O Fim Perfeito Brasileira

Autor(a): W.S.


Volume 1

Capítulo 4: O Viajante Errante e a Loja Peculiar

Amanhece, sol bate sobre a pele lilás de Damesha, que acorda no beco que havia adormecido. Assim que se mexe, diversos ratos saem de cima dela, correndo para a parte mais escura do beco, fugindo do avanço da luz.  

— Saiam de cima de mim e não voltem mais suas merdinhas ou eu acabo com vocês!!! — Resmungou ela.  

Ela se levanta e, então resolve mudar sua aparência para uma moça jovem de cabelo roxo e vestido marrom de plebeia e sai do beco. 

Assim que o deixa, Damesha tromba novamente com alguém. Com sua cabeça girando, ela olha e percebe que era o homem alto e magro com roupas esfarrapadas que encontrou na noite anterior.  

— MAIS QUE MERDA!!! — Gritou o homem.  

— Droga! De novo isso!! — Falou ela.  

— Espera um pouco! Foi você que trombou comigo ontem à noite! — Retrucou, apontando o dedo para ela. 

— Eu?! Deve ter sido outra pessoa, não? 

— Foi sim! Me lembro da sua voz! Sabia que você conseguiu me dar um prejuízo bem grande! Quebrou minha lamparina! Vai pagar pelo que fez!   

— Er... Calma aí senhor, perdão, mas infelizmente eu não tenho como te pagar! Que tal se eu te ajudar com alguma coisa aí você me perdoa?  

O homem suspira exalando pura irritação.  

— Argh, mas que coisa em garota!  

— Desculpa não fiz por querer! 

“Olhando para ele assim de dia, ele parece ter uma alma apetitosa!” 

—Tá bem, me segue que até minha carroça na periferia da cidade e me ajuda a carregar umas coisas e então eu vou te perdoar. — Disse ele, coçando o pescoço.  

Damesha segue o homem até a periferia da cidade, enquanto o segue ela repara em sua aparência. 

Ele usava uma blusa com a manga esquerda rasgada na metade, uma calça velha, mas inteira, uma capa rasgada que ia até o começo de suas canelas. Por incrível que pareça, suas botas eram surpreendentemente novas — para alguém como ele, era muito estranho ter botas tão novas. 

Seu cabelo era comprido, passando um pouco dos ombros, era de cor cinza escuro e estava completamente embaraçado, ele usava uma faixa na testa para prender o cabelo — sendo provavelmente para que o cabelo não ficasse caindo sobre o rosto.   

Ele também possuía olheiras bem intensas — como se tivesse passado várias noites acordado.  

O que mais chamava atenção nele, era que seu braço esquerdo, que estava todo enfaixado, como se estivesse guardando uma ferida bem grande. Só que reparando bem, via a ferida se estendia até o peito, já que podia-se ver que seu pescoço também estava enfaixado.  

Durante o caminho Damesha resolve puxar assunto, para ver se podia cortar o silêncio sufocante. Então, ela aproximou o rosto perto da orelha dele e sussurrou:  

— Ei! Você não me disse seu nome ainda. O meu é Damesha, é o seu?  

Ele afastou o rosto.   

— É Richart. E dá para respeitar o meu espaço pessoal, por gentileza? — Ele respondeu.  

— Ah, sim claro! — Falou ela. — Mas não vai me dizer que você tem medo de mulher, hein??  

— Não! É que você tem um cheiro um pouco estranho e, chegando perto dessa forma está impregnando meus pulmões.  

Ele segura o nariz com uma das mãos, por causa do fedor de Damesha.  

— Ei! Eu não estou fedendo! — Retrucou. 

— Não, não é fedor, é um cheiro estranho diferente de qualquer um, é de como se fosse um cheiro de fumaça, eu não sei descrever, então só não se aproxima muito porque só dá para sentir quando você fica bem perto! 

— Tá! — Falou emburrada.  

Os dois caminham por um bom tempo até que chegam à carroça — tão velha que chamá-la de carroça era um elogio.  

Aquele lugar era praticamente um deserto, um lugar com diversas casas aos cacos, praticamente um lugar abandonado, esquecido pelo reino. Havia pessoas morando lá, mas a maioria ficava na porta das casas sentados cabisbaixos. 

“Nossa! Mas que lugar mais triste!” 

Assim que chegam, Richart começa a descarregar duas bolsas da velha carroça — que se parece com um velho caixote com rodas. 

