Vol 11.5 – Volume 11.5
Capítulo 6: Amigos em Desenvolvimento, e Eterno Amor
Desde o fim das férias de Ano Novo, Chitose começou a se dedicar de verdade aos estudos.
Depois de conversarem sobre trabalhar duro juntas, ela decidiu seguir esse caminho. Agora, estava muito mais proativa em pedir ajuda a Mahiru e, mesmo quando Mahiru não estava por perto, abria seus livros didáticos e de referência sozinha.
[Moon: Minha menina evoluiu tanto… Que orgulho!! Gente, eu quase não comento sobre, mas eu amo a Chitose, uma das minhas personagens favoritas. | Kura: Vocês se parecem, em questão de energia kkkk.]
Foi uma mudança maravilhosa que Chitose entendeu ser necessária para o seu futuro. Mahiru, que desejava apenas que Chitose trilhasse o caminho que desejava, acolheu essa mudança de todo o coração.
É claro que Chitose ainda tinha seus momentos de preguiça, mas como estava se esforçando genuinamente para estudar, Mahiru não tinha motivos para reter seu apoio.
Embora hoje fosse feriado, Amane estava trabalhando, então Mahiru convidou Chitose para sua casa para revisar o material do primeiro ano. Conhecendo Chitose, Mahiru suspeitava que tudo o que ela havia enfiado na cabeça para as provas já havia escapado de novo, então ela mesma fez a sugestão. E depois de cerca de duas horas orientando-a na revisão, Mahiru percebeu que sua suspeita estava totalmente correta.
“Ah, cara, por que minha eu do passado tinha que ser tão idiota...?” Chitose resmungou de arrependimento, com o rosto enterrado na mesa da sala de estar.
Mahiru deu um sorriso malicioso ao fechar o livro didático.
“Quando olham para trás, todos têm coisas das quais se arrependem ou gostariam de ter feito diferente. O que importa é aprender com essa lição para planejar o próximo passo.”
Chitose ainda se lembrava de bastante coisa quando se tratava de matérias em que cada módulo se baseava no anterior — como fórmulas matemáticas ou gramática inglesa. No entanto, com linhas do tempo de história, detalhes de eventos passados ou vocabulário inglês, havia lacunas enormes em sua memória. De vez em quando, um lamento doloroso de “Ah, nós aprendemos isso...?” escapava de seus lábios. Claro, eram coisas que ela havia estudado há um tempo considerável.
Os exames de vestibular exigiam não apenas tudo o que os alunos aprendiam ao longo dos três anos do ensino médio, mas também muito do ensino fundamental e elementar. Se ela não dominasse o básico, inevitavelmente esbarraria em um obstáculo. Surpreendentemente, eram esses fundamentos que muitos alunos falhavam, então Mahiru decidiu que a abordagem delas seria revisitar o que Chitose já havia ‘aprendido’, consolidando sua base aos poucos.
“Você faz parecer moleza, Mahirun.”
“É que eu estudo com antecedência e crio o hábito de revisar regularmente. A quantidade de tempo que investimos é simplesmente diferente. Enquanto você se dedicava a correr, eu passava os dias em uma mesa.”
“Ugh... Se você vem aprendendo e aprendendo desde muito antes de eu começar, não tenho o direito de reclamar. Tudo o que eu fazia era correr ou ficar à toa com o Ikkun. Está na minha conta.”
“Eu ainda não chamaria isso de algo ruim. Você apenas tinha prioridades diferentes, e é graças a essa socialização que você é a pessoa que é hoje.”
[Kura: Não sei porque, mas minha imaginação se pergunta como é a Mahiru correndo.]
A verdade era que a própria Mahiru admitia que costumava ser uma garota excessivamente séria. Tão séria que beirava a teimosia.
Ela sempre soube, no fundo, que seus pais jamais a notariam — mas ainda assim, lutava e implorava pela aprovação deles. Por mais que se esforçasse, não conseguia nem aparecer no canto do olho. Essa era a vida que ela levava.
Tudo o que lhe restava era um estoque de conhecimento e habilidades. Ela não achava que isso a tornasse nem um pouco admirável. Na verdade, ela via isso como a lamentável cristalização de seus esforços desesperados.
Chitose, por outro lado, vivera uma vida estudantil muito mais saudável, e Mahiru sentira uma vaga inveja por isso.
“Eu, por outro lado, acho que fui eu a tola.”
“Hã? De onde vem essa autodepreciação repentina?”
“Não, é só que... quando olho para trás, percebo que o que eu realmente precisava naquela época era olhar um pouco mais para fora. Para usar suas palavras, Chitose-san, minha eu do passado era uma grande idiota.”
Dito isso, Mahiru agora tinha se afeiçoado a si mesma de uma forma que nunca tinha sido antes. Ela podia olhar para trás, para seus esforços passados, e sinceramente se elogiar por seu trabalho duro. Então, não era só arrependimento o que ela sentia.
“Mas é graças àqueles dias que você é a pessoa que é hoje — e que acabou namorando o Amane, certo?” Chitose pegou as palavras de Mahiru e as jogou de volta para ela.
Mahiru piscou com os olhos arregalados e estudou o rosto de Chitose, apenas para encontrá-la sorrindo em triunfo como se estivesse em busca de vingança.
“Sim, é isso mesmo. Não é que eu não tenha arrependimentos, pois tudo o que passei moldou quem eu sou hoje — e foi por essa versão de mim que o Amane-kun se apaixonou.”
“Mm-hmm. O presente é construído sobre o passado, então ficar se lamentando e se preocupando demais com ele não adianta nada.”
“De fato. De qualquer forma, você deveria refletir um pouco sobre a maneira como deixou todo o conteúdo da prova ser esquecido da sua cabeça logo depois.”
“Você tem toda a razão! Desculpe por ser tão insensata!” Com um vigoroso “Juro que vou me sair melhor!” Chitose ergueu a mão no ar.
Mahiru deu uma risadinha e cortou um pedaço pequeno do mizu-yokan* gelado que havia preparado como petisco, levando-o aos lábios.
[Moon: *sobremesa gelatinosa tradicional japonesa, feita com pasta de feijão azuki, ágar-ágar (substância gelatinosa extraída de algas marinhas) e açúcar.]
Ela sabia muito bem que, uma vez que a concentração se quebrasse, ela não voltaria imediatamente, então, em momentos como este, era melhor mudar de estratégia e fazer uma pausa.
A textura macia e a doçura refrescante do mizu-yokan se espalharam por sua língua, o que fez maravilhas para restaurar sua mente exausta de tanto estudar. Quando combinado com seu chá-verde, a doçura, a fragrância tostada e o leve amargor harmonizavam perfeitamente com o lanche, enchendo sua boca e seu coração com uma felicidade indescritível.
“Pensando bem, vocês dois estão namorando há mais de meio ano, certo?” disse Chitose enquanto cortava o nerikiri* em formato de coelho em seu pratinho com um palito de madeira preto.
[Moon: *Confeito tradicional feito com massa de pasta de feijão. | Kura: Esse asterisco de neve é bem útil, não precisamos escrever a palavra. Vou copiar sua habilidade.]
Mahiru se lembrou do momento em questão.
“Desde o festival esportivo, então pouco menos de dez meses.”
Era início de março, pouco depois das provas de fim de ano. Em breve, faria dez meses desde que haviam começado a namorar.
Mahiru se sentiu dividida — por um lado, Já faz tanto tempo assim? E, por outro, Só faz tanto tempo assim? Esses sentimentos opostos ameaçaram se chocar em seu peito, mas antes que ela pudesse entendê-los, Chitose a encarou com um olhar que dizia: “Você só pode estar brincando.”
“...Só faz tanto tempo assim?” murmurou ela.
“Por que você está me olhando toda chocada? Você estava lá quando tudo começou, Chitose-san.”
