Volume 7

Capítulo 2: Um Alegre Reencontro

   Conforme a hora prometida se aproximava, caminhei pela rua com Charl, com nossas mãos entrelaçadas como as de amantes, os dedos unidos. Curiosamente, porém, ela não ostentava o anel de noivado na mão esquerda. Por razões que ela não havia compartilhado, ela o guardara de volta na caixinha antes de sairmos de casa.

“Todos já estão lá dentro?” perguntei.

“Provavelmente,” respondeu Charl suavemente. “Acho que a Kanon-san foi buscá-los.”

   Eu pretendia encontrá-los na estação, mas uma mensagem confirmou que Kanon-san já havia providenciado tudo. Com a festa de aniversário marcada para as três, parecia provável que todos já estivessem esperando.

“Entre primeiro,” insisti ao chegarmos à casa nova.

   Charl, sempre perspicaz, não questionou. Ela alcançou a maçaneta, encontrou a porta já destrancada e a abriu com cuidado. E então—

““““Feliz aniversário, Charlotte-san!!””””

   Um coro de vozes irrompeu, pontuado pelo estalo seco de lança foguetes. Todos que estavam reunidos no corredor sorriam radiantes, celebrando o dia especial de Charl.

“Pessoal…” A voz de Charl tremia, seus olhos brilhando com lágrimas enquanto ela olhava para cada rosto familiar — Shimizu-san, Kousaka-san, Karin, Akira, Kanon-san, Kaguya-san. “Muito obrigada.”

   Ela fez uma profunda reverência, sua sincera gratidão suavizando os sorrisos alegres do grupo em expressões calorosas e gentis.

“Vamos, vamos entrar!” Shimizu-san, sempre a líder, agarrou a mão de Charl, puxando-a para frente com uma animação incontida. Sua ousadia, como se fosse dona do lugar, quase me fez rir.

“Akihito, não fique aí parado — entre,” chamou Kanon-san.

   Assenti com a cabeça, entrei e tranquei a porta atrás de mim. Com Charl, a estrela do dia, agora sob os cuidados de todos, meu papel mudou para gerenciar as coisas nos bastidores.

“Você se divertiu?” perguntou Kanon-san, ajoelhando-se ao meu lado enquanto eu tirava os sapatos, sua voz um sussurro suave.

“Sim, muito obrigado. Por tudo.”

   Passar a véspera de Natal sozinho com Charl tinha sido possível porque Kanon-san nos havia cedido o apartamento só para nós. Mais do que isso, minha vida com Charl devia muito a ela. Ela cuidou de mim desde a infância, e nenhuma palavra jamais poderia expressar minha gratidão.

“É apenas uma recompensa por todo o seu trabalho árduo,” disse ela, descartando qualquer noção de favoritismo. Seu sorriso caloroso acompanhou um leve cafuné na minha cabeça.

   Instantaneamente, todos os olhares — o de Akira em primeiro lugar — se voltaram para nós.

“Ah, isso me lembra do ensino fundamental,” disse Akira com um sorriso irônico.

“A Kanon-senpai costumava dar carinho na cabeça do Akihito-senpai assim o tempo todo, não é?” acrescentou Kousaka-san, com um sorriso que imitava o dele.

   Meu rosto corou de vergonha e me esquivei da mão de Kanon-san. “Por favor, não faça isso na frente de todo mundo…!”

“Então tudo bem quando estamos sozinhos?” Shimizu-san retrucou, aproveitando minhas palavras descuidadas. Sua sagacidade nunca perdeu o ritmo. Seus olhos semicerrados me encararam, brilhando com acusação — provavelmente despertada por sua proteção a Charl. Uma garota ciumenta como ela não conseguiria evitar reagir a tal cena.

   Olhei para Charl, me preparando para sua reação. “A Kanon-Onee-san é como uma irmã mais velha para o Akihito-kun, então eles são muito próximos,” disse ela, com um sorriso sereno.

   …Hã? — Eu esperava um bico, talvez até um mau humor, mas Charl parecia imperturbável, até me protegendo com uma compostura surpreendente. Normalmente, ela estaria visivelmente com ciúmes. — Será que ela estava fingindo para os outros?

   Um rápido olhar ao redor revelou Shimizu-san e Kousaka-san trocando olhares confusos. Eu não era o único a sentir algo estranho.

“Muito bem, vamos para a sala de estar? Alguém está esperando ansiosamente,” anunciou Kanon-san, batendo palmas para quebrar o silêncio constrangedor no corredor.

   Isso me lembrou: Sophia-san e Emma-chan não estavam em lugar nenhum. Uma criança como Emma poderia estar tirando uma soneca, mas o tom de Kanon-san sugeria que elas estavam na sala de estar. Seguimos sua sugestão, com a curiosidade aguçada.

   Charl se aproximou de mim enquanto caminhávamos, sua presença se manifestando sutilmente.

      Será que ela estava com ciúmes de Kanon-san, afinal? 

    Refleti sobre isso enquanto entrávamos na sala de estar. Antes que as decorações vibrantes — origamis e balões — pudessem chamar nossa atenção, uma pequena figura no sofá roubou nosso olhar.

“Muu…!” Emma-chan estava sentada ali, com as bochechas infladas e os olhos cheios de lágrimas.

   Ih, rapaz. Isso é…

“Ela está assim desde que chegamos,” explicou Kanon-san com um sorriso irônico.



  Shimizu-san se inclinou para perto, seu sussurro mal audível em meio à conversa. — “Tem alguma coisa acontecendo com a Emma-chan, não é?” — Sua intuição era afiada, mas Charl e eu já tínhamos juntado as peças, e a constatação nos apertou o coração.

“Vamos lá, Emma, ​​você não tem nada a dizer?” — Sophia-san, sentada ao lado dela, deu um leve empurrão nas costas de Emma-chan.

“Ngh...” — Emma-chan hesitou, seu rostinho franzido em relutância, mas deslizou do sofá e caminhou em nossa direção. O cômodo ficou em silêncio, todos se afastando para abrir caminho para ela, os olhos fixos em sua pequena figura.

   Quando ela chegou até nós, Emma-chan parou diante de Charl, seu olhar carrancudo se erguendo para encontrar o da irmã. “Lottie, feliz aniversário...” Sua voz era suave, quase relutante.

   Eu estava curioso para saber o que ela diria, mas parabéns para Charl? Sua expressão emburrada contrastava com o sentimento, e Charl e eu trocamos um olhar, nossos lábios se curvando em sorrisos compartilhados. O mau humor de Emma-chan estava claramente em desacordo com seu desejo de celebrar a irmã, uma mistura de emoções se desenrolando em seu rostinho.

“Obrigada, Emma.” A voz de Charl era carinhosa enquanto ela se agachava, sua mão acariciando suavemente o cabelo de Emma-chan. Seu sorriso irradiava alegria pelo esforço da irmãzinha.

“Ngh…” Emma-chan não se afastou, deixando-se acariciar, sua expressão suavizando-se em uma tranquila satisfação. Apesar da frustração com Charl, ela claramente apreciava o carinho. Depois de um momento, como se declarasse satisfeita, ela escapou da mão de Charl e se agarrou à minha perna, segurando-a com força. Parecia que ela queria ser mimada para compensar a sensação de estar excluída.

   Como Sophia-san ou eu ficamos encarregadas de cuidar da Emma-chan para garantir que a festa de aniversário da Charl corresse bem, peguei-a no colo. Talvez sentindo a distância, ela pressionou a bochecha contra a minha, seus bracinhos me envolvendo com força pelo pescoço.

“Você é tão bom com crianças... quase como um pai de verdade,” murmurou Kousaka-san, com os olhos fixos em nós do outro lado da sala.

“Ei.” O cotovelo de Shimizu-san atingiu Kousaka-san com um toque rápido, um aviso silencioso para não dizer coisas imprudentes perto de Sophia-san. Kousaka-san, alheia ao sinal, lançou-lhe um olhar de desagrado.

“Hoje é aniversário da Charlotte-san,” sussurrou Kanon-san para Charl e para mim, em voz baixa e em japonês, provavelmente para que Emma-chan não entendesse. 

“A Onee-sama tem pedido para a Emma-chan deixar você, Akihito, passar o dia com a Charlotte-san. Mas como você estará ocupada durante a festa,  Charlotte-san, por favor, acalme a Emma-chan mimando-a até que tudo acabe.”

   Sophia-san, que se importava tanto com a felicidade de Charl quanto com a de Emma-chan, deve tê-la convencido. Do ponto de vista de Emma-chan, ter sido deixada de lado ontem e agora perder minha atenção hoje provavelmente alimentou sua frustração. Ficou claro que eu precisaria acalmá-la durante a festa.

“Eles parecem tão felizes… Estou com inveja…” Akira, observando em silêncio, nos encarou com uma inveja descarada, seu rosto se aproximando desconfortavelmente do meu.

“Cara, perto demais,” eu disse, dando um passo para trás. Eu entendia sua inveja, mas por que tanta proximidade?

“Quando minha primavera vai chegar…?” Os ombros de Akira caíram enquanto ele se afastava, desanimado.

“Por que esse cara está aqui…?” Kousaka-san murmurou, sua exasperação palpável enquanto o observava partir. Eu o havia convidado, então talvez eu lhe devesse um pedido de desculpas.

“Muito bem, vamos começar a festa de aniversário?” A voz de Kanon-san cortou o ar. “Preparamos bastante bolo, salgadinhos e bebidas.” Ao seu sinal, todos se acomodaram no novo sofá preparado para a ocasião.

   Eu tive que ajudar a servir o bolo e repor as bebidas, o que significava me afastar de Charl. “Charl, sente-se onde você—” 

Ding-dong

   O toque do interfone me interrompeu. — Uma entrega, talvez algo que eu tivesse pedido online? — Enquanto eu pensava, os lábios de Kanon-san se curvaram em um sorriso cúmplice, seu olhar se voltando para Charl.

“Charlotte-san, me desculpe, mas você poderia atender?”

   Era um pedido estranho, pedir para a aniversariante se afastar. Os outros trocaram olhares confusos — normalmente, seria impensável. Mas Charl, sempre gentil, assentiu com um sorriso delicado. “Sim, entendi.”

   Ela provavelmente concordou sem pensar duas vezes, confiando no pedido de Kanon-san. Mas havia mais nisso. Kanon-san não mandaria a estrela da festa ter um trabalho desse sem um motivo, e Kaguya-san, que normalmente se apressaria em ocupar seu lugar, permaneceu imóvel. Era proposital — um plano.

   É uma surpresa óbvia para Kanon-san, mas provavelmente é um presente para Charl. “Eu vou com você,” eu disse, suspeitando que pudesse ser algo pesado. Se Kanon-san tivesse preparado um presente grande, esperando minha ajuda, não seria justo deixar Charl lidar com isso sozinha.

   Entreguei Emma-chan para Sophia-san, que pareceu um pouco triste enquanto Emma-chan resistia à transferência. Senti culpa. “Desculpe, durante sua festa de aniversário e tudo mais,” eu disse para Charl.

“Não, tudo bem,” ela respondeu, seu sorriso tranquilizador enquanto destrancava a porta e alcançava a maçaneta.

   Assim que a porta se abriu—

“Lottie, feliz aniversário!!” Uma garota loira com duas tranças entrou correndo, sua voz transbordando entusiasmo enquanto se jogava nos braços de Charl.

“Ah…!” Charl, pega de surpresa e não sendo das mais atléticas, quase caiu para trás. Corri para ampará-la por trás.

   Mas o mais chocante — por que ela estava ali?

“Você me assustou, Livi…!” Charl exclamou, nomeando a garota que se agarrava a ela.

   Sim, Livi, a mesma garota que conhecemos enquanto comprávamos o anel de noivado.

“Ehehe... Faz tempo, Lottie,” disse Livi, com a alegria do reencontro evidente enquanto apertava os braços em volta do pescoço de Charl, esfregando a bochecha na dela.

   Charl, ainda atordoada, conseguiu dizer: “F-Faz tempo, mas por que você está no Japão...? Quando você chegou aqui...?”

   Sua reação deixou claro que ela não esperava Livi. — Será que Kanon-san estava por trás disso, convidando Livi como uma surpresa? — Não, Kanon-san não conhecia Charl pessoalmente o suficiente para conhecer Livi. Embora eu não tivesse certeza sobre a conexão entre Sophia-san e Livi, a ousadia de Livi sugeria que ela tinha vindo por conta própria para uma visita surpresa.

“Que fria!” resmungou Livi, inflando as bochechas em um bico exagerado. “É natural que uma melhor amiga venha comemorar seu aniversário, não é?” Charl, ainda envolvida em seu abraço, não conseguia ver sua expressão.

   O olhar de Livi se voltou para mim e, ao encontrar nossos olhares, ela exibiu um sorriso travesso e piscou. Ela provavelmente já tinha percebido minha ligação com Charl desde o início. — Pensar que a pessoa que ela mencionou era Charl… — Considerando sua idade, cidade natal e viagem a Okayama, eu deveria ter levado isso em conta.

   Principalmente porque o comportamento de Livi mudou depois de ver Emma-chan. Será que Emma-chan também a conhecia? Mas, se sim, por que Emma-chan não reagiu? Nenhum sinal de reconhecimento cruzou seu rosto quando Livi apareceu.

“Nunca imaginei que você viria até o Japão…” disse Charl, com a voz suavizando. “Se você tivesse me contado, eu poderia ter vindo te encontrar…”

“Isso não seria divertido, seria?” Livi sorriu. “Eu queria te surpreender, então isso é perfeito. Eu também tinha seu novo endereço.”

   Elas claramente estavam em contato, já que Livi sabia o novo endereço de Charl. O tom educado de Charl permaneceu, mas suas palavras carregavam uma leveza descontraída que faltava em Shimizu-san e nos outros. Acima de tudo, sua felicidade genuína, apesar da confusão, demonstrava a proximidade entre elas.

   Considerei sugerir que fôssemos para a sala de estar — ficar parada na porta não era o ideal — mas interromper o reencontro delas pareceria indelicado. Decidi deixá-las conversar um pouco mais.

“Você não fala japonês e mal conhecia o Japão,” disse Charl, com preocupação na voz. “Não foi difícil chegar aqui…?”

“Heh, agora existem aplicativos para isso,” gabou-se Livi. “Foi moleza. Bem, eu não queria me perder no seu aniversário, então cheguei cedo para dar uma olhada no lugar.”

   Seu orgulho era cativante, especialmente sabendo o quão aflita ela estava quando nos conhecemos. Ela tinha vindo para o aniversário da Charl, mas chegou cinco dias antes para se familiarizar com a região. Sua desculpa de “turismo” provavelmente era só isso mesmo — uma desculpa. Impulsiva e despreocupada como parecia, Livi era surpreendentemente minuciosa.

“Sério, você sempre me surpreende, Livi…” Charl murmurou, um sorriso carinhoso rompendo seu choque.

“Hehe, que legal!” Livi riu baixinho e se inclinou para frente. “Aliás, faz tempo mesmo — chu!”

“O quê…!?” Não consegui conter o som que escapou quando Livi deu um beijo na bochecha de Charl, uma lembrança vívida dela me beijando passando pela minha mente.

“Ah… Meu namorado está assistindo…” Charl olhou para mim, com as bochechas coradas, enquanto gentilmente pedia a Livi que parasse.



“É só uma saudação, não é? Embora você nunca tenha feito isso comigo, Charl,” provocou Livi, com a voz leve, mas incisiva.

“É verdade, mas…” Charl hesitou, com as bochechas levemente rosadas.

“Tá bom, tá bom, entendi. Você não quer que seu namorado entenda errado, né?” Livi fez beicinho de brincadeira, mas deu um passo para trás com um sorriso, dando espaço para Charl.

   Charl alisou as roupas desarrumadas, endireitou a postura e se virou para mim com um sorriso gentil. “A-kun, desculpe a apresentação tardia. Esta é Olivia Kenny-san, minha amiga próxima da Inglaterra.”

   Presumindo que Livi e eu estávamos nos conhecendo pela primeira vez, Charl a apresentou em inglês, provavelmente para o bem de Livi, já que ela não falava japonês. Livi retribuiu o gesto, levando a mão direita à testa em uma saudação irônica.

“Prazer em conhecê-lo, sou Olivia Kenny. Pode me chamar de Livi. Sou amiga da Lottie desde criança,” disse ela, exibindo um sorriso caloroso e uma piscadela brincalhona.

   Ela estava mantendo nosso encontro anterior em segredo, agindo como se este fosse nosso primeiro contato. Eu poderia ter revelado a verdade, mas Livi provavelmente tinha seus motivos — e como Charl descobrir sobre aquele beijo me traria problemas, decidi entrar na brincadeira.

“Livi, este é Akihito Aoyagi-kun, de quem te falei no aplicativo de bate-papo. Ele é… meu namorado…” A voz de Charl suavizou, seu rosto corando ao dizer “namorado”. Sua timidez deixava claro o quão constrangedor era dizer isso em voz alta, especialmente para sua melhor amiga. O sorriso provocador de Livi provavelmente não ajudou.

“Prazer em conhecê-la, sou Akihito Aoyagi, namorado da Charl. Por favor, espero nos darmos bem, Livi-san,” eu disse, oferecendo um sorriso educado enquanto mantinha a farsa.

“Haha, exatamente como eu ouvi, você está falando muito sério!” Livi riu. “Temos a mesma idade, então deixe os honoríficos de lado e fale casualmente. Além disso, Livi é só um apelido.”

   Ela tinha dito a mesma coisa quando nos conhecemos, e agora eu podia voltar àquele tom familiar. “Entendi, Livi.”

“O prazer é meu, Akihito.” O tom de Livi era caloroso, mas ela não tentou me beijar desta vez. Parecia que ela respeitava os limites quando se tratava de caras comprometidos.

“—Vocês não deveriam entrar logo?” A voz de Kanon-san interrompeu quando ela apareceu na porta, provavelmente para ver como estávamos, já que não tínhamos voltado. Ela não pareceu surpresa com a presença de Livi, então o fato de Charl ter sido mandada para a porta provavelmente tinha algo a ver com ela. Talvez Kanon-san ou Kaguya-san tivessem encontrado Livi enquanto confirmavam a localização da casa e combinado isso.

“Preciso apresentar a Livi a todos,” disse Charl, com os olhos brilhando de animação por reencontrar a amiga. Mas Livi deu um sorriso preocupado.

“Não, é a sua festa de aniversário, Lottie. Estou feliz em comemorar diretamente com você.” Ela provavelmente estava preocupada em roubar a cena. Apesar de sua postura ousada e insistente, ela era atenciosa à sua maneira — completamente diferente da Livi que havia me provocado nao muito tempo atrás.

“De jeito nenhum, quero te apresentar,” insistiu Charl, inflando as bochechas e agarrando o braço de Livi. Era um lado assertivo raro dela, mostrando o quanto Livi significava para ela.

“Ah, eu nunca consigo ganhar quando você está assim, Lottie…” Livi suspirou, desistindo enquanto Charl a arrastava. Suas personalidades contrastantes me fizeram rir enquanto eu as seguia para dentro.

   Mas no momento em que Charl trouxe Livi para a sala— “Ah…!” Shimizu-san e Kousaka-san exclamaram em uníssono, reconhecendo Livi instantaneamente.

“Hã?” Charl, pega de surpresa pela reação delas, inclinou a cabeça curiosamente.

   Isso pode ser ruim. Enquanto o pensamento me passava pela cabeça, Kousaka-san abriu a boca— “Voc—ai!”—mas Shimizu-san tapou-a com a mão.

“O que foi isso!?” Kousaka-san, com a boca coberta, olhou furiosamente para Shimizu-san com os olhos marejados.

“Tinha um inseto,” disse Shimizu-san secamente.

“É inverno! E se tivesse, você o mataria, não taparia minha boca!” A raiva de Kousaka-san explodiu com a desculpa esfarrapada.

   Shimizu-san não estava brincando, no entanto — ela não podia arriscar que a verdade escapasse. A essa distância, até um sussurro poderia chegar aos ouvidos aguçados de Charl. Mas eu não podia deixar Shimizu-san levar a culpa sozinha.

“Kousaka-san, é a festa de aniversário do Charl, então vamos manter a calma,” eu disse, usando a festa como desculpa para aliviar a tensão. Eu explicaria o verdadeiro motivo mais tarde pelo aplicativo de mensagens.

“Oh… me desculpe…” Kousaka-san corou e olhou para baixo, repreendida. Senti uma pontada de culpa, mas era necessário. Karin, sentada à sua frente, se remexia nervosamente, claramente querendo dizer algo, mas se contendo. Como irmão dela, eu secretamente desejava que ela encontrasse coragem para falar em momentos como esse.

“Hum… Kaede-chan, você está bem…?” Charl perguntou, com a voz carregada de preocupação.

“S-Sim…” Kousaka-san respondeu fracamente.

   O olhar de Livi se deteve em Kousaka-san, depois se voltou para Shimizu-san com igual intensidade. Seus olhos se arregalaram quando a ficha caiu. Ela devia ter se lembrado de tê-las encontrado no restaurante de ramen e só agora tinha ligado os pontos. Seus olhos encontraram os meus e, com a mão livre, ela fez um gesto de desculpas, pedindo desculpas. Como ela estava atrás de Charl, que ainda a puxava, Charl não percebeu.

   Eu assenti com um sorriso, sinalizando que estava tudo bem. Livi deu um tapinha no peito, aliviada. Vendo-a assim, ela realmente não parecia uma pessoa ruim — o que combinava como a melhor amiga de Charl.

   Perdido em pensamentos, não percebi o olhar fixo de Charl em mim.



◆ ◆ ◆



“—Estou bem agora…” Alguns minutos depois, Kousaka-san olhou para cima, com uma bolsa de gelo envolta em uma toalha pressionada contra a boca, por sugestão de Kanon-san. Provavelmente não era necessário, mas mudou o clima e deu a ela tempo para se acalmar. Agora finalmente podíamos começar a festa de aniversário.

   Nesse instante, minha manga foi puxada. Olhando para baixo, vi Emma-chan, que estava nos braços de Sophia-san mais cedo, agora parada na minha frente com os braços estendidos. Essa garota esperta percebeu que minhas mãos estavam livres depois de preparar a bolsa de gelo e a toalha, e estava esperando o momento certo.

“Abraço,” ela pediu.

“Sim, entendi,” eu disse, levantando-a com um sorriso.

“Mmh…” Mesmo tendo ficado separadas por pouco tempo, Emma-chan esfregou a bochecha na minha como se estivesse se reencontrando depois de anos, agarrando-se a mim com força. Sua fofura era irresistível.

“É incrível… a Emma ser tão grudenta com alguém que não seja a Lottie…” disse Livi, claramente impressionada.

“Ela é ainda mais grudenta com o A-kun do que comigo,” acrescentou Charl com um sorriso irônico.

   As palavras de Livi escaparam descuidadamente, e eu temi que ela pudesse revelar algo sem querer. Talvez reagindo às vozes delas, Emma-chan se afastou do meu rosto e se sentou, virando-se para Livi.

“Hm…!” Ao notá-la pela primeira vez, Emma-chan levantou a mão energicamente. Como elas haviam se aproximado por causa do ramen, Livi poderia ter conquistado um lugar na categoria de “amiga do ramen” de Emma-chan.

“E aí, Emma,” respondeu Livi com um sorriso gentil e um aceno.

   No início, Emma-chan havia sido fria com Livi, mas agora elas pareciam boas amigas. O efeito do ramen era inegável.

   Mas— “Emma cumprimentou a Livi…!?” A voz chocada de Charl interrompeu o momento emocionante.

“Por que você está tão surpresa…?” Sua reação extrema me levou a perguntar. Não só eu — todos, incluindo Emma-chan e Livi, se viraram para Charl.

“Ah, não…” Charl desviou o olhar, mexendo no cabelo sem jeito. Era difícil ver seu comportamento como algo além de suspeito.

   Livi, sentindo a tensão, coçou a bochecha e explicou com um sorriso tímido.

“Haha… É que a Emma costumava me odiar.”

“Hã, por quê…?” perguntei. Livi não me parecia uma pessoa má. Ela podia ser barulhenta, mas “ódio” parecia uma palavra forte.

“Quando a Lottie estava na Inglaterra, eu a visitava bastante. Quando eu estava lá, a Lottie conversava comigo, então a Emma não podia ficar sozinha com ela, né? É por isso que a Emma não gostava de mim.”

   Era esse o motivo? — Eu estava cético, mas a expressão de desculpas da Charl confirmou. Quando vimos a Livi na Estação Okayama, a Emma-chan não reagiu como se a tivesse reconhecido. Talvez o olhar dela não fosse *Quem é essa?*, mas sim *Por que ela está aqui?*.

   Lembrei-me dos primeiros dias da Emma-chan no Japão, quando ela procurava pela Charl se ela não estivesse por perto ou chorava se a Charl não estivesse lá quando ela acordasse. O apego dela à irmã era intenso. Se ela só se abrisse com a família, a Livi poderia parecer uma intrusa roubando sua amada irmã. O comentário de Charl sobre Emma-chan não se dar bem com estranhos provavelmente se referia a Livi.

   Isso era ruim. As peças não se encaixavam. Mesmo que Livi e eu fingíssemos nos conhecer pela primeira vez, a mudança de atitude de Emma-chan em relação a Livi não poderia ser facilmente explicada, e a suspeita de Charl provavelmente persistiria.

   O que fazer...? — Enquanto eu buscava desesperadamente uma resposta, Livi me lançou uma tábua de salvação.

“Como a Lottie me disse no aplicativo de mensagens, talvez seja porque a Emma começou a se abrir para pessoas de fora da família?”

   Aparentemente, Charl havia compartilhado as mudanças de Emma-chan com Livi. Aproveitei a oportunidade. “É, pode ser isso. Ela também começou a acenar de volta para as tias da vizinhança, então talvez a visão da Emma-chan sobre a Livi tenha mudado. Certo, Emma-chan?”

   Direcionei a pergunta a Emma-chan, que, sem prestar atenção na conversa, olhou para nós sem expressão, mas assentiu vigorosamente quando falei. “Mhm…! Livi, amiga…!” Ela não estava entrando na brincadeira — ela realmente via Livi como uma amiga. Eu estava preocupada que ela pudesse dizer “amiga do ramen,” mas sua brevidade nos salvou.

“Entendo, faz sentido,” disse Charl, aparentemente convencida por nossas palavras e pelo aceno entusiasmado de Emma-chan.

   Ufa, crise evitada. — Aliviado, incentivei Charl e Livi a se sentarem no sofá e levei Emma-chan para a sala de jantar.

“…”

“—Hum, eu não entendi o que eles estavam dizendo, já que era em inglês, mas a Charlotte-senpai está olhando para Akihito-senpai…?” A voz de Kousaka-san chegou até mim fracamente.

“Shh, é melhor não mexer com essas coisas. A curiosidade matou o gato, sabe?” Shimizu-san a silenciou.

“Huh?” Kousaka-san parecia confusa.

   Achei que ouvi meu nome e olhei para elas, mas ambas desviaram o olhar. — Imaginação minha?

“Então vou voltar para o meu quarto,” disse Sophia-san, chamando minha atenção.

“Ah, você não vai se juntar a nós?” Eu havia presumido que ela ficaria, dada a sua presença na sala de estar.

“Ter uma senhora idosa por perto deixaria todos desconfortáveis, não é?” Sophia-san deu de ombros com um sorriso irônico.

   Ela tinha razão — já que era essencialmente a mãe da Charl, sua presença poderia deixar os outros desconfortáveis. Kanon-san e eu estávamos acostumados com ela, então não tinha pensado nisso até que ela mencionou. Percebendo que eu entendia, Sophia-san se dirigiu a todos no sofá. “Obrigada a todos por se reunirem hoje pelo bem da minha filha. Como Kanon-chan mencionou antes, preparamos bastante bolo, salgadinhos e bebidas, então, por favor, sirvam-se. Se precisarem de mais alguma coisa, é só avisar o Akihito-kun, e nós providenciaremos. Divirtam-se.”

   Com isso, ela saiu da sala de estar, ignorando as reverências apressadas do grupo. Ela os direcionou a mim em vez de à Kaguya-san, sabendo que os novatos achavam o comportamento frio da Kaguya-san intimidante. Até Akira e Kousaka-san, que não eram estranhos, hesitaram perto dela, então vieram até mim. Meu papel nos bastidores e meu contrato de trabalho de meio período explicavam em parte isso, mas eu já tinha me divertido bastante ontem à noite e esta tarde, e estaria com Charl depois da festa também.

“Vamos começar com a música de aniversário?” Kanon-san sugeriu, e todos cantamos a canção clássica. Quando terminou, todos os olhares se voltaram para mim. Da última vez, Charl havia dito, mas agora era minha vez de gritar: “Viva!”

   Enquanto eu gritava, Kanon-san, Emma-chan e Livi, que conheciam a tradição, junto com o grupo japonês que eu havia preparado, gritaram: “Viva!” O grupo japonês, com exceção de Kanon-san, estava visivelmente constrangido com o costume desconhecido, mas gritaram alto. Livi e Emma-chan comemoraram com alegria, e eu percebi que Charl estava cercado por amizades realmente incríveis.



◆ ◆ ◆



“Quem vai primeiro?” Após a música, Charl apagou as velas do bolo e, antes de começarmos a comer, decidimos trocar presentes. Shimizu-san olhou ao redor do grupo.

“Eu já dei o meu, então decidam entre vocês,” disse Kanon-san, revelando que já havia dado o presente para Charl.

   Presumindo que eu também tivesse dado o meu, Shimizu-san, Kousaka-san e Akira começaram a discutir. Karin, no entanto, não se juntou a eles e se aproximou de mim.

“Hum… Você acha que a Charlotte-san não vai gostar do meu presente…?” Sua voz tremia de ansiedade, sua timidez a deixando preocupada com a reação de Charl.

“Você acha que a Charl é do tipo que não gosta de um presente de alguém que está comemorando o aniversário dela?” perguntei gentilmente.

“Ah…” Os olhos de Karin se arregalaram, como se ela tivesse percebido algo. Em vez de tranquilizá-la com um genérico *Ela vai adorar*, apontar a natureza gentil de Charl ressoou mais com ela. Sabendo que Charl não julgaria seu presente com severidade, a preocupação de Karin pareceu diminuir.

“Tudo bem ir atrás do Akira e das outras, mas certifique-se de entregar para ela,” incentivei, dando-lhe um empurrãozinho para frente.

“Certo…!” Karin assentiu firmemente e foi em direção ao grupo de Akira, mas não se juntou à discussão, provavelmente esperando que eles fossem primeiro. Contanto que ela estivesse crescendo, mesmo que lentamente, isso era o suficiente.

   A discussão ficou acalorada, mas acabou se acalmando.

   Shimizu-san pegou um presente e se aproximou de Charl, com Kousaka-san se juntando a ela. “Aqui, Charlotte-san. Isso é de nós duas,” disse Shimizu-san.

“Escolhemos algumas roupas que podem combinar com você, Charlotte-senpai,” acrescentou Kousaka-san.

   Parecia que elas tinham comprado o presente juntas, possivelmente durante o tempo em que estiveram na Estação Okayama. “Muito obrigada, estou muito feliz,” disse Charl, segurando o presente delicadamente e sorrindo.

“Posso abrir?” perguntou ela.

“Claro!” Shimizu-san assentiu com um sorriso.

“Espero que goste…” disse Kousaka-san, com um toque de preocupação na voz.

   Charl desembrulhou cuidadosamente o presente, revelando um suéter branco e felpudo.

“—Oh, parece tão quentinho,” disse ela, com os olhos brilhando. Era perfeito para a estação e incrivelmente macio, embora eu esperasse algo mais sofisticado deles. Mesmo assim, o design fofo combinava perfeitamente com Charl — ela ficava adorável com qualquer coisa.

“Conversamos bastante, mas além de combinar com a Charlotte-san, escolhemos algo que o Aoyagi-kun gostaria,” explicou Shimizu-san.

“Já que a Charlotte-senpai se importaria mais com a opinião do Akihito-senpai sobre ela,” acrescentou Kousaka-san.

   Então esse foi o raciocínio delas. Eu preferia roupas mais jovens e apropriadas para a idade do que roupas mais maduras, e a escolha atenciosa de ambas refletia a compreensão que tinham da Charl.

“Obrigada…” disse Charl, corando enquanto olhava para o suéter, claramente encantada.

“—Ah, é por isso que eu disse para me deixarem ir primeiro…!” O resmungo de Akira quebrou a atmosfera acolhedora. Eu entendi a frustração dele — o presente deles tinha estabelecido um padrão muito alto.

“Um cara que não é namorado dela não deveria ir primeiro, certo?” retrucou Shimizu-san.

“A Charlotte-senpai ficaria feliz com qualquer presente, então os rapazes não precisam se preocupar com detalhes,” acrescentou Kousaka-san, em tom seco.

   Os olhares frios deles atingiram Akira em cheio, e a rara aspereza de Shimizu-san foi particularmente marcante. “Vocês duas, peguem mais leve com ele...” eu disse, intervindo para aliviar a tensão. O olhar agradecido de Akira dizia *Obrigado por me salvar*.

“Fico feliz em receber qualquer presente,” acrescentou Charl, defendendo Akira. Suas palavras provavelmente eram sinceras — ela apreciaria qualquer presente dado com gentileza.

“Tudo bem então... Não é nada de especial, mas aqui está,” disse Akira, um pouco formal, enquanto entregava a Charl uma pequena sacola.

“Obrigada. Posso abrir?” perguntou Charl com um sorriso, e Akira assentiu levemente, sua falta de confiança me intrigando.

   Curiosas, Shimizu-san e os outros observaram Charl abrir lentamente a sacola, enfiando a mão dentro sem olhar. Seu sorriso gentil sugeria que ela havia descoberto o conteúdo pelo tato. Ela tirou um lenço macio, de cor rosa.

“Você disse que gostava de rosa antes, então…” Akira explicou rapidamente, provavelmente se lembrando das preferências de Charl de quando ele a cortejava.

“Obrigada, é lindo,” disse Charl, olhando para o lenço com a mesma alegria que sentira pelo presente de Shimizu-san.

“Um lenço, hein? Meio inesperado,” disse Shimizu-san.

“Não é? Eu realmente achei que o Saionji-senpai escolheria algo estranho,” acrescentou Kousaka-san sem rodeios.

“Vocês são cruéis!” Akira retrucou, exasperado.

“Hehe…” Charl riu baixinho, como se estivesse assistindo a uma esquete de comédia, mas eu me arrepiei por dentro com a acidez das garotas.

   Então, notei os olhos semicerrados de Kaguya-san e o sorriso irônico de Kanon-san. “Um lenço de presente não é exatamente normal…” Kanon-san sussurrou.

“Afinal, é só um lenço. Bem, as pessoas dão lenços sem pensar muito hoje em dia, então tudo bem. O Saionji-kun provavelmente o escolheu a sério,” murmurou Kaguya-san.

“Mesmo que ele o tenha escolhido sem pensar, ironicamente reflete os sentimentos dele pela Charlotte-sama…” acrescentou Kanon-san.

   Os sussurros delas despertaram minha curiosidade — será que havia algo significativo em um lenço? — Era prático e atencioso, mas anotei mentalmente para pesquisar mais tarde.

“Próximo… Minha vez…” Karin deu um passo à frente hesitante, e todos prenderam a respiração, observando-a atentamente para não assustá-la. O silêncio era pesado, mas Karin parecia imperturbável. “Hum, isto… Aqui…” Ela estendeu uma sacola plástica, com a mão tremendo levemente.

“Obrigada, Karin-chan,” disse Charl carinhosamente, chamando-a pelo nome para reconhecer sua coragem. O rosto de Karin se iluminou com um sorriso bobo, claramente encantada.

“Posso abrir?” perguntou Charl.

“Mmh…!” Karin assentiu vigorosamente, seu entusiasmo cativante.

   Charl abriu a sacola e seus olhos se arregalaram em surpresa, paralisando-a no lugar. Todos observaram curiosos. “U-Uhm, Charlotte-san...? Foi... ruim...?” perguntou Karin, com a voz trêmula de preocupação.

“Você mesma fez isso, Karin-chan?” perguntou Charl, sua expressão suavizando-se em um sorriso gentil.

“S-Sim… Desculpe… É estranho, né…?”

“Estranho? De jeito nenhum. É a primeira vez que recebo algo tão incrível feito à mão,” disse Charl, lentamente tirando o conteúdo da caixa — um boneco feito à mão, modelado a meu respeito.

“Uau…! É o Aoyagi-kun, não é!? Feito à mão!?” exclamou Shimizu-san.

“Ouvi dizer que você era boa em fazer bichinhos de pelúcia, mas você fez isso!?” acrescentou Kousaka-san, impressionada.

“Uma estudante do ensino médio fez isso sozinha em casa…? Isso não é uma habilidade comum…!” disse Kaguya-san, impressionada.

“Capturar as feições do Akihito, mantendo a fofura de um boneco e tornando visualmente atraente… A Karin-chan tem um talento e uma habilidade notáveis,” elogiou Kanon-san.

   A qualidade da confecção da boneca era inegável, demonstrando a incrível habilidade de Karin.

“Eu... não sabia que presente a faria feliz... Mas quanto a bichinhos de pelúcia… a Emma-chan gostou deles... e o Onii-chan também os elogiou...” disse Karin, me chamando de *Onii-chan*, já que apenas Livi, que não falava japonês, desconhecia nosso parentesco. O espanto do grupo pareceu reforçar sua confiança.

“Mas... um gato seria diferente do que eu dei para Emma-chan... Pensei em outros animais... algo que você, Charlotte-san, gostaria mais... Mas não consegui pensar em nada... Então pensei que... um bichinho de pelúcia do Onii-chan... poderia fazer a Charlotte-san feliz...”

“Sim, estou bastante feliz... Vou guardá-lo para sempre...” disse Charl, abraçando o boneco com força, seus olhos marejados de alegria genuína.

“Que bom... que você gostou...” Karin suspirou aliviada, suas ansiedades amenizadas pela reação de Charl.

   Em meu coração, vibrei: Bom trabalho, Karin!, e olhei para Livi, que observava em silêncio. Sem entender japonês, ela talvez se sentisse excluída, mas sua contenção foi inesperada. Ela também poderia ter um presente, então decidi verificar. “Livi, todos já deram seus presentes. Você tem alguma coisa?”

“Ah, desculpe. Na verdade, eu esqueci,” disse Livi com um sorriso preocupado.

   Esqueceu, e não apenas não preparou? — A palavra me incomodou. Alguém que viajou para o Japão para o aniversário de Charl esqueceria um presente? Seu comportamento parecia estranho, mas como os presentes não eram obrigatórios, não insisti.

“Então, é isso por enquanto?” eu disse, tentando encerrar o assunto.

“Do que você está falando? O último ainda vai acontecer, certo?” Shimizu-san interrompeu.

“Ah... Ela disse para pularmos isso por enquanto—” comecei, pensando que ela se referia a Livi.

“Não, não,” disse Shimizu-san, balançando a cabeça em exasperação. “Por que você acha que guardamos o último lugar? O grande final tem que ser o presente do namorado, certo?”

   Percebi que eles me deixaram por último de propósito para encerrar o evento com o presente do namorado, tornando-o uma conclusão perfeita. Mas eu já tinha dado o meu… Enquanto hesitava, Charl falou baixinho. “Na verdade, eu já recebi.”

“O quê, sério!? Aoyagi-kun, por que você se precipitou!?” Shimizu-san reclamou, provavelmente se perguntando por que eu não tinha esperado o momento da entrega dos presentes na festa.

“Já que vocês moram juntos, tiveram várias chances de dar o presente, então a escolha de quando fazer isso é do Akihito-senpai,” disse Kousaka-san, me defendendo. Akira assentiu em concordância.

   Mas Shimizu-san, não convencida, me lançou um olhar insatisfeito. Eu definitivamente levaria uma bronca mais tarde. Com o clima ficando um pouco tenso, Charl se levantou do sofá, chamando a atenção de todos. Ela caminhou lentamente em minha direção e tirou uma pequena caixa — a que continha o anel. Eu entendi por que ela o havia tirado.

“Você consegue refazer isso?,” perguntou ela, com os olhos nervosos, mas resolutos. Ela parecia calma, mas o ato provavelmente era muito difícil para ela.

   Fazer isso na frente de todos era constrangedor, mas eu não podia voltar atrás depois que ela tinha ido tão longe.

“Claro. Kanon-san, por favor, pegue a Emma-chan,” eu disse, entregando a Emma-chan adormecida para Kanon-san. Pegando a caixa de Charl, tirei o anel de noivado.

“É isso…!?” Kousaka-san exclamou, boquiaberta.

“Não acredito, sério!?” Shimizu-san gritou.

“Akihito, você é louco!” Akira disse, atônito.

“Heh… Impressionante,” disse Livi, sorrindo satisfeita.

   Ser o centro das atenções era, como esperado, constrangedor. “Charl, estenda sua mão esquerda,” eu disse.

“Sim…” Charl estendeu a mão esquerda, assim como na noite anterior. Peguei sua mão e coloquei o anel de noivado em seu dedo anelar.

“Este é o presente que recebi do A-kun…” Charl disse, mostrando o dorso da mão esquerda para todos, o rosto corado, mas o sorriso radiante.

“Um anel de noivado como presente de aniversário!? Aoyagi-kun, isso é apelativo demais!” Shimizu-san exclamou.

“Uau, parabéns…! É tão lindo…!” Kousaka-san disse, maravilhada.

“Uau! Vocês dois já vão se casar!?” Akira exclamou, animado.

“O Onii-chan e a Onee-chan estão tão crescidos…!” Karin acrescentou baixinho.

   Os comentários carinhosos e brincalhões de todos nos envolveram, e Charl, com o rosto corado, se agarrou feliz ao meu braço. Provavelmente era essa a reação que ela esperava, e eu não pude deixar de sentir que a alegria dela refletia a minha.

“Ei, deixa eu ver mais de perto…!”

“Uau, um diamante rosa!?”

   Shimizu-san e Kousaka-san se inclinaram ansiosamente, com os olhos fixos na mão esquerda de Charl. Akira, um passo atrás, juntou-se ao grupo, e quando notei Karin hesitante, com o olhar ansioso, mas tímida, acenei para que ela se aproximasse. Ela se animou e correu para se juntar ao grupo, todos observando o anel com curiosidade absorta.

   Apenas Emma-chan, dormindo profundamente, e Kanon-san, Kaguya-san e Livi permaneceram afastadas do círculo animado. Fazia sentido que a sempre composta Kanon-san e Kaguya-san mantivessem distância, mas a ausência de Livi me incomodou. Ela se importava profundamente com Charl, mas se mantinha distante. Quando nossos olhares se encontraram, seu sorriso estava tingido de solidão, e ela balançou a cabeça suavemente.

   O gesto dizia: *Estou bem,* mas contrastava com a minha primeira impressão dela. — Será que eu a estava interpretando mal? Ou será que algo a estava impedindo?

   A curiosidade me corroía, mas forçar Livi — que não falava japonês — a entrar no grupo parecia errado, especialmente sem entender seus motivos. Eu não queria arriscar estragar a alegria de Charl sendo intrometido. Livi havia mencionado ficar no Japão por duas semanas; haveria tempo para descobrir mais tarde.

   Afastando esse pensamento, voltei minha atenção para Charl, que estava radiante de alegria com Shimizu-san e os outros.

“Um diamante rosa da loja da Ojou-sama…” murmurou Kaguya-san.

“Kaguya, nada de comentários indiscretos,” sussurrou Kanon-san bruscamente.

“É verdade, algumas coisas é melhor deixar em silêncio…” A troca de palavras sussurradas insinuava segredos, mas deixei passar, satisfeito em observar a felicidade de Charl se florar.



Traduzido por Moonlight Valley

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