O Mago de Água Japonesa

Tradução: Soll

Revisão: Mon


Volume 1

Capítulo 11: Retorno à Civilização

 

  "Certo, então para que lado devemos ir nesta estrada...? Direita? Esquerda?”

"Para a esquerda, para o oeste" respondeu Abel com algum grau de convicção. Ao se deparar com essa estrada leste-oeste após descer a montanha, ele teve que adivinhar qual cordilheira específica eles haviam atravessado.

"Provavelmente são as Montanhas Maléficas. Monstros como orcs e ogros habitam o sopé em alguns lugares também. Até aventureiros se recusam a chegar perto delas, a menos que seja absolutamente necessário. Basicamente, consegui voltar cruzando essas mesmas montanhas... Eu realmente não consigo acreditar que sobrevivemos a essa caminhada."

Essa cordilheira, que as pessoas das Províncias Centrais chamavam de Montanhas Maléficas, erguia-se sobre eles ao sul. Dizia-se que ninguém jamais havia cruzado essas montanhas, então as pessoas comuns sempre mantinham distância. Mesmo aventureiros só iam lá a trabalho, e quase ninguém respondia aos chamados para esses trabalhos de qualquer forma.

Embora aparentemente as pessoas costumassem chamá-la por outro nome no passado, ninguém mais sabia o nome antigo. Todos apenas chamavam a cordilheira de Montanhas Maléficas agora.

"Ah, Abel. Você é um aventureiro de rank B, certo?”

"Sim, por quê?

"Eu queria saber se há alguma vantagem em se registrar na guilda de aventureiros " disse Ryo, finalmente expressando a pergunta que atormentava sua mente. Se ele estivesse desfrutando de uma vida lenta sozinho, não teria necessidade alguma de qualquer informação sobre a guilda de aventureiros. 

No entanto, já que logo entrariam em uma cidade, ele imaginou que não faria mal aprender algo sobre isso — especialmente porque a guilda de aventureiros era o elemento clássico definitivo de isekai. Se ele se registraria ou não, era uma questão totalmente separada.

"Se você fizer isso, fica isento de pagar pedágios no país. É basicamente um passe livre para entrar em qualquer cidade ou vila, porque seu cartão da guilda também serve como sua identidade. Além disso, se você quiser vender coisas como pedras mágicas e partes de monstros, as filiais da guilda oferecem preços muito melhores do que comerciantes independentes.”

"Oh ho, é isso que eu quero ouvir.”

"Eles também guardam seus fundos excedentes.”

"O que você quer dizer?”

"O dinheiro que você normalmente não gasta. Quando alguém se torna um aventureiro, qualquer renda praticamente desaparece num piscar de olhos. Quanto mais você sobe de rank, melhor você é pago, então não é tão fácil gastar seus ganhos tão rapidamente. Então a guilda guarda seu dinheiro extra para você. Quero dizer, seria perigoso sair em um trabalho com tudo o que você possui com você, certo?”

"Oh, um banco. Eles agem como bancos. Estou um pouco surpreso em saber que eles fazem isso..."

"Você pode sacar seu dinheiro em qualquer filial?”

"Sim, você pode, contanto que sejam domésticas.”

"Uau, isso é incrível.”

Ryo ficou surpreso ao ouvir isso. Ele pensou que quem quer que tivesse inventado esse sistema devia ser um gênio. Ele não tinha dúvidas de que a guilda investia os fundos que mantinha em nome dos aventureiros em uma variedade de esferas. Não existia mundo onde organizações confiadas com capital apenas deixassem o dinheiro parado lá. Bancos, companhias de seguros e entidades similares aceitavam principalmente a responsabilidade pelo dinheiro vivo para que pudessem usá-lo como fundos de investimento.

Quando ele considerava que um dos bancos mais antigos da Europa, o Banco de São Jorge, foi fundado em 1148, não era tão estranho assim que uma organização parecida com um banco existisse aqui em Phi...

"Abel, você disse que aventureiros podem sacar fundos de qualquer filial da guilda no país. Então isso significa que a guilda de aventureiros é uma organização afiliada ao governo? Ou é uma organização independente que se estende por muitas nações e, portanto, não está sujeita à supervisão do governo?”

Ryo sentia que muitas histórias de isekai estabeleciam as guildas de aventureiros como a última opção, com filiais por todo o mundo.

"Certo, então, meu conhecimento é limitado às Províncias Centrais, mas a guilda de aventureiros é tecnicamente uma organização independente. Essa é apenas a postura oficial, no entanto. Na realidade, a guilda e as nações coexistem pacificamente. Independentemente de qual país o emitiu, um cartão da guilda permite liberdade de movimento através das fronteiras dentro das Províncias Centrais. Ah, é, mais uma coisa. Em tempos de guerra, os países empregam aventureiros como mercenários comissionando a guilda.”

"Guerra... Bem, suponho que isso seja mais barato do que mobilizar cavaleiros " observou Ryo com um dar de ombros.

"O jeito que você fala é uma droga, Ryo... Além disso, esse tipo de comissão é totalmente legítimo, então os aventureiros são livres para aceitar ou recusar. Embora eu não tenha certeza do que aconteceria com todos esses fundos excedentes se meu país acabasse ocupado... Quando considero a possibilidade do inimigo fugir com tudo... Bem, sem escolha a não ser lutar, né?”

"Grr, dinheiro sendo mantido refém assim... Como a guilda e os governos puderam permitir isso?! Como você pôde, Abel?!”

" Ei, por que você está metendo meu nome nisso?!”

Ryo incluiu Abel em seu discurso por algum motivo. Sofrer esse tipo de tratamento dele havia se tornado inevitável para o espadachim no momento em que se tornou irmão de armas de Ryo...

Eles continuaram caminhando pelo resto do dia. Por volta da hora em que o crepúsculo caiu, avistaram um assentamento longe, à distância.

"Abel, estou vendo algo.”

"Já era hora, né? Tenho quase certeza de que aquela é a cidade de Kailadi.”

Ryo olhou para Abel, seus olhos se arregalando de surpresa.

"Mas como você sabe disso?" ele deixou escapar.

A surpresa de Ryo fazia sentido. Não havia placas ou marcadores na estrada que pegaram para indicar que estavam se aproximando de quaisquer assentamentos próximos. Eles nem sequer haviam passado por outros viajantes. A área em que se encontraram após descer a montanha também ficava longe de quaisquer assentamentos humanos, então Ryo não conseguia entender como Abel sabia qual cidade era.

"Bem, como um aventureiro, eu já estive em um monte de lugares, sabe? Sou especialmente familiarizado com a maioria das vilas e cidades no Reino" disse Abel quase timidamente.

"O que significa que aquela é uma cidade no Reino de Knightley…”

"Sim.”

"Ufa. Estou feliz que não seja o Império Debuhi.”

"Quantas vezes tenho que te dizer que o Império fica muito mais ao norte?! Enfim... Kailadi é a cidade mais ao sudeste no Reino. Ela não é muito grande, no entanto. Se caminharmos para o noroeste a partir de lá por cerca de um dia, chegaremos a Lune.”

Um olhar um tanto distante entrou nos olhos de Abel enquanto ele encarava algo que só ele podia ver além de Kailadi.

"Lune... seu destino final, hm, Abel?”

" Você acertou. Ryo, se você está falando sério sobre se registrar como aventureiro, sugiro que faça isso em Lune em vez de Kailadi.”

" Sério? Por quê?”

"Lune é a maior cidade da fronteira, o que significa muita gente e recursos. Uma razão pela qual ela atrai tantas mercadorias e pessoas é porque possui a única dungeon nas Províncias Centrais. Se você estabelecer Lune como sua base, achará a cidade muito acolhedora. O negócio é o seguinte... Oficialmente, vilas e cidades devem tratar todos os aventureiros igualmente, mas elas não conseguem evitar dar tratamento especial aos aventureiros locais.”

Ryo assentiu após ouvir a explicação de Abel.

" Faz sentido. Mas espere " eu não tenho nenhum tipo de identificação para mostrar quando entrarmos em Kailadi...

"Sem problema. Eu vou agir como seu fiador. Eu sou um aventureiro de rank B, afinal de contas. O pedágio é uma moeda de prata, mas eu pago para você.”

Sol: O Ryo tá com o mesmo olhar que eu fico quando meus amigos pagam comida pra mim ( quando eu saí com a Mon ela só me pagou uma água devo me preocupar? )

"Oh, Abel, você é tão maravilhoso! Você deve saber que sempre pensei isso, certo? É verdade, confie em mim.”

Abel olhou desconfiado para Ryo por um momento.

"Certo. Então, de qualquer forma, Ryo, vamos passar apenas uma noite em Kailadi, mas você definitivamente tem que provar um prato local que é um dos meus favoritos.”

Eles chegaram ao portão leste de Kailadi assim que o sol terminou de se pôr.

Seguindo o conselho de Abel, Ryo usou seu manto por cima da bolsa que carregava pendurada nos ombros para escondê-la da vista dos outros. A capa de Abel cobria a bolsa dele também. Ambas as bolsas continham uma enorme quantidade de pedras mágicas de Wyvern. Se as pessoas percebessem o que eles tinham em sua posse, eles temiam que a situação pudesse se tornar... complicada.

De fato, um tumulto no portão fez com que as sentinelas arrogantes ficassem de prontidão. Então, o oficial comandante saiu tempestuosamente... Pelo menos era isso que Ryo estava antecipando. Nada disso realmente aconteceu, e Ryo sentiu uma pontinha de decepção. Mas só uma pontinha, está bem?

Em vez disso, graças à previsão deles, conseguiram entrar na cidade sem encontrar qualquer problema. Já que era um aventureiro de rank B, Abel respondeu por Ryo e pagou o pedágio de entrada de uma moeda de prata. Foi simples assim para eles entrarem em Kailadi.

Eles ficaram em uma estalagem que Abel sempre usava quando vinha a Kailadi a negócios.

"Este lugar tem um restaurante no primeiro andar, e é lá que podemos comer meu prato favorito.”

Assim que terminaram de fazer os arranjos para o quarto, foram direto para o restaurante e se sentaram a uma mesa.

Uma jovem de aparência comum, mas amável, veio anotar o pedido.