Em seguida, ele toma duas bolsas do fundo da velha carroça e passa uma delas para Damesha. 

— Toma! Leva essa que eu levo essa outra, se me ajudar estamos quites!  

— Certo! Que tal se sairmos para nos divertir um pouco depois, o que acha, hein? — Ela seduziu. 

Ele nega com a cabeça e ainda completa de forma ignorante:  

— Não! Nem pensar, tenho mais o que fazer!  

“Vai ser difícil enganar e matar esse para poder devorar a alma dele!”  

Logo após pegaram as bolsas, os dois se dirigem para a cidade novamente, com Damesha sempre seguindo Richart. Chegando nas ruas da cidade, Damesha começa a ouvir as pessoas murmurando sobre Richart, dizendo:  

— Olha aquele homem estranho, será que é um mendigo? 

— Ele deve ser da periferia, crianças não se aproximem dele!  

— Ele só pode ser um criminoso!  

Damesha fica prestando atenção nos murmúrios, até que eles começam a passar por uma parte da cidade que ela não conhecia, o que acaba a distraindo e chamando sua atenção.  

— Hã!? Que parte da cidade é essa? — Disse Damesha, coçando a cabeça. 

— É a Praça da Cidade que fica ao redor do castelo, fica depois da rua principal. Aqui passam carruagens de gente importante, mora em Priston e nunca veio aqui??  

— Não moro aqui, eu vim faz pouco tempo, até me mostraram a cidade, mas ninguém falou desse lugar para mim, não fazia ideia de que esse lugar existia!  

— Se alguém te mostrou essa cidade, fez isso errado! Esse lugar era para ser o primeiro a ser mostrado!  

— Por quê?  

— Esse é o lugar é adorado pelos visitantes.  

Ela se empolga e começa a cutucar Richart, perguntando:  

— Entendi! Me mostra esse lugar?  

Ele se irrita com aquilo, segura a mão dela para parar de cutucá-lo e então responde de forma ignorante:  

— NÃO! Só me ajuda e depois vê sozinha!  

— Chato! — Retrucou emburrada.  

— Não sou guia de visitantes, muito menos seu amigo! Então me segue!  

Andando pela praça, eles passam por uma enorme construção de pedra escura e, no chão uma enorme área ao redor dela com forma de círculo dividido e enumerado em 12 partes. A enorme construção de pedra projetava duas sombras, uma mais forte e outra bem fraca quase imperceptível, sobre dois pedaços do grande círculo.  

Ela não sabendo o que era, questionou Richart.  

— Que incrível! Que coisa é essa?  

— É o relógio gigante da praça, só isso, não é nada de grandioso! — Respondeu ele.  

— O que é um Relógio?  

Ele se irrita e a responde com ignorância:  

— Em que mundo você vive? Aquela construção de pedra projeta duas sombras sobre duas partes do círculo, a mais forte marca as horas e mais fraca aquela mostra os minutos, mas não se orienta por ela, pois ela é falha. Entendeu!?  

Ela não gosta da resposta dele e retruca, xingando:  

— Grosso de merda! Não sabe tratar uma mulher?  

— Não sei! E daí, hum? 

Damesha fica se fecha e não diz nada e continua seguindo Richart.  

Eles saem da praça e adentram as ruas da cidade, caminham por alguns minutos e entram em uma loja com vitrine de vidro e porta de madeira. Aquele lugar parecia vender itens bem estranhos. 

Entre eles havia livros, frascos com líquido de conteúdo duvidoso e vários tipos de pedras coloridas e bugigangas. Assim que entram, Richart se aproxima do balcão e aperta um sininho que faz um barulhinho.   

“Ding!”  

Logo após isso, uma mulher bonita de cabelo castanho sai de uma porta acessada por trás do balcão. 

Ela usava roupas pretas com detalhes brancos, blusa com manga longa, calça e botas, ela também possuía um broche de caveira de pássaro presa a gola de sua blusa, sendo essa a parte que mais chamava atenção naquela mulher peculiar.  

Depois que ela para no balcão. Richart se dirige a ela com um tom calmo e amigável.  

— Oi Vanessa! Tudo bem? Trouxe umas coisinhas que você pode gostar, quer dar uma olhada?  

— Você vem aqui me vender mais coisas como se aquilo nunca tivesse acontecido? — Respondeu ela, com uma cara brava.  

“Ei! Por que ele me trata daquele jeito e trata ela bem? Eu sou bem mais bonita e atraente, e ele me disse que não sabia como se tratar uma mulher?”  

