O Mago de Água Japonesa

Tradução: Soll

Revisão: Mon


Volume 2

Um Presságio

 

  O Reino de Knightley era um dos países das Províncias Centrais. Nós nos encontramos atualmente em Lune, a maior cidade da fronteira, localizada na parte sul do Reino.

Depois de lavar o suor que acumularam na casa de banho pública, o mago da água Ryo e seus três companheiros de quarto — Nils, Eto e Amon — dirigiram-se à cantina da guilda de aventureiros, onde estavam jantando no momento.

"Ah, é mesmo, Ryo. Você mencionou que ia à biblioteca hoje antes de sair do quarto. Posso perguntar o que você estava procurando?" — perguntou Eto. Comparado aos outros dois, que eram espadachins em treinamento, Eto era um sacerdote. Como se esperaria de alguém com essa vocação, ele estava curioso sobre a pesquisa de Ryo.

"Informações sobre alquimia."

"Isso significa que você pode realizar alquimia também?"

"Não, nunca tentei. Mas tem algumas coisas nas quais quero tentar ficar bom."

No fundo, Ryo queria construir um golem de gelo para limpar o terreno para um arrozal na Floresta de Rondo. No entanto, ele ainda não havia revelado isso a ninguém, então manteve seu desejo em segredo.

"Ouvi dizer que dá para fazer poções usando alquimia, mas aparentemente consome uma quantidade significativa de energia mágica...?"

"Isso mesmo. Comprei um livro de receitas voltado para iniciantes e ele mencionava algo nesse sentido também."

"Você comprou... um livro...?" — Nils perguntou.

Eto, o sacerdote, sorriu com pesar.

Amon, o aprendiz de espadachim, tentou parecer o mais impressionado possível sem saber quanto dinheiro estava em jogo.

"Abel me compensou por guiá-lo, então acho que dá para dizer que foi assim que consegui pagar."

"Isso faz todo sentido!" — respondeu Nils. Abel já era um herói que ele admirava tremendamente. "Eu não deveria ficar surpreso ao saber que ele pode pagar esse tipo de quantia."

Por alguma razão, a menção do nome de Abel trouxe a imagem de Rihya à mente de Eto.

"A senhorita Rihya é realmente um anjo..." — ele murmurou para si mesmo, com as bochechas coradas.

"Eu presumo que os livros sejam caros, então?" — perguntou Amon.

Sua reação extremamente comum fez Ryo se sentir aliviado.

"Ah, verdade" — disse Nils de repente. — "Ryo, o Amon vai formar grupo comigo e com o Eto amanhã para explorar a masmorra. Que tal se juntar a nós?"

"Desculpe, mas terei que recusar." — Ryo baixou a cabeça. — "Tem algo que quero fazer aqui em cima."

"Ahhh, beleza" — respondeu Nils, coçando a cabeça. — "Eu tinha um pressentimento de que você diria isso, então nem esquenta."

Eto riu ironicamente. Ele e Nils estavam cientes da enorme disparidade de poder entre Ryo e os três.

Os dois vinham explorando a masmorra há meio ano, enquanto Amon tinha acabado de chegar à cidade vindo de seu vilarejo, então a diferença de habilidade entre os três era clara. Mesmo assim, era insignificante comparada ao abismo entre eles e Ryo. Nils e Eto entendiam isso claramente. Eles suspeitaram disso quando ele conseguiu se registrar logo de cara como um aventureiro rank D, mas suas suspeitas foram confirmadas quando Ryo derrotou Dan mais cedo naquele dia num só golpe.

A exploração da masmorra progredia mais suavemente com um aventureiro forte, mas sempre havia dois lados na equação: aqueles que trabalhavam duro para acompanhar e aqueles que os lideravam. A exploração colocava uma pressão indevida em ambos os lados dessa equação, por isso a guilda recomendava que pessoas de níveis de habilidade semelhantes formassem grupos.

