Volume 1
Capítulo 49: PORQUE EU SEI QUE SIM
Milan acordou de um sono cheio de sonhos e pesadelos tempestuosos, lutando para afagar sua mente em frangalhos, seu corpo destruído e suas memórias em perdição e bagunça.
Sua sobrevivência diante daquele mal era algo bem vindo, mas ele podia, pelo menos uma vez, resistir sem ser raspando?
Por que tinha que haver dor?
Bem… porque assim, não seria Milan e sua tempestuosa trajetória.
Ele lutou para conciliar cada coisa em seu devido lugar. Não era fácil despertar depois da morte. E Milan morrera… ah, sim.
Uma parte dele, pelo menos, havia morrido. E uma nova nascera, sob novas perspectivas, claro.
Milan tinha coisas demais para pensar, e respirar era uma grande dificuldade — apesar de ser uma dádiva muito bem quista.
Claro, todo o seu corpo estava reduzido à pequenas e grandes mutilações. Ele podia sentir seus ossos rangendo, lutando para se restaurar.
Como um despertado, Milan se curava com o dobro de tempo de uma pessoa comum. Também era verdade que era muito mais difícil ser mutilado do que uma pessoa comum…
Mas aqui estava ele, mutilado, e numa árdua e lenta recuperação.
Olhando para si mesmo, sentiu um enjoo repentino tomar seu estômago. Havia grandes e pequenas lacerações, e lugares com cores muitíssimo horríveis.
Uma espécie de pasta com cheiro de canela e leite fervido fora passada por sobre as grandes feridas…
Ele sentia que isso amenizara a dor. Mesmo assim… Não era como se a dor não existisse. Existia, e era grande.
Não havia um só lugar livre de cortes ou da estranha pasta.
Ele virou o rosto, mas se arrependeu imediatamente. Apenas mover os olhos causava uma dor lancinante. Agora pense em mover a cabeça?
Era como se mil metais colidissem ao mesmo tempo com sua cabeça.
Tudo ficou zonzo. O topo de sua cabeça ardia, e ele sentiu um líquido quente descer por sua testa.
De olhos fechados e erguendo os dedos trêmulos, Milan tocou na raiz do couro, sentindo nós sobre a cabeça. Bem… provavelmente fora costurado.
E agora, com o esforço, abrira-se. Ele limpou o pequeno filete de sangue na testa e desceu os dedos sobre o rosto, sentindo nós aqui e ali. A maçã de seu lado direito e o olho estavam bastante doloridos e inchados. Mas, se recordando da batalha, provavelmente estava melhor do que naquele momento.
Milan suspirou, se recordando da batalha.
Ele… venceu a criatura. E foi uma vitória custosa, pois não foi à base de força.
Havia um entendimento escondido aqui, e Milan não esqueceria disso nem tão cedo. Suspirando, sua mente vagou por toda a batalha, as palavras do estranho Eco e o que aconteceu depois.
Depois…
Ao ser reduzido naquele líquido negro, algo se moveu e…
Milan olhou febrilmente para seu braço direito. Agora ele já conseguia movê-lo, mas ainda estava muito dolorido.
Milhares de cortes pequenos e rasos se cruzavam em diversas direções. Lembrando da batalha, era como se aquela lâmina falsa infringisse milhares de pequenos cortes, dada a semelhança de suas cicatrizes.
Milan encarou um longo corte diagonal que começava no interior de seu músculo do braço e terminava no músculo acima do cotovelo. Pasta com o forte odor de canela e leite fora colocado em cima desse corte.
Seus olhos navegaram pelo contorno de seu braço e repousaram em uma marca sinistra que serpenteava em seu antebraço interno — talvez o único lugar intocado pelos milhares de cortes e lacerações.
Era uma linha branca irregular, com veios dourados, parecendo mármore derretido sob a pele.
Seu rosto ficou escuro. Lembrava-se da dor queimando em seu braço, memórias e lembranças disfarçadas de ecos…
A ignorância era de fato uma dádiva. Milan acreditava nisso mais do que nunca, aqui encarando a estranha cicatriz, que pareceu ganhar um tom dourado sob o peso da recordação.
Sonhos e pesadelos… disfarçados de profecia silenciosa. Qual era o preço disso tudo? De saber o que passou e desconfiar do que viria?
Será que o preço era se sentir imponente? Será que o preço era saber que, apesar de tudo, provavelmente nunca conseguiria mudar o curso e o rumo de certas coisas?
Bom, se fosse o caso, ele se sentia desconfortável. E, ok! imponente também.
Verdades dolorosas vieram à tona, e de repente não estavam sob o controle de Milan. Afinal, quando foi que estiveram?
Lembrando-se…
A atenção de Milan foi atraída para outra coisa. Afinal, ele estava naquele lugar que antes era seu quarto. E Eliriah acabara de atravessar o arco, vindo da cozinha.
Estranhamente, a cicatriz ardeu mais do que deveria…
Ela entrou, colocou uma bandeja ao lado da cama dele. Milan sentou-se com esforço, soltando suspiros e gemidos longos; olhou para o chão com um rosto pensativo e olhos sombrios. Seus pensamentos eram turbulentos, e ele ignorava taxativamente a ardência da cicatriz.
Cicatrizes.
Eliriah puxou um banquinho para perto da cama e começou a retirar a pasta do corpo de Milan. Ele ficou quieto durante todo o processo em que ela limpou suas feridas, trocou pontos de gases feitos de longas folhas verdes e recolocou a pasta em feridas mais profundas.
No fim, Eliriah puxou o queixo de Milan gentilmente para baixo, fitando os pontos abertos no topo de sua cabeça. Estalando a língua, ela pegou uma linha e uma agulha — feita de ossos finos e resistentes de alguma criatura que ela caçou.
Seu toque era suave e ela traçou a linha sobre a pele de Milan em poucos instantes. Ele nem sentiu dor.
Porém, Milan ficou irremediavelmente quieto em todo o processo, e Eliriah não demonstrou qualquer raiva ou desprezo.
Na verdade, fora gentil e doce, na medida do possível.
Quando terminou, ela se levantou, levando a bandeja para fora do quarto.
Algum tempo se passou, Milan refletindo sobre o que descobriu. Estava num humor sombrio quando ela retornou meia hora depois, carregando uma bandeja com frutas frescas, suco de romã, torradas, gemada, geleias e pasta de amendoim.
Ele observou a comida em um silêncio estranho. Acabava de refletir sobre como era incomum que Eliriah possuísse tudo de que precisasse ali, naquele canto longe da maldade.
Gado, cultivos, peixes… possuía lenha e carvão, também. Provavelmente obras da magia ilimitada do Rei Onírico.
Com um humor sombrio, Milan comeu tudo sob o olhar atento de Eliriah em sua costura. Ela não saiu dali nem um minuto sequer.
Quando terminou, Milan soltou um suspiro contente — mesmo que seu rosto estivesse indecifrável e indiferente — e agradeceu num sussurro.
Eliriah interrompeu sua costura e se levantou. Milan não olhou para ela enquanto esta levava a bandeja para a cozinha e voltava dali a pouco com uma nova tigela — essa com chocolate quente fervido e um cheiro inconfundível. Sua boca se encheu de água.
Contudo, apesar disso, ele lançou um olhar trêmulo para a tigela e para ela, refletindo novamente sobre a origem dessas coisas. Não era sem tempo que o fizesse, afinal.
Entre assopros e bebericos, Eliriah encarou-o.
— Como se sente? — perguntou, parecendo sincera.
Claro, Milan não era mais tão inocente assim. Ele sabia quais eram as intenções da mulher. Mas, estranhamente, não se sentia hostil quanto a ela. Estava cansado demais para isso. E havia coisas a serem discutidas.
Depois de cuidar tão bem dele, era o mínimo que ela merecia, mesmo que fosse para seus próprios desejos.
Ele lambeu um pouco de chocolate que ficou em seu lábio superior e franziu o nariz. Havia queimado a língua.
— Dolorido — disse, rouco.
Ela assentiu, voltando seus olhos para o crochê.
O silêncio se perpetrou e uma leve neblina caiu lá fora.
— Você sabe o que aconteceu, certo?
Milan não disse nada, encarando um ponto na parede dentro do quarto. Por fim, ele assentiu, uma pontada de dor surgindo em sua nuca.
Eliriah ergueu seus olhos dourado-esverdeados, contendo milhares de fagulhas de um anseio que nunca esteve ali antes.
— E então? — perguntou.
Milan inalou o cheiro do chocolate, fechando os olhos e aguardando que ficasse mais morno.
Finalmente, ele abriu os olhos e havia uma vontade inabalável brilhando naqueles olhos cinzentos e opacos tanto quanto nos de Eliriah.
— Foi o primeiro… trabalho. — Disse, sua voz cheia de uma certeza sombria. — O Eco de Mármore.
Sua voz caiu seguida de um silêncio adequado. Ele bebericou do chocolate, escolhendo suas próximas palavras. Eliriah respeitou o silêncio.
— O Labirinto decide quando avalia… e naquele momento, um onde eu estava instável e sofrendo com a dualidade de reflexões ambíguas… ele decidiu que era a hora.
Milan desviou os olhos do chocolate, encarando Eliriah. Ela tinha voltado seu foco para o bordado.
— De repente eu estava numa vasta câmara escura e enevoada… repleta de estátuas de mármore idênticas a mim. Mas não tão idênticas… elas eram quebradas, incompletas ou falhas. Eventualmente, lutei contra um Eco exatamente igual a mim — exceto que ele era mais forte, perfeito, até… Não havia um caminho sólido a seguir, e sofri derrotas amargas.
Milan se calou, e Eliriah não disse mais nada, analisando alguma falha na sua costura.
— Quanto tempo durou tudo isso? — perguntou ele, erguendo uma sobrancelha.
Eliriah desviou os olhos, como se estivesse calculando mentalmente.
— Você ficou sumido por uma lúnula… e eu o encontrei nas margens do lago sul na manhã do primeiro dia desta lúnula. Isso faz quase vinte dias, agora.
Milan olhou para o chão, sombrio. O tempo estava passando, e o pior de tudo era que ele lutou contra aquela coisa durante um mês inteiro e levou mais dois terços de outro se recuperando.
Isso… nem era necessário dizer o quanto ruim era.
Como o mundo estava lá fora? Cildin? A guerra? Emma, seus pais…
Ele cerrou os dentes e os rangeu, apertando o lençol de seda até que o corte em seu braço se abriu e começou a latejar.
Eliriah observou isso com olhos frios, mas não se moveu um centímetro sequer para refazer seus cuidados.
Em vez disso, ela limpou a garganta e fez outra pergunta:
— O que descobriu com o confronto? O que aprendeu?
Ainda rangendo os dentes, Milan cobriu o rosto com a mão, respirando fundo. Ele estava suando frio, mas algo estava diferente.
Milan não era mais a mesma criança de antes. Não era mais adequado reagir com raiva e ódio. Na verdade, esses eram bons combustíveis. Mas não deveriam ser o meio e o método.
Era hora de reagir de maneira fria e controlada. O que ele conseguiu agindo sob uma casca inconstante e incontrolada? Nada.
Ele organizou seus pensamentos, respirando fundo. Quando ergueu o rosto, um frio sombrio havia dominado seu rosto, sem qualquer sinal de fúria e descontrole.
Seus olhos eram opacos e cinzentos como nunca. Seu rosto era uma máscara fria de indiferença. Mas em seu peito… algo borbulhava com os motivos certos.
— Primeiro, preciso que responda algumas coisas para mim.
Eliriah inclinou a cabeça, curiosa com a repentina mudança. Não havia sequer um tom de hostilidade e ostracismo na voz de Milan — tão habituais depois das cartas serem jogadas na mesa.
Ela, naturalmente, acenou com a cabeça, aceitando o pedido.
Milan se endireitou sobre a colcha, ignorando o sangue que escorria pelo braço magro.
— O que são os trabalhos?
Eliriah o encarou longamente, depois desviou os olhos para baixo, voltando à costura.
— Um método que o Rei encontrou para lidar com o problema quando fosse a hora — ela se remexeu sobre o banquinho. — Uma saída para aqueles cujo sacrifício liberariam as correntes ao invés de fortalecê-las.
Milan suspirou. Isso era vago demais, ainda que respondesse sua pergunta. Ele estreitou os olhos.
— Seja mais específica.
Eliriah balançou a cabeça.
— Não posso ser mais do que isso. O quê? Quer que eu entregue um formulário explicando cada trabalho e o que vem a seguir? Se for o caso, esqueça. Os trabalhos estão vinculados ao Labirinto, criação direta do Rei. O labirinto, por sua vez, está vinculado à lei, e possui julgamento autônomo. Portanto, saber sobre os próximos trabalhos é improvável e é uma perda de tempo passar os dias se perguntando o que acontecerá, como acontecerá e quando acontecerá. Melhor, no caso, é se preparar adequadamente para o próximo trabalho. Isto é, o próximo Julgamento.
Milan franziu o nariz. Não gostava do tom dela, mas ela parecia verdadeiramente sincera. E ele não tinha razão para duvidar disso.
Respirando fundo, Milan analisou cuidadosamente a próxima pergunta que faria agora.
Esta, porém, possuía uma resposta que ele suspeitava saber. Mas seria bom tirar a limpo.
— Então a razão pela qual os antigos visitantes nunca terem tido essa oportunidade é…
Eliriah assentiu, poupando-o de gastar saliva.
— Você já possui a resposta para isso, no entanto.
Milan suspirou internamente. Era pela natureza de Lûarendill, o Labirinto e do próprio Milan.
Ele suspeitava que era o primeiro humano a pisar ali e, naturalmente, o primeiro a realizar os trabalhos. A principal motivação para isso era que Eliriah realmente parecia no escuro sobre a natureza dos trabalhos e efetivamente curiosa.
Em contrapartida, os antigos visitantes foram todos elfos. Sendo assim, nunca um humano pisou em Lûarendill. Para prender o que quer que estivesse contido no fundo deste lugar, era necessário a centelha élfica que, por sua vez, não era capaz de passar pelos desafios ou trabalhos.
Não é que não eram capazes, é que Milan duvidava que o Labirinto, sendo capaz de escolher seus desafiantes, não optou pelos elfos passados. No fim, o destino deles era reforçar a prisão. E o de Milan… bem, o de Milan era ficar o mais longe o possível desses grilhões.
Por isso, provavelmente, o Rei Onírico criou o Labirinto e os Seis Trabalhos. Para que o humano que pisasse aqui, pudesse sair sem nunca precisar libertar aquilo que estivesse sendo contido.
Suspirando fundo, ele olhou para ela e ergueu o braço direito, mostrando mais precisamente o antebraço.
— Você disse que para sair precisava coletar chaves, mais precisamente fragmentos que ajudariam a sair daqui… diga, isto se parece com um fragmento para você?
O olhar de Eliriah caiu sobre a cicatriz e, convenientemente, esta ardeu como o inferno. Ela observou-a por um instante e, então, fitou o chão, com um olhar distante.
— Consequentemente. — disse, ficando quieta.
Milan encarou-a por algum tempo, então suspirou. Ela sabia mais, é claro, mas não diria nada que pudesse evitar dizer. E ele não iria forçá-la.
Sim, provavelmente essa cicatriz era como um atestado de êxito, para evidenciar sua vitória em cada trabalho. Se fosse verdade…
Um silêncio casual encheu o lugar. Milan refletia sobre as questões enquanto ela mantinha a fachada de foco no crochê.
Eventualmente, ela bufou, se levantou e foi para a cozinha. Voltou com a bandeja de primeiros socorros e em alguns instantes estancou a abertura no bíceps de Mil.
Quando ela terminou, ergueu o rosto para ele, e ambos se encararam nos olhos. Eliriah parecia cansada, distante e cruel.
Mas ele viu algo mais… viu horror, medo, tristeza e uma vastidão incontestável de arrependimento.
Eliriah era alguém como ele, afinal. Fora forçada a crescer logo, forçada a virar adulta antes do tempo — mesmo que seu corpo possuísse uma estatura juvenil e, em termos divinos, ela não deveria ter no máximo 12 anos. Era uma criança — em termos divinos, claro.
Milan sabia agora o quanto de dor ela carregava. O peso desse mundo. Ele entendia, e quase esteve inclinado a perdoá-la.
Quase.
Ela o encarou com as sobrancelhas caídas, respirando pesado, e Milan baixou os olhos para suas mãos.
— Obrigado — disse, por fim.
Eliriah desviou o olhar, se levantando, a máscara de indiferença habitual retornando para seu semblante lindo e jovial. Era fria e distante de novo.
— Claro — respondeu ela, passando as mãos nas pregas de seu lindo vestido.
Milan suspirou e ergueu o rosto, encontrando seus olhos novamente.
Eles se encararam por longos segundos, com Eliriah flutuando diante dele.
— Descobri que há vitória em ceder.
Ela inclinou levemente a cabeça, confusa.
— Oh?
Milan tossiu, baixando o olhar antes de falar.
— Com o trabalho — disse, a voz firme, mas cansada. — Aprendi a ceder.
Fez uma breve pausa, como se organizasse o que dizer.
— Durante o duelo, percebi que nada do que eu fazia causava dano à criatura. Minha força não servia. Minha vontade também não… parecia alimentá-la. — Ele respirou fundo. — E quando nem isso restou…
Milan soltou uma lufada de ar, permitindo-se um sorriso fraco.
— No fim, lembrei das suas palavras.
Ele ergueu o rosto, e havia algo faminto em seu olhar — não violência, mas compreensão.
— Você disse que eu tentava usar a Aura com força demais. Que Lûarendill não respondia a isso. O labirinto respondeu. Por isso me colocou naquele trabalho, desde o início.
Milan se encostou, limpando a garganta.
— Foi uma batalha dura. Achei que fosse morrer. Quando usei meu golpe mais poderoso… a criatura riu. Não reagiu ao poder. Nem à força.
Milan fixou o olhar em um ponto no chão. O rosto permaneceu indiferente, a voz seca — apesar do turbilhão que fervilhava por dentro.
Ele não queria entrar em detalhes, mas sentia que devia aquilo a ela. Talvez escutá-la o ajudasse, no futuro.
— Mas quando desisti de tudo… da força, da vontade… de mim — sua voz baixou — ela rachou. Virou pó.
Tossiu novamente.
— Não com fúria. Não com resistência. Nem com aquela mortalidade que quase me matou.
Houve um breve silêncio. Então aprendi que há muitas formas de vencer. A força é necessária… mas não é tudo.
Milan ergueu o olhar, sério.
— Aprendi a ceder — fez uma última pausa. — Aprendi que insistir não é o mesmo que resistir. E que nem toda luta se vence empurrando o mundo.
Ele suspirou. Era muito difícil para ele dizer isso. Era como se abrisse seu coração para alguém que podia apunhalá-lo. Mas, de novo, Milan precisava dela. Não podia mais agir com irracionalidade.
Para escapar de Lûarendill… Milan precisava aprender a ceder, a ser humilde, e, acima de tudo, a usar conscientemente sua força e ódio.
Isso significava que ia esquecer toda a dor e sua promessa? Não. Isso o ajudaria, na verdade.
Então se fosse pra aprender com intenção, com algo a ceder… ele aprenderia. E usaria o ressentimento e o ódio como combustíveis. Eles o levariam longe. Eles, na verdade, seriam o combustível para sua vontade indomável e inabalável.
Apenas o meio seria diferente.
Ele suspirou, se concentrando em sua energia e aceitando a Aura. Ele não buscou puxá-la ou comandá-la. Ao invés disso, deixou que ela viesse até ele.
E como resposta, uma energia levemente azulada permeou sua mão, fraca e inconstante.
Um sorriso surgiu em seu rosto indiferente. Ele ergueu o olhar para Eliriah.
— Então, por favor, me mostre o melhor caminho para sair daqui o quanto antes.
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