O Mago de Água Japonesa

Tradução: Soll

Revisão: Mon


SS. Volume 1

Extra 2: O Ancião

 

  Oscar abriu os olhos. Um teto desconhecido em um quarto desconhecido em uma... cama (Berth)? Era uma cama. Exceto que ele não sabia o que era uma cama. Nascido e criado na vila de Fost, o menino de seis anos nunca havia sido levado à cidade em viagens de compras. Então fazia sentido que ele não soubesse.

Mas parecia muito, muito confortável estar nesta cama. E foi por isso que ele adormeceu novamente.

Quando acordou novamente, sentiu a presença de alguém perto dele. Ele virou apenas a cabeça na direção da pessoa enquanto permanecia deitado na cama.

"Oh, você está acordado?" disse a pessoa.

Sol: Huh você finalmente acordou ( Skyrim referência)

Quando Oscar olhou, viu um homem velho com a cabeça cheia de cabelos brancos e uma grande e espessa barba branca. Ele tinha olhos gentis.

"H-Hum..." começou Oscar, mas parou porque não sabia o que dizer.

"Esta é a vila de Shuk, perto da cidade de Mashuu" disse o velho. 

"Um dos moradores te encontrou trazido pela correnteza na margem do rio. Não se preocupe, você está seguro aqui.”

No começo, Oscar não reagiu de forma alguma ao ouvir a notícia... Mas cinco segundos depois, lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto. O velho não disse nada, apenas o deixou chorar.

Assim que parou de chorar, Oscar abaixou a cabeça.

"Muito obrigado por me salvar.”

"Não foi nada " disse o velho com um sorriso.”

Então uma batida soou na porta antes que um homem entrasse no quarto. Ele parecia estar no final dos 50 anos. Seu cabelo estava começando a ficar grisalho, mas ele estava barbeado. Era claramente um indivíduo que tinha muito orgulho de sua aparência bem cuidada.

"Meu senhor, os preparativos para a refeição terminaram. Tudo está pronto na sala de jantar, mas prefere que eu traga aqui?”

"Hm... Garoto, o qu—" 

Na verdade, por que você não começa me dizendo seu nome? Sou Luke Rothko. Estou aposentado, então o pessoal por aqui gentilmente me chama de o ancião. E este é Berlocke, que cuida de mim.

"Hum, eu-eu sou Oscar, da vila de Fost" disse Oscar, fazendo o melhor para se apresentar educadamente. 

O Chefe Schulast lhe ensinara boas maneiras por precaução. Ele sempre dizia que nunca se sabia quando se precisaria delas.

"Oh ho, uma saudação maravilhosa. Muito bem. Mas a vila de Fost... Pelo que me lembro, era uma das vilas recém-desenvolvidas no domínio vizinho de Hunt, hein…”

"Isso mesmo, meu senhor" confirmou Berlocke.

 "Uma vila autossuficiente, pois estava situada longe da cidade. Embora eu tenha ouvido que seu povo visitava ocasionalmente para vender ferramentas de alta qualidade feitas por seu ferreiro.”

"Ah, entendo. Então a espada à qual Oscar se agarrava firmemente deve ter sido uma dessas criações do ferreiro.”

O ancião olhou para a espada encostada verticalmente ao lado da cama.

"Ah!" começou Oscar, só agora notando sua espada. Novas lágrimas começaram a escorrer por suas bochechas. 

"Meu mestre a fez para mim.”

Desta vez, ele não chorou tanto. Porque seu mestre, Rasan, o ferreiro, lhe dissera para viver, e chorar não era viver. Significava apenas que ele não estava morto.

Com esse pensamento, Oscar enxugou as lágrimas.

"Hm. Vejo que você passou por muita coisa, mas há muito tempo para falar sobre isso mais tarde. Que tal comermos primeiro? Você sabe o que dizem sobre fazer qualquer coisa de estômago vazio.”

"Eu também?”

"Claro. Nós três comeremos juntos.”