— Vanessa eu não fiz por mal, você sabe, não é? — Replicou ele.  

Ao ouvir isso, a mulher abre um leve sorriso e diz:   

— Certo, desde que não seja um protótipo eu dou uma olhada e estimo o valor. Talvez eu até compre!  

— Essa é a Vanessa que eu conheço! — Sorriu ele.  

Ele coloca a bolsa que estava carregando no balcão e começou a tirar vários itens estranhos de dentro dela.  

Ele pega uma bola de metal com um cordão e começa mostrá-la com um sorriso.  

— Aqui tem um bem interessante, eu próprio testei, é uma granada explosiva mágica!  

Vanessa arregala o olhar com o objeto e responde:  

— Olha só, isso aí é interessante!  

— Sim, fiz essas pensando na ideia de ficar encurralado ou sem Éden! — Disse ele, orgulhoso.  

— É, gostei, você tem quantas aí?  

De repente, Damesha interrompe a conversa.  

— Éden? O que é isso?  

Richart se vira para trás e, vendo Damesha, sem nem esconder perguntou ela:  

— Você ainda tá aí???  

— É claro!!! Não estou te ajudando!? — Reclamou ela.  

Então, Vanessa interrompe o início da discussão.  

— É o nome dado as partículas mágicas presente no ar e dentro de todos os seres vivos, em resumo a energia necessária para lançar um feitiço, magia ou uso de bruxaria, entendeu?  

— Sim, mas o que é isso? — Retruca Damesha. 

— Como assim o que é isso??? Eu respondi à pergunta que você acabou de fazer!!!  

— Ah sim, então isso é o tal do Éden?  

Vanessa balança a cabeça para os lados com uma expressão desanimada e, responde:  

— Isso. É cada uma!  

— E o que é magia, feitiço e bruxaria? — Perguntou Damesha.  

Richart se explode com as perguntas incessantes de Damesha, a respondendo de forma rude:  

— Mas não é possível, você por acaso é burra???  

— Aí, eu não sou nenhuma mágica nem nada do tipo, pessoas comuns não sabem dessas coisas! — Retrucou Damesha.  

Novamente, com grande paciência, Vanessa responde à pergunta de Damesha.  

— Isso é senso comum, todos nascem com Éden no corpo, caso ele se desenvolva ao longo da infância as pessoas podem se tornar um dos três tipos de usuários de Éden: mago, feiticeiro ou bruxo.  

— Ah, é senso comum?! — Damesha falou. — Eu acho que não faço parte dele hehe!!  

— Olha só, deixa as coisas aí no chão mesmo, você tá perdoada, pode cair fora! — Richart disse.  

Mas Damesha se recusa, aporrinhando Richart mais uma vez.  

— Espera um pouco poxa! Pelo menos me leva para comer alguma coisa, eu estou com fome! Faz isso como agradecimento, o que acha?  

— É você que me deve algo! Não eu a você!  

Damesha emburra de novo.  

— Mas que chato você! 

Silêncio. Richart não diz mais nada. E então, aproveitando aquele grande silêncio, Vanessa questiona Richart, querendo saber quem era Damesha.  

— Ela é alguma coisa sua?  

— Ela trombou em mim na noite anterior e quebrou minha lamparina, e eu só tinha ela e por isso fui forçado a vir aqui hoje durante o dia!  

Damesha acena, se apresentando logo em seguida.  

— Meu nome é Damesha, prazer!  

Vanessa faz o mesmo, dizendo que seu nome completo: Vanessa Morgan. Depois, ela se volta para Richart e pergunta sobre a lamparina.  

— Mas Richart, mas você não pode consertar a lamparina?  

— Até poderia ter consertado ela, mas eu fiquei sem vidro e faltou alguns rebites para terminar a estrutura, por isso vim. Para vender meus itens e comprar o que preciso.  

— Agora entendi o motivo de ter vindo aqui a essa hora, mas estou sem vidro no momento. E sobre os itens, como disse, vou inspecionar tudo, desde que não sejam protótipos!  

Ao ouvir isso, Richart se decepciona e se pergunta como vai consertar sua lamparina agora.  

— Sem vidro?! Como assim!? Você não tem sempre um pouco de vidro sobrando lá atrás no seu estoque?  

— Vem aqui dentro do estoque e vai entender o motivo. No começo nem eu acreditava. 

E então Vanessa pede para que Richart venha com ela ao seu estoque, e Damesha os segue por curiosidade. 

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora