Volume 1
Capítulo 10: Travessia da Montanha
A enorme cordilheira erguia-se bem alto diante de Ryo e Abel. Ryo pensou no Himalaia, a cadeia de montanhas que dividia o subcontinente indiano e a Eurásia, na primeira vez que a viu. O Monte Everest, chamado de Qomolangma na língua tibetana, repousava no Himalaia como o pico mais alto da Terra, o cume dos deuses.
Nessas montanhas diante deles, os dois tentariam uma subida sem oxigênio, o que teria sido terrivelmente difícil na Terra. E sem nenhum equipamento adequado, para completar. Lá na Terra, houve um sumo sacerdote do Nepal que durou trinta e duas horas no Everest, onze delas sem um cilindro de oxigênio.
Nesse caso, então... aqueles treinados em Phi deveriam ser capazes de alcançar o cume sem muita dificuldade... provavelmente.
Algo incomodava Abel.
Esse algo era a força física de Ryo. Como um aventureiro de rank B, Abel possuía força física, incluindo resistência, que era sem dúvida uma das mais altas entre todos os humanos.
E então havia Ryo, um mago, que mantinha o ritmo dele facilmente. Embora não fosse uma regra rígida, magos em geral não eram conhecidos por sua força física. Magos que trabalhavam como aventureiros certamente eram mais fortes que o público em geral, mas ainda eram incrivelmente fracos quando comparados a espadachins.
Lyn, a maga do ar no grupo de Abel, carecia de força física ao extremo. O vigor dela era particularmente baixo, mesmo comparado à sacerdotisa do grupo deles. E ainda assim...
E ainda assim Ryo era capaz de manter a velocidade de Abel sem suar uma única gota. O mesmo podia ser dito sempre que se encontravam em combate. De certa forma, alguém poderia dizer que isso era incomum para um mago.
"Ei, Ryo.”
"O que foi, Abel?”
Eles ainda estavam na base das montanhas, então não se preocuparam em evitar conversar para conservar oxigênio.
"Você é bem forte para um mago, sabe. Fisicamente, quero dizer.”
Ryo riu destemidamente.
"Então você percebeu, Abel. Muito bem. Eu trabalhei bastante para aumentar meu vigor, especialmente quando morava sozinho. Eu devo ficar bem mesmo se uma batalha durar cinco horas.”
Moon: É definitivo, trocamos de site e não tamo sabendo!!!
"Não, sua magia vai acabar " disse Abel, embora o que ele realmente quisesse dizer fosse "Nenhum mago conseguiria durar tanto tempo."
" Bem, eu confio nas minhas habilidades físicas, então você não precisa se preocupar comigo, Abel. Você certamente não precisa diminuir o ritmo por minha causa.”
"Oh ho, você está tão confiante assim, hein?”
"Estou. Nenhum dos aventureiros de rank B nas redondezas é páreo para mim" respondeu Ryo, lançando um desafio sem motivo aparente.
"Ei, se é briga que você está procurando, fico feliz em satisfazer sua vontade! " disse Abel, aceitando de bom grado.
"Heh heh. Você acha que eu teria medo de alguém me ameaçando com carne seca nas mãos?”
"Digo o mesmo para você!”
Os dois continuaram caminhando enquanto mantinham essa conversa boba.
Quando o sol atingiu o zênite, eles sentiram uma pressão anormal no ar.
"O que é isso?" perguntou Ryo.
Abel examinou a área ao redor deles, olhando para a esquerda e para a direita, mas logo percebeu que a pressão vinha de algo descendo em direção a eles vindo do céu acima.
"Um Grifo... " disse Abel, chocado demais para se mover ou dizer qualquer outra coisa.
Ryo também estava impressionado demais pela aura estonteante do Grifo para se mover.
Grifos. Conquistadores dos céus. Ceifadores do firmamento. Aqueles que comandavam o céu aberto... Ostentando uma variedade de apelidos, eles governavam o ar. Se os Behemoths reinavam sobre a terra, então dizia-se que os Grifos governavam o ar. Monstros temíveis cuja metade superior lembrava uma águia enquanto a inferior lembrava um leão; eles mediam cerca de dez metros de altura, embora números não significassem nada diante de sua presença avassaladora.
E exatamente agora um desses monstros tinha acabado de pousar na frente deles, onde agora permanecia encarando fixamente os dois.
Levou vinte segundos para Ryo recobrar os sentidos. Então ele teve uma ideia repentina. Ele jogou cuidadosamente a carne seca em sua mão direita na direção do Grifo.
Nhac.
Ele apanhou a carne seca no ar e a engoliu.
Foi aí que Abel despertou de seu estado congelado também. Ryo jogou a carne seca de sua mão esquerda para o Grifo também. Desta vez ele a pegou com a boca aberta e engoliu tudo de uma vez. Então ele virou seu olhar deliberadamente para a carne seca nas mãos de Abel.
"Abel, a carne " disse Ryo, sussurrando alto o suficiente apenas para Abel ouvir.
Abel arremessou a carne de ambas as suas mãos para o Grifo. O monstro pareceu satisfeito após terminar aquelas porções, então bateu suas asas em um movimento poderoso e saltou para o céu, voando para longe.
Os dois permaneceram imóveis por um tempo. Apenas cinco minutos depois que o Grifo partiu eles conseguiram encontrar suas vozes.
"Abel, estou feliz que ainda estamos vivos.”
"Absolutamente nenhum argumento da minha parte.”
Eles se sentaram nas raízes de uma árvore enorme ali perto e exalaram em alívio.
"Mas você teve um golpe de gênio ali, Ryo, com a carne " disse Abel, elogiando sua decisão de jogar seu primeiro punhado de carne seca para o Grifo.
"Quando pensei em como poderíamos transmitir a ele que não somos inimigos, lembrei da carne seca nas minhas mãos. Eu tinha quase certeza de que Grifos não odeiam carne.”
"É, ótima decisão”.
Ryo corou com o elogio sem reservas de Abel.
"Ainda assim... ele tinha uma presença tão incrível.”
"Sim, aquilo foi incrivelmente intenso. O BeheBehe foi inspirador também, mas estava bem longe de nós, então ver algo similar bem na frente dos meus olhos foi…”
"Estou feliz que ele não nos marcou como inimigos.”
Ryo assentiu enfaticamente.
"Concordo. Não acho que teríamos vencido se tivéssemos que lutar contra ele.”
"É, isso não é algo contra o qual um humano tenha chance..”.
"Se a situação apertar, prefiro lidar com seis Wyverns do que com um Grifo.”
"Prefiro não lidar com nenhum dos dois, obrigado.
De qualquer forma, já que era hora do almoço, eles vasculharam suas respectivas bolsas em busca de um pouco de carne seca para comer. Naturalmente, eles se certificaram de inspecionar os arredores antes de fazer isso. Eles certamente estariam em uma enrascada se outro Grifo aparecesse do nada...
Aliviado por sobreviver ao encontro, Ryo começou a murmurar distraidamente.
"Enfim, nós vimos uma variedade tão grande de monstros na nossa jornada até agora. Teve o BeheBehe e agora um Grifo, de todas as coisas.”
"Assim como com o Behemoth, o último relato de um avistamento de Grifo foi séculos atrás. Eu realmente acho que há algo muito estranho nesta região.”
"Bem, é rude chamar isso assim. Não é apenas falta de esforço humano?”
"Que esforço?!”
Seus nervos finalmente se recuperaram ao ponto de conseguirem brincar um com o outro.
"Acho que dá pra dizer que a cordilheira impede monstros como Behemoths e Grifos de entrar nos domínios humanos, né?”
"Suponho que sim, especialmente porque eles não estão passando fome deste lado das montanhas. Não há motivo para cruzarem para o outro lado.”
"Aposto que até um Grifo teria dificuldade para cruzar para o outro lado.”
Ryo suspirou dramaticamente.
"E ainda assim, um certo espadachim está tentando fazer exatamente isso…”
"Bem, dá licença! Não é como se eu tivesse escolha, tá bom? Eu tenho zero desejo de voltar de barco, considerando o quão longe o mar me levou do curso para começo de conversa.”
Além disso, havia a questão do kraken.
"BeheBehe em terra, kraken no mar, Grifo no ar... Todas as três bases geográficas estão cobertas. Como um exército, marinha e força aérea de monstros, hm?”
"Bom para eles, mas eu passo, obrigado!”
Mais tarde naquela mesma tarde, os dois se meteram em problemas novamente. Escondendo-se atrás de uma rocha gigante, eles espiaram por cima apenas o suficiente para ter um vislumbre do que estava à frente: dois Wyverns que bicavam o que parecia ser algum tipo de javali.
"Os Wyverns encontraram o caminho até aqui por causa do que você desejou, Abel.”
"Não fui nem eu!”
Eles discutiram aos sussurros.
"Já que não podemos nem dar a volta neles, você quer simplesmente esperar aqui até terminarem de comer?”
"Sinto que eles vão nos notar antes disso. Além do mais, não há garantia de que um terceiro não vá aparecer.”
"Ryo... não me diga que você está sugerindo que lutemos contra eles?”
Abel olhou para ele com uma expressão que dizia: "O que diabos você está pensando?". Era natural que ele se sentisse assim, porque uma caçada a Wyverns normalmente exigia pelo menos vinte aventureiros de rank C ou superior, juntamente com alguns magos de fogo poderosos. Quanto mais, melhor, na verdade.
Então... para um espadachim e um mago da água enfrentarem não um... mas dois Wyverns? Aquilo era suicídio.
"É muito provável que haja mais Wyverns à frente. Muito mais. Então não acho que possamos evitar o combate. Se for esse o caso, não seria melhor começar a ganhar experiência agora, quando temos apenas dois para lidar?”
"Ryo, você não está entendendo. São dois deles. Você diz ‘apenas’ como se fosse um passeio no parque…”
“Apesar de sua objeção” Abel entendeu o que Ryo estava dizendo. Seis Wyverns atacaram o Behemoth. Comparado a seis, dois eram... Quando Abel percebeu para onde seus pensamentos estavam indo, ele balançou a cabeça veementemente.
Um já é perigoso o bastante por conta própria. Ele disse as palavras em voz alta deliberadamente para se impedir de considerar a ideia de Ryo.
Por outro lado...
Abel tinha um bom motivo para hesitar. Ele sabia que lutar contra Wyverns seria inevitável, pois estava determinado a retornar à sua cidade cruzando esta cordilheira. Eles os viram atacar o Behemoth e dois estavam bem na frente deles. Ambos os incidentes indicavam claramente que essas montanhas hospedavam uma alta população de Wyverns.
"Acho que não temos escolha, né?
Abel se preparou mentalmente.
"Tudo bem, como vamos derrubar esses dois?”
"Eles ainda são perigosos depois de estarem pregados no chão?" perguntou Ryo.
"Não, não tanto. Eles ainda podem disparar cortes de ar usando as asas, mas não conseguem executar lâminas sônicas. Suas garras ainda representariam uma ameaça e sua magia de ar protege seus corpos de espadas, mas não há defesa de magia de ar ao redor dos olhos, então é onde miramos quando estão em terra. Acho que dá pra dizer que eles se tornam oponentes muito mais fáceis assim, comparado a quando estão no ar, onde nossas lâminas não alcançam”.
Ryo refletiu um pouco depois de ouvir a explicação de Abel. Então ele assentiu firmemente.
"Nesse caso, eu tenho o feitiço de magia de água perfeito.”
Abel desembainhou sua espada e entrou em posição, pronto para saltar a qualquer momento.
"Lá vou eu, Abel.”
Ele assentiu em resposta, com os olhos nos dois Wyverns. Eles ainda não os haviam notado enquanto continuavam devorando o javali.
"Lança de gelo que perfura tudo. Desça dos céus e empale meus inimigos. Lança de Gelo 4.”
Quatro Lanças de Gelo apareceram silenciosamente bem no alto. Claro, Ryo não precisava recitar tudo aquilo. Ele só fez isso porque soava legal.
As lanças caíram assim que ele as gerou. Cada uma perfurou uma das quatro asas dos Wyverns, pregando os monstros no chão.
"Giiiiiii!!!”
Os guinchos dos Wyverns ecoaram.
Abel saltou de trás da rocha ao mesmo tempo em que Ryo recitava seu feitiço. Ele surgiu bem a tempo de ver lanças de gelo incrivelmente grossas penetrando as asas dos Wyverns. As lanças permaneceram sólidas, sem mostrar sinais de derretimento.
Com suas asas imobilizadas, os monstros não podiam disparar quaisquer cortes de ar ou usar suas garras para atacar Abel enquanto ele se aproximava. Tudo o que ele precisava fazer era pular e seu alvo, os olhos, estaria ao alcance.
"Vou acabar com isso em um golpe. Habilidade de Combate: Empalamento Total.”
Ele apunhalou o Wyvern mais próximo através do olho esquerdo, a lâmina de sua espada mágica brilhando em vermelho. Ela mergulhou através do globo ocular e foi direto para o cérebro. O Wyvern desabou, morto, sem um único grito. Abel não lhe deu atenção e apunhalou o segundo Wyvern através do olho direito.
"Gugiii!”
Ele soltou um último guincho estrangulado antes de morrer. No fim, foi uma vitória completa.
"Lança de Gelo mais o seu Empalamento, Abel. Sim, acho que esse combo vai funcionar muito bem.”
"É, estou surpreso com o quão rápido foi.”
"Hm, então você está insatisfeito com como isso correu? Isso significa que você, na verdade, deseja uma batalha emocionante que faça seu sangue cantar, uma onde sua alma se choque contra a do seu oponente." Ryo fingiu anotar algo em seu caderno inexistente.
"Vou manter isso em mente para a próxima vez.”
Em pânico, Abel agarrou Ryo pelos ombros.
"Ei, pare bem aí. Eu não preciso de uma luta assim. O que acabamos de fazer foi perfeito. Sublime." Ele assentiu vigorosamente.
"Vamos fazer a mesma coisa na próxima vez.”
"Bem, se é isso que você realmente quer, Abel, então vamos continuar com isso.”
"Ufa. Ah, é, acabei de lembrar. Todos os monstros que matamos até agora não eram importantes, então ignorei as pedras mágicas deles. Mas eu definitivamente acho que devemos coletar as dos Wyverns. Você vai ficar chocado com o quanto podemos ganhar vendendo-as.”
Com isso, Abel enfiou uma faca na cavidade torácica de um dos Wyverns, perto de onde ficava o coração.
"Entendo. Então vou extrair a pedra do outro.”
Ryo se virou para o segundo Wyvern. Hora de liberar o fogo na faca do Falso Miguel pela primeira vez em muito tempo! Ele manteve o pensamento espontâneo em segredo de Abel, é claro.
Falando no Falso Miguel, O Compêndio de Monstros, Edição para Iniciantes não tinha uma entrada sobre Wyverns... Não estou surpreso que o BeheBehe e os Grifos não estivessem, mas acho que isso significa que Wyverns não se enquadram na categoria de iniciante também, né?
Esses pensamentos correram por sua mente enquanto ele cortava a pedra mágica para fora do Wyvern.
"Uau, isso é bem grande, não é?”
A bela pedra mágica verde-escura não era tão enorme quanto a de um golem, mas ainda assim tinha o tamanho decente de um punho.
Se isso fosse uma esmeralda, provavelmente custaria milhões de ienes.
Não precisava nem dizer que Ryo estava apenas chutando aleatoriamente.
"É, essas são muito boas " disse Abel.
"O tamanho e a tonalidade da cor vão render um preço surpreendente.”
"Mas só se chegarmos à civilização, hm?”
"Urk."
O comentário de Ryo perfurou agudamente o coração de Abel.
"Vamos pegar uma cada um, já que temos nossas próprias bolsas.”
Assim, os dois descobriram um método seguro e veloz de caçar Wyverns.
༄
Embora essas montanhas caíssem na categoria de 7.000 metros, isso não significava necessariamente que Abel e Ryo precisavam subir tão alto para cruzar a cordilheira. O degelo fluindo pelas montanhas podia esculpir os picos, erodindo-os gradualmente. Isso ocorria até no sopé das montanhas, mas mesmo assim, esses cumes atingiam alturas de pelo menos 4.000 metros e Ryo pensou que teriam que escalar alguns desses.
Quatro mil metros... isso era logo abaixo do ponto em que sofreriam do mal da altitude... ou pelo menos ele sentia que lembrava ter lido algo assim em algum momento.
Enquanto Ryo e Abel lutavam subindo a cordilheira, monstros os atacavam um após o outro, e não eram monstros quaisquer.
Wyverns. Tantos deles habitavam essa cordilheira que Abel e Ryo tinham certeza de que havia um ninho por perto.
Depois de matar os dois Wyverns na base da montanha, Abel perdeu toda a inibição. Era seguro dizer que ele agora aniquilava todo e qualquer Wyvern que encontravam.
"Eu sabia, Abel. Você realmente é um maníaco por batalha…”
"Cale a boca! Eles vão ficar no nosso caminho de qualquer jeito, então não faz diferença se os matarmos agora ou depois. Além disso, mesmo se derrubarmos todos os que nos atacarem, eles provavelmente estão por toda essa cordilheira, então podem se dar ao luxo de perder alguns. Vamos caçá-los enquanto avançamos!”
Ryo prendia os Wyverns atacantes no chão com suas Lanças de Gelo e Abel os apunhalava na cabeça através dos olhos com sua espada. Eles massacraram muitos Wyverns através de seu trabalho em equipe. Extrair as pedras mágicas de seus cadáveres acabou levando mais tempo do que derrotá-los. A velocidade com que a carne seca desaparecia de suas bolsas só era igualada pela velocidade com que as enchiam com as pedras mágicas dos Wyverns.
Por volta da marca de 3.000 metros, os ataques de Wyverns pararam. Em vez disso, o frio gélido começou a assaltá-los. Graças ao manto de couro de javali e ao poncho, no entanto, os dois não sofreram muito dano. Eles chegaram em segurança a uma das linhas de cumeada mais baixas. Lá, finalmente vislumbraram a terra que ficava ao norte da cordilheira. Exatamente uma semana havia se passado desde que mataram seus primeiros dois Wyverns.
"Conseguimos chegar até aqui, hm?”
"Sim. Estou feliz que esteja ensolarado. Dá uma ótima vista, né?”
Assim como Abel disse, a paisagem diante deles era espetacular. Um céu lindo, claro e azul se estendia infinitamente acima deles. Esse majestoso céu azul encontrava as planícies verdejantes abaixo no horizonte.
Algo se moveu de repente na periferia da visão deles. Ryo virou a cabeça para a direita e viu... uma mulher, nua da cintura para cima, voando. Em vez de braços, ela tinha asas, e suas pernas pareciam as de uma águia ou falcão...
"Abel... uma mulher esquisita está vindo para cá.”
"O quê?”
Ryo apontou para a direita.
O olhar de Abel seguiu naquela direção.
"Aquilo é... uma Harpia…”
De fato, o que voava em direção a eles não era uma mulher, mas um monstro completo chamado Harpia. E Harpias viajavam em bandos...
"Abel, estou vendo do outro lado também…”
Quando Ryo apontou para a esquerda, viram um grupo de Harpias lá também.
"Ryo, você vê elas na frente? Atrás também?" perguntou Abel, examinando a paisagem ao redor deles.
" Vejo…”
Num piscar de olhos, eles se viram cercados. Uma delas investiu contra Abel. Sua espada brilhou quando ele a sacou da bainha e matou a Harpia em um único corte. Ele se moveu rapidamente para o lado de Ryo depois de derrubá-la.
"Pacote de Parede de Gelo de 5 Camadas.”
Ryo imediatamente encerrou os dois em sua barreira de gelo. Abel havia corrido de volta para o lado de Ryo porque antecipou que Ryo faria exatamente isso. O trabalho em equipe deles havia melhorado muito durante esse mês de viagem.
"Elas estão chutando a parede com muita agressividade…”
Pairando ao redor, as Harpias golpeavam a parede de gelo com as garras afiadas de ave de rapina em seus pés... Parecia a Ryo que essas garras eram sua principal medida ofensiva.
Outra coisa chamou a atenção de Abel: os restos da Harpia que ele havia matado.
"Elas estão... comendo ela...?”
"Sim... e não estão se segurando.”
Ele teria preferido evitar encarar a cena, mas, mesmo assim, aquilo deu a Ryo inspiração para uma saída.
"Lança de Gelo 8.”
Oito lanças de gelo se formaram do lado de fora da parede de gelo. Cada uma perfurou uma Harpia e as pregou no chão. O resto das Harpias atacou suas oito camaradas e começou a devorá-las. Evidentemente, estavam com fome.
"Que espetáculo terrivelmente arrepiante.”
"Verdade, mas o verdadeiro mistério aqui é por que o mago que colocou isso em movimento está agindo como se não tivesse nada a ver com ele.”
"Acredito que seja apenas sua imaginação.”
Abel estava exasperado com Ryo, que falava como se fosse apenas algum tipo de espectador aleatório. Ainda assim, Abel não conseguia deixar de observar as Harpias canibalizarem umas às outras pelo canto do olho. Era a única maneira de conseguir suportar a visão. De jeito nenhum ele encararia de frente.
"Você acha que esse método vai funcionar tempo suficiente para escaparmos?”
No momento em que Abel murmurou essas palavras, um guincho ensurdecedor ecoou por toda a área. As Harpias imediatamente se afastaram em uníssono das camaradas mortas que estavam devorando. Alguns instantes depois, pousaram no chão e formaram um círculo ao redor de Ryo e Abel, que ainda estavam dentro da proteção da parede de gelo. Restavam cerca de quarenta delas.
Uma Harpia rompeu a linha de suas camaradas e deu um passo à frente. Ela era preta da cabeça aos pés. Apenas seus olhos eram vermelhos. O que se destacava ainda mais eram suas asas douradas. Elas cintilavam, como se polvilhadas com o próprio ouro.
"Um verdadeiro chefão" murmurou Ryo calmamente.
Abel permaneceu totalmente em silêncio, com os olhos arregalados.
"Abel?”
"Hã? A-Ah, sim, estou aqui. Aquela provavelmente é a rainha Harpia. Nunca vi uma de verdade, só ouvi rumores, então…”
No momento em que Abel falou, a rainha Harpia moveu sua asa direita. Tanto Ryo quanto Abel se jogaram imediatamente no chão. Não foi a lógica, mas a intuição que os guiou.
Krak.
Um ataque mágico invisível lembrando um corte de ar rasgou através da Parede de Gelo e passou correndo por eles.
"Ela destruiu minha Parede de Gelo de 5 Camadas em um tiro?”
Ryo encarou a rainha Harpia, com uma expressão misturando surpresa e frustração.
"Ryo…”
Abel olhou preocupado para ele. Era natural, considerando que estavam cercados por quarenta Harpias e sua rainha. Além disso, a rainha Harpia tinha acabado de destruir a barreira de gelo em um único ataque. Como eles deveriam contra-atacar aquilo?
Mas o momento em que seu oponente ataca significa uma chance de contra-atacar.
“Pacote de Parede de Gelo de 5 Camadas.”
A rainha Harpia pareceu desconfiada enquanto Ryo recriava a parede de gelo ao redor deles, dado que ela tinha acabado de destruir uma parede idêntica apenas segundos atrás.
"Xeque-mate, rainha.”
No instante em que Ryo murmurou essas palavras, duzentas e cinquenta e seis Lanças de Gelo choveram sobre a área diretamente ao redor deles.
"Giiiiiiaaaaaa!!!”
Os gritos finais das Harpias reverberaram ao redor deles enquanto se contorciam em sua agonia mortal, criando um verdadeiro inferno de agonia. Ao mesmo tempo em que desviou do ataque de pseudo-corte de ar da rainha Harpia, Ryo gerou suas Lanças de Gelo alto no ar. Então as deixou cair. O novo Pacote de Parede de Gelo de 5 Camadas não tinha sido para protegê-los do ataque da Harpia, mas das lanças de gelo caindo.
Todas as Harpias haviam desabado no chão, exceto uma: a rainha Harpia negra como azeviche. As asas douradas da rainha estavam danificadas, no entanto, tornando difícil para ela levantar voo novamente.
O ódio retorcia seu rosto.
"Eu vou acabar com ela" disse Abel, com os olhos nunca se desviando da rainha. Ele estava dizendo que enfrentaria o ódio dela.
Ryo assentiu em reconhecimento e desativou a Parede de Gelo.
Espada na mão, Abel moveu-se lentamente em direção à rainha... muito lentamente. Para qualquer pessoa normal, parecia que ele estava andando casualmente, mas ele não baixou a guarda nem um pouco.
Porque...
Quando Abel alcançou o ponto exato na metade do caminho entre ela e Ryo, ele notou o movimento mais minúsculo que ela fez, o que não teria notado se tivesse relaxado por um momento sequer.
"Habilidade de Espada: Sombra Perfeita" ele murmurou suavemente.
Então seu corpo aparentemente se desfez da vista enquanto ele evasivamente desviava do pseudo-corte de ar dela. Após desviar, ele fechou a distância entre eles de uma vez, sua lâmina brilhando através do ar enquanto ele golpeava.
A cabeça da rainha voou.
"Bravo" disse Ryo, assentindo enfaticamente.
Eles não encontraram mais problemas depois disso e começaram sua descida montanha abaixo. Embora a batalha em si não tivesse demorado muito, até uma luta curta exigia muito do corpo. Quando sua vida está em perigo, isso por si só é suficiente para exauri-lo.
"Por que não descansamos perto daquela árvore?" disse Ryo.
Mesmo duas pessoas com um suprimento inesgotável de energia precisam fazer pausas.
"Certo, então acho que provavelmente terminaremos nossa descida amanhã. A questão é... para que direção ir assim que chegarmos lá embaixo…”
"Essa é de fato a questão. Precisamos verificar nossa localização na vila ou cidade mais próxima antes que possamos descobrir como chegar a Lune.”
"É. Espero que estejamos no Reino de Knightley, mas é possível que não estejamos.”
"Não! Não me diga que podemos acabar no Império Debuhi! " disse Ryo, com total aversão no rosto.
"Não, duvido. O Império fica ao norte do Reino.”
Ryo suspirou aliviado com a resposta de Abel e bebeu de seu copo de água.
"Fico feliz em ouvir isso.”
"Eu realmente não entendo por que você odeia tanto o Império…”
"Abel, deixe-me ser claro porque não quero que você entenda errado. Não é o Império que eu odeio, mas o nome dele!”
"A-Ah, sim, verdade, você mencionou isso... " disse Abel, encarando-o com pena e decepção.
"Enfim, vamos apenas continuar indo para o norte depois que chegarmos ao sopé da montanha. Mesmo que não topemos com uma vila ou cidade, devemos eventualmente encontrar uma estrada que nos levará a algum lugar, no mínimo.”
Com seu plano geral de ação definido para o dia seguinte, os dois se revezaram descansando e vigiando durante a noite.
Eles começaram sua descida montanha abaixo de manhã cedo. Eles examinaram o horizonte no meio do caminho, mas não viram nenhum assentamento, então, assim como haviam planejado ontem, decidiram continuar para o norte até encontrarem uma estrada ou via principal. Eles não encontraram monstro algum durante a descida.
“Abel, você parece entediado.”
"Acho que estou, já que não vi um único monstro até agora. É completamente diferente do outro lado da montanha, né?”
"Aquilo era normal. Isso não é.”
"Tenho quase certeza de que você está errado, Ryo..." disse Abel com um pequeno balançar de cabeça.
"Lá atrás, a gente dava um passo e bum ‘Wyverns atacavam.’ Aí tem o BeheBehe vivendo sua melhor vida ao longe. No momento em que baixamos a guarda, um Grifo de repente mergulha sobre nós. Tempos emocionantes, não acha?
"Caramba, o outro lado da montanha realmente é um lugar sinistro onde nenhum humano ousaria viver... Ainda não consigo acreditar que vivi para contar a história.”
"Abel, não esqueça que estamos em uma expedição até você chegar em casa. Então você não deve relaxar ainda.”
"A-Ah... Hã. Uma expedição, hein... Então estamos em uma expedição…”
Um olhar distante entrou nos olhos de Abel. Quando ele pensava nisso, entrar disfarçado em uma rede de contrabando tinha sido o começo de tudo isso. Ele sentia como se uma quantidade considerável de tempo tivesse passado desde então, mas... na realidade, apenas cerca de um mês havia se passado.
"Abel, aquilo é uma estrada?”
Abel estremeceu de surpresa com a voz de Ryo. Quando olhou na direção que Ryo indicou, havia de fato uma estrada. Nesta era, as estradas principais nas Províncias Centrais não eram pavimentadas. Na melhor das hipóteses, eram de terra batida para que carruagens puxadas por cavalos pudessem viajar sobre elas. Independentemente disso, uma estrada era prova clara de que ele havia retornado à civilização.
"Sim, com certeza é.”
Abel não conseguiu evitar o tremor em sua voz. A sensação finalmente o atingiu " ele estava de volta à terra dos humanos.
Sol: Pow mano, o Ryo é tão Op que chega a ser assustador, claro o Abel tem seus momentos como ele matando a Rainha Harpia porém foi o Ryo que desceu o cassete nela então é meio foda kkkkkk.
Traduzido por Moonlight Valley
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