Volume 2
Capítulo 3: Ryo Conhece Sera
Ryo chegou à biblioteca do norte pouco depois das dez horas. Comparada à enorme entrada de pedra de três andares de altura da biblioteca do sul, a entrada da biblioteca do norte não era tão grande. Embora também fosse feita de pedra, a parede inteira era esculpida com baixos-relevos. A biblioteca do norte possuía uma certa beleza que contrastava com a pesada imponência da biblioteca do sul.
Enquanto a biblioteca do sul sempre tinha pelo menos três ou mais bibliotecários cobrando as taxas na entrada, a entrada da biblioteca do norte estava vazia. Um único pedaço de papel estava preso à porta. Dizia: "Saí por um momento. Agradeço a paciência." Parecia que alguém voltaria eventualmente.
Após quinze minutos, um jovem usando um monóculo retornou.
"Obrigado por esperar" — disse ele.
Ryo pagou a taxa, pendurou o crachá preto de visitante para aventureiros no pescoço e entrou na grande sala de leitura. Enquanto a grande sala de leitura da biblioteca do sul era uma câmara maciça com cúpula, a sala de leitura da biblioteca do norte parecia — pelo menos para Ryo — mais com algo que poderia ser encontrado nas antigas bibliotecas universitárias da Europa. As estantes eram tão altas que precisaram instalar escadas móveis para que os frequentadores pudessem pegar livros nas prateleiras mais altas.
Ryo se apaixonou pela biblioteca à primeira vista. Embora achasse a escala avassaladora da enorme biblioteca do sul agradável de experimentar, ele preferia muito mais a atmosfera aqui na biblioteca do norte. Sentia-se um só com o mar de livros que o cercava. Como de costume, ele se deleitou com esse ambiente excepcional da grande sala de leitura ao entrar. Então... algo de repente chamou sua atenção e ele não conseguiu desviar o olhar.
A luz do sol entrava suavemente pelas janelas altas, iluminando uma mulher. O próprio ar ao redor dela parecia brilhar e ele não conseguia afastar o olhar daquela visão.
Cabelos loiro-platinados. Pele pálida, quase translúcida. Um rosto suave e refinado com lábios bem desenhados... Orelhas ligeiramente pontudas que normalmente seriam a característica mais notável... Mas o que capturou sua atenção ainda mais do que aquelas orelhas foram seus enormes e marcantes olhos verdes.
Uma cena muito distante da realidade. Uma pintura em pergaminho vívida.

Ryo não sabia quanto tempo ficou olhando para ela, atordoado. A mulher de repente levantou a cabeça e olhou diretamente para ele. Após alguns momentos, seus olhos se arregalaram e a surpresa coloriu seu rosto.
Foi quando ele finalmente recobrou os sentidos e percebeu que estivera encarando-a todo esse tempo.
A mulher levantou-se de seu assento, então caminhou na direção dele.
"Olá. Você é um aventureiro também, certo? Eu sou Sera. Prazer em conhecê-lo." — Ela estendeu a mão para ele.
"Sim, sou. Meu nome é Ryo." — Ele pegou a mão que ela ofereceu e a apertou.
A mulher, Sera, continuou observando-o o tempo todo... Exceto que sua atenção não estava no rosto dele, mas em seu manto. Ela o examinou atentamente por algum tempo antes de erguer os olhos para o rosto dele com um sorriso.
"Todos os bibliotecários daqui foram levados pela equipe de pesquisa acadêmica, então se você está procurando um livro específico, ficarei mais do que feliz em ajudá-lo a encontrar. Eu sei onde a maioria deles está."
"Ahhh, então é por isso que não havia ninguém na entrada..."
"Um jovem usando um monóculo apareceu, certo?" — Sera apertou os lábios e inclinou a cabeça em decepção. — "Ele não é um bibliotecário. Apenas um zelador enviado do castelo, então ele não sabe a localização dos livros."
"Não tenho certeza se devo perguntar a ela sobre akuma... especialmente porque não sei como ela reagirá. Vou desistir dessa busca por hoje, então."
Com esse pensamento, Ryo seguiu com seu hobby.
"Hum, estou procurando textos sobre alquimia. Nível intermediário... Na verdade, isso pode não ser suficiente... Sei que ainda estou longe de ser proficiente o bastante, mas eventualmente gostaria de dar vida a um golem, então livros sobre esse tipo de alquimia seriam muito úteis."
Surpresa com o anúncio dele, seus olhos enormes se arregalaram ainda mais.
"Golens! Que ambição grandiosa... Hmmm, não acredito que existam livros com referências diretas à criação de golens. Mas... deve haver alguns relacionados ao tópico. Siga-me."
Depois disso, os dois examinaram cada volume de alquimia mesmo que remotamente relacionado a golens por várias horas. Eles reuniram uma coleção bastante grande de livros, mas aquelas poucas horas foram incrivelmente felizes para Ryo.
Ele amava ler na Terra, mas os únicos livros aos quais teve acesso durante sua vida na Floresta de Rondo foram O Compêndio de Monstros, Edição para Iniciantes e O Compêndio da Flora, Edição para Iniciantes. Isso não o incomodara enquanto vivia lá, nem despertara um desejo de buscar mais livros, mas passar longas horas na biblioteca do sul após chegar a Lune havia reacendido sua obsessão perdida pela palavra escrita. Então, para este Ryo, que havia redescoberto sua fome de conhecimento, o tamanho razoável da biblioteca do norte, a vasta coleção de tomos e a atmosfera tranquila... tudo parecia maravilhoso para ele.
Além do mais, uma beldade sem igual o estava ajudando agora. Verdadeiramente um tempo alegre, por mais breve que fosse...
༄
Enquanto Ryo aproveitava seu tempo na biblioteca do norte, a sala de conferências do terceiro andar na guilda de aventureiros estava um caos.
"Isso não faz sentido! Por que aqueles idiotas arrogantes podem nos dar ordens?!"
"Como eles podem pensar que vamos realmente trabalhar para eles depois de terem roubado nossa comida?"
"A masmorra não fica conectada a outro mundo depois de uma Grande Maré? Eu absolutamente não vou colocar os pés lá dentro."
"A vontade do país?! Ao inferno com isso! Não somos escravos do país!"
"Eles podem simplesmente entrar sozinhos. Não é problema meu."
"Embora, para ser honesto, eu com certeza não me importaria com a renda..."
Essa última opinião foi dita baixinho e a pessoa parou de falar antes de terminar por causa dos olhares dos outros aventureiros. A discussão passou de acalorada para aventureiros expressando sua insatisfação. A maioria deles havia descoberto sobre a equipe de pesquisa confiscando os suprimentos de comida da guilda naquela manhã. Informações como essa se espalham rápido, como fogo em palha seca. Como resultado, noventa por cento dos aventureiros eram solidamente contra a equipe de pesquisa.
