O Fim Perfeito Brasileira

Autor(a): W.S.


Volume 1

Capítulo 5: O Feiticeiro Errante e a Infestação

Vanessa pede para que Richart fosse ao estoque e visse o motivo pelo qual não havia mais vidro. Damesha os segue por pura curiosidade — afinal por que não os seguir? 

“Não há problemas em ser só um pouquinho curiosa” 

Ao entrarem no estoque, encontram uma verdadeira bagunça. O lugar estava repleto de prateleiras caídas, estantes destruídas, cacos de vidro, muito sangue e um cheiro insuportável de urina, fezes e podridão.  

Ao ver aquilo e sentir o mau cheiro, Richart tampa o nariz e faz um comentário um tanto curioso, mas que ninguém entende.  

— Caramba, esse lugar tá um caco! Fez uma black friday aqui é?  

— O que? — Vanessa perguntou. — Do que você tá falando? Que merda é essa?  

— Deixa para lá, só ia entender a piada se você fosse da minha terra natal. — Ele respondeu.  

— Onde fica sua terra natal? — questionou Damesha.  

Richart grita com Damesha mais uma vez.  

— VOCÊ AINDA NÃO FOI EMBORA??  

— Não, fiquei curiosa e vim ver também.  

Mais uma vez, Vanessa interrompe antes que se torne uma discussão. Ela aponta para uma estante destruída e diz:  

— Esse lugar tá desse jeito por causa daquelas pragas bem ali!  

Logo após dizer isso, Vanessa estende a palma da mão direita na direção de uma estante destruída e, bem na frente dela faíscas começam a se aglomerar, até formarem uma bola de fogo do mesmo tamanho que sua mão, em seguida ela diz algumas palavras em uma língua desconhecida.  

— Pila Ignis!  

Logo em seguida, a bola de fogo parte em alta velocidade e acerta a estante, a explodindo e revelando, junto com os destroços da estante, diversos ratos que, por consequência, foram incinerados com a explosão.  

Surpreso com o que viu, Richart diz com convicção:  

— Ratos?? Você tá de brincadeira comigo?? Nunca que ratos destruiriam um lugar desses!  

— Pois é! — respondeu Vanessa. — Até eu fiquei surpresa em saber que eram ratos que estavam roendo vidro, madeira, devorando produtos mágicos e até bebendo poções e venenos.  

Não acreditando em Vanessa, Richart, com mais certeza ainda, novamente fala:  

— Não! Eu duvido que ratos sozinhos tenham transformado um lugar gigante desses em um lixão dessa forma!  

— Eu também duvidava até eu os ver fazendo isso com meus próprios olhos! — falou Vanessa.  

Então, Vanessa, tentando convencer Richart de realmente dizer a verdade, conta que na noite anterior, ela acordou na madrugada após ouvir barulhos vindos do seu estoque. Quando desceu para verificar, ela diz que ficou espantada com o que os ratos estavam fazendo, e mais estarrecida ainda com o porquê de estarem agindo assim.  

Depois de ouvir isso, Richart não diz. Então, Damesha pergunta:  

— O que ratos comem normalmente? Talvez só estejam morrendo de fome, por isso estão devorando tudo que conseguem roer!  

Mais uma vez, Richart responde com ignorância:  

— Restos de comida e lixo. 

— Talvez Vanessa tivesse deixado algumas migalhas aqui e, eles vieram, comeram e começaram a roer tudo o que viam para fazer um ninho. Pode ser isso? 

— Não Damesha, sempre deixo esse lugar um brinco de limpo. 

— DAMESHA! NÃO ME LEVE A MAL, MAS QUANDO NÃO TEM O QUE COMER, VÃO PARA OUTROS LUGARES EM QUE TEM O QUE COMER, AO INVÉS DE SAÍREM COMENDO TUDO O QUE VIREM PELA FRENTE! — Richart replicou.  

Após a resposta de Richart, Damesha responde como por quem sabe como é passar fome:  

— PASSAR FOME É HORRÍVEL, NÃO SUBESTIME O QUE UM SER MORRENDO DE FOME PODE FAZER PARA PODER SOBREVIVER!  

Richart se surpreende com essas palavras e, num tom mais calmo, mas debochado, quase irônico, ele diz:  

— Tá, tá, ninguém liga para os “pobres” ratinhos morrendo de fome!  

Estressada, Vanessa interrompe ao concordar com Richart.  

— Concordo, se for para ficarem comendo o meu estoque e destruindo tudo, quero mais é que morram! — falou Vanessa ao cerrar o punho.  

Após Vanessa ter concordado com Richart, Damesha fecha a cara. Em seguida, Vanessa chama Richart e lhe propõe algo interessante.  

— Richart?  

— Fala Vanessa!  

— Eu vou comprar todas as suas granadas, mas eu quero que me ensine a usá-las e faça um teste com elas jogando três delas dentro do meu estoque para matar todos esses ratos. O que acha?  

Richart começa a alisar o queixo, bem pensativo. E então, de forma apreensiva responde:  

— Olha eu até poderia falar: Claro, eu aceito!, mas eu tenho que perguntar: Você tem certeza disso?  

— Sim, vai e explode essas merdinhas logo!  

— É porque essas granadas foram projetadas para um local um pouco mais aberto que um estoque de uma loja.  

Então, Vanessa dá um pequeno tapa nas costas de Richart e o provoca com um sorriso besta:  

— Você não é um gênio? Então você consegue arrumar uma solução!  

— Tá, eu tive uma ideia. Vou precisar de um pouco de espaço e quero que se afastem, pois eu não tenho certeza se vai funcionar!  

Assim, Richart vai até a bancada da loja pega três granadas e entra com elas no estoque. Enquanto isso, Vanessa e Damesha se agacham e se escondem atras da bancada.  

Em seguida, ele tira um livro de capa de couro desgastada de dentro de uma bolsa presa a sua cintura do lado direito — que estava totalmente coberta por sua blusa esfarrapada.  

 Assim que pega o livro ele o abre, começa a folhear algumas páginas e parando em uma, ele diz: 

— Eu convoco mago de vento morto-vivo! 

E, na mesma hora, uma espécie de fumaça escura sai do livro, se materializando em uma caveira trajada com uma longa capa que se ajoelha em uma pose reverencial perante Richart.  

Em seguida, Richart se dirige a ela lhe dando ordens.  

— Quero que crie uma barreira de vento para impedir o avanço das chamas para fora dessa sala. assim que eu jogar as granadas e sair, faça isso. Me entendeu?  

Imediatamente a caveira se levanta e o responde de forma cortês:  

— É claro, meu senhor! Seu pedido é uma ordem! 

Richart fecha o livro e o guarda na bolsa em sua cintura. Ele sai para fora da sala e, começa a escrever no ar usando seu dedo indicador, algo que se parecia muito com a letra “H”. 

Assim que escrita, ela desapareceu e a estrutura de toda a sala de estoque brilhou e parou de forma quase despercebida.  

Depois, ele retira um pequeno cordão na parte de cima das granadas e, as lança rapidamente para dentro da sala. Alguns segundos depois, as granadas explodem lançando chamas por toda sala e, nesse momento o mago morto-vivo parece fazer o mesmo que Vanessa: conjurar uma magia.  

— Magia de Vento: Gaiola tornado!  

Em seguida, entre as paredes da sala, começaram a se formar correntes de ar, formando um tornado que impede as chamas de saírem e, as fazem se dissipar.  

Dissipadas as chamas, o mago morto-vivo sai da sala e novamente se ajoelha reverencialmente perante Richart.  

— Meu mestre, cumpri as suas ordens, devo retornar agora. — disse ele, enquanto abaixava a cabeça.  

— Certo, pode ir! — falou Richart.  

Richart pega seu livro e o abre na mesma página de antes, e, logo em seguida, o morto-vivo se torna uma sombra e entra no livro.  

O estoque havia se tornado uma verdadeira bagunça, com vários detritos de madeira e vidro queimados. Então, Richart chega perto das duas e, orgulhosamente declara o serviço como finalizado.  

— Pronto, funcionou exatamente como eu tinha previsto!  

— Pelo que me lembro você me disse que não tinha certeza se ia funcionar, não é? — provocou Vanessa.  

Com os olhos arregalados pela cena que presenciou, Damesha se deixa vencer pela sua empolgação e, começa pedir para aprender a fazer isso também.  

— Caramba isso foi muito legal! Incrível! Tem como me ensinar a fazer isso também??  

Com a empolgação de Damesha, Richart, se vangloriando, diz:  

— Eu sei que tudo feito por mim sai incrivelmente bem-feito! Mas eu não sei se você vai poder fazer isso não, viu?  

Então, Vanessa interrompe, jogando um balde de água fria nela.  

— Olha garota... para você poder usar Éden, primeiro, eu teria que ver se você tem o suficiente no corpo para poder usar.  

— Legal, então olha aí para mim e me ensina a fazer isso!  