"Ok.”

Era toda comida que Oscar nunca comera antes. A comida em sua vila não fora ruim ou insuficiente " o oposto, na verdade. Oscar apenas realmente não conhecia nada além das coisas que comiam em casa.

Então hoje marcava sua primeira experiência com comida fora da vila. Estava tudo muito delicioso...

Ele deu atenção total à refeição. Não sabia quantos dias passara sem comer, mas sabia que estava morrendo de fome, então comeu bastante. E Oscar era jovem e protegido demais para perceber que Berlocke fizera a maioria dos pratos fáceis de digerir de propósito.

Depois que terminaram de comer, ele se retirou para a sala de estar com o ancião. Ele sentou no sofá e bebeu algo chamado café pela primeira vez. O primeiro gole tinha gosto amargo. Quando o aposentado viu a reação de Oscar, recomendou um pó branco. Ele lambeu um pouco tentativamente e ficou chocado com a doçura!

"Isso se chama ‘açúcar’. É feito de beterraba sacarina. Muito, muito tempo atrás, um grande rei de outra nação espalhou esse tempero doce por toda parte.

Colocar muito açúcar no café tornava muito mais fácil de beber. Oscar bebericou feliz.

"Certo, então, Oscar”.

" Sim, senhor?" respondeu Oscar obedientemente.

"Você tem algum outro lugar para onde possa ir?”

"Hã?”

"Bem, apenas um palpite da minha parte, mas se não houver ninguém a quem você possa recorrer” disse o ancião.

 "Por que não fica aqui conosco?”

O aposentado não tinha intenção de forçar o menino, então formulou suas palavras o mais cuidadosamente possível, caso Oscar quisesse ir para outro lugar. O velho supusera que sua família na vila de Fost não estava mais viva.

Oscar permaneceu em silêncio por um minuto antes de finalmente falar.

"Ancião, o senhor já sabe que meus pais morreram, não sabe?”

"Eu..." Nervoso, Luke tentou refutá-lo, mas Oscar balançou a cabeça.

"Eu sei que estou certo" disse ele. 

"Papai e Mamãe... Bem na frente dos meus olhos…”

"Oscar, você estava coberto de feridas quando o trouxeram para cá”  começou o velho hesitantemente. 

A criança passara por uma experiência tão terrível, uma que ele nem conseguia imaginar, então decidiu no final não tratar Oscar como uma criança, mas alguém que escapara de circunstâncias terríveis e incomuns. 

"Algumas pareciam ser obra de garras e presas de lobos de guerra... Mas a do seu ombro foi certamente feita por uma espada…”

"Foi ele... O homem que matou Papai e Mamãe…” A voz de Oscar falhou então. Ele olhou para o chão, mas não fluíram mais lágrimas. Ele decidira viver e chorar não era viver. Ele cansara de lágrimas.

"Ancião, não tenho outro lugar para ir. Por favor, deixe-me ficar aqui. Farei qualquer coisa. Aprendi ferraria com meu mestre. Ainda não sou bom em martelar, mas posso afiar. Posso acender um fogão também.”

"Acender um fogão? Oscar, você quer me dizer que é um mago do fogo?”

"Um mago do... fogo? Eu realmente não entendo o que o senhor está dizendo…”

"Ah, certo, claro. Perdoe-me. Que tal você acender aquela lareira ali então?" disse o ancião, indicando a lareira próxima.

Berlocke entrou na sala de estar naquele momento e imediatamente adicionou mais lenha, como se tivesse entendido as intenções de seu mestre sem que lhe dissessem.

Oscar virou-se para a lareira e recitou.

"Queime.”

Instantaneamente, uma pequena chama irrompeu da mão de Oscar, voou para a lenha na lareira e começou a queimar.

"Ora, ora.”

"Vejam só…”

Tanto Berlocke quanto o ancião ficaram surpresos.

"Ele nem usou um feitiço…”

"Imaginei que não.”

"O que o senhor quer dizer?" perguntou Oscar, com a cabeça inclinada curiosamente. 

O comentário atordoado de Berlocke parecia ter confirmado qualquer suspeita que o velho mantinha.

"Não, só tive um pressentimento quando vi seu cabelo, sabe. Trouxe à mente uma lenda sobre cabelos ruivos.”

"Que tipo de lenda?”

“ ‘Amados são aqueles com madeixas carmesim flamejantes, pois é prova do amor do deus do fogo.’ Ou acho que é assim que diz.”

O ancião recitara as palavras em um tom pesado de gravidade.

"Basicamente, significa que aqueles com cabelos ruivos flamejantes nasceram favorecidos pelo deus do fogo. É uma lenda bem antiga, no entanto... Tão antiga que nem é mais transmitida nos templos…”

Nesse ponto, o rosto do velho ficou pensativo. Apenas por alguns segundos.

"Certo então, está decidido. Berlocke, Oscar vai ficar conosco aqui na propriedade. Oscar, isso significa todo tipo de aprendizado para te colocar no nível. A partir de amanhã, você estudará leitura, escrita e aritmética todas as manhãs.”

"Hã…”

Tendo nascido e sido criado em uma vila, Oscar só agora dava seus primeiros passos na coisa chamada "estudar".

Berlocke tornou-se seu instrutor nos fundamentos de leitura, escrita e aritmética, enquanto o ancião lhe ensinava sobre as Províncias Centrais " sua história, estado das coisas, geografia e mais.

Ele tinha aulas de manhã e Berlocke lhe ensinava esgrima à tarde. O último era o que Oscar queria.

"Quero ser mais forte”  dissera-lhes.

Oscar tinha um colega de classe. Era Cohn, o menino que avistara seu corpo inconsciente no rio. O ancião fizera os arranjos para incluir o outro menino porque disse: 

"É importante ter amigos de escola".

O pai de Cohn, Latatow, era um comerciante que administrava uma loja na vila de Shuk, onde a propriedade do aposentado estava localizada. Cohn era o quarto filho e seu trabalho na família era entregar qualquer coisa que a propriedade precisasse da loja de sua família. Todos os dias, o menino insistia que queria ser um aventureiro quando crescesse, um sonho com o qual seu pai concordava plenamente. Afinal, como quarto filho, ele não poderia assumir o negócio ou abrir uma filial da loja.

O ancião tinha grandes esperanças para Cohn devido à sua inteligência e potencial. Então o próprio velho abordou Latatow para fechar um acordo.

"Você deixará Cohn trabalhar como amigo de escola de Oscar?”  perguntou ele.

Se seu filho estava realmente determinado a se tornar um aventureiro no futuro, então naturalmente ele deveria ser capaz de ler, escrever e fazer contas. Além disso, quanto mais alto seu rank subisse, maiores suas chances de entrar em contato com a aristocracia. Não havia mal em ter educação no caso dele. Sem mencionar que o menino poderia treinar esgrima também, e como era "trabalho", Luke pagaria a ele um estipêndio também...

Nem Latatow nem Cohn tinham motivos para recusar a oferta. Na verdade, os termos eram tão bons que o pai do menino não podia sentir nada além de gratidão.

"Minha hora chegou!”  cantou Cohn animadamente.

Um momento depois, seu pai lhe deu um cascudo esperto na cabeça com os nós dos dedos. Mas isso era segredo.

Cohn tinha doze anos na época. Ele realmente deu o seu melhor nos estudos. Foi a primeira vez na vida que se dedicou a algo tão seriamente. Na verdade, todos os dias após voltar para casa da propriedade do ancião, ele revisava as lições do dia. Muito provavelmente, ele era muito superior à maioria das outras crianças de sua idade.

