O Mago de Água Japonesa

Tradução: Soll

Revisão: Mon


Volume 1

Capítulo 9: Uma Grande Batalha de Monstros

 

  Ryo e Abel estavam em apuros.

"Abel, o que você acha que é aquilo ali...?”

Ainda estava bem distante, mas eles conseguiam ver algum tipo de criatura gigantesca dormindo na margem do rio.

"Parece um... hipopótamo enorme?”

"Tenho quase certeza de que você está certo, Ryo... É a primeira vez que vejo um também, mas estou quase positivo de que aquilo é um Behemoth.”

Os dois conversavam em sussurros. Pelo bom senso, estavam longe demais para o monstro ouvi-los. Ainda assim, ambos decidiram tacitamente que era melhor falar baixo. Com certeza não queriam que um descuido deles fosse o motivo de serem atacados...

"Abel, você quer caçar ele, né?”

"Claro que não, porra!

O monstro colossal facilmente tinha pelo menos cem metros de comprimento. Se realmente fosse um Behemoth, seria o primeiro avistado por humanos em mais de cem anos — pelo menos dentro do Reino de Knightley. Não era um dragão, mas ainda assim era um monstro bastante conhecido.

"Algo desse tamanho provavelmente atravessaria minha Parede de Gelo de 10 camadas como se fosse nada, né? Duvido que a magia funcione nele como funcionou nos golems de pedra.”

Enquanto um suor frio e nervoso escorria pelo corpo de Abel e sua voz baixa transbordava tensão, Ryo soava como se estivesse se divertindo. Para Ryo, aquilo era uma visão que jamais poderia experimentar na Terra, já que aquela versão de hipopótamo sequer existia lá. Apesar de entender o perigo, ele não conseguia negar o friozinho de empolgação percorrendo seu corpo.

"Pois é, então nem pense em tentar alguma coisa, Ryo. Tá me ouvindo?”

"Abel... Você acha que eu sou maluco, né?”

"Acho sim." Abel confirmou com um aceno decidido, o que deixou Ryo chocado.

Então Ryo percebeu algo voando na direção deles vindo do norte.

"Abel, tem algo se aproximando.”

Abel olhou para onde Ryo apontava. Mesmo com sua excelente visão, tudo que conseguiu perceber era que algo desconhecido vinha na direção deles. Não conseguia distinguir claramente o que era. Mas, mesmo daquela distância, dava para saber que não era um pássaro.

"Dragões...?””

"Não" respondeu Abel. "Wyverns. As mãos e as asas deles são fundidas.”

"Oooh, protótipos de dragão!”

Bom, isso foi meio rude da parte do Ryo.

"Tô vendo seis…”

Havia muitos relatos de avistamentos de Wyverns, até mesmo nas Províncias Centrais. Tinham rostos reptilianos, pescoços longos, corpos longos e caudas compridas. As pernas possuíam garras, enquanto os braços eram basicamente asas. Como os braços e asas de um dragão eram membros distintos, essa diferença permitia que as pessoas distinguissem os dois monstros... supostamente. Tudo não passava de boato, considerando que dragões eram praticamente criaturas lendárias.

Apesar de não estarem no mesmo nível que dragões, ainda assim não eram adversários que alguns aventureiros ou cavaleiros pudessem enfrentar facilmente. Isso valia para um único Wyvern — e agora havia seis voando do norte...

"Então aqueles Wyverns... Estão mirando…”

"Sim, o Behemoth.

"Uau! Vou poder assistir a uma grande batalha de monstros!”

"Droga... O Behemoth tá totalmente em desvantagem numérica... " disse Abel. Ele já havia participado de inúmeras caçadas a Wyverns, então sabia bem o quanto eram fortes e perigosos.

"Eu não acho que o BeheBehe vá perder tão fácil!”

Em algum momento nos últimos minutos, Ryo tinha decidido apelidar o Behemoth de BeheBehe. Bem, se você ignorasse o tamanho absurdo, aqueles olhos redondos e fofinhos e a aparência de hipopótamo realmente davam uma certa vibe adorável... provavelmente... talvez...?

"Atacar alguém como um bando desses é uma desgraça total para o Caminho do Dragão!”

"Caminho do Dragão... Eu... Tá. Tanto faz. Mas você não pode negar que atacar do ar é uma vantagem absurda. Wyverns usam magia de ar. O corte de ar invisível e a lâmina sônica são especialmente perigosos.”

"Lâmina sônica! O ataque onde eu criaria duas cópias de mim mesmo e lançaria uma lâmina sônica de cada uma enquanto avançava junto!”

Também conhecido como breakdown rush, a estratégia da qual Ryo era completamente obcecado.

"Nunca ouvi falar de alguém se clonando... Ou avançando com uma lâmina sônica ao mesmo tempo " respondeu Abel, levando o comentário irresponsável de Ryo totalmente a sério "porque ele era um cara legal.”

Enquanto isso, o Behemoth adormecido tinha despertado e se preparado para revidar a ameaça iminente, ficando de pé sobre as quatro patas. Uma distância de quarenta metros separava os seis Wyverns no ar e o Behemoth, preso ao solo.

Os Wyverns fizeram a primeira jogada. Eles lançaram cortes de ar ao bater das asas — ou pelo menos era o que parecia para Ryo e Abel. Naquela distância, nenhum dos dois conseguia visualizar a distorção no ar indicando o ataque. Nem sequer conseguiam ouvir nada, de tão longe que estavam...

Mas o Behemoth sabia exatamente quantos cortes de ar foram lançados, assim como suas trajetórias. Seis pedras, cada uma mais ou menos do tamanho de uma cabeça humana, apareceram instantaneamente ao redor do monstro. No mesmo instante, o Behemoth as disparou, essencialmente contra-atacando os cortes de ar dessa forma.

"Uou.”

"Boa, BeheBehe! Eu sabia que você dava conta!”

"Acho que eles vão usar o ataque à distância agora –  a lâmina sônica.” 

Abel fez essa previsão baseado em suas experiências anteriores lutando contra Wyverns.

"A coisa mais perigosa da lâmina sônica é quando ela se divide depois de lançada.”

"Então vai ser um ataque de saturação? Magia de ar é brutal demais, né?!”

Nada era mais perigoso para um alvo do que receber um ataque mágico que se dividia momentos antes do impacto. Assim como Abel previu, os seis Wyverns cada um lançaram uma lâmina sônica. Diferente do corte de ar, a lâmina sônica era magia de ar visível a olho nu. As seis lâminas de ar avançando contra o Behemoth se dividiram em muitas menores antes de chegarem à metade da distância.

Mas o Behemoth parecia já esperar por isso. Em vez de usar projéteis como antes, a criatura criou uma enorme barreira de pedra à sua frente para bloquear todas as lâminas sônicas.

"Eu sabia que Behemoths eram monstros terrestres, mas não fazia ideia de que eram tão bons em magia de terra.”

"Eu sabia que ia ser uma briga feia e pesada. Só não esperava que fosse girar tanto em torno de magia.”

"Pois é, mas nenhum dos dois lados conseguiu dar o golpe decisivo ainda.”

Reunido num único ponto, o bando de Wyverns avançou junto e começou a circular o Behemoth.

"Huh. Sac sac... Já saquei o que eles tão tentando fazer. Atacando de todas as direções, anulam a barreira de pedra.

"Grr... Não desiste, BeheBehe!”

Quando os Wyverns completaram a formação de cerco, se prepararam para disparar outra rodada de lâminas sônicas. Só então Ryo percebeu algo estranho ao redor do Behemoth. Ele não conseguia identificar a origem daquela sensação, e justamente por isso sabia que tinha algo errado. Já tinha sentido aquilo antes.

A sensação de anormalidade se espalhou rápido pela área ao redor do Behemoth. No instante em que os Wyverns entraram nesse alcance, as lâminas sônicas lançadas a curta distância simplesmente desapareceram, e os próprios Wyverns caíram no chão, como se tivessem perdido a habilidade de voar de uma hora pra outra.

"Paralisia? Em todas as direções?”

"Não... Acho que não…”

Quando Abel olhou para Ryo, viu o amigo meio pálido.

"Acho que é anulação mágica.”

Sim, Ryo reconhecia perfeitamente aquela sensação. Era a mesma que sentira contra o falcão assassino de um olho só depois que ele evoluiu.

Agora ele entendia que os Wyverns provavelmente voavam usando magia de ar. Caso contrário, aqueles corpos enormes não conseguiriam pairar tão facilmente. Deslizar pelo ar, vá lá... mas ficar parado no ar? Impossível sem magia.

E o Behemoth tinha simplesmente lacrado essa magia, derrubando todos e impedindo-os de voar ou usar magia de ar. Se fosse paralisia, eles nem conseguiriam se mexer.

Esses pensamentos passaram pela cabeça de Ryo enquanto ele observava a cena à distância. Alguns dos Wyverns caídos cambalearam ao tentar se levantar, suas posturas agressivas deixando claro que ainda queriam lutar.

"Anulação mágica? Tipo... não conseguir usar magia? Isso existe? Nunca ouvi falar de nenhum mago humano capaz disso, muito menos um monstro. Não tem como, Ryo.”

"Olha direito. Vê como os Wyverns caídos tão tentando se levantar? Se estivessem paralisados, nem isso conseguiriam.”

"Ah, é, verdade. Mas anulação mágica...? Difícil de acreditar. Embora... já ouvi rumores de armadilhas assim em dungeons…”

"Dungeon, você disse?!”

Um verdadeiro clichê de fantasia!

"Abel, você tá me dizendo que existe uma dungeon no Reino de Knightley?”

"Sim. E é a única de todas as Províncias Centrais.”

A empolgação de Ryo explodiu no mesmo instante.

"Incrível! E ela tem anulação mágica como armadilha?”

"Não. Não no Reino. Mas tem rumores de existir isso nas dungeons das Províncias Ocidentais. Salas de anulação mágica, aparentemente.”

"Aha! Se anulação mágica existe em dungeons, então não é tão estranho monstros terem essa habilidade também!”

"Uh, não... ainda é bem estranho, na real... " Abel franziu a testa, balançando a cabeça. " Então você se interessa por dungeons, Ryo?”

"Claro! Ia amar explorar uma algum dia!”

"Então você deu sorte. Lune tem a única dungeon de todas as Províncias Centrais.”

A revelação pegou Ryo completamente desprevenido.

"Tá brincando... Por que você demorou tanto pra me contar isso, Abel?!”

"Ei, não bota a culpa em mim. Eu nem sabia que você gostava de dungeons até agora.”

A batalha entre Wyverns e Behemoth continuava enquanto eles conversavam. Mas, a essa altura, já não podia mais ser chamada de batalha—era um massacre unilateral. Os Wyverns tinham perdido sua vantagem aérea esmagadora, além de não poderem usar magia de ar nem voar. Enquanto isso, o Behemoth ainda era uma ameaça só por existir daquele tamanho.

Os Wyverns não conseguiram nem arranhar o oponente, por mais golpes físicos que tentassem. E pior: o Behemoth ainda era capaz de controlar magia. Enquanto esmagava alguns Wyverns com os pés, disparava projéteis de rocha nos que tentavam fugir.

O ataque unilateral terminou em menos de cinco minutos. Quando acabou, só restaram os seis cadáveres de Wyverns.

"Bom... aquilo foi um espetáculo aterrorizante, não acha?”

"É... Behemoths realmente são outro nível.”

Antes da luta, Abel tinha certeza de que os Wyverns venceriam graças à enorme vantagem que possuíam. Nunca imaginou que a luta viraria um banho de sangue unilateral daquele jeito. jurou profundamente que jamais enfrentaria um Behemoth na vida.

"Então você não vai se importar com o round dois: Abel VS BeheBehe, né?”

"Se ferrar vai…”

Os dois deram uma enorme volta ao redor do Behemoth, que comia os Wyverns sem prestar atenção em nada, e seguiram viagem.

Sol: A madrugada de revisão ta boa, sua querida revisora leu viagem como virgem…. | Moon: Eiii, não conta!! Arrombadinho… | Sol: Pérolas tem que ser divulgadas!

Depois que o desvio para o leste os levou para longe do campo de batalha Behemoth-versus-Wyverns, voltaram a seguir rumo ao norte. Um tempo depois, enquanto caminhavam, Abel falou com Ryo.

"Ei, Ryo. Se meus olhos não tão me enganando, tenho quase certeza de que tem uma cordilheira absurdamente alta logo à frente.”

"Uau, Abel, que coincidência, porque eu tô vendo a mesma coisa daqui.”

Mesmo ainda estando a uma boa distância, as montanhas nevadas eram tão altas que ultrapassavam as nuvens. A cadeia montanhosa devia ter uns seis... talvez até sete mil metros de altura. Pelos padrões da Terra, certamente estaria nas categorias mais elevadas.

"E-Então... esse é o “tampa” que você tinha comentado, né?”

"Acredito que sim.”

Ryo também não esperava um colosso geográfico daqueles.

"Antes de tentarmos cruzar aquelas montanhas... a gente devia caçar e secar o máximo de carne possível aqui no sopé. Talvez dê pra caçar até metade do caminho, mas acho que a comida vai ficar bem mais escassa depois disso.”

"É... faz sentido, especialmente com toda essa neve.”

Aff... Se eu fosse um mago do ar, conseguia atravessar essa cadeia num único voo!

As palavras de Ryo fizeram Abel imaginar a maga do ar do seu grupo, Lyn, tentando fazer aquilo – e, na imagem mental dele, ela simplesmente não conseguia, por mais que tentasse.

"É, não... nem em um milhão de anos " disse Abel, jogando um balde de água no delírio de Ryo.

Eles continuaram seguindo para o norte e, eventualmente, acabaram caminhando por dentro da floresta.

"Ah, Abel, eu tô pensando aqui... Você já derrotou Wyverns antes?”

"Hm? Já, participei de várias caçadas a Wyverns no passado. Por que a pergunta?”

"Bom, aqueles que tentaram matar o BeheBehe vieram da cadeia de montanhas ao norte, certo?”

Ao ouvir isso, Abel virou a cabeça tão devagar para olhar para Ryo ao seu lado que, se fosse uma máquina, Ryo teria escutado as engrenagens rangendo com o movimento.

"Não me diga que você acha que tem Wyverns mais à frente...?”

"Não acho. Tenho certeza" disse Ryo, com uma expressão radiante em contraste com o olhar atônito de Abel.

A verdade é que Ryo queria ver os Wyverns de perto. Mais cedo, ele e Abel estavam longe demais da batalha com o Behemoth para enxergar alguma coisa direito.

"Wyverns não são o tipo de inimigo que dá pra derrotar com uma ou duas pessoas. Uma caçada a Wyvern precisa recrutar pelo menos uns vinte aventureiros Rank C. E mesmo assim, sempre rola gente ferida ou até pior.”

Incontáveis vezes, Abel já tinha visto aventureiros feridos e mortos por Wyverns. Era um inimigo que ele queria evitar a todo custo.

"E como vocês lutam com eles nas caçadas? Suas Habilidades de Combate não funcionam neles, já que ficam no ar, né?”

"Espadachins como eu servem de isca quando enfrentamos monstros aéreos. Quando a gente consegue atrair eles pro chão, nosso trabalho é dar o golpe final. Mas, dito isso, arcos e flechas não são efetivos contra monstros do nível de um Wyvern, então os magos acabam sendo a força ofensiva principal.”

"Oooh, três vivas para os magos" Ryo comemorou, balançando os braços no ar.

"É, mas não é como se um ou dois magos fossem o suficiente pra derrotar um Wyvern, tá? Enquanto estão vivos, Wyverns protegem o corpo com magia de ar. Por causa disso, mal recebem dano, nem mesmo dos ataques dos magos de fogo" explicou Abel, lembrando-se de suas experiências passadas e de outros pontos importantes sobre os monstros.

"Isso só mostra que magos de fogo não são tão incríveis assim, né?" disse Ryo. Como mago da água, ele sentia uma rivalidade natural com magos de fogo, então acabava insultando eles sem perceber — mesmo sem ter conhecido um sequer desde que chegou em Phi. Bom, pra falar a verdade, nunca tinha conhecido nenhum mago na vida. Além dele próprio, claro.”

"Você pode não achar, mas é fato: magia de fogo é a mais forte quando o assunto é poder de ataque. Wyverns também não sofrem dano dos ataques de magos de ar por causa da afinidade deles com magia de vento.”

"Sério? Então é assim que funciona?”

"É. Ataques como Corte de Ar não acertam eles.”

Ryo se lembrou da bola de iscas e do Kraken que tinha encontrado no mar.

Será que Wyverns conseguem tirar o controle mágico igual aqueles desgraçados? Talvez seja possível quando usuários do mesmo elemento se enfrentam...

"E é por isso que magos de fogo focam só em disparar ataques como Bola de Fogo e Lança de Fogo. É a única forma de desgastar a resistência de um Wyvern.”

"Eu não sei bem como dizer isso, mas... parece um estilo de luta meio, hum... desorganizado…”

"Dá pra culpar a gente? Não existe método definitivo pra caçar Wyverns. A gente fica bombardeando com magia de fogo, desgastando a stamina deles, enfraquecendo a proteção de ar. Aí, com sorte, algum ataque acerta e derruba o bicho no chão. Mas os ataques de fogo deixam os Wyverns furiosos, e os ataques de investida deles causam vítimas demais" respondeu Abel, dando de ombros.”

"Então talvez os humanos devessem só deixar eles em paz? Não é uma opção?”

"Fácil falar, difícil fazer, especialmente quando eles aparecem nas estradas por onde caravanas passam e atacam, causando atrasos no comércio. Já dá pra imaginar o efeito dominó que isso causa. Então os lordes regionais, às vezes até o próprio rei, contratam o sindicato dos aventureiros pra caçar eles.”

Abel parou, de repente ficando totalmente alerta.

Tem algo errado.

Ryo também sentiu a perturbação no ar.  

“A vegetação... tem algo errado com a vegetação" sussurrou para Abel.

Em resumo, não era um monstro animal, mas sim a flora ao redor que era a fonte daquela sensação estranha.

Mas nada atacou eles. Nada... pelo menos nada visível.

Então Abel caiu de joelhos de repente.

"Abel!”

"Eu tô bem. Acho que é algum tipo de veneno, mas vou ficar normal em um instante.”

Alguns momentos depois, Abel se levantou, aparentemente já recuperado do veneno. Então ele desembainhou a espada e assumiu postura de combate.

Ryo visualizou as moléculas de água no vapor dentro de um raio de vinte metros ao redor deles e conjurou uma magia.

Active Sonar. 

Instantaneamente, uma quantidade absurda de informações invadiu seu cérebro, deixando-o tonto. Ele precisava aguentar firme. O Pulso emitido de seu corpo se espalhou, ondulando pelas moléculas de água como as pequenas ondas formadas quando se joga uma pedrinha em uma superfície de água clara e parada. Quando o Pulso alcançou uma substância estranha flutuando entre as ondas, ele enviou um retorno para Ryo, que "graças às suas experiências passadas" conseguiu identificá-la.

Parece um veneno paralisante. A concentração é maior... pra direita... mas eu não vejo nada... Não, espera, tem uma leve oscilação.

"Squall.

Uma chuva violenta caiu, derrubando todas as partículas de veneno paralisante suspensas no ar.

"Ice Casket.

Então ele congelou completamente a fonte do veneno paralisante. Antes, ele só conseguia controlar a área a dez centímetros de distância da superfície do corpo de uma criatura. Agora, graças a seu esforço constante, conseguia congelar todo o ar ao redor.

"Aquele bloco de gelo. É...?”

"Sim, aquela planta estava espalhando o veneno. Ao congelar ela por completo, a secreção é totalmente interrompida.”

"Mas... que caralhos é isso... " disse Abel atordoado,. Ele nunca tinha visto uma planta assim. Talvez fosse por causa do índice de refração ter mudado após ser congelada, mas agora conseguiam ver um monstro-planta exatamente igual a uma Rafflesia.

"Acho que ela deve ter a habilidade de refletir luz como um espelho e se misturar ao ambiente.”

" Então é por isso que a gente não conseguia ver até agora...?”

Abel também tinha sentido a perturbação, mas não conseguiu identificar a fonte. E isso era natural, já que o monstro conseguia ficar praticamente invisível.

"O que vamos fazer com esse bloco de gelo então?”

"Vamos só deixar ele assim e ir o mais longe possível. Eventualmente vai descongelar. Plantas conseguem sobreviver mesmo depois de serem descongeladas. Ela pode viver feliz por aqui depois que já estivermos bem longe.”

"E... o que acontece com seres vivos que não são plantas?”

"Bom, eles morrem. Em experimentos, tentei fazer com que o coração e o sangue continuassem funcionando mesmo congelados. Também tentei colocar outros em animação suspensa com congelamento instantâneo. Mas... ainda não consegui. Vou continuar tentando.”

"C-Certo... " Abel engoliu seco, sentindo a garganta travar de repente. Ele não pôde evitar imaginar a possibilidade de ser congelado daquele jeito. Claro, sabia que o Ryo nunca faria isso com ele. Mesmo assim... se pensasse apenas na hipótese, era inevitável que a imagem surgisse.

A voz de Ryo atravessou seus pensamentos sombrios.

"Abel... só de olhar pra sua cara eu sei exatamente no que você tá pensando!”

"Q-Quê…”

Ele não conseguiu esconder o nervosismo.

"Você tá pensando que um caixão de gelo deve ser bem fresquinho no verão, né? Sério... olha o trabalho que você me dá.”

"É, agora me sinto mais aliviado... por vários motivos.”

Mesmo decepcionado, Abel também ficou um pouco feliz por algum motivo.

Eles estavam descansando após o jantar. Só porque estavam viajando não significava que precisavam viver tensos o tempo todo. Manter o corpo sempre em estado de alerta não fazia bem. Melhor relaxar quando possível e ficar atento quando necessário. Isso era o importante.

"Um monstro-planta que libera veneno paralisante... e ainda por cima invisível... Sinceramente, é a primeira vez que ouço falar de algo assim" disse Abel, lembrando da criatura parecida com uma rafflesia que encontraram à tarde. Mesmo com toda a experiência que tinha como aventureiro, nunca ouvira falar daquilo.

"Só agora percebi que não existiam monstros-planta perto de onde eu vivia.”

"Sei que os monstros-planta são distribuídos de forma desigual nos habitats. Diferente dos animais, eles não podem se mover. Então é bem possível jamais ver um. Dito isso, existem aventureiros que caçam só monstros-planta.”

"Ooooh, isso é interessante! É porque eles deixam materiais úteis?”

"É. Coisas que alquimistas usam nos experimentos ou pra fazer equipamentos.”

"Eu tô realmente curioso sobre alquimia!" disse Ryo, com brilho nos olhos. Ele estava empolgado com o assunto mesmo sem nunca ter encontrado um alquimista até então.

"Pelo que dizem, é bem difícil se tornar um alquimista de verdade.”

"Não me importo! Como dizem, se você ficar sentado numa pedra fria por três anos, ela esquenta!”

Abel não fazia ideia do significado daquele ditado, então simplesmente ignorou.

 “Ah, certo. Ryo, tô curioso. Como você conseguiu se proteger do veneno daquele monstro?”

Abel só tinha conseguido se recuperar do status negativo por causa de um item que carregava " algo capaz de neutralizar a maioria dos venenos comuns. Mesmo assim, o veneno paralisante daquela planta era forte o bastante para enfraquecê-lo e fazê-lo cair de joelhos. Já Ryo parecia totalmente ileso, e isso chamava a atenção.

"Bom, eu não fiz nada de especial " Ryo respondeu honestamente. Não era como se tivesse criado resistência a venenos de propósito. Na verdade, nem tinha encontrado ervas detox perto da casa onde vivia.”

Agora fiquei curioso sobre por que nada aconteceu comigo. Será que foi a proteção do Rei das Fadas da Água...? Não, algo assim não parece possível nesse mundo... Mas talvez...

"Será que é por causa desse manto?" Ryo soltou sem pensar. Não havia como confirmar a suspeita, então resolveu apenas agradecer mentalmente à pessoa que o deu.

Obrigado, Mestre.

"É bem possível, na verdade. Tenho certeza de que esse manto não é nada normal.”

"Só pra constar, Abel, você não vai ficar com ele.”

“Nem quero.”

Eu agradeci meu mestre em silêncio alguns segundos atrás por ter me dado ele.

"Certo. É importante demonstrar gratidão.”

Ryo arregalou os olhos, chocado com aquelas palavras.

“Abel, você falou algo decente pela primeira vez na vida…”

 “Qual é, Ryo! Eu sempre digo coisas certas!”

"Só você acha isso. É assim que funciona.”

"Você é a última pessoa de quem eu quero ouvir isso!”

No dia seguinte, os dois começaram a procurar carne para secar antes de atravessarem a cadeia de montanhas.

"Abel, vamos caçar uns javalis também. Carne de coelho é uma delícia, mas acho que deveríamos ter javali de reserva. Tô pensando num javali maior, já que é o maior entre os tipos de javali " disse Ryo quando Abel perguntou que tipo de carne deviam caçar.”

"Não me oponho ao javali, mas... você sabe que javalis maiores dão trabalho, certo? E não acha que eles são grandes demais?”

"Melhor grande demais do que pequeno demais, como dizem. É mais fácil derrubar um javali enorme do que um monte de bichos pequenos. Concorda? Além disso, é bem provável que acabemos caçando Wyverns em breve, então por que hesitar diante de um ou dois javalis maiores antes disso?”

"Bom... é que com as Wyverns nós não temos escolha. Aliás, ainda não entendo por que você tá tão empolgado em lutar com elas. E javalis maiores também não são exatamente fáceis de caçar…”

"Como você pode ser tão covarde antes mesmo de começarmos?! Você não é digno do seu nome, Abel!”

"Eu realmente quero saber qual é a sua definição do meu nome…”

A discussão acalorada entre Ryo e Abel continuou até que finalmente decidiram caçar cinco monstros do tipo coelho e cinco do tipo javali... sendo o último deles um javali maior. A propósito, Abel tirou sua própria conclusão sobre a discussão: “Ryo nunca recua.”

Eles não tiveram problemas para caçar cinco coelhos menores e quatro javalis menores. Depois de esquartejar as carcaças, Ryo congelou a carne. Então finalmente chegou a hora de derrubar o javali maior, que foi fácil de localizar graças ao Sonar Passivo de Ryo.

"Ryo, exatamente como combinamos. Tô contando com você pra parar ele com a parede de gelo e as lanças de gelo.”

"Repele, Parede de Gelo de 5 camadas. Perfura, Lança de Estalactite 4.

Ryo adicionou aqueles prefixos totalmente genéricos aos feitiços sem motivo algum.

Abel já tinha passado da fase de comentar sobre isso. Ele já entendia que a magia do Ryo funcionava exatamente igual, com ou sem aqueles cânticos aleatórios. Tudo o que fez foi balançar a cabeça de leve.

Independentemente da aleatoriedade dos cantos, Ryo gerou uma parede de gelo exatamente como Abel tinha imaginado.

Clang.

O javali maior avançou sem arremessar pedras primeiro e colidiu direto com a parede de gelo. Assim que parou, quatro lanças de gelo trespassaram suas pernas.

O grito de dor ecoou ao redor, mas não durou muito. No instante em que o javali começou a urrar, Abel já tinha se movido para o lado esquerdo dele com a espada em mãos.

"Técnica de Combate: Empalamento Total.

A lâmina brilhou em um vermelho fraco quando Abel a enfiou pela orelha do monstro. O javali maior estremeceu por um instante e desabou, sua força desaparecendo rapidamente.

"Haaa... " Abel soltou um suspiro baixo. Mesmo tendo executado o plano perfeitamente, ele ainda estava tenso. Afinal, as garras de um javali maior podiam rasgar um humano como se fosse papel. Não importava que eles tivessem imobilizado o bicho primeiro com as lanças"Abel ainda precisava chegar perto o suficiente para estar ao alcance do monstro, e isso naturalmente exigia nervos de aço.”

“Exibição fantástica como sempre, Abel.”

Ryo elogiou com sinceridade, já esperando que o espadachim finalizasse o monstro em um único golpe. Eles só tinham ferido o javali maior nos pés e na orelha, o que tornaria a próxima tarefa muito mais fácil. No geral… um feito maravilhoso!

"Muito bem então, Abel. Por favor, retire o couro dele com bastante cuidado.”

"Hã?”

"Vou fabricar umas coisas com ele. Bolsas pra guardar carne seca, roupas pra mim e uma capa pra você, Abel. Couro de javali maior é mais resistente que o de javali menor. E também tem uma textura muito mais agradável.”

"Ah... agora entendi por que você estava tão decidido a caçar um javali maior. Já estava pensando no futuro pra nós, né?" disse Abel, balançando a cabeça com um sorriso resignado. Era inegável que um único javali maior tinha couro suficiente para tudo o que Ryo mencionou. Além disso, a carne seca que fariam com a carne dele sustentaria a jornada"matar dois coelhos com uma cajadada só.”

"Eu não sabia o que você faria se eu tivesse contado minha ideia antes, Abel. Ainda bem que não contei.”

"Mas o que eu teria feito, pelo amor de Deus…”

"Ué, você podia ter esfaqueado o bicho de propósito várias vezes e estragado o couro pra me provocar! Era totalmente possível.”

"Você só pode estar de sacanagem, Ryo?! Que tipo de selvagem você acha que eu sou?”

"Porque eu consigo imaginar você dizendo algo tipo: “Quero que você aumente suas habilidades de curtume, Ryo, então fiz todos esses buracos de propósito.”

Então Ryo apertou os lábios e assentiu forte várias vezes.

"Isso passa do nível de maldade... eu ficaria seriamente preocupado com a humanidade de alguém assim.”

"Exato! E é assim que eu me sinto sobre você, Abel!”

Ryo apontou o dedo para Abel em triunfo, como se estivesse esperando desesperadamente que ele dissesse exatamente aquelas palavras.

" …”

Abel só piscou enquanto Ryo continuava apontando para ele. "Certo" Abel disse por fim. "A primeira coisa é drenar o sangue.”

Ele não deu a mínima atenção ao dedo acusador de Ryo.

"Ugh... Eu não vou perder! Não ache que acabou!”

Abel ignorou completamente as reclamações dele.

"Vou separar o couro da carne" disse Abel depois que terminaram de drenar o sangue do javali maior. Como aventureiro, ele já tinha esquartejado muitos monstros parecidos com javalis, então se ofereceu por puro orgulho de sua habilidade.”

"V-Você tá dizendo isso porque acha que é melhor que eu nisso?!”

"Não, porque você me pediu pra fazer isso, Ryo…”

"Bom... talvez eu tenha pedido, talvez não. Não lembro direito.”

"Não, você pediu sim. " Abel suspirou, já ficando cansado.”

Os lábios de Ryo se curvaram em um biquinho de quem está emburrado.  Às vezes eu acho você bem malvado, Abel.

"De novo isso!”

"Correção " eu penso muitas vezes em como você é malvado, Abel.

"Mas por quê?!”

"Outra correção " eu acho você uma pessoa malvada o tempo todo, Abel.”

"É, bom, eu acho que o malvado é você, Ryo." Abel já estava cansado de discutir depois da terceira acusação. " Olha, eu tô mexendo aqui no couro com seriedade, do jeito que você pediu, tá?

"Tá bom... Eu acho esse seu lado sério incrível, Abel. Sensacional. Tô sendo cem por cento honesto quando elogio esse seu lado.”

"V-Val... valeu, eu acho." Abel ficou meio sem jeito com o elogio repentino.

"Quando vejo sua espada em ação, percebo como você nunca deixou a ideia de talento natural subir à cabeça. Em vez disso, seu esforço diário e constante te levou a um nível de maestria que ninguém alcança facilmente. É isso que eu sinto.

"S-Sério...? " Abel ficou ainda mais vermelho.

"Nem todo mundo consegue continuar trabalhando duro. Uma coisa é quando você sabe que sempre vai ser recompensado, que o sucesso é garantido, mas o caminho da espada não é assim. É natural treinar, mas nunca é certeza que você vai chegar lá. Mesmo assim, você continua... Esse é o tipo de cara que você é. Então eu acho incrível como você continua firme nisso há tanto tempo, Abel.”

"A-Acho que você tá exagerando... " O rosto de Abel já estava escarlate, mas ele continuava esfolando o javali.

"Bom, apesar da sua dedicação, não tem muito o que fazer sobre a sua maldade, né?”

"Eu juro que não entendo como você chega nessas conclusões!”

Apesar da conversa completamente inútil, as mãos deles continuavam ocupadas. Abel se concentrava em retirar o couro e cortar a carne, enquanto Ryo organizava tudo na mesa de gelo.

Assim que Abel terminou de separar o couro, eles finalmente puderam começar o processo de curtimento. A primeira etapa era lavar tudo com cuidado e atenção.

"Abel, para de enrolar e começa a lavar.

O mago da água encheu com água um enorme balde feito de gelo e apontou para ele, mandando Abel lavar o couro ali dentro.

" Por que eu tenho que fazer isso…”

"Porque é uma tradição antiga de que o vanguarda faz o trabalho pesado!”

"Tenho quase certeza de que isso não existe…”

Mesmo resmungando, o espadachim — porque ele era, no fundo, um cara realmente gente boa, ele arregaçou a barra das calças, entrou na tina e começou a esfregar o couro com dedicação.

A próxima etapa era retirar a derme.

"Certo, Abel, arranque a derme com os dedos.”

O mago da água apontou para o couro estendido sobre a mesa de gelo e deu a ordem.

"Por que eu de novo…”

"Porque eu sei que você consegue, por isso!”

"Isso não é um bom motivo…”

Mesmo resmungando, o espadachim — porque ele ainda era, no fundo, um cara realmente muito legal — começou a puxar a derme do pedaço relativamente grande do couro já cortado.

Depois disso, era a hora de queimar grama e folhas para cobrir o couro com fumaça... um processo conhecido como curtimento a fumaça.

"Abel, você precisa juntar mais folhas e galhos.”

Com o varal de gelo atrás dele, o mago da água apontou, ordenando que Abel coletasse mais combustível.

"Não estou nem surpreso que você jogou esse trabalho em cima de mim de novo…”

"Você é o único que pode fazer isso, Abel, então atribuí a tarefa a você.”

"Isso é a maior balela e você sabe muito bem! Você poderia fazer isso tão fácil quanto eu, Ryo.”

Mesmo resmungando, o espadachim pegou galhos secos e folhas para queimar.

Abel era, mais uma vez, simplesmente um cara INCRIVELMENTE legal.

Depois de defumar o couro por meio dia, a etapa final envolvia lavá-lo com água e depois esticá-lo até uma espessura uniforme usando um rolo de gelo.

"Como só eu posso usar o rolo de gelo, essa parte fica comigo. Viu? Não estou só enrolando.”

"C-Certo.”

A essa altura, Abel estava tão de saco cheio que nem se deu ao trabalho de retrucar. Na verdade, ele mal dizia qualquer coisa.

Alguns minutos depois, Abel levantou a cabeça e falou:

"Ryo.”

"Sim, eu também sinto os monstros se aproximando. Um javali normal e uma serpente-pipa. O javali está quase chegando, e a serpente-pipa está a cerca de um minuto atrás.”

 “Serpentes-pipa são perigosas. Elas se movem rápido e os ataques com a cauda são mortais, mas o pior é a névoa venenosa.”

"Matei uma quando morava na Floresta de Rondo, e foi realmente uma experiência irritante.”

Recordando sua luta contra aquela primeira serpente-pipa, Ryo lembrou de como ela destruíra sua Muralha de Gelo inúmeras vezes... Mas!

"Vou te mostrar o quanto estou diferente de antes! " disse Ryo.

"V-Você está bem empolgado, hein?”

"Aham, porque agora temos couro de sobra. Não precisamos da pele da serpente, então você pode matar do jeito que quiser!

"Claro que o trabalho pesado sobra pra mim de novo" Abel disse, balançando a cabeça.

"Como pode ver, estou com as mãos ocupadas usando o rolo de gelo no couro, então vou te ajudar coordenando o ataque com minha Muralha de Gelo.”

"O que você quer dizer?”

"Vou incapacitar a serpente-pipa para você não ficar sobrecarregado enfrentando os dois ao mesmo tempo.”

"Oh ho, valeu. Então isso significa que eu cuido…”

"Do javali normal, isso.”

"Entendido.”

Com isso, Abel seguiu para enfrentar o javali comum.

A serpente-pipa ainda não tinha aparecido, mas o Sonar Passivo permitia que Ryo percebesse sua localização e movimentos.

"Não posso deixar ela chegar perto, não só porque é perigosa, mas porque vai destruir todas as peças de couro que acabei de fazer. Principalmente isso não pode acontecer" murmurou ele. Então conjurou um feitiço: Pacote de Muralha de Gelo.

A intenção era parar a serpente-pipa prendendo-a dentro de uma caixa de gelo que ele derrubaria do alto, mas...

"Droga, ela se move muito rápido!”

Ryo levou apenas 0.X segundos para criar seu Pacote de Muralha de Gelo, mas até isso foi lento demais para capturar o monstro. Talvez ela tivesse sentidos inacessíveis aos humanos que lhe permitiam detectar mudanças no ambiente. Serpentes normais possuem órgãos termais capazes de sentir radiação infravermelha, e aplicando esse princípio a uma serpente-pipa... era totalmente possível que ela fosse sensível a algo tão frio quanto gelo...

De qualquer forma, Ryo tinha prometido a Abel que capturaria a serpente-pipa  e, custasse o que custasse, ele cumpriria!

"O que eu fiz da outra vez que lutei com uma... Ah, é, eu encharquei ela com Chuvarada e basicamente cozinhei viva... Vou acabar matando se fizer isso de novo, né?”

Ele estava determinado a capturá-la e deixar a parte de finalizar para Abel, porque era isso que havia prometido. Ryo pretendia cumprir sua promessa ao pé da letra, mesmo sabendo que Abel ficaria totalmente de boa se ele mesmo finalizasse o monstro.

"Certo, vamos tentar o processo inverso" murmurou, então conjurou: "Muralha de Gelo de 5 Camadas, Pacote Completo.”

Com a serpente-pipa agora no centro, ele criou uma Muralha de Gelo de 5 camadas com um raio de vinte metros ao redor do monstro. Construiu também um teto de gelo para impedir que ela saltasse para fora e escapasse, como a primeira tinha feito tempos atrás.

"Muralha de Gelo, Recolher.

A Muralha de Gelo de 5 camadas se contraiu de maneira concêntrica, reduzindo seu raio de vinte metros para quinze, depois dez, e finalmente cinco.

Krash. Krash.

Percebendo que estava presa, a serpente-pipa chicoteou a cauda repetidas vezes, tentando quebrar a barreira de gelo.

"Vamos reforçar. Muralha de Gelo de 5 camadas.

Ele gerou outra ao redor, por garantia.

"Agora por cima. Chuvarada.”

Ryo encharcou a serpente-pipa capturada com água.

"Caixão de Gelo.

A água que a molhava e o vapor ao redor começaram a cristalizar, e então... a serpente-pipa ficou completamente congelada dentro da caixa de gelo.

"Uhuuul! Sucesso!

Quando voltou de derrotar o javali normal, Abel ficou olhando para a serpente-pipa congelada.

"Acho que não tem necessidade de eu dar o golpe final.”

Cinco coelhos menores, quatro javalis menores e um javali maior significavam carne seca de sobra para os dois. Sal era uma das coisas que Ryo definitivamente não podia negligenciar no processo de fazer o jerky, e ele tinha bastante.

Ele até gostaria de ter deixado parte da carne-seca curtindo em shoyu, mas, infelizmente… ele não tinha nenhum à mão. Em vez disso, cobriu as tiras de carne com sal e pimenta-preta, deixando-as secar por três dias.

 

O Fim

 

" Bom, isso foi fácil.

"É, é um método relativamente simples que aventureiros usam pra fazer carne-seca quando estão no campo. Quando as condições são muito ruins, dá pra se virar só com sal, então fico até feliz de termos pimenta-preta.”

 “Então ainda bem que aquela trepadeira cresceu na Floresta de Rondo.”

Ryo concordou com entusiasmo. Ele tinha espetado a carne em um bastão de gelo que criou e carregava aquilo enquanto caminhavam rumo ao norte, seguindo em direção à cordilheira. Assim a carne secaria no caminho.

Aliás, o couro do javali colossal tinha sobrevivido ao ataque dos monstros de mais cedo, permitindo que Ryo criasse tudo o que queria — a capa do Abel, as próprias roupas dele e duas bolsas de ombro, uma para cada um. A capa ajudaria bastante a proteger Abel do frio. Quanto às “roupas” que ele fez para si mesmo… bem… eram simples: um pedaço grande de couro com um buraco no meio, grande o bastante para passar a cabeça e deixá-lo bem coberto. Em resumo, um poncho de couro.

Ele não precisava de uma capa porque usar o poncho por baixo do manto que o Dullahan tinha lhe dado dobrava o calor que envolvia seu corpo.

E foi assim que os dois melhoraram drasticamente sua proteção contra o frio.

"Ei, Ryo. Só pra confirmar: essas bolsas que você fez…”

"Sim, são para carregar a carne-seca.”

As bolsas de couro tinham um tamanho padrão.

"Se fossem maiores, iam te atrapalhar no combate. Não é, Abel?”

"É, isso faz sentido, mas… não parece que as duas juntas vão conseguir guardar toda a carne.”

"Sim, não tem muito o que fazer quanto a isso. Então, a carne que não couber…”

"É, imaginei. Que pena. " Abel detestava a ideia de jogar comida fora, mas não tinham escolha.”

"…Vamos carregar nas mãos.”

"…Perdão?”

"A gente vai comer todo dia, então acabamos com o que estivermos carregando antes que perceba.”

Abel ficou pasmo.

"Mas… eu não posso lutar assim…”

"Não se preocupe. Eu vou lutar por nós.”

Ryo assentiu com seriedade, emanando uma aura sombria, mas resoluta.

No fim, depois de encher as bolsas com carne-seca, sobrou apenas o suficiente para um único dia, que eles carregariam nas mãos. Nem preciso dizer que o alívio de Abel foi imenso.

 


Sol: Eu real vou me matar depois dessa eu to nem de meme, jesus maior dark novel q eu ja li // ler yaoi com mulher pqp oq eu to fazendo com a minha vida….. ( Como ser banido da NM tutorial )

Moon: Esse cap tava tão recheado que me perguntei se não era efeito da madruga, ou se o gênero não estava errado… Se você leu sem perceber nada, parabéns, você tem menos de  12 anos…

Sol: Mon (Deusa no Nivel da Aqua em utilidade) hoje em dia pessoal acessa o laranja com 8 anos então a média está mais baixa….. Porém a partir do dia 17 é crime mentir sua idade em sites olha onde chegamos kkkk.

Moon: putz… Então, parabéns a todos os envolvidos. E você é um recém-nascido!!

 

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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