O Mago de Água Japonesa

Tradução: Soll

Revisão: Mon


Volume 2

Capítulo 5: Além do Portão

 

Abel não sabia o que havia acontecido. Em um momento, sentiu seu corpo flutuar. No seguinte, estava aterrissando no chão, seus arredores completamente diferentes do que eram antes. Ele se encontrou em um prado que se estendia por eras em todas as direções...

Olhou para a esquerda e para a direita e ficou um pouco aliviado ao ver Rihya, Lyn e Warren. Não muito longe, avistou Arthur e o restante da equipe de pesquisa do Departamento.

"Rihya, Lyn, Warren, vocês estão todos bem?"

"Sim."

"Aham."

Warren assentiu.

"Arthur, e você?" — chamou Abel para o conselheiro do Departamento.

"Estou bem. Parece que o resto da minha equipe também foi transferido, hein?" — respondeu Arthur enquanto examinava os arredores.

"O que você quer dizer com 'transferido'?"

"Há muito tempo, experimentei exatamente a mesma coisa em uma masmorra nas Províncias Ocidentais. Não sei dizer ao certo se estamos em outra camada da masmorra ou em algum lugar totalmente diferente. Mas... acredito que fomos movidos à força" — explicou Arthur enquanto se aproximava de Abel e seu grupo.

Os membros da equipe de pesquisa do Departamento se levantaram e o seguiram naturalmente. Vários deles seguravam detectores de magia residual.

"Os detectores estão funcionando normalmente?"

"Sim, estão, senhor. Acho que estão transmitindo os dados desta localização para a equipe de análise na superfície..."

"O que significa que ajuda pode vir para nós, certo?!" — disse Lyn alegremente.

"Eu me pergunto..." — A expressão de Arthur era duvidosa.

"Algo está claramente te incomodando, Arthur, né?"

"Sim. Este espaço. Rihya, você não acha que se parece com algo?"

Rihya, a sacerdotisa, contemplou a pergunta do conselheiro enquanto olhava para o céu. Depois de um curto tempo ponderando, a resposta veio a ela.

"Parece uma Praça Santuário..."

Apenas sacerdotes e sacerdotisas de alto escalão podiam usar Praças Santuário. Eram um tipo de Magia de Defesa Absoluta que diziam ser milagres divinos. A capacidade de uma Praça Santuário de repelir todos os tipos de ataques mágicos e físicos tornava a alcunha de "milagre divino" adequada.

No entanto, o fato de esta situação se assemelhar a uma Praça Santuário significava...

"Basicamente, você está dizendo que estamos presos dentro de algum tipo de barreira?" — perguntou Abel.

"A probabilidade é alta, sim" — respondeu Rihya. — "Embora, seja tão massiva que não dá para saber onde está o limite."

No mínimo, então, eles estavam aprisionados em um local potencialmente perigoso. Até Abel entendia isso. Por enquanto, precisavam investigar suas circunstâncias atuais.

"Lyn, você se importa de usar Sonda para ver se há algo ao nosso redor?"

"É pra jááá! Traga-me o pulso e a existência da vida. Sonda."

Seu feitiço se espalhou pelo ar e retornou informações para ela.

"Um grande número de formas de vida detectado em uma área a cerca de quinhentos metros naquela direção. Eu diria cerca de mil pessoas? Além delas, há também cinquenta formas de vida adicionais que nunca encontrei antes."

"Mil pessoas..." — murmurou Abel.

"Bem, a resposta mais provável é que Clive e seu pessoal foram despejados aqui conosco" — disse Arthur.

"Parece que fomos arrastados junto com os canários. Nenhum de nós teve tempo de escapar, hein? Que pé no saco... De qualquer forma, nossa única opção é seguir naquela direção..."

"É, acho que você está certo."

Então a Espada Carmesim e a equipe de pesquisa do Departamento de Magos Reais começaram a caminhar em direção à suposta localização da equipe da Universidade Central.

Abel e os outros encontraram a equipe de pesquisa da Universidade quando chegaram ao local designado. No entanto, não tiveram tempo de verificar os arredores, porque dezenas de explosões de magia de fogo voaram abruptamente em direção ao grupo da Universidade, que parecia atordoado.

"Gaaaaaahhh!!!"

"Queima, queima, queima!"

O inferno se desencadeou. Havia poucas situações em que a frase se aplicava e esta era definitivamente uma delas.

No fim das contas, eram pesquisadores. Além disso, nem todos tinham conexão com magia. Se alguma coisa, a maioria deles não podia usar magia. Era norma que pesquisadores que se destacavam em magia trabalhassem para a Faculdade de Magia em vez da Universidade Real Central.

Isso, combinado com o fato de que quase nenhum deles tinha experiência em campo de batalha, significava que era natural que pessoas como eles fossem incapazes de lidar com um ataque repentino.

Aqueles que responderam foram os aventureiros.

"Magos, preparem as Barreiras Mágicas!"

Uma Barreira Mágica era um tipo de magia não elementar capaz de rejeitar muitas magias ofensivas. Era uma magia defensiva incrivelmente poderosa que até magos novatos podiam usar. Podia-se até dizer que era um dos primeiros feitiços aprendidos por magos que iam em aventuras ou para a batalha.

No entanto, não era de forma alguma durável. Por essa razão, magos mais avançados frequentemente usavam um método chamado contra-aniquilação, no qual disparavam sua própria magia ofensiva contra a de seu oponente para obliterar suas salvaguardas. Infelizmente, em uma situação como esta, onde tantos não combatentes precisavam ser protegidos... eles não tinham escolha a não ser usar o feitiço Barreira Mágica.

"Merda! Que diabos são aquelas coisas?"

"Não sei. Nunca vi monstros como aqueles até agora... E devem ser monstros, com aquelas caudas e tudo mais."

As criaturas bípedes mediam dois metros de altura e ficavam de pé. Algumas vestiam o que parecia ser armadura, enquanto outras estavam vestidas com mantos. De longe, poderiam ser facilmente confundidas com humanos, não fosse por uma grande coisa que as diferenciava dos humanos: suas grandes caudas reptilianas. Uma inspeção mais detalhada revelou rostos em algum lugar entre o de um humano e o de um lagarto... Talvez o termo grotesco as descrevesse bem.

Ao ouvir a pergunta de um aventureiro, o outro também não conseguiu fornecer uma resposta clara.

Mas então o Presidente Clive Staples, parado ali imóvel, olhos bem abertos, sussurrou:

"Aquilo é um... demônio..."

Embora tenha falado incrivelmente baixo, um aventureiro próximo o ouviu. Era um aventureiro de rank C, líder do grupo contratado por Clive na capital real.

"Clive, você acabou de dizer 'demônio'?"

"S-Sim, eu disse... Só li sobre eles na literatura de referência, mas aquelas características batem exatamente..." — disse Clive, incapaz de desviar o olhar dos demônios.

"Maldição... Tem cinquenta deles. Isso tem que ser uma piada."

O líder também ouvira várias lendas sobre demônios. Ouvira que eram antagonistas de deuses e anjos, que magia não era eficaz contra eles, que humanos nunca poderiam esperar derrotá-los, que tudo o que você encontraria ao encontrar um era... desespero.

Os aventureiros empregados pela equipe de pesquisa da Universidade lutaram bravamente. Enquanto protegiam os pesquisadores com Barreiras Mágicas, cronometravam sua contraofensiva com magia ofensiva. Mas, exatamente como as lendas afirmavam, os demônios repeliram todos os seus ataques mágicos.

Nesse ponto, restava apenas uma opção viável: combate corpo a corpo. No entanto, como os demônios se recusavam a se aproximar, os aventureiros não tiveram escolha a não ser levar a luta até eles. Cem metros os separavam. Levaria mais de dez segundos para fechar a distância. Durante esse tempo, precisavam chegar perto o suficiente para evitar serem atingidos pelas magias dos demônios.

Eles desviariam de suas magias, bloqueariam com as suas próprias ou repeliriam com escudos? Cada grupo tinha o know-how para evadir magia ofensiva e entrar no alcance corpo a corpo através da experiência. Havia monstros que usavam principalmente magia de ataque de longo alcance e, em alguns casos, havia comissões para caçá-los.

"Vamos nessa, rapazes!"

"Sim!"

Então os aventureiros atacaram. Os magos protegiam os não combatentes com Barreiras Mágicas. Os sacerdotes curavam os feridos. A vanguarda apostava tudo o que tinha em seu ataque de curto alcance.

Uma distância de cem metros, um intervalo de tempo de dez segundos. No máximo, poderiam desviar de dois ou três ataques antes de chegarem ao alcance dos braços dos demônios. Como esperado, o enorme número de aventureiros compondo a vanguarda conseguiu fazer com que seus oponentes se envolvessem em combate corpo a corpo. Eles conseguiram, mas...

"Morra! Morra! Ngh!"

Mas... os demônios eram bem versados em combate corpo a corpo também. Eles cortavam os corpos e armas dos aventureiros em pedaços. Mandavam os autoproclamados portadores de escudos poderosos voando, escudos e tudo. Deslizavam através de lanças rápidas como relâmpagos e cravavam suas lâminas em seus portadores.

Em meio a tudo isso, a retaguarda dos demônios continuava sua chuva impiedosa de feitiços de ataque contra a equipe de pesquisa. Após incontáveis tentativas de reconstruir as Barreiras Mágicas, os magos desabaram no chão, suas reservas de energia mágica esgotadas.

Eles foram sobrecarregados magicamente e sua estratégia corpo a corpo não estava funcionando. A situação se deteriorava constantemente. A essa altura, os membros da equipe de pesquisa capazes de usar magia, incluindo Clive, erguiam Barreiras Mágicas adicionais. Mas... era apenas uma questão de tempo até que sua frente desmoronasse.

Aquele foi o momento em que a Espada Carmesim e a equipe de pesquisa do Departamento chegaram. A equipe da Universidade estava à beira de ser esmagada, sua vanguarda desmoronando e sua retaguarda sem magia. Agora estavam finalmente perto o suficiente para fazer uma confirmação visual do inimigo, que acabou sendo...

"Não pode ser... Demônios...?" — murmurou Rihya, a sacerdotisa, involuntariamente.

"Demônios, de fato. Que visão rara... Parece que a outra equipe de pesquisa está quase acabada. Clive é o único que sobrou para sustentar a Barreira Mágica restante" — disse Arthur, observando o líder da equipe de pesquisa da Universidade manter a salvaguarda sozinho. Embora pudesse usar magia, ele era originalmente um não combatente e um estudioso até os ossos, para completar. Seus esforços atuais, no entanto, provavam claramente por que ele era o presidente da escola.

"Atacamos pelo flanco. Preparem-se para lançar o ataque agrupado em trio."

Todos os membros da equipe de pesquisa do Departamento obedeceram à ordem de Arthur e começaram a entoar o feitiço para o ataque especializado de longo alcance.

"Fogo!"

Seu ataque mágico estilo dardo, com seu alto poder penetrante, perfurou o grupo de demônios que continuava a atacar a Barreira Mágica erguida por Clive. A única saraivada incapacitou mais de dez demônios, tornando-os inúteis em combate.

Rihya, que aprendera sobre demônios durante sua educação no templo central, olhava maravilhada para o espetáculo inacreditável se desenrolando diante de seus olhos.

"Incrível... Pensei que magia não fosse eficaz contra demônios..."

"Isso não é exatamente preciso" — disse Arthur, com um leve sorriso no rosto. — "Se um trio de magos focar em um demônio, eles podem destruir a barreira dele. No entanto, esse método de ataque não funcionará em membranas defensivas feitas de ar, como as que os wyverns usam para se cobrir."

Como comandante de suas tropas, Arthur estrategizava calmamente em sua mente, mesmo sorrindo na superfície.

Podemos derrubá-los. Podemos fazer isso, mas... os números deles são muitos. O ataque estilo dardo consome uma quantidade absurda de magia, então, no máximo, podemos disparar quatro rodadas... o que não será suficiente para derrubar todos eles. No fim das contas, então, isso significa uma luta corpo a corpo, hein?

Depois disso, a equipe de pesquisa do Departamento continuou a utilizar seus ataques agrupados em trio enquanto fechava a lacuna pouco a pouco. Quatro saraivadas resultaram em mais de trinta demônios derrotados. No entanto, exceto Arthur, todas as pessoas sob seu comando estavam inconscientes devido ao esgotamento de suas energias mágicas. O mesmo valia para a equipe de pesquisa da Universidade. Com sua própria magia drenando, Clive também estava à beira do colapso.

Arthur, que tinha apenas um fiapo de magia sobrando, e os quatro membros da Espada Carmesim eram os únicos restantes que ainda podiam lutar. Por outro lado, os demônios tinham cerca de vinte indivíduos sobrando do lado deles. Para piorar a situação, na retaguarda do bando havia um demônio possuidor de um físico muito maior que irradiava uma presença incomparavelmente mais poderosa que o resto.

"Bem, aquela coisa com certeza parece perigosa, né? Certo, tudo o que temos a fazer agora é diminuir os números deles em combate corpo a corpo. Warren, vamos atacar com uma investida em fila única."

À instrução de Abel, Warren firmou seu escudo gigante à sua frente e começou a correr. Escondidos atrás de seu corpo e escudo, Abel, Lyn e Rihya seguiam em fila única. Do ponto de vista dos demônios, tudo o que veriam seria um escudo enorme avançando sobre eles.

Por causa de sua constituição enorme e escudo igualmente grande, os oponentes de Warren sempre subestimavam seus movimentos como lentos e pesados. Nada estava mais longe da verdade. Sua velocidade máxima rivalizava com a de Abel e ele ostentava um suprimento praticamente inesgotável de resistência. Até sua força física superava a de um ogro enorme. Embora fosse um aventureiro, também era conhecido como o usuário de escudo número um do Reino, e não ganhara a aclamação levianamente.

Naturalmente, ele controlava a velocidade de seu ataque de investida em fila única para levar em conta não apenas Abel, mas também Lyn e Rihya. Mesmo assim, levou menos de vinte segundos para fechar a distância de cem metros. O escudo de Warren repeliu cada ataque direcionado ao grupo durante esse tempo.

Quando alcançou os demônios, usou o ímpeto de sua carga para romper a vanguarda deles. Abel saltou de trás dele e correu para a abertura criada pelo escudo de seu grupo. Lyn e Rihya o seguiram rapidamente e atingiram seus alvos com feitiços de curto alcance no que poderia ser chamado de um ataque agrupado em dupla improvisado. Warren mais uma vez entrou na lacuna, mandou os demônios para longe com seu escudo, garantiu uma cabeça de ponte e procedeu a ampliá-la.

Com Warren no centro, Abel à direita e Lyn e Rihya à esquerda, a Espada Carmesim abriu caminho através do inimigo. Para evitar serem pegos de surpresa pela retaguarda, avançaram em forma de leque a partir do ponto em que romperam a linha.

Entre eles, Abel era o mais rápido em exterminar os demônios. Ele deixava as espadas deles deslizarem na sua e cortava suas cabeças quando perdiam o equilíbrio. Mas alguns de seus oponentes representavam um desafio devido à sua proficiência anormal em esgrima. De todos os monstros que ele lutara até agora, eram os mais perigosos de longe.

Depois que a Espada Carmesim lançou seu ataque, a retaguarda dos demônios mudou seus alvos de Clive para eles e Arthur. Quanto mais rompiam a linha, mais focados se tornavam os ataques mágicos deles. Por mais resistente que fosse, até Abel sentia o peso da exaustão pressionando-o enquanto lutava a curta distância e simultaneamente evitava os feitiços. Era pior para Lyn, a maga, e Rihya, a sacerdotisa, que não podiam manter a Barreira Mágica e usar magia ofensiva ao mesmo tempo.

Talvez um certo mago da água pudesse ser capaz da façanha, mas... Não, espere, o dito mago da água nunca havia realmente usado o feitiço Barreira Mágica... Além disso, nenhuma técnica havia sido estabelecida ainda nas Províncias Centrais para permitir que uma pessoa ativasse múltiplos tipos de magia simultaneamente.

Isso significava que a única maneira de lutar era alternar entre curtos surtos de defesa e ataque. E nesta ocasião, as duas mulheres foram forçadas a um estilo de ataque agrupado em dupla improvisado. Normalmente, isso teria dado errado imediatamente, mas tanto Lyn quanto Rihya haviam sido treinadas através de inúmeras batalhas no passado.

Porque o nome do grupo de rank B, Espada Carmesim, não era apenas de enfeite.

No segundo em que lançaram seu ataque de investida em fila única e se envolveram em combate corpo a corpo, os quatro colocaram doze demônios para descansar. O grupo, no entanto, estava em seu limite. No momento em que Lyn liberou seu Dardo de Ar em conjunto com o Dardo de Luz de Rihya, a mulher mais jovem desabou, sua magia completamente esgotada. Isso marcou o início da queda deles.

"Lyn!" — gritou Abel quando viu a cena pelo canto da visão.

"Lyn ficou sem magia. Warren, cubra-nos!" — exclamou Rihya e puxou o corpo de Lyn para recuar.

Efetivamente usando seu próprio corpo como escudo, Warren plantou-se na frente delas para impedir que o inimigo as perseguisse. A Espada Carmesim havia usado seu suprimento de poções mágicas no momento em que Lyn esgotou sua própria reserva de energia mágica. A magia de Rihya estava quase nula a este ponto também. Ela mal tinha o suficiente para erguer mais uma Barreira Mágica.

Seis demônios restavam, um dos quais parecia ser o chefe. Embora ficasse de pé sobre duas pernas e possuísse uma cauda reptiliana como os outros, era uma cabeça mais alto que seus irmãos. E essa cabeça ostentava dois chifres. Sem mencionar a aura intelectual que emitia, apesar de ser um monstro... Quase como se estivesse dizendo que podia lidar com eles sem muito esforço.

Infelizmente, além do chefe, três dos outros pareciam completamente diferentes para Abel dos que ele derrotara até agora.

"O chefe e aqueles três mais dois peixes pequenos, hein..."

"Abel... Aquele chefe pode ser um príncipe demônio..." — sussurrou Rihya de trás do escudo de Warren.

Uma pausa, e então:

"O quê?"

Rihya que diabos você está falando, isso é impossível, demônios já são ruins o suficiente, mas um príncipe demônio, sério que diabos você está falando Rihya, aha ha ha ha ha ha.

Perdendo o controle da realidade, Abel de repente quis deixar escapar essas palavras. Mas entendia que ela não estava brincando.

"Os olhos esquerdo e direito são de cores diferentes... o que é uma característica única de um príncipe demônio."

Numa inspeção mais detalhada, ele descobriu que ela estava certa. O olho direito era vermelho e o esquerdo era dourado.

"Deixe-me ver se me lembro disso direito... Um príncipe demônio é o estado antes de despertar como rei demônio?"

"Correto. Como você disse, Abel, um príncipe demônio tem o potencial de despertar como um rei demônio. Apenas quatro existem simultaneamente e apenas um deles se tornará o rei demônio. Assim me ensinaram no templo."

"Já ouvi algo assim antes. Eles são... fortes, certo?"

"Acredito que não existam registros de ninguém além de heróis derrotando príncipes demônios..." — disse Rihya, um leve tremor surgindo em sua voz.

O herói atual supostamente vivia nas Províncias Ocidentais, mas... as Províncias Centrais não haviam sido informadas dos detalhes. Apenas um herói existia em cada geração.

"Por enquanto, vou acabar com os que não são o príncipe demônio. Não se preocupem..." — Abel fez uma pausa — "é o que eu gostaria de dizer a vocês, mas sei que vocês vão se preocupar de qualquer maneira. Mas quem sabe? Algo inesperado pode acontecer. Por exemplo, este espaço tipo barreira pode ser despedaçado. Então não percam a esperança ainda."

"Abel..." — disse Rihya, com voz suplicante, mas Abel simplesmente sorriu em resposta, depois encarou os demônios mais uma vez.

Dois demônios comuns, três fortes e um possível príncipe demônio. Abel não tinha a impressão de que poderia vencer os fortes mesmo se lutasse contra eles um a um. Isso era ainda mais verdadeiro para o príncipe demônio... cujas profundezas de poder ele não conseguia sondar de jeito nenhum.

Que situação desesperadora...

Espera, não. Isso pode realmente ser melhor do que a vez em que o grifo ficou na nossa frente...

O monstro que descera de repente na frente dele e de Ryo na viagem de volta da Floresta de Rondo... Abel decidiu que de fato achava esta situação preferível àquela. Quando o fez, sentiu a tensão desnecessária deixar seu corpo.

"Vou começar com os dois fracos primeiro..."

Ele avançou explosivamente contra os dois demônios comuns. Aquele que ele mirou girou a espada lateralmente contra ele. Ele se curvou para frente para desviar do corte e usou esse ímpeto para se colocar ao alcance do braço, de modo que pudesse apunhalar seus corações por baixo. Sentiu as pedras mágicas se estilhaçando. De suas batalhas anteriores contra eles, aprendeu que suas pedras mágicas ficavam perto de seus corações e, como qualquer outro monstro, morriam quando suas pedras mágicas eram destruídas.

Abel puxou sua espada do demônio derrotado, então usou a energia do movimento para girar e decapitar o segundo. A experiência ensinara a Abel que ele tinha que destruir a pedra mágica do demônio ou decapitá-lo para derrubá-lo com um golpe.

Agora ele poderia finalmente enfrentar seu desafiante final. Exceto que algo inesperado aconteceu. O príncipe demônio levantou a mão e disparou sua magia contra o escudo de Warren. Warren voou para trás, escudo e tudo, junto com Rihya e Lyn, a quem protegia atrás de si.

Um grito escapou de Abel:

"Rihya!"

"Estamos bem! Nós três estamos bem!" — gritou ela de volta para ele.

Por que o príncipe demônio fez tal coisa? Ele encontrou sua resposta imediatamente. O príncipe demônio subjugou seus três guarda-costas e deu um passo à frente com a espada na mão. Parecia que queria duelar com Abel em combate singular.

"Então você os mandou para longe para garantir a arena para nós, hein? Cara, demônios são mesmo imprudentes."

Ele não achava que o príncipe demônio pudesse entendê-lo, mas Abel disse as palavras mesmo assim.

O príncipe demônio pareceu sorrir minimamente.

Bem, não havia como uma criatura tão inferior pensar em se envolver em combate singular, então... talvez fosse sua maneira de mostrar respeito a um oponente forte? Ou talvez estivesse simplesmente se divertindo por tédio? Abel não sabia.

Mesmo assim...

Droga, tenho sorte. Poder de repente lutar contra o príncipe demônio, a quem eu não poderia sequer ter alcançado sem derrubar os três subordinados primeiro. Embora se posso vencer ou não seja outro problema inteiramente...

Sempre alerta, Abel agarrou sua espada firmemente, mãos estáveis. O príncipe demônio ainda não havia levantado sua espada, sua lâmina ainda pendia de sua mão direita, mas Abel sabia que seu oponente não baixara a guarda. Era uma lâmina fina, diferente das espadas dos outros demônios. Nada grande. A lâmina media um metro de comprimento e, levando em conta a força física de um demônio, ele podia facilmente imaginar o príncipe demônio balançando-a com uma velocidade incrível.

O príncipe demônio foi quem quebrou o silêncio opressivo. Ele fechou a distância entre eles num instante e cortou para cima em direção a Abel, vindo da direita inferior.

Tão rápido!

Como a velocidade era maior do que o esperado, Abel percebeu que não conseguiria desviar da espada, então a bloqueou com a sua própria, vindo de cima. Tecnicamente, ele tentou bloqueá-la, mas se viu jogado para trás em vez disso.

Velocidade desumana combinada com força desumana. Isso é ruim.

No momento em que percebeu que não conseguiria bloquear totalmente a espada, ele propositalmente saltou para trás, o que significava que não se feriu de forma alguma. Nenhum ferimento sequer, mas... ele também não conseguia se imaginar vencendo.

Desta vez, seu oponente levantou a espada acima da cabeça.

Ah, droga. Ah, não. Isso não parece bom para mim. Consegui evitar o choque do primeiro ataque pulando para trás porque ele golpeou de baixo para cima. Mas não tem como eu fazer isso se ele golpear de cima.

Um inimigo capaz de mergulhar seu oponente em desespero simplesmente levantando sua espada... Em circunstâncias normais, Abel seria quem estaria fazendo exatamente isso.

É menos boa técnica de espada e mais velocidade e força. Mas ele também não se move como um amador. Acho que faz sentido ele estar confiante em suas habilidades. Caso contrário, por que se dar ao trabalho de segurar seus lacaios e me desafiar para um duelo um contra um?

Abel pegou sua própria espada e fechou a distância entre eles constantemente.

No entanto, naquele momento, mais de dez feitiços mágicos correram do lado em direção ao príncipe demônio. Os magos no grupo de aventureiros contratados pela equipe de pesquisa da Universidade de alguma forma conseguiram acumular um mínimo de energia mágica através de seu descanso forçado e agora usavam até o último pedaço dela para disparar juntos contra o príncipe demônio, o chefe inimigo.

Seja por seu próprio descuido ou foco intenso em sua luta contra Abel, o príncipe demônio recebeu um golpe direto da magia de ataque. Os magos ficaram sem magia mais uma vez e desmaiaram no instante em que liberaram o feitiço. Pode ter sido uma bênção que nunca soubessem o resultado.

Por quê?

Porque o feitiço deles não infligiu nem um traço de dano...

"Todas aquelas magias... repelidas..." — sussurrou Rihya. Ela, Warren e Lyn haviam sido arremessados para uma área perto dos magos reais.

"Embora o ataque agrupado em trio funcione em demônios comuns, magia pode ser uma arma ineficaz contra aquela coisa..." — observou Arthur quase distraidamente, apesar de estar pálido e à beira de esgotar sua magia.

Os demônios reagiram violentamente. Os três subordinados dispararam feitiços de magia de fogo à distância, um após o outro, contra a equipe de pesquisa da Universidade.

"Ngh..."

Ninguém tinha magia suficiente sobrando para erguer uma Barreira Mágica. Nem a equipe de pesquisa da Universidade, nem a do Departamento, nem a Espada Carmesim...

Arthur, que não tinha como parar o ataque dos demônios, mordeu o lábio e suportou.

Os joelhos de Rihya cederam e ela desabou no chão. Lágrimas derramavam incontrolavelmente de seus olhos.

Embora a situação tivesse se tornado terrível, Abel mal notou em sua concentração obstinada na batalha à sua frente. Ele sabia que o príncipe demônio avançaria contra ele com a espada erguida. Ele só tinha uma chance.

E seu oponente fez exatamente isso — mais rápido do que antes, mas não inesperado. O golpe descendente veio mais rápido do que o movimento do príncipe demônio. Era o que Abel esperava.

"Habilidade de Espada: Giro Zero."

A técnica em que ele desviava do ataque do inimigo no último momento girando sua perna direita quarenta e cinco graus em um eixo e então usando esse ímpeto para cravar sua espada no lado esquerdo desprotegido do inimigo. Não havia outra técnica que se encaixasse no termo "movimento especial" mais perfeitamente.

A espada de Abel cortou vindo da esquerda do demônio e... perfurou nada além do ar. Seu oponente movera a parte superior do corpo apenas um pouquinho para trás para desviar do ataque.

"Não pode ser..." — As palavras escaparam.

Esta era uma abertura fatal em uma luta de espadas. O príncipe demônio usou as costas de sua mão esquerda vazia para atingir Abel no maxilar, vindo de baixo. Abel se atrapalhou para evitar o impacto total do golpe movendo simultaneamente a parte superior do corpo para longe e saltando para trás para criar alguma distância necessária entre eles. Mas o soco, mesmo assim, raspou em seu queixo, deixando seu cérebro um pouco confuso enquanto sua cabeça oscilava. Ele quase certamente tivera uma concussão.

Uma fraqueza na estrutura do cérebro humano que não podia ser compensada com treinamento. Então... ele foi incapaz de se levantar de onde aterrissou. Mal conseguiu segurar sua espada. Abel a agarrou firmemente em prontidão, mesmo enquanto se apoiava em um joelho no chão. Ele olhou feio para o príncipe demônio que se aproximava sem pressa.

"Abel!" — gritou Rihya de longe.

Sinto muito, Rihya. Não acho que posso sobreviver a isso...

Mas aqui, pela terceira vez, a batalha tomou outro rumo. O teto rachou e pedaços de rocha caíram. Até o príncipe demônio e seu trio de subordinados olharam para cima, confusos com a ocorrência repentina.

Abel virou o olhar para cima também, apenas para ver um mago da água solitário descendo do alto. A figura de Ryo, como se estivesse coberta por fragmentos de gelo cintilantes, parecia algo saído de um conto de fadas.

Então sua voz familiar ressoou:

"Parede de Gelo de 10 Camadas."


 

Sol: Chegou o Homi!

 

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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