Como o Mestre da Guilda que havia convocado esta reunião para colocar ordem, Hugh se identificava profundamente com os sentimentos dos aventureiros. Ele também entendia que não havia chance de eles concordarem pronta e mansamente quando lhes fosse dito para cooperar com a expedição da masmorra da equipe de pesquisa, não depois que aqueles bastardos condescendentes roubaram sua comida. Ainda assim, era seu dever transmitir as decisões que haviam sido tomadas.
"Eu entendo de onde vocês vêm. Confiem em mim, eu entendo. E é por isso que ajudar a equipe de pesquisa é apenas uma comissão regular. Se vocês não gostam dos detalhes do trabalho, então não precisam aceitá-lo. E essa é a condição mais importante como aventureiros, certo?"
Francamente, Hugh ainda não gostava da ideia de permitir que os aventureiros, seus camaradas, voltassem para a masmorra tão cedo após a Grande Maré. Ele especialmente não gostava que estivessem trabalhando com os estudiosos idiotas que eram do tipo que priorizavam sua investigação sobre a vida de seus aliados e, às vezes, sobre as suas próprias, dependendo das circunstâncias. Ele desejava muito continuar a suspensão de um mês das atividades na masmorra.
"Sei que não preciso dizer isso a vocês, mas aceitem o trabalho e vocês estarão por conta própria lá dentro. Não façam promessas sem pensar muito bem, considerando que suas vidas e a vontade do seu grupo estarão em jogo."
Muitos dos aventureiros assentiram em compreensão. O mergulho na masmorra era sempre feito por conta e risco deles.
"Mas deixem-me ser claro em uma coisa. Não quero nenhum de vocês tratando mal outros aventureiros, chamando-os de traidores e o escambau só porque decidiram aceitar o trabalho. Vocês vão responder a mim se eu ouvir qualquer difamação. Entendido?!"
Era óbvio para aqueles que pretendiam aceitar a comissão da equipe de pesquisa que seriam ridicularizados e insultados pelos que recusaram, e foi exatamente por isso que Hugh fez essa declaração deliberadamente.
"GuilMas, posso dizer algo para todos aqui?" — chamou outra voz.
Era Abel, com a mão levantada.
"Claro, vá em frente, Abel."
"Nós da Espada Carmesim escoltaremos os magos reais na masmorra."
À medida que a multidão compreendia a implicação das palavras de Abel, o alvoroço só aumentava.
"O pedido veio de um velho amigo, então recusar não era exatamente uma opção, ok? Além disso, o foco principal dos magos reais pode ser a investigação, mas ninguém pode negar que eles são os mais poderosos entre todos os diferentes grupos da equipe de pesquisa, já que têm experiência real de combate em campo. Então, tenho quase certeza de que chegaremos às camadas inferiores antes dos outros. Cada vez que descermos, transmitiremos qualquer informação para a guilda, e espero que vocês façam bom uso dela. Isso é tudo o que eu queria dizer."
"Bom trabalho, Abel. Isso deve diminuir muito da reclamação que os aventureiros receberiam depois de concordarem em aceitar a comissão."
O timing de Abel ao fazer seu anúncio não poderia ter sido melhor e Hugh ficou impressionado e aliviado com isso. Ele também entendia quão vital seria qualquer dado que a Espada Carmesim enviasse de dentro da masmorra.
"A suspensão será oficialmente levantada amanhã de manhã às sete. Vamos postar uma atualização no quadro de avisos da guilda, então certifiquem-se de ler com atenção. Não tenho mais nada a dizer. Podem dar o fora."
De volta ao escritório do Mestre da Guilda, Hugh chamou Nina, uma das recepcionistas da guilda.
"Nina, vou explicar a situação para os ranks E e F amanhã. Avise-os para estarem na sala de conferências às nove horas."
"Sim, senhor. Isso significa que o senhor dará permissão para eles entrarem na masmorra também?"
"Não, sem chance. Só vou lembrá-los de que ainda estão proibidos de entrar por um mês."
༄
Naquela noite, Ryo sentou-se em um sofá no saguão da guilda. Os outros três residentes do Quarto 10 retornariam a qualquer momento de seu trabalho na mina abandonada na vila de Rusay, a oeste de Lune. Meio dia para chegar lá, meio dia para minerar o minério de cobre mágico e meio dia para voltar.
"Ryo, Nils e os outros devem voltar hoje, sim?" — perguntou a recepcionista Nina.
"Isso mesmo."
Ele não ficou surpreso que Nina soubesse a data de retorno deles, apesar de o trabalho não ter sido oferecido através dos canais oficiais da guilda.
"Amanhã de manhã às nove, o Mestre da Guilda realizará uma reunião para grupos de rank E e F sobre a masmorra. Você se importaria de dizer a eles para virem à sala de conferências a essa hora?"
"De jeito nenhum. Eu os avisarei." — Ryo assentiu para ela.
"Você não participou da discussão de hoje, não é, Ryo?" — continuou Nina.
"Discussão?"
"Sim. O Mestre da Guilda forneceu uma atualização da masmorra para líderes de grupos de rank D e acima..."
"Sinto muito. Eu não sabia..." — Ele sentiu que uma bronca estava por vir...
"Ah, não, por favor, não se preocupe. Situações como a sua ocorrem às vezes também. Embora você seja um rank D, não faz muito tempo desde que se registrou como aventureiro, então acho que tudo bem se você se juntar a Nils e aos outros na reunião de amanhã."
"Entendido. Eu comparecerei também, então."
"Obrigada." — Nina sorriu e dirigiu-se aos escritórios atrás do balcão da recepção.
Pouco tempo depois, os outros três residentes do Quarto 10 entraram se arrastando, completamente exaustos.
"Nils, Eto, Amon, bem-vindos de volta."
Apesar da fadiga óbvia, eles pareciam realizados.
"Ryo, nós conseguimos!" — disse Nils. Ele parecia estar à beira do colapso, mas Ryo não deixaria isso acontecer.
"Nils, o trabalho não acaba até vocês voltarem para o quarto."
E com isso, ele liderou o caminho para o Quarto 10.
Assim que chegaram, os três literalmente desabaram em suas camas. Eto e Amon estavam em um estado tão ruim que nenhum deles conseguira dizer uma única palavra desde o retorno. A primeira coisa que Ryo fez foi dar a cada um deles água fresca e limpa em copos feitos de gelo.
Ele esperou pacientemente enquanto bebiam.
"Ahhh! Isso caiu muito bem. Certo, vou contar tudo já que Eto e Amon estão cansados demais até para falar." — Nils enfiou a mão na bolsa e tirou dois pedaços de minério de cobre mágico do tamanho de um punho. — "Aqui está o que você queria. O minério de cobre mágico. Tivemos sorte e conseguimos extrair dois punhados enormes."
Os olhos de Ryo iam e vinham entre os dois pedaços.
"Uau! Isso é incrível!"
"Agora, sobre nosso pagamento... Estou pensando que você não se importaria em adicionar um pouco mais ao pote já que conseguimos dois... Ah, não estou tentando te forçar nem nada, já que somos colegas de quarto e companheiros de aventura..."
"Claro, sem problema nenhum. Vocês superaram minhas expectativas, então é justo que eu aumente a compensação de acordo. Hm, deixe-me pensar... Incluindo várias despesas que vocês podem ter incorrido, que tal novecentos mil florins? Isso significa que cada um de vocês recebe trezentos mil."
"Tr-Trezentos mil... Isso são trinta moedas de ouro para cada..." — O choque de Nils era claro em sua voz.
Os outros dois não conseguiam emitir nenhum som, de surpresa ou qualquer outra coisa, devido à exaustão.
"Não é suficiente, afinal, hm? Mas não tenho certeza se posso aumentar mais..."
"Não, sua oferta está totalmente ok para nós. Mais do que ok. Eto e Amon, vocês concordam, certo?"
Eto e Amon assentiram tão vigorosamente quanto seus corpos cansados permitiam.
"Ótimo, temos um acordo então. Vou voltar à guilda e pedir para transferirem trezentos mil florins para cada uma das contas de vocês da minha. Por favor, me avisem quando tiverem confirmado que a transferência foi concluída. E finalmente, obrigado novamente, muito mesmo. Descansem. Vocês merecem."
Ryo levantou-se e curvou a cabeça respeitosamente para o trio. Em momentos como este, era importante lembrar das boas maneiras, mesmo entre amigos.
"Não, não, nem se preocupe com isso. Na verdade... obrigado por nos dar a chance de ganhar dinheiro." — Nils curvou a cabeça educadamente em resposta também. Ele permaneceu sentado na cama, fraco demais para se levantar...
༄
Bem na hora em que finalmente conseguiram se sentar na cama, um pouco recuperados da exaustão anterior, Ryo disse:
"Ah, é mesmo. Tenho algo que preciso contar a vocês três. A suspensão da exploração da masmorra será levantada amanhã."
"O quê?!"
Era uma notícia chocante. Antes de partirem para o trabalho dele, o bloqueio deveria continuar por pelo menos um mês. Nem sete dias haviam se passado desde a última Grande Maré, então a masmorra ser aberta novamente tão cedo era...
"Mas essa medida só está sendo implementada para a equipe de pesquisa acadêmica enviada da capital real para investigar a Grande Maré" — continuou Ryo. — "Apenas eles e os aventureiros que contratarem como guarda-costas terão permissão para entrar na masmorra. E, aparentemente, apenas grupos de rank D e superior."
"Uma equipe de pesquisa acadêmica... Eu não tinha ideia de que um grupo assim estava aqui..." — murmurou Eto, finalmente capaz de reunir energia suficiente para usar a voz.
"Rank D e superior significa que estamos fora, hein?" — disse Nils, desapontado.
"Bem, não há nada que possamos fazer sobre isso" — acrescentou Amon, resignado.
"É por isso que os grupos de rank D e superior tiveram sua reunião hoje com o Mestre da Guilda, mas os ranks E e F foram convidados a comparecer à sala de conferências às nove de amanhã para o relatório. Vou me juntar a todos vocês, já que não sabia da discussão de hoje e, portanto, não pude comparecer" — informou Ryo com um sorriso pesaroso.
"Espera, você não estava na reunião hoje? Que diabos você estava fazendo então, Ryo?"
"Pesquisando na biblioteca." — Ele sorriu ao lembrar de seu tempo na biblioteca.
"Bem, você não é um cara despreocupado..."
"Suponho que essa seja a diferença entre um rank D e ranks F..."
Tanto Nils quanto Amon pareciam um pouco cansados.
Eto riu baixinho observando os três. Tudo normal no Quarto 10.
No dia seguinte, às sete horas da manhã, a Espada Carmesim e dez membros da unidade avançada do Departamento de Magos Reais reuniram-se em frente à entrada da masmorra. A filial da guilda na entrada havia sido destruída durante a Grande Maré e atualmente permanecia em ruínas. Os reparos não começariam até que os inspetores da capital real terminassem seu levantamento dos danos.
Normalmente, isso não teria representado um problema, porque o plano original era selar a masmorra por um mês. Agora que a suspensão havia sido levantada para que a equipe de pesquisa pudesse prosseguir com sua investigação, tendas seriam montadas para estabelecer uma filial temporária nesse meio tempo.
"Certo, estamos prontos para entrar?" — perguntou Abel.
O restante de seu grupo e os dez magos reais assentiram.
"Mas primeiro, Lyn, preciso que você faça sua Sonda."
"Sim, senhor! Traga-me o pulso e a existência da vida. Sonda."
Da última vez, durante a Grande Maré, Abel sentira uma sensação de mau presságio antes de abrir a porta, e por isso pedira a Lyn para usar seu feitiço de magia de ar, Sonda. Descobriram então que a caverna principal da primeira camada já havia sido invadida por monstros. Como resultado, puderam informar a guilda sobre os sinais do surto, permitindo que os aventureiros preparassem as defesas a tempo.
Ele não sentiu nada estranho desta vez. Mesmo assim, queria ser extremamente cauteloso. Ninguém sabia o que acontecia em uma masmorra após uma Grande Maré.
"Não detectando nada vivo no salão principal da primeira camada!" — disse Lyn.
Abel assentiu.
"Então vamos abrir as portas."
Ao sinal dele, a equipe da guilda levantou o bloqueio e abriu as portas. O grupo de quatorze desceu os cem degraus com Abel na liderança. Como Lyn dissera, não havia nada na caverna principal da Camada 1.
A quantidade de magia que seu feitiço Sonda exigia dependia do tamanho da área que estava pesquisando. Se ela o usasse para vasculhar as primeiras cinco camadas da masmorra, por exemplo, não poderia usá-lo mais do que sete vezes. Não era o tipo de feitiço que ela pudesse usar um número ilimitado de vezes.
"Ok, pessoal, vamos começar investigando a primeira camada de cima a baixo, cada canto e fresta. Exatamente como discutimos ontem, o ponto mais distante que iremos hoje é a terceira camada. Então vão devagar e com calma."
Os dez membros da unidade avançada dos magos reais responderam em uníssono:
"Sim, senhor!"
༄
Bem na hora em que a Espada Carmesim e os magos reais investigavam cuidadosamente a masmorra, os quatro membros do Quarto 10, incluindo Ryo, chegavam ao auditório do terceiro andar da guilda. Hoje, logo após a reunião de ontem, o Mestre da Guilda explicaria a situação aos grupos de rank E e F. A outra diferença agora era que, em vez de apenas líderes de grupo como ontem, todos os membros dos grupos de rank E e F participariam.
Quando a torre do relógio de Lune marcou nove da manhã, o Mestre da Guilda da cidade, Hugh, entrou na sala.
"Bom dia, pessoal. Agradeço por terem vindo hoje. Não vou fazer rodeios, então vamos direto ao assunto."
Ele lhes disse que a equipe de pesquisa havia entrado na masmorra para conduzir sua investigação, que estava sendo apoiada pelo governo nacional. Que planejavam contratar aventureiros para escoltá-los. Que, como parte dos termos para empregá-los oficialmente, a equipe de pesquisa não tinha permissão para difamar os aventureiros. Etc, etc. Em suma, era a mesma informação que ele discutira com os líderes de grupos de rank D e superior ontem.
"No entanto, na medida do possível, grupos de rank E e F devem evitar entrar na masmorra como escoltas contratadas. Se quiserem um motivo, é porque ninguém sabe o que acontece em uma masmorra depois de uma Grande Maré."
Hugh fez uma pausa nesse ponto para examinar as reações dos aventureiros. Felizmente, nenhum deles parecia particularmente descontente.
"Com a Espada Carmesim de Abel liderando a incursão inicial, estamos recebendo informações detalhadas deles. Eles as postarão conforme necessário no quadro de avisos da guilda, então certifiquem-se de que cada um de vocês as leia. Outra coisa. A equipe de pesquisa pode contratar vocês para apoiá-los aqui na superfície em vez de lá embaixo na masmorra como escoltas. Para esses trabalhos, a guilda agirá como intermediária, como de costume. Por exemplo, a Brigada Branca está trabalhando como guarda de carroças transportando suprimentos de comida de cidades próximas. Tem muitos trabalhos assim para todos, então não se preocupem."
"Ah ha. Então é por isso que não vi a Brigada Branca em nenhum lugar da cidade. Porque eles não estão aqui."
Phelps, o comandante do grupo, havia deixado uma impressão intensa em Ryo. Mas o que ele não sabia era que os cinco cavaleiros reais repreendidos rispidamente pelo homem haviam desaparecido misteriosamente e inspetores estavam procurando desesperadamente por eles. Se ele descobrisse... talvez pensasse: "Eles foram apagados, hm?"
Depois que Hugh respondeu a algumas perguntas de outros no auditório, ninguém mais parecia ter mais dúvidas, então Ryo fez uma das suas.
"Mestre, tenho uma pergunta sobre a Grande Maré."
"Ryo, eh? Claro, o que você quer saber?"
"A cor das pedras mágicas dos monstros derrotados na batalha. Especificamente o rei goblin e os generais. Você pode me dizer se eram de tom mais claro ou mais escuro?"
A maioria dos aventureiros ali inclinou a cabeça inquisitivamente ao ouvir sua pergunta. Alguns trocaram olhares ou balançaram a cabeça. Não conseguiam entender por que ele traria isso à tona.
Como aquele a quem foi perguntado, Hugh era a única pessoa que não compartilhava da confusão deles.
"Oh ho. Você é esperto, Ryo. Você levantou um ponto muito bom. Sim, com certeza. Afinal, se você vai se gabar de fazer parte de uma equipe de pesquisa chique, essa é a primeira pergunta que deveria fazer, hein!" — Excitado, Hugh continuou: — "E, no entanto, nem um único deles veio verificar essa informação comigo!"
Nesse ponto, ele finalmente notou que os outros aventureiros não entendiam o propósito da pergunta de Ryo.
"Ahhh, é verdade. Isso não é coberto no seminário para iniciantes. Bem, então, acho que é hora de vocês aprenderem. Coisa boa para se saber como aventureiros."
E com isso, Hugh começou sua explicação.
"A cor da pedra mágica de um monstro é determinada pelo atributo elemental do monstro. Ar é verde, terra é amarelo e assim por diante. Mas a profundidade da cor, seja clara ou escura, também é importante notar. Um monstro que viveu muito tempo e acumulou uma variedade de experiências tem uma pedra mágica de tonalidade profunda."
Ele parou ali para olhar os aventureiros sentados e confirmar a compreensão de suas palavras.
"Isso está relacionado à pergunta de Ryo agora há pouco sobre se os monstros derrotados na Grande Maré tinham pedras mágicas claras ou escuras. Se fossem as últimas, significaria que viveram muito tempo na masmorra. Mas se fossem as primeiras... bem, isso complicaria muito as coisas. Porque significaria que ganharam vida espontaneamente há pouco tempo, em vez de subirem das camadas inferiores da masmorra. Então, quanto ao rei, generais e magos nesta ocasião específica, todas as suas pedras mágicas eram de cor clara."
Hugh esperou alguns instantes para que o significado de suas palavras penetrasse em sua audiência.
"Em suma, então, temos complicações quando se trata do rei e do resto daqueles goblins. A masmorra os deu à luz? Quem pode dizer. No mínimo, porém, eles não estavam vivos há muito tempo quando apareceram."
Ninguém se manifestou.
"Existe uma teoria sobre masmorras criando monstros lá dentro. Mas se ela se mostrar verdadeira, a questão se torna: de onde exatamente veio o poder para produzir tantos monstros em um período de tempo tão curto?"
Durante seu tempo na Floresta de Rondo, Ryo estudara de onde vinha a água que ele gerava através da magia. Naquela época, o que lhe veio à mente foi $E = mc^2$ de Einstein, a fórmula que explica como a energia é derivada da matéria. Ao mesmo tempo, a fórmula também significa que a matéria pode ser derivada da energia.
Então, se a masmorra gera monstros físicos, de onde vem a energia que torna isso possível? E se uma Grande Maré é um fenômeno que produz um número colossal de monstros, de onde vem a vasta quantidade de energia para tornar isso possível?
"Quanto mais penso nisso, menos sentido faz. O que significa que só há uma solução para esse tipo de problema! Não pense nisso!"
Quando Ryo chegou a essa conclusão internamente, Hugh declarou a sua própria.
"De qualquer forma, aí está. A resposta para sua pergunta é que a cor das pedras mágicas dos goblins era clara."
Todos saíram após o término da reunião no auditório. Hugh voltou ao seu escritório, onde agora estava sentado bebendo chá.
"Haaa. Tudo o que resta é este próximo mês passar sem incidentes..."
Tendo dado voz ao pensamento, ele sabia que algo definitivamente aconteceria... Ele havia se resignado à inevitabilidade de as coisas acontecerem, independentemente do que quisesse, há muito tempo.
"De qualquer forma, aquele Ryo com certeza tem uma boa cabeça nos ombros. Ele é muito mais adequado para investigação do que o pessoal da equipe de pesquisa, especialmente considerando que nem um único deles se preocupou em me fazer a mesma pergunta. Não é à toa que Abel está de olho nele."
Sem que Ryo soubesse, sua cotação estava em alta. A razão pela qual ele havia perguntado a Hugh sobre a tonalidade das pedras mágicas podia ser atribuída ao seu interesse no conceito depois de ouvir sobre isso de Abel em sua jornada da Floresta de Rondo. Especificamente sobre monstros que viveram muito tempo e acumularam muitas experiências possuindo pedras de tonalidade profunda.
"As coisas teriam sido muito mais fáceis se as pedras mágicas daqueles goblins fossem escuras. Nesse caso, significaria uma boa chance de terem vindo das camadas mais profundas, talvez até das regiões inexploradas abaixo da 39. Pena para nós que a cor fosse tão clara. Mais de trinta mil monstros trazidos à vida não muito tempo atrás... Isso é sequer possível...? Não consigo pensar em mais nada para explicar, no entanto."
Hugh enfiou os dedos no cabelo e o bagunçou em frustração.
"Eu não sei! Eu simplesmente não sei! Não faz parte do meu trabalho pensar nesse tipo de coisa!"
Dizer essas palavras em voz alta o lembrou de suas obrigações futuras.
"Certo, preciso fazer um relatório para o marquês depois disso. Me pergunto se devo falar com Neville enquanto estiver lá. É, não faria mal ter os cavaleiros prontos caso precisemos deles novamente."
Neville Black, comandante da ordem dos cavaleiros do Marquês Lune, foi o homem que assumiu o comando de suas forças combinadas na muralha norte durante a Grande Maré. Até Hugh o considerava um indivíduo excepcional. Um homem excepcional, de fato, mas que amava bebidas destiladas demais. E era por isso que...
"Acho que preciso de uma garrafa de alguma coisa para levar de presente, hein? Acho que meu premiado uísque puro malte de trinta anos deve servir. Esta é a melhor oportunidade para abri-lo também."
Estritamente falando, ele não precisava levar nada, já que ambos estavam apenas fazendo seus trabalhos. Hugh entendia isso. Mas essa era a metade lógica dele falando. A outra metade, a emocional, o instigava a fortalecer seu relacionamento de trabalho já forte. Uma garrafa de álcool era um pequeno preço a pagar para solidificar o apoio de Neville.
Na Terra moderna, isso poderia ser considerado suborno, mas não era problema algum em Phi. Além disso, eles viviam em uma área remota do Reino. Em vez de suborno, era um lubrificante que garantia que tudo corresse bem. Pequenas coisas como essa podiam ser o fator determinante de um relacionamento bem-sucedido. Hugh sabia disso muito bem.
༄
Havia algo na mente de Ryo. Tinha a ver com a Grande Maré e a akuma. Dois dias antes de o surto transbordar da masmorra para a cidade, um eclipse solar ocorreu em Lune e Ryo lutou contra Leonore, a akuma, em algum tipo de subespaço. Ela havia se referido a ele como um claustro.
Seria demais chamar esses dois eventos de coincidência.
Ele não sabia se a akuma realmente havia causado a Grande Maré. Talvez ela tivesse aparecido apenas porque sabia que ocorreria. Ou talvez a akuma não tivesse nada a ver com o incidente e estivesse relacionada ao eclipse solar em vez disso.
De qualquer forma, ele não tinha ideia de qual era a verdade. Mesmo assim, não conseguia parar de ficar obcecado com isso.
"Será que posso pesquisar isso na biblioteca...?"
Esses pensamentos cruzaram sua mente enquanto ele almoçava no refeitório da guilda. Claro, ele não estava sozinho. Os outros três membros do Quarto 10 sentaram-se com ele.
"Ryo, você está matutando algo, não está...?" — perguntou Amon.
"Talvez seja sobre o experimento alquímico dele usando o minério de cobre mágico..." — imaginou Eto.
Então, finalmente, Nils interveio com o comentário mais decepcionante:
"Bem, é melhor você não estar se arrependendo de nos pagar, porque com certeza não vai receber dinheiro de volta, Ryo. Não me importa o quão próximos sejamos, isso não vai acontecer! De jeito nenhum, nem pensar!"
Ryo balançou a cabeça com um sorriso irônico.
"Como se eu fosse dizer uma coisa dessas."
Nils pareceu comicamente aliviado com a resposta. Então Ryo avistou uma corrente de ouro pendurada no bolso da túnica de Nils.
"Nils, o que é isso...?" — perguntou Ryo.
"Ah, é mesmo. Todo aventureiro tem que ter um, sabe." — Ele tirou um relógio de bolso e mostrou a ele.
Relógios existiam neste mundo. Um enorme relógio estava instalado na torre da praça e o sino tocava a cada três horas. Muitos dos moradores da cidade confiavam nele em suas vidas diárias, mas um número surpreendentemente grande de aventureiros possuía relógios de bolso. Caso contrário, estariam perpetuamente atrasados para entrevistas com clientes, encontros com seus grupos e afins. Independentemente do mundo ou tipo de trabalho, qualquer um que não pudesse ser pontual era tido em baixa conta.
Relógios em si não são complicados, pois medem o tempo usando algo que se move a uma velocidade constante, como uma clepsidra ou uma ampulheta. O problema ocorre quando você tenta tornar seu tamanho e mecanismo portáteis, resultando em algumas peças problemáticas. Na Terra, a invenção da mola principal no século XVI resolveu esse problema. No entanto, Phi tem algo que a Terra não tem: a magia da alquimia. Um mecanismo que usa alquimia para marcar o tempo em intervalos regulares não era nada difícil de fazer.
Com tal tecnologia, criar relógios portáteis não tinha sido um empreendimento terrivelmente desafiador. Dito isso, um relógio de bolso custava mais de dez mil florins. Para o cidadão médio, dez mil florins não era de forma alguma uma quantia barata. Para alguém que vivia um estilo de vida incrivelmente frugal, essa quantia poderia durar meio mês, pelo menos.
Mas se você fosse um aventureiro como Nils, que nunca sonhara em ficar rico, então poderia comprar um se não tivesse exatamente ganhado uma fortuna. Com toda a probabilidade, ele o comprara usando parte dos trezentos mil florins que recebera de Ryo.
Cem mil florins era o preço mais barato para um relógio de bolso. Relógios de bolso totalmente mecânicos que não usavam magia ou alquimia também existiam. Estes começavam em milhões de florins e só subiam de preço a partir daí. Absolutamente estonteante.
