Volume 1

Capítulo 24: A Decisão

No fim, decidimos libertar os Kobolds e ouvir o que tinham a dizer.

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— Entendo... em outras palavras, os pais dele participaram da batalha e...

Ash assentiu com uma expressão dolorosa.

— O inimigo possuía uma grande frota constituída por cem grandes navios, já nossa tribo… Ela comandava apenas trinta que estavam mal preparados. Portanto, não tivemos chance alguma...

Logo então o irmão mais novo, Haine, continuou. — Vendo que não tinha mais saída, a Rainha também se juntou à batalha e tentou ajudar com sua magia. Porém, numa tentativa de salvar a vida do jovem recém-nascido, ela o colocou num baú mágico e confiou a mim e ao meu irmão a proteção dele.

— Mas então nosso navio também foi afundado...

— E a caixa se deslocou para esta ilha. — Falei enquanto observava o filhote em meus braços.

Ash e Haine acenaram com a cabeça.

Logo, o Kobold cinza olhou para o horizonte e acrescentou. — Por sorte, fomos resgatados por aquele navio, ele foi o único que conseguiu fugir sem muitos danos...

Ouvindo tudo isso, o bebê Kobold apenas olhava para mim de forma estranha. Mas no fim de tudo, Ash e Haine eram os verdadeiros guardiões dele; a sua própria mãe havia confiado a eles seus cuidados.

— Bem, de qualquer forma, estou feliz por vocês tê-lo encontrado — murmurei enquanto carregava o filhote até a dupla Kobold.

— Olha... Eles são seus amigos… hm?

Repentinamente, o cachorrinho pulou de volta para o meu peito e se escondeu dentro da minha camisa — em seguida, olhou para mim e chorou tristemente.

— E-ei…

Com isso, decidi explicar o que havia acontecido para os irmãos que observavam essa situação sem entender o que estava acontecendo.

— Fui eu quem abriu o baú... E agora parece que ele se acostumou comigo… ou algo assim.

Ash e Haine olharam um para o outro com descrença.

— Co-como…? A magia veio da Rainha… como ele poderia desfazê-la?

— É quase impossível, mas... sinto uma grande mana dentro dele; é como a da Sua Majestade, não, sendo sincero é mais poderosa. Acho que ele pode não ser um humano...

"E-ei eu sou humano!"

Era o que eu queria dizer, no entanto, ele tinha razão. Se você de algum jeito pudesse ver a quantidade de mana que eu possuía, ela excedia em muito a quantidade que os humanos deveriam ser capazes de portar.

Suor derramava da testa de Ash enquanto ele se virava para mim. Momentos depois ele começou a falar. 

— A maioria de nós, Kobolds da tribo Tiberis, temos pouca mana e não podemos usá-la. Entretanto, a linhagem real é exceção, e assim, podem até mesmo utilizar feitiços avançados… — Ele fez uma breve pausa, respirou fundo e continuou. — Aquele baú, foi selado com magia pela nossa Rainha Alhemina. Mas mesmo assim, você foi capaz de desfazê-la.

Ash voltou-se para Haine e os outros Kobolds como se quisesse suas opiniões; em resposta, seus companheiros balançaram a cabeça com firmeza, e então o Kobold cinza olhou para mim novamente e curvou a cabeça.

— Senhor Hiel... Entendo que isto pode soar insolente, mas devo fazer este pedido. Por favor, você poderia cuidar do jovem mestre?

— E-eu...?

— Sim… Em seus últimos momentos, a Rainha mencionou que futuramente era para nós arranjarmos alguém hábil com magia para criar seu filho. E que se a pessoa era digna ou não, seria determinada por sua capacidade de abrir aquele baú...

Elvan ouviu isso e murmurou em repugnância. — Tsk... Que tipo de mãe faria isso? E, mesmo que pudessem usar magia, quantas pessoas estariam dispostas a criar o filho de alguém sem receber nada em troca?

— Você não está errado. Por isso, fomos destinados a oferecer muitos tesouros da tribo Tiberis como pagamento, mas...

Os Kobolds pareciam cabisbaixos, o que tornava óbvio o que havia acontecido com os seus tesouros.

— Eles estão no fundo do mar… — Declarei enquanto imaginava onde essa conversa me levaria. 

— S-sei que é vergonhoso depois de tudo que fizemos… mas prometo, você poderá fazer o que quiser conosco! Nosso último barco será seu também. — Ash disse ao se curvar até sua cabeça encostar no chão. Os outros Kobolds também fizeram o mesmo.

"Sabia..."

Bem, no fim minhas suspeitas estavam certas e por isso não me importei muito — e, o filhote Kobold parecia muito apegado a mim de qualquer maneira, eu também não tinha objeção alguma em ser pai — no entanto, era provável que houvesse Goblins que não quisessem conviver com o filho da Rainha de uma raça rival. Especialmente Elvan; parecia que seus próprios parentes tinham sido mortos por tal tribo.

Com tanta coisa para me preocupar, não pude responder imediatamente. Porém, alguém caminhou ao meu lado e falou. — Senhor Hiel... aceitaremos, seja qual for sua decisão. — Foi Riena quem disse isto.

— Riena...

— É verdade que nós, Beldans, temos lutado contra a tribo Tiberis por séculos. No entanto, isso está no passado agora. E, praticamente, nossa tribo pertencente a você. Assim, a decisão final é sua. — A Princesa disse ao se ajoelhar.

Ao ouvir isso, Varis e os outros Goblins seguiram seu exemplo. Elvan parecia estar em negação, mas também se ajoelhou.

— Não estaríamos vivos sem sua ajuda Chefe... Além disso, esta ilha é sua. Nós obedeceremos.

— Elvan...

Então eu tinha que decidir...

"O velhote teria adorado essa situação."

Para o Rei de Sanfaris sua opinião era a única que importava. Entretanto, eu não queria seguir algo assim; prefiro ouvir a opinião de todos — talvez por conta da preguiça, pensar muito em algo que não tinha relação à mineração era complicado — Independentemente disso, eu poderia lhes dizer a direção na qual eu queria que esta ilha tomasse.

— Todos. Por favor, me escutem… Não tenho intenção de rejeitar qualquer um que deseje viver aqui. E vocês são sempre igualmente livres para partir. Além disso, se houver necessitados neste grande mar aberto, eu gostaria de ajudá-los... Assim como esta ilha me ajudou — Com uma breve pausa, respirei fundo e então continuei. — Para mim, todas as regras desrespeitosas e preconceituosas do continente estão no passado. Quero tornar essa ilha um lugar onde todos, independente da raça, possam viver em paz, assim, peço que retenham seu ódio, mágoas ou qualquer coisa do tipo, para o bem de todos.

Bem, em primeiro lugar, Sanfaris era um reino que proibia a entrada de monstros; portanto, era impossível viver com Goblins. Mas aqui não era tal lugar. Na verdade... talvez fizesse parte do território do Rei, a rigor... mas ninguém do continente viria aqui.

Eu estava longe das sangrentas batalhas e rivalidades entre os príncipes; viver nesta ilha era muito mais confortável.

— Gostaria de dar as boas-vindas, não só ao filhote, mas a todos os Kobolds a essa ilha. Mesmo que seja só até o navio deles está consertado.

Ao ouvir isso, os olhos de Ash e dos outros Kobolds se encheram de lágrimas. E então todos se curvaram.

— Senhor Hiel... Não tenho palavras para expressar toda a nossa gratidão…!

E assim, novos residentes se juntaram à ilha.


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