“Quer dizer, tipo, não faz nem dez meses, e vocês dois já têm esse vínculo, essa confiança, como um casal que já passou por anos juntos. Mas, ao mesmo tempo, vocês flertam como recém-casados dando um show para todos.”
“N-nós não damos um show!”
[Kura: Há, dão sim kkkkk.]
“Então você faz isso inconscientemente. Entendo, entendo. Mas devo dizer que, apesar de toda a sua energia de casal, o relacionamento de vocês é tão saudável e platônico quanto possível.”
“Chitose-san...”
“Tá bom, tá bom, foi mal.”
É claro que, mesmo tão próximas quanto eram, Mahiru nunca havia contado a Chitose o que ela e Amane tinham ou não vivenciado como amantes — por respeito a ele. Ainda assim, Chitose entendia muito bem que nada daquilo havia acontecido, e era exatamente por isso que ela provocava Mahiru daquele jeito.
...Não sou tão inocente quanto a Chitose-san parece pensar.
Era verdade que ela e Amane não haviam cruzado a linha que muitos garotos e garotas da idade deles se apressariam em cruzar. Ela já havia dito isso a Chitose — que ele a estimava o suficiente para prometer que não apressaria as coisas. Mas ela não havia compartilhado o que realmente acontecera naquele dia. Como Amane a tocara, como eles se conheceram mais profundamente.
Só de lembrar disso, suas bochechas queimavam de vergonha. Chitose, no entanto, confundiu sua expressão perturbada com timidez por estar sendo provocada e, com um sorriso largo, arrulhou: “Sua coisinha fofa!”
Mahiru optou por não corrigir esse mal-entendido. Ela simplesmente guardou essas memórias em seu próprio coração, enquanto o som da risada alegre de Chitose ressoava calorosamente em seus ouvidos.
[Moon: Aquele meme antigo “Dirty mind, dirty mind, di-di-dirty mind” (mente suja).]
“A propósito, há algo no Amane com o qual você já ficou insatisfeita?”
“O que você quer dizer?”
“Tipo, eu sei que você está louca por ele, mas não tem pelo menos uma coisa que te faz pensar: ‘Ah, ele é tão sem jeito?’. Para mim, parece que ele está corrigindo os próprios defeitos tão rápido que chega a ser irritante.”
“Irritante? O que você quer dizer com isso?”
“Bem, você sabe. Ele se esforça absurdamente para estar à sua altura e, como sempre foi diligente e sério, absorve as coisas como uma esponja e melhora incrivelmente rápido.”
“O Amane-kun é obstinado e é do tipo que continua até ficar satisfeito com os resultados.”
Mahiru não conseguia entender por que Chitose havia usado a palavra “irritante”, mas tinha que admitir que a amiga estava certa. Amane nunca deixava de corrigir seus defeitos com puro esforço.
Ele lhe disse já diretamente: “Não estou fazendo isso por você. Estou fazendo isso porque, se vou ficar ao seu lado, esse é o tipo de pessoa que quero ser.” E, na verdade, Mahiru via como aquelas pequenas coisas que antes a faziam hesitar estavam gradualmente desaparecendo.
“O poder do amor ataca novamente,” acrescentou Chitose.
“...S-só para deixar claro, o Amane-kun diz que está fazendo isso por si mesmo.”
“Claro, mas o amor é o que o motiva a fazer isso... E agora ele consegue fazer praticamente qualquer coisa, certo?”
“Bem, certamente tem sido mais difícil encontrar algo que ele não consiga fazer no dia a dia, sim.”
De fato, comparado a quando o conheceu, a diferença era gritante. Alguém poderia duvidar que ele fosse a mesma pessoa.
Amane, que antes não conseguia manter seu quarto em ordem, com roupas e revistas espalhadas pelo chão e as janelas cobertas de poeira, havia crescido a ponto de agora conseguir manter sua casa impecável sozinho. Nada desnecessário entulhava o chão, e mesmo um dedo passando pela mesa ou pelos batentes das janelas não encontraria um grão de poeira.
Sua culinária, antes tão ruim que um omelete virava ovos mexidos, evoluiu para um planejamento cuidadoso de refeições com nutrição balanceada, com pratos que não eram apenas comestíveis, mas genuinamente deliciosos.
Se antes ele mal se importava com a aparência, agora nunca negligenciava os cuidados com o cabelo e a pele. A figura frágil e curvada que ele costumava ser havia sido remodelada pelo treinamento em algo robusto e confiável, alguém que se mantinha ereto e olhava para a frente.
E além de tudo isso, Amane nunca parou de se esforçar, melhorando constantemente as áreas que lhe faltavam. Essa determinação direta era uma das coisas que Mahiru mais amava nele.
(Chitose) “Aquela bagunça sem esperança que ele costumava ser já é história antiga. Agora ele é praticamente um ótimo namorado. Honestamente, sua única falha óbvia é ser o rei dos covardes,” disse Chitose.
“O Amane-kun ficaria bravo se ouvisse você dizer isso.”
“Mas ele é um covarde.”
“...Ele é simplesmente cauteloso e respeitoso comigo.”
“Essa é a força e a fraqueza dele ao mesmo tempo. Você não deseja secretamente que ele fosse um pouco mais agressivo?”
[Kura: Rapaz, é melhor deixar essa fera sob controle…]
“A-agressivo...?”
“É, como se ele pudesse dizer: ‘Fique de olho em mim...’ e então bater na parede.”
“Eu já estou sempre olhando para o Amane-kun, e por que ele precisaria bater na parede...?”
[Kura: Lembrei de um colega agora, mas até você Chitose? kkkkk]
“Não é literal, mas entendo, entendo — você está tão perdidamente apaixonada pelo Amane como sempre. Então, eu não sei... o que você faria se ele se empolgasse e te empurrasse para baixo?”
“E-ele nunca faria...”
...isso. Mahiru não conseguiu terminar a frase.
Amane era de fato um cavalheiro — calmo, atencioso, infinitamente atencioso. Mas, como ele mesmo costumava lembrá-la, ele também era nada mais, nada menos, do que um colegial perfeitamente saudável.
Houve momentos, depois de beijos ou toques carinhosos, em que a excitação deles aumentava, o controle dele se afrouxava e suas mãos pareciam tentadas a vagar por algum lugar mais privado. Houve até momentos em que os dois, sobrecarregados, desabaram juntos no sofá.
Mas ele nunca forçou nada. A cada vez, parava para pedir o consentimento dela, provando mais uma vez o quão sincero e cavalheiro ele realmente era. Mahiru hesitou no meio da frase, e Chitose, chocada, olhou para ela com os olhos arregalados. Então, lentamente, um brilho inconfundivelmente divertido começou a colorir sua expressão.
“Nunca?” ela insistiu.
“...Talvez ele fosse fazer um pouquinho.”
“Oh meu Deus.”
“Por favor, não me olhe assim.”
“Minha nossa.”
“Chitose-san.”
“Desculpe, desculpe. Então ele realmente te empurra para baixo, hein?”
“Não para fazer o que você está imaginando!”
Mahiru ergueu a voz para interrompê-la, certa de que qualquer imagem que Chitose tivesse evocado era muito mais ousada do que a realidade. Mesmo assim, aquele sorriso travesso não abandonou o rosto de Chitose.
“Hmmm. Então ele fica meio tocador.”
“Chitose-san!”
“Tá, tá, foi mal. Sinceramente, acho que é perfeitamente natural para um adolescente, mas, ao mesmo tempo, ainda me pergunto se isso é realmente o suficiente para ele,” disse Chitose antes de acrescentar: “Ele tem um autocontrole incrível. O Ikkun poderia aprender uma coisa ou duas, sinceramente,” disse ela com um suspiro, soando exasperada, mas estranhamente impressionada.
[Kura: Otonari não é mais para crianças :) ]
Ele está tão desesperado pela Chitose-san...? Essa última observação fez os pensamentos de Mahiru saltarem para algum lugar que ela não queria que fossem. Confusa, ela afastou a ideia. Respirou fundo e então abriu os lábios para falar.
“...O Amane-kun é um homem que cumpre suas promessas. Ele nunca me pressionaria.”
“O que é, como eu disse antes, tanto uma força quanto uma fraqueza. Com o Capitão Comprometimento sendo tão determinado quanto ele, isso não faz você se sentir meio segura e meio insegura sobre seu próprio apelo?”
Chitose atingiu o cerne de algo que antes a preocupava, deixando-a incapaz de responder.
Mahiru nunca questionou seu próprio chamado apelo sexual. Ela suportou sua cota de olhares lascivos e já ouviu muitos comentários grosseiros. Acreditava que tanto seu eu interior quanto seu eu exterior eram coisas que valiam a pena refinar e sempre demonstrava o correspondente esforço para trazer à tona as melhores qualidades de ambos.
Não era algo de que se orgulhasse especialmente, mas sabia muito bem que, em parte graças à genética, sua aparência era mais do que suficiente.
E, no entanto, era exatamente por isso que a contenção de Amane a incomodava. Ele a tratava com tanta ternura, com tanta reverência, que, em momentos, ela não pôde deixar de se perguntar: Será que ele deseja algo mais do que beijos?
É claro que esse medo foi posteriormente soterrado por suas palavras, suas ações e, inegavelmente, pela forma como o corpo dele reage.
“Viu o que eu quis dizer?” Chitose prosseguiu.
“…Mesmo assim, o Amane-kun é um homem e tanto, de verdade. Eu, estando ao lado dele, sei disso melhor do que ninguém.”
“Ahh, então ele está bem e saudável lá embaixo. Ótimas notícias.”
[Kura: Oloco meu, oloco kkkkkkk.]
“Chitose-san?”
“Vou tomar cuidado com o que digo. Desculpe.”
Como ela pode dizer coisas assim… Mahiru lançou-lhe um olhar de repreensão.
Chitose apenas levantou a mão ao lado da cabeça em resposta e a acenou levemente em sinal de rendição.
Mahiru havia sido deliberadamente vaga e, embora Chitose não tivesse sido totalmente vulgar, sua frase direta era mortificante. No entanto, Chitose não pareceu se importar, como se tal conversa não significasse nada para ela.
A lacuna de experiência entre elas era evidente demais. Uma coceira formigante percorreu as costas de Mahiru e, para disfarçar seu constrangimento, ela encarou Chitose ainda mais intensamente.
“E você, Chitose-san?”
“Eu?”
“Você está com o Akazawa-san há algum tempo. Certamente, serem tão próximos deve trazer suas próprias frustrações de vez em quando?”
Chitose vinha abordando um assunto delicado atrás do outro, então Mahiru achou justo ouvir algumas coisas de volta. Ela não estava atrás de reclamações, mas depois do que acontecera no Ano Novo, achou mais sensato saber se havia algo fervendo antes que transbordasse. Claro, também era em parte uma vingança por algo que aconteceu antes. Mas, mais do que isso, Mahiru estava genuinamente preocupada.
Chitose assentiu imediatamente, para a surpresa de Mahiru.
“Sobre o Ikkun? Ah, muitas, é ridículo.”
“I-isso é inesperado.”
“Não deveria ser? Mas talvez não seja algo que se perceba de fora. Você sabe como o Ikkun é — ele se dá bem com todo mundo e, de alguma forma, consegue lidar com praticamente qualquer coisa sem muita confusão.”
Chitose não estava errada. Para Mahiru, Itsuki parecia alguém com instintos sociais aguçados, rápido em ler o ambiente e excepcionalmente habilidoso em se infiltrar na zona de conforto dos outros. Ele tinha um talento especial para encontrar a linha tênue entre amigável e intrusivo, sem nunca cruzá-la.
Além disso, mesmo quando agia como um palhaço, era calmo e habilidoso em lidar com as situações. Essa era a impressão que Mahiru tinha dele.
Amane, que era ainda mais próximo dele, disse certa vez: “Ele é alegre e age como um bobo, mas no fundo é quieto, paciente e, quando está passando por momentos difíceis, se fecha e se torna educado demais para aceitar a ajuda das pessoas. O que o torna um inteligente idiota.” Era uma descrição dura, mas Mahiru tinha que concordar que havia verdade nisso... provavelmente porque ela reconhecia as mesmas tendências em si mesma.
Se essa era a opinião de Amane, Mahiru se perguntou o que Chitose pensava sobre ser namorada de Itsuki.
“O Ikkun parece uma borboleta social para você, certo?” perguntou Chitose.
“Sim, eu diria que sim.”
“Ele definitivamente é uma, mas... como posso dizer... Ele é incrivelmente bom em ler o ambiente, mas é tão bom nisso que acaba controlando a atmosfera. Não acho que ele faça isso deliberadamente, mas é como se ele não conseguisse evitar tentar controlar. Essa é uma de suas forças e uma de suas falhas. Ele dificilmente deixa transparecer seus verdadeiros sentimentos — ele apenas age da maneira que melhor se adapta ao momento.” Chitose suspirou e então esclareceu: “Claro, ele não é assim perto de todos nós. Muitas pessoas acham o Ikkun super amigável, alegre, animado e até um pouco deslumbrante. Mas, no fundo, ele é meio tímido e, na verdade, um pouco fechado e não muito sociável. Ele realmente odeia quando alguém tenta invadir seu espaço. É por isso que ele prefere ser quem segura as rédeas. É como se ele tomasse medidas para proteger seu território e impedir que as pessoas se aproximem demais. Mais ou menos como quando as pessoas ampliam o jardim da frente para que ninguém entre em casa.”
“...Eu entendo o que você está tentando dizer.”
Na verdade, Mahiru era mais parecida com Itsuki do que Amane.
Como ele não queria ninguém perto daquela parte suave e frágil de si mesmo, ele criou uma persona externa para se esconder atrás. Uma máscara simpática que mantinha todos à distância, garantindo que nenhuma pegada jamais marcasse o solo intocado.
E assim, ele se tornou solitário. Ele se esvaziou com a solidão que escolhera, lamentando tolamente que ninguém o via de verdade, mesmo se recusando a deixar qualquer um entrar.
Mahiru conhecia bem esse sentimento. Ela mesma já havia passado por uma fase semelhante. Mas agora era diferente. Graças a Amane, ela havia mudado.
[Del: Graças. | Moon: E como. | Kura: Arigato Amane-kun. ]
“O Amane e o Ikkun podem parecer semelhantes, mas, na verdade são completamente opostos, sabia? O Amane construiu um muro alto ao redor dele que gritava: ‘Fique longe. Não chegue perto de mim’. Mas, quando você o conhece de verdade, ele fica mais do que feliz em te deixar entrar nesse muro. Você, Mahirun, está mais perto do Ikkun. A questão é que, em vez de palavras, você traça o limite com sua atitude, garantindo que ninguém o ultrapasse. É como se você sorrisse educadamente para manter esse limite no lugar.”
Depois de passar um tempo com Chitose, Mahiru frequentemente percebia o quão atentamente a garota ali observava as personalidades das pessoas ao seu redor. Era quase surpreendente o quão bem ela conseguia enxergar diretamente a essência de alguém e avaliar exatamente onde estabelecer a distância. Foi por isso que, antes mesmo que Mahiru percebesse, Chitose ultrapassou seus limites e se acomodou em seu círculo íntimo. Ela conseguiu fazer isso sem causar nenhum desconforto a Mahiru.
“O Ikkun quase nunca deixa alguém entrar completamente em seu espaço. Mesmo se forem amigos próximos, na maioria das vezes só chegam até a entrada — ou talvez até a sala de estar, se tiverem sorte. E se ele deixar entrar no quarto dele, ele é do tipo que ainda guarda as coisas no armário onde ninguém pode ver. E eu não acho que essa seja uma boa maneira de se viver,” murmurou Chitose com a voz séria.
[Moon: Essa doeu… Para Chitose… por favor!]
Ela tomou um gole de seu chá-verde, agora frio, para umedecer os lábios.
“Além disso, o Ikkun adora resolver os problemas sozinho, então ele esconde tudo como um louco. E o pior é que ele é tão bom em esconder que me deixa furiosa.”
“Hehe. Mas vocês dois não conversaram sobre isso outro dia?” perguntou Mahiru.
“Conversamos. Eu disse a ele diretamente que, se ele tentar resolver as coisas sozinho de novo, eu vou chutar as bolas dele.”
[Del: Poxa… F para ele. Mas a expressão possui dois significados, e ambos são usados para entender a cena aqui. Um é literal, infelizmente, e o outro é uma expressão figurativa para uma decepção emocional repentina e dolorosa. | Kura: Você fala isso porque entende a dor que ele irá sofrer…]
Parecia que Chitose havia se sentado com Itsuki e conversado sobre suas preocupações, frustrações e planos depois do silêncio dele durante o Ano Novo. Então, quando Mahiru soube que Chitose havia prometido uma punição bem agressiva, sua bochecha se contraiu. Sabendo que Chitose ainda corria regularmente para manter a forma e a força nas pernas, mesmo não estando mais no time de atletismo, Mahiru podia facilmente imaginar o quão poderoso seria o chute que ela poderia dar. A julgar pela maneira como ela falou, Chitose não se conteria, e se ela realmente cumprisse a punição, Itsuki ia sofrer muito.
“Com a força das suas pernas, isso não seria um pouco perigoso, Chitose-san?”
“Ele só teria a si mesmo para culpar.”
“Suponho que você esteja certa.”
[Kura: A Mahiru também ameaçou o Amane uma vez… kkkkk.]
Chitose era uma pessoa geralmente tolerante que raramente perdia a paciência, então se Itsuki a pressionasse a ponto de fazer isso, a culpa quase certamente era dele. Se ele continuasse repetindo exatamente as coisas que ela havia pedido para ele não fazer, era natural que enfrentasse algum tipo de punição.
Ela virou a cabeça com um pequeno suspiro de alívio, como uma criança emburrada, embora não estivesse genuinamente chateada. Na verdade, parecia que acreditava que Itsuki não voltaria a guardar segredos. A confiança silenciosa que ela depositava nele era cativante de se ver.
“Então, vejamos... Tem também o jeito como o Ikkun finge ser durão.”
“Não é normal os garotos fingirem coragem na frente da garota de quem gostam?”
“Claro, mas ele leva isso longe demais. Tipo, sério, ele nem demonstra fraqueza para o Amane. Metade das vezes, seu sorriso bobo é só um disfarce para esconder o que ele realmente sente. Me irrita pra caramba quando ele faz isso.”
“Eu nunca imaginei que você fosse tão dura com o Akazawa-san.”
“Bem, é um dos motivos... Só porque você gosta de alguém não significa que você deva concordar cegamente com tudo o que essa pessoa faz. Fingir que não há nada de errado quando está machucado é um dos piores hábitos do Ikkun. Ele melhorou um pouco ultimamente, pelo menos... ou talvez eu devesse dizer que era melhor ele ter melhorado, depois da conversa que tivemos.”
[Moon: Sim! Sim! Sim! Sim… Eu já disse sim?! Amar é respeitar e intervir quando necessário, é o beijo na testa de manhã, o tapa na cara de tarde e as risadas da noite! Se isso fizer sentido pra você…]
Embora não tivesse se comprometido, Itsuki ainda tinha ido até a casa de Amane na véspera de Ano Novo porque não conseguia mais conter sua frustração. Considerando isso, Mahiru teve que concordar.
Amane também tinha o hábito de guardar seus problemas para si. Mas se Mahiru ficasse preocupada, ele sempre colocava isso em palavras para ela. Era nisso que ele diferia de Itsuki. No caso de Amane, ele não conseguia guardar um segredo, mesmo que tentasse. Ele era honesto até demais, direto e péssimo em guardar segredos.
“Definitivamente, há coisas de que não gosto, mas nem todas são defeitos que eu acho que ele deveria tentar mudar. Às vezes, eles até se tornam boas qualidades. Então, sim, tenho minhas reclamações, mas isso não muda o fato de que eu o amo. Você sente o mesmo, certo, Mahirun?”
“...Sim, eu sinto.”
Mahiru podia dizer com orgulho que amava tudo em Amane. Mas viver ao lado dele a tornara profundamente consciente de que ele não era isento de defeitos.
[Moon: Outra analogia kakaka, “Você sabe que ama uma pessoa de verdade, quando se encanta com as qualidades e se apaixona pelos defeitos dela.” Filosofei agr mlk kakaka]
Para o bem ou para o mal, ele tendia a colocá-la acima de tudo. Havia momentos em que ela se sentia um pouco desconfortável, sabendo que, se chegasse a pesar Mahiru contra si mesmo, ele inclinaria a balança a seu favor sem pensar duas vezes.
Ela estava radiante por sentir um amor tão intenso, mas às vezes desejava que Amane se colocasse em primeiro lugar. Se seu altruísmo o deixasse magoado ou desgastado, essa dor pesaria sobre Mahiru também. Era por isso que ela lhe dissera, mais de uma vez, para não exagerar.
E havia a maneira como ele expressava seu afeto com tanta honestidade desde que começaram a namorar. Era maravilhoso, mas tão direto que a deixava nervosa e se contorcendo de alegria e vergonha, o que não era o ideal.
Pensando nisso agora, a dimensão do amor de Amane por ela a atingiu novamente, e Mahiru pôde sentir seu corpo esquentar.
Chitose disse: “Ahh~, o amor,” com um sorriso cúmplice ao ver sua reação.
“Bem, o Ikkun refletiu sobre suas ações, então acho que de agora em diante ele vai conversar comigo em vez de escondê-las.”
Não havia nenhum traço de dúvida no rosto de Chitose ao dizer isso.
Mahiru sentiu que finalmente podia sorrir de alívio, sabendo o quão instáveis as emoções dela estavam durante o Ano Novo.
“Acredito que vocês dois conseguem se comunicar direito agora. Não concorda?”
“É. Mas se ele tentar esconder algo de novo... será o fim. Sem terceiras chances.”
“Hehe. Duvido que você tenha que se preocupar com isso.”
“Eu também gostaria de acreditar que não terei.”
“Não acho que o Akazawa-san fará isso de novo,” pensou Mahiru com uma estranha sensação de certeza, e, usando a expressão feliz de Chitose como uma espécie de acompanhamento para sua bebida, tomando um gole do chá-verde completamente frio.
-Moonlakgil: Vou ter que comentar, é por isso que eu amo Otonari cara, não é só o romance e as partes fofinhas, mostra o lado “feio” do amor também. A parte cansativa, exaustiva, a parte que dói, mas que torna o sentimento tão bom no final do dia. Enfim gente, amanhã tenho prova de física então deve ser por isso que hoje estou no ápice da Filosofia romântica, até porque a parte exata do meu cérebro se apagou já akakak (Façam faculdade de exatas, é muito bom!!!)
-Kurayami: Vou só dar uma palavrinha, aproveitando o comentário da Moon. Não acham que a Saeki está investindo bastante nas perspectivas e pontos de vista da Mahiru? Isso torna a história bem mais interessante, já que às vezes, ficar em apenas um personagem cansa. E que cape… Crianças, evitem algumas palavras kakakakaka.
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