"Bem-vindos! " disse ela. 

"O que posso trazer para vocês?”

" Kari para nós dois. Obrigado.

A pronúncia de Abel da palavra kari soou extremamente legal.

"É pra já." A garçonete voltou em direção à cozinha então.

"Se você ainda estiver com fome depois, sinta-se à vontade para pedir outra coisa. O jantar de hoje é por minha conta também.”

Abel! Abel, que pessoa maravilhosamente boa você é.”

Aqueles que pagavam comida para os outros são boas pessoas. No mínimo, eram léguas melhores do que aqueles que não pagavam, você não diria?

Cerca de dois minutos depois, um aroma nostálgico, saboroso e sedutor flutuou em direção a Ryo vindo da direção da cozinha. Isso atiçou seu apetite de uma forma dramática.

"Esse cheiro... Não pode ser..."

Enquanto o pensamento passava por sua mente, a mesma jovem apareceu, carregando dois pratos grandes em suas mãos.

"Aqui está! O curry de vocês.”

Os pratos ostentavam... um molho amarelo viscoso... cheio de especiarias... cobrindo arroz branco...

"Não. De jeito nenhum. Isso é mesmo curry com arroz...?”

De fato, era curry com arroz, uma das comidas universalmente amadas pelo povo japonês.

Curry, outro tropo de reencarnação... Mas um que aparece apenas depois que o personagem principal suporta inúmeras provações e tribulações por um longo período vagando pelo mundo antes de finalmente conseguir recriá-lo... Exceto que ele já existe aqui em Phi...

"Ryo, eu lembrei do kari quando você me serviu arroz durante nosso tempo na Floresta de Rondo. Vamos comer?”

" C-Claro…”

Com os lábios tremendo tão minuciosamente que ninguém nem notaria, Ryo levou timidamente uma colherada do curry à boca. Apenas uma colherada, mas aquilo foi o suficiente para saber que era inconfundivelmente curry com arroz. Era tão fantasticamente similar ao tipo que ele costumava comer em sua vida antiga que estaria perfeitamente em casa em uma mesa de jantar japonesa.

A primeira vez que Ryo provava curry com arroz em vinte anos (pela estimativa dele, de qualquer forma). Ele saboreou lenta e completamente, sua colher nunca parando enquanto ele avançava em seu prato.

"Ryo, você pode pedir mais se gostar.”

As palavras de Abel foram verdadeiramente música para os ouvidos de Ryo.

" Com licença, senhorita! " chamou ele.

 "Mais um prato, por favor!”

" B-Bem, fico feliz que tenha gostado então.

Abel pareceu um pouco desconcertado pela intensidade de Ryo. Não muito tempo depois, ele também pediu a repetição e os dois desfrutaram de um jantar incrivelmente satisfatório.

 

"Abel, sabe o curry que acabamos de comer? Você consegue encontrar em Lune também?”

Era de vital importância que Ryo confirmasse a resposta para sua pergunta. Se descobrisse que só poderia comer o curry aqui em Kailadi, então seria aqui que ele faria sua base em vez de Lune...

" Sim, você consegue. A sopa amarela por cima é um pouco cara em certos restaurantes, já que algumas das especiarias usadas nela só podem ser encontradas perto de Kailadi. Dito isso, Lune é a maior cidade da fronteira, então muitos dos restaurantes competem impiedosamente uns com os outros, o que significa que a qualidade da comida é bem alta. Além disso, kari é um prato básico em muitas das cidades do sul do Reino.”

"Uau, essa é uma notícia fantástica!”

" Acho que você gostou mesmo, hein, Ryo?”

Ryo assentiu enfaticamente em resposta.

" Sim, estava muito delicioso." Ele jurou a si mesmo que recriaria o prato algum dia se algum dia voltasse à Floresta de Rondo.

De manhã cedo no dia seguinte, os dois deixaram a cidade de Kailadi.

"Abel, o curry de ontem foi real e verdadeiramente incrível. Uma bela jogada da sua parte.”

"C-Certo... Bem, fico feliz que isso te deixou feliz…”

"Tem alguma outra informação importante que você está escondendo de mim como fez com o curry?”

"Eu não estava escondendo nada…”

"Abel, eu sei um fato que você deve estar guardando muitos segredos de mim!

" Uhhh…”

Ajeitando seus óculos inexistentes como se fosse um promotor público implacável, Ryo se virou para encarar Abel... Ao receber aquele olhar implacável, Abel de repente sentiu um suor frio escorrer pelas costas enquanto pensava em algumas coisas que poderiam validar a acusação de Ryo.

"A verdade é que você na verdade gosta de doces, não gosta?!" disse Ryo, cutucando com um dedo em direção ao rosto de Abel tão agressivamente que sua mão direita zuniu pelo ar. 

"Vá em frente e me conte o que você sabe sobre as coisas doces que as pessoas fazem!”

"Ah, uh, deixe-me pensar sobre isso um pouco primeiro…”

"Buuuuu…”

Abel se sentiu levemente exasperado e aliviado. Ryo, por outro lado, abaixou a cabeça em decepção.

Os dois caminharam enquanto conversavam sobre coisas triviais. Normalmente, a distância de Kailadi a Lune levaria um dia inteiro de caminhada, mas ambos eram caminhantes muito bons. Logo após o meio-dia, eles chegaram a uma pequena colina de onde podiam ver Lune e a área ao redor.

" Isso é... " começou Ryo.

A vista ia além de qualquer coisa que ele pudesse ter imaginado. Uma paisagem dourada de trigo se espalhava do sopé da colina até onde a vista alcançava. Era quase época de colheita.

Uma cidade enorme jazia consagrada no meio de todos aqueles campos. De jeito nenhum ela, com suas enormes muralhas, poderia ser confundida com uma vila. Várias centenas de milhares de pessoas deviam viver apenas dentro de seus muros. Isso sem contar os moradores, agricultores e afins vivendo nas casas fora dos portões da cidade.

"Então as pessoas vivem fora da cidade também, Abel?”

"Sim. Todas as terras agrícolas estão localizadas fora dos terrenos da cidade. No passado, os agricultores viviam dentro das muralhas da cidade também, mas ficavam longe demais dos campos, e é por isso que agora vivem em casas construídas fora da cidade. É uma das razões pelas quais Lune não fecha os portões da cidade nem à noite.”

Esse último pedaço de informação chocou Ryo. Era prática comum na Idade Média na Terra, bem como em muitas histórias de isekai, que os portões da cidade fossem fechados à noite.

"E quanto à segurança, então?”

" Lune tem muito mais patrulhas do que outras cidades. Levando em conta sua história e tamanho, acho que a cidade faz um trabalho decente em manter a paz.”

Por um tempo, os dois encararam Lune, absorvendo a visão. Então começaram a descer a colina em direção ao portão sul. Lá, viram apenas os guardas da cidade, dado que a tarde era um horário tão aleatório para entrar ou sair de uma cidade.

" Espere, Abel, é você? " chamou um dos guardas, com uma expressão assustada no rosto.

"Com certeza sou eu, Nimur. Faz tempo, hein?”

"Eufemismo do século, considerando que você desapareceu…”

" É, bem, como você pode ver, consegui voltar vivo " respondeu Abel, sorrindo.

" C-Certo. Quem é esse com você, então? " perguntou Nimur, olhando para o companheiro de Abel.

"Meu salvador.”

" Não me diga! Obrigado por salvar o Abel. Agradeço muito, cara.”

Então ele agarrou uma das mãos de Ryo e a sacudiu vigorosamente.

"Dito isso, você ainda precisará pagar o pedágio de entrada…”

" Eu cuido disso " disse Abel. Ele sacou seu cartão da guilda e deu a Nimur uma moeda de prata para a taxa de Ryo.

"Ótimo, obrigado.”

Depois de confirmar que recebeu a quantia correta, Nimur sorriu largamente, parecendo prestes a explodir, e sorriu radiante para Abel.

" Bem-vindo de volta, cara.”

Ryo observara a troca silenciosamente o tempo todo. Ele agora sentia um pouco de inveja de Abel porque seu camarada tinha um lugar que podia chamar de lar, um lugar onde as pessoas o receberiam calorosamente de volta.

Todo o conceito era estranho para Ryo, que passara tanto tempo na Floresta de Rondo sozinho. Embora sua vida em Phi até agora não o tivesse incomodado nem um pouco, ele não pôde deixar de sentir uma pontada de solidão enquanto observava Abel e Nimur.

"Fico feliz por você, Abel."

Essa cena marcou o fim da jornada deles. Abel havia contratado Ryo para escoltá-lo até Lune, e aqui estavam eles. O trabalho terminava no momento em que passassem pelo portão. Missão cumprida.

"Ryo, vamos direto para a guilda. Você ainda quer se registrar, certo?”

"Sim, quero experimentar a vida de aventureiro, então é melhor me registrar agora.”

"Você pode até solicitar um aumento de rank, já que estou com você.”

Ryo inclinou a cabeça curiosamente.

"O que é um aumento de rank?”

"Ah, eu não te contei? Certo, normalmente você se inscreve como rank F quando se registra pela primeira vez, mas se tiver uma recomendação de um aventureiro de rank B ou superior, pode começar no E ou D. Comigo, você deve conseguir pegar o D.”

"Quais são os prós de ser um rank D?”

"Você pode aceitar comissões de rank mais alto. Quanto mais alto o rank de um trabalho, maior a recompensa, então recomendo solicitar o aumento de rank. Embora eu não ache que você vá passar necessidade por dinheiro, Ryo" disse Abel, olhando significativamente para a bolsa de Ryo.

"Ah, você está falando das pedras mágicas de Wyvern? Elas são realmente tão valiosas assim?”

Claramente, Ryo não tinha noção do valor delas. Foram necessárias apenas duas Lanças de Gelo para derrubar um Wyvern, o que significava que não houve esforço real de sua parte para reunir as pedras mágicas. Então, honestamente, não fazia sentido para ele como podiam ser tão valiosas.

Mas Abel assentiu enfaticamente em resposta à sua pergunta.

"Você percebe que são necessárias vinte pessoas para matar um, certo? E você conseguiu coletar tantos desses monstros tão perigosos... Então sim, elas são. Você não consegue nem encontrar essas pedras mágicas no mercado, o que as torna tecnicamente inestimáveis.”

