O Anjo da Porta ao Lado Me Mima Demais Japonesa

Tradução: DelValle

Revisão: Mon, Kurayami


Vol 11.5 – Volume 11.5

Capítulo 7: Só Aceite as Coisas Pelo que Elas São

   Para Itsuki, Amane era a personificação viva de um certo ideal. E embora tivesse mais a ver com seu ambiente do que com sua personalidade, Itsuki ainda o invejava com cada fibra de seu ser. Ele teria dado qualquer coisa para ter o que Amane tinha.

   Seu amigo fora abençoado com uma vida familiar verdadeiramente afortunada. Talvez ser filho único tivesse contribuído, mas mesmo para um estranho como Itsuki, estava claro que os pais de Amane o adoravam e o criaram com respeito por sua individualidade. Ele se portava com a confiança e a consciência que vinham de saber, sem sombra de dúvida, que era o tesouro de seus pais. Ele nunca duvidou do amor deles, mesmo nos momentos em que duvidava de si mesmo.

   Era fácil ver que seus pais o amavam mais do que o mundo, e que ele, por sua vez, os amava e respeitava de volta. Parecia tão natural, tão comum, mas era tudo menos isso. Cada vez que Itsuki avistava aquele vínculo deslumbrante, ele se pegava rangendo os dentes silenciosamente.

   Não se passava um momento sem que ele não sentisse inveja.

   Mais de uma vez, Itsuki comparou a expressão de seu pai à de Shuuto em sua mente, perguntando-se com uma expressão amarga por que seus próprios pais tinham que ser tão diferentes.

   Não era como se ele nunca tivesse sentido o amor de Daiki. Itsuki acreditava que, à sua maneira, Daiki se importava com ele. Mas esse afeto não era amor familiar, nem mesmo amor por ele como indivíduo. Seu pai era apegado à sua imagem de filho ideal, um boneco que combinava com a imagem em sua mente.

   Não, até isso era discutível.

   Era como se ele fosse apenas um substituto para aquele boneco, nada mais do que um boneco reserva guardado no armário com o pensamento de: “Ei, talvez eu precise disso algum dia?” Caso contrário, como ele poderia explicar o fato de seu pai só ter prestado atenção nele depois que seu irmão mais velho praticamente fugiu de casa? Se seu irmão nunca tivesse desafiado Daiki, Itsuki tinha certeza de que teria sido negligenciado o tempo todo.

   Itsuki não acreditava que o amor incondicional de um pai existisse. Desde que atingiu a idade suficiente para entender o mundo, tudo o que via era seu irmão sendo conduzido pelo treinamento de herdeiro, enquanto seu pai, absorto naquele treinamento, mal lhe lançava um olhar. Às vezes, ele até se perguntava se seu pai o havia rejeitado por ser inútil demais para ele.

[Moon: Gente, meio que nada, mas tudo a ver: Touya (Dabi) e Shoto, de My Hero Academia… Bem vibes, sei lá, só lembrei deles. | Del: Você tem um ponto.]

   Ele não sabia qual era a verdade, mas, pelo menos, até seu irmão se rebelar, Itsuki recebera apenas o mínimo necessário dessa educação. Foi somente depois que seu irmão partiu que o treinamento severo começou. Certamente, o “amor” de Daiki era algo que ele só poderia conceder a alguém em quem se visse refletido, alguém que correria o resto da corrida de sua vida por ele. E se esse era o seu amor, dificilmente poderia ser chamado de incondicional.

   Amor incondicional tinha que ser... sim, algo como o que o Amane recebia de seus pais.

   Esse mesmo pensamento mexeu com a cabeça e o peito de Itsuki, e um turbilhão de emoções obscuras girava em sua mente.

   Ele definitivamente não odiava Amane. Longe disso. Como pessoa, ele o achava genuinamente admirável.

   Claro, sua língua podia ser um pouco áspera às vezes, mas ele era um garoto gentil, quieto e tímido que ainda não conseguia evitar se intrometer por gentileza. Ele odiava qualquer coisa desonesta e, nos dias de hoje, sua pureza direta, determinação e honestidade eram raras. De uma maneira diferente de Yuuta, Amane era um jovem exemplar que ostentava as marcas de uma boa educação. Mesmo sendo apenas seu amigo, Itsuki percebia isso. Ele era o tipo de pessoa com quem era super confortável estar.

   Itsuki jamais poderia odiá-lo. Na verdade, ele o amava. De verdade. No entanto, lá no fundo de seu peito, uma tênue brasa de ressentimento reacendeu. Era um sentimento incontrolável, muito além de seu controle. Sentimentos queimados e enegrecidos ardiam silenciosamente, como brasas se recusando a se apagar. E não era culpa de Amane. Não, a culpa era do próprio Itsuki, por olhar para o próprio amigo com emoções tão feias.

   Amane não fizera nada de errado. Nunca ostentando o que tinha, era simplesmente amado pelos pais como se fosse a coisa mais natural do mundo, e os amava na mesma moeda. Só isso. Um vínculo belo e precioso. Um relacionamento ideal entre pais e filhos, o tipo que alguém naturalmente desejaria ter.

   E Itsuki sentia ciúmes. Ciúmes porque a vida de Amane personificava esse ambiente ideal.

   Ele sabia muito bem que era um sentimento egoísta e unilateral. Por mais tenso que fosse seu relacionamento com o próprio pai, não justificava invejar, ressentir-se e até odiar o outro pelo que possuía. Ele até riu de si mesmo mais de uma vez diante da pura tolice de tudo aquilo. O próprio fato de abrigar esses sentimentos só reforçava o quão miserável ele era como pessoa.

   Juntamente com a inveja que apodrecia nas profundezas de seu coração, pairava um lodaçal de autoaversão. Sem dúvida, a causa era sua conversa de Ano Novo com Shuuto. Cada palavra que ele dizia, cada expressão que demonstrava e cada gesto que fazia levavam Itsuki a uma única conclusão.

   Então é assim que um pai ideal se parece...?

   Não é justo.

   Em palavras, era infantil, até patético. E, no entanto, ele ainda achava que não era justo. Ver alguém ter algo que ele nunca poderia alcançar, não importa o quanto tentasse, o deixava com um ciúme inacreditável.

   Amane chegara ao ponto de se dedicar de corpo e alma a ajudá-lo, encorajá-lo e cuidar dele junto com Chitose. E, apesar de tudo isso, aquela brasa ardente no fundo de seu peito se recusava a morrer, manchando a pura boa vontade que sentia pelo amigo com uma mancha lamacenta de ressentimento.

[Moon: Mahiru🤝Itsuki → Querer roubar os pais do Amane para eles! (de um jeito amigável, óbvio) kakakak | Kura: Todos querem uma fatia kkkk.]

   Ele sabia que essas emoções não eram melhores do que a birra de uma criança, e que simplesmente guardá-las o tornava uma pessoa feia ou até mesmo desprezível. Mas isso não significava que ele conseguiria fazer aquilo parar. A cada repreensão que Daiki lhe lançava, outra gota caía... depois outra... e outra. Ele sabia que não devia comparar, mas mesmo assim sua mente o fazia, levando-o à inveja e, em seguida, à autoaversão.

   Enquanto Itsuki cerrava os dentes para conter a escuridão que se agitava dentro dele, uma voz preocupada interrompeu seus pensamentos.

“Parece que você está com alguma coisa na cabeça. Aconteceu alguma coisa de novo?”

   Itsuki estava matando tempo conversando com Amane em uma lanchonete, já que não estava trabalhando hoje. Mas, como Itsuki de repente ficou quieto no meio da conversa, Amane o olhou preocupado.

“É tão óbvio assim?” Itsuki perguntou em resposta.

“Super óbvio. Sugiro que você limpe a cara antes que a Chitose perceba ou simplesmente diga a ela o que está errado. Não a vejo te perdoando se você guardar outro segredo dela.”

   Até Amane, que normalmente era rápido em ler as pessoas, não conseguia entender o que o estava incomodando e presumiu que tinha algo a ver com Chitose. Considerando os eventos recentes, essa suposição tinha algum fundamento, e o fato de Itsuki deixar suas preocupações transparecerem quando estava sozinho com Amane só reforçou isso.

“É... é algo bem pessoal.”

“Então acho que não devo perguntar.”

“Aaaah... Mm-hmm. É.”

   Amane provavelmente estava certo. Quem em sã consciência gostaria de saber que o próprio amigo tinha ciúmes? Este não era um assunto que Amane pudesse resolver, quer Itsuki contasse a ele ou não. Na verdade, contar a ele só daria a Amane mais uma preocupação.

   E Itsuki se sentiria mais leve por confessar? Improvável. Ele não tinha vontade de dizer nada que pudesse colocar em risco a amizade deles. E, no entanto... uma parte feia dele ainda queria despejar aqueles sentimentos imundos em seu amigo, que tinha tudo o que lhe faltava. Jogar tudo em Amane, mesmo que significasse ser odiado por isso... Não — talvez fosse exatamente isso que Itsuki realmente queria. Talvez ele ansiasse pela segurança de ser punido e ter seus próprios sentimentos desagradáveis ​​desprezados.

“O que isso quer dizer?” perguntou Amane, perplexo.

“Estou hesitando porque, se eu disser, pode mudar as coisas entre nós.”

“Parece algo grande?”

“Não, é algo pequeno. Mesquinho, na verdade.”

   Não passava de uma preocupação egoísta, mesquinha e patética.

“Ei, uh...”

“Que foi?”

“Eu, uh... gosto de você, Amane,” disse Itsuki com uma expressão extremamente séria.

[Kura: Calma aí chefe kkkkk, cuidado com a Mahiru. | Moon: akakakakak]

   Amane imediatamente se recostou na cadeira.

   Itsuki lhe deu um sorriso torto. “Cara, não se afaste assim em silêncio — não é isso. Eu já tenho a Chi, sabia? Não vou confessar meu amor por você.”

“Você quase me arrepiou.”

“Não tire conclusões precipitadas. A verdadeira questão começa aqui.”

   É verdade que Itsuki havia expressado isso de uma forma que praticamente implorava por mal-entendidos, então dizer a Amane para não se precipitar era um pouco irracional. Mesmo assim, Amane se inclinou, pronto para ouvir.

“Quer dizer, eu gosto de você, mas é,” acrescentou Itsuki.

“Obviamente. Não seríamos amigos se você me odiasse.”

“...E daí se eu te dissesse que já odiei?”

   Itsuki estava angustiado se deveria desabafar ou guardar para si. Essa era uma confissão que poderia criar um abismo entre eles e tinha o poder de decidir o futuro da amizade deles. Mesmo que a amizade se desfizesse ou nunca mais fosse a mesma, Itsuki já havia decidido aceitar esse resultado sem reclamar. Então, com bastante medo, ele finalmente contou a Amane.

“Ah. Certo.”

   Essa foi a única resposta que ele recebeu. Simples e direta.

   Sem choque, sem raiva — apenas a expressão normal de Amane enquanto aceitava as palavras de Itsuki sem julgar.

“Cara, essa é uma reação casual demais.”

“Não seria mais assustador se você começasse a gritar: ‘Eu te amo! Você é o melhor! Não consigo viver sem você!’? Minha pele ficaria arrepiada.”

“Acho que sim.”

   Amane, que tantas vezes lançava comentários afiados como facas para Itsuki, definitivamente ficaria assustado se Itsuki fizesse algo assim. Caso contrário, presumiria que Itsuki era doente da cabeça. Era exatamente quem ele era.

   Itsuki foi quem ficou abalado, surpreso com a facilidade com que Amane aceitou sua confissão sem um pingo de hesitação ou dor. Amane, por outro lado, apenas exibia um olhar mais suave do que o normal ao dizer calmamente: “E?” para incentivá-lo.

“...Vou ser sincero, nem sei se ‘ódio’ é a palavra certa. Talvez dizer que te invejo seja melhor. Ou que estou com ciúmes.”

“Ah. Então você está falando dos meus pais.”

“Às vezes você é um pouco rápido demais para entender, sabia?”

“Não mesmo? Essa é a única coisa que eu te vejo tendo inveja.”

   Amane riu alegremente, provavelmente nem percebendo como se comportava em momentos como aquele.

   Claro, sua situação familiar era o que Itsuki mais invejava, mas havia muitas outras coisas que ele gostaria de ter. Ainda assim, tudo se resumia à simples inveja. Mas como isso não vinha ao caso naquele momento, Itsuki não insistiu em seu comentário.

     Eu já sabia, mas esse cara é inacreditável...

“Então... Inveja e ciúme são um pouco diferentes, não acha? Ciúme significa que você quer algo que aquela pessoa tem.”

“É, eu diria que sim.”

   Ciúmes significava esperar alcançar a mesma coisa para si mesmo, enquanto inveja significava ressentir-se da pessoa que já tem. Não importava como; apenas o fato de possuir essa coisa os fazia parecer imerecidamente sortudos.

   E não importava o quão tolo Itsuki soubesse que isso era, ele não conseguia conter esses sentimentos.

“A verdade é que não consigo evitar sentir ciúmes ou até mesmo ressentir-me de você quando me deparo com diferenças entre nós que nunca consigo resolver, por mais que eu tente. Mas não é como se você tivesse feito algo errado, e também não é algo que eu possa mudar, então esses sentimentos acumulados simplesmente não têm para onde ir. Se eu pudesse mudar meu velho, eu mudaria — mas não consigo. Mesmo confrontá-lo cara a cara não funcionou. E é por isso que aqueles sentimentos horríveis continuam girando na minha cabeça esse tempo todo.”

“É... Afinal, isso é algo que nenhum de nós pode fazer algo.”

   Claro, Itsuki ainda estava se esforçando ao máximo para se transformar e remodelar seu ambiente, mas isso era um assunto completamente diferente. Não importava o que fizesse, ele ainda invejava Amane. Ainda se ressentia dele. Se tivesse os pais de Amane, não teria que suportar tanta dor. Ele poderia ter concentrado suas forças em outra coisa. Ele poderia ter evitado que Chitose se machucasse.

   Não passava de um sonho distante, uma fantasia inatingível que ele jamais conseguiria realizar, mas não conseguia deixar de desejar poder.

“Mas é patético e feio sentir tanto ciúme de um amigo. Eu me odeio ainda mais por isso.”

“Certo. E não é você me pedindo para consertar isso nem nada, né?”

“Não. Eu sei que não era algo que eu deveria estar te contando... mas, tipo, guardar isso para apodrecer dentro de mim é um inferno desgraçado. Mesmo assim, eu também sabia que você se sentiria péssimo se eu simplesmente te contasse do nada, então fiquei pensando várias vezes se devia te contar ou não.”

   Itsuki não era tolo — sabia que dizer tudo isso só colocaria Amane em uma situação difícil. Teria sido muito mais gentil guardar para si. Afinal, admitir que se sentia assim por um amigo de confiança só o incomodava. E, mesmo assim, ele foi em frente e jogou a culpa em Amane. Sabia o quão egoísta isso era e já havia se conformado em ser desprezado ou repreendido por isso.

   Mas Amane apenas ficou sentado ali com uma expressão de absoluta calma.

“A propósito, não estou machucado nem nada. Não é assim que o biscoito se esfarela?”

“Como o biscoito se esfarela...?”

[Del: Moon, carioquinha, tá certo isso? | Moon: Certíssimo! Quem falar bolacha merece levar um tapa. Agora, se isso foi sobre a expressão em si, eu deixo pro Kura se virá, digo, responder! | Kura: Eu? kkkkk.  Pelo que pesquisei é uma frase em inglês "That's the way the cookie crumbles", e ela significa que é natural, ou seja, as diferenças são naturais (bem tipico do Amane falar isso).]

“Relacionamentos não são coisas simples. Só porque somos amigos não significa que você só sentirá coisas boas por mim. É normal ter coisas que você não gosta também. E se for sobre algo fora do meu controle, então não faz sentido eu me preocupar com isso, não é?” Amane disse, seu tom calmo e casual. Ele então acrescentou: “Se eu cometesse algum tipo de erro, então claro, eu refletiria ou sentiria remorso pelo que fiz.”

   Amane exibia um sorriso tão brilhante e tranquilo que quase parecia revigorante.

“Ou você quer dizer que quer cortar laços comigo? Ou que me odeia tanto que nem quer mais conversar?” Ele então perguntou, olhando Itsuki nos olhos.

“Claro que não.”

“Então, sem problemas, certo? Apenas lute contra isso até conseguir fazer as pazes consigo mesmo.”

   A atitude de Amane permaneceu infinitamente calma e direta, como se não se importasse com os sentimentos de Itsuki. Mesmo assim, Amane ainda o observava com uma distância gentil. E, por algum motivo, isso fez Itsuki querer chorar.

   De certa forma, teria sido mais fácil para Itsuki se Amane simplesmente o tivesse culpado. Mas ele não o acusou nem o desculpou. Simplesmente ficou ali com ele, esperando até que Itsuki conseguisse engolir seus próprios sentimentos.

   Era irritante o quão incrivelmente brilhante ele parecia.

“...Algo nisso me irrita,” admitiu Itsuki.

“O que eu fiz?”

“Tudo.”

   Eram momentos como esse que faziam Itsuki sentir ciúmes de Amane novamente.

“Ugh... Juro, tudo me faz odiar a mim mesmo. Minha própria mesquinharia, minha feiura, minha estupidez — tudo.”

[Moon: JURO amigo, total✨]

“Você está uma queda por se menosprezar hoje.”

“Pode me culpar? Eu sou um idiota.”

“Bem, sim, você é um idiota.”

“Grosso!”

   Amane acabara de chamá-lo de idiota na cara dele, mas Itsuki sabia que não era um insulto real.

   Enquanto observava Amane rir e bebericar seu milk-shake de matcha, Itsuki sentiu como se um peso tivesse sido tirado de seu peito. Às vezes, ser provocado e zoado daquele jeito era exatamente o que ele precisava. Itsuki tomou um gole de sua mistura de café agora morna, sentindo-se interiormente grato por Amane saber como agir da melhor maneira.

[Del: “Bebericar”, que palavra chique. | Moon: Já pode beber?? Ah não, pera… | Del: Depende, o Kura não. | Kura: Calma, que bebida? A propósito, meu aniversário é dia 19 de dezembro :) .]

“De qualquer forma, não pense demais. Eu também tenho coisas que não gosto em você, então você não está sozinho”, riu Amane. Percebendo que Itsuki havia se acalmado, ele casualmente revelou a verdade.

[Kura: Você deve aprender que todos são diferentes em vários aspectos.]

   É, faz sentido, pensou Itsuki. Ele não ficou surpreso, mas sabendo o quão tolerante Amane costumava ser, isso o fez se perguntar: O que diabos ele acha irritante em mim?

“Hmph. Espera, deixa eu adivinhar... Será que eu me empolgo demais!?”

“Pelo menos você sabe disso... Mas não, eu não diria que odeio isso, embora às vezes eu meio que queira te dar um tapa por isso.”

“Por que tão violento!? Certo, então é que eu consigo ser bem barulhento?”

“Deixa eu adicionar isso à lista, na verdade.”

“Nossa, rude! O que é então...?”

   Claro, Itsuki poderia listar muitos dos seus próprios defeitos se quisesse, mas não conseguia pensar em muitos que Amane realmente não gostasse. Ele imaginou que Amane só se incomodasse com coisas que o afetavam diretamente — mas, aparentemente, não era o caso.

“Eu não gosto que você se convença de que alguém vai te odiar, mas depois deixa para lá e diz a si mesmo que não tem jeito? Isso é complicado vindo de mim, mas você tem esse hábito de se preparar para desistir quando as coisas pioram. Você é mais tímido do que eu, sempre criando uma rede de segurança mental para não se sentir magoado.”

   Isso imediatamente atingiu Itsuki. Era exatamente isso que ele gostava e não gostava em Amane. Ele não conseguia nem formular uma resposta. Sua boca apenas abria e fechava, passando por nada além de sua respiração. Enquanto isso, Amane, sempre imperturbável, olhava para ele com uma expressão de descrença.

“Você acha que eu te julgaria por algo assim? Isso só mostra o quão pouco você realmente me entende. E você acha mesmo que eu me machucaria por algo tão mesquinho? Itsuki, você só está se machucando por coisas que você mesmo inventa.”

“...Você é tão irritante.”

   Foi tudo o que Itsuki conseguiu dizer em resposta.

“Sim, claro, tanto faz. Você vai precisar de mais do que isso para me machucar.”

“Chaaatooo. Idiota dos idiotas.”

“Palavras grandes são difíceis demais para você?”

“Um pouco de empatia é demais para você?”

   Se Chitose estivesse lá, provavelmente teria suspirado na cara deles e perguntado se eram crianças. Mas logo, a conversa boba entre eles levou a melhor, e ambos acabaram rindo.

   Itsuki ainda sentia inveja de Amane, e o sentimento lhe causava uma pontada no peito, mesmo agora. Mas isso não era nada comparado ao quanto Itsuki gostava e respeitava Amane como pessoa. Ele admirava sua força gentil — como ele conseguia aceitar as emoções desagradáveis ​​de alguém, acalmá-las com gentileza e aliviar a dor até que ela passasse.

“Não vejo por que não podemos continuar amigos mesmo com esses sentimentos. No fim das contas, é assim que a amizade funciona,” refletiu Amane.

“Te amo, cara.”

“Eca, que nojento.”

“Tá, malvado.”

“Sim, é verdade, eu sou um malvado de carteirinha. Me odeie por isso, se quiser.”

“Você é MUITO chato!”

“Só agora que percebeu isso?”

“Eu sei disso há séculos!”

   Itsuki ficou grato por Amane ainda brincar com ele daquele jeito, mas, sinceramente, ainda era um pouco irritante. Então, pegou uma das batatas fritas encharcadas que restavam na bandeja e se virou, apenas para ouvir Amane rindo baixinho em algum lugar fora de sua vista.

[Kura: Essa sim é uma amizade saudável.]

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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