— Eu até poderia ver isso para você e te ensinar, mas... eu não faço esse tipo de coisa de graça não, viu?  

— Ah, mas que chatice!  

Decepcionada, Damesha se levanta bruscamente e, acaba batendo a cabeça com força em uma das prateleiras de uma estante atrás do balcão. 

Por conta disso, ela acaba por quebrar aquela grande prateleira em duas e, consequentemente, derrubando os itens da prateleira, que eram frascos com líquidos de várias cores, que ao caírem no chão se quebraram e se espalharam.  

Um desses frascos que se quebraram, espirrou um pouco na mão de Damesha. Aquilo acabou por causar uma queimadura, mas que rapidamente se curou — devido ao fator de autocura instantâneo presente nos demônios.  

Ao ver isso, Vanessa explode por ter seus produtos quebrados, o que traz prejuízos para ela. 

— QUE DROGA! OLHA O QUE VOCÊ FEZ! Se machucou?  

Damesha, esfregando o local da pancada, se desculpa:  

— Foi mal... Não, não me machuquei... Ai minha cabeça! Só doeu um pouquinho!  

Depois, Damesha olha para o chão, onde havia caído o frasco que fez a queimadura nela e, bem nesse local, o chão estava todo corroído, com um buraco ao redor dos cacos de vidro.  

Extremamente irritada, Vanessa apertou o dedo no nariz de Damesha, dizendo com uma voz que exprimia puro ódio:  

— Você vai me pagar pelo que quebrou.  

Damesha engole seco.  

— Err... Desculpa, mas eu infelizmente não tenho como fazer isso.  

Vanessa arregala os olhos.  

— O QUE? Como não tem?? Você não tem nenhum dinheiro???  

Damesha balança a cabeça para os lados.  

Enquanto isso, Richart ia só ouvindo. Vanessa mais uma vez explode e começa a xingar Damesha. Mas a prateleira quebrada chama sua atenção, e faz ele ficar pensado:   

“Caramba, para quebrar uma prateleira de carvalho dessas tem que ter uma cabeça bem dura!”  

Enquanto Vanessa continua a xingar Damesha, Richart pega e passa pelas duas, vai e se dirige a saída da loja. Antes de sair, ele grita para as duas:  

— Vanessa! Vou deixar os meus protótipos e invenções com você. Vou estar essa semana na cidade mesmo, aí dessa forma você pode olhar eles com calma, certo?  

— Tá, passa quando quiser para poder saber sobre!!  

Então, Vanessa pega os dois pedaços da prateleira, e os atira para dentro do estoque. Depois, pega uma vassoura e um tacho pequeno e velho. Ela vai até Damesha e entrega os dois nas mãos dela e diz:  

— Já que não tem dinheiro vai pagar com o corpo!  

Ao ouvir isso, Damesha finge estar envergonhada com o que Vanessa disse — como se tivesse levado para o sentido errado da frase, provocando quem já não estava muito para brincadeiras. 

— Ai, nossa! Que safada você Vanessa! Não sabia que você era esse tipo de mulher!  

Vanessa logo a corta.  

— Não fala merda! Eu estou falando de trabalho! Nada de brincadeirinhas! Vai trabalhar para mim até pagar pelo que quebrou.  

— Ah tá! Só que tem um pequeno problema... — disse ela, coçando a bochecha. 

— HUM? Qual?   

— Eu não tenho onde morar porque eu cheguei na cidade ontem.  

Vanessa suspira, para se acalmar e, como se já não conseguisse se surpreender mais, na maior calma possível, ela diz:  

— Mas você não tem nenhum lugar para dormir?  

— Não... Então se eu sair eu não volto mais para cá não! Sinto muito! 

Vanessa suspira cobrindo o rosto com uma das mãos. 

 — Tá, eu te deixo dormir aqui até você pagar o que me deve. Mas eu vou cobrar aluguel e vou adicionar isso na sua dívida!  

Damesha coloca as mãos na cabeça com a resposta de Vanessa e fala:  

— O que??? Pensei que não cobraria por dormir!!!  

— É claro que vou cobrar! Não vou te deixar morar aqui de graça. Se procura gente caridosa vá dormir na Igreja! Agora vai trabalhar!  

— Tá chefia! Mas a comida é de graça né? 

— Nem pensar! Já está incluso no aluguel! 

— Poxa! 

Então, foi assim, que Damesha começou a trabalhar na loja de Vanessa, para poder pagar sua dívida — que podia ter evitado se tivesse prestado mais atenção!

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