SS. Volume 1
Extra 1: O Mago de Fogo | A Vila de Fost
Esta é a história de Oscar, um homem que mais tarde seria chamado de Mago do Inferno.
Oscar era um menino de cabelos ruivos flamejantes nascido em uma vila tão pequena que seria melhor chamá-la de aldeia, já que tinha apenas oito casas. Os moradores chamavam seu lar de vila de Fost. Oscar viveu uma vida pacífica e desimpedida lá até os seis anos de idade. Claro, era uma vila pobre, o que significava que as pessoas tinham que ser autossuficientes. Embora lhes faltassem muitas coisas materiais, seus corações e mentes estavam cheios.
"Oscar, vou moldar o ferro fundido amanhã" disse o ferreiro Rasan a Oscar.
"Você vai me ajudar?”
"Sim. Eu vou.”
"Ótimo. Certifique-se de avisar seu papai, ok? Começaremos de manhã.”
"Ok.”
Como a vila era autossuficiente, Rasan, seu único ferreiro, fazia de tudo, desde facas até equipamentos agrícolas.
A vila de Fost orgulhava-se de sua produção de sal-gema e minério de ferro das montanhas próximas. Essas duas coisas, mais a presença de um rio abundante, foram as razões pelas quais ela foi construída ali em primeiro lugar.
E o único aprendiz de Rasan era Oscar, de seis anos. Naturalmente, Oscar não conduzia seu trabalho de ferraria todos os dias. A demanda não era muito alta em uma vila de apenas oito casas.
Cerca de uma vez a cada três meses, ele extraía o ferro dos minérios e o usava para fazer produtos de ferro. Nesse período de três meses, ele fazia ferramentas para substituir as quebradas ou desgastadas, bem como quaisquer coisas novas que os moradores solicitassem. Caso contrário, ele trabalhava junto com os outros homens da vila para arar os campos ou caçar na floresta quando não estava ocupado com sua ferraria.
Afinal, não havia muitos moradores em seu pequeno assentamento. Eles não tinham tempo ou energia para brigar, o que explicava por que se davam tão bem uns com os outros. Também era a razão pela qual as crianças naturalmente ajudavam os adultos desde cedo, ganhando todo tipo de experiência à medida que cresciam.
Isso incluía caça também. Oscar frequentemente participava com seu arco. Embora pequena, a arma ainda era letal, contanto que atingisse o alvo.
Ele era atualmente o morador mais jovem da vila. No ano retrasado, uma criança nascera de Schulast, o chefe da vila, e sua esposa. Oscar ficara animado em ter um irmão ou irmã mais nova de fato. Infelizmente, não era para ser, pois a esposa de Schulast teve um natimorto. Apesar de ser o mais devastado pela perda, o Chefe Schulast abraçou Oscar e confortou o menino triste. Os moradores realmente tinham um relacionamento forte uns com os outros.
"Papai! Mamãe!" chamou Oscar.
“Voltei.”
"Oh ho, Oscar. Bem-vindo de volta.”
Sna, pai de Oscar, chamou-o dos fundos da casa, onde estava cortando lenha.
"Papai, vou ajudar o Mestre Rasan com a ferraria amanhã. Ele disse para te avisar.”
"É mesmo? Acho que isso significa que você não vai caçar com a gente, hein?”
Oscar era sempre considerado na força de combate da vila nas caçadas. Isso deixava o garotinho extremamente feliz e orgulhoso de ser incluído nos cálculos dos adultos.
"Oscar, sua mamãe vai começar o jantar logo, então vá ajudá-la, pode ser?”
"Sim, papai.”
Ele correu em direção à sala principal com seu chão de terra batida. Lá, encontrou os preparativos para o jantar em andamento, e tudo o que restava era acender a lareira.
"Cheguei, mamãe. Vou acender o fogo.”
"Bem-vindo de volta, Oscar, e por favor, se puder.”
A pedido de sua mãe, Scottie, ele visualizou o fogo em sua mente.
"Queime.”
Chamas ganharam vida na lareira.
Oscar era o único mago da vila.
Na manhã seguinte, Oscar foi à ferraria de Rasan. Ele já havia montado o forno de tijolos que precisariam para extrair o ferro do minério. Chamas rugiam do topo da chaminé, que se estendia dois metros acima do chão.
Simplificando, uma mistura de carvão triturado e minério de ferro era despejada no forno pelo topo, após o que o fogo era aceso, então ar era continuamente bombeado para a chaminé para manter o fogo queimando em alta temperatura. Quanto tempo o fogo queimava dependia dos materiais usados, mas atualmente, Rasan havia encontrado uma maneira de mantê-lo aceso por doze horas.
Por natureza, ferro puro é um metal macio, mas aquecer o minério permite que as moléculas de carbono do carvão entrem no espaço entre os átomos de ferro, endurecendo o ferro em um nível atômico. Isso é conhecido como aço.
Falando francamente, a quantidade de ferro que podia ser extraída do forno de tijolos não era muita. No entanto, era mais do que suficiente para a vila de oito casas. Às vezes, Rasan até tinha um pouco sobrando para vender em suas jornadas até a cidade.
Exceto que a cidade mais próxima da vila de Fost ficava a dois dias de distância, só de ida, então os moradores iam lá cerca de três vezes por ano. Como a vila era essencialmente autossuficiente, eles só faziam suas viagens para comprar itens relacionados à costura, como tecidos e linhas. Quando visitavam a cidade, os produtos de ferro de Fost sempre esgotavam porque tinham uma reputação muito boa.
A matéria-prima para fazer aço era extrudada do fundo do forno de tijolos. As muitas impurezas ainda restantes precisavam ser marteladas para fora. Era aí que Oscar entrava. Usando um martelo bastante grande, ele golpeava o metal gentil e levemente. Cada batida produzia uma faísca, e cada faísca continha impurezas, e era por isso que cada golpe tornava o material cada vez menor, deixando uma peça surpreendentemente pequena no final.
Enquanto Oscar martelava, Rasan, o ferreiro, desmontava o forno de tijolos e desenterrava o aço bruto que não podia ser extraído por baixo. Esses restos seriam martelados também e usados para fazer ferramentas.
Rasan deveria estar exausto depois de alimentar o fogo continuamente por doze horas, mas para Oscar, o ferreiro não parecia cansado nem um pouco. O homem sempre trabalhava com um sorriso no rosto, como se estivesse realmente se divertindo.
"Fazer algo bom requer esforço constante.”
Era a frase favorita do ferreiro e a razão pela qual Rasan nunca pegava atalhos com suas criações. Todos na vila sabiam disso também, o que explicava sua tremenda fé nas coisas que ele fazia.
Os moradores caçavam animais. Às vezes, lutavam contra monstros também. Em ocasiões muito raras, bandidos atacavam seu assentamento também. Então, naturalmente, as armas que usavam para todas essas instâncias eram feitas por Rasan. O objetivo principal de sua produção atual era construir essas armas.
De vez em quando, a magia de fogo de Oscar aumentava a força enfraquecida das chamas. Ele também forçava a tubulação de fumaça do forno a mudar de direção e fluir para longe dele e de Rasan. O menino era um ativo incrível para a oficina do ferreiro.
Martelar as impurezas do aço, batê-lo até ficar plano, colocá-lo em cima de uma peça trabalhada anteriormente e bater nelas juntas, aquecê-lo em outro forno, tirá-lo, depois bater novamente... O processo é repetido muitas vezes na produção de espadas japonesas, mas o básico permanece o mesmo. No entanto, a força dos golpes é diferente...
No mundo ocidental na Terra, o mesmo processo foi feito da Idade Média até a era moderna. A armadura ocidental exibida em museus foi, de fato, feita não de uma única placa de aço, mas de várias marteladas e soldadas juntas.
O forjamento, o processo de bater ferro e outros metais para torná-los mais robustos, é uma técnica que já existia na Terra antes de 4.000 a.C. Por volta do século XVIII a.C., os hititas conquistaram vastas extensões do mundo usando suas armas de ferro. Era uma história tão famosa que apareceria sem falta em testes de história do ensino médio.
As pessoas hoje não estão cientes de que essa tecnologia existe há tanto tempo... Embora não fosse como se Oscar tivesse alguma maneira de saber a história da Terra de qualquer maneira.
Ele apenas continuou martelando... Gentilmente, levemente... Era assim que ele ajudava Rasan a fazer ferramentas de ferro resistentes.
Essas foram as coisas básicas que Oscar aprendeu.
O metal foi aquecido e martelado incontáveis vezes. Cada golpe reduzia o tamanho do aço à medida que as impurezas eram batidas para fora. No entanto, era necessário endurecer o aço.
É como qualquer outra coisa... Somente quando você dedica tempo e continua trabalhando diligentemente nisso é que você cria algo bom.
O último passo era temperar o aço para endurecê-lo. Depois que o metal foi aquecido para permitir que carbono adicional entrasse em áreas com baixas concentrações de carbono, ele foi então resfriado rapidamente para fixar esse carbono no lugar.
Exceto que esse estágio não era o fim. A essa altura, eles tinham em mãos algo duro, mas também frágil. Então aqueceram o aço novamente, amoleceram-no um pouco e o tornaram duro e flexível.
Após alguns dias de esforço, eles finalmente fizeram três espadas e uma faca.
"Sna, se estiver tudo bem para você, dê esta aqui para o Oscar.”
Rasan, o ferreiro, deu ao pai de Oscar uma das três espadas.
"Tem certeza?”
"Sim, ele já tem seis anos. O sétimo aniversário dele é logo, não é? Ele está praticando suas habilidades com a espada de qualquer maneira, então acho que é uma ótima ideia dar a ele a sua própria agora. É mais leve que a espada de um adulto, já que a fiz mais curta e mais fina.”
Naquele dia, Oscar recebeu sua primeira espada. Na remota região norte do país onde ficava a vila de Fost, este era um rito de passagem que reconhecia um menino como um homem. Embora tecnicamente ainda não fosse um adulto, Oscar ainda se sentia orgulhoso de ser reconhecido como um homem pelos moradores. Ele finalmente sentiu que era um deles.
No dia seguinte, houve uma grande caçada com metade dos moradores participando. Eles caçaram com sucesso um javali enorme " o animal, não o monstro.
Os javalis e ursos que os moradores caçavam no outono forneciam uma boa reserva de proteína para o inverno. Por essa razão, os homens não eram os únicos que iam nessas grandes caçadas. Um terço das mulheres também participava usando arcos e flechas, com o resto ficando para trás na vila para preparar o banquete depois que os caçadores retornassem.
Os moradores habilidosos nunca erram seus alvos! Sempre que os grupos de caça partiam com promessas de trazer algo de volta, eles sempre cumpriam... E como líder dessas expedições, Sna, o pai de Oscar, era um homem que cumpria sua promessa.
Naquela noite, os moradores realizaram um banquete na praça da vila.
Oscar havia atingido com sucesso seu primeiro animal com uma flecha. Muitos dos moradores o estavam elogiando, mas o Chefe Schulast e Sna permaneceram nas bordas da celebração conduzindo uma conversa séria.
"Schu, você está falando sério?”
"Sim. Bassa avistou o que parece ser um batedor de bandidos.”
Ambos os homens fizeram uma careta. Em áreas remotas como esta, bandidos eram tão perigosos quanto monstros. Muitos deles eram ex-soldados ou aventureiros que haviam caído em tempos difíceis ou se desonrado, então eram lutadores melhores do que os agricultores e camponeses locais. Isso os tornava uma ameaça para quem quer que atacassem.
"A última vez que fomos atacados foi..." começou Schulast, franzindo a testa em pensamento.
"Bem, foi há mais de cinco anos, certo?”
"É, não muito tempo depois que o Oscar nasceu.”
Schulast e Sna recordaram aquele incidente quando bandidos invadiram a vila.
"Não eram tantos assim e também não eram tão habilidosos. Conseguimos derrotá-los facilmente, mas…”
"Mas considerando que enviaram um batedor desta vez, significa que o líder deles deve ser cauteloso. Suponho que isso o torne ainda mais perigoso, hein?”
Como a maioria dos bandidos não tinha a palavra "planejamento" em seus vocabulários, eles conduziam suas atividades de forma desordenada, o que explicava por que haviam se rebaixado ao banditismo em primeiro lugar...
Infelizmente, os bandidos desta vez eram diferentes. Eram espertos e cautelosos o suficiente para conduzir uma investigação preliminar para reunir informações sobre o tamanho da vila, defesas e mais.
"Seja como for, não é como se tivéssemos para onde fugir ou qualquer outra pessoa a quem pudéssemos pedir ajuda... Então, no fim das contas, não temos escolha a não ser nos defender.”
"Mesma história, dia diferente, né?”
Assentindo, Sna concordou com Schulast.
Os dois homens eram amigos a vida toda, trabalhando lado a lado para enfrentar uma variedade de problemas desde a infância. Embora essa questão dos bandidos não fosse pequena, os desafios que enfrentaram até agora também não haviam sido fáceis de resolver.
O mesmo valia para a vila como um todo desde a sua fundação. Uma série de dificuldades intermináveis. Mas eles não podiam desistir, não agora.
No dia seguinte, todos os moradores realizaram uma reunião para discutir o problema dos bandidos e chegaram a uma decisão unânime.
Eles enfrentariam o inimigo de frente.
Desde a decisão de lutar contra os bandidos, todos os moradores começaram a focar no aumento da produção de flechas. No que dizia respeito às defesas da vila, o arco e flecha era o sistema de armas mais eficaz. Na vila de Fost em particular, todos podiam usá-lo, homens e mulheres, velhos e jovens. Claro, eles não acertavam o alvo cem por cento das vezes, mas todos eram capazes com o arco. Até a flecha de uma criança podia tirar a vida de um homem robusto.
Eles não saberiam quão grandes eram as forças dos bandidos até que o inimigo atacasse, então os moradores de Fost estavam determinados a evitar o combate corpo a corpo a todo custo, porque a probabilidade de sofrerem baixas era alta. Se fosse impossível evitar esse cenário, poderiam pelo menos atrasar o início da luta de curta distância. Por essa razão também precisavam garantir que não ficassem sem flechas.
A característica mais distinta da vila de Fost era a abundância de sal-gema e minério de ferro em suas montanhas. O sal-gema garantia a autossuficiência da vila, enquanto o minério de ferro garantia suas defesas. Eles usavam o ferro para criar pequenas pontas de flecha, um traço distinto das flechas de Fost. Isso contrastava com as flechas de outras vilas remotas, que muitas vezes eram apenas varas de madeira afiadas.
Essas pontas de flecha de ferro, que eram produzidas em massa usando moldes, mudavam completamente a distância e a precisão das flechas às quais eram anexadas. Levava até menos tempo e esforço para prender as pontas de flecha do que simplesmente afiar a ponta de uma flecha. Tudo o que você tinha que fazer era bater a haste na ponta da flecha para que a ponta não caísse.
Esta era uma arma tremenda para o povo de Fost.
Uma cerca feita de troncos unidos circundava a vila de Fost, apresentando essencialmente um obstáculo para aspirantes a invasores. Os moradores a haviam construído juntos após o ataque dos bandidos cinco anos antes. Embora tivessem derrotado facilmente seus oponentes naquela época, determinaram que era necessário ter uma barreira no lugar para tornar possível resistir a invasões de maior escala. A superfície foi revestida com um extrato de caqui adstringente, também conhecido como tanino na Terra moderna. Isso fornecia alguma proteção contra a podridão e também servia para demarcar a rota de entrada para intrusos.
Por sua vez, também facilitava o cálculo do posicionamento dos atiradores. Como o ataque sem dúvida viria à noite, os moradores precisavam colocar seus arqueiros em locais acessíveis perto das casas dos arqueiros. Se os moradores soubessem quando a invasão ocorreria, poderiam simplesmente ficar acordados naquela noite em vez de dormir, mas não era o caso. Enquanto não soubessem a hora do ataque dos bandidos, não tinham escolha a não ser posicionar seus arqueiros perto de onde estariam dormindo " ou assim pensavam...
"Bassa descobriu os bandidos. Eles provavelmente atacarão hoje à noite.”
"Consigo ver agora por que ele costumava ser um batedor para seu grupo de aventuras.”
O Chefe Schulast e Sna assentiram um para o outro, depois começaram a atribuir aos moradores suas posições. A ideia básica era colocá-los perto de cada casa conforme planejado anteriormente. No entanto, agora que haviam identificado o momento do ataque, decidiram colocá-los em locais mais eficazes.
Bassa reunira outra informação infeliz também: havia mais de cinquenta bandidos, tornando a gangue deles bastante grande " maior que a população inteira de Fost.
Claro, essa informação foi compartilhada com todos os moradores. Ninguém mostrou sinais de fugir, apesar de estarem em menor número que o inimigo, em grande parte porque não tinham para onde fugir. O número absoluto de bandidos apenas fortaleceu sua determinação. O povo os repeliria não importa o que acontecesse.
Assim começou a noite mais longa na história da vila de Fost.
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Poche, o líder da gangue de bandidos Lobos da Noite, sentiu que algo estava errado. A sensação o atingira pela primeira vez há cinco dias, quando recebeu o relatório de que seu batedor poderia ter sido visto. Até áreas remotas como esta ostentavam aventureiros aposentados, então ele sempre se certificava de conduzir um reconhecimento completo. Não era surpresa, então, que os moradores pudessem ocasionalmente avistar seus batedores.
Ele presumiu que tivesse sido o caso desta vez também. Infelizmente, no entanto, seu subordinado lhe dissera: "Há uma chance de o batedor ter sido avistado, mas não sabemos por quem ou que tipo de pessoa são". O batedor dos bandidos era bastante experiente, então o fato de não ter conseguido verificar a identidade da testemunha era muito incomum.
"O batedor da vila é tão habilidoso assim?", pensou Poche consigo mesmo, sua expressão inalterada enquanto ouvia calmamente o restante do relatório. O pensamento de cancelar a invasão cruzou sua mente por um momento.
Mas o inverno se aproximava. Nem bandidos podiam invadir o ano todo, já que a neve limitava seus movimentos no inverno. Ele queria estocar o máximo de suprimentos possível antes disso, especialmente comida e álcool.
Apesar de sua hesitação, Poche ainda ordenou o ataque noturno cinco dias depois.
Na tarde anterior à invasão, seu batedor mais uma vez retransmitiu a ele que "alguém pode ter avistado nossa força principal". Não tinha jeito. Eles já haviam feito vários preparativos para a invasão daquela noite, então o relatório não mudava nada.
Mas a maior sensação de erro atingiu Poche naquela noite, assim que começaram o ataque. A vila estivera completamente silenciosa o dia todo, embora houvesse uma chance de terem sido avistados. Era quase como se todos estivessem dormindo.
Se tivessem visto os bandidos se preparando durante o dia, não teriam instalado mais guardas do que o habitual e acendido mais fogueiras? Ou seu batedor simplesmente se enganara quando relatou que fora visto mais cedo naquele dia?
Suas emoções permaneceram uma mistura instável de inquietação e suspeita. Por fim, Poche não conseguiu pensar em uma boa razão para cancelar a invasão, então os bandidos prosseguiram conforme o planejado. Eles atacaram a vila em duas frentes.
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Eles chegaram!
Oscar estava pronto. Estava tão rígido que seu próprio corpo parecia estranho para ele, mas não podia focar nisso.
“ Se perdermos, morremos.”
Seu pai, Sna, dissera isso sem rodeios nesta tarde, olhando diretamente em seus olhos. Embora pudesse ser cedo demais para uma criança de seis anos ouvir palavras tão duras, nunca era tarde demais em um ambiente tão remoto. Você podia enfeitar esse sentimento o quanto quisesse, mas não mudava o fato de que fraqueza significava morte.
Sna e Scottie colocaram cada um uma mão nos ombros rígidos do filho. Nenhum dos dois falou, mas a ação simples foi suficiente para que grande parte do excesso de tensão saísse do corpo de Oscar.
Eles ouviram os sons de cavalos galopando e pessoas correndo.
Sna preparou uma flecha. Scottie e Oscar fizeram o mesmo. Eles já sabiam onde mirar.
Sem uma palavra, Sna soltou a flecha. O ímpeto com que voou para a frente demonstrou quão poderoso era o arco. Ele perfurou a cota de malha usada por um dos bandidos a cavalo e atravessou seu coração.
Sua flecha foi o sinal para o resto dos moradores atacarem. Flechas começaram a voar de toda a parte do assentamento. Alvos adquiridos, Scottie e Oscar fizeram o mesmo.
A flecha de Scottie mergulhou no pescoço de um bandido a pé de baixo nível que não usava cota de malha e instantaneamente acabou com sua vida. Oscar mirara no lacaio ao lado daquele que sua mãe derrubara, mas errou por um triz. Ele não tinha tempo para ficar chateado, no entanto. Em vez disso, preparou outra flecha.
Ele nem percebeu a confusão entre os bandidos. Preparar, mirar, atirar. Preparar, mirar, atirar. Esvaziando a mente, deixou o treinamento instilado em seu corpo assumir o controle.
Comparado ao primeiro tiro, que muitas vezes pegava o oponente desprevenido, a probabilidade de tiros subsequentes atingirem o alvo caía rapidamente.
Ninguém acendeu tochas enquanto a batalha, agora iluminada apenas pelo luar, continuava. As flechas silenciosas e mortais zunindo na escuridão simbolizavam o próprio medo para os bandidos, mas até eles eventualmente começaram a perceber a direção de onde as flechas vinham conforme os projéteis encontravam seus alvos. Uma vez que souberam, puderam procurar cobertura.
Seja como for, havia apenas oito casas na vila, o que significava que não havia muitos lugares onde pudessem se esconder, mesmo com os armazéns e edifícios comunais.
"Aproximem-se e lutem!”
O comando gritado veio de dentro das fileiras dos bandidos.
Sna estalou a língua em aborrecimento quando ouviu a voz.
"Exatamente como suspeitávamos, quem os lidera é um homem calmo... Não sei quantos derrubamos com nossas flechas, mas não temos escolha agora."
Ele sinalizou para Scottie e Oscar ao seu lado. Assim que os viu assentirem em reconhecimento, os três começaram a se mover com Sna na liderança. Agora que o inimigo sabia de onde as flechas vinham, os bandidos iriam direto para a fonte.
Dependendo das circunstâncias, era melhor agir primeiro do que arriscar ser cercado.
Oscar e seus pais moveram-se rapidamente e juntaram-se ao Chefe Schulast e sua esposa no centro da vila. A essa altura, os sons de armas colidindo ecoavam ao lado dos gritos agonizantes dos moribundos. Ao norte de seu ponto de encontro, viram Rasan, o ferreiro, lutando contra três bandidos.
Sna imediatamente preparou uma flecha e a deixou voar sem hesitação. Ela perfurou o coração de um dos bandidos. Outro ficou chocado com o ataque inesperado por tempo suficiente para Rasan cortar sua garganta com a espada. O homem restante fugiu em pânico.
Com Rasan, agora eram um grupo de seis. O chefe da vila e sua esposa deram a Sna e Oscar lanças que haviam guardado em sua casa. O casal também pegou uma cada.
Usar uma lança contra um espadachim de alto escalão força você a entrar em curto alcance, o que muitas vezes pode tornar a luta difícil. Quando usada contra outros oponentes, no entanto, o longo alcance de uma lança dava ao portador uma medida de controle. Além disso, lutar juntos como um grupo os tornava muito mais fortes. Eles achavam que a estratégia se provaria bastante eficaz em combate corpo a corpo contra os bandidos.
Embora, para ser honesto, Oscar quisesse usar a espada que recebera recentemente, mas aquele não era o momento nem o lugar para dizer algo tão egoísta.
"Hm, os sons de luta agora estão vindo apenas do oeste?" murmurou o chefe da vila, Schulast.
"Esses malditos bandidos podem ter se reunido lá. Schu, você pode cuidar deles? Rasan e eu vamos verificar as coisas. Bassa deve estar lá e acho que ele pode segurá-los até chegarmos.”
"Entendido. Tenham cuidado.”
Sna e Schulast assentiram firmemente um para o outro.
Então Sna olhou para Oscar.
"Oscar, cuide de todos também, ok?”
"Sim, papai" respondeu Oscar, assentindo.
"Volto logo, Scottie”.
"Tenha cuidado, querido”.
Scottie respondeu com um aceno próprio, sua expressão compreensiva.
Ninguém notou a figura à espreita nas sombras observando os seis.
Um minuto depois que Sna e Rasan deixaram os outros, uma flecha poderosa correu em direção aos quatro.
"Ngh"
Ela atingiu Schulast com velocidade e força aterrorizantes. Sangue jorrou de sua boca enquanto ele desabava.
"Nãããão!!!" gritou sua esposa em desespero.
Pegos de surpresa pela cena, tanto Oscar quanto Scottie congelaram.
