O Auto do Despertar Brasileira

Autor(a): Leonardo Carneiro


Volume 1

Capítulo 25: DESPERTAR GEMINI

Milan concentrava aura em seus punhos enquanto socava a enorme árvore repetidas vezes.

Seu controle de aura não era dos melhores. Por diversas vezes, a aura se esvaia e ele acertava em cheio e de punhos nus, a antiga árvore.

Deve-se dizer que doía muito, pois ele não tinha controle adequado sobre si. Mas com o passar do tempo, sua habilidade foi melhorando, e levemente podia ver alguns machucados na árvore, mas algo bem superficial.

Já era alguma coisa.

Como ele era um iniciante nessa arte, era comum que seus socos não fizessem qualquer efeito.

Lembrando da primeira vez que usou a aura como luva, partiu a pedra diante de si, e imediatamente caiu, cansado.

Chegou a dois entendimentos sobre isso.

O primeiro é que ele usou energia demais, por isso a rocha se partiu feito queijo e faca quente. O segundo foi imediatamente entendido como uma consequência do primeiro. Pelo fato dele usar uma energia sem o controle e uso adequado, acabou usando demais e ficando extremamente cansado.

Ele percebeu também que era uma técnica que exigia exímio controle, por isso precisava meditar constantemente, para nunca esquecer de seu lugar no mundo.

Como Milan tinha pouca aura, e só sabia controlar o Orka, foi fácil para ele não controlar sua força.

Com o controle e a técnica em seus preâmbulos, Mil entendeu que não causaria o mesmo efeito numa árvore daquelas que causou na rocha. Isso porque o vintei dela era maior do que o da rocha. Mil suspeitava que nem fosse um vintei…

Por isso tinha uma força que parecia ser fraca, mas era normal. Ele estava apenas começando e não esperava ter controle já nas primeiras vezes.

Tinha também o fato de controlar a aura. Era como se ele precisasse se concentrar duas vezes, bem parecido com o treinamento de vintei e dontei. O controle de orka.

Contudo, era difícil, pois se perdesse o controle, poderia facilmente se cansar muito rápido, e a restauração de aura era lenta e demorada.

Por diversas vezes Mil perdeu a concentração, ocasionando no soco na árvore com toda sua força, e horas de meditação para retomar a energia da aura. Mas não foi uma perda de horas, na verdade. Porque durante a meditação ele desenvolvia mais pensamentos que eram seus.

No presente, já faziam duas horas que ele treinava sem perder o foco, usando somente um pouco de aura para não perder totalmente o controle. Ele estava tão concentrado que nem percebeu o cair da noite.

Exatamente no meio da madrugada, sua aura estava prestes a acabar quando ele cessou seus socos.

Estava pálido como nunca antes. Mas nem ligou para isso.

Em vez disso, Milan observou o céu e a lua que iluminava a clareira. Encarou seus punhos. Apertou-os bem e caminhou até o pequeno lago.

Após se lavar, caminhou até sua cama improvisada e sentou diante da fogueira.

Enquanto preparava algo para comer, sua mente vagou até o último sonho que teve.

Este era o único sonho de Mil que ele conseguia lembrar. Era diferente dos outros em que ele era outra pessoa.

Esse sonho foi real, bem parecido com o que Cildin contou a seu respeito. Ele viu Emma, e algo de ruim aconteceu com ele. Tendo uma certa ideia disso, a mente de Milan ficou nebulosa por longas semanas.

E já haviam se passado quase seis desde que sonhou com ela.

Milan mastigou sua comida enquanto observava o fogo. Enquanto ele crepitava, nada se passava por sua mente. Ele conseguiu deixar de lado todas essas coisas que lhe causavam ansiedade. Vinha trabalhando para isso, afinal.

Observou o céu e imaginou quanto tempo já se passara desde que foi arrebatado de casa. Fez alguns cálculos mentais, imaginando o tempo que passou treinando com Cildin e sozinho nesta clareira.

Ele observou o chão e um sorriso torto surgiu em seu rosto.

“Daqui três dias…”


***


Bem distante daquela clareira, uma garota pequena de cabelos loiros lutava para conseguir conter um homem alto de ombros largos e barba por fazer.

Emma Stone desviou de uma estocada e respirou fundo.

Mantendo os pés juntos e os joelhos dobrados, ela rolou para frente e pescou seu escudo caído a alguns metros.

Gerrard Ely observou sua aluna rapidamente se reposicionar e limpar o sangue que escorria do nariz.

Ela havia evoluído bastante, e estavam treinando com espadas e escudos de madeira.

A garota seguiu pelo caminho da espada, mas Gerrard sabia como ela gostava de arco e flecha. Fosse para se aperfeiçoar, ou para agradá-lo, Emma se forçou a aprender a espada, e lá estava ela.

Não era uma obrigação que Emma lutasse com espadas só porque seu mestre o fazia, mas era importante que ela soubesse um pouco de combate a curta distância.

E para uma iniciante, até que ela estava durando muito. Um minuto se passara desde o início da luta, e ela conseguiu suportar o pesado golpe com seu escudo. A menina era durona.

Ely nem precisou se precipitar, pois a menina correu para frente com a espada em riste. Ele podia gritar com ela por sua falha. Haviam vários pontos em aberto.

Mas o capitão apenas riu consigo mesmo e esperou o ataque da menina. Ela atacou visando suas pernas, mas o homem apenas caminhou para o lado e observou-a passar direto.

Quando menos esperava, Emma virou num ângulo confuso e ergueu a espada em diagonal. O capitão agiu rápido e saltou para trás. A menina não parou por aí e avançou de novo.

Em meio segundo, Emma estava no chão de braços esticados respirando pesadamente.

Gerrard jogou a cabeça para trás e soltou uma longa gargalhada. Emma se sentou e franziu o cenho, irritada.

Ao redor deles, uma dúzia de soldados observavam a pequena encenação. Alguns riram enquanto outros, mais sérios, jogavam algumas moedas de cobre para os sorridentes. 

Eu poderia falar sobre as inúmeras brechas que me deu…

– Poderia ficar calado também, velhote.

– UOOOOH! 

A risada dos soldados aumentou. Era raro ver alguém tratar Gerrard Ely com tanta ignorância. Mas ele parecia não ligar para as palavras da menina. Mas quando a risada dos soldados despontou, o capitão os olhou em desagrado.

Neste batalhão, apenas os mais fortes e mais confiáveis guerreiros treinavam e moravam. Eram homens sem lares e que encontraram ali, na asa de Gerrard, um lar.

E eles retribuiam com confiança e lealdade.

Havia cerca de cem a cento e cinquenta soldados ali. Mas havia o esquadrão especial de Ely, que consistia nos 12 melhores deles. E, com isso, havia também uma proximidade extrema entre eles.

Eram os primeiros companheiros de Ely, sua família, seus irmãos e irmãs. Ely mataria e morreria por eles. E também os mataria.

– Qual a graça, malditos? – Indagou Ely, irritado.

– Nada, capitão. Só é engraçado vê-lo todo torto por causa de uma pirralha. – Respondeu um deles.

– Deixe de falar besteira. O que estão fazendo aí.

Uma das soldados se precipitou. Ela tinha olhos azuis bem vivos e cabelos negros feito breu.

– É que fizemos uma aposta, sabe. E os moleques perderam.

– É! – Atalhou o soldado de antes. – Apostamos que a pirralha duraria um minuto ou mais. Eles apostaram que ela não durava nem meio minuto. Já sabe… mais dinheiro pro meu cofre, hehe.

– Pirralha uma ova! – Emma gritou. – Eu tenho nome, desgraçado.

Um grande urro foi ouvido por parte dos soldados ali. A menina se irritava facilmente, e esses soldados ganhavam seu dia quando ela mostrava seu lado resmungão.

– Seus pais nunca te ensinaram boas maneiras? – Indagou um dos soldados.

– Ensinaram, mas diante de tantos babacas, me disseram para esquecê-las.

Outro coral de risadas se fez, e o guarda que discutia com Emma se levantou.

Se tratava de um sujeito negro de cabelos encaracolados e tatuagens em torno dos braços. Era um dos mais fortes combatentes da guarda pessoal de Ely. Este era Anwar Virani.

A jovem de antes se levantou também, ciente do temperamento difícil de Anwar. Ele era alguém que gostava de brincar com todos, mas não recebia bem o troco.

– Me chamou de que, pirralha?

– De babaca. Ou além disso também é surdo?

Os soldados não ousaram rir, pois sabiam que diante do enfurecimento de Anwar, era melhor não se envolver.

– Já chega! – Decretou o capitão, se colocando entre Emma e Anwar.

A jovem de olhos azuis se aproximou também colocando a mão no peito do colega.

– Já chega disso. Ela é apenas uma menina.

– Menina? Não passa de uma vadiazinha que o Capitão tem brincado de pai e filha. Ei Ely! Você sabe que ela não a substitui, certo?

Uma veia saltou na testa de Gerrard. Poucos o irritavam tanto quanto este.

Percebendo que Anwar havia tocado numa ferida, os outros soldados se ergueram, se aproximando.

– Passou do ponto, Virani! – Disse um dos mais velhos.

– Erina! – Ely falou, encarando Anwar bem fundo nos olhos. – Leve este moleque agora mesmo, ou não pode restar nem cadáver para enterrá-lo.

Erina, a jovem de olhos azuis, lutou para afastar Anwar, enquanto este encarava Emma.

Quando estava bem distante o sujeito abriu a boca novamente.

– Tem sorte de estar protegida pelo papai postiço, vadiazinha, ou nem sobraria um cadáver seu.

Emma, irritada, se virou e esticou as mãos. Tudo para ela ficou branco. Não havia pensamento, nem explicação.

Ela estava irritada com tudo e todos, e esse babaca foi o estopim. Se trocar com uma criança? Que tudo se danasse.

Emma ainda ouviu a voz de Ely dizendo: “Em, não!”, mas era tarde demais.

Num clarão absurdo e num piscar de olhos, Emma sentiu um repuxo no abdômen, e depois uma força se concentrando na ponta de seus dedos.

Era como se ela tateasse uma esfera pequena, mas distante, e envolvesse num punho. Mas quando abriu a mão, essa esfera sumiu.

Lentamente a luz retornou e Emma observou diante de si.

Os soldados estavam espalhados pelo chão, buscando se proteger. Ela mesma estava caída, encarando o nada…

Não o nada exatamente. É que há poucos minutos, havia algo. E agora, boa parte daquela área de treinamento havia sumido. E Anwar estava deitado, com Erina sobre ele, pálidos, observando o lugar que estavam, tendo sumido tão loucamente.

Emma ergueu o rosto, assustada, se perguntando o que diabos tinha acontecido. Ely, que ficara pálido como nunca antes, observava o espaço vazio, antes preenchido por bancos e grama. Não havia nada além de um enorme buraco redondo e conciso. Era como uma esfera tendo engolido o lugar.

Ely passou as mãos nas costas de Emma e a olhou, aturdido.

– Que raios foi isso? 

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