Volume 1
Capítulo 26: ESPECTRO
Milan encarou o punho e observou atentamente que era hora de mudar o treino.
A esta altura, ele era capaz de aguentar um longo tempo o uso de aura nos punhos nus. Mas estava na hora de mudar o treinamento.
Ele já conseguia controlar levemente a aura, mas não era nada lá muito extravagante. Só que para o estilo de Mil, somente os punhos não seriam necessários.
Milan treinou incansavelmente durante semanas, aprendendo as melhores técnicas possíveis com Cildin, seu mestre. Então de que valeria a pena se não passasse o que sabia para sua espada?
Deveria começar a treinar com Espectro, sua espada datada de mil anos.
Mil teve uma forte conexão com ela desde o primeiro instante em que a viu, e não sabia muito o que esperar.
Nem mesmo sabia o porque a nomeara Espectro, mas sabia que era uma espada enfeitiçada, possuindo magia em si.
Não importava como ela tinha sido forjada, para Mil só importava seu uso.
Desembainhando-a, apertou bem seu cabo liso, para evitar que escorregasse, e encarou sua lâmina dupla, observando seu próprio rosto nela. Será que conseguiria expandir sua aura? É o que tentaria.
Fechando bem os olhos, Milan respirou fundo e concentrou sua aura, imaginando que ela envolvesse a lâmina. Sentiu uma fraqueza conhecida, e era a aura se acumulando.
Quando abriu os olhos, observou a lâmina de Espectro envolvida pela sua aura, mas era densa demais e revolta, como se a lâmina rejeitasse a aura.
E de início, ele sentiu grande vontade de largar a arma, pois sua consciência estava fraquejando. Não somente isso, como também sentia sua energia sendo sugada.
Em poucos instantes, Milan caiu no chão, encarando a lâmina de Espectro, que era inundada por aura e… Uma névoa negra vazava dela, presa…
Logo, vários tentáculos surgiram, enegrecidos e longos. Haviam cerca de três deles, mas eram longos e finos, sugando quase toda a energia de Milan.
O lugar que estava claro feito fogo, escureceu. Milan sentiu sua energia se esvaindo e a espada sugando mais e mais de sua energia, enquanto que os três tentáculos engrossavam.
Logo Milan sentiu que não conseguia conter a espada e se preparou para o pior.
Agarrando-a com as duas mãos, Milan eriçou a espada, e desferiu um único golpe. Um corte transversal se formou, varrendo tudo em destruição e cinzas.
Era enorme, e rasgou o chão, dobrando o próprio ar ao redor. Percorreu a clareira toda em direção da floresta, formando um enorme rasgo e fogo na floresta.
Árvores foram pegas no processo, sua vegetação sendo destruída imediatamente.
A lâmina de destruição percorreu quase meio quilômetro, destruindo árvores, o chão e tudo que encontrasse pela frente. Um longo rasgo do tamanho das árvores mais antigas – cerca de quase 4 metros de altura e 2,5 de diâmetro.
Milan tornou a cair, tonto e cansado. Estava mais pálido do que ficaria em dias de frio intenso.
Com sua energia se esgotando, Mil adormeceu na mesma hora.
Algo muito estranho aconteceu.
Primeiro, Milan estava diante de uma figura enorme, de mais ou menos cinco a seis metros, esguia e de enormes chifres, que mediam o tamanho de uma pessoa normal. A criatura encarou Mil por um tempo com olhos brancos feito a lua.
Então estes olhos se tornaram vermelhos, da cor de sangue, e seus chifres penderam, tornando-se lama. A enorme criatura se contorceu, sua figura esguia se transformando em membros vertebrados.
O lugar que estava escuro que só ele, ficou claro, e a figura se dissolveu em diversos morcegos, guinchando e batendo asas.
No topo do céu, duas luas surgiram, uma vermelha e uma amarela. Distante no horizonte havia uma árvore negra com pétalas de fogo, guardada por um lago de sangue, com caravanas esqueléticas.
Dois orbes, um de cada lado da árvore pendiam, escurecidos e derramando sangue. O caminho de onde Milan estava até a enorme árvore era composto por corpos, desde pessoas até monstros nojentos que Mil nunca sonhou ver.
Tambores tocavam ao fundo, e o lugar fedia a sangue.
Logo, o sangue que escorria dos dois orbes banhou o céu, deixando um breu carmesim, e um portal escuro brotou sobre os dois orbes, engolindo-os.
Milan ouviu um som conhecido e se virou, observando uma tsunami avançando da direita. Ao se virar para o outro lado, ele observou fogo, que se transformava em lava, avançando rapidamente. Uma inclinação de terra tremeu sobre ele, e o elevou o mais alto possível.
Logo Milan estava no alto, e chovia sangue. De um lado as ondas batiam e rebentavam contra uma parede invisível, sendo banhada pela chuva de sangue, do outro, o fogo havia se tornado lava queimando e petrificando tudo. A copa da árvore em chamas queimava, indiferente, no norte. Pássaros esqueléticos voavam e piavam no alto, enegrecidos pelo sangue.
Vozes e gritos eram ouvidos abaixo de todo esse terror, então Milan sentiu um puxão e de repente a visão mudou.
Agora ele estava diante de uma enorme parede e havia seis símbolos diante dele. Um sujeito empunhando uma espada longa e em chamas, um rapaz segurando um arco, uma mulher com os braços cruzados e luz ao redor dela, uma menina pequena com uma faca numa mão e uma bolsa na cintura, e uma mulher esguia de cabelos longos, usando uma lança e um escudo redondo.
Todos pareciam encarar Mil, mas nenhum deles tinha o rosto visível, riscados por alguma arma. Mil observou enquanto seis faíscas se formavam ao redor dele, juntamente de um círculo. Este círculo se iluminou e foi erguido até o teto, onde passagens circulares se formaram sempre que Mil estava perto de bater.
Então finalmente ele chegou num enorme salão oval e, diante dele, estátuas e colunas se prolongaram.
Nas paredes, tapeçarias se estendiam contando histórias que Mil não conhecia.
As estátuas eram enormes, medindo cerca de 5 metros cada, chegando até o teto iluminado pelas estrelas. Deveriam haver cerca de mais de 20 delas.
Milan caminhou pelo longo salão até parar diante de uma estátua maior que todas as outras. O sujeito estava coberto por uma armadura dos pés a cabeça, e na sua mão esquerda apontando para o seu, uma espada muito bonita.
A estátua era feita de mármore negro, mas parecia ser feito de uma pessoa real.
Então o céu foi rasgado e uma bola de fogo atingiu a espada, e todo o salão foi destruído… restando apenas Mil e a figura esguia de antes.
Desta vez, ela tinha olhos vermelhos, poderosos e enegrecidos.
Seus chifres se tornaram em serpentes enormes que saltaram sobre Milan. Ele saltou para trás, assustado, quando acordou.
Uma densa chuva lutava para apagar o fogo na floresta à sua direita. Uma fenda mortal se aprofundava pela floresta, e um fogo ruidoso se recusava a apagar.
Encharcado, Milan encarou sua espada que descansava gentilmente em sua bainha. Sua testa franziu e uma única pergunta surgiu:
“Que merda foi essa?”
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios