Volume 12
Prévia: Capítulo 1: Um Símbolo do Passado que Ela Queria Esquecer
[Del: Olá, caro leitor, só quero informar rapidamente que este capítulo é apenas uma parte do volume 12 de Otonari no Tenshi, que será lançado dia 14 de Março. Por mania da autora, ela sempre disponibiliza um pequeno capítulo como prévia lá na WebNovel da obra, que, no caso do volume 12, sua prévia é o capítulo 310 da WebNovel. É isto, boa leitura!]
Do quê... ele acabou de chamá-la?
O garoto definitivamente disse aquilo a Mahiru, e se Amane não tivesse ouvido errado, ele a chamou de sua...
Quando a mente de Amane assimilou as palavras do garoto, Mahiru já o encarava. Seu olhar primeiro se arregalou em descrença, depois se estreitou, afiado e inflexível.
Ela o encarou com olhos frios, cheios de medo e desgosto.
Até Amane, que não sabia de toda a história, percebeu que ela não estava reagindo ao garoto em si. Ela o encarava diretamente, como se imaginasse outra pessoa completamente diferente.
Se o garoto percebeu isso, era impossível dizer, mas ele reconheceu a ausência de calor na expressão de Mahiru. Tenso, ele recuou um pouco.
“...E quem é você?” Mahiru então perguntou ao garoto com uma voz reta e monótona. O olhar que ela lançou a ele foi a única emoção que ela demonstrou.
A recusa de Mahiru foi direta e inconfundível. Ela normalmente tratava a todos com cordialidade e cortesia, mas agora exibia uma expressão intensa que não deixava espaço para mal-entendidos sobre suas intenções. Irradiava uma única mensagem: ‘Fique longe.’ Fria e inacessível, ela não deixava espaço para interação.
“Acho que nunca nos conhecemos.”
Mahiru falou com uma voz clara, calma e lenta, no entanto, ainda afiada como aço laminado. Tinha um peso de gelar os ossos, frio o suficiente para abalar uma pessoa até o âmago.
[Moon: Mamãe, estou com medo da Mahiru fria… | Kura: Deve ser tenso estar no lugar da Mahiru, por tudo que ela passou.]
Não era preciso ser um gênio para perceber que Mahiru não queria nada com ele. O garoto se encolheu sob o olhar frio dela, mas não recuou. Seus punhos cerraram-se ao lado do corpo, preparando-se para o que viria a seguir.
“Você é... Shiina Mahiru-san, certo?”
“...E se eu for?”
“Eu sou, hum... alguém ligado à sua mãe...”
Ele se esforçou para manter a voz firme, como se tivesse pronunciado as palavras depois de uma longa e silenciosa luta.
Os ombros de Mahiru tremeram.
Amane notou que o arrepio que a percorreu chegou até a ponta dos dedos. Ele podia estar ao lado dela, mas intervir naquele momento seria cruzar um limite — um limite não como seu namorado, mas como algo mais. Sem poder fazer mais nada, ele simplesmente estendeu a mão e segurou delicadamente a mão trêmula dela.
“Vim aqui hoje porque... eu queria falar com você.”
“...Sobre o quê, exatamente?”
“Sua mãe. É tudo o que direi por enquanto.”
O garoto olhou brevemente na direção de Amane, sabendo que ele era alguém de fora.
É claro que ele notara Amane desde o início, mas deliberadamente optara por ignorá-lo. Amane se preparou, preocupado que o garoto pudesse mandá-lo embora, já que se tratava de um assunto pessoal e familiar. Mas parecia que ele não tinha intenção de afastar Amane.
Ainda assim, a maneira como ele olhava com uma ponta de hesitação sugeria que não sabia bem o que fazer com a presença de Amane.
Com toda a razão, Amane deveria ter saído. Mas, dado o estado atual de Mahiru, uma conversa civilizada seria impossível se eles estivessem sozinhos. Exteriormente, Mahiru parecia calma e serena. Mas, no fundo, suas emoções estavam à flor da pele como um mar tempestuoso. Amane tinha certeza disso.
“Receio não ter interesse na minha mãe nem intenção de me envolver com ela. Por favor, vá embora.”
“Por favor, apenas me escute... Eu não vou — eu não posso — ir para casa até que você escute.”
“Você não pode? Por quê?”
“...Eu, uh... eu fugi. De casa. Para vir aqui.”
O garoto estava desconfortável e seus olhos vagaram pela área do saguão, sem jeito. Finalmente, ele olhou para Mahiru com olhos desesperados.
Mahiru encarou seu olhar suplicante com um olhar estranhamente gélico. “Então volte para casa. Eu até pago sua corrida de táxi, se for preciso.”
“Eu não vou embora até que você ouça! Não importa o que aconteça!”
“Eu não estou interessada. Agora, por favor, vá embora.”
As palavras de Mahiru foram definitivas. Ela encarou o garoto, seu olhar frio não deixando espaço para esperança, mesmo que ele se agarrasse teimosamente a ela.
“Você sabe como minha mãe me tratou?”
“...Eu não diria que sei, mas... posso imaginar.”
Mahiru piscou lentamente — uma vez, profundamente.
Então, como se não conseguisse mais se conter, Mahiru apertou os lábios em frustração, as sobrancelhas franzindo levemente de dor.
Seus olhos pareciam gritar: ‘Por quê?’ enquanto ela o encarava. Vendo aquele grito silencioso, Amane também mordeu o lábio, compartilhando sua angústia.
“Então você entende por que eu não quero nada com ela, não é?”
“...Eu entendo. Mas eu também tenho meus próprios motivos.”
“Estamos andando em círculos. Para esclarecer, não sou obrigada a te ouvir. Assim que passar por esta entrada, você não será mais apenas um estranho — estará invadindo propriedade privada. Se tentar entrar, chamarei a polícia. E, francamente, na sua idade, ficar vagando assim por mais tempo provavelmente fará com que seja escoltado para casa por um policial. Se você sabe o que é bom para você, irá para casa agora.”
“Mesmo assim—!”
[Moon: Nossa… doeu… Eu consigo entender os dois lados. Deve ser difícil para eles… Que “mãe”, não é mesmo? | Kura: A Mahiru gélida… é bem sombria.]
O comportamento atual de Mahiru seria irreconhecível para qualquer um que a conhecesse. Ela estava fria ao ponto da crueldade e completamente inflexível. Não demonstrou a menor intenção de recuar. No entanto, em forte contraste com a força de sua voz, sua expressão era sombria, dolorida e fraca.
Foi uma mudança sutil, que só alguém como Amane, que realmente a entendia, poderia notar. Mas estava lá.
Mahiru estava encurralada, assim como o garoto.
Se acreditasse em suas palavras, o menino provavelmente era filho de sua mãe. E, no entanto, em vez de se autodenominar filho dela, ele escolhera o rótulo vago de “alguém ligado a ela”, um detalhe que pareceu suspeito a Amane. Se ele realmente era ou não seu filho não mudava nada: para Mahiru, qualquer coisa que envolvesse sua mãe era algo que ela não queria lembrar nem pensar.
Isso estava claro pela mão fria e trêmula em seu aperto. Se ele não estivesse segurando a mão dela, ela poderia ter se afastado e ido embora. Mahiru não queria nada além de ir embora.
“Mahiru, posso intervir por um momento?”
Se as coisas continuassem assim, a saúde mental de Mahiru estaria em risco. Nenhum dos lados estava disposto a ceder, e nada seria resolvido naquele ritmo. Era por volta da hora em que os alunos chegavam em casa também — alguém poderia vê-los.
Mahiru odiava a ideia de que seus assuntos familiares se tornassem visíveis. Mesmo que ninguém da escola morasse naquele prédio, chamar atenção ainda era um risco que eles não podiam correr.
Precisamente por ser alguém externo a isso, Amane sabia que precisava intervir para romper o impasse e tirá-la disso.
“Não acho que esse vai e vem vá dar em algo se as coisas continuarem assim.” Amane se virou para o garoto. “Então... tudo bem se eu conversar um pouco com você no lugar da Mahiru? Eu entendo que, para você, provavelmente pareço um cara qualquer invadindo a situação.”
O garoto já o encarava. Embora não fosse hostil, ele claramente se perguntava: ‘Quem é esse cara?’ o que, considerando tudo, era uma dúvida justa. Da perspectiva dele, Amane era um completo estranho.
Ainda assim, Amane manteve a voz suave, tomando cuidado para não provocá-lo ou alarmá-lo. E, em resposta, o garoto se virou para Amane com uma curiosidade inocente, considerando se deveria ouvi-lo.
“Primeiro, você se importaria de me dizer seu nome?”
“...Kei.”
O garoto — Kei — respondeu calma e hesitantemente, depois olhou para Amane timidamente.
Foi a primeira vez que se entreolharam diretamente nos olhos.
Kei não se parecia muito com Mahiru. Talvez houvesse um toque de semelhança em sua modéstia, mas seus traços faciais não eram semelhantes em nada significativo.
Isso só ficou mais complicado, pensou Amane, suprimindo um suspiro enquanto sustentava o olhar de Kei.
“Kei-kun, então. Você disse que queria falar sobre a mãe de Mahiru.”
“Sim.”
“É algo que realmente precisa ser dito hoje?”
“Huh?”
“Além do seu próprio senso de urgência, há algum motivo para que isso não possa esperar?”
A pergunta deixou Kei perplexo, mas Amane permaneceu calmo. Ele não estava ali para ser mole com o garoto. Estava simplesmente tentando lidar com as coisas com calma como representante de Mahiru.
“Percebo que você está com pressa, Kei. Mas pense bem. Como você acha que a Mahiru se sentiu depois que você, de repente, mencionou a mãe dela? Pelo seu jeito de falar, imagino que já tenha uma boa ideia da situação em que ela se encontrava. Então, você deve entender que, neste momento, ela está chateada e ansiosa. Agora, pergunte a si mesmo: se você estivesse no lugar dela, acha mesmo que seria capaz de ouvir alguém com calma e franqueza neste estado?”
“...Não, eu não ouviria.” Kei balançou a cabeça.
Amane impediu que seu alívio transparecesse.
Se o garoto tivesse insistido teimosamente em forçar a situação, apesar de tudo o que dissera, Amane estava totalmente preparado para silenciá-lo sem piedade. Mas parecia que isso não seria necessário.
[Kura: Oloco.]
“Acho que o mais importante para você é que ela ouça o que você tem a dizer, certo? Então, tem que mesmo ser hoje? Se não, acho que seria melhor voltar outra hora. Ela pode não aceitar tudo, mas pelo menos terá mais espaço para processar sua presença. Mais do que agora.”
Até Kei precisava perceber. No estado dela atual, Mahiru não estava em condições de ouvir. Enquanto Mahiru segurava a mão de Amane, ela apertou os lábios com força. Ele podia sentir o leve tremor em seus dedos, então apertou sua mão suavemente para tranquilizá-la silenciosamente.
“Eu sempre colocarei a Mahiru em primeiro lugar. Então, se ela disser não, farei você ir embora, mesmo que isso signifique forçá-lo a ir. Para mim e para ela, você é um estranho. Não sou obrigado a atender ao seu pedido e, honestamente, não vejo razão para que eu devesse.”
Para Amane, o garoto parado diante deles era um lembrete vivo — um símbolo, até — da dor que Mahiru havia sofrido no passado.
O próprio Kei não fizera nada de errado. Mas se Mahiru não suportava sua presença, Amane faria tudo o que pudesse para agir de acordo com esses sentimentos.
“Mas ainda assim... eu vejo o quão desesperado você está. Está escrito em seu rosto. Então, você poderia ir para casa por enquanto e voltar outro dia depois de combinar um horário adequado para conversar? Se esse encontro vai acontecer ou não, dependerá da Mahiru, então não posso garantir que seu desejo será atendido.”
Amane podia sentir a sinceridade no desejo de Kei de falar, mas isso não mudava o fato de que ele havia repentinamente colocado um fardo pesado sobre os ombros de Mahiru. E se pudesse evitar, Amane não deixaria as coisas avançarem de uma forma que a obrigasse a carregar esse peso naquele momento.
Dito isso, Amane também entendia que simplesmente rejeitar Kei e mandá-lo embora não resolveria tudo.
Se não fosse resolvido, esse encontro permaneceria como uma névoa no fundo da mente de Mahiru, corroendo-a. E não havia garantia de que Kei não voltaria.
Viver com medo de quando ele poderia aparecer novamente só desgastaria Mahiru ainda mais.
Nesse caso, seria muito melhor para o bem-estar mental dela enfrentá-lo em seus próprios termos, com hora marcada, local definido e determinação para fazê-lo. No entanto, se essa ponte se mostrasse dolorosa demais para Mahiru, ele estava disposto a queimá-la.
“Então, o que você acha?” Amane manteve os olhos em Kei.
O menino olhou para o chão e levou a mão ao pulso, claramente se sentindo deslocado e sem saber o que fazer em seguida.
“...Hoje... minha mãe não está em casa, então menti e disse a ela que ficaria na casa de um amigo. Até pedi para meu amigo me ajudar nessa... então esta é minha única chance.”
Fazer Kei mudar de ideia estava sendo difícil.
Nesse caso, Amane naturalmente ficaria do lado de Mahiru. Mas o que Mahiru queria?
Ele voltou o olhar para ela, esperando para ver sua escolha.
“Qual é o plano? Pode parecer frio, mas acho que fingir que isso nunca aconteceu e ir para casa está perfeitamente bem. Você deve colocar seus sentimentos em primeiro lugar. Estou do seu lado, não importa o que aconteça.”
Amane falou com ela gentilmente, demonstrando seu apoio inabalável. Depois de refletir sobre o assunto, Mahiru baixou o olhar.
“...Eu não o quero no meu apartamento. É proibido.”
Após quase uma dúzia de segundos de silêncio, Mahiru finalmente sussurrou sua resposta — um leve acordo.
“Então, que tal o meu apartamento? Seria um pouco menos desconfortável para você?”
Amane entendia muito bem como devia ser doloroso ter alguém ligado a um passado que você tanto tentou evitar invadindo seu santuário pessoal. Oferecer o próprio lugar como território neutro parecia a melhor opção.
O ideal seria que conversassem em outro lugar, como um café ou um restaurante familiar. Mas isso tinha seus próprios riscos. Eles poderiam encontrar alguém conhecido e, mais importante, andar por aí à noite com um garoto que não parecia ter mais idade do que um aluno do sexto ano ou talvez um aluno do ensino fundamental poderia facilmente levantar suspeitas... ou até mesmo fazer com que fossem parados pela polícia.
[Moon: Sexto ano??? Eu tava pensando que ele tava pelo menos no nono… Passada!]
Andar por aí sem saber quanto tempo a conversa poderia durar era um risco que seria melhor evitar.
Mahiru olhou desajeitadamente para Amane. Sua expressão era sombria.
“Mas... eu não quero te arrastar para isso, Amane-kun.”
“Ei, eu não me importo de ser arrastado para isso. Ah, a menos que você não queira que eu não ouça nada. Aí eu saio.”
“...Eu não quero que você vá embora.”
“Certo. Eu vou ficar bem ao seu lado.”
Se ela não conseguisse suportar sozinha, Amane estaria ali para ela.
Eles prometeram apoiar um ao outro. Que tipo de parceiro ele seria se não a apoiasse quando ela estivesse lutando? Era justo que ele carregasse o peso que pressionava suas costas.
Mahiru não recusou a oferta — longe disso. Ela parecia aliviada e até um pouco alegre.
Foi o primeiro olhar gentil que ela mostrou na frente de Kei, e isso o perturbou. Mas mesmo assim, ele pareceu aliviado, percebendo que ela estava finalmente disposta a ouvi-lo.
“...Por enquanto, se você concordar em vir à minha casa, ela concordou em ouvir. Mas apenas sob essa condição. Se preferir não falar comigo presente, então esta conversa termina aqui.”
“Tudo bem, obrigado. E... me desculpe por ser tão teimoso.”
Kei curvou-se educadamente.
Mahiru agora parecia mais confusa do que com repulsa, seu olhar pousou silenciosamente no topo da cabeça curvada do rapaz. Então, sem dizer uma palavra, ela apertou ainda mais a mão de Amane.
[Del: A Mahiru foi mortififera, e o Amane um anjo neste cap hein. Enfim leitorada, vamos ver no que esta bomba vai dar, no verdadeiro volume 12.]]
[Kura: Rapaz, esse cap é um daqueles pesados. Dá para sentir os sentimentos no ar. Realmente não é fácil para nenhum dos dois.]
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