Volume 2 – Vol 2
Capítulo 4: Derrotar um Monstro do Mal é Trabalho de um Cavaleiro Angelical
"...Zagan é gentil, mas não adianta nada se eu não me vingar com minhas próprias mãos."
Depois de escapar do castelo no meio da noite, Foll viajou para o Palácio do Arquidemônio.
Embora tenha recuado por um momento, no final, ela percebeu que não conseguiria se acalmar se não matasse o portador da Espada Sagrada. Mas Zagan e Nephy... nunca permitiriam isso.
Era difícil entender como um feiticeiro e uma Cavaleira Angelical podiam ser amigos, mas parecia ser verdade. E se ela matasse aquela amiga, eles não a perdoariam.
"É... confortável lá."
Ela queria ficar com eles para sempre. Queria depender de Zagan, que disse que estariam juntos por mil anos. E, como esperado, essa era a principal razão pela qual Foll não tinha agido imediatamente.
No final, Foll provavelmente era jovem demais para levar adiante sua vingança. Afinal, ela sentia a solidão tão intensamente quanto o ódio. E Zagan e Nephy enterraram impiedosamente esse sentimento ao consolá-la. Nesse ritmo, Foll sabia que, se alinhasse com eles até se tornar uma dragão adulta, acabaria esquecendo sua vingança.
E então havia Chastille, que deveria ser um alvo, mas... ela era uma garota notavelmente estranha. Já que Zagan disse a Foll para não matar Chastille, ela decidiu pregar peças nela. Claro, Zagan e Nephy pareciam irritados, mas ela não tinha intenção de parar quando eles nem a confrontavam sobre isso. Se, por acaso, Chastille se irritasse e apontasse sua Espada Sagrada para Foll, então ela teria um motivo para matá-la.
Ou assim ela pensou, mas Chastille nunca apontou sua arma para Foll. Pelo contrário, ela nem carregava sua Espada Sagrada, apesar de estar em território hostil. E ainda assim, justo quando Foll começou a pensar que ela tinha um coração forte, ela pegou Chastille a encarando à beira das lágrimas. Infelizmente, um olhar para a garota fez Foll perder toda a força nos ombros.
Não era simplesmente ridículo querer matar uma garota assim? Talvez Zagan tivesse antecipado que Foll acabaria se sentindo assim, razão pela qual ele não disse nada sobre isso. Afinal, esse único pensamento a deixou em estado de choque.
"Os Cavaleiros Angelicais traíram o Sábio Dragão Orobas. Devo nunca... esquecer isso."
Sábio Dragão Orobas... Esse era o nome do pai de Foll. Ele era um grande dragão que viveu por mil anos. Sua sabedoria era profunda, e ele era às vezes severo, mas também incrivelmente gentil. Através de sua inteligência, ele guiou não apenas Foll, mas até a humanidade. Foll orgulhava-se de chamar uma criatura tão distinta de seu pai.
Num certo dia, um grupo de humanos que se autodenominavam Cavaleiros Angelicais apareceu. Ela não sabia sobre o que conversaram, mas seu pai voou com os Cavaleiros Angelicais em suas costas... e nunca mais voltou.
Quando o sétimo dia se passou, Foll não pôde mais esperar e subiu aos céus para procurá-lo. E o que ela viu foi seu pai... que fora perfurado por uma Espada Sagrada, e a figura de um homem sorvendo seu sangue como um demônio. Não era surpresa, já que uma Espada Sagrada podia facilmente desferir um golpe mortal mesmo contra o Sábio Dragão Orobas.
Aqueles Cavaleiros Angelicais haviam traído seu pai, que lhes emprestara seu poder e sabedoria muitas vezes. E ela jamais ousaria esquecer esse fato. O ódio ardente e flamejante dentro dela nunca poderia ser extinto. E, no entanto, a vida com Zagan era confortável demais... Quase a fez simpatizar com sua inimiga, Chastille.
Minha vingança é... tão trivial assim? Não havia como deveria ser. Claro, ela sabia que não havia como matar todos os doze portadores das Espadas Sagradas com seus poderes imaturos. Mas mesmo assim, sua consciência não deveria permitir que ela ignorasse uma inimiga que estava bem na sua frente.
E assim, Foll viajou para o Palácio do Arquidemônio para dissipar todas as suas dúvidas. Este lugar deve conter algo com poder suficiente para matar um Arcanjo.
Ela tinha certeza de que o legado do Arquidemônio permitiria que ela enfrentasse seus inimigos jurados de igual para igual, então mesmo que significasse trair Zagan e Nephy, ela não podia parar. No entanto, assim que abriu as portas do Palácio do Arquidemônio...
"Nossa, pensar que existe um castelo bem aqui no subsolo."
Ao ouvir aquela voz, Foll virou-se com um estremecimento. E quando o fez, avistou um homem saindo da escuridão.
Alguém me seguiu? Porque estava com tanta pressa, negligenciou vigiar seus arredores. Ainda assim, não deixou de ver a grande espada nas costas da figura, e seus olhos se arregalaram assim que o fez.
"Uma Espada Sagrada...!"
Ela podia sentir a mana em sua pele antes mesmo de ter a chance de verificar a inscrição. Como não sentir? Afinal, era o 'cheiro' da Espada Sagrada que abateu seu pai. Ela não achava que haveria outra na cidade além da amiga de Zagan e Nephy.
Então, como se divertindo, um sorriso surgiu no rosto rude do homem grande.
"Você pode ser uma criança, mas ainda é uma feiticeira, suponho. É impressionante que tenha me percebido antes mesmo de eu desembainhar minha lâmina."
E então, Foll finalmente viu seu rosto.
"Você é..."
Era sem dúvida o rosto do humano que bebeu o sangue de Orobas.
"Hmm, quem diabos é você? Não me lembro de conhecer crianças idiotas como você."
Naquele instante, Foll sentiu algo se romper dentro de sua cabeça.
"SEU DESGRAÇAAAAAADO!" Foll rugiu, então instantaneamente transformou ambas as mãos nas de um dragão, asas verdes perfurando suas costas.
Ela nem pensou em usar feitiçaria. Sua mente estava consumida pela raiva, então ela simplesmente o atacou com suas garras.
No entanto, o Arcanjo desembainhou sua espada muito mais rápido do que o poder máximo de Foll poderia alcançar.
"Ah..." E em resposta, uma voz confusa escapou dela.
Este é... o poder de uma Espada Sagrada... Além de um Arquidemônio como Zagan, ninguém poderia enfrentar tal ameaça imprudentemente. Foll tornou-se feiticeira precisamente porque sabia disso muito bem, mas ainda assim cometera um erro fatal no final...
A lâmina gravada veio em direção ao pescoço de Foll. E seus pensamentos finais naquele momento foram os rostos que Zagan e Nephy faziam quando gentilmente acariciavam sua cabeça.
"Zagan..." ela sussurrou desesperadamente enquanto fechava os olhos, aceitando sua morte iminente... No entanto, a dor que ela temia não chegou, não importava quanto tempo esperasse.
Em seu lugar, veio a sensação de um braço abraçando-a gentilmente por trás. E então, uma voz arrogante ressoou por toda a sala.
"Suponho que eu realmente disse para você agir como quisesse, mas acho que deveria pelo menos estabelecer um toque de recolher."
"...Huh?"
Milagrosamente, o braço de Zagan parou a Espada Sagrada em seu caminho.
♱
"Bem, então... Então você bloqueou meu golpe, Arquidemônio."
Zagan havia pegado a Espada Sagrada de Raphael com sua mão nua... Isso dito, havia um círculo mágico agindo como escudo entre sua pele e a lâmina.
Era uma grande espada com uma lâmina branca pura. E em sua superfície havia brasões que diferiam daqueles usados na feitiçaria, mas também eram sutilmente diferentes dos de Chastille. Parecia que as gravações nas Espadas Sagradas diferiam de lâmina para lâmina.
Então isso significa... que é o nome inscrito na arma? Zagan inspecionou seu braço enquanto segurava o objeto de sua fascinação à distância.
A pele na mão que segurava a lâmina estava rasgada, mas não estava queimando como da última vez. E isso apesar das habilidades com a espada de Raphael serem muito mais afiadas do que as que Chastille demonstrara.
Parece que mesmo uma Espada Sagrada não pode sobrepujar o Sigilo do Arquidemônio, hein? Se este fosse o velho Zagan comum, ele já teria perdido o braço direito. No entanto, graças à mana de um Arquidemônio, não havia sinal de que a Espada Sagrada conseguiria cortá-la.
Depender de uma ferramenta não é muito agradável. Por outro lado, já que seu oponente também estava usando uma ferramenta poderosa, provavelmente estava tudo bem pensar que estavam empatados.
Voltando ao assunto, Raphael parecia incapaz de se mover devido ao aperto de Zagan em sua Espada Sagrada. E enquanto os dois permaneciam ali, a voz trêmula de Foll escapou de dentro dos braços de Zagan.
[Sol: Meu goat usa capa e ele farma aura.]
"Zagan, por que...?"
"Eu só encontrei convenientemente um mensageiro disponível. E imaginei que você estaria aqui, então o fiz me teletransportar para cá."
Os pés de Zagan ainda estavam submersos numa sombra escura, mas estava claro para todos os presentes que não era resultado de sua feitiçaria.
"Não sou nenhum mensageiro, droga!" Barbatos rosnou, sua voz grossa de raiva. E depois de aparecer subitamente da sombra, ele se posicionou o mais longe possível de Raphael. Parecia que não queria nada com a luta deles.
"Eu disse que você seria generosamente recompensado, não disse? Não reclame."
Zagan ordenara que ele monitorasse Chastille. E felizmente, feiticeiros sempre permaneciam fiéis a seus contratos. Mesmo depois de libertar Chastille, este homem continuou seguindo essa ordem, razão pela qual ele obteve uma resposta imediata ao chamá-lo ao saber do desaparecimento de Foll.
"Mestre Zagan, Foll está segura?"
Parecia que a sombra ainda estava conectada ao castelo, então Zagan, claro, respondeu à pergunta de Nephy num tom gentil.
"Foll está segura. Voltaremos assim que eu limpar o lugar. Apenas espere no castelo, Nephy."
"Entendido." Na verdade, Nephy definitivamente queria correr para o lado de Foll também. Mas mesmo assim, decidiu conter seus sentimentos, pois podia perceber que as coisas estavam prestes a ficar complicadas.
"...Bem, de qualquer forma, vamos voltar. Crianças não deviam andar por aí tão tarde da noite. Vamos para casa", Zagan disse em seu tom arrogante habitual. No entanto, Foll balançou a cabeça.
"Não, isso não faz sentido... Eu... te traí... E ainda assim, por que...?"
O quê, é só isso? Zagan acariciou gentilmente a cabeça de Foll enquanto lágrimas começavam a brotar em seus olhos.
"Eu disse para você fazer o que quisesse, certo? Não esquenta com coisas pequenas."
Ao ouvir essa resposta, Foll enterrou o rosto no peito de Zagan. As asas de dragão então desapareceram de suas costas, e seus braços e pernas voltaram ao normal.
"Descul...pe..."
"Caramba... O que eu acabei de dizer, Foll?" Não parecia que ele estava conseguindo alcançá-la, já que ela continuava se preocupando com as menores coisas.
Ainda bem... que cheguei a tempo...
Se ele tivesse chegado nem que fosse um segundo atrasado, Zagan teria perdido ela. E comparado a isso, Foll ter se infiltrado no Palácio do Arquidemônio sozinha era realmente insignificante.
Eventualmente, depois de permanecer assim por um tempo, Zagan encarou Raphael.
"Eu já avisei você, não avisei? Eu disse que se tentasse fazer o que bem entendesse no meu domínio, iria esmagá-lo e moê-lo."
Em resposta a isso, o Cavaleiro Angelical com semblante maligno respondeu com uma voz cheia de confusão.