"Entendo... Mas essa quantidade não vai derrubar o preço de mercado assim que eu vendê-las?”

A escassez era uma métrica importante.

"A guilda sabe como lidar com isso também, então não se preocupe.”

Eles chegaram ao destino assim que Abel terminou de falar. Porque Lune abrigava a única dungeon das Províncias Centrais, sua guilda de aventureiros atraía pessoas de outros países também, tornando sua guilda a maior da fronteira.

O edifício de pedra de três andares apresentava uma visão extremamente majestosa. Ryo e Abel passaram por sua enorme entrada e pisaram dentro. Considerando a hora estranha do dia em que chegaram, à tarde, o interior estava em grande parte deserto. De manhã e à noite, o saguão, lotado de aventureiros disputando trabalhos, fazendo relatórios e pechinchando por dinheiro, parecia um campo de batalha.

De repente, uma voz ecoou pelo espaço, quebrando o silêncio.

"Abel, é você mesmo?! " exclamou a mulher cuidando do balcão quando viu Abel. Uma cabeça mais baixa que Ryo, ela tinha cabelos castanhos claros presos em um rabo de cavalo e parecia ter cerca de vinte anos. Roupas de bom gosto cobriam sua figura esbelta.

"Ei, Nina.”

Em resposta ao grito de Nina, alguns aventureiros colocaram a cabeça para fora da taverna adjacente.

"Uou, é o Abel em carne e osso.”

"Bem-viiindooo de voltaaa, Aaabeeel!”

"Então você não está morto afinal, hein?”

Mais de dez aventureiros chocados se aglomeraram ao redor de Abel para celebrar seu retorno seguro. Todos que pertenciam à guilda de aventureiros de Lune sabiam sobre seu desaparecimento e estavam extremamente preocupados com ele. Mesmo em uma cidade tão grande quanto Lune, aventureiros de rank B eram poucos e distantes entre si, e entre eles estava o grupo super popular liderado por Abel, a Espada Carmesim.

Abel, o prodígio da espada cujas habilidades já estavam sendo rotuladas como as de um rank A.

Rihya, uma sacerdotisa da Deusa da Luz, que diziam usar Defesa Absoluta.

Warren, o Inflexível, o usuário de escudo definitivo no Reino.

E Rin. Embora jovem comparada aos outros três, suas habilidades rivalizavam com as dos magos reais.

Era seguro dizer que muitos aventureiros admiravam esses quatro. Com o retorno de seu líder, era apenas natural que os aventureiros o cercassem com entusiasmo.

Assim como a cena que ele vira acontecer no portão da cidade, esta também cegou Ryo um pouco com seu brilho enquanto ele observava em silêncio.

"Uau... O Abel é muito querido mesmo, hein? Ser amigo dele pode acabar sendo vantajoso para mim..."

Ryo podia ser calculista às vezes.

Abel permitiu ser cercado por um tempo antes de encontrar um bom momento para se desvencilhar do grupo e se aproximar de Ryo.

"Este é o Ryo " disse ele.  

“Ele salvou minha vida. Eu não teria conseguido voltar sem ele. E agora ele vai se registrar como aventureiro nesta cidade. Ele será um de nós. Então tratem de se dar bem com ele também, beleza?”

Isso surpreendeu Ryo. Ele fez uma carranca para Abel, descontente por o espadachim não ter lhe dado um aviso antes de fazer seu discurso improvisado. Então ele se virou para encarar todos os outros. Eles esperavam que ele dissesse alguma coisa.

"Ah, eu sou o Ryo. Ansioso para conhecer todos vocês." Ele inclinou a cabeça.

" O mesmo aqui, Ryo.”

" Obrigado por salvar o Abel.”

Dois dos aventureiros deram tapinhas no ombro de Ryo enquanto falavam, expressando tanto suas boas-vindas quanto a gratidão por ajudar no retorno seguro de Abel.

"Nina, pode cuidar da papelada dele?”

Abel acompanhou Ryo até a área de recepção. Os outros aventureiros aproveitaram a oportunidade para retornar ao refeitório anexo para retomar suas refeições. Os únicos três restantes no balcão eram Nina, a recepcionista, Abel e Ryo.

" Quero recomendá-lo como rank D. É possível?”

O pedido surpreendeu Nina. Claro, a guilda tinha um sistema de aumento de rank baseado em recomendação que era usado cerca de uma vez por ano. No entanto, até agora, nenhum membro da Espada Carmesim, incluindo Abel, jamais havia sido um fiador.

"Claro, mas exigimos provas de que ele merece a recomendação. Você tem algo atestando as habilidades dele?”

"Sim, imaginei. Sei como o sistema funciona. Gostaria de discutir isso e algumas outras coisas com o Mestre da Guilda. Você pode agendar uma reunião agora?”

"Sim, acredito que sim. Ele está trancado no escritório o dia todo lutando com a papelada, resmungando e gemendo o tempo todo. Vou avisá-lo. Vocês dois podem esperar na sala de visitas.”

Nina sorriu, então os guiou até a sala de visitas antes de seguir para o escritório do Mestre da Guilda.

Poucos momentos depois, eles ouviram uma voz rouca trovejando tão alto que chegou até os ouvidos deles.

"O que você disse?!”

O grito foi seguido pelo som de passos batendo no assoalho. Então a porta se escancarou com força e um gigante de homem com um visual feroz entrou.

"Abel... Graças a Deus…”

Então os joelhos do gigante cederam e ele desabou.

"Desculpe preocupá-lo, Mestre. Como você pode ver, no entanto, eu voltei vivo.”

"Santo Deus... Sabe, eu perdi a vontade de viver quando ouvi que você tinha sumido, Abel.”

O gigante se levantou e sentou-se em uma cadeira bastante grande e robusta, claramente feita para sua estrutura.

"Opa, onde estão meus modos? Quem ( disse o gigante, olhando para Ryo ) é esse mago?”

"Este é o Ryo, meu salvador”.

"É mesmo? Bem, eu sou Hugh McGlass e sou o Mestre da Guilda aqui em Lune. Agradeço por salvar o Abel." Hugh se levantou e inclinou a cabeça para Ryo.

Abel o chamara de "Mestre" como uma forma curta de se dirigir ao Mestre da Guilda.

"Ah, não, por favor. Eu só topei com ele por acaso, então não há de quê.”

Sem pensar, Ryo também se levantou e inclinou a cabeça.

"Certo então, Mestre. Ryo quer se registrar como aventureiro em Lune, e estou recomendando-o para um aumento de rank.”

Ao ouvir essas palavras, Hugh se virou para encarar Nina, que permanecia parada perto da porta. Ela assentiu afirmativamente.

"É exatamente isso que Abel deseja discutir com o senhor, Mestre da Guilda.”

Hugh havia saído disparado de seu escritório antes que Nina pudesse lhe dizer o motivo do pedido de Abel para uma reunião privada.

"Ah, é? Bem, você sabe que precisamos de provas das habilidades dele para fazer isso acontecer... " Hugh olhou para Nina novamente. Sua expressão desta vez foi um sinal silencioso para deixá-lo a sós com os outros dois, o que ela entendeu.”

"Vou me retirar agora. Vocês podem me encontrar na recepção se precisarem de mim. " Nina fez uma reverência e saiu.”

Abel falou primeiro.

"Primeiro de tudo: Ryo é mais forte que eu.”

Suas palavras chocaram tanto Hugh quanto Ryo.

" Opa, opa..”.

"Abel, o quê... A carne seca que comemos no almoço te fez mal ou algo assim?”

Abel suspirou.

"Bem, ele é um palhaço, mas não estou brincando sobre as habilidades dele. Estes são nossos espólios dos monstros que Ryo e eu derrotamos no caminho para cá.”

Abel tirou as pedras mágicas de Wyvern de sua bolsa e as organizou em cima da mesa. Vinte e cinco delas.

"Deus todo-poderoso, que butim... Eu sei que essas pedras mágicas são de atributo ar, já que são verdes, mas... Não só são enormes, a cor é muito profunda também... Não me diga... vocês conseguiram isso de Wyverns?”

"Com certeza conseguimos. Ryo tem praticamente a mesma quantidade também.”

Em resposta, Ryo colocou sua própria bolsa em cima da mesa.

"Cê tá me zoando? Onde caralhos vocês mataram tantos Wyverns? Tantos assim seriam suficientes para... destruir o país inteiro. Precisaria de até o último homem e mulher para combatê-los..." Hugh murmurou tão baixo que parecia que as palavras estavam sendo espremidas dele.

"Não se preocupe com isso. Nós os caçamos nas partes do sul das Montanhas Maléficas.”

"As Montanhas Maléficas? Bem, macacos me mordam. Como vocês foram parar lá?”

Sol: Sair de como caralhos pra macacos me mordam é muito forte kkkkkkkkkkk.

"O navio foi desviado do curso" disse Abel com um dar de ombros  

“Todo o caminho ao sul da cordilheira. Desembarquei em uma massa de terra enorme lá. De lá, cruzamos as Montanhas Maléficas e então topamos com um bando inteiro de Wyverns. Esse é o resumo da ópera.”

Abel deu a Hugh uma versão extremamente resumida dos eventos. Por enquanto, o importante era ser capaz de explicar que não havia perigo desses Wyverns específicos atacarem a humanidade agora, e que não seria tão fácil obter tantas pedras mágicas de Wyvern assim no futuro.

"Ah, tô te ouvindo. Então deixa eu ver se entendi direito. Cê quer que eu use a rede da guilda pra vender isso tudo pra evitar quebrar o preço de mercado. É isso?”

"É disso que eu gosto em você, Mestre. Você não perde tempo para chegar ao X da questão.”

Se Hugh vendesse as pedras em Lune, o valor de mercado despencaria na hora. Sem mencionar que algumas pessoas tentariam imediatamente investigar a fonte de uma quantidade tão prodigiosa. Se Hugh utilizasse a rede da guilda e as vendesse aos poucos para outras vilas, cidades, a capital real, ou até outros países como mercadorias de troca, ele poderia evitar levantar suspeitas. Simples assim.

"Entendido. Vai levar um tempo, mas cê pode confiar em mim. Vou despachar em parcelas pra uma variedade de compradores. Vou fazer a família real comprar algumas também.”

Abel fez uma careta bem leve quando ouviu essa última parte.

"Tenho certeza que o lorde prefeito vai querer comprar uma imediatamente. Então posso ter esses fundos pra vocês em dois ou três dias. Devo dividir os lucros meio a meio entre vocês dois?”

"Não, quarenta-sessenta. Quarenta para mim, sessenta para o Ryo.”

"Abel, não. Vamos meio a meio.”

Abel balançou a cabeça.

"Olha, Ryo, eu ainda não consegui retribuir o favor depois que você me salvou. Pense nisso como sua recompensa por me trazer em segurança até aqui. " Ainda sentado, ele abaixou a cabeça.

 "Apenas aceite e me deixe manter minha honra.”

" Abel…”

" Ryo, cê não insultaria a honra do Abel recusando depois de ele ter dito tudo isso, né? " disse Hugh.

" Tudo bem... Então, muito obrigado.”

Depois de confirmar o tamanho e a quantidade das pedras mágicas, Hugh colocou todas elas no cofre do escritório para guarda segura.

Então os três ouviram o som de passos no corredor do lado de fora.

"Parem, por favor!" chamou Nina. "Ele ainda está no meio de uma reunião!”

Embora esses passos não fossem nem de longe tão pesados quanto os de Hugh quando ele invadiu a sala de visitas, a porta, no entanto, se abriu com estrondo.

Uma mulher baixa estava no batente da porta. Pelo visual de seu manto preto e o grande cajado em sua mão esquerda, ela era claramente uma maga.

"Abel... Graças a Deus…”

Então seus joelhos cederam e ela desabou no chão.

"Isso de novo?", Ryo se perguntou rudemente.

Ei, Lyn. Desculpe ter feito você se preocupar.”

Era Lyn, a maga do ar no grupo de Abel, a Espada Carmesim. Outros dois entraram no escritório de Hugh atrás dela: uma mulher vestida com trajes sacerdotais brancos e um homem gigante com um escudo enorme nas costas.

"Abel... " disse a sacerdotisa, sua voz adorável soando claramente pela sala.

"Rihya, Warren. Eu voltei.”

" Estou vendo... Bem-vindo de volta, Abel.”

Lágrimas nadavam nos olhos de Rihya enquanto Lyn soluçava abertamente. Embora Warren não dissesse nada, sua expressão aliviada dizia a eles mais do que o suficiente. Abel sorriu com pesar para os três. Parecia que Ryo não era o único que não sabia como reagir à cena.

"Abel, tenho certeza de que tem muita coisa que vocês precisam conversar, então usem esta sala. Ryo, Nina, vamos preencher a papelada no meu escritório.”

Com isso, Hugh deixou a sala de visitas com Ryo e Nina.

No escritório do Mestre da Guilda, Hugh se jogou em um dos sofás.

"Uma atmosfera daquelas não me cai bem, sabe? Ryo, senta ali. Nina, o Ryo vai se registrar como Rank D, então cê se importa de me trazer um conjunto completo dos documentos relevantes?”

"Sim, senhor.”

Nina saiu da sala para fazer os preparativos necessários, o que deixou Ryo sozinho no escritório com o gigante de aparência feroz que era o Mestre da Guilda.

" Tem certeza sobre o rank D?”

"É, não esquenta. Quer dizer, quem não ficaria convencido depois de ver tantas pedras mágicas de Wyvern?" disse Hugh com uma risada calorosa.

"Bem, Abel foi quem deu os golpes fatais.”

"Não há dúvida de que ele é um prodígio, mas... Eu sei muito bem que um espadachim solitário, não importa quão talentoso, não consegue derrubar um Wyvern. Isso significa que cê é bastante poderoso também. Um mago forte o suficiente para o Abel matar Wyverns com sua ajuda. Nesse caso, cê é claramente bom o suficiente para se registrar como rank D.”

Com isso, ele bateu nas costas de Ryo tão vigorosamente que ele se preocupou com a integridade de seus ossos...

"Oh ho? Ryo, tu é bem em forma pra um mago, hein? " perguntou Hugh, claramente tendo notado a constituição muscular de Ryo.”

"Eu caçava sozinho, sabe. Tive que construir meu vigor ou arriscaria morrer se ficasse sem energia no meio do combate.”

"Falou e disse, garoto." Hugh assentiu enfaticamente. 

"Não importa que truques incríveis ou magia cê tenha. Se seu corpo falhar, é fim da linha pra ti. Só queria que mais fedelhos de hoje em dia entendessem isso.”

Por um tempo depois disso, Hugh falou até cansar os ouvidos de Ryo, primeiro resmungando longamente sobre a juventude, depois relatando a ele o curso de ação da guilda sobre como expandir seu alcance para essa mesma juventude. Apesar de seus resmungos, Hugh estava apenas no final dos seus trinta anos.

Algum tempo depois, uma batida interrompeu seu discurso.

"Entre.”

"Com licença" disse Nina. Ela entrou com uma bandeja contendo algum tipo de cristal grande e outros documentos.

 "Mestre da Guilda, trouxe a ferramenta de registro.”

"Ah, valeu. Vou deixar as formalidades contigo então. Ryo, só faz o que a Nina mandar que cê vai ficar bem. Eu ainda tenho uma guerra pra travar contra esses documentos...

Com isso, Hugh caminhou em direção à sua própria mesa.

"Deixe-me me apresentar formalmente. Meu nome é Nina e trabalho aqui na guilda de Lune. Prazer em conhecê-lo.”

"Agradeço sua hospitalidade. Sou Ryo e é um prazer conhecê-la também.”

Os dois se cumprimentaram. Era muito importante apresentar-se adequadamente.

"Certo, então. Permita-me estabelecer alguns fatos. Por favor, responda às minhas perguntas.”

"Entendido.”

"Tenho quase certeza de que o padrão usual é preencher formulários entregues a você... Então eles dizem algo como: 'Você precisa de alguém para escrever em seu nome?' E o personagem principal responde: 'Não, estou bem.' Algo assim. Mas... acho que as coisas são diferentes aqui, com a equipe da guilda preenchendo os dados desde o início."

Isso era evidentemente diferente das histórias de isekai que Ryo conhecia...

"Seu nome é Ryo e sua ocupação é mago, correto?”

"Sim, isso mesmo.”

"Seu atributo?”

"Água.”

"Residência...? Ah, você ainda não tem uma, tem?”

"Sim, já que acabei de chegar.”

"Você pode ficar no anexo de alojamento da guilda por até 300 dias a partir do registro. Tempo suficiente para ajudá-lo a se organizar e se estabelecer. Também oferece aos jovens aventureiros recém-nomeados a chance de fazer amizade uns com os outros.”

Nina colocou o papel explicando os termos de alojamento na frente de Ryo.

" Você é livre para ficar lá ou sair a qualquer momento dentro desses 300 dias, então, por favor, considere isso como um candidato para sua residência.”

" Vou considerar, obrigado.”

"Este papel... Eu teria presumido que a impressão tipográfica não existe aqui, mas... O fato de haver um monte de guias com o conteúdo exatamente igual indica o contrário... Mais um mistério de Phi adicionado à lista."

"Próxima pergunta, Ryo. Você já se aventurou em uma dungeon?”

"Não, nunca.”

"A guilda organiza um seminário para novatos em dungeons todo mês. Cobrimos tópicos como dicas e avisos, coisas que podem ser coletadas e vendidas, e afins. Também oferecemos um seminário semelhante para aventureiros novatos. Todos os nossos cursos são gratuitos. Recomendo o de dungeon para você, se estiver interessado.”

"Sim, por favor! " disse Ryo ansiosamente.”

"O seminário deste mês acontece depois de amanhã. Dura cinco dias. Tópicos diferentes são abordados a cada dia, então recomendo comparecer a todos os cinco dias. " Nina sorriu radiante para ele. Seu sorriso era tão cativante que até Hugh, observando o processo de sua mesa, assentiu junto " mas não conte a ninguém que ele fez isso.”

"Vou preencher o requerimento do seminário para você. Por favor, chegue à sala de palestras do terceiro andar da guilda às nove da manhã depois de amanhã.”

"Nove?”

Ryo se perguntou se eram as mesmas nove horas da Terra.

"Sim. Você pode verificar a hora na torre do relógio na praça. O sino na torre do relógio de Lune toca às nove, doze, quinze e dezoito horas.”

O tempo era de fato o mesmo aqui e na Terra.

"Isso conclui nossa entrevista. Tudo o que resta é você se registrar, Ryo.”

"O que você quer dizer?”

"Poderia por favor colocar sua mão nesta bola de cristal?”

Conforme Nina instruiu, Ryo colocou a mão direita na bola de cristal que ela trouxera.

"Registrar.”

Ao comando dela, a bola de cristal começou a brilhar. Então Ryo sentiu apenas um pouquinho, uma migalha na verdade, de magia deixar seu corpo. A luz na bola de cristal se fundiu, entrou no cartão na mão de Nina, depois disparou e desapareceu.

"Pode tirar a mão agora, Ryo. Muito obrigada.”

Ele fez como ela pediu. Nenhuma mudança ocorrera no próprio Ryo. Enquanto isso, Nina avaliava o cartão que havia absorvido brevemente a luz da bola de cristal. Assim que ficou satisfeita de que tudo estava em ordem, ela o entregou a Ryo.

"Aqui está. Este é o seu cartão da guilda, Ryo. Ele age como seu cartão de identificação, então, por favor, notifique a guilda imediatamente se o danificar ou perder. Custa 10.000 florins ou uma moeda de ouro para reemiti-lo, então, por favor, tenha cuidado.”

Ryo pegou o cartão dela e verificou as informações nele. Seu nome, seu rank de aventureiro D e sua afiliação com a cidade de Lune no Reino de Knightley. Era tudo o que constava.

" Você tem alguma pergunta?”

“Sim, uma, se não se importa. Abel me disse que a guilda guarda fundos para seus aventureiros e que eles podem sacá-los a qualquer momento através de qualquer filial da guilda no país?”

"Isso está correto. Se você nos avisar no balcão, pode completar o procedimento em uma sala separada. Será solicitado que você verifique sua identidade com esta mesma bola de cristal.”

"Então aquela bola de cristal está conectada ao país inteiro...?”

Incrível. Espantoso. Inacreditável. Verdadeiramente fantástico. Verdadeiramente mágico. O sistema online que só havia atingido a maturidade total na Terra moderna já existia em Phi!

"Sim, eu diria que essa é uma excelente maneira de pensar sobre isso.”

Nina assentiu. Naquele exato momento, alguém bateu na porta. Ela olhou para Hugh em busca de orientação.

"Entre" disse Hugh sem levantar os olhos de seus documentos. Os membros da Espada Carmesim, o grupo de Abel, entraram.

"Mestre, valeu por nos deixar usar a sala de visitas. Estamos saindo agora" informou Abel a Hugh.

"Sem problemas.”

"Mestre da Guilda, Nina" disse Lyn, a maga do ar do grupo. 

"Vamos dar uma festa hoje à noite às dezoito horas no Onda Dourada para celebrar o retorno do Abel. Espero ver vocês lá!”

"Sua presença é obrigatória, Ryo " Abel sorriu alegremente.

 "Afinal, você é o convidado de honra.”

" Hã...?”

Ryo congelou.

"O Onda Dourada é a estalagem em que ficamos regularmente. Vou reservar um quarto para você também, Ryo, então não se preocupe, você pode ficar tão bêbado quanto quiser.”

"Na verdade, estou preocupado agora, no entanto…”

"Enfim, você não pode dizer não, Ryo. Mas antes disso, tem um lugar onde quero te levar.”

Abel olhou inquisitivamente para Nina então.

"Assim conclui seu registro de aventureiro. Se não tiver mais perguntas, o processo agora está completo.”

"É, eu respondo qualquer pergunta que você tiver, Ryo, então vamos dar o fora daqui.”

Com isso, Abel forçou Ryo a se levantar.

"Vamos voltar para a estalagem primeiro para deixar tudo pronto" disse Rihya, a sacerdotisa. Então ela, Lyn e Warren deixaram o escritório.

"Certo, Mestre, estou roubando o Ryo de você.”

Ryo inclinou a cabeça educadamente para eles.

"Mestre da Guilda, Nina, muito obrigado por toda a ajuda.”

"Não foi nada. Ansioso pra ver o que cê vai aprontar agora que é um aventureiro de Lune.”

Hugh levantou a mão em despedida. Nina também fez uma reverência para ele. Então Abel o conduziu para fora.

"Voltarei para a recepção então.”

"Beleza. Obrigado, Nina.”

Ela voltou para seu posto no balcão.

Hugh McGlass estava agora sozinho em seu escritório.

"Gaaah! Estou tão feliz que poderia chorar!”

Embora mantivesse a voz baixa para evitar que outros do lado de fora o ouvissem, uma enxurrada de emoções preenchia suas palavras.

A melancolia instantânea quando todos descobrimos que o Abel sumiu... Nunca mais quero passar por isso. Estou tão feliz que ele voltou vivo... Ainda não consigo acreditar que ele acabou naufragado além das Montanhas Maléficas... Essa é a definição de sem saída, hein... Pra mim e pra ele.

Então ele desabou em cima de sua mesa.

O garoto tolo realmente não precisava aceitar aquele trabalho investigando a rede de contrabando. Ele devia ter ficado em terra, são e salvo. Ele é inigualável contanto que o trabalho envolva resolver as coisas com uma espada... Acho que ele se sairia bem num aperto dentro de uma dungeon também. A água não faz bem pra ele, no entanto. Nada bem. Bem... Sou grato além da conta ao Ryo por trazê-lo de volta. Nos fez um favorzão, hein... Eu estaria mais morto que um prego se o Abel não tivesse voltado. Ah, é, devia avisar que ele está a salvo...

Com isso, Hugh ativou o dispositivo de comunicação alquímica instalado dentro de seu armário.

“Abel, onde você está me levando?”

“Abel havia virado para o norte na rua principal quando saíram do prédio da guilda.”

"Bem, é sobre sua recompensa por me escoltar…”

"Hm? Pensei que tivéssemos decidido que as pedras mágicas cobriam isso?”

"Não, isso é diferente. Vou ser honesto com você. Quando te pedi para vir comigo, decidi que compraria roupas e um cajado para você assim que chegássemos a Lune.”

 Abel avaliou discretamente a reação de Ryo à sua revelação antes de continuar. Ah, só para deixar claro, eu sei que você provavelmente é apegado à tanga de couro e às sandálias. Não estou tentando insultar seu senso de moda nem nada...

"Você não precisa me tacar pra merda” respondeu Ryo, sorrindo ironicamente. 

Embora estivesse em grande parte sozinho desde que chegara a Phi, ele havia, afinal, passado dezenove anos na Terra como uma pessoa normal. 

"Eu sei o que você quer dizer. Sandálias à parte, sei que não posso andar pela cidade com basicamente nada por baixo. Além disso, não sou apegado a nenhuma dessas coisas. Não tinha linha na Floresta, então não pude fazer nenhuma roupa adequada... Se você vai me comprar roupas, estou mais do que feliz em ir junto, Abel.”

"Ufa, bom saber!" disse Abel, aliviado. 

Ele se preocupara que Ryo interpretasse mal sua oferta como um desprezo pelas roupas caseiras de Ryo, o que poderia ter levado a problemas que ele não queria. 

"Nesse caso, você pode escolher alguns conjuntos casuais e chiques.”

"Eu entendo as roupas, Abel, mas por que um cajado também?”

"Porque você não tem um, mesmo sendo um mago, certo, Ryo?”

"É verdade " disse Ryo, inclinando a cabeça curiosamente ", mas posso usar magia sem um.

"Bem" respondeu Abel, pausando para recordar a magia de Ryo. 

"Ouvi dizer que um cajado aumenta o poder da magia..”.

Espere, um cajado poderia torná-lo ainda mais poderoso...?, pensou Abel. 

Sinto que ele já é forte o bastante...

"Ah, é mesmo? Acho que não vou usar, no entanto. Além disso, tenho minha espada para combate corpo a corpo.”

"Espada?" perguntou Abel, chocado. "Você sabe usar uma espada, Ryo? Não estamos falando das suas facas, certo?”

"Hã? Eu não mencionei? Lembra quando te contei o que faria se fosse um mago do ar? Como eu me dividiria em três para atirar lâminas sônicas, depois executaria um ataque de investida? Bem, se eu não souber usar uma espada, então não posso fazer um ataque de investida, certo?”

"C-Certo. Como você chamou isso? Investida de colapso? Pensei que você estivesse brincando, no entanto.”

" Você é tão maldoso…”

Eles chegaram à loja de roupas enquanto mantinham a conversa. Não era luxuosa de forma alguma, mas possuía uma gama de vestuário de bom gosto.

"Esta não é uma loja particularmente sofisticada, mas a costura é excelente e os estilos também, o que a torna muito popular com o povo. Encomendo minhas roupas aqui também.”

"As suas são muito duráveis, hm, Abel? Nenhum desgaste ou rasgo apesar da jornada da Floresta de Rondo até Lune.”

"D-Duráveis, hein... Bem, são projetadas para atividades cotidianas, então sim, suponho que sejam bem resistentes.”

No final, eles passaram duas horas na loja. Ryo saiu usando um traje pronto com mais três conjuntos personalizados para serem entregues em uma data posterior.

Depois que saíram da loja de roupas, os dois seguiram para o estabelecimento Onda Dourada.

"Ei, Ryo. Tem certeza que não precisa de um cajado?”

"Certeza absoluta. Eu não teria ideia de como usar um, de qualquer forma. Além disso, te disse mais cedo, não disse? Se vou usar uma arma, será uma espada.”

"Certo, se você tem certeza absoluta então…”

Abel parou de repente no meio da rua.

"Abel, o que você está fazendo? Vou te deixar para trás, viu.”

"Até parece. Você nem sabe onde fica o Onda Dourada. Espere, não, não é isso que quero discutir. Ryo, você não tem uma espada de verdade, tem?" perguntou ele enquanto examinava a cintura e as costas de Ryo.

" Sim, eu tenho. É esta aqui. " Ryo sacou a Murasame, a espada que recebera do Dullahan — ou pelo menos a faca na qual ele podia gerar a lâmina da espada.

"Você chama isso de espada? Hã? Essa não é a faca que você sempre carrega na cintura?" perguntou Abel, nervoso. "Agora estou ainda mais confuso. Do que você está falando?”

Não importava como Abel olhasse, a 'espada' de Ryo era uma faca. Sim, o cabo era extremamente longo e o design era estranho para ele, mas ainda era uma faca. Ninguém além de Ryo chamaria aquilo de espada.

"Esqueça isso, Abel, porque tenho uma pergunta para você. Você disse à Nina que responderia a qualquer pergunta que eu tivesse no lugar dela, certo?”

"Ah, é... Eu disse, não disse? Então pergunte.”

"Bem, a verdade é que percebi que não sei muito sobre o básico.”

"O que você quer dizer?”

"Por exemplo, quanto tempo dura um dia ou outras unidades de medida. Coisas assim.”

A expressão de Abel endureceu.

"Abel, eu sei que você pensava em mim como um cara com muito senso comum. Desculpe trair suas expectativas.”

"Uh, eu nunca realmente pensei isso, então sem problemas. Mas não imaginei que você estivesse tão longe assim no senso comum também…”

"Que rude! 'Saber que nada se sabe.' Uma frase famosa que afirma que é uma coisa boa reconhecer sua própria ignorância. E eu não sei nada!”

"Uhhh, o que você disser..." disse Abel.

 "Mas sinto que você está mais para a linha de — bem, simplesmente ignorante…”

Apesar de seus comentários, Abel — que, como sempre, era um cara legal começou, no entanto, a explicar as coisas para Ryo.

Basicamente, muitas coisas em Phi eram as mesmas que na Terra. Vinte e quatro horas em um dia, sete dias em uma semana, trinta dias em um mês, mais ou menos um ou dois dias... Ryo ficara chocado ao saber que fevereiro tinha vinte e oito dias aqui, com anos bissextos existindo além disso também.

O comprimento também era medido em metros e quilômetros, o padrão não americano usado pela maioria dos países na Terra. O que surpreendeu Ryo foi como o peso era medido em Phi. Eles usavam galões em vez disso.

No entanto, considerando o que aprendera sobre esses princípios básicos " sem mencionar a própria existência de curry com arroz ", Ryo só podia supor que todas essas coisas eram resultado de adulteração por alguém ou alguns alguéns que haviam reencarnado ou sido transferidos para Phi no passado. Seu palpite secreto estava agora se transformando em certeza.

"Você não precisa se forçar a memorizar tudo de uma vez, então leve o tempo que precisar" disse Abel.

"Não precisa. Anotei tudo perfeitamente na minha cabeça.”

"Você é um gênio agora...?”

Era apenas natural que ele tivesse aprendido essas unidades sem esforço, dado que a maioria delas era essencialmente a mesma que na Terra.

"Nina também mencionou que eu poderia ficar nos alojamentos da guilda a qualquer momento nos primeiros trezentos dias após o registro.”

"Ah, é, é muito conveniente. Aproveitamos essa oferta quando estávamos começando também " disse Abel, olhando para o céu como se estivesse recordando memórias nostálgicas.”

"Sério? Eu não fazia ideia. Então vou me alojar lá a partir de amanhã também. Vai facilitar as coisas, já que o seminário de dungeon para iniciantes começa depois de amanhã.”

"Ah, é, esse aí. Eles criaram isso nos últimos três anos ou mais. Graças às informações práticas ensinadas no curso, muito menos aventureiros novos morreram. Deixando seu talento mágico de lado, Ryo, acho que será muito bom para você, já que não tem muito conhecimento técnico ou geral.”

"Abel” começou Ryo com um suspiro  

“Só porque você não tem senso comum não significa que eu também não tenha. Por favor, não projete suas falhas em mim." Ele deu de ombros e suspirou, sua atitude gritando: ‘Santo Deus, cara.’

"Pare bem aí. Eu literalmente acabei de te ensinar o básico, então o fato é que eu definitivamente tenho mais senso comum que você. Nem você pode negar a realidade.”

"Só pessoas que não estão bêbadas dizem: 'Não estou bêbado'. É isso que você está fazendo agora, Abel. É o mesmo princípio. Você precisa de ajuda, meu amigo.”

"Agora só estou ficando irritado ouvindo você falar esse monte de asneira..." Abel balançou a cabeça em frustração, sua expressão não convencida.

"Muito tempo atrás, alguém disse: 'Definir é limitar.'”

"É, e daí?”

"Deixar o senso comum te amarrar significa limitar o poder da sua imaginação.”

" Taaaá boom…”

"Em resumo, a falta de senso comum não é necessariamente sempre uma coisa ruim. Isso deve fazer você se sentir melhor consigo mesmo, certo, Abel?”

"Droga, dá para parar?! Você devia estar dizendo isso para si mesmo, Ryo! Cem por cento!" Abel balançou a cabeça.

 "Caramba, nunca soube que podia ser tão exaustivo estar com alguém que não tem senso comum." Ele olhou feio para Ryo.

"Por que você está me encarando enquanto diz isso? Porque fique sabendo, eu tenho toneladas de senso comum!”

"O que foi mesmo que você disse? Ah, é. Só pessoas que não estão bêbadas dizem: 'Não estou bêbado'.”

"Grrr... Vejo que você aprendeu a revidar também, Abel…”

A expressão de Ryo não era de elogio, mas de desgosto enquanto cuspia aquelas palavras. Então ele mudou de assunto repentinamente.

"Ah, tenho algumas outras perguntas para você. Tem uma biblioteca nesta cidade?”

A mudança abrupta de tópico deixou Abel um pouco tonto, mas ele, no entanto, deu total atenção à pergunta de Ryo. Porque ele era um cara legal nesse nível.

"Existem duas grandes bibliotecas. A da parte sul da cidade é voltada para a população em geral. Tem muitos livros fáceis de entender sobre uma ampla gama de assuntos. Então a biblioteca do sul é boa para aprender os fundamentos. Fica a um quarteirão ao sul da guilda. Quanto à biblioteca no norte da cidade, ela praticamente só tem livros técnicos, o que significa que não é para o público em geral. Mas se você estiver procurando por algo em uma área onde tenha algum conhecimento especializado, esse pode ser um bom lugar para ir.”

"É preciso pagar uma taxa ou ter algum tipo de qualificação para usar a biblioteca do sul?”

"Qualquer um pode usar. Você paga dois mil florins, ou duas grandes moedas de prata, como depósito na recepção ao entrar. Quando sai, recebe de volta metade do depósito, contanto que não haja problemas. Se danificar os livros, eles ficam com o depósito e podem até cobrar mais dependendo do livro e do dano.”

Eles chegaram ao Onda Dourada enquanto conversavam.

Na manhã seguinte, Ryo acordou quando a torre do relógio bateu nove horas. Ele estava em um dos quartos de hóspedes que o grupo de Abel, a Espada Carmesim, havia reservado no Onda Dourada. Ele se lembrava vagamente de Abel ajudando-o a entrar. Ryo estava se apoiando pesadamente no ombro de Abel por estar ridiculamente bêbado.

"Estou de ressaca... Minha cabeça dói…”

Uma ressaca... Ele nunca tinha experimentado uma durante sua vida na Terra — o que fazia sentido, já que era menor de idade e nunca tinha experimentado álcool. Dito isso, ele sabia o suficiente para saber o que era uma ressaca.

Na noite passada, Ryo bebeu seu primeiro gole de álcool em Phi. Sua primeira bebida alcoólica na vida fora uma caneca de ale, uma substância parecida com cerveja. Depois disso, porém, todos o encheram com uma variedade de licores, e sua memória ficou nebulosa a partir desse ponto, então ele não conseguia lembrar exatamente quais tinham sido as outras bebidas.

Na festa de boas-vindas de Abel, muitas pessoas entraram e saíram do estabelecimento ao longo da noite, cada uma delas lá para celebrar o retorno seguro de Abel. A presença delas apenas enfatizava o quão popular Abel realmente era.

Embora ele fosse a estrela do show, Abel decretou que Ryo era o convidado de honra, já que havia salvado sua vida, então muitas pessoas o cumprimentaram. Ele ficou quase sobrecarregado pela alegria deles... Ryo foi tão popular que o resto do grupo de Abel " Rihya, Lyn e Warren " não conseguiu se aproximar dele no meio da multidão. Eles foram embora sem ter a chance de falar com ele.

Ele bebeu a água que produziu usando sua magia e se aprontou para o dia. Quando terminou, saiu do quarto carregando seus pertences consigo. Assim como dissera a Abel ontem, ele se mudaria para o alojamento da guilda hoje.

Ao descer para o primeiro andar, encontrou uma pilha de cadáveres bêbados por toda parte " ou pelo menos deveria ter encontrado. Na realidade, os aventureiros embriagados que haviam desmaiado na noite passada foram removidos à força do refeitório da estalagem para abrir espaço para os hóspedes e clientes que paravam para o café da manhã. Eles não foram jogados para fora, no entanto. Não, eles foram empurrados para assentos em um canto do refeitório, onde agora dormiam de bruços sobre uma mesa.

"Isso me lembra aquele poema famoso. ‘Relva de verão / tudo o que resta / dos sonhos dos grandes guerreiros’... " murmurou Ryo antes de se dirigir à proprietária posicionada no balcão.

"O café da manhã estará pronto em breve, então sente-se onde quiser.”

"Ah, muito obrigado. Poderia me ver a conta também? Vou me mudar para o alojamento da guilda depois disso, então…”

"Você não precisa se preocupar com nada, já que o Abel já pagou." Ela sorriu alegremente para ele antes de caminhar na direção da cozinha.

"Abel... Que pessoa boa."

Qualquer um que paga para os outros é uma pessoa boa. Bem, eles eram pelo menos melhores do que aqueles que não pagavam.

O café da manhã consistia em pão branco, ensopado e queijo. Embora a comida fosse simples, era incrivelmente deliciosa e incluía repetição, ou até uma terceira vez se ele quisesse. Fome satisfeita, Ryo partiu para a guilda.

Quando chegou, encontrou uma atmosfera muito caótica lá, como se uma tempestade tivesse acabado de passar. Havia uma sensação de alívio misturada no ar também, como a sensação depois de cruzar um desfiladeiro de montanha. Essa era a cena habitual depois que a disputa matinal por comissões terminava e aqueles sortudos o suficiente para pegar algumas haviam partido. Claro, por causa da dungeon de Lune, havia também muitos aventureiros que iam direto para lá em vez de passar pela guilda primeiro para pegar trabalho.

Para Ryo, no entanto, caótico era a única maneira que ele poderia descrever a visão, já que era a primeira vez que experimentava as consequências da carnificina matinal da guilda. As mulheres trabalhando nos balcões estavam naturalmente exaustas. Apesar do cansaço, demonstraram seu profissionalismo quando Ryo se aproximou, endireitando os ombros e sorrindo para ele. Ele se dirigiu a Nina.

"Bom dia, Ryo. Como posso ajudá-lo hoje?”

Ele realmente não se importava com quem falava, mas escolheu Nina porque preferia lidar com alguém que já conhecia em vez de completos estranhos.

"Bom dia. Gostaria de aceitar sua oferta de ontem, aquela sobre o alojamento da guilda.”

"Entendido. Atualmente temos trinta pessoas residindo. Algumas estão na dungeon... Mas ninguém vai realmente todos os dias, então você verá gente por lá. Cada quarto acomoda seis pessoas. Você é livre para usar a sala comum sempre que quiser. Vou lhe fazer um tour, já que não tenho outros para atender.”

Com isso, Nina saiu de trás do balcão.

Nina passou pela entrada do prédio da guilda e virou, seguindo na direção oposta. Ryo a seguiu.

"Ah, espero que tenha aproveitado a celebração ontem à noite. Vi o Rah forçando você a beber o tempo todo assim que te pegou, hm? " disse ela com uma risada, recordando os eventos da noite anterior.”

"O Rah idolatra o Abel como um irmão mais velho, e é por isso que ele estava extremamente grato por tê-lo de volta.”

Rah era um espadachim e líder do grupo de rank C "Switchback". Ele praticamente adorava Abel, então exagerou ao expressar sua gratidão a Ryo, o salvador de seu herói. O grupo. Inteiro. Dele. Houve muitos outros que serviram bebidas a Ryo e lhe trouxeram comida, mas mesmo assim, Rah permaneceu firmemente ao seu lado, agradecendo profusamente repetidas vezes.

"Fico feliz que ele esteja feliz. Mas, para ser honesto... bebi demais" respondeu Ryo com um sorriso irônico.

"A loja da guilda tem uma variedade de poções desintoxicantes em estoque, então recomendo que experimente uma para sua ressaca.”

"Nossa, uau. Eu não fazia ideia de que uma poção podia fazer isso…”

A cada dia, o conhecimento de Ryo sobre este mundo aumentava.

"De fato. Eu mesma nunca experimentei uma, mas é um remédio popular entre os aventureiros.”

O alojamento da guilda ficava atrás do prédio principal. Assim como a sede, também era uma estrutura magnífica feita de pedra, com dois andares.

"Quais são as regras do alojamento? Por exemplo, tem toque de recolher?”

"Não, você pode ir e vir como quiser. O prédio é equipado com vários quartos, banheiros e chuveiros comuns, e a sala comum inclui uma cozinha. Não há zelador no local, o que significa que todos os residentes são responsáveis por si mesmos.”

"Isso é, hã... bem drástico, não é?”

"Bem, costumava haver um zelador, mas é uma longa história, então... A limpeza é a única coisa que terceirizamos. Um ex-aventureiro administra uma empresa de limpeza com contratos por toda a cidade”.

"Entendo. Então esse é o tipo de trabalho que os aventureiros fazem depois de se aposentar. Faz sentido. Enquanto estão ativos como aventureiros, podem fazer todo tipo de conexões com as pessoas, e podem confiar nessa rede para trabalhar depois que deixam a vida de aventuras para trás."

"Ryo, você vai dividir o Quarto 10 com outros dois, Nils e Eto. Eles formaram um grupo e estão atualmente na dungeon. Chegamos.”

Nina indicou a porta. Havia duas placas de nome ao lado dela, uma com "Nils" e a outra com "Eto".

"É aqui que os residentes penduram suas placas de identificação. Vou pendurar a sua, já que a tenho pronta" disse ela, montando a placa de nome dele na parede. Seus movimentos ágeis indicavam que ela era uma mulher que fazia bem o seu trabalho. Então ela bateu na porta.

"Pode entrar" chamou uma voz de dentro do quarto.

"Ah, eles estão ambos aqui.”

Ela abriu a porta e entrou.

"Com licença, é a Nina da guilda. Nils, Eto, vejo que estão ambos na residência hoje, hm?”

Havia dois homens no quarto: um musculoso com cabelos castanhos claros, de cerca de vinte anos, que fazia flexões no chão, e outro cuja estrutura era tão esbelta que ficava claro mesmo sob suas vestes sacerdotais brancas.

"S-Senhorita Nina! O-O-O-Olá!" gaguejou o jovem musculoso.

"Excelente timing. Este é seu novo colega de quarto, Ryo. Ele vai morar aqui a partir de hoje. Espero que ambos cuidem dele.”

"Meu nome é Ryo. Prazer em conhecê-los" disse Ryo, fazendo uma reverência.

"Ei, eu sou o Nils e aquele é o Eto. Bom te conhecer também, Ryo.”

Nils se levantou e estendeu a mão para Ryo para um aperto de mão. Eto permaneceu sentado em sua cadeira, mas levantou a mão e assentiu em cumprimento a Ryo.

Nina assentiu e continuou falando.

"Vou voltar para a recepção agora. Ryo, por favor, certifique-se de não se atrasar para o seminário de amanhã... Ah, suponho que isso não será um problema, já que você virá daqui, hm?”

Ela sorriu alegremente para eles e saiu, voltando para o prédio principal da guilda.

"Ahhh, a Senhorita Nina é realmente linda" murmurou Nils depois que ela saiu.

"Dá um tempo, Nils. Você sabe quantos estão competindo pelos corações daquelas recepcionistas adoráveis e você definitivamente não está no páreo" observou Eto com uma risadinha.

"V-Você acha que eu não sei disso?! Mas o sonho de todo homem é se estabelecer com uma boa mulher depois de fazer um nome para si mesmo!”

Na Terra moderna, onde a igualdade de gênero existia, ele poderia ter sido criticado de todos os lados por dizer algo assim, mas suas palavras não eram nem um pouco problemáticas em Phi.

"Bem, algumas delas já estão noivas de nobres. Elas não vão se dignar a se envolver com aventureiros comuns como nós.”

De fato, este mundo poderia não estar tão longe assim da igualdade entre os sexos, considerando que as mulheres que trabalhavam como recepcionistas pareciam ter um status social esmagadoramente superior ao dos aventureiros...

"Enfim, esqueça tudo isso. Ryo, não era? Não há necessidade de formalidades, já que somos todos colegas de quarto agora. Pode ser?”

"Sim, tudo bem para mim.”

"Ótimo! Honestamente, eu estava um pouco preocupado sobre quem mais pegaríamos neste quarto de seis pessoas, já que somos apenas nós dois agora. Sabia que novatos apareceriam eventualmente, então fico feliz que seja você, Ryo. Você parece um tipo responsável.”

"Falou tudo. Eu teria odiado se pegássemos alguém como o Dan do Quarto 1.”

Tanto Eto quanto Nils assentiram vigorosamente algumas vezes em concordância.

"Ah, certo... As coisas podem ficar complicadas com choques de personalidade, hein…”

Não importa qual era ou mundo, isso é algo que nunca mudaria. Era verdade na Terra e aparentemente em Phi.

 Sim. A propósito, sou um espadachim e Eto é um sacerdote. E você, Ryo? Adivinho que seja mago?”

"Sim, isso mesmo.”

"Sua aparência te entregou" disse Nils, sorrindo. 

"A Senhorita Nina mencionou algo sobre um seminário mais cedo. Você vai fazer o da dungeon, Ryo?”

"Sim, o de 5 dias para iniciantes”.

"Oooh, é, esse é ótimo. Sou super grato por ele porque é a única razão pela qual ainda estamos vivos." Seu sorriso se alargou ainda mais agora.

Depois disso, os dois contaram a Ryo sobre a cidade e outras coisas.

Trinta minutos depois, uma batida soou na porta novamente.

"Pode entrar" chamou Nils.

Quando ele fez isso, Nina entrou mais uma vez.

"Minhas desculpas, pessoal. Um novo aventureiro que acabou de se registrar na guilda gostaria de ficar aqui no alojamento também.”

Um momento depois, um garoto saiu de trás dela. Ele parecia estar no final da adolescência.

"Sou o Amon" disse ele. "Prazer em conhecê-los.”

"Sou o Nils. Aquele é o Eto e este é o Ryo.”

"Amon, o Ryo também vai fazer o seminário de amanhã, então por que vocês dois não vão juntos?”

Nina saiu com essa observação, voltando para seus deveres no prédio principal.

"Mmm, a Senhorita Nina é realmente linda…”

Eto olhou significativamente para Ryo, como se dissesse: "Viu? O que eu te disse?". Ryo assentiu em entendimento silencioso. Nils amuo-se com a troca não verbal deles.

"Ei, não estou machucando ninguém, tá? Parem de pegar no meu pé. Enfim... Amon, você ainda é bem jovem, né? Você nem é oficialmente adulto ainda, é?”

A maioridade nas Províncias Centrais era dezoito anos.

"Isso mesmo. Fiz dezesseis anos recentemente. Minha família faleceu, então decidi me tornar um aventureiro para sobreviver. É por isso que vim para Lune.”

"Acho que estamos todos no mesmo barco, hein?" intrometeu-se Eto.

"O sacerdote está quebrado também? Estou meio curioso agora sobre a história dele..."

Nem mesmo Ryo foi rude o suficiente para perguntar a ele, no entanto. Sabia que era cedo demais, então manteve a boca fechada.

"Na verdade, o Ryo acabou de se mudar não muito antes de você. Bem legal que vocês estarão na mesma turma também, hein?”

"Sim, vamos aprender muito nos próximos cinco dias, Amon.”

"Parece maravilhoso!”

"Certo, estamos indo para a dungeon então. Boa sorte com o seminário, vocês dois.”

E com isso, Nils e Eto partiram para explorar a dungeon.

Todos tomaram café da manhã juntos no refeitório anexo à sede da guilda. A comida lá era tão boa quanto a do Onda Dourada. Não só era barata, como podiam pegar repetição de graça também. Fosse o café da manhã no Onda Dourada ou na cantina da guilda, Ryo ficou extremamente grato pela repetição ilimitada. Era exatamente como os buffets de café da manhã em hotéis executivos na Terra. Afinal, o café da manhã era muito importante.

Assim que encheram os estômagos, Ryo e Amon seguiram para a sala de palestras no terceiro andar do prédio principal da guilda. O espaço lembrava salas de aula em universidades, com escadas levando a níveis mais altos de assentos. Embora faltassem cinco minutos para as nove, já havia dez pessoas na sala. Os dois se sentaram na segunda fila a partir da frente.

"Eu realmente achei que haveria mais gente aqui."

Logo antes do sino da torre tocar nove horas, mais vinte pessoas entraram, elevando o número total de participantes para trinta, mais ou menos alguns. Assim começou o seminário de dungeon de cinco dias voltado para iniciantes.

"De jeito nenhum! Você está mentindo! Isso é impossível!”

Enquanto Ryo e seu colega de quarto, Amon, assistiam ao curso para novatos, a Espada Carmesim se reunia no refeitório anexo da guilda. O objetivo original da reunião era discutir a agenda deles daqui para frente, mas a conversa se voltou para o retorno de Abel e, a partir daí, para a magia de água de Ryo.

"Odeio ter que te dizer isso, mas é muito possível.”

"Eu sei que um feitiço de Parede de Gelo existe sob o guarda-chuva da magia de água" disse Lyn, a maga do ar, tentando mais uma vez refutar a explicação de Abel sobre a magia de Ryo. 

"Mas é tão fino que um corte de ar rasgaria direto através dele. E você está me dizendo que ele fez uma Parede de Gelo no ar e depois a deixou cair? Impossível é a única opção aqui, Abel.

 "Ela enfatizou seu argumento com uma estocada de seu garfo." Entendeu, senhor? Magia só pode ser conjurada ao redor do usuário. Seja magia de água, ar ou fogo. É verdade para todas elas. Então ninguém pode criar magia ou fenômenos mágicos à distância.”

"Uhhh, sim, senhora..." Oprimido pela intensidade dela, Abel não conseguiu pensar em mais nada para dizer.

"Agora, Lyn, você está ficando muito exaltada. Se o Abel disse que viu, então eu, por exemplo, acredito nele" disse Rihya, tentando aplacar a agitada Lyn com um sorriso.

"Mas você sabe que estou certa, Rihya. É senso comum. Você sempre teve um ponto cego quando se trata do Abel…”

"Hmm. Bem, até magos de luz só podem curar seus alvos quando estão bem ao lado deles. Seria incrivelmente conveniente se pudessem curar à distância, no entanto... Mas você está certa, Lyn, é impossível fazer isso." Rihya inclinou a cabeça, imersa em pensamentos.

"Ah, é mesmo...? Só estou contando o que aconteceu, no entanto. Foi assim que conseguimos esta pedra amarela do golem " explicou Abel, mostrando-lhes a pedra mágica amarela do tamanho da palma da mão.

"É de fato bastante grande. O que você vai fazer com ela?" perguntou Rihya.

"Ryo me disse que posso fazer o que eu quiser com ela, já que derrubei o golem…”

Foi o golem que Abel incapacitou com seu chute, então era verdade que ele tinha sido quem o derrotou.

" Abel, sei que você se sente mal por ficar com tudo para si em vez de compartilhar com o Ryo, mas a família real certamente desejará uma pedra desse tamanho. Você não pode simplesmente vendê-la e dividir os lucros igualmente com ele, hm?

"É, esse é o problema" disse ele, a cabeça caindo.

"Não entendo. Por que ele não pode fazer isso?" intrometeu-se Lyn, confusa sobre qual era o problema na verdade.

"Posso conseguir dinheiro por ela, mas vocês sabem que terei que informá-los com quem dividi os lucros. O que significa que as coisas vão ficar complicadas se eu der o nome do Ryo... Só porque ele se registrou na guilda de Lune não significa que jurou lealdade ao Reino de Knightley. O rei à parte, outros ao redor dele tentarão conquistar Ryo como um aliado político para o Reino assim que descobrirem o quão talentoso ele é.”

"Certo. Consigo ver isso acontecendo, mesmo que acreditem em apenas metade do que você diz, Abel " disse Lyn, assentindo pensativamente." Seria tão ruim assim, no entanto?

"Só metade, hein? Agora tenho que me perguntar quanta fé você tem em mim... Bem, suponho que Ryo possa recusá-los de qualquer maneira se não estiver interessado. Embora, nesse caso, seja possível que ele deixe Lune e acabe em outro país…”

"Ah, entendi agora. Nesse caso, Lune perderia um ativo vital. E, por extensão, o Reino de Knightley também. Seria horrível se ele acabasse no Império, certo?”

"Não, o Império é carta fora do baralho para ele" afirmou Abel com confiança.

"O que você quer dizer?”

"É! O Império é o único que pode enfrentar o Reino.”

Rihya e Lyn o questionaram.

"Porque o nome oficial dele é Império Debuhi.”

Os acenos de cabeça das duas mulheres encorajaram Abel a elaborar.

"Ryo acha incrivelmente sem graça. Então ele disse que odeia o Império. É por isso que ele não vai acabar lá.”

"...O quê?”

Nem Rihya nem Lyn entenderam. Ele não acabaria no Império porque o nome era sem graça?

"Eu também não entendo muito bem, mas entendo que é um fator decisivo para ele, então..."

O instinto de Abel dizia que ele estava certo.

"Certo, então, para outros tópicos. Abel, enquanto você estava fora, optamos por não nos aventurar na dungeon. Em vez disso, aceitamos várias comissões regulares, mas apenas aquelas que absolutamente não podíamos recusar.”

"Entendido. Obrigado, pessoal, sério." Abel, ainda sentado, abaixou a cabeça em gratidão.

"Estou tão feliz que você voltou a salvo para nós. Já dividimos as recompensas em quatro, então sinta-se à vontade para verificar sua quantia mais tarde.”

"Eu nem estava aqui, no entanto. Eu estaria bem se vocês três dividissem o pote, sabe.”

"Absolutamente não. Não é assim que fazemos as coisas.”

"Ela está certa" manifestou-se Lyn.

Warren, que ainda não dissera uma palavra até agora, assentiu silenciosamente também.

"Ah, espera " disse Abel. 

"Acabei de lembrar que ganhei dinheiro também. Lembrem-se, eu não pude pegar todas as pedras mágicas ou partes dos monstros que derrotei no caminho de volta para cá, mas coloquei as mãos em pedras mágicas de Wyvern. Pedi ao Mestre para vendê-las para mim, então assim que eu receber o dinheiro, vou dividir com todos vocês.”

"Você o quê...?”

"Wy... verns?”

“…”

Seus três membros do grupo lutaram para dar sentido às suas palavras. Era apenas natural que fizessem isso. Um Wyvern exigia pelo menos vinte aventureiros de rank C para que uma caçada tivesse sequer uma chance de sucesso. Então o fato de ele ter matado não um, mas muitos, era inacreditável…

"Você ajudou um grupo ou algo assim com Wyverns? " Rihya fez a pergunta óbvia.”

"Não. Eu disse a vocês antes, certo? Havia um ninho de Wyverns no lado sul das Montanhas Maléficas. Tivemos que derrubá-los enquanto fazíamos nosso caminho para Lune. Teria sido um desperdício tão grande deixar pedras mágicas de Wyvern para trás, então essas são as únicas que realmente pegamos.

"Então... O que você está dizendo é... Você e o Ryo os derrubaram? Só vocês dois?”

A pele de Rihya e de Lyn empalideceu enquanto imaginavam a cena.

"Sim. Ele atirou lanças de gelo através das asas deles e então, assim que caíam, eu os pegava nos olhos com Empalamento Total.”

"Ele perfurou as asas...? Mas Wyverns cobrem seus corpos inteiros com uma membrana defensiva de ar que repele magia..." perguntou Lyn, duvidosa. Sua voz ficou abafada na última palavra, quase como se estivesse falando sozinha naquele ponto.

"Hã?" Abel inclinou a cabeça pensativamente. 

" Ah, você tem razão. Eles fazem isso. Eu tinha esquecido. Hmmm, exceto que ele definitivamente fez exatamente isso.”

"Como, no entanto...? Nem mesmo o Mestre Hilarion consegue usar magia tão poderosa." Lyn balançou a cabeça empaticamente.

"Ela está certa, Abel. Só conheço uma pessoa que consegue... O Mago do Inferno do Império. Mas mesmo assim são apenas rumores.”

"Concordo em ambos os pontos.”

Tanto Rihya quanto Lyn conheciam apenas os rumores sobre o Mago do Inferno do Império.

Um conto diz que ele queimou mil soldados do Reino até a morte com um único ataque.

Em outro, ele explodiu um Wyvern com um único golpe.

Um terceiro conta como ele aniquilou um exército rebelde que se barricou em uma cidade com um único ataque.

Falando francamente, nenhuma das duas mulheres tinha certeza se tal mago realmente existia. No mínimo, o primeiro conto era verdadeiro, então não havia como negar seus poderes temíveis.

"O Mago do Inferno, hein... Definitivamente não quero encontrá-lo no campo de batalha.”

Depois de ter se juntado a Ryo, Abel sabia de uma coisa com certeza " ele não queria fazer inimigos de magos. Antes de agora, honestamente nunca pensara muito nisso. Primeiro, havia Lyn em seu grupo. Ela era considerada uma maga de alto nível no Reino, mas mesmo se ele fizesse dela uma inimiga, Abel estava confiante de que poderia derrotá-la sem muita dificuldade. Depois havia o mago mais poderoso do Reino, Hilarion, aquele que ele chamava de "velhote". Embora uma luta com ele certamente testasse sua coragem, Abel sempre pensou que seria o último de pé.

Mas Ryo era perigoso. Primeiro, ele podia executar magia sem recitar um feitiço. Embora houvesse algumas vezes em que ele deliberadamente dizia as palavras em voz alta.

"Não sei por que ele fez isso naquelas ocasiões, mas até eu sei que ele estava inventando na hora. Ele provavelmente só achou que soava legal. É, algum motivo aleatório assim faz sentido para ele."

A propósito, Abel estava absolutamente correto sobre isso.

Além da magia silenciosa de Ryo, a velocidade com que ele lançava seus feitiços era tudo menos comum. Se Abel tivesse que enfrentar a Parede de Gelo de Ryo, ele honestamente não tinha certeza se conseguiria penetrá-la mesmo com o Empalamento Total. Além disso, ele era capaz de atacar com suas lanças de gelo enquanto estava atrás da Parede de Gelo. Só isso já deveria ser considerado jogo sujo!

Neste ponto, ele não conseguia pensar em uma única estratégia que derrotasse Ryo.

Sem mencionar que Ryo admitira ser capaz de combate corpo a corpo quando chegaram a Lune.

"Caramba, isso realmente não tem graça. A magia dele sozinha me faz sentir que não posso vencer, mas adicionar luta à lista de talentos dele é demais... É, não é natural. Ele não é natural. A própria existência de Ryo é uma aberração."

E então havia a suposta aberração do Império. O Mago do Inferno.

"É... definitivamente não é uma boa ideia fazer inimigo de um mago.”

 


Sol: Geral ficando louco pelo que o Abel tá contando (  Nenhuma mentira até agora ) kkkkkk, muito bom. Só queria constar que eu comecei a revisar esse cap 2:47 da manhã e agora são 04:06 loucura…. Cap grande da poxa, bom espero que vocês estejam aproveitando, se quiserem conversar de Mizugician é só entrar no server da Moonlight q eu e a Mon respondemos quase na hora ( bando de vagaba kkkkkk ). Bom é isso gente vlw.

 

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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