Então um homem gigante apareceu na frente do trio. Ele jogou o arco de lado e sacou uma espada enorme. Ele tinha cerca de um metro e noventa de altura e devia pesar pelo menos noventa quilos. Músculos ondulavam por todo o corpo. Era a única maneira de descrevê-lo.
A expressão selvagem em seu rosto era suficiente para gelar o sangue de qualquer um, mas a enorme cicatriz em sua bochecha direita deixava uma impressão ainda mais desagradável. Estendia-se logo abaixo da orelha até o maxilar, claramente feita por uma espada.
Neste mundo de magias de cura e poções, grandes cicatrizes como a dele eram uma visão rara de fato. Reparar danos internos podia ser difícil em alguns casos com poções de baixo grau, mas, no mínimo, eram eficazes para o reparo da pele.
Claro, uma vez que uma ferida fechava e o tempo passava, nem magia nem poções podiam repará-la. Situações como essa ocorriam quando as pessoas tinham que lutar continuamente sem magia ou poções... Em suma, o homem era claramente alguém poderoso que havia suportado tais circunstâncias.
"É isso que vocês ganham por deixar apenas um homem para trás " disse o homem com a cicatriz." Sorte a minha que ele está fora de cena agora.
Então ele correu em direção aos três. Suas palavras impiedosas trouxeram Scottie de volta à realidade, e ela descobriu que podia se mover novamente. Imediatamente, ela estocou sua lança em direção ao homem que investia.
O alcance de uma lança fornecia uma vantagem contra bandidos em combate corpo a corpo " ou pelo menos deveria. Este homem era diferente. Ele afastou a lança com a ponta de sua espada, abrindo espaço para fechar a lacuna entre eles.
Ele precisou de apenas um único golpe de sua lâmina para cortar a artéria carótida dela. Sangue espirrou sob a luz da lua. Banhado no líquido vermelho, o homem com a cicatriz sorriu grotescamente. A visão era incrivelmente sinistra. Ele abriu ambos os braços levemente, absorvendo o jorro de sangue como se estivesse desfrutando de um banho.
A cena diante dele paralisou todos os movimentos e pensamentos de Oscar. Quanto tempo se passou nesse estado? Um minuto? Ou meros segundos?
De repente, ele recobrou os sentidos. Mamãe estava morta. Não, assassinada... Seu cérebro finalmente aceitou a verdade. E naquele momento, algo se partiu dentro de Oscar.
"Queime!”
Chamas surgiram de sua mão. Até agora, ele só havia criado fogo pequeno o suficiente para acender um fogão, mas agora com o limitador em sua mente removido, uma poderosa labareda de magia de fogo irrompeu de uma distância de menos de cinco metros.
Infelizmente, o homem desviou as chamas casualmente com sua espada, mesmo enquanto apreciava o sangue espirrando sobre ele.
Oscar não parou, no entanto. Ele arremessou sua lança nele, mas o homem a desviou com um balanço de sua espada.
Foi aí que Oscar investiu contra o homem com sua própria espada. Ele cortou lateralmente. Krsssh.
"Hã...?”
A cota de malha sob as roupas do homem absorveu o golpe.
"Uma pena, garoto. Essa é uma espada muito boa, mas você simplesmente não é bom o suficiente para ela.”
O homem zombou dele antes de balançar sua espada preguiçosamente.
Oscar saltou para trás para evitá-la, mas a lâmina roçou seu ombro. A ação do homem fora deliberada para forçar Oscar a fazer exatamente isso.
O homem com a cicatriz estava se tornando descuidado, no entanto. Ele sabia que a espada na mão da criança era um desperdício. Perto dali, uma mulher chorava sobre o corpo sem vida do homem que ele matara com seu arco. Era natural que sua guarda baixasse nessa situação " mas aquilo era um campo de batalha. Ele sabia que as pessoas que via à sua frente não eram seus únicos inimigos.
Vupt.
Seus instintos fizeram seu corpo girar para longe antes que seus olhos pudessem confirmar a ameaça. Ele sentira a aura assassina atrás dele. No entanto, mesmo enquanto ainda girava para evitar o golpe, a lâmina não apenas o atingiu, mas cortou direto através de sua cota de malha e cortou profundamente em sua carne.
"Uou.”
Que experiência surpreendente. Ninguém negaria que era possível cortar através de cota de malha... Possível, sim, mas apenas isso. Uma possibilidade. Apenas cavaleiros eram capazes de tal feito. Então, para isso ocorrer em uma vila tão remota, era completamente inesperado para o homem.
Sna estava na frente dele, com uma expressão furiosa no rosto. Ambas as mãos seguravam uma obra-prima de espada, uma ainda mais fantástica que a de Oscar. Não era uma arma mágica ou sagrada, apenas uma peça de trabalho genuinamente requintada forjada por um ferreiro.
Apesar do perigo de confrontar aquela lâmina magnífica e seu dono enfurecido, o homem com a cicatriz correu em direção a Sna sem hesitação. Ele há muito havia esquecido Oscar.
No que dizia respeito à esgrima, o homem com a cicatriz superava em muito Sna em habilidade. Mas a determinação de Sna era uma questão totalmente diferente. Sna, transbordando de fúria, estava disposto a dar sua vida para vingar sua esposa. Enquanto isso, o homem com a cicatriz só sabia se deleitar com o prazer de matar os outros. Ele lentamente se viu sobrecarregado pela determinação frenética do espírito de Sna.
Mas então ele percebeu algo. Após um choque particularmente poderoso, ele recuou para criar alguma distância entre ele e Sna. No instante seguinte, quatro flechas correram em direção a Sna. Ele desviou de uma e cortou uma segunda com sua espada, mas as duas restantes mergulharam em sua carne " uma em sua perna direita e a outra em seu braço direito.
O homem com a cicatriz não deixaria uma oportunidade tão perfeita ser desperdiçada. As flechas pararam Sna por apenas um momento, mas isso deu ao homem com a cicatriz a chance de fechar a distância. Ele decepou o braço direito de Sna e, em seguida, inabalavelmente o apunhalou no peito.
"Ngh"
Sna tossiu sangue.
Oscar não pôde fazer nada além de assistir. Não conseguia se mover. Não conseguia falar. Não podia fazer nada.
O homem com a cicatriz pegou o braço direito decepado de Sna, depois puxou a espada dos dedos que ainda a agarravam rigidamente. Ele olhou fixamente para ela. Uma voz afiada o chamou.
"Boskona, estamos recuando.”
"O quê? Mas mal começamos, Poche.”
"Isso não está em discussão. Depressa, eles estão vindo.”
"Tsk"
O homem com a cicatriz ‘Boskona’ lançou um olhar para o garoto de cabelos ruivos flamejantes que estava parado ali atordoado antes de habilmente fazer sua fuga.
A gangue de bandidos, Lobos da Noite, deixou a vila de Fost, mas apenas depois de ter infligido pesadas perdas aos seus moradores, incluindo Oscar. Infelizmente, a noite mais longa de Fost ainda não havia acabado.
Rasan, o ferreiro, veio correndo para uma cena chocante. O Chefe Schulast fora morto por uma flecha, e sua esposa chorava agarrada ao corpo dele. Sna e Scottie estavam no chão cobertos de sangue, e Oscar olhava para eles com um olhar vazio no rosto.
Depois de encarar a visão por algum tempo, a realidade da situação finalmente o atingiu, e as pernas de Rasan cederam. Ele desabou então, sentando-se apático de joelhos no chão.
Embora os bandidos tivessem partido sem levar nada do estoque de provisões da vila, a magnitude de suas perdas ainda era grande demais.
O Chefe Schulast era o coração e a cabeça da vila.
Sna, seu amigo de longa data, bem como pai de Oscar, era o pilar da vila e o líder de suas caçadas.
Esses dois, junto com Rasan, o ferreiro, haviam fundado a vila.
Quando os três ainda moravam na cidade, Schulast e Sna convidaram Rasan para estabelecer um assentamento com eles. Ele se tornara uma casca vazia de homem quando sua esposa faleceu não muito tempo depois do casamento. Schulast escolheu um local próximo de onde o minério de ferro pudesse ser extraído. Sna permitiu que seu único filho, Oscar, se tornasse seu aprendiz, dando assim a Rasan esperança e uma razão para viver.
Para Rasan, esta vila, Schulast e Sna tinham sido tudo. Eram os mesmos homens que agora jaziam sem vida diante de seus olhos. Suas pernas se recusaram a sustentá-lo por mais tempo depois que ele foi confrontado com essa realidade sombria. Sentado entorpecido no chão, ele desejou que fosse algum tipo de erro, ou até mesmo um sonho.
Ele pensara que nunca mais experimentaria a sensação de perda que teve quando sua esposa morreu, mas isso estava errado. A mesma sensação de perda o atingiu brutalmente agora também " não, talvez essa devastação fosse ainda maior do que a que ele sentira naquela época.
Rasan olhou sem ver para os cadáveres deles por algum tempo. Então, de repente, seu olhar mudou para Oscar, que estava parado ali com um olhar vazio no rosto, ainda segurando sua espada desembainhada.
Foi aí que um pensamento penetrou na mente do ferreiro. Uma compreensão. Ele não havia perdido tudo, e agora ele deveria proteger Oscar.
A vila perdera sua cabeça e pilar e metade de seus moradores, mas havia sobreviventes. Incluindo ele mesmo e Oscar.
Agora que haviam sobrevivido, precisavam continuar vivendo... Eles fariam isso pelos mortos.
Infelizmente, ele notou o som de passos descendo a colina tarde demais.
Quando Rasan percebeu o que estava vindo, a fonte do som estava perto o suficiente para ver.
"Uma matilha de lobos de guerra…”
Essas criaturas semelhantes a lobos eram inequivocamente monstros em vez de animais. Embora um único lobo de guerra não fosse especialmente forte " comparado a monstros do tipo javali como javalis menores, por exemplo, não era um lutador especialmente forte ", uma matilha inteira de lobos de guerra era incrivelmente perigosa.
Como se estivessem se comunicando com sentidos além da visão e audição, a matilha trabalhava em uníssono para garantir a captura de sua presa. Naturalmente, humanos contavam como presa também...
Rasan sabia o que tinha que fazer antes de enfrentar os perigosos lobos de guerra. Ele caminhou rapidamente até Oscar, que ainda estava parado atordoado, ficou de frente para o garoto e agarrou seu ombro.
"Oscar! Acorde!" gritou ele, sacudindo-o.
Oscar não reagiu de forma alguma. Então Rasan levantou a mão direita e deu-lhe um tapa sonoro na bochecha.
"Mestre...?" disse Oscar finalmente.
"Oscar, me escute. O cheiro de sangue atraiu monstros. Você precisa fugir.”
"Eu não quero…”
"Não. Não vou deixar você morrer.”
"Papai e Mamãe não estão mais aqui. Eu não quero viver…”
Pela primeira vez, lágrimas transbordaram dos olhos de Oscar. Rasan sabia muito bem como o garoto se sentia, mas não podia se dar ao luxo de sentir simpatia agora.
"Oscar, você deve viver.”
“Por quê?!”
"Porque Sna e Scottie iriam querer que você vivesse!”
Sna dissera as mesmas palavras a Rasan depois que a morte de sua esposa o deixara como uma casca sem vida.
"Você não sabe disso…”
"Eu sei! Eu sei. É por isso que você vai viver, Oscar.”
Naquele momento, os gritos agonizantes da morte de alguém vieram de outra parte da vila. Como apenas moradores restavam agora, significava que um deles havia sido vítima dos lobos de guerra...
Momentos depois, os lobos de guerra estavam finalmente sobre Oscar e Rasan.
Rasan empurrou Oscar para longe e balançou sua espada, cortando um dos monstros. Seus companheiros instantaneamente focaram sua atenção nele, o que era exatamente o objetivo de Rasan.
"Oscar, vá para o rio. Eles odeiam água.”
"Mestre…”
"Vá! Agora!”
Com esse grito, Rasan investiu contra os lobos de guerra à sua frente.
Oscar deu uma última olhada para ele antes de começar a correr em direção ao rio.
A vila de Fost ficava às margens de um rio largo. Estava logo à frente de Oscar, mas os lobos de guerra eram numerosos demais. Dois deles o atacaram assim que ele o alcançou. Oscar conseguiu impedir um de mordê-lo com um golpe de sua espada, mas o outro arranhou suas costas com uma pata dianteira.
"Ahhh!” gritou ele.
Ele não sentira nenhuma dor quando o homem com a cicatriz cortou seu ombro porque estava muito absorto na luta. Agora, porém, a dor emanando de suas costas era estonteante, demais para uma criança de seis anos. Ele sentiu que ia desmaiar, mas, no entanto, suportou. Mantendo os dois monstros à sua frente em sua visão, Oscar recuou lentamente em direção ao rio. Faltava apenas um pouco mais até ele alcançar suas águas...
E então ambos os lobos de guerra investiram contra ele simultaneamente, suas mandíbulas estalando violentamente. Um da esquerda, o outro da direita.
Resignando-se a perder o braço esquerdo, ele aparou o lobo de guerra vindo de sua direita com sua espada. Aquele vindo da esquerda cravou os dentes em seu braço esquerdo bem quando ele saltou no rio.
No momento em que atingiu a água, percebeu que lobos de guerra eram de fato lobos pela maneira como o monstro se agarrou ao seu braço esquerdo e estremeceu de terror. Enquanto isso, o da direita expusera o pescoço para ele e ele teve senso suficiente para apunhalá-lo com sua espada.
Então ele perdeu a consciência.
ঌ
"Qual o problema, Cohn?”
"Pai" começou Cohn, apertando os olhos para o rio enquanto empurrava a carroça.
“É uma pessoa?”
"Oh, não... Cohn, corra para a mansão e chame Berlocke ou sua senhoria. Vou entrar na água.”
"Entendido.”
Seu coração batia. Embora estivesse inconsciente, o leve subir e descer de seu peito indicava que ainda respirava. Era um garotinho de seis ou sete anos com cabelos ruivos flamejantes que agarrava uma espada como se fosse a coisa mais importante do mundo.
Por enquanto, Latatow, pai de Cohn, cobriu o menino com um saco de estopa vazio e qualquer outra coisa que tivesse à mão. Ele achou melhor aquecê-lo com camadas, já que suas roupas estavam molhadas. Enquanto isso, Cohn veio correndo de volta, acompanhado por Berlocke, o mordomo da mansão.
"Latatow, como ele está?”
"O coração está batendo e ele está respirando um pouco também" respondeu Latatow. Ele não era especialista, mas sua resposta foi mais do que suficiente para o mordomo.
"Certo, ótimo. Ele está vivo, então. Vamos nos apressar e levá-lo para dentro da mansão.”
Assim começou a segunda vida de Oscar.
Sol: Por aviso, eu troquei a onda por esse ঌ já que estamos falando do próximo Mago de Fogo ( isso na teoria é uma brasa kkkkk ) e assim como ele vou trocando a depender de qual perspectiva a história vai ser contada. Mas a História do Oscar tá bem pesada, trama de vilão perfeita.... O que será que vai sair disso?
Traduzido por Moonlight Valley
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