhos.

   Então era por isso que Charl tinha se agarrado ao meu braço — o olhar de desejo de Livi a preocupou, apesar da insistência de Livi de que nunca se envolveria com alguém comprometido.

“Tenho certeza de que você encontrará um ótimo namorado,” eu disse, encorajando-a.

“Hum, quem sabe? Por causa de uma certa pessoa, meus padrões para um namorado subiram muito,” ela respondeu.

“Espera, você gosta de alguém?” perguntei, genuinamente curiosa.

“…” Livi me lançou um olhar inexpressivo, como quem diz: “Sério, esse cara?”

   Perdi alguma coisa? — “Huh…?”

“Achei incrível que você, Akihito, tenha conquistado a Lottie, que era tão ingênua em relação ao amor, mas agora estou começando a achar que a Lottie deve ter se esforçado muito…” Livi suspirou, desviando o olhar.

     Será que eu tinha pisado numa mina terrestre?

“Então, Akihito, você já teve uma namorada antes da Lottie?” Ela perguntou de repente, com a curiosidade aguçada.

   Nesse momento, Charl e Kaguya-san entraram, ambas se virando para mim ao ouvirem a pergunta dela.

“Não, nunca,” respondi firmemente, evitando qualquer mal-entendido com Charl.

   Livi deu de ombros, com um sorriso resignado nos lábios. “Imagino quantas pessoas foram sacrificadas.”

“Do que você está falando…?” perguntei, confuso.

“Nada, só falando sozinha. Certo, Lottie?” Livi desconversou, passando a conversa para Charl, que assentiu sem jeito. Alguma troca de palavras silenciosas claramente havia ocorrido entre as amigas de infância.

“Por que a Livi está aqui?” Emma perguntou, agora totalmente desperta, inclinando a cabeça.

“Bom dia, Emma. Vim passar um tempo com vocês hoje,” respondeu Livi em inglês.

“Bom dia. Não vamos sair para brincar hoje?” continuou Emma em inglês, provavelmente porque tínhamos levado Livi para passear nos últimos dias.

“Hoje é um dia tranquilo no kotatsu~” disse Livi, se espreguiçando na mesa com um sorriso. Emma a imitou, se esparramando também.

“A Emma adora kotatsu…!” declarou ela.

“Ah, eu sabia que nós duas nos daríamos bem, Emma!” disse Livi, radiante.

“Mhm…!” assentiu Emma.

   A natureza descontraída que compartilhavam as faziam se conectar. Emma poderia crescer e se tornar como Livi um dia.

“Ei, vem cá, Emma. Deixa eu te abraçar,” disse Livi, abrindo os braços.

   Mas— “Eu quero o Onii-chan,” respondeu Emma, ​​se agarrando a mim.

“Ah… Você nunca quer ninguém além do Akihito?” perguntou Livi, fazendo beicinho.

“Nn, o Onii-chan é o melhor…!” Emma assentiu com confiança. Na verdade, às vezes ela se sentava no colo da Sophia-san, da Karin ou até mesmo da Charl, mas agora, ela estava decidida a sentar no meu. Daqui a algumas horas, ela poderia ir feliz para o colo da Livi.

“É tão confortável assim?” Livi perguntou, mais curiosa do que chateada.

“Nn!” Emma respondeu animadamente.

“Hmm…” Livi ponderou, porém—

“Você não pode sentar no colo do A-kun, okay?” Charl interrompeu bruscamente, ouvindo a conversa enquanto cozinhava.

“Esposa, se concentra na cozinha~” Livi provocou.

“Esposa!?” As bochechas de Charl coraram instantaneamente, provavelmente se imaginando como uma noiva. Apesar da proximidade entre elas, as brincadeiras de Livi lhe davam vantagem sobre a séria Charl.

“…Charlotte-sama, devo cuidar de tudo hoje?” Kaguya-san se ofereceu, percebendo a distração de Charl.

“N-não, estou bem... Desculpe...” Charl murmurou, retomando o preparo da comida. Admitir que estava incomodada com o apelido “esposa” seria demais.

“Não provoque a Charl enquanto ela estiver cozinhando. É perigoso,” avisei Livi. A preocupação de Kaguya-san era válida — Charl poderia se machucar se ficasse nervosa.

“Entendi. Mas acho que a culpa é da Lottie. O instinto dela de defender o território do namorado é muito forte,” disse Livi.

   Eu entendi o ponto dela. Charl estava tensa só porque Livi estava observando. Mesmo assim, a ansiedade dela por eu estar conversando de perto com outra pessoa era natural.

“Você sabe que a Charl é assim, né, Livi?” perguntei. Ela a conhecia há muito mais tempo do que eu.

“É verdade. Não se preocupe, eu nunca me meteria com o namorado da Lottie,” disse Livi, com um sorriso resignado. Ela estendeu a mão para a bochecha de Emma, ​​e embora Emma quase a tenha afastado com um tapa, ela parou, reconhecendo Livi, e deixou que ela a cutucasse.

“Uau…! É tão elástico, como mochi, e tão macio…!” Livi exclamou, feliz por Emma não a ter rejeitado. Mas suas cutucadas repetidas—

“Nn…!” Emma afastou a mão dela, irritada.

   Livi tinha sido boa em manter distância de Emma na Inglaterra, recuando se Emma parecesse desconfortável.

   Agora, com Emma se mostrando mais receptiva, a contenção de Livi havia diminuído.

   Ela encontraria o equilíbrio em breve, e eu interviria se necessário.

   Mais tarde, o udon de Ano Novo preparado por Charl e Kaguya-san estava pronto, e comemos juntos, encantados com a adorável alegria de Emma.

 

◆◆◆

 

“Uau, está nevando…” Livi disse quando saímos para acompanhá-la de volta ao hotel naquela noite. Sua respiração estava ofegante por causa do frio, suas bochechas coradas enquanto ela olhava para a neve caindo com olhos brilhantes.

“Não neva muito na Inglaterra?” perguntei.

“Na verdade, não! Em Londres, nevar é bem raro!” ela respondeu. Eu imaginava que a Inglaterra, por ser mais ao norte, teria mais neve, principalmente por causa das cenas de paisagens nevadas nos filmes, mas aparentemente não.

“Não foi um Natal branco, mas… neve na véspera de Ano Novo tem seu charme…” disse Charl, sonhadoramente, juntando-se a nós lá fora.

   A véspera de Natal e o Natal guardavam memórias especiais para nós, e a neve naquela hora teria sido mágica. Mesmo assim, a neve de agora era linda à sua maneira.

“Desculpe, eu quero andar na neve, assim vocês não precisam me levar de carro!” disse Livi, mudando de ideia. Ela queria dizer pegar o trem, não andar o caminho todo.

   Eu me senti mal por Kaguya-san, mas queria respeitar o desejo de Livi. “Então nós te acompanhamos até o hotel,” ofereci.

“De jeito nenhum, isso é demais!” protestou Livi, balançando a cabeça.

“Não posso deixar uma garota andar sozinha à noite, e vai ser como um encontro para nós, então tudo bem,” eu disse, olhando para Charl. Caminhar na neve parecia romântico, e eu queria mostrar algo para Charl. Com pouco tempo a sós ultimamente, essa era uma boa oportunidade.

“Entendo, esse é o plano,” disse Livi, com um sorriso travesso insinuando: “Me usar como desculpa? Isso vai te custar caro.”

“Então eu cuido da Emma-sama,” disse Kaguya-san, estendendo a mão. Como Emma estava em meus braços, ela queria que eu a entregasse. A neve poderia deixá-la enjoada, então concordei, principalmente porque ela havia adormecido novamente.

“Por favor, faça isso. Voltaremos assim que pudermos,” eu disse.

“Não precisa ter pressa. Tirem um tempo só para vocês dois,” respondeu Kaguya-san, com uma gentileza surpreendente. Ela parecia de ótimo humor, provavelmente por ter segurado Emma.

“Desculpem, esqueci uma coisa. Vou pegar,” eu disse para Livi e Charl, voltando correndo para casa em busca de algo perfeito para aquele momento.

“Desculpem a demora. Vamos, o trem está chegando,” eu disse, colocando o item na minha bolsa. Peguei a mão livre de Charl, colocando-a no meu bolso para mantê-la aquecida, e acenei para Livi.

   Livi, observando em silêncio, pegou a outra mão de Charl e a colocou no próprio bolso. “Livi…” Charl murmurou.

“Não quero ficar de fora. Você está me acompanhando, então está tudo bem, né?” Livi disse, insinuando: “Você vai ter um tempinho sozinha na volta, então me deixa também.”