Em meio a isso, o fato de apenas Ryo se encontrar nessa situação era incomum. Tipicamente, aqueles que acabavam de se registrar como aventureiros não eram considerados particularmente fortes. Ryo era uma das raras exceções. Nem mesmo a guilda havia previsto alguém como ele querendo se mudar para o anexo habitacional, então talvez fosse inevitável.

No dia seguinte, segunda-feira.

"Certo, Ryo, a gente se vê mais tarde."

Com isso, Nils, Eto e Amon partiram para o mergulho na masmorra.

Depois de se despedir deles, Ryo deixou os limites da cidade. Do lado de fora das muralhas, ele começou a correr. O campo de treinamento ao ar livre da guilda servia perfeitamente para essa atividade, mas ele não conseguia evitar se distrair com o movimento no lugar onde morava, então decidiu fazer seu treinamento fora da cidade.

Enquanto corria, ele construía versões microscópicas de gelo da Torre de Tóquio em ambas as palmas das mãos. Exatamente como costumava fazer na Floresta de Rondo. Controle mágico e resistência... seu objetivo era treinar ambos. Quanto mais aumentasse seu controle mágico, mais rápido poderia gerar magia.

Ontem, Ryo havia perdido para a magia de Leonore em vários aspectos, incluindo poder bruto. Felizmente, ele tinha se equiparado a Leonore na velocidade com que conseguia produzir magia. Ele definitivamente não tinha perdido nesse quesito. Isso ficou evidente pelo fato de ter conseguido obstruir a magia dela durante a luta enquanto ela ainda estava em processo de ser gerada.

Era exatamente por isso que ele queria ser capaz de usar sua magia com mais rapidez e precisão. Ele precisava continuar melhorando seus pontos fortes e precisava reforçar suas fraquezas até que deixassem de ser fraquezas.

Nesse aspecto, ele sentiu uma disparidade avassaladora entre eles na velocidade de movimento. Leonore havia fechado uma lacuna de várias dezenas de metros num instante. Ele achava que a razão mais provável para isso era a magia de ar. Infelizmente, Ryo só podia usar magia de água, o que significava que ele precisava encontrar uma maneira de combater a magia de ar dela com sua magia de água...

Na Terra, existia algo chamado propulsão por jato de água. Basicamente, navios de guerra aquáticos sugavam água e a expulsavam por trás, o que os impulsionava para frente. Ryo já havia dominado seu próprio jato de água para cortar coisas, então talvez pudesse usar isso.

Além disso, na realidade, ele já havia usado seu feitiço Jato de Água para se mover de um lugar para outro quando se lançou para fora do mar durante suas batalhas contra o cardume de iscas e o kraken, anos atrás. Ele havia gerado o Jato de Água das solas dos pés para se lançar diretamente para cima através da superfície da água.

Naquela época, ele estava sob uma quantidade tão incrível de tensão mental que simplesmente não teve cabeça para pensar no risco de falhar, mas... sem preparação, Ryo conseguiu realizar o feito justamente quando mais precisava, então ele sabia muito bem que era possível.

No entanto, o problema agora era tentar descobrir como produzir isso vindo de trás numa batalha terrestre. Talvez disparar Jatos de Água das costas...? Essa poderia ser sua única opção, mas ele não quebraria o pescoço? Teria que disparar um jato da parte de trás da cabeça também. É, esse era o caminho — mas então ele começou a se perguntar se isso não daria um efeito chicote intenso em seus membros... Ok, então ele tinha que disparar dos ombros, braços, bunda, isquiotibiais e calcanhares também...?

Parecia que ele teria que lançar os Jatos de Água de cada parte da parte posterior do corpo. Por enquanto, ele tinha uma ideia de como visualizar isso, mas queria começar o menor possível em sua primeira tentativa.

"Se eu congelar o chão usando Pista de Gelo, devo ser capaz de me impulsionar para frente facilmente com um fluxo fraco de Jato de Água...?"

Com esse pensamento, ele começou a colocar seu plano em ação imediatamente.

"Pista de Gelo."

Primeiro, ele congelou o chão. Então, em sua cabeça, imaginou disparar Jatos de Água de cada parte de suas costas.

"Jato de Água 256."

Atualmente, o maior número de Jatos de Água que ele conseguia produzir era duzentos e cinquenta e seis, então ele imaginou essa quantidade explodindo das costas de seu corpo. O que realmente aconteceu foi...

"Não estou me movendo..."

Nem um centímetro. A sensação foi de ter se movido apenas um pouquinho minúsculo.

Os joelhos de Ryo cederam e ele desabou no chão de quatro em sua pose habitual de desespero.

"Eu perdi..."

Evidentemente, algo o havia derrotado...

Um minuto depois...

"Bom, acho que não consigo fazer isso ainda... Mas acho que tenho uma chance se conseguir aumentar o número de jatos de duzentos e cinquenta e seis para mil e vinte e quatro!"

Ele se levantou. Então começou a correr novamente.

Nils, Eto e Amon estavam no quarto andar da masmorra, onde os goblins apareciam pela primeira vez. Sozinhos, goblins não eram grande coisa. Comparados aos lobos menores que apareciam até o 3º andar, derrotar um goblin era bem fácil.

Infelizmente, goblins tinham armas e às vezes atacavam em grupos. Geralmente usavam espadas quebradas, lanças e coisas do tipo, mas também havia goblins que usavam arcos e flechas, embora fossem raros. Ainda mais raros eram os goblins que usavam magia.

Contanto que você evitasse esses tipos mais raros de goblins e não deixasse grupos deles te cercarem, os monstros eram fáceis de derrotar. No entanto, nenhum recurso podia ser extraído deles, o que significava que nada deles podia ser vendido além de suas pedras mágicas.

"Cara, a caçada vai muito mais rápido com outro espadachim, né?" — Nils sorriu com entusiasmo enquanto pegava uma pedra mágica do goblin que acabara de matar.

"Realmente vai" — disse Eto. — "A velocidade com que progredimos é especialmente óbvia contra goblins."

Como era sacerdote, Eto focava quase exclusivamente na cura durante o combate, mas ajudava a coletar materiais e pedras mágicas depois. Dos três, ele era na verdade o melhor nessa atividade.

"Sinto que os goblins são mais fáceis de derrubar porque se movem mais devagar comparados aos lobos menores" — disse Amon. Diferente de Nils e Eto, ele ainda não estava acostumado a coletar pedras mágicas. Ainda assim, fazia o melhor para continuar tentando, um pouco de cada vez.

"Certo, pessoal. Vamos fazer uma pausa."

À ordem de Nils, os três sentaram para descansar com as costas apoiadas em pedregulhos. Dito isso, uma pausa não mudava o ambiente, ou seja, a masmorra. Ali dentro, descansar não fazia nada para aliviar a fadiga mental. Mesmo assim, era vital agendar pausas regulares.

Como aventureiro, Nils era do tipo cauteloso que gostava de tomar muitas precauções extras durante suas expedições. Amon era extremamente grato por sua natureza cuidadosa, já que ainda era muito iniciante em mergulhos em masmorras.

"Amon, certifique-se de beber água e lamber sal também, ok?" — Nils também era do tipo que gostava de cuidar dos outros.

"Isso me lembra... Você disse a mesma coisa ontem depois que corremos, sobre o sal."

"Pois é. Supostamente, é bom ingerir água e sal depois de suar. É uma tradição no meu vilarejo."

"Deusa Mãe, empreste-me sua mão curativa. Cura Menor" — disse Eto, lançando o feitiço no braço ferido de Amon.

"Haaa. Caramba, essa foi por pouco."

Nils extraiu a pedra mágica de um goblin arqueiro que fazia parte do grupo de goblins que acabaram de derrotar. Eles haviam deixado o quarto andar da masmorra para trás e agora estavam no quinto, mas não havia relatos de goblins empregando arqueiros ali.

"Não estou gostando nada disso. Não deveria haver goblins arqueiros no 5º andar. Conseguimos nos virar de alguma forma já que o grupo era feito de apenas três goblins, mas ainda assim, fico inquieto sobre o que pode haver mais à frente."

Enquanto Eto curava Amon, Nils terminou de extrair as pedras mágicas dos dois goblins restantes.

"Você tem razão. Hora de voltar para a superfície. Encerramos por hoje. Um pouco mais cedo do que o planejado, mas está tudo bem, já que lucramos mais do que o normal, mesmo com o saque dividido entre três." — Nils sorriu largamente.

Sobrevivência era a coisa mais importante. Mesmo sem recordar as palavras de Abel, Nils entendia o valor da vida por causa de experiências passadas. Nunca exagere. Você deve sempre guardar energia suficiente para retornar em segurança. Nils sabia o quão importante isso era.

Uma hora depois que os três residentes do Quarto 10 se retiraram do 5º andar, o grupo de rank E, Ondas Eternas, encontrou sua aniquilação no mesmo andar.

"Por que tem tantos malditos goblins neste andar?! Isso não devia ser possível!"

"Minha magia está acabando... Não consigo continuar..."

"Ngh... Merda... Gah..."

"Socorro..."

Os cinco aventureiros de rank E silenciaram, então sucumbiram ao sono eterno.

"Se-Senhorita Nina..."

"Oh, olá, vocês três. Bem-vindos de volta. Terminaram cedo hoje, hm?"

"Terminamos. Vo-Você está lindeu..."

Justo quando Nils estava à beira de fazer papel de bobo completo tropeçando nas palavras, Eto interveio dando um golpe no topo da cabeça do amigo para fazê-lo calar a boca.

"Voltamos cedo por causa de um goblin arqueiro no 5º andar."

Após explicarem as circunstâncias a ela, Eto mostrou a Nina a pedra mágica que haviam extraído do goblin arqueiro. A diferença entre a pedra mágica de um goblin normal e a de um goblin arqueiro estava apenas na ligeira disparidade de tamanho, mas Nina, a recepcionista, reconheceu num único olhar que a pedra que Eto estendia pertencia a um goblin arqueiro.

"Esta é de fato uma pedra mágica de um goblin arqueiro... Não temos relatórios deles no 5º andar há vários anos. Vou avisar o Mestre da Guilda imediatamente e depois atualizarei a seção de notas do quadro de avisos. Muito obrigada por nos informar."

Nina se afastou do balcão de recepção e dirigiu-se ao escritório do Mestre da Guilda.

"Ahhh, Senhorita Nina..." — Nils murmurou, atordoado.

"Haaa... Nils, vamos. Precisamos vender as pedras mágicas."

E com isso, Eto e Amon arrastaram Nils para o balcão de compra de pedras mágicas.

O Mestre da Guilda de Lune, Hugh McGlass, travava sua guerra sem fim contra os documentos empilhados em sua mesa quando ouviu uma batida na porta do escritório.

"Entre" — disse ele.

À primeira vista, ninguém esperaria que um gigante com aparência feroz como ele tivesse algo a ver com papelada, mas estariam terrivelmente enganados. Simplesmente não havia como o mestre da maior guilda de aventureiros da fronteira evitar a papelada. O papel exigia léguas a mais de poder de processamento do que a pessoa média possuía — seria impossível administrar uma organização tão massiva de outra forma.

"Com licença, Mestre" — disse Nina ao entrar. Mesmo com Hugh continuando focado nos documentos à sua frente, Nina prosseguiu sem esperar pelo sinal dele. Toda a equipe da guilda de aventureiros de Lune conhecia as ordens permanentes de Hugh de ir direto ao assunto. — "Tenho notícias urgentes. Momentos atrás, um grupo composto pelos aventureiros de rank F Nils, Eto e Amon veio à recepção e relatou ter encontrado goblins arqueiros no quinto andar da masmorra."

"Goblins arqueiros no 5º andar?" — perguntou Hugh. Essa notícia foi o suficiente para fazê-lo desviar a atenção da papelada e encarar Nina com surpresa. — "Mas eles deveriam estar no 10º andar e nos mais profundos."

"Precisamente."

"Isso pode ser um mau presságio, então. Quais grupos de rank B estão atualmente na cidade?"

"A Espada Carmesim e a Brigada Branca."

"A Brigada Branca inteira? Incluindo Phelps e o exército dele?"

"Sim, senhor" — respondeu Nina sem hesitação. — "Eles retornaram de uma expedição anteontem e ainda estão aqui."

"Certo, quero que convoque tanto a Espada Carmesim quanto a Brigada Branca. Diga a eles para virem aqui ao meu escritório em uma hora para um trabalho."

"A Brigada Branca também? Eu não sou muito bom em lidar com eles..."

"Como você pode dizer isso, depois de todo esse tempo? Especialmente já que vocês são todos conhecidos de infância."

"Honestamente, Abel, tudo o que você faz é reclamar. Deveria seguir o exemplo do Warren de vez em quando."

Como sempre, Warren permaneceu em silêncio.

Abel, Rihya, Lyn e Warren estavam parados no corredor do lado de fora do escritório do Mestre da Guilda. Tinham vindo a pedido dele.

"Haaa..."

Abel exalou e então bateu na porta.

"Entrem."

"Com licença."

Com isso, Abel entrou na sala. Exatamente como previra, encontrou Hugh, o Mestre da Guilda, junto com o capitão da Brigada Branca, Phelps, e sua vice-capitã, Shenna, lá dentro.

"E aí, Abel" — disse Phelps amigavelmente. Ele media aproximadamente a mesma altura que Abel, um metro e noventa, mas sua estrutura era muito mais esbelta. Ele tinha vinte e quatro anos, cabelos dourados e olhos azuis. E também era muito bonito.

Sua popularidade estava nas alturas. Enquanto Abel era popular entre homens e mulheres, Phelps era ridiculamente popular com as mulheres em particular. Claro, isso não significava que os homens o odiassem. Geralmente, apenas tinham inveja dele. Fora isso, sem exceção, todos o respeitavam como aventureiro. Foi isso o que ele havia conquistado até agora.

"Olá, Phelps" — disse Abel, de cara feia.

Phelps sorriu, divertido. — "Você sempre me cumprimenta do mesmo jeito, né, Abel?"

Assim que os quatro membros da Espada Carmesim se sentaram, Hugh falou.

"Agradeço à Espada Carmesim e à Brigada Branca por responderem ao meu chamado. Meu pessoal já deve ter contado pra vocês o resumo sobre os goblins arqueiros no quinto andar da masmorra."

"Mestre, quão precisa é essa informação?" — perguntou Phelps.

"Cem por cento precisa. Três aventureiros rank F derrubaram um trio de goblins, um deles sendo um arqueiro. Trouxeram a pedra mágica e a Nina verificou na recepção."

"Um grupo rank F caçou um grupo de goblins, incluindo um arqueiro? Parece que o futuro acabou de ficar mais interessante, hein?" — Abel parecia encantado. Como um aventureiro veterano, ficava feliz em ouvir sobre novatos tão promissores.

"Nils é o líder deles e o garoto tem a cabeça no lugar. Sempre cuidadoso com as tomadas de decisão. Tenho certeza absoluta que ele vai durar muito tempo como aventureiro" — respondeu Hugh, dando a eles seu selo de aprovação.

"Espera, Nils? Então o grupo era formado pelos três colegas de quarto do Ryo?"

"É. Nils, Eto e Amon. Não fazia ideia que você conhecia eles, Abel."

"Bom, tive a chance de conversar um pouco com eles há um tempo..." — Abel assentiu levemente, um sorriso suave no rosto enquanto recordava seu encontro com eles no restaurante. Eles definitivamente serão bons aventureiros, já que entendem a importância de permanecerem vivos.

"Ok, entendi que o avistamento foi confirmado. Então, o que exatamente você está nos pedindo para fazer, Mestre?" — perguntou Phelps.

"Certo. Quero que a Espada Carmesim e a Brigada Branca desçam na masmorra e verifiquem se outra Grande Maré está vindo ou não."

Todos na sala ficaram tensos à menção das palavras "Grande Maré". A Grande Maré era um fenômeno que ocorria uma vez a cada poucos anos na masmorra de Lune, quando a população de monstros explodia. Monstros que deveriam existir apenas nos andares mais profundos começando a aparecer nos superiores era um presságio de uma Grande Maré.

Havia alguns casos normais de monstros de andares inferiores aparecendo nos superiores. Por exemplo, as formigas operárias no primeiro andar provavelmente cavavam túneis de baixo para cima até o primeiro andar. Isso explicava por que o primeiro avistamento de formigas operárias no 1º andar havia sido relatado seis meses atrás, mas não fora considerado um prenúncio de uma Grande Maré.

Um goblin arqueiro, no entanto, era uma história diferente. Embora devessem estar no 10º andar e abaixo, um havia sido descoberto no 5º andar, tornando extremamente provável que isso fosse, de fato, um presságio de Grande Maré.

Além disso, dez anos haviam se passado desde a última Grande Maré, então já estavam bem atrasados para que uma ocorresse.

"Vou pagar cem moedas de ouro adiantado e duzentas para cada um depois que voltarem."

"Mestre da Guilda, só para confirmar. Tudo o que temos que fazer é verificar se há um surto ou não, certo?" — disse Abel, repetindo a descrição do trabalho.

"É, acertou na mosca."

"E se houver um surto?" — perguntou Phelps. Ele queria confirmar como deveriam proceder nesse caso.

"Vocês arrastam as bundas de volta pra superfície o mais rápido possível e se reportam a mim. Estarei na filial esperando por todos vocês. Se isso for outra Grande Maré, o plano é abandonar a entrada da masmorra e interceptar os monstros na superfície, contendo eles dentro da muralha dupla. A guilda vai trabalhar junto com os cavaleiros do marquês. Já falei com ele sobre essa missão em que estou mandando vocês e sobre o plano de contra-ataque também."

Os nervos de todos subiram mais um nível ao ouvir isso. Hugh informou o senhor da região sobre sua estratégia que significava que ele já estava certo sobre uma Grande Maré. Não havia outra conclusão a tirar de suas palavras.

"Preciso que todos vocês entrem na masmorra amanhã de manhã. Tenho um mau pressentimento de que terei que pedir a todos os aventureiros ainda na cidade para ficarem de prontidão na guilda depois de amanhã. Já colocamos um aviso no quadro da guilda dizendo que os mergulhos na masmorra estão proibidos a partir de amanhã. Claro, a filial perto da masmorra foi notificada e eles estarão prontos para impedir qualquer um de descer amanhã."

Hugh havia feito todos os movimentos que podia. O gigante de aparência feroz podia parecer um brutamontes por dentro e por fora, mas as aparências enganavam. Ele não era apenas o Mestre da Guilda de Lune, mas também um ex-aventureiro de rank A. Ele não poderia ter alcançado nenhum dos postos sem um cérebro de primeira classe também.

"Espada Carmesim, Brigada Branca, vocês aceitam o trabalho?"

"Sim, a Espada Carmesim aceita."

"Assim como a Brigada Branca."

 

 

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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