O Mago de Água Japonesa

Tradução: Soll

Revisão: Mon


Volume 2

Capítulo 2: Bloqueio Levantado

 

  Na manhã seguinte, o cronograma de Ryo foi imediatamente jogado no caos. Tudo começou no refeitório da guilda. Ele foi lá para tomar café da manhã porque queria passar o resto da manhã na biblioteca do norte da cidade.

Ele chegou no horário habitual, um pouco depois das sete horas, mas não havia mais nada para o café da manhã.

"Já vendeu tudo?" — perguntou ele.

"Sinto muito, Ryo. Aqueles estudiosos e inspetores da capital levaram tudo com eles. Estou indo ao mercado em breve para comprar tudo o que preciso para o almoço e jantar, então essas refeições não devem ser um problema. Mas... novamente, peço desculpas, a você e aos outros."

O chef principal baixou a cabeça em desculpas, uma mudança de atitude em relação à sua alegria habitual na cozinha. Ele era, é claro, um ex-aventureiro de rank C, um pouco mais velho que o mestre da guilda. Para os jovens aventureiros, ele era como uma figura paterna que sempre cozinhava comidas deliciosas para eles. Quando um homem como ele baixava a cabeça, eles não conseguiam criticá-lo. Por outro lado, as impressões dos aventureiros sobre o grupo de acadêmicos só pioraram, já que foram os responsáveis por forçar o chef principal a agir assim.

Equipes de pesquisa eram enviadas da capital real sempre que algo incomum ocorria dentro do país. Elas eram enviadas para investigar a causa e o curso do evento, e então determinar uma previsão para o próximo evento. As equipes de pesquisa consistiam em uma variedade de indivíduos, frequentemente estudiosos da Universidade Real Central e pesquisadores da Universidade de Magia. Às vezes, magos reais também compunham o núcleo das equipes de pesquisa.

Quase uma década havia se passado desde a última Grande Maré, e o último surto na única masmorra da Província Central tinha sido o mais massivo na história registrada, o que explicava o tamanho da enorme equipe de pesquisa enviada a Lune nesta ocasião. Nunca antes um grupo tão grande de agrimensores havia sido enviado. Geralmente, a Universidade Real Central, a Universidade de Magia e o Departamento de Magos Reais simplesmente enviavam quantas pessoas cada organização pudesse dispensar.

Eles haviam mobilizado cinco mil pessoas no total.

As equipes de pesquisa geralmente consistiam em cinquenta pessoas, não mais que cem, no máximo. Então, cinco mil significava... que todas as hospedagens da cidade estavam lotadas em capacidade máxima. Os membros desta enorme equipe de pesquisa que não conseguiram garantir quartos dentro da cidade eram, em sua maioria, pessoal de baixo nível, carregadores de bagagem e guardas. Infelizmente, eles foram forçados a acampar logo fora de Lune.

"Que diabos você quer dizer?!" — gritou Hugh, sua voz reverberando por todo o escritório.

Três dos chefes da equipe de pesquisa estavam à sua frente:

Clive Staples, presidente da Universidade Real Central.

Christopher Blatt, instrutor chefe da Universidade de Magia.

Arthur Berasus, conselheiro no Departamento de Magos Reais.

Todos os três eram considerados figurões no reino acadêmico da capital real, particularmente o presidente da Universidade Real Central, que havia assumido o comando da equipe de pesquisa. Ele possuía um ar tanto acadêmico quanto burocrático e era, sem dúvida, um dos principais líderes acadêmicos da capital.

Nada disso importava para Hugh. Embora entendesse que seria uma dor de cabeça se fizesse inimigos de qualquer um deles, ele ainda não se importava com nada disso.

"O pessoal de vocês confiscou até o último pedaço de comida da guilda de aventureiros assim que chegou aqui e agora você está me dizendo para levantar o bloqueio da masmorra porque vocês querem mergulhar direto nela? E depois exigem aventureiros como guardas além disso? Vocês têm muita coragem, sabiam?!"

A fúria de Hugh não teve muito efeito em nenhum dos três. A expressão de Clive permaneceu fria, Christopher olhava para outro lugar, e Arthur bebericava seu chá enquanto balançava a cabeça em exasperação.

"Mestre McGlass, Sua Majestade Real em pessoa nomeou o Conde Harold Lawrence, ministro de assuntos domésticos, como chefe desta expedição de pesquisa, que por sua vez nos concedeu autoridade total sobre a equipe enquanto estivermos em campo. Leia o decreto você mesmo" — disse Clive.

McGlass era o sobrenome de Hugh. Seu nome completo era Hugh McGlass.

Clive entregou uma carta selada com cera, bem como um decreto de autoridade, para Hugh.

"Um decreto de autoridade?"

Como o documento declarava, poder total era dado aos mencionados... Em resumo, os três homens à sua frente foram feitos procuradores do Conde Lawrence pelo próprio rei. Eram indivíduos que não deviam ser subestimados.

Hugh olhou para o selo de cera na carta. Um selo oficial exclusivo do Conde Harold Lawrence. Um olhar para ele e qualquer um saberia de quem era a carta. Ele quebrou o selo do envelope e leu a carta dentro.

"Hã... Aqui diz que eu deveria acomodar o grupo de vocês o máximo que eu puder."

"Agradecemos sua compreensão." — Clive sorriu educadamente, embora sua aura fria permanecesse.

"A palavra-chave sendo puder, senhores. E há coisas que eu posso e não posso fazer. A guilda não pode fornecer comida para todos vocês" — disse Hugh sem rodeios.

"Mestre McGlass, você entende o significado das palavras 'deveria acomodar'?"

"Clive Staples, você entende o significado das palavras 'o máximo que eu puder'?"

Outra voz cortou a conversa enquanto os dois homens se encaravam.

"Clive, Hugh, chega. Somos todos líderes do mesmo país. Hugh, você está certo sobre os suprimentos de comida. Desculpas por pegar tudo dos refeitórios da guilda. De agora em diante, não pisaremos lá dentro nem pressionaremos a guilda para nos fornecer comida. Falaremos com os líderes de Kailadi ou Acray e providenciaremos para que eles nos entreguem comida. Isso deve funcionar, certo?"

Quem resolveu a disputa foi provavelmente o mais velho entre os quatro, Arthur Berasus, conselheiro no Departamento de Magos Reais. Ele tinha uma longa barba branca e vestia as vestes cinzentas características de um mago. Ele possuía um grande cajado. Era um mago que parecia exatamente com um mago.

"Sim... Muito obrigado."

Mesmo agora, Arthur Berasus podia ser considerado um dos dez magos mais poderosos do Reino. Ele costumava ser um aventureiro na juventude, então o próprio Hugh certamente não poderia desrespeitar a intervenção de tal colega veterano.

"Entendido. Se o Conselheiro Berasus insiste, cederei nos suprimentos de comida, mas não posso ceder no levantamento do bloqueio da masmorra, porque então não haveria sentido em termos vindo aqui, para começo de conversa" — persistiu Clive.

"Nenhum de nós tem ideia do que está acontecendo lá dentro. Então, me pedir para abri-la novamente tão cedo é..."

Clive zombou.

"É precisamente por isso que estamos aqui. Para investigar o que está acontecendo."

Hugh rosnou baixo na garganta diante da ofensa óbvia antes de falar novamente.

"Tudo bem. Mas saibam disto. Vocês assumem risco total por si mesmos no momento em que pisarem na masmorra. Não importa o que aconteça, nem a cidade de Lune nem a guilda de aventureiros e seus membros assumirão qualquer responsabilidade. E vocês três assinarão reconhecendo essas estipulações."

"Vo-Você..."

"Se não gostarem, então não levantarei o bloqueio!"

Clive e Hugh se encararam mais uma vez.

"Clive, não temos escolha a não ser aceitar os termos dele. Hugh, você não terá problemas se contratarmos aventureiros e pagarmos comissões regulares, certo? Aventureiros sempre precisam ganhar moedas, não precisam?"

Arthur, o ex-aventureiro... Aceitar uma condição enquanto força seu oponente a aceitar outra. Dar e receber. Um mestre nos fundamentos da negociação. No que dizia respeito a Hugh, era isso que tornava o conselheiro excepcionalmente difícil de lidar.

"Sem problema nenhum. Cada aventureiro pode decidir por si mesmo se aceita ou não trabalhos do grupo de vocês. Só lembrem de uma coisa. Quase não há registros do que acontece em uma masmorra após uma Grande Maré. Coisas acontecerão que nunca aconteceram antes, e isso vale em dobro para aventureiros trabalhando nos dias de hoje. Sugiro que conduzam sua exploração com muito cuidado."

E assim, seis dias após a Grande Maré, o bloqueio da masmorra foi levantado.

Ryo vagou pelas ruas da cidade procurando uma loja onde pudesse tomar café da manhã, já que o refeitório da guilda não tinha dado certo. Se a masmorra estivesse aberta, as avenidas principais que levavam ao centro da cidade, onde a masmorra estava situada, estariam movimentadas com uma variedade de barracas de comida. Após a Grande Maré, no entanto, apenas algumas estavam abertas para negócios.

Parte da razão tinha a ver com menos aventureiros atravessando a área, o que significava vendas mais baixas. O maior fator, porém, foi a súbita diminuição no suprimento de carne de monstro da masmorra. Goblins na quarta e quinta camadas da masmorra não serviam para uma boa refeição, mas carne deliciosa de monstro podia ser caçada em algumas das outras camadas até a décima.

As poucas barracas que ainda estavam por ali, apesar do bloqueio da masmorra, ainda não estavam abertas tão cedo de manhã, e foi por isso que Ryo decidiu procurar um restaurante localizado em uma das ruas principais. Mas... todos estavam fechados também...

"Ah, não... Isso significa que tenho que ficar sem café da manhã...?"

O café da manhã era importante. A energia do dia começava com o café da manhã. Não havia como ele pular isso!

Esses pensamentos correram por sua mente enquanto ele continuava procurando um restaurante aberto. Então ele se viu em frente ao Onda Dourada, o restaurante onde haviam realizado a festa de retorno de Abel, onde Ryo tinha ficado ridiculamente bêbado. Ele sabia que a comida deles era excelente. Era também a estalagem que o grupo de Abel, a Espada Carmesim, usava como hospedagem preferida. A primeira coisa que se via ao passar pela entrada do Onda Dourada era um balcão de recepção. À direita ficava o refeitório.

"Você está brincando... A Espada Carmesim não está aqui?" — alguém perguntou.

"Sim, eles saíram juntos cerca de..." — respondeu a proprietária da estalagem — "meia hora atrás, mais ou menos? Eles não mencionaram nada sobre desocupar os quartos, então presumo que não irão muito longe em qualquer trabalho que tenham aceitado."

Ela e uma cliente conversavam no balcão. A cliente era tão baixa quanto Lyn, usava o mesmo estilo de vestes pretas de mago que ela, e segurava um cajado tão grande quanto o da maga do ar. Com base no que Ryo pôde ouvir de sua voz, a garota ainda era menor de idade. Quando soube que a Espada Carmesim não estava na residência, sua frustração ficou clara em seus olhos.

"Você acha que posso encontrá-los na guilda de aventureiros...?"

"Hm, eu diria que há uma chance, sim."

Então a estalajadeira notou Ryo, que havia entrado.

"Ah, olá, Ryo. Bem-vindo de volta."

A garota girou e o encarou. Um segundo depois, correu em direção a ele e agarrou seu braço.

"Irmãozão!"

"Irmãozão?!" — gritou a proprietária, atordoada ao ouvir a garota se dirigir a Ryo daquele jeito.

"Não, você entendeu errado. Eu definitivamente não sou o irmão mais velho dela."

Ela poderia ter pensado que eram irmãos há muito perdidos separados no nascimento, mas a garota era definitivamente uma estranha para Ryo.

"Você é um aventureiro, certo, irmãozão? Preciso ir à guilda de aventureiros imediatamente. Por favor, me leve até lá."

"Hããã..."

Será que Ryo encontraria café da manhã a esse ritmo...?

Claro, ele poderia ter ignorado o apelo da garota e desfrutado de um delicioso café da manhã no Onda Dourada, mas Ryo era, no fim das contas, um coração mole. Ele levou a garota maga de volta pelo caminho que viera na avenida principal.

"Como eu disse antes, se você continuar indo para o sul nesta estrada, chegará à guilda..."

"Eu entendo. Seria terrível se eu pegasse a curva errada em algum lugar e acabasse perdida... Acabei de chegar nesta cidade, então realmente não sei onde fica o quê por aqui."

O nome da garota era Natalie. Ela contou que havia chegado na noite anterior da capital real como parte da equipe de pesquisa, especificamente dos magos reais. Embora o restante dos membros do Departamento de Magos Reais estivesse hospedado no Onda Dourada e em outras estalagens próximas, o quarto dela ficava em uma estalagem totalmente diferente.

"O professor do meu professor de magia, um grande professor, de fato, me deu uma carta que devo apresentar diretamente a Abel da Espada Carmesim. É por isso que preciso visitar a guilda de aventureiros..."

"Entendo. Parece que você tem muita coisa para fazer, hm?"

Enquanto conversavam, os dois chegaram à guilda de aventureiros. O momento foi impecável. Assim que chegaram, Abel e os outros membros de seu grupo estavam saindo da guilda.

"Abel, isso não poderia ser mais perfeito."

"E aí, Ryo. Qual é o problema?"

"Esta jovem aqui tem algo para você. Não se preocupe, não é uma carta de fã."

"Não tenho ideia do que é uma carta de fã, mas tenho quase certeza de que você está tirando sarro de mim. Ou é só minha imaginação?" — Abel olhou para Natalie.

"Hu-Hum, isto é do Mestre Hilarion na capital." — Com isso, ela lhe entregou um envelope selado com cera.

Abel não foi o único surpreso ao ouvir o nome Hilarion. Lyn também ficou.

"Provavelmente é uma boa ideia ler agora, né? Que tal pegarmos alguns lugares no refeitório? Ryo, venha com a gente. Você também, hããã..."

"Sou Natalie."

O nome dela atordoou Lyn ainda mais, mas ninguém notou o choque da maga do ar.

"Certo, Natalie. Junte-se a nós também, já que posso precisar que você entregue minha resposta a ele."

Os quatro membros da Espada Carmesim entraram no refeitório da guilda acompanhados por Ryo e Natalie. Um refeitório sem comida alguma no momento...

Depois de ler a carta de Hilarion, Abel coçou a cabeça e entregou o papel a Rihya.

"Você disse que seu nome é Natalie" — disse Lyn nesse meio tempo. — "Como em Natalie Schwartzkoff?"

"Sou eu. Por que pergunta...?"

"Se me lembro corretamente, a casa de Schwartzkoff é uma distinta que produz magos da água..." — Lyn deixou a frase no ar, pensativa.

Magos da água... Acho que é a primeira vez que encontro outro mago da água... pensou Ryo, guardando sua empolgação para si mesmo.

"Eu pessoalmente ainda não sou muito habilidosa com magia, mas... estudo diligentemente todos os dias." — Natalie olhou para baixo envergonhada enquanto falava.

A carta de Hilarion passou de Rihya para Warren e finalmente para Lyn.

"Hm..."

Ryo não conseguia decidir se Lyn disse isso em resposta a Natalie ou à carta.

"Basicamente, o Departamento de Magos Reais quer reforços na masmorra, hein?"

"Reforços?" — Ryo deixou escapar. — "Mas eu pensei que o mergulho na masmorra estava suspenso até novo aviso?"

"Sim, está, mas os líderes da equipe de pesquisa provavelmente vão tentar abri-la novamente. Tenho a sensação de que o Mestre da Guilda acabará cedendo, já que o governo nacional enviou a equipe de pesquisa. Quando isso acontecer, é natural que queiram contratar aventureiros experientes... O que explica esta carta. Estão usando suas conexões pessoais para reivindicar nossos serviços."

Então a expressão de Abel ficou ainda mais preocupada.

"Abel, essa cara que você está fazendo significa que uma masmorra após uma Grande Maré é super perigosa?"

"Você está meio certo. Originalmente, as masmorras deveriam ser bloqueadas quando uma Grande Maré terminava. A prática começou algumas décadas atrás, quando um grupo de rank A não voltou da masmorra após a Grande Maré. Eles não eram apenas um grupo rank A normal. O líder deles era um espadachim inumanamente poderoso que poderia ter sido um rank S. Então o fato de nunca terem retornado foi algo importante e levou à criação dessa prática."

"Então isso é super perigoso... Então, como estou apenas meio certo?"

"Dado o desaparecimento do grupo rank A, até hoje, ninguém sabe o que acontece em uma masmorra após uma Grande Maré. Então a outra metade tem a ver com não querer entrar quando nem sabemos que diabos pode estar nos esperando lá dentro" — disse Abel com um dar de ombros.

Melhor não chegar perto disso por um tempo, então, Ryo jurou firmemente para si mesmo. Então ele se levantou.

"Certo. Estou indo tomar café da manhã."

"Hm? Por que você não come aqui mesmo? Mas, espere... Ninguém está comendo nada..."

Perplexo, Abel virou a cabeça e examinou o refeitório. As poucas outras pessoas sentadas na área bebiam apenas água, criando uma visão bizarra para o refeitório.

"A equipe de pesquisa pegou toda a comida esta manhã."

"O qu—"

Primeiro Abel ficou sem palavras com a notícia, rapidamente seguido por Rihya, Lyn e o sempre silencioso Warren. Embora o que mais surpreendeu Ryo tenha sido o choque de Natalie. Ela correu para explicar.

"O-Os magos reais deveriam estar pagando por seus próprios suprimentos de comida e cozinheiros... Então estou horrorizada ao ouvir que algo assim ocorreu..." — Ela parecia apologética, apesar de saber que não tinha culpa.

"Se isso se espalhar na guilda, a equipe de pesquisa vai ter dificuldade em contratar aventureiros, considerando quantos de nós somos tão irritáveis com coisas assim" — notou Abel calmamente.

"Pode apostar. A maneira mais rápida de ganhar o ódio de qualquer um é tirando sua comida" — respondeu Lyn com uma verdade universal.

De qualquer forma, Ryo já havia tomado a decisão de ficar longe da masmorra no futuro imediato.

"Abel, se o bloqueio da masmorra vai ser levantado, isso significa que precisamos cancelar a caçada de hoje, hm?" — perguntou Rihya.

"É, acho que sim. Tenho a sensação de que o Mestre da Guilda vai convocar os principais grupos e explicar tudo em breve. Provavelmente deveríamos ficar na cidade onde ele possa nos encontrar. No mínimo, ele pedirá que grupos de rank B apareçam."

"Isso significa nós e a Brigada Branca. Também deve haver cerca de vinte grupos de rank C atualmente em Lune."

"Ah, isso me lembra..." — disse Lyn. — "Sera está de volta."

"Sera do Vento, hein? Ela está na capital há algum tempo, certo?"

Ryo, que estivera de pé o tempo todo, finalmente se decidiu a deixar o refeitório.

"Vou indo nessa, então."

"Entendi. Você deve conseguir comer algo no Onda Dourada."

"Sim, é exatamente por isso que fui lá em primeiro lugar..."

Natalie, com o rosto corado, baixou a cabeça para Ryo quando percebeu que havia roubado a chance de Ryo tomar café da manhã.

"Hum, sinto muito..."

"Tudo bem. Você estava com pressa e precisava de ajuda. Vejo vocês por aí."

Então ele deixou a guilda e partiu em uma jornada para o Onda Dourada, com a intenção de satisfazer seu apetite pelo café da manhã.

Natalie não conseguia parar de se sentir mal mesmo depois que Ryo saiu.

"Ryo foi ao Onda Dourada para tomar café da manhã... e ainda assim acabou me trazendo até aqui..."

"Ei, não se preocupe com isso. Porque o Ryo com certeza não está" — consolou-a Abel com uma risada.

"Ah, Natalie, tenho uma pergunta para você. Como membro da família Schwartzkoff, renomada por seus magos da água, você conhece um tipo específico de magia de água onde o usuário pode criar uma Parede de Gelo longe de si mesmo e bem alto no ar?"

Embora perplexa com a pergunta de Lyn, Natalie respondeu sem hesitação.

"O quê? Não, até onde sei, tal magia não existe."

"Hm... Exatamente como eu pensava."

"Credo, Lyn, você ainda está presa nisso?" — perguntou Abel.

"Claro que estou!" — retrucou Lyn. — "Não tem jeito de um mago não ficar 'preso nisso', como você diz!"

"Você está dizendo que uma magia como essa de fato existe?" — perguntou Natalie, hesitante.

"Sim, mas eu mesma não vi."

"Então quem viu?"

"Nosso aclamado líder aqui."

Abel levantou a mão e inclinou a cabeça educadamente.

"Aclamado líder se apresentando para o serviço."

"Eu... não acho que seja possível, mas... Abel, você tem certeza do que viu?"

Abel sorriu ironicamente em resposta à tenacidade de Natalie.

"Hã, acho que você está certa sobre magos serem curiosos sobre esse tipo de magia, Lyn. Até a Natalie está intrigada."

"Ack! S-Sinto muito. Mas se for verdade, então eu definitivamente gostaria de ver uma demonstração pessoalmente... Onde exatamente você testemunhou esse tipo de magia?"

"Em uma jornada..."

"Ah... Isso significa que não podemos mais ver."

Natalie estava obviamente chateada. Não apenas pela resposta dele, mas pelo que ela implicava: que poderia ter sido um truque da imaginação dele, já que viu a magia apenas em uma jornada...

"Não... exatamente. Antes de eu dizer... Natalie, preciso que você me prometa que manterá essa discussão entre nós, ok? Você não pode contar nem para sua família. Só vou continuar falando se você me jurar que este segredo está seguro."

"Hã...? C-Claro. Não contarei a ninguém. Você pode até me prender com magia de contrato!"

"Nah, não precisamos ir tão longe." — Abel contemplou por um instante antes de continuar. — "O mago que criou uma parede de gelo no ar e a usou para esmagar golens foi aquele que você acabou de conhecer. Ryo."

Os olhos de Natalie se arregalaram em espanto e permaneceram assim por algum tempo.

"Ryo é uma anomalia. Rihya, Lyn, Warren, vocês três escutem também. Nunca, e eu digo nunca, se coloquem contra ele. Mesmo com nós quatro contra ele, ele nos mataria num instante. E no pior caso, se vocês se encontrarem lutando contra ele, rendam-se. Apenas se rendam. Desse jeito, ele deixará vocês viverem. Entendido? Estou falando muito sério agora. Esta é uma ordem do líder do grupo de vocês."

"Entendido."

"Certo."

Warren assentiu.

"Abel..." — Natalie encarou Abel gravemente. — "Ryo é realmente tão poderoso assim?"

"Natalie. Se você algum dia se encontrar em um aperto e precisar de alguém para te salvar, mas nós não estivermos por perto para ajudar, quero que você confie no Ryo. Ele geralmente está em seu quarto, o número 10 aqui no anexo habitacional, ou em uma das bibliotecas. Se algo assim acontecer, não minta para ele. Ele saberá. E uma vez que ele saiba, provavelmente te matará. Apenas conte tudo honestamente e seja sincera quando pedir a ajuda dele. Ele é um bom sujeito no fundo e um pouco coração mole. Contanto que você não tente enganá-lo, há uma boa chance de que ele ajude."

Eles receberam a convocação do Mestre da Guilda uma hora depois que Ryo partiu para o Onda Dourada em busca de café da manhã. Hugh havia chamado todos os líderes de grupos de rank D e superior. Era prerrogativa de cada pessoa aceitar ou ignorar seu pedido, mas nenhum aventureiro era tolo o suficiente para ignorar o convite do Mestre da Guilda.

No entanto, se a convocação nunca chegasse à pessoa em questão em primeiro lugar, ela não poderia respondê-la. Uma dessas pessoas era Ryo, um mago da água indo para a biblioteca do norte pela avenida principal após o café da manhã no Onda Dourada.

 

 

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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