Mas o fato permanecia que Cohn, aos doze anos, não era diferente de Oscar, de seis. Simplificando, o menino mais novo era um prodígio em muitas áreas. Leitura, escrita, aritmética " ele só precisava aprender um conceito uma vez para dominá-lo. A história das Províncias Centrais, o estado das coisas de cada país, geografia " ele aprendia tudo em uma velocidade inacreditavelmente aterrorizante, como areia seca sugando água avidamente.

Como instrutor dos meninos, até o próprio ancião ficou impressionado com o desempenho de Oscar. Antes de se aposentar, o velho encontrara muitas pessoas naturalmente talentosas e brilhantes cujos intelectos Oscar já igualava com apenas seis anos de idade.

Era fácil, então, ter pena de Cohn diante do gênio de Oscar. No entanto, Cohn trabalhava diligentemente com uma seriedade simples, quase tola. Seu colega de escola ser um prodígio não era motivo suficiente para ele parar de avançar em sua vida. Ele estava determinado a se tornar um aventureiro. Para cumprir seu objetivo, aprenderia tudo o que pudesse ali... Então estudou seriamente.

Era só isso. Não há ninguém mais forte do que alguém que tem um objetivo e não vacila em sua busca.

Aprendendo ao lado dele, Oscar deve ter sentido algo em Cohn. A princípio, ele não queria nada com o outro garoto. Seis meses depois, no entanto, os dois haviam se tornado muito bons amigos.

Eles geralmente praticavam esgrima à tarde, mas tinham esse tempo livre dois dias por semana. Na maioria das vezes, Oscar usava esse tempo para trabalhar em sua magia de fogo, enquanto Cohn revisava o que haviam aprendido. Ultimamente, porém, Cohn notara Oscar desaparecendo da propriedade durante esses períodos livres.

Hoje, ele finalmente descobriu para onde seu amigo estava indo. Quando o encontrou, viu Oscar afiando uma lâmina nas ruínas de uma forja de ferreiro, a apenas quinhentos metros da mansão.

"Oscar, o que você está fazendo?”

"Cohn! Como pode ver, estou afiando esta lâmina.”

"C-Certo…”

Oscar estava afiando uma faca com uma pedra de amolar do tamanho de uma mão. Havia uma pedra de amolar grande e giratória na oficina, mas não funcionava bem, pois não passava por manutenção há algum tempo.

"Se bem me lembro, esta oficina pertencia ao velho Basan... Ele faleceu no ano passado.”

"Foi o que me disseram também. Ele não tinha sucessor ou herdeiros, então a vila está usando como oficina comunitária. O ancião disse que eu podia usar, então tenho afiado minhas lâminas aqui. As pedras de amolar, da grossa à fina, estão todas em boas condições e muito fáceis de usar.”

Então ele mostrou a Cohn a faca que acabara de afiar.

"Uau, está tão lindamente afiada... Oscar, você é muito bom nisso.”

"Meu mestre me ensinou. Ele era ferreiro.”

Com uma expressão um tanto melancólica, Oscar começou a trabalhar em uma segunda lâmina.

"Então você sabe forjar, Oscar?" perguntou Cohn timidamente.

"Não.” Oscar olhou para a lâmina por um momento. 

"Mas eu costumava observar meu mestre quando ele fazia... Por quê?”

"Certo. Sabe o velho que mencionei? Aquele que era dono desta forja e faleceu? Bem, não há ninguém na vila agora que saiba forjar. Suponho que seja a razão pela qual a oficina dele se tornou comunitária. Então, de qualquer forma, tem uma cidade grande chamada Mashuu a cerca de meio dia daqui. Vamos lá para comprar coisas quando absolutamente precisamos, mas — bem, tudo é completamente diferente de quando o ferreiro ainda estava vivo... Pegue sua afiação, por exemplo. Ninguém na vila consegue fazer bem porque sempre pediam ao Basan para fazer por eles.”

"Acho que entendo agora..." disse Oscar. 

Sempre lhe parecera estranho que o sempre capaz Berlocke, que parecia poder fazer qualquer coisa, não fosse muito bom em usar uma pedra de amolar. Oscar finalmente entendeu o porquê depois de ouvir o que Cohn acabara de dizer: os moradores sempre dependeram do velho Basan para suas necessidades de ferraria.