"Ora, isso é estranho... Está dizendo que um feiticeiro está protegendo uma estranha?"
"Ela não é uma estranha. Esta garota... é minha filha." E Raphael ousara sacar sua espada contra ela.
Não tenho motivo para deixar este homem viver, tenho?
[Sol: Ennntão… Pior que não trucida ele zé.]
Ele não estava diante de Nephy naquele momento. Além disso, havia também o fato de que ele era a razão do rancor de Foll, então Zagan decidiu torturá-lo o máximo possível antes de matá-lo.
Raphael então estreitou os olhos como se resignando.
"Entendo... Uma filha, hein? Isso é bastante compreensível, então."
"É assim que é... Foll, afaste-se um pouco."
Depois de empurrar Foll para longe, Zagan soltou a arma em sua mão, e Raphael recuou sem tropeçar, corrigindo sua postura com a Espada Sagrada pronta.
Toda a situação fez Zagan franzir as sobrancelhas. Quer dizer, já estamos tão envolvidos nisso e ainda não há sede de sangue? Não era como se Raphael não tivesse espírito de luta, mas Zagan não conseguia sentir nenhuma sede de sangue de sua espada. E ainda assim, ele certamente planejava lutar contra Zagan com ela.
"...Já que chegamos a este ponto, permita-me avisá-lo. Se não resistir a mim com todas as suas forças, eu o massacrarei."
"Embora eu esteja relutante, você não me deixou outra escolha. Não posso me dar ao luxo de morrer neste lugar", Raphael murmurou, então finalmente liberou sua sede de sangue.
"Atende ao meu chamado... Espada Sagrada Metatron." Raphael anunciou aquele nome, o que fez uma chama pálida irromper de sua Espada Sagrada.
[Sol: ma rapaizzz...]
... Zagan sentiu vontade de gemer, mas apenas suportou por pouco. Naquele momento, finalmente percebeu que tinha sido enganado no bar.
Brandindo sua deslumbrante e brilhante Espada Sagrada, Raphael começou a falar.
"Este é o poder que derrotou ex-Arquidemônios, reduzindo todo o mal a cinzas. Venha agora, enfrente minhas Chamas da Purificação. Enfrente o poder que só os verdadeiros mestres da Espada Sagrada podem manipular." Essa era provavelmente a razão pela qual uma Espada Sagrada escolhia seu próprio portador, já que empunhar um poder tão impressionante não podia ser fácil.
Então esta é... a verdadeira força da Espada Sagrada...!?
Ondas de calor irradiavam das Chamas da Purificação. E o mero toque delas desmantelava o círculo mágico de Zagan. Mesmo quando ele tentava tecer uma nova feitiçaria, elas eram destruídas assim que ele terminava de construir o circuito. Naquele ponto, qualquer feiticeiro comum já teria sido reduzido a um estado impotente.
"Que diabos... O que há com esse cara?"
O poder destrutivo da Espada Sagrada era uma coisa, mas a sede de sangue de Raphael tinha uma ferocidade como a de uma fera de caça em perseguição. Até Barbatos se sentiu dominado e recuou com medo.
Apesar de tudo isso, no entanto, a voz trêmula de Foll escapou de trás de Zagan.
"Zagan, por que...?" Ela provavelmente questionava por que Zagan se incomodou em provocar Raphael. Afinal, se ele estivesse subestimando-o, teria sido mais fácil ganhar vantagem.
Zagan então respondeu a ela numa voz gentil.
"Eu disse que ensinaria a maneira correta de buscar vingança, certo? Pisar em seu inimigo enquanto eles colocam todo o seu poder em resistir é uma maneira. Isso os humilhará e os arrastará para as profundezas do desespero."
Raphael estava emanando uma sede de sangue quase desumana, mas não havia dúvida na mente de Zagan de que ele era um inimigo que poderia derrotar. Além disso, acabar com um Arcanjo se tornará a prova perfeita.
Na superfície, aqueles que se opunham a Zagan haviam desaparecido, mas ainda havia aqueles à espreita esperando que ele baixasse a guarda. A derrota de um Arcanjo serviria como o impedimento final perfeito.
Depois de ponderar tais pensamentos, Zagan impulsionou-se do chão. O chão de pedra foi despedaçado, e ele fechou a distância até Raphael instantaneamente.
"Hnnngh."
"Lento demais", Raphael disse enquanto balançava sua espada para baixo, mas Zagan ousou segurá-la com a mão direita.
Ele estava desarmado, mas não era um punho. Não, dentro da palma de Zagan, um círculo mágico feito de mana condensada se acendeu. Parecia pequeno, mas na verdade, todas as luzes que apareciam para formar linhas eram circuitos. Na verdade, o número que ele construiu facilmente ultrapassava 2000. E o golpe inicial de Raphael também foi bloqueado por este círculo mágico.
[ Sol: Zagan > Furação 2000.]
Não importa quão fortes fossem aquelas Chamas da Purificação, elas não poderiam queimar 2000 circuitos num instante. Devo chamá-lo de Escala Celestial, então?
Zagan não depositava muita fé no poder de um Arquidemônio. Afinal, ele já tivera sua feitiçaria cortada por uma Espada Sagrada. E foi exatamente por isso que ele desenvolvera uma nova técnica para repelir Espadas Sagradas.
No entanto, apesar de ser complexa por natureza, não era especial de forma alguma. Em vez disso, era simplesmente sólida.
Ela absorvia não apenas a feitiçaria de seu inimigo, mas até a mana ao redor para continuar se aprimorando. Era uma feitiçaria completamente inútil nas mãos de qualquer um além de Zagan. E aquele círculo mágico cujo único mérito era ser sólido... repeliu a Espada Sagrada, um tinido reverberando pelo ar.
O impacto provavelmente foi similar a golpear um monte de rochas com uma espada. Qualquer pessoa comum certamente teria os ossos dos braços despedaçados com isso. Mas mesmo assim, Raphael não largou sua Espada Sagrada.
"Bem, é admirável que você não tenha soltado sua espada depois de sentir tanta dor."
"Ghhh..."

Infelizmente para Zagan, as Chamas da Purificação ainda continuavam a queimar. E mesmo enquanto uma expressão angustiada surgia no rosto de Raphael, ele imediatamente ajustou a pegada na espada e veio investindo.
Era um golpe direto para baixo com a Espada Sagrada erguida sobre a cabeça. No entanto, ofuscado pela chama brilhante, uma imagem residual branca pura foi queimada nos olhos de Zagan. Sua pura habilidade com a espada e o poder de queimar feitiçaria eram incômodos por si só, mas Zagan sabia que ter seu sentido de visão prejudicado seria fatal. E assim, Zagan rapidamente recuou a perna de trás e girou o corpo. A ponta da lâmina branca praticamente roçou seu nariz enquanto atingia o chão. E com um estrondo, a terra tremeu.
"Uou—" Foll soltou um pequeno grito.
As Chamas da Purificação percorreram o chão. Parecia que o golpe de Raphael havia aberto uma fissura profunda no chão de pedra. E com o tamanho do corpo de Foll, era grande o suficiente para engoli-la completamente. Essa droga de força bruta irracional dele...
Aprimorado por sua Armadura Sagrada e Espada Sagrada, a força física de Raphael alcançava a de Zagan, mesmo ele sendo um feiticeiro especializado em combate.
Era claro que numa simples disputa de habilidade física, nenhum Arquidemônio poderia jamais igualar Raphael, então era compreensível que um feiticeiro comum só fosse massacrado. E mesmo testemunhando aquele poder em ação bem diante de seus olhos, a expressão de Zagan permanecia composta.
"Seria problemático se você causasse muitos danos a este lugar", Zagan disse, então avançou bruscamente para golpear sua Escala Celestial no rosto de Raphael por baixo. Infelizmente, Raphael rapidamente recuou sua Espada Sagrada e segurou a palma com ela. E uma vez que as duas forças colidiram, uma onda de choque surda percorreu-o com um baque.
"Que tolice, um golpe com tal alcance longo não vai—" O rosto zombeteiro de Raphael contorceu-se e ele interrompeu suas palavras. Isso só fazia sentido, já que seu corpo grande foi arremessado apesar de sua defesa impecável. De alguma forma, a Escala Celestial de Zagan explodiu Raphael junto com sua Espada Sagrada para longe.
"Ops, é bem difícil controlar a força, hein...?"
A Espada Sagrada era categorizada como uma grande espada, e tinha uma lâmina larga. Em troca do grande alcance de ataque do qual se orgulhava, não podia ser manobrada bem, então quando alguém se aproximava, seu potencial destrutivo era reduzido pela metade.
Na verdade, Zagan só conseguiu parar o ataque inicial porque combinou o poder de sua Escala Celestial com seu posicionamento ideal. E ainda assim, seu golpe havia arremessado Raphael de volta ao seu alcance ideal.
Abaixando as costas, Zagan avançou como se estivesse cavando a 'Escala Celestial' no chão. E uma vez que fechou a distância com seu inimigo, empurrou a palma da mão para cima em sua direção.
Desta vez, no entanto, Raphael estava preparado, e balançou sua Espada Sagrada com ambas as mãos.
A Escala Celestial de Zagan e a Espada Sagrada de Raphael colidiram, fazendo faíscas voarem com um tinido. E depois de um momento, a Escala Celestial se despedaçou e as Chamas da Purificação se dispersaram.
Parecia que a Escala Celestial e as Chamas da Purificação estavam exatamente empatadas.
"Impossível."
"Entendo. Três golpes é o limite, hein?" Zagan murmurou, parecendo completamente indiferente.
Ele trocou três golpes frontais com uma Espada Sagrada. Era um poder magnífico, mas ainda não era suficiente. Se houvesse dois, ou até três oponentes, então se provaria inútil.
Foi excelente para o primeiro experimento de desempenho, mas ainda estava longe de estar completo. E enquanto Zagan verificava calmamente a eficiência de sua feitiçaria, Barbatos gritou com ele.
"Seu idiota! Agora não é hora de ser tão tranquilo, droga!"
A postura de Raphael estava em frangalhos, mas ele ainda não tinha largado sua Espada Sagrada.
E ao ver isso, Zagan soltou um pequeno suspiro.
"Eu disse a você antes, não disse? Tenho o lazer para fazer essas coisas."
Com sua postura quebrada, o abdômen de Raphael estava bem aberto. E também, com as Chamas da Purificação desaparecidas, outra feitiçaria podia agora ser tecida.
Mais rápido do que Raphael pudesse balançar sua Espada Sagrada para baixo, Zagan cravou seu punho esquerdo no lado de Raphael. Já havia vários círculos mágicos enrolados naquele braço, e eles estavam girando. Esta era a mesma feitiçaria que acabou com Barbatos uma vez antes. Mesmo sem usar algo como Escala Celestial, o punho de Zagan podia esmagar uma mera Armadura Sagrada sem dificuldade.
Ele podia sentir a sensação de ossos quebrando com um estalo. A onda de choque do golpe certamente perfurou até suas entranhas.
"GHAAA?" Raphael vomitou sangue enquanto era arremessado, e depois de colidir com o portão do Palácio do Arquidemônio, desabou dentro do salão de entrada.
Estava decidido. Zagan havia alcançado a vitória... embora ainda inclinasse a cabeça curiosamente para o lado.
"Que fraco. Este é realmente o Cavaleiro Angelical que matou quase 500 feiticeiros?"
Mesmo o mais terrível dos Arcanjos foi incapaz de infligir um único ferimento em Zagan. Em outras palavras, provava que a igreja não tinha meios de se opor a um Arquidemônio.
Zagan então lançou um breve olhar para trás, para Foll. A jovem dragão estava fazendo uma expressão confusa, mas antes que percebessem, ela recobrou os sentidos e subitamente começou a bater palmas.
O que é isso? Não é ruim... Ou melhor, de alguma forma é bom, hein?
[Sol: Meu mano está fazendo uma performance parecida com o Dirk Nowitzki em 2011, lendária….]
Zagan acenou de volta para ela às escondidas. E quando ela percebeu isso, os olhos de Foll começaram a brilhar.
Tudo o que ele fizera fora esmagar e moer um incômodo no chão, e ainda assim, o olhar direto e invejoso de Foll parecia quase agradável para ele. Mesmo que até agora, quando a ralé apontava tais olhares para ele, ele nunca sentira nada.
E enquanto o rosto de Zagan relaxava sozinho com isso, Barbatos gemeu, suor escorrendo por sua testa.
"...Seu maldito monstro. Você nem está sem fôlego, porra?"
Bem, essa certamente era a reação normal. Certamente, as habilidades com a espada de Raphael eram afiadas o suficiente para sobrepujar alguém do nível de Barbatos, mas Cavaleiros Angelicais eram diferentes de feiticeiros. Se recebessem um único ferimento fatal, então estava tudo acabado.
Quando Zagan derrubou Barbatos, mesmo depois de golpeá-lo da mesma maneira, ele conseguiu se levantar novamente dado o tempo, mas o mesmo não se aplicava a Raphael. Ou bem, esse deveria ser o caso, pelo menos...
"Eu... entendo. Que poder... aterrorizante." Mesmo enquanto vomitava sangue, Raphael se levantou com sua Espada Sagrada servindo de muleta.
Sério, o que há com esse cara? E por sua vez, Zagan se preparou e reuniu mana em ambas as mãos mais uma vez.
♱
Um pouco antes.
"Eu deveria ir..." Foll provavelmente tinha saído correndo por causa de Chastille. E claro, Chastille sabia que não tinha feito nada de errado, mas dizer a uma criança tão jovem para perdoá-la era irracional. Zagan deveria ter expulsado Chastille.
Naturalmente, ela era grata por ele estar abrigando-a, mas ainda sentia que não adiantava nada se acabasse machucando Foll.
Zagan correu para o quarto de Foll assim que ouviu os gritos de Nephy, e Chastille tentou segui-lo, mas...
Tornei-me hesitante demais... para empunhar minha Espada Sagrada. Foi por isso que ela começou tarde, e quando finalmente chegou ao quarto de Foll, Zagan não estava mais em lugar nenhum.
"Nephy, onde está Zagan...?"
"Mestre Zagan... foi trazer Foll de volta." A garota elfa de cabelos brancos como a neve franziu os lábios firmemente, olhando para a sombra ameaçadora espalhada pelo chão enquanto falava.
A visão fez Chastille recordar o passado. Ela lembrou-se do incidente em que foram sequestradas por um feiticeiro chamado Barbatos. Naquela época, elas foram engolidas por uma sombra ameaçadora similar. E parecia que Zagan alcançara Foll graças a essa mesma feitiçaria.
"Você não... vai?"
"Mestre Zagan ordenou... que eu esperasse aqui." E essa era a única razão pela qual ela não os perseguiu.
"Então eu irei..." Chastille começou a falar, mas seus pés pararam.
Eu irei... e fazer exatamente o quê? Mesmo que o veneno já tivesse deixado seu sistema, Chastille não conseguia colocar força em seus braços e pernas. E mesmo que sua Armadura Sagrada estivesse ao lado de sua cama, não havia tempo para pegá-la e vesti-la. Além disso, ela era um alvo da igreja apesar de ser uma Arcanjo.
Dito isso, viver sob a proteção de Zagan, com quem ela fora hostil no passado, também estava fora de questão.
Mas ainda assim... tenho ao menos um motivo para empunhar a Espada Sagrada? Ela se questionou, então afundou no chão com um baque quando nenhuma resposta veio à mente.
"Você está bem? Se não estiver se sentindo bem de novo, então..." Nephy imediatamente correu e apoiou seu corpo.
"Não, estou... bem..."
"Tem certeza...?"
Honestamente, nada em Chastille parecia bem minimamente. E enquanto Nephy estava sem expressão, as pontas de suas orelhas tremiam como se estivesse preocupada com ela.
Eventualmente, Chastille soltou um pequeno suspiro.
"Esta pode ser a hora errada para dizer isso, mas estou um pouco... com ciúmes de você."
Enquanto Chastille deixava escapar uma reclamação sem querer, Nephy a encarou com admiração. E ver aquela mudança nela apenas por sua expressão chocou Chastille.
Comparado a quando a conheci, ela é muito melhor em expressar seus sentimentos.
Isso certamente também era graças a Zagan.
Mesmo aos olhos de Chastille, que não eram tão familiarizados com eles, aquele casal irradiava uma atmosfera aconchegante que era fácil de imaginar.
Amor e ser amada... Para tal relacionamento ser permitido... Isso me deixa com ciúmes.
Provavelmente havia algo errado com Chastille por pensar tal coisa de um inimigo. Mas mesmo assim, ela queria ser a pessoa que curava a solidão daquele homem.
No entanto, Nephy balançou a cabeça.
"É mesmo? Quanto a mim, estou com ciúmes de você, Chastille."
"...Haha. O que em mim você poderia invejar?" Enquanto Chastille se depreciaba, Nephy apertou firmemente sua saia e continuou.
"Quer dizer, Chastille, você não pode correr para o lado do Mestre Zagan?" Essas eram palavras cheias de emoção forte, o que era incomum para Nephy.
"A única coisa que posso fazer é esperar por ele aqui. Mestre Zagan é extremamente forte, mas ele pode ser forçado a passar por coisas dolorosas. E no final, Foll pode até ir embora sem que eu consiga transmitir meus sentimentos a ela."
A ansiedade daqueles que tinham que esperar por seus entes queridos retornarem do campo de batalha não era conhecida por aqueles que podiam se juntar a eles. E Chastille não estava entre aqueles que tinham que esperar.
Mas o que você acha que posso realizar indo lá...?
Enquanto Chastille permanecia incapaz de dizer qualquer coisa, Nephy continuou falando.
"Não posso nem ir ao lado dele para confortá-lo ou apoiá-lo."
Até eu gostaria de fazer esse tipo de coisa... E ainda assim... Por alguma razão, Chastille balançou a cabeça como se estivesse extremamente frustrada.
[Sol: Como já diria um bilhão de pessoas, “sua hora vai chegar”, sinceramente falando ouvir alguém falar isso é um porre kkkkkkkk.]
"E daí, você está dizendo que eu deveria ir fazer isso? Eu sou sua inimiga, sabia? Não seria melhor você simplesmente ignorar a ordem de Zagan e persegui-lo!?"
Enquanto Chastille erguia a voz, algo macio e branco envolveu gentilmente seu rosto.
"Eu não posso fazer isso." Era Nephy. Chastille estava agora sendo abraçada por Nephy.
"Afinal, meu dever é saudar o Mestre Zagan com um 'bem-vindo ao lar' quando ele retornar", enquanto dizia isso, Nephy acariciou gentilmente a cabeça de Chastille.
"Além disso, devo proteger o castelo enquanto Mestre Zagan está ausente."
Ela provavelmente não quis dizer isso no sentido de lutar. Aquelas palavras significavam que ela criaria um espaço onde seu mestre pudesse relaxar ao retornar.
E tendo sua cabeça acariciada enquanto era abraçada, toda a força deixou o corpo de Chastille. Ela deixara as reclamações que nunca deveria ter falado escaparem de sua boca. Mesmo que tentasse suportar, tendo perdido seu caminho como agora, não podia mais ser ajudada.
"Até eu... não queria apontar minha espada para ele..."
"Eu sei", Nephy disse, acenando silenciosamente enquanto acariciava a cabeça de Chastille.
"Mas sou uma Cavaleira Angelical e tudo..."
"Eu sei", Nephy comentou mais uma vez, então simplesmente acenou sem negar ou afirmar suas ações.
Naquele momento, Chastille achou o peito de Nephy reconfortantemente quente e se agarrou a ela.
"Sou forçada a sofrer tudo isso só porque fui honesta sobre não querer lutar contra Zagan..."
"Eu sei."
Ela tivera sua Espada Sagrada revogada por um tempo, foi encarada por um Arcanjo mais forte que ela, e depois foi envenenada e quase morta. Quando Chastille pensou em tudo isso, lágrimas vieram jorrando gota após gota, manchando a linda camisola de Nephy. E ainda assim, Nephy não pareceu descontente e continuou a acalmar sua mente. A visão fez Chastille não aguentar mais, então ela atacou.
"Eu não queria derrotá-lo. Eu queria lutar ao lado dele!" As palavras de Chastille eram heresia considerando sua posição como Arcanjo. Qualquer pessoa normal a desprezaria por ter pensamentos tão egoístas sobre um feiticeiro. E ainda assim, Nephy acenou como se para elogiá-la.
"Então você realmente entende, afinal."
Enquanto Chastille erguia o rosto para olhar Nephy nos olhos, Nephy simplesmente a encarou de volta com sua expressão habitual.

"Quando conversei com você pela primeira vez, você disse que o Mestre Zagan parecia solitário... Parece que você realmente o entende bem, Chastille." Nephy estava certamente falando sobre quando se encontraram depois que ela foi expulsa por Zagan. E embora falasse como se o encontro fosse nostálgico, suas orelhas também tremiam de frustração.
"Na verdade, fiquei um pouco com inveja. Quer dizer, pensei que era a única... que podia entender o Mestre Zagan."
O primeiro encontro de Chastille e Zagan terminou com ele salvando-a, mas Zagan nunca buscou qualquer compensação dela pelo ato. Pelo contrário, nem estava claro se Zagan se lembrava do incidente.
Ainda assim, o perfil de seu rosto solitário permaneceu gravado na mente de Chastille. Naquela época, quase parecia que quem precisava ser salvo não era ela, mas ele. E Nephy... salvou Zagan.
Como Zagan estava agora, aquela sombra de solidão não estava em lugar nenhum. Diferente de Chastille, que percebeu mas não fez nada, Nephy voltou para salvar Zagan mesmo depois de ser expulsa do castelo.
Enquanto Chastille permanecia atordoada, refletindo sobre tais pensamentos, Nephy afastou sua franja e falou mais uma vez.
"Mas... também me senti igualmente feliz. Quer dizer, por que não ficaria depois de descobrir que havia outra pessoa que entendia o Mestre Zagan."
As palavras encorajadoras de Nephy de alguma forma encantaram Chastille. Você se tornou... forte, hein?
Ela finalmente alcançara o ponto onde podia dizer tais palavras para alguém além de Zagan. E depois de fazer uma pausa por um momento, Nephy deu um tapinha nos ombros de Chastille.
"Você está bem agora?" Nephy perguntou.
"Ah... S-Sim..." Chastille respondeu. E embora estivesse se sentindo melhor, o longo abraço deixara seu rosto vermelho. Criando coragem, ela timidamente fez uma pergunta por sua vez.
"Poderia ser... que você estava tentando me confortar?" Não havia realmente necessidade de confirmar. Ainda assim, ela não estava tão confiante a ponto de se sentir confortável em presumir as coisas.
E em resposta, Nephy inclinou a cabeça para o lado com uma expressão confusa no rosto.
"Sim... Hum, poderia ser que eu não fiz um bom trabalho?"
"Não é isso que quero dizer. Só... por quê? Hum, eu não sou inimiga de todos os feiticeiros?"
Nos últimos dias, elas haviam compartilhado refeições, limpado juntas e dormido sob o mesmo teto, então até Chastille achava estranho trazer isso à tona de repente.
No entanto, no fundo, elas deveriam ser inimigas. E em resposta a isso, Nephy inclinou a cabeça para o lado como se achasse a pergunta boba.
"Quer dizer, não somos amigas?"
Então essa garota... também se sente assim? Foi exatamente naquele momento que Chastille percebeu que não havia como ganhar dela. E ao mesmo tempo, decidiu que queria proteger as coisas que Nephy prezava.
Depois de tudo isso, Chastille enxugou as lágrimas e se levantou.
"Desculpe. Mostrei algo vergonhoso."
"Tudo bem", Nephy respondeu. E enquanto continuava com um 'além disso', seus lábios relaxaram. Ainda era estranho, mas isso era definitivamente um sorriso.
"Livrar-me das fontes de preocupação do Mestre Zagan é outro dos meus deveres."
"Por preocupações, você quer dizer eu?"
"Sim. Ele tem estado bastante preocupado com você desde o incidente com o Senhor Barbatos."
Chastille duvidou de seus ouvidos ao ouvir essas palavras.
"Ele nem lembrava do meu rosto, sabia?"
"Não tem como isso ser verdade. Ou pelo menos, foi o que me pareceu." Se Nephy estava dizendo isso, provavelmente era verdade. E com isso, Chastille se resolveu, cimentando sua decisão em sua mente.
"Obrigada. Eu também... vou agora", Chastille disse, percebendo que não tinha mais nada a perder naquele ponto.
Então, pelo menos esta última vez, gostaria de fazer como bem entender.
Aquele homem pode não ter realmente precisado dela, mas Chastille queria emprestar sua ajuda independentemente. Foi por isso que ela deu um passo à frente na sombra. Ela não usava Armadura Sagrada, mas carregava sua Espada Sagrada na mão.
"Sim. Cuide-se, Chastille."
Chastille desapareceu na sombra enquanto essas palavras ecoavam ao seu redor.
♱
De volta ao Palácio do Arquidemônio, Raphael se levantou, ignorando sua Armadura Sagrada despedaçada e o ferimento fatal.
Surpreso, Zagan observou seu estado sem baixar a guarda.
Não é... feitiçaria, hein? Este é o poder que ele obteve ao abater um dragão?
Se fosse feitiçaria, então Zagan poderia 'comê-la', mas honestamente, era difícil imaginar um Cavaleiro Angelical manchando as mãos com ela.
Um Arcanjo que conseguia se levantar novamente depois de sofrer um ferimento fatal verdadeiramente era uma existência assustadora para os feiticeiros. Até um candidato a Arquidemônio teria dificuldade em derrotá-lo. No entanto, um sorriso satisfeito surgiu no rosto de Zagan.
"Que bom, certo, Foll? Parece que ele não vai cair tão fácil. Pense um pouco em como puni-lo."
"Er, hum..." Foll engoliu em seco como se recuasse com suas palavras, mas ela imediatamente acenou, seus olhos cheios de uma ira aguçada.
Raphael observou silenciosamente Foll enquanto ela fazia isso. Provavelmente era só imaginação de Zagan, mas seus olhos pareciam coloridos por compaixão e pesar enquanto a encarava. Depois de observá-los por um tempo, ele fez uma pergunta numa voz severa que também parecia um suspiro.
"Parece que sou bastante odiado entre vocês."
"Você levantou a mão contra minha filha, então claro que estou irritado. Além disso, você mesmo matou quase 500 feiticeiros, certo? Dizer que não gosta de ser odiado é como dizer que eles não são melhores que insetos."
"Bem, qual é a sua maldita razão?" Raphael disse, então desviou o foco para Foll.
E rangendo os dentes, Foll o encarou de volta e cuspiu algumas palavras venenosas.
"O Sábio Dragão, Orobas... Esse é o nome do dragão que você assassinou."
Essa foi a primeira vez que Zagan ouviu Foll dizer aquele nome.
É um nome gravado na história quando se trata de feitiçaria e folclore, um dragão lendário. Usando feiticeiros como exemplo, ele estava no mesmo nível de Marchosias.
Zagan nunca sonhou que Foll seria filha daquele dragão. No entanto, ele tinha algumas reservas sobre a ideia. Um dragão lendário é algo que pode ser abatido por alguém tão fraco?
Para ser justo, o poder de Raphael se aproximava dos limites máximos do potencial humano. Infelizmente para ele, no entanto, sua força empalidecia em comparação com a de Zagan. Em circunstâncias normais, seria necessário um exército de mil feiticeiros comuns ou humanos para abatê-lo.
Ainda assim, Raphael conseguiu se levantar novamente depois de receber o impacto total do golpe de Zagan, o que provavelmente se devia ao poder que ganhou ao abater Orobas. Mas nesse caso, como ele conseguira derrotar o dragão em primeiro lugar? O poder que mostrou a Zagan claramente não era suficiente...
Ao ouvir o nome de Orobas, os olhos de Raphael se arregalaram.
"...Entendo. A filha de Orobas, hein?" Por qualquer razão, sua voz soou cansada enquanto dizia isso. E tirando sua Espada Sagrada do chão, ele concentrou sua força em suas mãos.
"Então não tem como eu não matá-la aqui!" Raphael exclamou, brandindo sua Espada Sagrada e investindo contra Foll enquanto fazia isso.
"Você acha que vou permitir isso?" Zagan declarou friamente, atirando seu punho no rosto de Raphael.
Qualquer feiticeiro comum teria sua cabeça destruída por aquele golpe, mas o grande Cavaleiro Angelical meramente se curvou para trás e voou pelo ar. Ainda assim, havia feedback definitivo naquele golpe. Zagan também podia dizer que os ossos de sua mandíbula estavam despedaçados. E porque a mandíbula tem muitos nervos que se conectam aos dentes, um golpe naquele local sacudia o cérebro grandemente.
Fosse um feiticeiro, um Cavaleiro Angelical ou um dragão, não havia quem pudesse se levantar depois disso. Não sei o que você está pensando, mas vou torná-lo impotente por enquanto.
Raphael colidiu com o chão de cabeça, perdendo a consciência imediatamente... Ou pelo menos, era o que deveria acontecer.
"Hnnngh!" De alguma forma, com uma agilidade que não condizia com um homem de estrutura tão grande, Raphael se contorceu e caiu em ambos os pés. Parecia que sua tenacidade superava qualquer senso de dor.
"O quê?"
E então, assim como ele fez, passou pelo lado de Zagan e correu para além dele. Já que estava convencido de que havia desferido um golpe fatal, Zagan foi incapaz de reagir imediatamente, o que deixou apenas uma Foll indefesa em seu caminho.
"Não me... subestime!" Foll gritou, carregando feitiçaria poderosa em sua mão.
"Pare com isso, Foll!" Zagan chamou-a em contenção, mas Foll manteve sua posição e disparou feitiçaria em direção a Raphael em vez disso.
Não vou chegar a tempo! E justo quando pensou isso... um tinido agudo soou, e lâmina colidiu com lâmina.
Duas Espadas Sagradas brancas colidiram, uma onda de choque semelhante a um tinido pálido ecoando nos arredores. Como uma ondulação na água, o anel de luz que a acompanhava percorreu todo o vazio subterrâneo, bem como o interior do Palácio do Arquidemônio, e desapareceu.
Sim, outra Espada Sagrada interceptou seu golpe.
"...Você não vai parar com isso, Senhor Raphael?" E aquela que segurou aquela espada, aparecendo do nada, era Chastille.
"Ah, droga. Esqueci de fechar a sombra", Barbatos murmurou num tom inexpressivo.
Parecia que enquanto Zagan lutava, Chastille havia atravessado a sombra e os perseguido até ali. Por sorte, ela chegara bem na hora. Embora houvesse lágrimas nos cantos de seus olhos e a ponta de seu nariz estivesse vermelha por alguma razão estranha.
Infelizmente, como seria de esperar, ela não teve tempo de vestir sua Armadura Sagrada. Mas ainda assim, ela pelo menos segurava sua Espada Sagrada na mão enquanto aparecia em sua camisa ultramarina e saia.
Chastille conseguira parar o golpe de um Arcanjo sem a proteção divina da Armadura Sagrada. Uma façanha admirável, considerando tudo, mas havia algo que o surpreendia mais do que isso ou sua chegada repentina.
Esta garota... parou tanto a Espada Sagrada de Raphael quanto a feitiçaria de Foll ao mesmo tempo.
Foll havia disparado feitiçaria para interceptar Raphael, mas ela desaparecera antes de perfurar seu alvo. E não foi como se isso tivesse acontecido por acidente, também. Não, sua feitiçaria havia sido desmantelada. A partir disso, ficou claro que Chastille estava muito mais focada do que quando lutou contra Zagan.
"O que... você está planejando?" Foll rosnou enquanto encarava Chastille.
E ainda assim, Chastille respondeu numa voz submissa enquanto repelira a Espada Sagrada de Raphael.
"Você tem pregado peças em mim sem parar, mas admito que sou a culpada por perturbar sua vida pacífica. Então me diga, não podemos tentar conversar sobre isso?" As palavras de Chastille eram claras e compostas, como se sua melancolia no castelo fosse mera fachada.
Parece que ela reuniu sua determinação…
Zagan não sentia nem um traço de hesitação ou medo nela. E, para aliviar a tensão no ar, Zagan aproximou-se do lado de Foll e deu um tapinha em sua cabeça.
"Bem, vocês duas definitivamente deviam tentar conversar... mas esperem um pouco por agora."
"Por quê?" Chastille fez essa pergunta confusa, mas Zagan voltou sua atenção para Raphael em vez disso.
"Eu realmente gostaria de interrogar esse cara agora, mas ele provavelmente não pode falar com sua mandíbula do jeito que está, hein?"
O golpe de Zagan havia despedaçado completamente a mandíbula de Raphael. E embora ele já estivesse começando a se regenerar, ainda não estava num estado onde falar fosse possível. Realmente, era admirável que ele pudesse segurar sua espada e correr assim com tanta energia apesar de todo o dano que sofrera.
Naquele exato momento, Raphael caiu de joelhos. Parecia que finalmente se exaurira. Similarmente, Chastille afundou no chão, claramente sem fôlego. Provavelmente exigira tudo o que tinha para segurar seu golpe.
Esse maldito Raphael... Por que sua sede de sangue desapareceu bem quando ele investiu contra Foll?
O momento era suspeito. Além disso, assim como ele pensou, o golpe que Zagan lhe desferiu era realmente fatal. Isso significava que mesmo que Chastille não tivesse forçado passagem, ele não possuía força suficiente para matar Foll.
Ela podia parecer uma criança, mas Foll era uma candidata a Arquidemônio, uma das feiticeiras mais fortes do mundo. Foi por isso que Zagan disse para ela parar, já que não queria Raphael morto ainda.
Zagan pairou sobre Raphael ameaçadoramente, então falou.
"Sou um vilão. Um feiticeiro não pensará duas vezes antes de torturar um Cavaleiro Angelical. No entanto, me sentiria mal batendo num oponente sem real vontade de lutar. Vamos lá, diga-me exatamente o que está tentando fazer aqui."
Não havia absolutamente nenhuma chance de ele sentir qualquer compaixão ou misericórdia por este homem, e Zagan não tinha intenção de se tornar amigo de Raphael, também. Era só que toda a situação não lhe parecia certa. Incomodava-o que Raphael estivesse lutando com desejo de morte.
"Matar alguém que parece estar pedindo por isso não é meu estilo. Francamente, acho a ideia repugnante."
Aquelas palavras fizeram os olhos de Foll se arregalarem em choque.
"O que... você quer dizer?"
"Não tenho muita certeza. É por isso que estou tentando conversar com ele", Zagan respondeu, embora não fosse como se não tivesse um palpite.
Quando ele ouviu o nome Orobas, sua sede de sangue desapareceu. Era o nome do dragão que Raphael supostamente matou. Se ele perdeu o espírito de luta ao saber que Foll era filha daquele dragão, então uma razão óbvia para suas ações vinha à mente.
'Expiação'. Zagan não achava que um Cavaleiro Angelical jamais se sentiria em dívida com um dragão ou um feiticeiro. E ainda assim, essa explicação simples fazia todas as peças se encaixarem.
E enquanto Zagan olhava para Raphael, Chastille puxou a bainha de sua roupa.
"C-Calma, Zagan."
"...As coisas só vão ficar mais complicadas se você se envolver. Apenas fique quieta por um momento."
"Não, ouça", Chastille repreendeu Zagan, então voltou seu olhar para Raphael e continuou, "Acho difícil de acreditar, mas estou certa, não estou?"
"De que você está falando?" Zagan perguntou, claramente exasperado, enquanto Chastille retomava seu questionamento num tom claro.
"Você é... o homem encapuzado que me visitou na igreja... Orobas, correto?"
"O quê...?" Zagan e Foll exclamaram.
Seu choque não foi surpresa, já que Orobas era o nome do pai de Foll... Era o nome do dragão que Raphael havia matado, então ouvir isso fez tanto Zagan quanto Foll duvidarem de seus ouvidos. O único entre eles que não conseguia acompanhar a conversa era Barbatos, e ele parecia completamente pasmo.
"Ei, o que você quer dizer com isso?"
Bem quando Zagan disse isso e se aproximou de Chastille... 'algo' se quebrou com um estalo.
♱
Corrigindo a pegada em sua Espada Sagrada, Chastille deixou escapar uma voz trêmula.
"Zagan..."
"Eu sei."
O som veio do Palácio do Arquidemônio. E de trás do portão destruído, eles podiam sentir algo começando a se mover.
Há algo... aqui...?
Era 'algo' que não estava lá no outro dia quando Zagan e os outros investigaram o lugar.
Naquele exato momento, uma atmosfera estranha preencheu a sala. Era um vento estranho que parecia enrolar-se e rastejar pela pele de alguém, dificultando a respiração. Mesmo que não houvesse odor, o estômago de Zagan sentia como se estivesse contraindo, o que o deixava nauseado.
Uma aura prejudicial... parecia uma descrição adequada para isso.
O vento amaldiçoado arrancava a carne como se fosse natural, mas o mais notável era sua capacidade de roer a alma.
"Ugh... Guh..." Chastille apertou o peito com dor. Além de seu envenenamento recente, ela estava agora sem sua Armadura Sagrada, o que a deixava a mais indefesa de todos os presentes. E então, já que não havia outras opções, Zagan ficou na frente de Chastille para protegê-la.
Barbatos então deixou escapar uma voz agitada.
"H-Ei... O que aconteceu?"
"Diabos se eu sei", Zagan respondeu. Eventualmente, aquela 'coisa' mostrou sua figura do outro lado do portão do Palácio do Arquidemônio. E isso... se assemelhava a um humano.
De cima, tinha um crânio, dois braços e duas pernas. No entanto, absolutamente não era humano. Sua pele era feita de algo duro como pedra, e pulsava de maneira estranha a cada respiração. Tendões pretos como fissuras percorriam seu corpo, e Zagan de alguma forma podia dizer que essas eram suas veias.
Apesar de tudo isso, o que diferia acima de tudo... era seu rosto. Sua boca, que estava cheia de pequenas presas compactadas, ficava em sua testa, e seus olhos injetados e brilhantes estavam no centro de seu rosto e ao redor da orelha esquerda. Não tinha nariz, mas em seu lugar havia cilindros semelhantes a cracas saindo aqui e ali que sugavam e exalavam ar. Não, não ar... mana.
Zagan podia dizer só de olhar para a reação de Chastille enquanto ela segurava o peito. Seja humano, criatura ou natureza, cobiçava a mana de todos que a possuíam, devorando-a incessantemente.
No entanto, Zagan conhecia este ar. Na verdade, ele até se lembrava da própria figura diante deles.
"Isso é... um demônio?" Zagan murmurou, então imediatamente percebeu que estava errado.
Não sinto tanto medo disso quanto do demônio daquela vez.
Ele estava, claro, relembrando o incidente em que Barbatos invocou um demônio. O monstro diante de seus olhos claramente se assemelhava a ele, mas o demônio que encontrara antes era uma criatura mais heterogênea.
Antes que percebessem, Foll falou como se estivesse gemendo.
"Errado. Isto é... o guardião... do Palácio do Arquidemônio."
Era uma escultura modelada a partir de um demônio selado por algum tipo de círculo mágico.
"...Entendo. Então é o resultado da colisão entre as Espadas Sagradas agora há pouco, hein?"
Ou o selo foi quebrado, ou talvez tenha sido ativado por coincidência.
Não, provavelmente foi o selo.
Marchosias não era tão senil para que isso fosse mera coincidência.
"Então é um tipo de golem...?" Mesmo que imitasse um demônio, sua origem era completamente diferente. No mínimo, não era uma existência absoluta que Zagan temia não conseguir derrotar.
Dito isso, era o legado de Marchosias. Isso certamente significava que não era uma marionete mal feita como sua aparência sugeria.
Para Zagan, isso era uma existência extremamente desconhecida.
"Im...possível..."
Quem deixou escapar uma voz rouca... foi Raphael. Parecia que ele se recuperara o suficiente para pelo menos falar.
Eu gostaria de ouvir a história desse cara agora...
Infelizmente, não parecia provável que o monstro diante de seus olhos apenas ouvisse o que Zagan tinha a dizer. Nada podia ser feito sobre ter que eliminá-lo primeiro.
"Agora então, o que fazer aqui?"
E justo quando Zagan murmurou para si mesmo... O olho ao lado do monstro mexeu-se e o encarou.
Sede de sangue!
Sentindo isso, a consciência de Zagan foi atraída para o Sigilo do Arquidemônio em sua mão. Se este monstro era uma existência que se conformava às regras de um demônio, então assim como antes, pode ter sido possível enviá-lo com um aceno de mão. E assim, Zagan estendeu a mão direita e gritou.
"Por este Sigilo do Arquidemônio, Zagan ordena. Oh, ser grotesco, retorne ao seu sono."
Atendendo seu chamado, o Sigilo do Arquidemônio disparou uma luz estranha.
O demônio que Zagan encontrara antes dobrou um joelho e desapareceu ao ser comandado dessa maneira. Então, falar com o que estava à sua frente da mesma forma resultou em...
"Droga, não adiantou. Está vindo!" Zagan estalou a língua agudamente.
A boca na testa do monstro se abriu, e uma mana destrutiva começou a convergir ali.
Um ataque estava vindo. E enquanto Zagan sentia isso, preocupou-se com quem estava atrás dele, e a primeira coisa que chamou sua atenção foi Chastille que estava... ainda parada no lugar.
Esta garota... Ela deve saber que não tem chance sem sua Armadura Sagrada... Ela não teme a morte? Zagan reflexivamente agarrou a nuca de Chastille e saltou enquanto pensava nisso. E foi por isso que ele negligenciou a simples verdade... Ele perdeu completamente o fato de que Chastille estava protegendo a jovem garota bem atrás dela.
"Sai do caminho, Foll!"
"Eh..." Foll ficou paralisada como se completamente confusa. E a luz da boca do monstro disparou diretamente em sua direção.
A luz perfurou onde Zagan estava e derrubou a figura de Foll. E bem antes disso, Zagan pensou ter visto algo pairando sobre Foll.
Enquanto a torrente de luz se acalmava, o chão fundiu-se numa superfície vítrea. E dentro daquela terra horrivelmente queimada, uma seção de superfície de pedra permaneceu segura. Mais curiosamente, as sombras de duas pessoas também permaneceram dentro dela.
"U-Ugh..."
Quem deixou escapar um pequeno gemido era Foll, e quem estava pairando sobre ela... era Raphael.
Tudo do ombro esquerdo de Raphael para baixo estava faltando. A visão fez Zagan ferver. Era aquela raiva porque ele foi incapaz de proteger Foll? Ou talvez fosse porque seu inimigo, de todas as pessoas, fora quem a salvara?
De qualquer forma, era razão suficiente para Zagan balançar o punho enquanto o monstro abria a boca mais uma vez.
"...Seu boneco inútil. Não se empolgue, ouviu?" Quando ele cuspiu isso, Zagan já saltara bem acima do monstro.
"Vou te moer até virar pó... Escala Celestial!"
Num piscar de olhos, 2000 circuitos se combinaram na palma de Zagan, e ele girou seu escudo firme de maneira violenta.
Esmagando aquele círculo mágico em sua mão, Zagan então balançou seu punho diretamente para baixo, e a Escala Celestial pulverizou o crânio do monstro, junto com sua boca de coleta de mana.
Mesmo em circunstâncias normais, a força bruta de Zagan podia despedaçar rocha, e agora ele adicionava a força da Escala Celestial ao seu punho. Como tal, a destruição não parou em sua cabeça. Continuou ao longo do torso e partiu o monstro bem ao meio. Os pedaços que se separaram para a esquerda e direita eram agora nada além de pedra, que lentamente afundaram de joelhos e caíram.
Logo após verificar seu destino, Zagan correu para Foll e Raphael, que haviam sofrido o impacto da luz.
"Ei, vocês dois estão vivos?" Enquanto Zagan chamava por eles, Foll abriu os olhos vagamente.
"Estou... bem..."
Zagan não entendia o que ele estava planejando, mas Raphael usara seu corpo e Espada Sagrada como escudo para proteger Foll. A pequena garota não tinha um único ferimento.
No entanto, isso não se aplicava a Raphael. E olhando para sua figura, que tinha o braço arrancado junto com todo o ombro, fez Foll deixar escapar uma expressão perturbada.
"Seu bastardo, o que você está planejando?"
Com sua consciência ainda aparentemente intacta, Raphael abriu os olhos e falou.
"...Eu só fiz meu maldito trabalho. Não tem nada a ver com você."
Seus ferimentos eram profundos demais e provavelmente paralisaram seu senso de dor. A angústia na voz de Raphael era fraca.
No entanto, está perto demais do coração.
Zagan não entendia a teoria por trás da habilidade de cura de Raphael, mas o ferimento que explodiu seu ombro esquerdo alcançou até seu coração. A hemorragia já era certamente uma quantidade letal. Mesmo com o poder de um dragão, Zagan não achava que ele pudesse ser salvo. Ou assim pensou...
"Guh... Hngh...!" Raphael grunhiu, então levantou-se novamente.
Ele havia sofrido um ferimento fatal, descarregado uma grande quantidade de sangue gotejante que tingiu sua Armadura Sagrada prateada de vermelho, e até tinha uma tez mortal no rosto, mas ainda assim se manteve ereto.
Por que ele tinha que se levantar?
Mesmo enquanto vomitava sangue, Raphael abriu a boca para falar sem perder a compostura.
"Você disse... que sou o inimigo maldito de Orobas, não disse?"
"...Is-Isso mesmo." Foll estava aterrorizada pela tenacidade do homem terrível, mas ainda conseguiu acenar enquanto cuspia aquelas palavras. E em resposta, Raphael olhou diretamente para a jovem garota e disse a verdade.
"Isso é um engano. Aquele grande dragão... não era nem de longe fraco o suficiente para cair nas mãos de alguém como eu."
Zagan também tinha dúvidas sobre esse assunto. A Espada Sagrada é certamente um incômodo, mas é realmente algo que pode derrotar um dragão lendário? Para ser honesto, ele nem tinha certeza se todos os treze Arquidemônios juntos eram poderosos o suficiente para fazer isso.
Raphael certamente possuía poder muito além do normal mesmo para Cavaleiros Angelicais, mas se foi dominado por Zagan, então ele não poderia ter matado Orobas. E, como se incapaz de aceitar essa realidade, Foll uivou para ele.
"Isso é mentira! Eu vi. Eu vi você devorando avidamente os restos do pai! Você é o bastardo que abateu o Pai com um ataque furtivo."
"Então deixe-me perguntar... o Orobas que você conhece era... um dragão tão fraco que provaria a derrota nas mãos de alguns humanos?"
"...Neste último momento, você ainda despreza o Pai!"
"Estou dizendo que o bastardo que está zombando de Orobas... é você..." Raphael disse, suas palavras perturbando Foll. No entanto, ele continuou, "Eu não dou a mínima para o que você pensa de mim. No entanto, direi isso em honra de Orobas. Aquele grande dragão... de forma alguma ficou para trás dos seres baixos como nós, humanos."
"O que... você?"
Diante disso, Raphael soltou uma respiração calma.
"Naquele dia, para abater um certo inimigo, implorei pela assistência do Sábio Dragão Orobas. E ele ouviu atentamente meu desejo."
"Inimigo...?"
O que exatamente era este inimigo que os Cavaleiros Angelicais estavam tão desesperados para abater? Um Arquidemônio...? Não tem como, hein? Zagan engoliu em seco e esperou pelas próximas palavras de Raphael com a respiração suspensa.
E antes que passasse muito tempo, Raphael lentamente virou a cabeça. Seus olhos, no entanto, não estavam olhando para Foll, nem estavam apontados para Zagan e Chastille. Em vez disso, estavam apontados mais adiante para a pedra que Zagan havia esmagado.
"Um demônio... No folclore, é uma existência referida por esse nome."
Foll arregalou os olhos com suas palavras.
"Não diga tal absurdo. Nunca ouvi falar de tais coisas existindo."
"Então, o que é aquilo? Não é um monstro que difere das coisas que conhecemos?"
"Ugh... Isso é..." Foll foi incapaz de responder.
"Entendo que você possa não querer aceitar. Afinal, eu também já acreditei que tais coisas haviam deixado este mundo. No entanto, na realidade, um demônio apareceu no mundo presente, causando a morte de muitos Cavaleiros Angelicais e do grande dragão", Raphael disse, praticamente cuspindo sangue no processo, e então proferiu, "E num futuro não muito distante, eles retornarão."
Ouvindo essas palavras inacreditáveis, Foll olhou para Zagan como para se agarrar a ele. E Zagan retornou um aceno direto.
"É verdade. Não sei sobre eles retornarem a este mundo ou o que quer que seja, mas demônios realmente existem, mesmo agora. É por isso que estou investigando o folclore para tentar descobrir um meio de matá-los."
Não era como se Zagan sentisse a situação tensa sobre a qual Raphael estava falando, mas quando chegasse a hora em que fosse forçado a lutar contra tais coisas, ele precisava de um meio de enfrentá-las.
Talvez o fato de Barbatos ter conseguido até invocar um demônio seja um presságio... Barbatos era certamente um feiticeiro que possuía poder incomum, mas o ritual naquela época ativou sem sequer precisar de um sacrifício bem quando o poder de Zagan o atingiu, então estava incompleto.
Um demônio não deveria ser fraco o suficiente para ser invocado por feitiçaria tão medíocre.
Até Foll provavelmente sabia que as palavras de Zagan eram verdade. Eles estavam reunindo apenas livros relacionados a demônios nos arquivos do castelo, afinal. No entanto, ela ainda olhou para Raphael como se ainda não pudesse acreditar.
"Então, está dizendo que o pai desafiou um demônio e foi derrotado?"
Em resposta a essa pergunta, Raphael simplesmente balançou a cabeça.
"Ele não foi derrotado. Ele apenas trocou sua vida pela do inimigo."
Isso era simplesmente reformular o que ela disse. O que diferia, no entanto, era que o dragão lutou orgulhosamente na mente de Raphael, então esses fatos foram passados adiante em sua explicação.
Isso certamente afetou Foll grandemente, pois ela mordeu firmemente os lábios e murmurou algo.
"...Então, quem... devo odiar?"
"Você não deve odiar, mas sim se orgulhar."
Foll franziu as sobrancelhas.
"Orgulhar... você diz?"
"Isso mesmo. Orgulhe-se. Orobas arriscou sua vida para proteger você e o maldito mundo em que vive. Se você não se gabar disso, então quem diabos o fará?" Raphael exclamou, então ajoelhou-se diante de Foll enquanto continuava, "Se me matar fará você recuperar sua fé em Orobas, então faça como desejar. Darei esta maldita cabeça a você."
Tendo sofrido ferimentos fatais, Raphael olhou para seu próprio corpo que continuava a se regenerar.
"Os demônios são poderosos. Se eles forem ressuscitados neste mundo onde a igreja e os feiticeiros brigam, não temos como prevalecer. Devemos nos preparar. Foi por isso que desprezivelmente sorvi o sangue de Orobas e caminhei por aquela terra de morte certa."
Essa era certamente a cena que Foll testemunhou. E depois de dizer tudo isso, Raphael desviou o foco para Chastille.
"No entanto, meu papel já chegou ao fim. As sementes na igreja já estão brotando. Se meu último dever é ser um presente de despedida para Orobas, então não posso pedir nada mais."
Finalmente vendo aonde sua história estava indo, Zagan abriu a boca para falar.
"Então, o enviado da Facção da Unificação ou o que quer que seja que Chastille mencionou realmente era você?"
Raphael acenou silenciosamente.
"De fato. Enquanto mantinha o status de um Arquidemônio e um Arcanjo, vocês, desgraçados, formaram uma conexão, o que é extremamente próximo do que venho tentando fazer... É por isso que..."
"Cara, que diabos, nada disso faz sentido!"
Quem falou uma objeção naquele ponto foi Barbatos.
"Vamos ser realistas, você matou centenas de feiticeiros mas quer paz? Quem diabos você acha que está convencendo aqui?"
Francamente, Zagan era da mesma opinião. E surpreendentemente, Raphael acenou como se dissesse que ele mesmo entendia isso.
"Eu sei muito bem disso. Não posso me tornar a bandeira da unificação. É por isso que precisei da Donzela da Espada Sagrada."
Chastille ergueu a voz agitada enquanto um papel tão preposterosamente importante era jogado sobre ela.
"E-Espere um minuto. Não é como se eu tivesse aceitado fazer tal..."
Todos os presentes foram incapazes de ouvir o resto do que ela tinha a dizer, já que com um baque, o monte de pedra que deveria ter desmoronado começou a se mover.
Quando Zagan olhou para ele, notou que o monstro que fora partido ao meio estava de pé novamente.
♱
"Haaah... Parece que há caras imortais espalhados por toda parte, hein?"
Logo após o Arcanjo que teve todo o ombro arrancado veio o monstro do legado do Arquidemônio anterior. Comparados a esses caras, Zagan era certamente o que tinha mais fraquezas humanas.
"Eu cuido disso novamente. Apenas me dê um tempo."
"Consegue acabar com ele? Essa coisa?"
Em resposta a Raphael, Zagan deu de ombros.
"Golems estão fora da minha área de especialização, mas se é algo feito por feitiçaria, posso quebrá-lo."
"Isso... não é um golem."
Zagan franziu as sobrancelhas ao ouvir a convicção absoluta nessas palavras.
"O que quer dizer?"
"Aquilo... é o que vocês, desgraçados, chamariam de quimera. Além do golem dado à luz pela feitiçaria, também é..."
E com isso, Zagan sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
"...Não, não pode ser."
"Exatamente. Isso é algo que Marchosias fez, uma quimera de um demônio."
Zagan foi incapaz de negar essa afirmação. Afinal, quando viu este monstro pela primeira vez, a coisa que veio à mente foi um demônio.
Esse maldito Marchosias, que incômodo! Raphael então focou no monstro com um olhar irritado.
"Não há dúvida. Isso é o que restou do demônio que Orobas e eu derrotamos. Marchosias provavelmente o recuperou e criou aquela quimera."
Restos eram, em última análise, apenas restos. Provavelmente não chegava nem perto de seu poder original, mas mesmo assim, ainda era um demônio. Só fazia sentido que apenas golpeá-lo não o exterminaria.
No entanto, um sorriso surgiu no rosto de Zagan. Perfeito. Devo tentar testar outra habilidade?
O monstro de pedra, a quimera de um demônio, quase terminara de se regenerar. E em resposta, Zagan teceu a 'Escala Celestial' em sua mão e avançou.
"Chastille, você deveria ir também."
"Eu ainda... não disse nada sobre concordar com o que você disse, sabia?"
"No entanto, você já deve saber o que pretende fazer."
Zagan não conseguia dizer sobre o que estavam falando, mas Chastille retornou um aceno direto e empunhou sua espada.
"Não preciso que você me diga isso. Empunharei minha Espada Sagrada como achar melhor."
E então, Chastille cantarolou silenciosamente.
"Não vacilarei mais. Então me empreste seu poder—Espada Sagrada Azrael!"
As Chamas da Purificação... eram uma luz desta vez.
Uma luz pálida, que não lembrava em nada as chamas furiosas de Raphael, enrolou-se sobre a lâmina. No entanto, não parecia nada transitória.
Zagan podia dizer que ela estava tomando o mesmo poder que Raphael desencadeava como chama e concentrando-o apenas ao longo do comprimento da lâmina. Tinha uma nitidez que poderia até cortar a Escala Celestial.
Esta garota... Quando se trata de empunhar o poder de uma Espada Sagrada, ela não é ainda melhor que Raphael? E enquanto Zagan a encarava admirado, Chastille ficou ao seu lado.
"Não vou pedir que acredite numa Cavaleira Angelical como eu, mas quero que nós... lutemos juntos."
Zagan simplesmente deu de ombros em resposta.
"Duvido que você seja do tipo que tenta algum esquema sorrateiro."
Depois de observar sua aparência patética nos últimos dias, ele podia dizer que mesmo que não quisesse.
"Você está... me elogiando? Ou menosprezando?"
"Quem sabe."
Chastille inflou as bochechas de mau humor com essa resposta, então virou a cabeça para o lado num acesso de raiva e falou.
"Então, você tem algum tipo de plano?"
"Tem uma coisa que gostaria de testar, mas preciso de um golpe direto. Tenho que chegar bem perto da cara dele, sabe?"
"Entendi. Então, assumirei o papel de batedora."
Naquele momento, o monstro de pedra finalmente terminou de se regenerar, e seu olho ameaçador e saltitante voltou-se para eles.
"Está vindo."
"Eu sei."
E enquanto a boca hedionda em sua testa se abria, a luz da mana mais uma vez começou a se reunir. Era claramente o mesmo sopro de luz que derrubou Raphael.
Zagan concentrou sua atenção nas pessoas atrás dele.
Se eu desviar, então os dois serão atingidos.
Barbatos estava fora do alcance da luz, mas havia dois outros que não estavam.
Pode ter sido possível para Foll ainda escapar, mas Raphael não conseguia mexer um músculo. Além disso, ele não gostava da ideia do ataque ser apontado para sua filha duas vezes.
E, enquanto Zagan se colocava em guarda, seu campo de visão ficou obstruído pelas costas de Chastille.
"Idiota, você nem está com sua Armadura Sagrada... Você vai morrer!"
"Vou segurar a atenção dele, então não se preocupe!" Chastille avançou enquanto gritava essas palavras.
O sopro do monstro disparou. E aquela luz aniquilou impiedosamente o corpo de Chastille... Ou bem, deveria ter aniquilado.
“HAAA!” Chastille balançou sua Espada Sagrada junto com aquele grito vigoroso. E o sopro de luz foi partido ao meio por sua lâmina.
Então, a luz que se dividiu para a esquerda e direita errou Zagan, Foll e Raphael e desapareceu.
"Vamos... Vá, Zagan!" Chastille manteve seu ritmo e correu em direção ao monstro enquanto jogava essas palavras para ele.
Bem, você não está cheia de surpresas? Aquele golpe agora deixou até Zagan atônito. O que fazia sentido, já que ele não conseguia nem ver o momento em que ela balançou a espada.
Dito isso, a diferença em habilidade física entre Zagan e Chastille sem sua Armadura Sagrada era grande demais. Zagan simplesmente ultrapassou Chastille num único fôlego e entrou no alcance do monstro de pedra num flash. No entanto, o monstro de pedra balançou seu braço para interceptá-lo.
"É rápido!" Barbatos deixou escapar algumas palavras pasmas.
Ao contrário da grande estrutura do monstro, sua velocidade era boa o suficiente para rivalizar com Zagan.
Felizmente, o tamanho leva a muitos movimentos desperdiçados.
Era um golpe amplo e varredor, então Zagan teve tempo de estender seu punho para encontrá-lo.
O punho de pedra do monstro foi despedaçado como se fosse quebradiço, seus fragmentos se espalhando pelo ar.
"O que...?" No entanto, quem ficou cambaleando foi Zagan.
Os fragmentos de pedra espalhados estavam conectados por uma névoa negra estranha. E aquele destroço quebrado mudou seus movimentos no ar como se possuísse vontade própria, chovendo incessantemente sobre Zagan.
Então essa é a razão pela qual ele volta ao normal depois de ser esmagado!?
O corpo de pedra era simplesmente transitório, já que seu corpo real era a névoa negra à espreita nas profundezas.
"Não pare agora, Zagan!"
Aqueles inúmeros fragmentos de pedra foram despedaçados por uma luz branca pura enquanto ele ouvia essas palavras. Ambas vieram de Chastille enquanto ela finalmente alcançava Zagan.
Quando Zagan pensou ter visto um traço branco atravessar um fragmento de pedra, o próximo golpe de espada já estava a caminho. O número de golpes era facilmente na casa das dezenas. E era a uma velocidade tão alta que se podia pensar que estavam ocorrendo simultaneamente. No entanto, embora a velocidade fosse assustadora, a coisa verdadeiramente aterrorizante era que aqueles golpes vinham de trás de Zagan e derrubavam objetos à sua frente. E ainda assim, nunca deixaram sequer um arranhão nele.
Em vez de admiração, uma sensação fria percorreu a espinha de Zagan. Se ela fizesse isso quando nos conhecemos, eu já estaria morto, não? Se ela tivesse empregado tal esgrima quando ele lutou pela primeira vez contra a Cavaleira Angelical Chastille, Zagan não teria sido capaz de colocar nenhuma de suas técnicas em uso.
No entanto, agora ela era uma aliada a quem ele confiava suas costas. E assim, Zagan agarrou a Escala Celestial que teceu em sua mão, sobrepondo mais uma estrutura de circuitos a ela.
"Queime até virar cinzas— Fósforo Celestial!" E então, Zagan bateu contra o abdômen do monstro com um baque.
Sim, era um punho que equivalia apenas a um toque. Era um ataque verdadeiramente impotente indigno de Zagan, que era capaz até de esmagar pedra com seu punho. Então, vendo isso de trás, Chastille deixou escapar uma voz agitada.
"Você errou o alvo?"
"...Não, já acabou", Zagan comentou calmamente. Depois de murmurar isso e levantar a mão direita, Zagan cerrou o punho como se estivesse esmagando algo com ele. E imediatamente após isso...
Com uma labareda repentina, o monstro de pedra foi envolvido por uma chama negra. A chama irrompeu por apenas um único instante. E, enquanto percorria a superfície da pedra como se a tingisse, a chama desapareceu.
Com isso, tudo chegara ao fim. A estátua enegrecida desmoronou sem um som. Não importa que poder regenerativo tivesse, uma vez que perdesse sua mana, era simples pedra.
Os fragmentos quebrados que transbordaram transformaram-se em pó e se dispersaram antes de tocar o chão. E num piscar de olhos, nada restou da quimera.
Enquanto Zagan se virava, notou que Chastille estava paralisada com os olhos bem abertos em choque.
"O que... você fez?"
Zagan então teceu um círculo mágico em sua mão para ajudar a explicar a situação para ela.
"Há essa feitiçaria chamada Escala Celestial, entende. Esta coisa suga infinitamente mana em seus arredores e acumula continuamente intensidade como um escudo, então tudo o que fiz foi reverter o efeito e jogá-lo no inimigo."
"Reverter o efeito...?"
"Ele suga infinitamente mana na área circundante... e a faz entrar em combustão. A razão pela qual a chama parece preta é porque a própria mana está queimando."
Escala Celestial e Fósforo Celestial... Eram feitiçarias que utilizavam a mesma estrutura, dois lados da mesma moeda, por assim dizer. Uma arma anti-Espada Sagrada e anti-demônio. Depois de obter o legado de Marchosias, Zagan concentrou todo seu esforço em desenvolver essas técnicas.
E parecia que a prova estava no pudim. Afinal, possuía poder suficiente para queimar até uma quimera criada a partir dos restos de um demônio em cinzas num instante.
Se um feiticeiro humano recebesse aquele golpe, estaria indefeso. E na verdade, era uma feitiçaria tão diabólica que se os outros Arquidemônios descobrissem sobre ela, seriam forçados a declará-la uma arte proibida.
"Ainda assim, é muito imprecisa. Se eu não aumentar a eficiência, provavelmente não funcionará num demônio real..."
O demônio que Zagan enfrentara possuía mana muito mais absurda. Com o Fósforo Celestial como estava agora, um demônio real provavelmente destruiria a feitiçaria antes de ser queimado até virar cinzas. Assim como a Escala Celestial ainda estava incompleta, parecia que esta também ainda tinha espaço para melhorias.
"Você é... um feiticeiro aterrorizante..." Chastille falou como se estivesse tremendo, mas sua voz parecia mais como se ela estivesse em admiração por ele. E foi por isso que Zagan respondeu da mesma forma.
"Suas habilidades também não são nada más, Chastille."
Enquanto ele dizia isso, por alguma razão, Chastille arregalou os olhos e cobriu o rosto.
"...O quê?"
"Não, é só que... Esta é a primeira vez... que você me chamou pelo meu nome... é só..."
"É mesmo?" Zagan não estava realmente consciente do fato, mas agora que ela mencionou, percebeu que só se referira a Chastille como 'você', 'aquela garota', ou outras coisas nessa linha.
"Bem, desculpe por isso."
"V-Você está pedindo desculpas?"
"Você é amiga da Nephy, afinal. Vou pelo menos lhe dar algum respeito."
As maneiras de um feiticeiro não eram tão diferentes da dignidade de um bandido, no entanto.
Chastille então inflou as bochechas e o encarou.
"Eu não vim aqui só por causa da Nephy. Vim... para lutar ao seu lado..."
Zagan a encarou com admiração ao ouvir essas palavras chocantes.
"Mesmo sendo um feiticeiro e uma Cavaleira Angelical?"
"Sim, mesmo sendo um feiticeiro e uma Cavaleira Angelical."
Ao ouvir a resposta de Chastille, Zagan sentiu uma sensação de segurança que nunca experimentara uma vez em sua vida. Confiar suas costas a alguém certamente não é um sentimento ruim, hein?
Mesmo que não se adequasse à sua natureza, ele estava prestes a colocar esses pensamentos em palavras. No entanto...
"Zagan!"
Enquanto se virava ao grito de Foll, Zagan viu Raphael desabar de exaustão.
♱
"Parece que pude testemunhar a espada mais rápida entre os Arcanjos."
Deitado no chão, Raphael formou um sorriso. Mesmo agora, era um sorriso feroz que fazia parecer que ele poderia atacar a qualquer momento, mas ele estava na verdade apenas rindo.
"Não fale muito. Sou ruim em qualquer coisa relacionada a cura."
Zagan estava dando primeiros socorros a Raphael usando feitiçaria, mas o ferimento era profundo demais. No máximo, ele podia estancar o sangramento. Parecia que a sorte de Raphael havia acabado, já que a habilidade regenerativa de um dragão estava enfraquecendo, mal permitindo que ele mantivesse seus últimos agarres à vida.
Eventualmente, Raphael falou num tom cansado.
"Chastille. Não importa o que você pense de nós, suas ações por si só já se tornaram nossa bandeira. Aqueles que simpatizam comigo... certamente se tornarão seus aliados daqui em diante..."
"Senhor Raphael..." Chastille olhou para Raphael com uma expressão complicada no rosto enquanto dizia isso. E com um 'no entanto', Zagan cortou.
"Falando da Facção da Unificação ou o que quer que seja de novo, hein? Barbatos disse o mesmo mais cedo, mas simplesmente não consigo ver o sentido. Se está dizendo que precisa de uma bandeira ou algo assim, por que não faz você mesmo? Você é um desses malditos Arcanjos, não é?"
"Se fosse apenas dentro da igreja, então tudo bem. No entanto, é exatamente como aquele homem disse. Eu matei... feiticeiros demais. Se eu pedisse para eles unirem forças depois de todo esse tempo, eles nunca consentiriam."
Foi por isso que ele precisava de uma pessoa como Chastille. E Chastille ficou surpresa com isso.
"É por isso que você usou o nome de Orobas? Porque pensou que ninguém acreditaria em você?"
"Em parte, sim. Mas também, minha sobrevivência e a criação da Facção da Unificação foram o último desejo de Orobas. É por isso que seu nome é o mais apropriado como líder."
Para este homem, a existência de Orobas era absolutamente isso. E Zagan foi capaz de entender isso, mas no final, não estava realmente convencido.
"Então por que você matou tantos feiticeiros em primeiro lugar? Você tinha algum tipo de rancor ou algo assim?"
Zagan de forma alguma planejava afirmar que feiticeiros eram virtuosos. Pelo contrário, feiticeiros eram, sem exceção, todos vilões. Ele não conseguia pensar numa razão para não odiá-los, mas mesmo assim, matar quase 500 deles não era pouca coisa. Ele tinha que ter uma razão.
No entanto, ninguém foi capaz de prever a resposta de Raphael a essa pergunta.
"Não os matei porque queria. Por alguma razão, feiticeiros simplesmente continuavam me atacando."
"O quê...?" Todos na sala deixaram escapar uma voz confusa ao mesmo tempo.
Raphael então murmurou algumas palavras como se achasse estranho.
"Por que será? Tudo o que fiz foi tentar ter uma conversa educada com eles. Mesmo quando mostrei um sorriso para provar que não era um inimigo, aqueles malditos feiticeiros não ouviam e continuavam correndo para mim. Claro que eu tinha que aceitar seus desafios naquele ponto, o que sempre acabava comigo os abatendo."
Não conseguindo entender o que ele estava dizendo, Zagan estava em completo choque.
"...Espera aí. Você não estava tentando nos provocar naquele bar?"
"Eu simplesmente pretendia informar o desgraçado que era íntimo de Chastille sobre a crise que se abateu sobre ela..."
A cabeça de Zagan começou a doer. E ao mesmo tempo, Chastille balançou a cabeça num estado perturbado.
"M-Mas, quando você me conheceu, não me perguntou quantos feiticeiros eu matei...? Oh, não me diga que isso foi apenas um ato para esconder que suas verdadeiras intenções?"
"O que está dizendo? Você serviria mal como bandeira se matasse feiticeiros como eu fiz, não serviria? E você respondeu que não era um número para se orgulhar, o que me convenceu de que era você que eu estava procurando."
Chastille ficou sem saber o que fazer depois de ouvir essa resposta e ver a expressão séria em seu rosto. Então, depois disso, ela acenou.
"Agora que você menciona, poderia ser que você estava negociando para ter minha Espada Sagrada... Devolvida a mim?"
"Se um Arcanjo não tem uma Espada Sagrada, como podem se proteger?"
Parecia que algo similar também acontecera com Chastille, então Zagan tentou pensar de volta em sua conversa com Raphael.
Ele tinha uma maneira indireta de falar, mas era certamente verdade que este homem nunca disse nada sobre querer matar Chastille. Claro, ele falou das visões da igreja, mas isso não significava que ele concordava com elas.
Bem, se um feiticeiro e um Cavaleiro Angelical começassem a agir muito amigáveis, então acabaria como o que aconteceu com Chastille, hein? Em outras palavras, ele estava basicamente dizendo para eles apenas sentirem sua intenção. Embora não parecesse nada com isso, honestamente.
"Mas você pode realmente matar quase 500 pessoas assim?"
"Simplesmente acabou assim, enquanto eu era atacado dia após dia. E quando os feiticeiros pararam de vir, a igreja me despachou para outra região."
Parecia que o ciclo se repetia enquanto ele continuava mudando de locais, então o número aumentara antes mesmo que ele percebesse.