   Precisávamos tomar cuidado com os carros, mas Charl parecia feliz, então estava tudo bem. De mãos dadas, nós três caminhamos até a estação pela neve que caía.




◆◆◆

 

“Certo, vamos brincar muito amanhã também!” Livi gritou, acenando alegremente enquanto eu a deixava no hotel. Amanhã era o Dia de Ano Novo, mas ela planejava vir como de costume, ansiosa para vivenciar um Ano Novo japonês. Como também seria o primeiro Ano Novo japonês de Charl e Emma-chan, eu queria torná-lo inesquecível para as três.

“Boa noite, Livi,” eu disse carinhosamente.

“Boa noite! Não se empolguem demais só porque estão sozinhos e voltem logo para casa!” Livi provocou com um sorriso travesso, suas palavras ousadas e divertidas. O rosto de Charl ficou vermelho como um tomate e ela gaguejou em protesto.

“N-não imagine coisas estranhas…!”

“Haha!” Livi riu, entrando no hotel como se estivesse fugindo de alguém. Sua brincadeira provavelmente era um escudo contra a solidão da despedida, e eu não pude deixar de sorrir.

“Sinceramente, essa Livi…” murmurei, balançando a cabeça.

“Vocês dois estão muito próximos, né?” eu disse para Charl em japonês, com um tom carinhoso. Ela ainda estava indignada, mas sua expressão suavizou.

“Bem… somos amigas desde pequenas…” admitiu timidamente, sem negar o laço entre elas. Era tocante presenciar o calor da amizade delas.

“Já que estamos aqui, quer dar uma volta e ver a iluminação?” sugeri. Eu queria mostrar a Charl as luzes ao redor da Estação Okayama, que estavam acesas desde novembro. Ela as tinha visto rapidamente quando deixou Livi, mas com a neve caindo esta noite, elas tinham um novo encanto.

“São lindas…” Charl murmurou, apoiando a cabeça no meu ombro e apertando minha mão carinhosamente. Sozinhos agora, ela tinha entrado no seu modo apegado, e senti meu coração se aquecer.

“Ei, quer usar isso?” Perguntei, tirando da minha bolsa o cachecol tricotado à mão que ela me dera de aniversário. Seus olhos sonhadores se arregalaram em reconhecimento.

“Ah, isso é...!” ela exclamou, entendendo minha intenção.

“Estique o pescoço,” eu disse gentilmente.

“Sim...” Charl respondeu, jogando o cabelo para o lado para oferecer o pescoço. Envolvi cuidadosamente o cachecol em volta dela e depois o passei em volta do meu, conectando-nos com seu calor suave.

“Desculpe por não tê-lo usado muito,” eu disse, um pouco envergonhado.

“Não… Estou tão feliz…” As bochechas de Charl suavizaram e ela se agarrou ao meu braço com força, lágrimas brilhando em seus olhos. Sua alegria genuína me derreteu.

“Este cachecol é gostoso, não é? E é quentinho,” acrescentei, passando os dedos pelo tecido.

“Hehe… Estou quentinha por dentro…” ela respondeu, esfregando a bochecha em mim. Revigorado pela minha namorada carinhosa, caminhamos da Estação Okayama em direção a um grande shopping center, com as luzes ao longo do caminho nos cativando. As luzes brilhantes do shopping roubaram nossa atenção, seu brilho amplificado pela neve.

“É como se tivéssemos entrado em outro mundo…” Charl sussurrou, maravilhada. Eu me senti da mesma forma e a conduzi para outro lugar. Eu tinha ouvido falar que havia luzes em um jardim próximo, mas com pouco tempo, deixamos para outra hora. Em vez disso, exploramos um túnel de luzes de 300 metros de comprimento e um rio brilhando como um caminho de estrelas, cada visão enchendo Charl de alegria e aquecendo meu coração a cada vez.

“—Certo, vamos voltar,” eu disse enquanto retornávamos à Estação Okayama.

“…” O olhar de Charl baixou, seu silêncio repentino.

“O que foi?” perguntei, preocupado. Ela estava tão feliz momentos atrás — eu fiz algo errado?

“…Enquanto caminhávamos pelas luzes… havia tantos casais demonstrando afeto, não é…?” ela disse hesitante.

“Ah? Sim, havia,” concordei. A véspera de Ano Novo atraiu mais pessoas do que eu esperava, principalmente casais, muitos demonstrando afeto abertamente de maneiras que pareciam um pouco estranhas de se presenciar.

“Essas pessoas… provavelmente passarão a noite juntas como namorados… e…” A voz de Charl vacilou, incapaz de terminar. Então seus olhos brilhantes encontraram os meus, sua mão apertando com força. Seu desejo não expresso era claro e despertou em mim tanto compreensão quanto conflito. Eu não podia realizá-lo agora.

“Desculpe, precisamos voltar, pois a Kaguya-san e a Emma-chan estão esperando,” eu disse gentilmente, conhecendo seus sentimentos. Ceder ao desejo agora prejudicaria minha credibilidade mais tarde.

“Eu quero voltar... para nossa antiga casa...” Charl implorou, pensando que eu não havia entendido. Eu a fiz se conter também no aniversário dela e, embora quisesse ceder, não podia.

“Se a Emma-chan acordar e só encontrar a Kaguya-san, vai ser difícil, não é...?” expliquei, acariciando sua cabeça suavemente. Lágrimas brotaram em seus olhos e ela pressionou o rosto contra meu peito, esfregando-se em mim em frustração. Ela sabia que eu não cederia e essa era a maneira dela de expressar isso. Perderíamos o próximo trem, mas eu lhe dei tempo para organizar seus sentimentos.

   Finalmente, Charl olhou para cima, seus olhos marejados resolutos. “Eu… vou desistir, então… me beija…” ela sussurrou, implorando por algo mais. Hesitei, sabendo que um beijo poderia inflamar ainda mais seu desejo, especialmente depois de fazê-la se conter. Mas com quase trinta minutos até o próximo trem, inclinei-me para frente, com as luzes da Estação Okayama brilhando atrás de nós.

   Um beijo não foi suficiente. Charl exigiu mais, seus lábios buscando os meus repetidamente até que mal conseguimos pegar o trem. Mesmo assim, ela não estava satisfeita. Ao embarcarmos, ela murmurou: “A-kun, você está me provocando e sendo malvado de novo…” Senti uma pontada de culpa por sempre fazê-la se conter e, com meus próprios limites se aproximando, prometi a mim mesmo que em breve planejaria um tempo a sós para nós.

 

◆◆◆

 

“—Levanta logo.”

“Ai—!?” Uma dor surda atravessou minha bochecha, me despertando bruscamente. Sentando-me, encontrei o rosto sereno de Kaguya-san diante de mim.

“Hã?” murmurei, desorientado.

“Finalmente acordou? Depressa, se troque. Vamos,” disse ela calmamente.

“Ah…” O motivo de ela ter me acordado fez sentido. Depois de voltarmos da Estação Okayama, Kaguya-san perguntou se queríamos ver o primeiro nascer do sol. Como seria o nosso primeiro como noivos, eu havia prometido a Charl que iríamos.

“A-kun, você está bem…?” Charl, já vestida e pronta, olhou para mim com preocupação.

“Eu fui tão difícil de acordar assim?” perguntei, esfregando a bochecha.

“Não, é que… a Kaguya-san calculou o tempo, incluindo o tempo para se arrumar, e disse que deveríamos deixar você dormir o máximo possível. Mas, bem… parece que te acordar de uma vez só fazia parte do plano…” explicou Charl, num tom que misturava diversão e compaixão. Foi atencioso da parte dela nos deixar dormir depois de termos chegado tarde, mas o método da Kaguya-san foi… pouco convencional. Eu teria preferido perder algumas horas de sono a um despertar mais suave.

“Obrigado pela explicação. É melhor eu me arrumar logo, ou vou levar uma bronca,” eu disse, apressando-me para me preparar. Tínhamos verificado o horário do nascer do sol e decidido ir ao Jardim de Oliveiras de Ushimado, do nosso terraço no segundo andar, para uma experiência mais memorável. Wake Alps, conhecido pelo seu nascer do sol deslumbrante, era tentador, mas a caminhada parecia muito cansativa para a Charl, que não era muito atlética. Em vez disso, escolhemos um lugar no alto de uma colina com vista para o mar e as montanhas.

“Vai demorar um pouco para chegarmos lá, então fiquem à vontade para dormir,” disse Kaguya-san assim que entramos no carro.

“Desculpe por fazê-la se deslocar tanto por nossa causa,” respondi, sentindo-me culpado por tê-la arrastado para fora de casa na manhã de Ano Novo.

     Pensando bem, ela não precisava visitar a família? — Apesar de conhecê-la há tanto tempo, percebi o quanto eu sabia pouco sobre sua vida pessoal.

“Não é nenhum incômodo. Além disso, as crianças devem se sentir à vontade para confiar nos adultos,” respondeu ela gentilmente, com sua calma inabalável. Gratos, aceitamos sua oferta de descansar.

Hehe… Eles estão encostados um no outro, dormindo tão felizes. Só de ver isso já vale a pena. De verdade… Fico tão feliz que vocês tenham encontrado a felicidade.” No meu sonho, uma voz alegre e feliz riu, mas não consegui identificar de onde vinha.

   Quando acordei, tínhamos chegado ao Olive Garden. Acordei Charl gentilmente, peguei Emma-chan, que ainda dormia, e saí do carro.

“Há uma loja de azeitonas, então vamos ver o nascer do sol do mirante,” instruiu Kaguya-san, com sua pesquisa minuciosa de sempre.

“Está aberto tão cedo?” perguntei, notando que eram pouco mais de 6h30.

“Normalmente abre às 9h, mas no dia de Ano Novo, abre às 6h para ver o nascer do sol, então está ótimo,” explicou ela. Isso explicava o número surpreendente de pessoas reunidas. Foi atencioso da parte deles abrirem para isso.

“É a minha primeira vez em um jardim de azeitonas…” disse Charl, com a curiosidade aguçada enquanto olhava ao redor.

“Este jardim de azeitonas tem um lugar popular entre os casais, conhecido como um santuário dos apaixonados. Há outros ótimos lugares para casais em Ushimado também, então talvez vocês dois possam visitar novamente?” observou Kaguya-san, despertando o interesse de Charl. Eu não esperava que ela soubesse sobre curiosidades românticas, mas seu conhecimento era impressionante.

“Um santuário para… amantes…” Charl repetiu, seu amor por coisas românticas evidente. A frase também me intrigou, e decidi pesquisar sobre isso mais tarde, em uma futura visita a ela.

“Vamos voltar juntos outra hora,” sugeri.

“Sim!” O rosto de Charl se iluminou enquanto ela assentia ansiosamente. Eu devia isso à Kaguya-san.

   Fomos até a loja de azeitonas e subimos até o mirante. “—Está quase na hora,” sussurrou Kaguya-san enquanto o nascer do sol se aproximava.

“Não deveríamos acordar a Emma?” perguntei, olhando para a garota adormecida em meus braços.

“Não, ela provavelmente ficaria mal-humorada ao acordar, e se ela fizer birra, vai incomodar os outros,” argumentei. Emma-chan provavelmente preferiria dormir do que ver o nascer do sol, então não havia necessidade de forçá-la.

“Devo segurá-la então?” Kaguya-san se ofereceu, gentilmente dando espaço para mim e para Charl.

   Troquei um olhar com Charl e balancei a cabeça. “Não, vamos mantê-la assim. Ela não está acordada, mas para nós, estar juntos é importante.” Foi Emma-chan quem nos uniu, e estávamos ali por causa dela. Só desta vez, mesmo dormindo, eu queria que nós três compartilhássemos o nascer do sol.

“Entendido,” disse Kaguya-san, curvando-se levemente e dando um passo para trás. Charl se aconchegou mais perto, entrelaçando seu braço no meu e apoiando a cabeça no meu ombro. O horizonte brilhava em tons de laranja, o sol espreitando lentamente por trás das montanhas. Ilhas se destacavam na sombra contra a luz do sol, o céu gradualmente tomado por tons quentes. O mar refletia a luz solar, e as nuvens ganhavam uma profundidade quase tridimensional. Meu primeiro nascer do sol foi de tirar o fôlego, mas também despertou uma silenciosa sensação de solidão, deixando-me estranhamente sentimental.

“É lindo…” Charl sussurrou, com uma expressão sonhadora enquanto apertava meu braço, como se não quisesse soltá-lo.

“É realmente lindo…” concordei baixinho.

“Sim… quero vir ver isso todos os anos…” disse ela, suas palavras um voto silencioso de ficarmos juntos para sempre. Sentindo o mesmo, soltei seu braço e a puxei para perto pelo ombro. Observamos o nascer do sol em silêncio e, assim que o sol ficou totalmente visível, decidimos guardar o resto da vista para a próxima vez e saímos do Olive Garden.



 

Traduzido por Moonlight Valley

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