Depois havia o auge dos relógios, como calendários perpétuos, repetidores de minutos, turbilhões, cronógrafos split-second, complicações de equação do tempo, dispositivos de corda automática e muito mais. Estes comandavam preços na casa das centenas de milhões... Tudo isso para dizer que relojoeiros gênios como Breguet também poderiam existir neste mundo.
"Um relógio de bolso, hm? Agora você nunca mais vai se atrasar, Nils."
"Mas eu nunca me atrasei na vida..."
Nesse momento, Nina, a recepcionista, chegou.
"Desculpe interrompê-los enquanto comem, Nils, Eto."
A energia de Nils disparou no segundo em que a mulher que ele admirava falou com ele... a ponto de ultrapassar a estratosfera e transformá-lo em uma confusão rígida e nervosa.
"S-Sem problema nenhum! C-C-C-C-C-Como posso ajudar?!"
Um pensamento maldoso passou pela mente de Ryo: "Tenho quase certeza de que ele não estava tão ruim assim quando o conheci em nosso quarto depois que ela me mostrou o dormitório... Acho que a adoração dele por ela está crescendo a uma taxa exponencial."
"Nils, Eto, vocês dois foram promovidos a aventureiros de rank E devido às suas contribuições durante a Grande Maré." — Nina sorriu para eles. — "Parabéns."
"R-Rank E..." — gaguejou Nils.
"Viva" — respondeu Eto sem hesitar. — "Muito obrigado."
"Nils, Eto, parabéns!" — disse Amon.
"Muito bem, vocês dois!" — ofereceu Ryo.
"Portanto, por favor, venham me ver na recepção mais tarde para atualizar seus cartões da guilda. Nessa hora, vocês também poderão registrar um grupo. Caso desejem fazer isso, por favor, pensem em um nome para o grupo até lá também."
Com isso, Nina voltou ao seu posto no balcão da guilda.
"O que ela quer dizer com 'nome do grupo'?" — perguntou Ryo a Eto. Nils, ainda congelado, era inútil no momento.
"Certo. A partir do rank E, você pode se registrar como um grupo. Até agora, nós três éramos rank F, embora não fôssemos oficialmente considerados um grupo. Mas você precisa de apenas um aventureiro rank E para formar um grupo rank E. Quando você o registra na guilda, pode registrar o nome do seu grupo também. Basicamente, significa que você se formou de ser um iniciante" — respondeu Eto com um sorriso alegre. — "Hmmm, o que devemos escolher?" — murmurou ele, caindo em um silêncio contemplativo.
"E-Eu tenho que dar o meu melhor para me tornar um rank E também" — disse Amon. Embora seus esforços durante a Grande Maré também tivessem sido reconhecidos, levaria algum tempo até que ele pudesse subir para o rank E, porque não fazia muito tempo desde seu registro como aventureiro.
Ryo não estava preocupado nem um pouco. "Amon está em grupo com Nils e Eto. Isso significa que, daqui para frente, ele pode aceitar trabalhos de rank E, então eventualmente se tornará rank E também."
༄
À tarde, três dos residentes do Quarto 10 treinaram nos campos de treinamento ao ar livre da guilda. Como haviam passado a manhã no auditório, não restava muito tempo no dia para aceitar comissões, então decidiram fazer isso. Muitos outros aventureiros de rank E e F tiveram a mesma ideia, tornando o espaço mais lotado do que o normal.
Naturalmente, Ryo não se juntou a eles. Depois que ele e o trio seguiram caminhos separados, ele foi para a biblioteca do norte. De manhã, ele planejara usar o minério de cobre mágico que eles haviam minerado para ele em um experimento alquímico, mas simplesmente não conseguia parar de pensar no momento da Grande Maré, na akuma e no eclipse solar... Então não teve outra escolha.
Uma pessoa diferente de ontem cuidava da recepção na biblioteca do norte. Ele pagou a taxa de entrada de dois mil florins, pendurou o passe de visitante preto reservado para aventureiros no pescoço e entrou na grande sala de leitura. Quando foi ao lugar onde Sera, a elfa, se sentara ontem lendo um livro... encontrou-o vazio. Ficou um pouco desapontado.
Claro, não era como se ele tivesse vindo especificamente aqui para encontrá-la. Qualquer um e todos amavam coisas bonitas e Sera simplesmente parecia indubitavelmente bonita enquanto lia seus livros.
Ele olhou ao redor da grande sala de leitura. Estava completamente sozinho ali. Foi quando finalmente percebeu algo.
"Não há bibliotecários por perto e Sera não está aqui para me ajudar a pesquisar também... Como posso procurar o que preciso nos registros passados de eclipses solares e Grandes Marés..."
Ele percebeu que não tinha pensado nisso nem uma vez. Não tinha ideia de onde estava qualquer um dos livros. O fato de ter percebido depois de pagar a taxa de entrada de dois mil florins só tornava tudo pior.
Enquanto quebrava a cabeça sobre como conduzir sua pesquisa, uma voz chamou por trás dele.
"Hm? Ora, se não é o Ryo. Não te vejo desde ontem."
Finalmente, sua graça salvadora havia aparecido. Quando se virou, viu uma mulher linda parada ali, uma verdadeira deusa celestial. Sera, a aventureira elfa.
"Sera!"
O deleite em sua voz quando disse o nome dela a assustou.
"O-O que foi? Por que tão animado?"
Ele explicou seu dilema. Contou a ela como havia esquecido a ausência dos bibliotecários, mas ainda assim viera, sobre seu desespero com a situação.
Sera riu baixinho, divertida. Afinal, estavam em uma biblioteca, então ela tinha que ficar quieta.
"Um pedido tão simples que até eu posso atender. Registros passados de eclipses solares e Grandes Marés, era isso?" — Ela enfatizou os tópicos em que ele estava interessado, seu tom curioso. — "Ryo, você acredita que há uma conexão entre o eclipse solar e a Grande Maré, não é?"
As palavras dela o deixaram atônito.
"Ela é perspicaz. Perspicaz demais."
"Se me lembro corretamente, houve um enorme eclipse solar dois dias antes do surto de monstros."
Por "enorme eclipse solar", ela muito provavelmente queria dizer "eclipse solar total".
"Bem, acontece que, no caso da masmorra de Lune, os dois eventos provavelmente estão relacionados."
A resposta casual de Sera o deixou sem palavras.
"Para ser precisa, um eclipse solar sempre ocorre antes de uma Grande Maré. Exceto que, ao contrário desta última ocasião, eles geralmente foram eclipses parciais em vez de totais."
Um eclipse total ou anular, no qual a maior parte do sol é obscurecida pela lua, ocorre apenas uma vez a cada poucas décadas em um determinado local na Terra. Eclipses parciais, no entanto, ocorrem uma vez a cada poucos anos, às vezes tão frequentemente quanto a cada dois anos. Nesse sentido, não é impossível que um eclipse solar e uma Grande Maré aconteçam ao mesmo tempo, mesmo que seja apenas coincidência.
"Mas por que você acha que estão relacionados...?"
"Naturalmente, porque eu pesquisei esse mesmo assunto antes." — Um sorriso floresceu no rosto de Sera. Um sorriso com o poder de nivelar cidades inteiras.
"Uau, tão linda..."
"Então" — continuou ela —, "devo admitir que estou curiosa para saber por que você focou na conexão entre os dois."
"Ah, hum, apenas pareceu plausível..."
Ele definitivamente não podia contar a ela sobre a luta com a akuma... Ela poderia saber algo sobre akumas porque era uma elfa, mas ele não queria contar a outros sobre seu encontro ainda.
"Hmmm..."
Ryo não estava acostumado a ser examinado atentamente por uma beldade.
"S-Sera, você sabe a razão da diferença de tonalidade das pedras mágicas, sim?" — perguntou ele, tentando desesperadamente mudar de assunto e tirar a mente dela do problema que o trouxera à biblioteca em primeiro lugar.
"Bem, vou entrar na sua. Não pense que não sei que você está tentando me enganar." — Sera sorriu para ele. — "Claro que sei. Quanto mais tempo um monstro vive, mais escura sua pedra mágica."
"Então qual você acha que era a tonalidade das pedras mágicas dos monstros desta vez...?"
"Poderia ser que elas eram... claras?"
"Correto. Mas como..."
Sera assentiu.
"'Mas como eu sei' é o que você quer perguntar, hm? Porque li registros de Grandes Marés passadas. As pedras mágicas daqueles monstros eram de tonalidade clara também. Mesmo dentro desta biblioteca, esses registros não são mantidos em boas condições. Sem mencionar que estão escritos em pergaminho, então acho que a maioria das pessoas, até mesmo os bibliotecários, não sabe sobre eles. Gostaria de dar uma olhada neles também, Ryo?"
"Sim, por favor!"
"Vamos, então. Siga-me."
Com isso, Sera começou a caminhar.
༄
No terceiro dia após o levantamento do bloqueio da masmorra, a Espada Carmesim e os magos reais alcançaram a Camada 7. Não houve problemas até este ponto, embora até isso fosse um eufemismo, dado que não haviam encontrado um único monstro até agora.
Monstros do tipo morcego habitavam a primeira, tipo lobo a segunda e terceira, e goblins, como os que fizeram parte desta última Grande Maré, estavam na quarta e quinta. Abel e os outros pensaram que poderiam encontrar pistas se explorassem a masmorra até a quarta ou quinta camada, mas não haviam encontrado nada nem ninguém.
"Maldição... Eu com certeza não esperava que não encontraríamos nada mesmo a esta altura" — resmungou Arthur Berasus, conselheiro no Departamento de Magos Reais, enquanto caminhava ao lado de Abel. Arthur costumava ser um aventureiro na juventude, então fora natural para ele assumir a liderança nesta expedição à masmorra.
O Departamento tinha uma equipe de pesquisa de cem pessoas. Metade estava posicionada na superfície para analisar as informações vindas da masmorra, enquanto a outra metade coletava as ditas informações na masmorra. Estes últimos cinquenta vinham fazendo exatamente isso desde ontem. No entanto... nada havia se mostrado até agora.
"Deve haver algo em algum lugar. Sei que não estou errado, considerando a cor clara das pedras mágicas" — murmurou Abel baixinho.
A informação havia chegado aos ouvidos de Abel ontem. Depois que ele voltou da masmorra e fez seu relatório à guilda, uma sombra se aproximou dele por trás.
A figura — o mago da água — sussurrou:
"Abel, a senha é 'A cor das pedras mágicas era clara'."
"O quê?"
"A senha é 'A cor das pedras mágicas era clara'. Repita comigo, por favor. Vamos lá. A cor das pedras mágicas era clara."
Perplexo, Abel repetiu as palavras conforme instruído.
"A cor das pedras mágicas era clara."
"Isso mesmo. A cor das pedras mágicas era clara."
"A cor das pedras mágicas era clara."
Satisfeito, Ryo foi embora.
Então, é claro, Abel foi direto ao Mestre da Guilda Hugh para verificar a cor das pedras mágicas colhidas dos monstros derrotados durante a Grande Maré. Então a conversa misteriosa finalmente fez sentido. Os monstros não haviam subido das camadas inferiores da masmorra. Eles haviam ganhado vida apenas recentemente.
"Considerando o grande número de goblins, devemos assumir que o surto se originou em algum lugar nas camadas superiores, até a décima quinta camada" — disse Abel.
Por conveniência, a Camada 16 e abaixo eram conhecidas como camadas médias e continham monstros poderosos incomparáveis aos das camadas superiores. Era improvável que goblins rompessem essas seções... mas... mesmo assim, o caos dos números deles era assustador. Embora também não pudessem eliminar completamente a possibilidade de os monstros terem subido de baixo das camadas médias.
"Até onde sei, as camadas que os goblins habitam até a décima quinta são a quarta, quinta, décima e décima primeira" — respondeu Arthur.
"Certo. Não vimos nada na quarta e quinta. Sem monstros, armadilhas, nada. O único vestígio até agora..."
"Sim, o vestígio de uma concentração massiva de energia mágica alguns dias antes... localizada um pouco mais abaixo. Nada além disso, hein?"
"Um pouco mais abaixo pode significar..." — começou Abel. — "Camada 10, onde os goblins estariam normalmente... Em termos de tempo, há uma chance de que possa estar relacionado à Grande Maré..." — Enquanto falava, ele olhava para o equipamento mágico que a equipe de pesquisa segurava. Se Ryo os visse, a primeira coisa que pensaria era que pareciam detectores de metal.
"Ainda estou impressionado que esses dispositivos alquímicos possam detectar vestígios deixados por magia dias atrás."
"Hm. Supostamente, a informação que eles captam é enviada para a equipe na superfície para análise. Os criadores me disseram que usaram o princípio do feitiço de magia de ar Sonda, mas, francamente, não entendi patavina da explicação deles. O Centro Real de Alquimia e a Universidade de Magia trabalharam nisso juntos, aparentemente. Uma colaboração entre dois alquimistas talentosos."
"Alquimia, hein..."
"Ah, o que é isso, Abel? Não me diga que você está interessado em alquimia?" — A expressão surpresa de Arthur indicava que ele nunca teria esperado isso de Abel.
"Nah, não estou. Definitivamente não estou, mas meu amigo está, num nível insano."
"Você tem um amigo, Abel? Ainda mais chocante." — Arthur parecia verdadeiramente atordoado com a notícia.
"Que diabos? Eu tenho amigos também, sabe."
"Hm... Bem, talvez tenha sido uma coisa boa, afinal, você ter se tornado um aventureiro" — murmurou Abel suavemente, com um leve sorriso no rosto.
༄
No quarto dia após o levantamento do bloqueio da masmorra, a Espada Carmesim e a equipe de pesquisa do Departamento de Magos Reais investigaram as Camadas 8 e 9. Amanhã, pretendiam examinar a Camada 10, o nível da masmorra suspeito de ser a fonte de suas respostas. A equipe de pesquisa da Universidade Real Central conduziu sua própria pesquisa ao lado de Abel e os outros. Seu líder e presidente da universidade, Clive Staples, estava entre eles também.
"Credo, o pessoal da universidade com certeza se move rápido" — disse Abel.
Cada vez que a equipe de pesquisa dos magos reais chegava a uma camada, vasculhavam cada centímetro em busca de vestígios da Grande Maré. Enquanto essa minuciosidade explicava o ritmo relativamente lento de suas investigações, a velocidade com que a equipe de pesquisa da universidade conduzia suas inquéritos era anormal. Era quase como se tivessem decidido que não havia necessidade de investigar esta camada... porque já sabiam que não havia nada aqui...
"Evidentemente, a equipe da universidade acredita que os monstros neste último surto vieram de algum lugar abaixo da Camada 38" — disse Rihya depois que Abel expressou suas suspeitas.
"Espera, sério?"
"Sim." — Rihya sorriu alegremente. — "Um dos meus ex-colegas na equipe de pesquisa confirmou isso quando perguntei."
"Colega... você deve querer dizer alguém do seu tempo trabalhando no templo central na capital real, hein? Eles não vão se meter em problemas por revelar informações confidenciais assim?"
"Eles ficarão bem, mesmo se tiverem problemas. Sacerdotes estão em grande demanda em todo o mundo, sabe."
Havia uma escassez de magos habilidosos. E sacerdotes, capazes de usar magia de luz, eram considerados pessoal absolutamente essencial para a cura, então a demanda por eles sempre excedia em muito a oferta.
"Além disso, você deve ter notado que as escoltas da equipe da universidade são estranhas, sim?"
"Com certeza notei." — Abel também não havia perdido esse fato. — "Aqueles aventureiros definitivamente não são de Lune."
A equipe de pesquisa da Universidade Real Central marchara para a cidade com mais de três mil e quinhentas pessoas. Embora seus números incluíssem aventureiros trabalhando como escoltas e carregadores de bagagem, eles também contrataram aventureiros ao chegar aqui. Mas durante a descida anterior para esta camada, Abel e Rihya não haviam avistado um único aventureiro de Lune como parte do grupo da universidade.
"Parece que trouxeram esses aventureiros da capital. Os que contrataram em Lune são principalmente ranks D que foram encarregados de manter a comunicação com eles da superfície e garantir suprimentos de comida para toda a equipe de expedição."
"Meio que parece um desperdício de talentos, já que aventureiros da capital não estão familiarizados com a masmorra. Bem, acho que tudo bem se os aventureiros de Lune puderem ganhar dinheiro sem serem colocados em uma situação perigosa" — comentou Abel com um dar de ombros.
Dependendo da sua perspectiva, você poderia chamar a comissão de relativamente segura, mesmo que não valesse a pena fazer. Afinal, muito poucos aventureiros entrariam voluntariamente na masmorra após um evento de Grande Maré.
Arthur, o conselheiro dos magos reais, voltou resmungando depois de ter verificado seus subordinados.
"Abel, Clive e o pessoal dele já deram o fora daqui. Nesse ritmo, eles vão passar na nossa frente na Camada 10. Você não vai deixar isso acontecer, certo?"
"Rihya acabou de me dizer que eles estão operando sob a suposição de que os monstros vieram de baixo da Camada 38, então tenho quase certeza de que eles vão passar direto pela 10 como as outras. Não tenho certeza do que posso fazer para impedi-los, para ser honesto."
"O quê...?" — Sem surpresa, as palavras de Abel deixaram Arthur atordoado. Mas o homem mais velho era calejado pela batalha de muitas maneiras, então mudou de marcha imediata e sem esforço. — "Nesse caso, talvez eu deixe Clive ser nosso canário na mina de carvão, hein?"
Arthur sorriu descaradamente.
༄
Com um olhar de soslaio para a Espada Carmesim e os magos reais ainda investigando a nona camada, o presidente da Universidade Real Central, Clive Staples, avançou para a Camada 10.
"Lorde Clive, este é o nível dos goblins."
"Não faz diferença. Aqueles monstros vieram de muito mais abaixo, então não vamos nos demorar aqui."
Clive não poderia se importar menos com o relatório de seu secretário.
"Devo me tornar o próximo acadêmico-chefe por todos os meios necessários. Resolver o mistério da Grande Maré me ajudará a alcançar esse objetivo."
O acadêmico-chefe era o chefe da administração acadêmica no reino. Como o ministro das finanças que administrava as finanças do país ou o ministro de assuntos militares que liderava suas forças armadas, o acadêmico-chefe detinha poder sobre as várias disciplinas de aprendizado do país. Isso incluía a capacidade de alocar o orçamento nacional para os diferentes campos a seu critério. Era uma das posições mais poderosas formando a espinha dorsal política do Reino.
Ele já havia preparado bastante terreno. Tudo o que restava era acumular realizações suficientes com sua pesquisa para que ninguém ousasse criticá-lo. Se pudesse fazer uma grande apresentação sobre suas descobertas a respeito da causa desta Grande Maré, então seria capaz de ganhar o assento como acadêmico-chefe.
Foi por isso que ele viajou deliberadamente uma distância tão grande da capital para esta região remota.
"Mas, meu lorde, muitas de nossas pessoas não têm resistência, incluindo os pesquisadores..."
"Maldição e praga... Não há razão para alguém negligenciar seu treinamento físico simplesmente porque é um estudioso. Não adianta reclamar do que não pode ser mudado, no entanto. Vamos encerrar por aqui hoje. Diga aos outros que estamos montando acampamento aqui na décima camada."
A equipe de pesquisa da universidade planejava descer para a Camada 38 em uma única viagem, e foi por isso que investiram muitos recursos na expedição, como suprimentos de acampamento, rações e sentinelas para alternar o dever de vigia. Por causa de seus preparativos, a exploração da masmorra começara quatro dias após o levantamento do bloqueio.
Traduzido por Moonlight Valley
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