A história não era muito convincente, mas Zagan podia entender que foi feito sem intenção. E, como seria de esperar, ele deixou escapar um suspiro.
"Pense na sua maldita aparência. Qualquer um pensaria em você como um inimigo se agisse de forma estranha enquanto se parece com isso."
Depois que Zagan apontou isso, Barbatos acrescentou um 'Eh, isso vindo de você?' com uma voz atônita, o que fez Zagan decidir bater nele mais tarde. Então, ele cerrou o punho enquanto Raphael lentamente se levantava.
"Chastille... Você deve retornar à igreja. Cuidarei daqueles que desejam sua morte. Certamente conseguirei manter esta vida pelo menos por esse tempo..."
"Huh, você sabe quem é o culpado?"
"Deixe-me perguntar então, você não percebeu a verdade?"
Não era como se ela não tivesse ideias. E enquanto absorvia suas palavras, o rosto de Chastille ficara notavelmente pálido.
Sim, com Raphael descartado, há poucos dentro da igreja que poderiam ser responsáveis.
Zagan não era bem informado sobre os assuntos internos da igreja, mas por processo de eliminação, apenas uma pessoa vinha à mente.
Finalmente, Raphael virou-se para encarar Foll.
"Prometi entregar minha cabeça a você, mas terá que esperar até lá."
Foll foi incapaz de responder às suas palavras. Então, em vez disso, ela lhe fez uma pergunta.
"...Apenas responda uma coisa. Que tipo de dragão era Orobas para você?"
Raphael acenou silenciosamente em resposta às suas palavras, então respondeu.
"Um grande dragão. Aquele momento em que montei nas costas daquele dragão e lutei ao lado dele... foi o melhor momento da minha vida."
"...Entendo."
E enquanto Raphael saía, Foll não tentou detê-lo ou matá-lo.
"Está tudo bem?"
"...Não sei. Mas... não sei... se é correto matar aquele homem, também."
Zagan acariciou gentilmente a cabeça da jovem garota para confortá-la.
"Então, não está tudo bem deixar assim?" Zagan perguntou enquanto estendia a mão para Foll, então disse, "Vamos voltar. Nephy deve estar cansada de esperar."
"...Uh, mm."
Nem Zagan sabia se era correto desistir de sua vingança. Mas ainda assim, ele podia dizer que Foll não guardava mais um desdém profundo por Cavaleiros Angelicais.
É por isso... certamente está tudo bem assim.
Era possível que seu ódio ressurgisse depois de tudo isso. Na verdade, ele tinha certeza de que ela vacilaria eventualmente, também. No entanto, Zagan e Nephy decidiram ficar ao lado desta garota.
E naquele ponto, Chastille falou.
"Ummm, e eu?"
"Volte para sua maldita igreja, cabeça de pônei", Foll disse, levando Chastille à beira das lágrimas devido à sua hostilidade nua.
De alguma forma, antes que alguém percebesse, Barbatos desaparecera. Eles tiveram que fazer uma longa caminhada de volta ao castelo de Zagan devido à sua ausência, e o amanhecer já estava chegando quando chegaram. E ainda assim, Nephy ainda estava lá, aparentemente esperando para recebê-los.
"Bem-vindos ao lar, Mestre Zagan, Foll, Chastille."
E naquela mesma manhã, Zagan e os outros ouviriam sobre o destino de Raphael.
♱
"Entendo. Então o paradeiro de Chastille ainda é desconhecido..." O Cardeal Clawwell murmurou isso como se estivesse de luto depois de receber um relatório dos subordinados de Chastille, os Cavaleiros do Céu Azul.
"Minhas mais profundas desculpas. Temos sido nada menos que inadequados."
"Não é como se fosse culpa de vocês. Estou igualmente ansioso pela segurança de Chastille. Por enquanto, descansem."
"Ha!" Com uma reverência e aquele grito vigoroso, os três cavaleiros saíram do escritório de Clawwell.
Enquanto a porta se fechava, Clawwell deixou escapar uma voz pesarosa como se não pudesse mais suportar.
"Oooh... Chastille, minha querida cavaleira... Por que... Por que você simplesmente não morre por mim?"
O rosto que espreitava por entre suas mãos era um que estava repulsivamente distorcido.
"Feiticeiros são maus. E aqueles que são cúmplices deles são maus. Se um Arcanjo está imerso em pecado, então seu substituto deve impor a verdadeira justiça em seu lugar, certo?"
Se Chastille fosse morta, a Espada Sagrada escolheria um novo portador puro. E desta vez com certeza, ele os criaria como a encarnação da justiça.
O que ele estava escrupulosamente escondendo era o fato de que esta não era nem a primeira vez que Clawwell tentava assassinar um Arcanjo. Aqueles que não demonstravam o poder absoluto da espada da justiça, aqueles que objetavam às inclinações de Clawwell, aqueles que sentiam hesitação em matar feiticeiros, e aqueles simplesmente indignos de serem um Arcanjo eram impiedosamente descartados.
Felizmente, Kianoides era o domínio do Arquidemônio anterior, Marchosias. Se eles fossem direcionados para aquele demônio, então ninguém duvidaria de sua morte.
Isso não era uma derrota para a Espada Sagrada. Porque o portador era inadequado, eles eram incapazes de utilizar o verdadeiro poder e pereciam como resultado.
Isso, em si, também poderia ser chamado de vontade da Espada Sagrada. No entanto, as circunstâncias desta vez eram um pouco diferentes.
"Esse maldito Raphael só tinha que fazer algo desnecessário..."
Chastille tolamente disse que não queria lutar contra o Arquidemônio. Como tal, eles imediatamente confiscaram sua Espada Sagrada, e os preparativos para realizar uma cerimônia para uma grande execução estavam em andamento. A razão pela qual foi adiada... era porque havia objeções dos outros cardeais.
Sim, Clawwell não estava protegendo Chastille de forma alguma. Era só porque os outros cardeais estavam impedindo que ela fosse protegida. E aquela Chastille... tinha pegado sua Espada Sagrada e desaparecido.
Sua desgraçada... Está dizendo que não morreu daquele veneno? Era seu veneno precioso, que foi produzido com o propósito de torturar feiticeiros capturados. Não havia como Chastille deveria estar viva depois de ingerir algo que era fatal até para os feiticeiros mais poderosos. E ainda assim, nem seu cadáver nem a Espada Sagrada apareceram em lugar nenhum.
Se Raphael não sugerisse devolver a Espada Sagrada a ela, então nenhum desses problemas teria ocorrido e tudo teria sido resolvido limpidamente.
"Aqueles três cavaleiros estúpidos também são inúteis."
Aqueles três serviam cegamente a Chastille. Foi por isso que ele os mandou vigiar, pensando que eles certamente seriam capazes de encontrar onde Chastille estava, mas tudo o que fizeram foi vagar pela cidade numa bagunça. Não importa quanto tempo passasse, eles nunca a encontravam.
Ou talvez... eles notaram que estavam sendo vigiados? Apesar das aparências, aqueles três cavaleiros estavam classificados entre os dois dígitos em termos de guerreiros em Kianoides. Mesmo durante o incidente no dia em que Zagan sucedeu o Arquidemônio Marchosias, os três cavaleiros perseguiram Chastille, e dizia-se que conseguiram resgatá-la.
Então, a explicação lógica para eles se esforçarem tão pouco era que notaram que guiariam um assassino até Chastille.
Ele tinha que pensar em outra mão para jogar. E enquanto gemia sobre tais pensamentos desagradáveis, alguém bateu em sua porta.
"...Minhas desculpas, desejo ficar sozinho agora. Por favor, deixe o que precisa para depois."
Não era tão ruim, mas já que estava tenso de raiva, não se sentia capaz de conversar calmamente com outra pessoa. No entanto, apesar de suas instruções, a porta da sala foi violentamente chutada.
"Estou entrando, Clawwell", uma voz estrondosa ecoou, e quem apareceu não era outro senão o gigante Cavaleiro Angelical Raphael.
"O-Q-O que você está...? Seu insolente...!" Clawwell ergueu a voz com igual partes medo e irritação, então imediatamente notou algo estranho. Raphael estava coberto de sangue. Um de seus braços estava faltando, e era um ferimento tão grave que sua contínua sobrevivência era nada menos que um milagre.
"Senhor Raphael, o que é esse ferimento...? Não, deixando isso de lado, devemos tratá-lo!" Clawwell rapidamente colocou um pouco de veneno em sua mão enquanto exclamava essas palavras. Ele não sabia o que tinha acontecido, mas este homem era um dos 'males' que Clawwell tinha que exterminar não importava o quê.
Clawwell não tinha certeza exatamente qual era seu objetivo, mas sabia que Raphael estava tentando construir uma nova força dentro da Igreja. Era chamada de 'Facção da Unificação' ou algo assim, e se Clawwell descobrisse que eram um grupo que se opunha a tudo o que ele defendia, ele provavelmente não teria feito essa escolha.
Ainda assim, fosse boa ou má fortuna, aqueles que podiam imaginar a ideologia de Raphael julgando por sua aparência externa não existiam na igreja.
Raphael então se sentou pesadamente na cadeira em frente a Clawwell.
"O quê, não se preocupe com isso. Só vim aqui para cuidar de alguns negócios menores. Irei embora imediatamente."
"M-Mas..." E justo quando Clawwell disse isso e espalhou o veneno em sua luva, estendendo a mão para cobrir o ferimento de Raphael com ele...
"Huh...?" Com um som surdo de rolamento, seu braço caiu pelo chão.
"Infelizmente, não aprecio particularmente a ideia de uma mão besuntada de veneno me tocando."
A uma velocidade muito mais rápida do que Clawwell podia perceber com seus olhos, Raphael decepou o braço direito de Clawwell do corpo.
"Ghhh... Urk?" E enquanto ele se agachava e começava a gritar, um pé coberto de armadura foi enfiado em sua boca. Vários de seus dentes da frente quebrados se espalharam pelo chão.
"Não faça tanto alarde. Embora eu possa parecer impiedoso, esta é a primeira vez que mato um humano, sabe? Estou só um pouco nervoso com isso."
Por que... eu? Ele não podia falar essas palavras em voz alta, mas enquanto Clawwell se queixava com os olhos, Raphael entendeu a mensagem e respondeu.
"Tanto você quanto eu ficamos senis. Não é nosso lugar meter o nariz em cada pequena coisa que a geração mais jovem está fazendo. Isso para não mencionar cortar suas possibilidades pela raiz, claro", Raphael disse, então desembainhou sua Espada Sagrada.
"Você encontra seu fim na lâmina de sua amada Espada Sagrada, desgraçado. Que tal fazer uma cara um pouco mais feliz?"
"Aggggggh!" Abrindo bem os olhos, Clawwell tentou balançar a cabeça mas não pôde fazer nada com a proteção de perna enterrada em sua boca.
Alguém me salve! Por que o Arcanjo de Kianoides não estava vindo salvá-lo? O que aconteceu com os três cavaleiros que ele acabara de dispensar? Como porta-voz de Deus, o executor da justiça, por que ele tinha que ter sua vida ameaçada por tal 'mal'? No entanto, não importava o quanto Clawwell se lamentasse em seu coração, a 'justiça' em que ele acreditava não o protegeu.
"Eu o seguirei em breve. Espere por mim no inferno", foram as últimas palavras que o homem conhecido como Cardeal Clawwell ouviu enquanto uma Espada Sagrada descia diretamente em seu pescoço.
E essa foi a última cena que Clawwell jamais testemunhou neste mundo.
Sol: Bom meio irônico dizer, porém. GRAÇAS A DEUS que o Clawwell foi pro saco, porque quase geral em igreja é corrupto….. Aí aí assim fica fogo, o Arquidemônio sendo uma igreja melhor que a igreja é fortíssimo. Bom valeu gente até o próximo, câmbio e desligo.
Traduzido por Moonlight Valley
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