"Hm... Se o ancião permitir, acho que vou tentar praticar forja um pouco de cada vez.”

"Viva! Estou ansioso por isso!”

Cohn estava genuinamente feliz e Oscar também estava feliz por confiarem nele. Porque todo mundo gosta que dependam de si. Claro, ser constantemente dependido exauriria qualquer um, mas Oscar ainda não havia experimentado isso.

Nas tardes em que não tinham aulas de esgrima, Oscar geralmente praticava sua magia. Às vezes, no entanto, ele visitava a oficina em vez disso.

Berlocke era um mago da terra, mas precisava de feitiços para executar sua magia. O ancião não podia usar magia de forma alguma. Por essas razões, o aposentado decidiu contratar um tutor particular para Oscar. Nos dias em que o tutor não vinha à propriedade, ele encontrava Oscar na forja.

O tutor era um mago chamado Assa que morava na cidade vizinha de Mashuu.

"Estou ansioso pela lição de hoje, Sr. Assa.”

"Nisso concordamos, Oscar. Vamos dar o nosso melhor hoje também.”

Assa era um homem jovial de cerca de cinquenta anos. Por qualquer motivo, Cohn apenas presumira que todos os magos eram pessoas sombrias, então a natureza alegre de Assa o surpreendeu.

"Começaremos revisando o que aprendemos em nossa última lição. Tente criar uma barreira.”

"Sim, senhor.”

Oscar sobrepôs uma barreira mágica a uma física e as implantou à sua frente. Assa testou a força das barreiras de seu aluno primeiro batendo nelas com o punho e depois atingindo-as com um pequeno ataque mágico de fogo.

"Muito bom. Vejo que você tem praticado corretamente todos os dias, hm? Está muito mais durável do que antes. Um trabalho bem feito.”

Oscar ficou encantado ao ouvir o elogio de Assa. Durante sua vida na vila, a única coisa para a qual sua magia fora útil era acender fogões. Magia de fogo era inteiramente inadequada como arma de caça. Afinal, incineraria seu alvo se usada desajeitadamente, e não havia utilidade em uma arma de caça que transformasse a carne e a pele de um animal em cinzas. Por essa razão, ele se dedicara a polir suas habilidades com o arco em vez de sua magia quando vivia na vila. As coisas eram diferentes agora, no entanto. Ele ainda lutava com o aspecto de fogo de sua magia, mas não com a magia não elementar.

Em Fost, ninguém lhe ensinara como usar magia. Como lhes faltava muito conhecimento sobre magia em geral, ninguém sequer sabia que a primeira coisa que os magos aprendiam era magia não elementar, como formar barreiras.

Assa suspeitara disso sobre a criação de Oscar, então começara ensinando ao menino dois tipos de barreiras: uma barreira física para defender contra ataques físicos e uma barreira mágica para afastar ataques mágicos.

"Uma barreira é um escudo. Combine-a com a espada da magia ofensiva e você terá o que precisa para proteger a si mesmo e seus aliados, Oscar. Certifique-se de continuar praticando todos os dias como construir barreiras, tudo bem?”

Embora o próprio Assa fosse um mago do fogo, ele ainda precisava recitar feitiços para ativar sua magia como a maioria dos magos nas Províncias Centrais. Ele ficara chocado até o âmago quando viu Oscar gerando sua magia sem o uso de feitiços pela primeira vez. Ele descobrira essa informação quando seus serviços foram solicitados pela primeira vez, é claro, mas ver a realidade com seus próprios olhos era completamente diferente. Assa estava grato pela chance de ver pessoalmente. Depois de ver acontecer, ele revisou o que já sabia sobre como Oscar criava magia, bem como os pontos fortes e fracos do processo, e chegou à conclusão de que o menino estava criando a magia que imaginava em sua mente.

Assa tentara fazer o mesmo no passado, mas suas tentativas nunca tiveram sucesso. Apesar de lamentar sua própria incapacidade nesse front, ele entendeu que não seria nada difícil ajudar Oscar a desenvolver o poder de sua magia.

Ele ensinava seu aluno demonstrando primeiro como a magia deveria parecer quando gerada com sucesso, depois pedia a Oscar para visualizar o mesmo resultado sem o uso de um feitiço.

Fazendo exatamente isso, Oscar dominou a geração de duas barreiras em muito pouco tempo. Não importava se era magia de fogo ou magia não elementar. Além disso, ele descobriu que se Oscar repetisse a magia que aprendera repetidas vezes, poderia gerá-la em um tempo menor e de uma forma mais poderosa.

Ele não achava que haveria outro aluno tão divertido de ensinar quanto Oscar. Assa estava feliz.

Até agora, Assa ensinara muitos jovens magos. Ele fora o mago chefe do território de Mashuu antes de se aposentar. Sua posição significava que treinara muitos subordinados e discípulos, mas não houvera nenhum entre seus números que pudesse criar magia sem usar feitiços.

Independentemente disso, ao longo de seus longos anos de serviço, ele aprendeu a adaptar seu estilo de ensino à personalidade única de cada aluno, bem como seus pontos fortes e fracos. Isso significava que eles desenvolviam seus poderes em um ritmo muito mais rápido em vez de estagnar com um método de ensino padronizado. Era por isso que ele entendia a importância de guiar os outros.

"Magia de fogo é inevitavelmente fraca em relação à defesa porque você não pode endurecer o fogo, e é por isso que você deve aprender a usar bem essas duas barreiras. Lançar feitiços infelizmente cria barreiras físicas fracas, mas não é um problema no caso da sua magia, Oscar.”

"Sim, senhor.”

Como o ancião, Assa era o tipo de professor que usava elogios para encorajar o crescimento de seus alunos.

"Toda essa situação cheira a trapaça" murmurou o ancião enquanto examinava documentos.

"O senhor pode estar se referindo ao domínio vizinho de Hunt?" comentou Berlocke para o aposentado enquanto servia café.

"De fato. Duvido que algo aconteça imediatamente, mas se a Federação não recuar de seus planos de expansão... Bem, podemos ter que nos envolver, queiramos ou não.”

O ancião balançou a cabeça em desânimo e suspirou suavemente.

"Mesmo que não seja hora para guerra.”

Quatro anos haviam se passado desde a chegada de Oscar à propriedade. Com dez anos agora, ele viajava para a cidade vizinha de Mashuu, a capital do território do Barão Rothko, uma vez por semana para treinar suas habilidades de esgrima com a ordem de cavaleiros baseada lá.

Ele partia da mansão nas manhãs de terça-feira cedo e chegava a Mashuu um pouco depois do meio-dia. Assim que chegava, ia direto para o campo de treinamento da ordem para seu regime de treinamento, passava a noite quando terminava e deixava Mashuu nas tardes de quarta-feira para retornar à propriedade à noite.

Essa era sua agenda. Claro, para fins de treinamento, ele fazia a jornada de ida e volta a pé. Seu colega de escola de dezesseis anos, Cohn, o acompanhava como se fosse a coisa mais natural do mundo. Eles podiam não ser fãs da longa jornada, mas não havia como negar que construía seu vigor.

"Ainda me surpreende o quão forte Groun é... Ainda não conseguimos acertar um único golpe nele.”

"É porque ele é o comandante dos cavaleiros. Ele não é o único, no entanto. Todos são os melhores dos melhores na Armadura Escarlate.”

Cohn e Oscar sempre conversavam assim no caminho de casa de Mashuu. Eles também analisavam seu treinamento e falavam sobre o que teriam ou poderiam ter feito diferente.

Após quatro anos na mansão, eles já haviam se formado nas lições de Berlocke em leitura, escrita e aritmética. No ano passado, terminaram o currículo educacional do ancião também. Além disso, as habilidades de ambos com a espada superavam as do mordomo, e foi por isso que ele pedira à ordem de cavaleiros para treiná-los em seu lugar.

Cohn notou algo errado quando chegaram a um local não muito longe da vila de Shuk.

"Oscar. Tem algo estranho naquela fumaça.”

Fumaça frequentemente enchia os céus das áreas rurais ao redor de Shuk, mas essa fumaça, criada pela queima de grama e árvores, era quase sempre branca.

Mas a coluna escura e turva de fumaça subindo de Shuk significava que algo mais estava queimando...

"Cohn, corra.”

Oscar disparou e Cohn o seguiu correndo.

Eles descobriram que o escritório da vila estava queimando, mas os dois não lhe deram atenção. Precisavam chegar à propriedade.

Uma batalha estava ocorrendo perto da entrada da mansão.

"Que diabos?!" gritou Oscar ao se aproximarem.

Os bandidos hesitaram por um momento quando ouviram o grito de Oscar. Berlocke aproveitou a oportunidade para derrubar um deles sem pausa, e isso apenas os agitou ainda mais.

Meros segundos depois, Oscar investiu na briga e atacou dois bandidos circulando Berlocke. Depois de cortar a garganta de um, ele mergulhou a espada no peito do outro. Talvez aliviado ao ver o menino vivo e bem, Berlocke caiu para frente, desabando no chão.

"Berlocke!”

Em pânico, Oscar correu para o lado dele. Embora Cohn tivesse sido lento para reagir, ele também entrara em ação e agora alcançava o mordomo também. Berlocke sofrera muitos ferimentos profundos, todos símbolos de sua luta valente contra o inimigo. Felizmente, o senhor mais velho permaneceu consciente.

"Oscar " disse Berlocke, tenso. 

"Meu senhor ainda está lá dentro…”

"Entendido. Eu vou. Cohn, cuide do Berlocke.”

Com essas palavras, Oscar empurrou a porta da mansão, correu para dentro e subiu as escadas para a sala de estar do segundo andar, de onde ouvira o clangor de lâminas de aço.

Aconteceu no momento em que ele entrou na sala... Ele assistiu com seus próprios olhos a espada do bandido perfurar o ancião.

Por um segundo, Oscar ficou paralisado de horror. Então, um momento depois, sua mente ficou em branco enquanto assistia ao corpo do ancião cair no chão...

Não havia como negar o que via. Todos os traços de calma desapareceram.

"Seu bastardo!”

Oscar sacou sua espada, gritou de raiva e investiu contra o bandido. Seu inimigo estava sozinho, mas Oscar estava tão dominado pela emoção que talvez nem tivesse percebido isso. Com a cabeça livre de quaisquer pensamentos, Oscar deixou a memória em seus músculos guiar seu movimento. Sua espada brilhou à sua frente na velocidade da luz.

O bandido, talvez subestimando seu oponente porque era uma criança, tentou evitar a espada de Oscar inclinando-se para trás, mas em vez disso sofreu um ferimento bastante profundo na bochecha esquerda. Isso enfureceu o homem.

"Seu merdinha!" rugiu ele.

Os golpes de Oscar eram diligentes e fiéis aos fundamentos da esgrima, mas nada mais do que isso. O homem aparou sua lâmina sem esforço e depois esfaqueou o menino profundamente em seu lado.

"Ngh"

Oscar cuspiu sangue quando a espada do bandido fez contato com seus órgãos internos. Um segundo depois, o homem cortou as costas de Oscar com a espada. A ferida em seu lado já tornara difícil para o menino ficar de pé, mas esse segundo ataque fez Oscar desabar em uma poça de seu próprio sangue.

"Essa é uma espada muito boa, mas é um desperdício com você, hein?”

Logo quando ele estava prestes a desferir o golpe fatal, outro bandido correu para a sala e falou com o homem.

"Boskona, depressa! Os cavaleiros estão vindo. Hora de recuar.”

"Você precisa relaxar, Poche.”

Boskona... Poche...

Oscar olhou fixamente para o homem que o derrubara enquanto se agarrava fervorosamente à sua consciência que desaparecia rapidamente. Foi aí que ele viu bem o rosto dele. Uma enorme cicatriz descia por sua bochecha direita, da orelha ao queixo... Em sua mão direita, o bandido segurava a lâmina que seu mestre forjara para Sna, seu pai...

"Não... Não pode ser..."

Algumas lágrimas de arrependimento derramaram dos olhos de Oscar. A escória que matou sua mãe e seu pai também assassinaram o ancião. Ele fora derrotado de uma maneira tão vergonhosa, incapaz de se vingar dele.

Com esse último pensamento, Oscar perdeu a consciência.

Berlocke sobreviveu graças à poção que Cohn sempre carregava consigo quando iam a Mashuu. O ancião insistira que ele fizesse isso desde a primeira viagem deles lá.

As feridas de Oscar eram profundas. Os cavaleiros de Mashuu correram para a vila de Shuk ao verem os sinais de fumaça, mas o sacerdote que os acompanhava não conseguia lançar Cura Extra. Mais precisamente, não havia sacerdotes de alto escalão na região capazes de usar o feitiço...

De qualquer forma, o sacerdote lançou uma série de Curas para reparar os danos aos seus órgãos. Infelizmente, Oscar perdera uma grande quantidade de sangue, então não acordou por três dias.

Quando acordou, o funeral do ancião já havia sido realizado. O nome formal do ancião era Barão Luke Rothko. Ele era o antigo senhor do domínio de Mashuu. A esposa do atual senhor era a filha mais velha do ancião. Por essas razões, o funeral não pôde ser adiado para o despertar de Oscar...

O menino ouviu distraidamente enquanto Berlocke explicava tudo isso a ele, pedindo desculpas. Ele continuou contando a Oscar como ele e o ancião haviam discutido como o senhor do domínio de Hunt estava aterrorizando os feudos vizinhos empregando bandidos. Berlocke suspeitava que este ataque fosse parte disso.

Toda a informação entrou nos ouvidos de Oscar, mas ele não reagiu de forma alguma.

Após recuperar a consciência, a cena do assassinato de seus pais se repetiu inúmeras vezes em sua mente. Ele não pensara nisso uma vez sequer desde que fora trazido pelo rio perto da vila de Shuk. Ao mesmo tempo, começou a sonhar com a morte do ancião também.

Com o passar dos dias, Oscar tornou-se cada vez mais magro. Ele até perdeu sua generosidade de espírito. E acima de tudo, seu cabelo " aquele cabelo ruivo flamejante " ficou completamente branco.

Claro, as pessoas ao seu redor Berlocke, o Sr. Assa e Cohn se preocupavam com o menino, mas nenhuma de suas palavras alcançava seu coração.

Seu comportamento não mudou para pior. Sua fala também permaneceu inalterada. Na verdade, ele não parou de fazer nenhuma das coisas que se tornaram hábito para ele neste ponto de sua vida. Ele simplesmente... parou de sorrir. Na verdade, era como se todas as emoções humanas nele tivessem desaparecido. Um mês depois que acordou, Oscar desapareceu de repente sem deixar rastro da propriedade. Foi um dado que todos na vila procuraram por ele. Até os cavaleiros na cidade de Mashuu procuraram por ele. Todos os cavaleiros sabiam o quanto o falecido ancião, que muitas vezes viera assistir Oscar treinar, adorava o menino.

Mas ninguém fazia ideia de para onde Oscar fora.

Dois anos depois, rumores começaram a se espalhar sobre um mago do fogo que caçava bandidos.

 

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

Link para o servidor no Discord

Entre no nosso servidor para receber as novidades da obra o quanto antes e para poder interagir com nossa comunidade.

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora