Vol 11.5 – Volume 11.5
Capítulo 5: Como Amane Passa Seus Dias de Folga
“O que você costuma fazer nos seus dias de folga, Fujimiya? Flertar com a Shiina-san?”
Amane piscou surpreso quando seu colega Watanabe fez a pergunta de repente durante o intervalo.
Eles não eram particularmente próximos — apenas conversavam normalmente — então o assunto repentino deixou Amane sem saber como responder. Mahiru estava conversando com Chitose e Ayaka um pouco mais adiante, e Itsuki estava mexendo no celular em sua mesa, o que fez com que ninguém ao redor de Amane percebesse sua confusão.
Watanabe não estava tentando intimidar ou zombar de Amane. Ele estava simplesmente curioso e pensou que poderia perguntar, já que não tinha nenhum de seus amigos habituais com quem conversar. Ele olhou para Amane com uma atitude completamente despreocupada.
“Olha, podemos estar namorando, mas isso não significa que estamos juntos o tempo todo, e mesmo quando estamos, não é como se ficássemos nos agarrando o tempo todo.”
“É mesmo?”
“Por que você parece desapontado…?” Amane nem se deu ao trabalho de esconder sua exasperação antes de perguntar: “O que exatamente você esperava?”
“Vocês dois parecem tão apaixonados um pelo outro, imaginei que as coisas deviam ficar bem agitadas quando vocês estão sozinhos em casa,” respondeu Watanabe com um sorriso.
Amane suspirou alto o suficiente para deixar sua incredulidade perfeitamente clara.
Claro, Amane sabia que ele e Mahiru eram próximos — e sim, eles se abraçavam em casa de vez em quando — mas não era como se dependessem um do outro. Como prova disso, naquele momento Mahiru não estava ao seu lado. Ela estava conversando animadamente com as amigas. Mesmo em casa, havia muitos momentos em que compartilhavam o mesmo espaço, mas faziam coisas completamente diferentes, e nenhum dos dois se sentia sozinho por causa disso. Era por isso que parecia um pouco estranho para as pessoas presumirem que eles estavam sempre juntos.
[Moon: Corta pra eles flertando sem querer no meio de todo mundo e, bom, uns capítulos aí… akakak.]
Mais do que isso, o que realmente deixava Amane constrangido era a suposição tácita de que eles sempre passavam os dias de folga na casa dele. É verdade, adivinharam, mas o fato de alguém ter adivinhado tão facilmente o deixou estranhamente constrangido.
“Só para deixar claro, não é como se ela estivesse na minha casa o tempo todo, okay? Não me interprete mal.”
[Del: Considerando 8h de sono, 6h de escola, 1h de mercadinho/treino e 1h de banho. Eles basicamente passam todas as outras 8h diárias juntos. | Moon: Você considerou o trabalho dele no café? Seria tipo, umas 4 horas talvez… Então 4 horas… | Kura: Vamos resumir, tirando o trabalho e o sono (às vezes sozinhos), eles passam o tempo todo juntos.]
“Engraçado você dizer isso, considerando a frequência com que vocês dois conversam sobre jantares e coisas do tipo.”
“Isso é… outra história.”
Ele não tinha exatamente como rebater esse ponto, então Amane se esforçou para encontrar uma resposta. Watanabe, completamente indiferente, soltou uma risada despreocupada. “Então vocês realmente estão juntos o tempo todo, né?”
Os lábios de Amane se contraíram involuntariamente. Ele sabia que Watanabe não tinha intenção de ofender, então Amane só conseguiu franzir os lábios, suportando silenciosamente a provocação enquanto seu colega o olhava confuso.
“Então, o que você faz em um dia completamente livre?”
“O que é um dia completamente livre?”
“Você tem aquele emprego de meio período, não é? Então, num dia em que você não tem trabalho nem outros planos, o que você costuma fazer? Além de flertar, claro. Você só estuda ou algo assim?”
“Um dia inteiro de folga sem trabalho, hein…” Watanabe tinha razão. Amane geralmente trabalhava três ou quatro dias por semana, então sua agenda era bem cheia na maior parte do tempo. Mesmo assim, foi escolha dele ter um emprego, e ele não tinha do que reclamar.
Quando Watanabe perguntou o que ele fazia em seus raros dias de folga, Amane lembrou do dia completamente livre que teve não muito tempo atrás.
✧ ₊ ✦ ₊ ✧
Um dia sem escola, sem trabalho e sem outras obrigações tinha se tornado um luxo para ele ultimamente. Embora sempre tentasse reservar pelo menos um dia do fim de semana para passar um tempo com Mahiru, havia momentos em que ele não tinha escolha a não ser fazer um turno extra. Mesmo quando não estava trabalhando, tinha consultas ao dentista, idas ao barbeiro ou convites de amigos, então não era frequente que tivesse um dia inteiro só para si.
Hoje, porém, era um daqueles raros dias deliciosamente vazios, e Amane decidira relaxar pela primeira vez. Por hábito, acordou um pouco antes das seis e voltou a dormir. Quando finalmente checou o celular, já eram sete. Sem ver ninguém por perto para testemunhar, Amane soltou um longo e monstruoso bocejo antes de se sentar na cama.
“Que sono…”
Ainda era cedo o suficiente para que pudesse voltar a dormir, mas Amane sabia que, se se deixasse envolver pelo calor mágico da cama agora, acabaria cochilando mais três, talvez até quatro vezes. Era melhor levantar-se agora, enquanto ainda estava acordado e lúcido o suficiente para fazê-lo.
Afastando a leve vontade de voltar para debaixo das cobertas, Amane saiu da cama, tirou os lençóis usados, junto com o edredom e as fronhas, e os colocou debaixo do braço.
Perfeito. Está ensolarado hoje e não há previsão de chuva.
A luz do sol espreitava pela fresta das cortinas. Ainda era inverno, então o sol ainda não havia nascido completamente, seus raios suaves e fracos, mas em uma ou duas horas brilharia forte o suficiente para marcar o início do dia.
Amane ainda lavava roupa mesmo em dias nublados, mas no inverno ela nunca secava direito sem um pouco de sol. Como havia apenas algumas horas de luz do dia adequadas para secar roupa, hoje era o dia perfeito para lavar roupa.
Nossa, essa sensação maravilhosa de um segundo cochilo depois de acordar sempre dura tão pouco, pensou Amane. Ele carregava o monte de roupa de cama debaixo de um braço e o celular no outro enquanto passava pela sala de estar em direção ao banheiro.
Dentro do cesto de roupa suja, ainda havia algumas peças do dia anterior. Ele as jogou todas juntas na máquina de lavar, selecionou o ciclo normal e iniciou a lavagem.
Depois de se certificar de que não havia mais roupa para lavar, Amane agradeceu silenciosamente pela maravilha moderna que era o dispensador automático de detergente. Aproveitando aquela pequena onda de produtividade, ele escovou os dentes rapidamente para espantar o resto da sonolência.
Ele pensou que poderia deixar de lavar o rosto por enquanto. Já que planejava correr em breve, poderia fazer isso no banho depois.
Lavar o rosto com muita frequência só mata as bactérias boas, raciocinou com uma lógica preguiçosa enquanto voltava para a sala para encher a chaleira elétrica com água e apertar o botão de ferver.
Ele poderia simplesmente ter pegado água fria na geladeira, mas beber algo tão gelado logo de manhã e depois sair para correr parecia uma ótima maneira de se congelar de dentro para fora. Então, água morna seria a solução.
Vou checar meu celular enquanto a água ferve, pensou ele — apenas para perceber um segundo depois que o havia deixado no banheiro. Soltando um pequeno resmungo, ele correu de volta para buscá-lo.
[Del: Rapaiz, isso que é Slice of Life. | Kura: Ele acabou de me ensinar a montar uma rotina.]
Parece que recebi algumas mensagens enquanto eu dormia.
Sua tela de bloqueio estava repleta de notificações de mensagens não lidas. Apenas o conteúdo da mensagem mais recente foi exibido: um texto de Itsuki que dizia: “Cara, olha! Eu sou gênio demais! Me elogiem!” e tinha uma imagem anexada.
Amane não conseguiu evitar um pequeno resmungo. Sempre que Itsuki mandava mensagens assim, era quase sempre sobre algo ridículo. Só a imagem anexada já era suficiente para ele saber que seria algo bobo.
Ele definitivamente fez alguma besteira de novo, pensou Amane, fazendo uma previsão pouco generosa. Mesmo assim, decidiu que, se a mensagem não o fizesse pelo menos rir, ele retribuiria Itsuki mais tarde com uma resposta à altura.
Então, a chaleira apitou impacientemente, e ele voltou para a cozinha. Serviu-se de uma caneca de água quente, levou-a para a sala, colocou-a sobre a mesinha de centro e ligou o ar-condicionado no modo aquecimento.
Enquanto o ar-condicionado começava a soprar uma suave onda de ar quente, Amane desbloqueou o celular mais uma vez. O ícone do aplicativo de mensagens estava repleto de notificações não lidas.
[Kura: Um nordestino considera isso como um crime. E eu que sou baiano, apoio kkkkk.]
Alguém disse que precisava entrar em contato comigo sobre alguma coisa?
Amane abriu o aplicativo para verificar se Itsuki estava apenas falando besteira. Além dele, também havia mensagens não lidas de Mahiru, Chitose, Ayaka e até mesmo do grupo de bate-papo do trabalho, que apareceu no topo da tela.
Ele decidiu ignorar Itsuki por enquanto e verificar primeiro o chat do trabalho, já que parecia ser o mais urgente. Lá dentro, havia uma mensagem da gerente, Fumika, que dizia: “O ar-condicionado da sala de descanso quebrou e os técnicos só virão daqui a dois dias. Até lá, todos, por favor, tomem cuidado para não pegar um resfriado.”
Uma série de mensagens de “Entendido” veio de seus colegas de trabalho, e Amane rapidamente adicionou o seu próprio “Entendido” antes de verificar a mensagem de Mahiru.
[Del: 👍| Moon:👍| Kura:👍]
Amane e Mahiru quase não conversavam por aplicativos de mensagens, então, quando o faziam, suas mensagens eram estritamente práticas. Algumas pessoas achavam estranho para um casal, mas como se viam quase todos os dias e passavam a maior parte do tempo juntos, não havia muita necessidade disso.
[Kura: E olha que ele diz que não passam tanto tempo juntos, imagina se passassem kkkk.]
Como esperado, a mensagem de Mahiru continha uma saudação educada de bom dia, seus planos para o dia e um horário aproximado em que chegaria em casa. Ela também mencionou que o avisaria o horário exato assim que as coisas terminassem.
“Certo, a Mahiru disse que ia sair com aquelas duas hoje,” murmurou para si mesmo.
Ela tinha lhe dito ontem: “Amanhã vou sair com a Chitose-san e a Kido-san, então só volto para casa no final da tarde.” Refletindo sobre isso agora, Amane se sentiu um pouco impressionado.
A Kido ficou super próxima da Mahiru, pensou ele.
Ele sempre imaginou que as personalidades delas combinariam bem, mas não esperava que ficassem tão próximas a ponto de passarem os dias de folga juntas. Mahiru era, no fundo, um pouco tímida perto de pessoas novas, então saber que ela tinha se aberto tanto o surpreendeu.
E falando em Ayaka, uma mensagem dela surgiu em sua mente. Era uma mensagem alegre acompanhada de um adesivo adorável: “Vou pegar sua namorada emprestada amanhã!” Claramente, ela tinha se esforçado para ser atenciosa, avisando-o com antecedência.
Ela não é uma posse, e não é como se eu fosse impedi-la de sair com as amigas.
Ele não ia se intrometer nas amizades ou nos negócios de Mahiru, nem jamais pretendeu restringi-la. Contanto que ela não estivesse em perigo, ele não tinha motivos para impedi-la de fazer o que queria.
A mensagem de Ayaka era metade séria e metade brincadeira. Depois de ponderar como responder por uns dez segundos, ele finalmente enviou uma resposta segura e neutra: “Obrigado pelo aviso. Divirtam-se.”
Com isso resolvido, ele abriu a mensagem de Itsuki. Se seu amigo estava pedindo elogios, então certamente devia ser algo realmente impressionante. Dando um gole em sua água agora morna, Amane olhou para a imagem anexada. O que o saudou foi uma torre de moedas empilhadas perfeitamente em pé sobre uma mesa. Ao fundo, havia aparas de borracha e uma lapiseira, o que sugeria que Itsuki provavelmente havia perdido o foco nos estudos e decidido brincar durante um intervalo.
Exigia muita habilidade, e Amane teve que admitir que era impressionante, mas a ideia de elogiá-lo como solicitado o irritou. Então, ele respondeu sarcasticamente: “Uau. Que legal.”
Ele é realmente bom com as mãos, embora desta vez, seja uma habilidade desperdiçada.
Itsuki construiu aquilo depois de perder o foco nos estudos, mas, honestamente, essa concentração teria sido melhor aproveitada em algum trabalho de verdade. Não que Amane planejasse dizer isso a ele.
Tão divertido quanto perplexo, os lábios de Amane se curvaram levemente, embora não chegassem a um sorriso completo. Enquanto tomava outro gole lento de água morna, ele casualmente pegou a pilha de livros de referência empilhados ordenadamente no canto da mesa baixa e começou a refazer os exercícios que havia errado ontem.
Ele só tinha um tempinho antes de sair para sua corrida, mas mesmo assim, Amane tinha o hábito de encaixar um pouco de estudo sempre que podia, já que até aprender um pouco aqui e ali poderia fazer uma grande diferença com o tempo. Isso não significava que ele se acorrentava aos livros em todos os intervalos, no entanto. Não fazer nada além de estudar seria sufocante, então ele estudava quando podia e relaxava quando precisava.
[Kura: Você é um exemplo Amane-kun.]
Graças às explicações cuidadosas de Mahiru ontem, ele agora conseguia resolver facilmente os problemas com os quais estava tendo dificuldades. Silenciosamente, Amane ofereceu uma pequena oração de gratidão à sua amada, que não estava ali com ele naquele momento.
✧ ₊ ✦ ₊ ✧
Assim que terminou de beber sua água morna e se sentiu completamente desperto, Amane vestiu sua roupa de corrida e saiu.
“Que frio!”
O corredor do prédio já estava frio o suficiente, mas no momento em que chegou ao térreo e passou pela porta de entrada, uma rajada de ar gelado atingiu sua pele, fazendo-o exclamar.
As manhãs de inverno tornavam o exercício ao ar livre uma atividade difícil. Mesmo com um corta-vento, o frio penetrava suas bochechas, e nenhuma familiaridade conseguia tornar a sensação agradável.
Ficar parado só piorava a situação, então ele decidiu se movimentar para se aquecer. Depois de alguns alongamentos rápidos para soltar o corpo, Amane começou a correr em um ritmo leve.
Um olhar para o relógio de pulso indicou que eram 7h40.
Seu percurso de corrida geralmente levava pouco menos de uma hora, então ele provavelmente estaria de volta ao prédio por volta das 8h30. Ele não estava tentando correr mais rápido, mas sim manter a forma e evitar que os músculos que tanto se esforçara para construir atrofiassem, então manteve um ritmo constante e sem pressa.
Enquanto corria pelas ruas familiares, a paisagem era a mesma de sempre, mas de alguma forma diferente, dada a calma e tranquilidade de uma manhã de fim de semana. O bairro silencioso tornava a corrida em seus dias de folga surpreendentemente agradável.
Apenas o ritmo de sua respiração, o som de seus tênis batendo contra o concreto e o cascalho, e o leve zumbido do ruído distante da cidade chegavam aos seus ouvidos. Ele absorvia esses sons aos quais geralmente não dava atenção enquanto respirava fundo.
[Moon: Correr sem fone… Isso sim impressiona akakak. | Kura: A diversão é correr sem fone kkkkkk.]
Eu até que gosto de correr, pensou Amane.
As pessoas costumavam considerá-lo do tipo que preferia ficar em casa, mas ele não desgostava de exercícios. Na verdade, ele encontrava algo reconfortante em mover o corpo em direção a um objetivo que havia estabelecido para si mesmo. Ele imaginou que se Yuuta, que ainda era ativo no clube de atletismo, ou Chitose, que nunca parou de correr mesmo depois de desistir, o ouvissem dizer isso, imediatamente tentariam recrutá-lo. O pensamento o fez rir baixinho enquanto mantinha os pés em movimento em um ritmo constante.
Conforme continuava, sua mente gradualmente se livrou de todos os pensamentos dispersos. Ele se concentrou apenas em chutar o chão e fazer o sangue circular rapidamente pelo corpo.
Tomando goles ocasionais da bebida esportiva que havia trazido de casa, Amane correu em seu próprio ritmo e, em pouco tempo, se viu de volta em frente ao seu prédio, exatamente na hora que esperava. A essa altura, ele já havia memorizado o percurso. Sabia exatamente o ritmo e a distância que o levariam de volta para casa na hora perfeita.
Mesmo sendo apenas uma corrida leve, sua respiração ainda estava um pouco pesada, então ele diminuiu o ritmo para uma caminhada para recuperar o fôlego, certificando-se de alongar os músculos enquanto fazia isso.
Yuuta havia lhe ensinado que pular os alongamentos pós-corrida era uma péssima ideia. Isso poderia enrijecer seus músculos ou prejudicar a circulação, potencialmente anulando todos os benefícios do treino. Sem jamais esquecer esse conselho, Amane respeitosamente fez cada alongamento com calma e cuidado.
Lembro-me de quando eu não conseguia correr nem por uma hora... Agora consigo, sem problemas.
Uma maratona completa ainda estaria muito além de suas capacidades, é claro, mas comparado a antes, sua resistência e força muscular haviam melhorado bastante. A forma como sentia sua respiração se ajustar muito mais rapidamente e seu corpo se recuperar muito mais depressa era prova suficiente desse progresso.
De volta a casa, seguiu sua rotina pós-corrida habitual: primeiro se hidratar e depois tomar banho. A máquina de lavar que ele havia ligado mais cedo já tinha terminado, então, antes de ir para o chuveiro, levou a roupa para a varanda para estendê-la. Feito isso, Amane foi ao banheiro para tomar um banho rápido e enxaguar o suor.
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Como ele só precisava se livrar do suor e se sentir fresco novamente, tomou um banho bem mais rápido do que o habitual da noite. Mesmo contando os poucos minutos que passou hidratando a pele depois, saiu do banheiro muito mais rápido do que de costume.
O fato de estar com fome também contribuiu para isso. Ele fez tudo correndo e, quando olhou a hora, já eram quase nove horas.
Mais tarde do que isso e o café da manhã teria virado almoço, então Amane programou a máquina de lavar para mais um ciclo para lavar as roupas que usara na corrida e foi para a cozinha começar a preparar sua refeição matinal.
Houve uma época em que Amane não sabia nada sobre culinária, mas hoje em dia, pelo menos conseguia preparar o café da manhã sozinho. É verdade que suas refeições matinais eram o tipo de prato simples que as pessoas na internet gostavam de chamar de “refeições para preguiçosos”.
Ele nunca sentia muita vontade de se esforçar no café da manhã, especialmente quando já estava com fome, então o cardápio de hoje foi simples: dois ovos fritos com a gema mole ao lado de algumas linguiças, um bolinho de arroz salgado feito com arroz que havia descongelado e uma sopa de missô rápida preparada com uma das porções congeladas de missô que ele e Mahiru haviam guardado com antecedência.
[Kura: Advinha? Tem ovo.]
Para finalizar, ele colocou algumas das guarnições pré-preparadas de Mahiru em pequenas tigelas. No geral, era um café da manhã simples, porém bastante equilibrado, temperado apenas com sal, pimenta e o toque mágico de Mahiru, o que significava que não havia chance de não estar bom.
[Del: Poxa, enquanto isso o básico do Brasil é pão com manteiga e leite. Às vezes eu como as sobras do jantar do dia anterior, mas isso é à parte. | Moon: Eu comendo o mesmo café da manhã o mês todo simplesmente por preguiça de fazer algo diferente… Por favor, não me julguem, eu não ligo pra café da manhã tanto assim. | Kura: Simples foram meus 4 pães e 3 maçãs…]
“Obrigado pela refeição.”
Amane juntou as mãos e fechou os olhos para agradecer, como de costume, à comida — e a Mahiru — antes de começar a comer seu café da manhã tardio.
Os sabores eram exatamente o que ele esperava e exatamente o que ele queria.
Os ovos fritos com a gema mole, temperados apenas com sal e pimenta, não precisavam de mais nada. Eles tinham um sabor rico e satisfatório, sem nenhum aditivo extra. As linguiças, cozidas no vapor e grelhadas na frigideira à perfeição, explodiram com sucos escaldantes no momento em que ele as mordeu. Quentes o suficiente para ameaçar sua língua, mas tão irresistivelmente saborosas que ele não conseguiu resistir a dar outra mordida. A leve tostada nas bordas adicionou cor e aroma, tornando a comida ainda mais tentadora — tanto que a boca de Amane salivou mesmo antes de ele dar outra mordida.
A sopa de missô, feita num instante adicionando uma de suas porções de missô pré-preparadas à água quente, ainda tinha profundidade graças ao caldo e aos ingredientes adicionados. O sabor intenso era especialmente reconfortante depois do exercício.
Com aquela fome pós-corrida despertando seu apetite, tudo tinha um gosto melhor do que o normal. Mas, ao perceber que estava comendo rápido demais, Amane invocou a voz de Mahiru em sua cabeça. “Comer rápido demais não faz bem. Você se sentirá mais satisfeito e digerir melhor se mastigar direito,” ela teria dito. Imaginando a leve repreensão dela, ele se obrigou a comer mais devagar, saboreando cada mordida.
[Del: A Mahiru anjinho falando do ombro dele kkkkk. | Moon: Minha avó falava exatamente o mesmo akakakak | Kura: Estou do lado da Mahiru, comer rápido faz com que o sabor vá embora.]
Dando pequenas mordidas no kinpira do pequeno prato de acompanhamento, Amane mastigava bem enquanto ponderava sobre o que fazer a seguir.
Hoje era um dia inteiro de folga. Mahiru sairia na primeira metade do dia, e ele não tinha planos específicos. Ele havia reservado o dia para cuidar de todas as pequenas coisas que vinha adiando.
É claro que a ideia de ficar à toa sem fazer nada o dia todo parecia tentadora, mas a experiência lhe ensinara uma dolorosa verdade: quanto mais ele deixasse as tarefas se acumularem, mais dor de cabeça elas se tornariam depois. Por mais que seu lado preguiçoso protestasse, era melhor fazer tudo agora e ficar livre para relaxar depois.
[Kura: Opa opa opa, estou com esse problema em Otonari… O Del já deve estar de olho kkkkk.]
Vamos ver… Assim que a roupa que acabei de colocar para lavar terminar, vou estendê-la, depois limpar a sala e meu quarto, preparar o almoço e, em seguida, estudar um pouco…
Lá estava ele, já pensando no almoço no meio do café da manhã.
[Del: Típico eu, meus pais já me xingam kkkkkk. Mas é só uma questão de planejamento.]
Acho que sou mesmo um pouco guloso, pensou ele.
Mas como Mahiru não estaria em casa para o almoço hoje, ele teria que se virar sozinho. Cozinhar não era o problema; era decidir o que fazer. Ele precisava considerar quais ingredientes restavam na geladeira, o que estava prestes a vencer e o que precisava ser guardado para refeições futuras antes de planejar um cardápio.
Mas a questão mais urgente de todas era: quantos ovos ele poderia usar com segurança?
[Kura: My amigo, tu és ou estás doente? Má só pensa em ovo meu kkkkk.]
Sobraram seis depois que preparei o café da manhã, pensou ele. Se eu usar dois para o almoço, ainda está tudo bem.
A voz de Mahiru ecoou em sua mente: “É mesmo normal comer quatro ovos em um único dia?” Mas Amane fingiu não ouvir. Em vez disso, concentrou-se na gema dourada-alaranjada dos ovos malpassados, preparados ao seu gosto.
[Del: São os ovos, não tem como. | Moon: Por que eu sinto que serão mais do que só 4 ovos o dia todo… | Kura: O recorde que já presenciei foram 6, no mesmo momento.]
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Depois de terminar o café da manhã, Amane escovou os dentes e lavou a louça.
Seguindo o princípio firme de Mahiru, de “Nunca deixe a louça suja acumular, por mais trabalhoso que seja,” ele lavou os pratos, panelas e utensílios que havia usado e limpou a pia até que brilhasse. Então, aproveitando o embalo, começou sua rotina de limpeza.
Dito isso, como tinha o hábito de limpar as superfícies ou varrer em intervalos de cinco ou dez minutos durante a semana, o apartamento nunca ficava particularmente sujo. A limpeza de hoje era mais uma questão de manutenção do que de lavar profundamente.
Ele limpou a poeira e as manchas das prateleiras e da escrivaninha, usou um lenço umedecido para remover fios de cabelo e poeira fina e, em seguida, passou o aspirador de pó no chão.
Como ele mantinha sua mesa e o chão praticamente livres de bagunça, esse processo simples era suficiente para deixar o lugar impecável. Mahiru sempre dizia: “Se você economizar agora, só vai ter mais trabalho depois,” e era fácil entender o que ela queria dizer.
Sim… é moleza, pensou Amane enquanto limpava alguns respingos de óleo que deviam ter espirrado da frigideira enquanto preparava os ovos. O fogão, livre de qualquer sujeira persistente, limpou-se com quase nenhum esforço. Momentos como esse o faziam apreciar o quanto Mahiru estava certa.
Ele já sabia que a limpeza regular facilitava as coisas depois, mas vivenciar isso o fez perceber o quanto os ensinamentos de Mahiru eram verdadeiros. Se você se esforçar um pouco todos os dias, nunca terá que pagar os juros compostos da negligência de uma só vez.
Sentindo-se mais uma vez grato pela orientação minuciosa de Mahiru, Amane olhou para a tabela de validade pregada na geladeira e decidiu que o almoço seria omurice.
Com esse plano em mente, ele foi até a panela de arroz. Se fosse fazer omurice, precisaria de arroz fresco. O visor marcava um pouco mais de 10h, ainda cedo, então ele programou o timer para que o arroz estivesse pronto por volta do meio-dia, adicionando um pouco de água extra antes de fechar a tampa.
Deus abençoe o arroz pré-lavado, pensou ele, apreciando a facilidade que isso proporcionava. Aproveitando a oportunidade, preparou um caldo de kombu para a refeição o guardou na geladeira. Então, imaginando que sua segunda lavagem de roupa já estivesse quase terminada, Amane foi até o banheiro para verificar a máquina de lavar.
A máquina já havia concluído o ciclo e desligado sozinha. Amane tirou as roupas e as levou para a varanda, sacudindo cada peça levemente para alisar os amassados antes de pendurá-las ao lado da primeira leva para secar ao ar livre.
[Del: Sacudir as peças de roupa antes de pendurar ajuda a não ter amassados e também, ao arejar as fibras, facilita a secagem. | Moon: É a Delciclopédia, não tem jeito… | Kura: Anotado.]
Estender duas cargas de roupa na varanda ocupava bastante espaço, mas como ele não planejava lavar outra leva hoje, tudo o que restava era esperar que secassem.
Tecnicamente, ele havia terminado tudo o que precisava fazer, o que significava que finalmente poderia relaxar um pouco. No entanto…
“Acho que devo estudar um pouco, afinal,” murmurou.
Seu trabalho ocupava boa parte de sua agenda. Ele não estava negligenciando os estudos por causa disso, mas desde que começara a trabalhar, definitivamente passava menos tempo em sua mesa do que antes.
Quando decidiu aceitar o emprego, prometeu a si mesmo que suas notas não cairiam por causa disso. Então, sempre que tinha tempo livre, tentava encaixar sessões de estudo, e um dia como este, com um bom período de tempo ininterrupto, era perfeito para isso.
Claro, uma parte dele só queria relaxar e ficar de bobeira, mas ele se lembrou de que queria ser alguém de quem Mahiru pudesse se orgulhar. Usando isso como motivação, pegou o livro de referência e o caderno que havia deixado na mesinha.
Quando eu estiver no terceiro ano, terei que estudar ainda mais, então não é hora de relaxar. Se eu começar a ficar preguiçoso, não terei o direito de dar sermão na Chitose por fazer a mesma coisa, pensou Amane com um sorriso irônico.
Tecnicamente, ele e Mahiru eram os tutores de Chitose, mas se os próprios professores relaxassem nos estudos, perderiam toda a credibilidade. Se ele fosse orientar alguém, precisava ter a habilidade e a disciplina para respaldá-lo.
Nesse sentido, a presença de Chitose o ajudava. O desejo de se manter capaz de ensiná-la lhe dava mais motivação, e explicar as coisas em voz alta ajudava a consolidar seu próprio entendimento. Para ela, significava obter respostas claras para o que não entendia. Para ele, era um bom exercício mental. No geral, era uma situação vantajosa para ambos.
Bem, idealmente, Chitose chegará ao ponto em que poderá entender as coisas sozinha.
No fim, o melhor seria que ela conseguisse assimilar os conceitos sem precisar que alguém os explicasse, mas esse nível de progresso não acontece da noite para o dia. O que importava era que ela continuasse aprendendo aos poucos, e esse crescimento constante era o que ele realmente esperava ver nela.
“Bem, não é como se eu fosse inteligente o suficiente para bancar o superior.”
Ele era mais inteligente do que a maioria dos seus colegas, mas com alguém tão excepcionalmente brilhante quanto Mahiru ao seu lado, não havia espaço para arrogância. Quando se tratava de assuntos acadêmicos, ele sempre se esforçava ao máximo para acompanhá-la.
Para ficar um pouco mais perto dela, tudo o que ele podia fazer era continuar se dedicando.
É por isso que preciso aproveitar bem este tempo. Amane abriu seu caderno de referência, um pouco gasto. “Vamos lá,” disse baixinho para si mesmo, e com aquela pequena faísca de determinação, pegou sua lapiseira e começou a trabalhar.
✧ ₊ ✦ ₊ ✧
Antes que percebesse, já era quase meio-dia.
Amane olhou a hora no celular e decidiu que era hora de começar a preparar o almoço, então fechou o caderno de referência e o caderno de anotações.
Seu corpo, sempre honesto, reconheceu o momento instantaneamente, e seu estômago soltou um ronco baixo e lamentoso que soava entre um resmungo e um choramingo, arrancando-lhe uma risadinha. Decidido a silenciar aquele estômago barulhento, Amane se levantou, amarrou o avental e foi para a cozinha.
Ele não tinha percebido enquanto estudava, mas a panela de arroz já tinha terminado de cozinhar há muito tempo. Quando levantou a tampa, o arroz recém-cozido brilhava convidativamente.
Ele já tinha decidido que o almoço seria omurice. Em vez do habitual arroz com frango, porém, planejava fazer arroz amanteigado, usando a caponata recheada de vegetais que estava na geladeira como molho.
Eu sei que vai ficar bom, pensou Amane. Não era por causa de suas próprias habilidades culinárias, mas porque a caponata de Mahiru era deliciosa, não importava com o que fosse combinada. Só de imaginar, sua boca encheu de saliva, e ele engoliu em seco antes de começar a cozinhar.
O processo não era complicado: picar finamente um pouco de cebola e alho, refogá-los com arroz temperado com manteiga, sal e pimenta, depois envolver tudo em uma omelete macia e cobrir com a caponata aquecida.
Houve uma época em que isso poderia ter sido demais para ele, mas agora Amane conseguia cozinhar em um nível mediano sem problemas. Em pouco tempo, seu omurice estava perfeito.
Nada mal, se me permite dizer.
Era o que ele pensava, mas sabia muito bem que o mérito era principalmente de Mahiru, por ensiná-lo a cozinhar e por ter feito a caponata.
A omelete estava à sua frente, soltando uma leve nuvem de vapor. O ovo não tinha queimaduras ou rachaduras visíveis. Tinha uma superfície lisa e de um amarelo vibrante, com aquela textura elástica característica do estilo clássico e tradicional do prato.
Para um apreciador de omeletes de elite como ele, aquilo era o ápice da perfeição.
A caponata que cobria a omelete estava, como Mahiru havia pedido, generosamente recheada com pedaços de legumes. Com a cor vibrante proporcionada pelo cuidado delicado dela e pelo desejo de que comessem muitos vegetais, o omurice exalava um aroma e uma aparência irresistivelmente apetitosos.
Se ele tirasse uma foto e enviasse para Mahiru, ela provavelmente responderia com um adesivo de “Muito bem!” mas agora, sua prioridade era saciar a fome. Ele estendeu a mão para pegar a colher, mas parou no meio do caminho. Percebeu que ainda havia uma coisa importante que não tinha feito.
“Obrigado pela refeição.”
Amane juntou as mãos e fechou os olhos por um breve momento para agradecer silenciosamente pela comida à sua frente.
Era um pequeno ritual de gratidão e boas maneiras, mas um que ele nunca deixava de fazer. Feito isso, finalmente cedeu à impaciência, pegou a colher mais uma vez e serviu uma generosa porção do omurice fumegante.
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A primeira mordida confirmou que tinha ficado muito bom. A verdadeira estrela era a caponata de Mahiru, cujo sabor rico praticamente dominava todo o prato. Sua única contribuição real foi cozinhar os ovos no ponto certo, mas mesmo assim, a refeição estava deliciosa, e isso era mais do que suficiente para satisfazê-lo.
Após terminar, Amane limpou rapidamente a louça antes que o arroz e o molho endurecessem, e então decidiu se presentear com uma xícara de café.
Quando finalmente atendeu o telefone que havia ignorado durante o almoço, a tela mostrava que já passava da uma da tarde.
Mahiru havia mencionado que pegaria o trem que chegava às três, e sua mensagem anterior confirmava isso, o que significava que Amane tinha algum tempo livre até pouco antes do horário marcado.
Enquanto o aroma intenso de grãos de café moídos na hora, vindos do seu local de trabalho, preenchia o quarto, ele calculou quanto tempo levaria para se trocar e chegar à estação, e concluiu que tinha cerca de uma hora e meia livre. Era pouco tempo para algo importante, mas demais para simplesmente desperdiçar.
Em momentos como esses, a primeira opção de Amane era sempre estudar.
Ainda bem que eu gosto de estudar.
Se não gostasse, provavelmente nem se daria ao trabalho. E se obrigasse a si mesmo a estudar, acabaria sem progredir.
Em breve estarei no terceiro ano, então nunca é demais se preparar.
Após programar um alarme no celular para lembrá-lo da hora de sair, Amane retomou os estudos de onde havia parado.
✧ ₊ ✦ ₊ ✧
O toque estridente do alarme do celular tirou Amane de seu estado de concentração. Ele tomou o resto do café, agora em temperatura ambiente, trocou de roupa rapidamente e saiu para encontrar Mahiru.
Ela havia lhe mandado uma mensagem mais cedo, dizendo: “Você realmente não precisa vir me buscar,”, mas a ideia de ver uma Mahiru radiante de felicidade voltando do passeio era irresistível. Além disso, ela sempre parecia genuinamente feliz quando ele a buscava — tanto que a ideia de não ir nunca lhe passou pela cabeça.
Depois de se arrumar às pressas e seguir para a estação, Amane chegou bem na hora em que o trem em que Mahiru deveria estar parou.
Como seria um transtorno passar pela catraca, ele esperou do lado de fora. Em meio à multidão de pessoas com a mesma intenção, ele avistou um brilho de cabelo loiro reluzindo intensamente à luz.
Claro, não era como se Mahiru estivesse literalmente brilhando. Aquilo era apenas uma ilusão da sua própria mente. Quanto mais você gosta de alguém, mais aguçada se torna sua capacidade de reconhecê-la em meio à multidão. Aquele brilho que ele viu fazia parte desse fenômeno, e também porque Mahiru era uma garota elegante e adoravelmente bonita, impossível de não notar, mesmo em meio a um mar de rostos.
“Mahiru, por aqui!”
Quando Amane a chamou enquanto ela caminhava com a multidão, seu rosto se iluminou instantaneamente.
“Amane-kun, muito obrigada por ter vindo tão longe.”
“Não há de quê. Eu já ia passar aqui para comprar algumas coisas.”
Mahiru correu até ele, sua expressão ainda um pouco culposa, mas a alegria que brilhava em seu rosto superava em muito isso. Aquela modéstia, aquela timidez gentil dela, despertou algo terno nele, e ele mordeu levemente o lábio para impedir que um sorriso bobo surgisse em seu rosto.
[Kura: É uma cliança gente.]
Graças ao passeio com Chitose e Ayaka — o que Chitose chamou de “dia de renovação” — Mahiru estava radiante, e sua pele brilhava enquanto ela sorria alegremente ao ouvir as palavras dele.
“Você trouxe a lista de compras?”
“Sim, está aqui... Ah, droga. Eu a enfiei no bolso com pressa, então está toda amassada agora.”
“Nossa! Você realmente precisa cuidar melhor das suas coisas.”
Apesar da bronca, Amane tinha quase certeza de que Mahiru já havia memorizado a maior parte do que precisavam. Aliás, ele também.
“Desculpe, desculpe. Vou compensar carregando as sacolas.”
“...Você sempre as pega de mim sem precisar de desculpa.”
“Bom, agora eu tenho um bom motivo.”
“Sério.”
Aquele pequeno “Sério” da Mahiru não era tanto de irritação, mas sim o seu habitual “Você sempre faz isso, Amane-kun,” uma frase que ela usava com frequência. Amane nunca entendia muito bem o que ela queria dizer com isso, mas, segundo Mahiru, “Não é uma coisa ruim. Na verdade, é um elogio. Sim... um elogio...”
“Eu tenho um aquecedor de mãos no bolso, então use-o para aquecer as suas mãos. Você deve estar congelando,” disse Amane, depois de pegar as sacolas de Mahiru, que não usava luvas porque era um incômodo carregar as coisas com elas. Amane deu um tapinha leve no bolso do casaco.
Por algum motivo, Mahiru balançou a cabeça lentamente. “...Eu prefiro suas mãos ao aquecedor de mãos.”
“Então por que não os dois? Seja gananciosa e pegue o pacote completo.”
“Então, não se importe se eu pegar.”
O jeito como ela age mimada às vezes é simplesmente adorável, pensou Amane, oferecendo-lhe a mão. Mahiru não hesitou em aceitá-lo. A palma da mão dela estava fria contra a dele, e a manga do seu casaco macio roçou em seu braço.
*Poff*
Ela pressionou o corpo contra o dele, entrelaçando seu braço com o dele, e Amane piscou uma vez, surpreso, antes de baixar o olhar para ela. Mahiru olhou para ele, com uma expressão tímida, como se estivesse avaliando sua reação.
“O que elas ‘te ensinaram’ desta vez?” perguntou ele, arqueando uma sobrancelha.
“Por que você sempre presume que elas me disseram alguma coisa?!”
Mahiru inflou o peitoral em protesto, pressionando-se contra ele para demonstrar fisicamente seu descontentamento. Felizmente, o tecido grosso de seu casaco de inverno estava ali para protegê-lo. Se fosse verão, ele tinha certeza de que o contato seria muito mais complicado.
Ele podia sentir os olhares curiosos dos transeuntes e uma pontada de constrangimento surgiu dentro dele. Ainda assim, suavizou a expressão, oferecendo a Mahiru um olhar gentil para acalmar seu visível desagrado.
“Eu só pensei que você não gostasse muito de andar de braços dados na frente de tanta gente.”
“…Está frio. Eu só quero ficar perto.”
“Entendo. Nesse caso, faça isso à vontade.”
Essa era a maneira dela de buscar afeto. Uma pequena demonstração gentil de seus sentimentos. Sentindo-se divertido e tocado pela forma como ela começara a expressar seus sentimentos com mais abertura do que antes, Amane apertou a conexão, entrelaçando seus dedos frios nos dela para transmitir-lhe seus transbordantes sentimentos de amor. Sem a soltar, guiou a mão dela para o bolso do seu casaco.
Lá dentro, o aquecedor de mãos transformara o espaço em um aconchegante refúgio de calor. Acolhida por aquele calor, o rosto de Mahiru suavizou-se, suas sobrancelhas relaxando em uma pequena expressão de felicidade que fez o peito de Amane se aquecer também.
“Não está com frio?”
“Graças a você, Amane-kun, estou quentinha e aconchegante.”
“…Até suas mãos e seu rosto?”
“…Você não deveria ter comentado isso.”
“Ah, desculpe.”
Eles continuaram a conversar, brincar e rir no caminho para casa.
“A propósito, terminei a caponata que você fez para o almoço. Tudo bem?”
“Sem problema nenhum. Eu já queria acabá-la logo mesmo. Então, o que vamos fazer agora…?”
“Estou com vontade do seu molho de carne. Aquele cheio de tomates e toda aquela carne moída densa do processador de alimentos. Adoro como o seu sempre fica com pedaços.”
“Eu faço assim porque pedaços maiores tornam mais satisfatório comer. Mas não, não hoje — vamos jantar peixe. Você pode comer seu molho de carne amanhã.”
“Que tipo de peixe você está pensando?”
“Achei que poderíamos ver o que parece bom no supermercado, mas, a julgar pelos anúncios, atum-rabo-amarelo parece a melhor escolha. Talvez eu cozinhe junto com o nabo.”
“Vai ficar ótimo com arroz… Ah, também precisamos de mais ovos.”
Ele se lembrou de que havia usado vários naquela manhã e no almoço, restando apenas quatro na caixa. Considerando as refeições de amanhã, era hora de reabastecer. Ovos eram essenciais para a vida diária de Amane, então ele nunca deixava faltar. Havia mais alguma coisa de que precisávamos? Enquanto Amane repassava mentalmente o conteúdo da geladeira, sentiu um leve aperto na mão que segurava.
Era o jeito de Mahiru lhe dizer: “Olhe para mim.”
Quando Amane se virou para ela, ela o encarava com um sorriso tão lindo que poderia aquecer a noite mais fria.
“Quantos ovos você comeu entre o café da manhã e o almoço?”
“Hehe.”
“Amane-kun?”
“...Quatro ainda está bem, né?”
[Kura: Acabei de comer quatro ovos com pão!]
“Okay, nada de ovos no nabo-daikon para você hoje.”
“Qual é, não seja má.”
Isso ele não podia aceitar. Amane apertou a mão dela algumas vezes, implorando para conseguir se livrar da situação. Mahiru, no entanto, apenas o olhou incrédula.
“Amane-kun, seu único defeito é que, se eu não ficar de olho em você, você acaba comendo demais. Não importa o quão nutritivos sejam os ovos, comer muitos não faz bem.”
“Eu sei que você tem razão, mas mesmo assim…”
“Quer dizer, um dia não vai fazer mal, mas você gosta tanto de ovos que tenho medo que exagere.”
“Só um! Só me deixa comer um!”
“Sinceramente… Você é um caso perdido.”
“Simm!”
[Kura: Olha ele kkkkk.]
Como deixar os ovos de fora da já deliciosa comida da Mahiru seria uma perda trágica, Amane decidiu arriscar e foi recompensado com um suspiro e um olhar afetuoso de “Acho que não tenho escolha.”
Não é como se eu comesse cinco todos os dias, pensou Amane, cerrando um punho silencioso de triunfo com a mão livre.
[Moon: “We… are the champions, my friends…”.]
De perto dele veio a risada suave e alegre de Mahiru. “Eu nunca consigo saber se você é criança ou adulto, Amane-kun.”
“Prefiro pensar nisso como manter minha criança interior viva.”
“E com isso, você quer dizer fazer birra por causa de ovos?”
“Ei, isso não é justo. Você nunca me disse que ia adicionar ovos ao jantar hoje.”
“Ah, é? Algo teria mudado se eu tivesse dito?”
“Eu teria dispensado um dos ovos fritos no café da manhã.”
“Então a opção de não comer ovos não existe para você...”
“Não existe mesmo.”
“Meu Deus…”
Mahiru suspirou, não por irritação, mas por carinho. Ela não o repreendeu mais depois disso e, na verdade, pareceu se divertir. Mahiru se inclinou mais perto do braço dele, seu corpo roçando no dele enquanto ela soltava um murmúrio suave e satisfeito.
Esses pequenos momentos cotidianos de brincadeiras eram uma das alegrias que compartilhavam.
Quando seus olhos se encontraram, um sorriso tímido com um brilho travesso iluminou o rosto de Mahiru.
Aquele lado infantil da verdadeira Mahiru era tão cativante para Amane, e sem esconder o sorriso que se formava em seus próprios lábios, ele passou o polegar suavemente pela palma da mão dela, fazendo cócegas em seus dedos.
✧ ₊ ✦ ₊ ✧
Depois de passar no supermercado e terminar as compras, eles voltaram para casa. Assim que se trocaram, guardaram tudo e olharam as horas, o ponteiro menor do relógio já havia passado das quatro.
Ainda era um pouco cedo para começar a fazer o jantar, então Amane simplesmente programou o timer da panela de arroz e deixou assim. Eles tinham cerca de uma hora de tempo livre pela frente, embora não fosse como se Amane e Mahiru tivessem planejado passar esse tempo fazendo a mesma coisa.
Mesmo quando passavam tempo juntos, não eram tão grudentos a ponto de precisarem fazer a mesma coisa o tempo todo. Naquela tarde, Mahiru começou a ler livros de referência enquanto Amane empurrava a mesinha de centro para o lado para abrir espaço para seu treino.
Ele tinha planejado fazer isso em seu próprio quarto para não atrapalhar os estudos dela, mas Mahiru rejeitou a ideia com uma recusa estranhamente apaixonada. Segundo ela, era mais fácil se manter motivada quando estavam no mesmo espaço, ou algo parecido.
É, isso tem a cara da Kido.
Mesmo vindo da garota que ele mais amava, Amane não levava tudo o que ela dizia ao pé da letra. Não, Mahiru obviamente só queria vê-lo se exercitar. Ele não ia tirar a camisa nem nada do tipo, mas ela ainda parecia irredutível. De qualquer forma, já que ela insistira com tanta veemência, não havia motivo para recusar. Ele estendeu seu tapete de treino na sala de estar e começou sua rotina de exercícios habitual.
Em vez de treinar até a exaustão, Amane se concentrava em manter seu físico e força, então seu treino não era particularmente intenso. Apesar disso, Mahiru ainda parecia se divertir e parecia perfeitamente satisfeita enquanto olhava, animada, de um lado para o outro entre seu livro de referência e ele.
[Moon: Meu headcanon, o livro estava de cabeça pra baixo kkakak | Kura: Acho que a mente dela está no Amane kkkkkk]
Ele queria perguntar se ela realmente estava conseguindo estudar daquele jeito, mas, conhecendo-a, provavelmente sim. Mahiru não era uma garota que fazia nada pela metade. Se ele a questionasse sobre algo daquele livro, ela provavelmente responderia sem hesitar.
Amane já havia estudado aquele mesmo livro de referência algumas vezes, mas não se lembrava de cada pergunta palavra por palavra. De qualquer forma, tentar se lembrar delas no meio de um treino estava fora de cogitação.
“…Se eu sentasse nas suas costas agora, eu te esmagaria?”
[Moon: Do absoluto nada! Amo meu casal casado não casado ainda!! | Kura: Oloco meu kakakakaka, me pegou de surpresa.]
Mahiru murmurou a pergunta enquanto o observava fazer a prancha. Como ele tinha acabado de chegar ao seu limite natural, Amane se deixou cair no chão, imaginando-a sentada em suas costas.
Flexões normais poderiam ser um desafio, mas com os antebraços no chão para fazer a prancha, ele imaginou que conseguiria sem desabar completamente. Ainda assim, seu abdômen cederia sob o peso extra, o que meio que anulava o propósito do exercício. Não seria um treino muito adequado, com certeza.
“Eu não desabaria… mas sim, eu teria dificuldade com o peso extra.”
“Peso extra…”
“Eu não estava dizendo que você é pesada. Eu quis dizer que isso me pressionaria muito mais do que uma prancha normal.”
Mahiru repetiu as palavras dele baixinho, parecendo um pouco irritada, então Amane rapidamente esclareceu as coisas antes que ela pudesse interpretar errado.
Ele nunca a considerou pesada, pois ela era bastante leve. Ainda assim, ela era tonificada, com a quantidade certa de músculos, e graças à sua dieta saudável e exercícios regulares, provavelmente também tinha ossos fortes. Era o peso natural e saudável de um corpo bem equilibrado.
Amane simplesmente ainda não era forte o suficiente para ignorar isso completamente, então sim, ela representaria uma resistência extra. Mas isso era uma questão de física, não de ela ser pesada.

[Kura: Sabe, eu adoraria ver essa cena em um anime.]
Amane sabia que não devia usar palavras como “pesada” levianamente, pois entendia perfeitamente o quão sensível isso poderia ser para o coração de uma jovem.
“Mas se você começar a se preocupar com isso e tentar perder mais peso...” Amane começou.
“O que você vai fazer?”
“Então eu vou me dedicar totalmente à cozinha e preparar refeições repletas de todos os nutrientes que eu conseguir imaginar.”
Ele duvidava que Mahiru negligenciasse sua dieta, mas ela ainda poderia começar a se conter um pouco se o pensamento ficasse martelando em sua cabeça, e isso era algo que ele não podia deixar acontecer. Ela já era magra o suficiente para que ele às vezes se preocupasse que ela pudesse se partir ao meio se perdesse um pouco mais de peso. Ainda assim, ele também sabia que a busca de uma garota pela beleza não era algo que algumas palavras de preocupação pudessem influenciar.
Então, a melhor contramedida de Amane era alimentá-la ele mesmo e garantir que nenhuma mordida fosse desperdiçada. A comida dele não chegava aos pés da de Mahiru, mas ela detestava desperdiçar comida, então, contanto que não fosse horrível, ela comia tudo.
“Isso… não parece tão ruim, na verdade.”
“Como assim, não tão ruim? Mahiru, você já é magra e leve o suficiente, então não se esforce para perder mais peso. Se a minha comida estiver boa para você, eu garanto que você se alimentará adequadamente.”
“Eu não faria nada extremo. Dietas radicais danificam a pele, o cabelo e até os órgãos. E… eu não quero te preocupar, Amane-kun.”
“É, eu me preocuparia muito, sabia?”
“Então fique tranquilo. Estou vivendo de forma perfeitamente saudável. Um, dois, três—!”
“Gwah—!” Talvez querendo provar que não havia nada com que ele devesse se preocupar, Mahiru deslizou do sofá e — após um breve momento de hesitação — sentou-se sobre o traseiro de Amane. Ela não era pesada de forma alguma, mas o choque da situação ainda o fez grunhir.
Ele a sentiu congelar ao sentar-se em seu traseiro. Para constar, Amane havia reagido daquela forma meio como uma brincadeira e meio para provocá-la, então ele não estava realmente com dor. E Mahiru certamente sabia disso também.
Depois de permanecer perfeitamente imóvel por uns bons cinco segundos, ela de repente começou a se balançar de um lado para o outro sobre ele, como se quisesse expressar seu desagrado.
“Eu estava brincando, me desculpe. Só, por favor, pare de me balançar,” implorou Amane.
“Você aprendeu a lição?”
“Sim, sim, eu aprendi, eu juro — então, por favor, fique quieta!” Não doía, e ela não era pesada, mas ter sua amada sentada sobre ele, balançando para frente e para trás, provou ser problemático em mais de um sentido.
[Kura: Hummmmmmmmmmm…]
Quer ela percebesse isso ou não, Mahiru parou ao ouvir seu pedido, seus movimentos finalmente cessando.
“Você não está me mandando descer?”
“Bem, se você quer me montar, eu não vou te impedir.”
“Mas estou interrompendo seu treino.”
“Então vamos considerar isso uma pausa.”
De qualquer forma, não havia chance de ele se concentrar agora. Ele tinha acabado de fazer uma boa série, então Amane decidiu encerrar o treino por hoje.
Resignando-se, ele ofereceu suas costas a ela. Contanto que ela não começasse a se mexer de novo, ela poderia fazer o que quisesse.
Um “Honestamente…” baixo escapou da boca de Mahiru. Amane achou prudente não comentar o quão satisfeita ela parecia.
“...Amane-kun, sua bunda está dura.”
[Kura: Não tanquei kakakaka]
“Seria pior se fosse mole, não é?”
“Suas costas também são firmes.”
“Digamos que isso é prova de que tenho malhado.”
“…Você tem treinado pesado,” ela murmurou.
As pontas dos dedos dela deslizaram levemente pelas costas dele, traçando as linhas dos músculos como se seguissem seus contornos.
Quando Amane começou a trabalhar no seu físico, aprendeu os nomes de músculos como o latíssimo do dorso, o redondo maior e o trapézio. O toque de Mahiru roçou justamente esses pontos — primeiro timidamente, depois com crescente curiosidade, enquanto ela começava a explorar sua forma e firmeza mais abertamente.
Se ele a deixasse continuar, ela provavelmente continuaria a examiná-lo, movida tanto por fascínio quanto por afeto, até memorizar cada centímetro dele.
Decidindo que era melhor parar por aí, Amane traçou um limite.
“Eu nem preciso olhar para saber que você está sorrindo aí atrás.”
“Eu— eu não estou!”
A voz dela falhou no meio da negação, deixando dolorosamente óbvio que ele a havia deixado em pânico. Mesmo assim, determinada a defender sua afirmação, Mahiru começou a dar leves tapinhas nas costas dele em protesto.
“Tem certeza?” ele insistiu.
“...Absoluta certeza.”
“Você está fazendo de tudo para que eu não consiga verificar, não é?”
“Eu não sei, sei?”
Com as mãos pressionando suas omoplatas, Amane não conseguia se virar sem desequilibrá-la. Tudo o que ele conseguia fazer era se impulsionar levemente com os braços, como uma prancha improvisada, mas qualquer movimento além disso faria Mahiru cair. Ele não tinha escolha a não ser ficar parado. Ela sabia disso perfeitamente bem, é claro.
Então, antes que pudesse processar a informação, percebeu que não era mais a mão dela que o pressionava. O que antes era um peso leve sobre seus quadris agora estava espalhado por toda a sua costa, dos ombros às pernas. Duas protuberâncias incrivelmente macias o pressionavam.
[Kura: Del, pega a pipoca…]
Mahiru passou os braços em volta do peitoral dele e o abraçou apertando por cima, aproximando-se ainda mais. Amane mordeu o lábio com força, ainda olhando para frente.
“Eu não me importo com isso, mas... eles estão me pressionando.”
“Eu sei que estão.”
“Pelo menos finja que não!”
“Não é… grande coisa. E-eu sou sua namorada, afinal, então… é um pouco tarde para ficar constrangido com isso. Além disso… sempre que você me abraça forte, você parece adorar… não é?”
“Ei, isso soa terrível fora de contexto! Claro, quando acontece, eu posso… pensar sobre às vezes, mas eu tento ao máximo não me concentrar nisso, okay?!”
[Kura: Os dois envergonhados kkkk]
Amane era, afinal, um adolescente perfeitamente normal. Quando sentia o corpo macio de sua namorada contra o seu, naturalmente tinha seus pensamentos e reações. Havia momentos em que ele queria simplesmente aproveitar a sensação e, para ser honesto, momentos em que desejava poder estender a mão e tocá-la, se fosse permitido. Mesmo assim, Amane sempre tentava suprimir esses impulsos antes que viessem à tona, porque nunca queria que Mahiru se sentisse desconfortável.
Algo lhe dizia que Mahiru não diria exatamente não se ele algum dia ultrapassasse esse limite, mas isso não significava que ela se sentiria bem com isso. Se ela não estivesse no clima e ele acabasse sendo o único tomado pelo desejo, esse tipo de mal-entendido não faria bem a nenhum dos dois.
Amane não queria forçar nada nela, nem deixar que seus impulsos ditassem suas ações. Ele acreditava que esses momentos só deveriam acontecer na hora certa, quando ambos realmente quisessem.
“Hum… obrigada, eu acho?”
“Não, eu faço isso por mim mesmo. Enfim, é só que… é complicado me concentrar quando você pressiona eles contra mim desse jeito.”
Ele evitou dizer algo muito específico porque, se dissesse, Mahiru provavelmente ficaria vermelha como um pimentão e explodiria na hora. Mesmo assim, no momento em que as palavras saíram de sua boca, ele a sentiu se pressionar contra ele um pouco mais.
“Mahiru.”
“…Eu quero apreciar tudo o que você tem, Amane-kun.”
“Sabe, você pode ser meio pervertida às vezes.”
“V-você sabe que não foi isso que eu quis dizer!”
“Au, au!”
Tum, tum. A cabeça dela, surpreendentemente forte, batia contra as costas dele repetidamente, sem lhe dar chance de se defender.
[Moon: Pera aí, nós só vamos ignorar que o Amane latiu? DE GRAÇA ASSIM?!! | Del: KKKKKKK, poxa, nem tinha pensado, e isso que ele tá de 4 né. | Kura: OLOCOOOO MEU, que isso, uma Mahiru tarada e um Amane cachorro.]
Amane só a havia provocado porque sabia que ela não tinha feito por mal, mas Mahiru claramente não gostava de ser alvo de zoação. Sua segunda onda de ataques veio mais forte desta vez, seu queixo pressionando as costas dele em um contra-ataque adoravelmente mesquinho.
A culpa era dele, então ele aceitou sem reclamar.
Depois de mais alguns daqueles golpes inofensivos, Mahiru finalmente parou. Então, com um suspiro suave, ela apertou o abraço em volta do peito dele novamente.
“Só quero saber até onde seu trabalho duro te levou.”
“Entendo. Mas por agora, você poderia sair de cima de mim?”
“...Tudo bem.”
Mahiru respondeu em voz baixa e abatida, e pareceu que ela havia interpretado as palavras dele de forma errada. Assim que ela, relutantemente, saiu de cima dele, Amane se sentou e se virou para encará-la. Olhando-a diretamente nos olhos, ele inclinou levemente a cabeça para o lado e perguntou:
“Você não quer me admirar de frente?”
Amane imaginava que Mahiru preferia vê-lo de frente quando queria “admirá-lo”, então ficou um pouco surpreso por ela ter se contentado apenas com suas costas. Abrindo os braços, ele lhe lançou um sorriso provocador.
“Agora é sua chance — esta oferta vem com um abraço de cortesia.”
As bochechas dela coraram instantaneamente e seus olhos brilharam enquanto ela o olhava.
“…E-então… de frente, por favor.”
“Como desejar.”
Ultimamente, Mahiru tem sido muito mais honesta sobre o que quer.
Amane a envolveu delicadamente enquanto ela se jogava em seus braços, e ele inalou seu aroma doce e leitoso com um sorriso amoroso.
✧ ₊ ✦ ₊ ✧
Depois de desfrutarem de um momento íntimo e perfeitamente saudável juntos, ambos começaram a preparar o jantar.
O jantar deles já estava feito pela metade; o caldo havia sido feito com antecedência e o arroz estava pronto. A tarefa de Amane agora era apenas preparar a sopa de missô e alguns acompanhamentos, enquanto o prato principal era de responsabilidade de Mahiru. Na verdade, não havia muito para ele fazer.
Ele havia adquirido conhecimento e prática suficientes para que, contanto que tivesse uma receita, pudesse se virar sem precisar de instruções. Suas habilidades culinárias haviam evoluído bastante e, com a boa coordenação entre eles, não demorou muito para que o jantar estivesse impecavelmente disposto na mesa.
O jantar daquela noite era um cardápio japonês simples, composto por arroz branco, sopa de missô com tofu e cogumelos enoki, espinafre em um caldo leve e daikon rabo-amarelo, além do prometido ovo cozido e alguns acompanhamentos que Mahiru havia preparado com antecedência, como raiz de lótus marinada e feijão cozido.
Amane não pôde deixar de notar que a mesa havia ficado um pouco marrom demais, mas era um pequeno preço a se pagar. Ambos concordaram que já era hora de terminar os últimos pratos preparados na geladeira, e este era o cardápio que haviam feito para hoje.
“Hum, que delícia.”
[Kura: Estou revisando esse cape no dia 31 de dezembro, às 18:47. Quem ler esse cape me marca no server por favor :) ]
Depois de juntar as mãos em agradecimento pela comida, Amane deu uma mordida no nabo rabo-amarelo de Mahiru. O sabor suave e agridoce havia penetrado completamente no nabo, misturando-se perfeitamente com o sabor rico do peixe rabo-amarelo. Cada garfada o fazia desejar mais uma colherada de arroz. O peixe havia sido marinado previamente, então não havia cheiro de peixe, o que criou uma harmonia deliciosa entre os dois ingredientes. Estava tão bom que ele quis repetir mesmo antes de terminar a primeira porção.
[Del: HAHAH! Dessa vez você não me pega, eu acabei de jantar! | Kura: Boa boa. E eu de lanchar!!]
“Muito obrigada. Sua sopa de missô também está deliciosa, Amane-kun. Você realmente melhorou na preparação do caldo.”
“Bem, eu tenho uma professora genial.”
Mahiru tomou um gole de sua sopa em silêncio e, embora o elogiasse, Amane insistiu que o mérito era dela.
Ele nem sempre tinha tempo para preparar o caldo do zero, mas como era seu dia de folga, fez um esforço extra para deixar o kombu de molho por um bom tempo e misturá-lo com flocos de bonito para fazer um awase dashi perfeito. O resultado valeu a pena. A sopa feita com um caldo cuidadosamente preparado tinha um sabor suave e refinado que os grânulos instantâneos jamais conseguiriam replicar, e transformava até uma refeição simples em uma experiência indulgente.
Sentindo-se bastante satisfeito consigo mesmo por ter conseguido extrair um caldo tão puro e rico desta vez, Amane não pôde deixar de sorrir quando Mahiru o elogiou sem reservas.
“Hehe, estou orgulhosa de ter um aluno tão excelente.”
“Peço humildemente sua orientação e apoio contínuos.”
“Por que você está sendo tão formal de repente? Honestamente... Enfim, o espinafre no mesmo caldo também ficou delicioso.”
“Obrigado. O caldo está ótimo, e espinafre está na época agora.”
O espinafre, tendo resistido a muitos frios de inverno, desenvolveu uma doçura natural que combinou perfeitamente com o dashi, resultando em um prato maravilhosamente simples, porém saboroso. Claro que, como Mahiru havia preparado quase todos os temperos, com exceção do caldo, Amane calculou que cerca de oitenta por cento do mérito ainda era dela.
“Ah, sim, as hortaliças ficaram mais baratas ultimamente, o que é ótimo, mas o supermercado perto de casa ainda cobra um pouco caro pela quantidade que vem.”
Havia vários supermercados a uma curta distância a pé, mas Amane e Mahiru geralmente faziam compras naquele que ficava no caminho de casa depois da escola. Eles tinham quase todos os ingredientes, temperos e itens básicos que Amane e Mahiru usavam diariamente, então, a menos que precisassem de algo específico, raramente compravam em outro lugar. A única desvantagem real era o equilíbrio entre quantidade, frescor e preço na seção de frutas e verduras, que deixava a desejar.
Não que a qualidade fosse ruim, mas, comparando com o preço e o frescor de outros supermercados próximos, acabava custando um pouco mais do que deveria. Até os sacos de cebola, por exemplo, tinham o mesmo tamanho, o mesmo preço e o mesmo tipo de cebola, mas um saco vinha com uma cebola a menos.
Pequenos detalhes como esse sempre davam a sensação de desperdício.
“Os agricultores que cultivam os produtos trabalham muito, assim como os entregadores e os funcionários que repõem as prateleiras. Não me parece certo simplesmente exigir preços mais baixos. Além disso, cada loja tem seus pontos fortes. O supermercado um pouco mais longe tem verduras melhores, mas o nosso é melhor para peixes, então é difícil escolher,” explicou Mahiru.
“É, acho que é assim mesmo. Ficar indo de uma loja para outra é um transtorno. E dizem que tempo é dinheiro.”
“Exatamente.”
“…Mesmo assim, você nunca abre mão do arroz, né?”
“O alimento básico é inegociável. De jeito nenhum.” Havia uma intensidade sutil no sorriso de Mahiru ao declarar isso. “Posso abrir mão do preço, mas nunca da qualidade. Um bom arroz faz toda a diferença.”
[Del: Então a Mahiru curte um arroz é. | Kura: Arroz é vida minha gente! Se não tiver…]
“É, eu entendo. Se o arroz não estiver bom, a refeição toda fica estranha.”
Amane não era exigente com comida e raramente deixava comida no prato. Mas, embora não fosse exigente com o sabor, seu paladar era mais apurado do que ele mesmo admitia.
Arroz barato não era necessariamente ruim, mas a ideia de comer grãos finos e sem sabor dia após dia estava fora de cogitação. Por esse motivo, ele apoiava totalmente a posição de Mahiru.
Negligenciar boa comida não era ruim apenas para o corpo — também afetava a mente. Afetava o humor, a energia e até mesmo a qualidade de vida. E essa era uma coisa com a qual Amane se recusava a fazer concessões.
“Pessoalmente, não sou fã de arroz ou leite baratos. O sabor simplesmente não é o mesmo. Os tipos fortificados têm seu charme, mas não são exatamente o que eu desejo quando quero leite.”
[Kura: Eu sou do interior, e confirmo, alguns leites vendidos são horríveis.]
“Concordo, embora eu seja mais do tipo ‘contanto que seja potável, está ótimo para mim’… Mas, desculpe por beber tanto o tempo todo.”
“Está tudo bem. O leite deve ser consumido rapidamente depois de aberto. E, além disso, eu também bebo a minha parte… Você bebe bastante, Amane-kun. Talvez seja por isso que você ficou tão alto?”
“Acho que tem mais a ver com genética. Mas pensando bem, meus pais sempre se certificaram de que tivéssemos uma alimentação balanceada, e como minha família adora atividades ao ar livre, eu estava sempre me movimentando. Acho que isso me proporcionou um bom ambiente para crescer.”
Mesmo agora, Amane não tinha certeza do porquê de ter crescido tão rápido, mas já havia decidido que tudo se resumia a um estilo de vida saudável e equilibrado que ele levava naquela época.
“Tenho controlado minha alimentação com cuidado e me esforçado para me exercitar, mas… você acha que eu ainda posso crescer mais?” perguntou Mahiru.
[Kura: Você? kkkkkkk]
“Talvez você pudesse fazer um raio-X para descobrir?”
“Não vou desperdiçar recursos médicos com uma coisa dessas… Espera, você está insinuando que minhas placas de crescimento já estão fechadas?”
“Eu jamais faria isso…”
“Olhe pra mim quando você diz isso.”
“Você já é muito fofa e absolutamente adorável do jeito que é. Não estou dizendo que você não deva querer crescer, mas acho que não precisa.”
Amane sorriu ao dizer isso, ao que Mahiru lhe lançou um olhar levemente emburrado.
“Tenho a impressão de que você está me dizendo que eu nunca vou crescer,” disse ela, parecendo um pouco irritada. No entanto, como pareceu satisfeita por ser chamada de “fofa”, seu mau-humor desapareceu e ela voltou silenciosamente para sua refeição.
✧ ₊ ✦ ₊ ✧
“Obrigada pela refeição.”
“Obrigado pela refeição. E bem, Mahiru, vou ter que te impedir aqui. Você não irá roubar meu trabalho.”
Eles sempre tinham como regra terminar as refeições juntos, unindo as mãos e as vozes para agradecer um ao outro e à comida antes de se levantarem. Quando Mahiru começou a se levantar, Amane a deteve imediatamente.
Em momentos como esses, Mahiru geralmente tentava lavar a louça, mas eles haviam combinado há muito tempo que arrumar a casa era principalmente responsabilidade de Amane. Embora, se ele chegasse em casa exausto do trabalho, seria outra história, e havia momentos em que ele aceitava com gratidão a gentileza dela nesses dias. Mas hoje, Amane estava de folga e passou o dia inteiro em casa, então o cansaço não era desculpa.
Mahiru já cuidava das compras e da cozinha sempre que ele trabalhava. Se ele a deixasse se esforçar ainda mais agora, não conseguiria se olhar no espelho.
“Mpf. Mas juntos, vai ser mais rápido.”
[Kura: Eu tentando desvendar o M P F kkkk, sendo que é só um barulho.]
“Seria, mas como não posso ajudar muito nos dias em que trabalho, gostaria que você me deixasse cuidar disso hoje. Você geralmente acaba fazendo a maior parte das coisas de qualquer maneira, então eu ficaria mais feliz se você me deixasse te mimar um pouco desta vez. Pode ser?”
Amane falou gentilmente, tentando convencê-la com um tom suave. Mesmo assim, Mahiru ainda não parecia convencida. Ela olhou incrédula para Amane, que já havia se levantado.
Sua reclamação vinha do fato de que ela era uma garota atenciosa por natureza e gostava de fazer coisas junto com Amane.
Embora isso deixasse Amane feliz, ele não permitiria que isso se tornasse um motivo para Mahiru ter ainda mais tarefas.
Mas ele sabia que, nesse ritmo, Mahiru começaria a fazer beicinho, então lhe deu um sorriso casual.
“Ah, então que tal você fazer um chá com leite para nós depois? Eu gosto do jeito que você faz.”
Os olhos de Mahiru se arregalaram com o pedido modesto dele, e então se estreitaram novamente, como se ela não esperasse esta concessão.
“…Môu!”
Aliviado por sua resposta ser de aceitação, Amane começou a colocar os pratos na bandeja.
“Você tem dito ‘môu!’ muitas vezes hoje.”
“E de quem você acha que é a culpa?”
“Minha. E é por isso que você deveria relaxar, okay?”
“Baka.”
“Me diga algo que eu não sei.”
[Del: Mahiru e seu acervo de vocabulário.]
Quando Amane riu como quem diz “Só está percebendo isso agora?” Mahiru lançou-lhe outro olhar irritado, embora agora por um motivo completamente diferente. Ele apenas deu de ombros e foi para a cozinha, determinado a terminar a limpeza rapidamente.
Ele já havia lavado a maioria dos pratos e utensílios enquanto cozinhava, então a pia estava praticamente vazia. Não havia necessidade de Mahiru ajudar desta vez. Não demorou muito para lavar os poucos pratos, talheres e as panelas de onde ele havia transferido as sobras para recipientes.
Fiel à sua palavra, Mahiru não tinha vindo ajudar. Mas no momento em que Amane terminou de lavar e guardar tudo, ela entrou na cozinha para ocupar o lugar dele, e ele não conseguiu conter a risada que ameaçava escapar de sua garganta.
“Seu chá com leite royal favorito está pronto, Amane-kun.”
“Só você para se dar todo esse trabalho extra, Mahiru.”
Ele havia pedido a ela para preparar um chá com leite, mas o fato de ela ter escolhido o chá com leite royal, que exigia mais esforço e significava mais limpeza, deixou claro que ela queria recompensá-lo pelo seu trabalho. Talvez houvesse uma mensagem sutil na forma como a panela e o coador já estavam enxaguados antes mesmo de ela servir a bebida… mas Amane decidiu que era mais seguro fingir que não tinha percebido.
“Está tudo bem.”
“Obrigado, Mahiru.”
“De nada.”
Amane gostava tanto de café quanto de chá, mas o chá com leite royal de Mahiru era incomparável. Grato por ela ter se dado ao trabalho de prepará-lo, ele se acomodou para desfrutar de um momento tranquilo após a refeição.
O chá com leite royal de Mahiru era preparado com folhas de chá escolhidas especificamente para combinar com a generosa quantidade de leite com que era fervido. A bebida era tão deliciosa que até Chitose a elogiou. Era rico e cremoso, mas nunca pesado, o chá atingia um equilíbrio perfeito, onde o sabor do chá e a intensidade do leite se misturavam em perfeita harmonia. Era tão bom que poderia até figurar no cardápio de um café.
“Tem alguma coisa para resolver depois disso?” perguntou Amane.
Eles tinham acabado de jantar, e Amane não tinha disciplina suficiente para correr à noite, então estava simplesmente relaxando por enquanto.
Mahiru, por outro lado, inclinou levemente a cabeça. “Deixe-me pensar…” murmurou, embora não parecesse particularmente em conflito enquanto seu olhar se voltava para a mesa baixa.
Sobre ela, havia duas xícaras fumegantes de chá com leite royal e a pilha de materiais de estudo e livros de referência de Amane, empurrados para um lado.
Mahiru tinha vários guias de estudo em casa, mas eles haviam preparado um conjunto de livros compartilhados para usarem na casa de Amane. Ela havia comprado um novo recentemente e decidido deixá-lo ali, o que Amane usou com gratidão. E naquele momento, seus olhos seguiam aquele livro.
“Acho que vou estudar depois que meu estômago se acalmar um pouco. Passei metade do dia fora, então não consegui fazer minha revisão de costume.”
“Admirável como sempre.”
“…Diz o cara que passa os dias de folga estudando e treinando.”
“Bem, eu tenho um emprego, então se eu não acompanhar agora, minhas notas vão cair depois. Afinal, eu prometi a mim mesmo que não deixaria elas caírem.”
Amane sabia que era arriscado aceitar um emprego no outono do seu segundo ano, bem antes do último ano do ensino médio. Ele sabia melhor do que ninguém que isso poderia afetar suas notas, e por isso se esforçava para estudar sempre que tinha um tempo livre. Ele não queria decepcionar nem Mahiru, nem a si mesmo.
Mesmo assim, ele não estava preenchendo cada segundo da sua vida com os estudos, e como frequentemente estudava com Mahiru, nunca parecia uma obrigação.
“Ainda assim, o fato de você estar se esforçando não muda isso,” disse Mahiru suavemente. “Na verdade, acho você mais admirável do que eu, Amane-kun. Eu já aprendi a maior parte da matéria, então não estou absorvendo nada de novo.”
“Mahiru,” disse Amane com um leve sorriso, “você acha injusto quando as pessoas se preparam o melhor que podem antes de enfrentar algo?”
“...Claro que não.”
“Não considero o esforço que você dedicou injusto. O conhecimento se perde se você não o reforça constantemente, então, se você conseguiu retê-lo durante todo esse tempo, isso prova que você ainda está se esforçando. Isso é algo para se orgulhar.”
Um dos maus hábitos de Mahiru era valorizar mais o esforço dos outros do que o seu próprio. Ela nunca desconsiderava suas próprias conquistas, mas frequentemente as minimizava.
Amane já fora assim também — humilde a ponto de se depreciar e incapaz de reconhecer seus esforços da maneira correta. Mas agora, ele havia aprendido a enxergar o esforço pelo que ele realmente era.
“Mesmo assim, se você ainda acha que sou admirável, então digamos que nós dois somos. Tenho orgulho de mim mesmo — e de você também, Mahiru.”
Quando Amane disse isso e olhou para ela em busca de concordância, Mahiru apertou os lábios por um instante. Então, de repente, ela o abraçou pelo braço e enterrou o rosto nele. Mahiru mal conseguia se conter, mas que sentimento ela estava lutando para esconder? Sua expressão dizia a Amane que, acima de tudo, era alegria.
[Del: Já pode ficar feliz? | Kura: Ela teve uma crise kkkk.]
“Eu te amo,” disse ela.
“Eu sei.”
“Você já sabia?”
“Eu já sabia.”
“...Que bom.”
“Devo dizer o mesmo?”
“N-não, não hoje.”
“Por que não hoje?”
“Você já disse isso várias vezes! E outro dia também! Você diz isso o tempo todo!”
Ele havia dito que a amava antes mesmo de começarem a preparar o jantar, através de inúmeras palavras, gestos e pequenos toques. E Amane ficou aliviado ao saber que esses sentimentos vinham a alcançando.
Mahiru, no entanto, parecia estar perto do seu limite. Seu rosto ficou vermelho vivo enquanto ela esfregava a cabeça no braço dele.
Amane preferia demonstrar seus sentimentos abertamente a deixar Mahiru duvidar do seu amor por ela, então sempre tentava dizer honestamente o que sentia. Mas se ele exagerasse, Mahiru ficaria tão envergonhada que se afastaria dele por um tempo. Encontrar o equilíbrio perfeito nunca era fácil.
“Talvez eu não tenha te dito o suficiente?”
“Estou completamente satisfeita!”
“Entendo, não tem jeito então.”
Se ele a pressionasse demais, ela simplesmente fugiria, então, quando Mahiru claramente atingia seu limite, a regra era recuar sem hesitar. Mesmo assim, no momento em que ele se afastava com tanta facilidade, ela sempre parecia um pouco decepcionada, algo que Amane achava extremamente adorável, embora definitivamente não fosse algo que ele pudesse dizer em voz alta para ela.
“O-okay, já chega,” gaguejou Mahiru. “Agora é hora de estudar.”
“Tá bom.”
Enquanto Mahiru virava o corpo, obviamente tentando esconder o constrangimento, Amane deu uma risadinha baixa o suficiente para que ela não ouvisse e, obedientemente, respondeu.
✧ ₊ ✦ ₊ ✧
Assim que começaram a estudar, o tempo voou.
Quando Amane olhou para o celular, ficou surpreso ao perceber que já era a hora em que Mahiru costumava ir para casa.
“Preciso ir agora,” disse ela.
“Sim, certo. Bom trabalho hoje.”
Ela provavelmente ainda tinha coisas para resolver em casa, então Amane assentiu, não querendo retê-la por muito tempo.
Por duas horas, eles estudaram em silêncio... Ou melhor, não, já que ocasionalmente faziam perguntas um ao outro sobre os problemas, mas Mahiru permaneceu notavelmente concentrada o tempo todo. Mesmo quando parava para tomar um gole de sua bebida, sua postura nunca relaxava e sua concentração nunca vacilava.
“Você também, Amane-kun. Você ficou na sua mesa o tempo todo.”
“Bem, é difícil não se concentrar quando tenho uma exemplar tão diligente sentada ao meu lado.”
“Ora, obrigada. Se conseguimos nos motivar mutuamente, então fico feliz.”
“Sim, qualquer um se sentiria motivado com alguém ao lado resolvendo problemas na velocidade da luz.”
A mente de Mahiru funcionava rápido e, usando todo o seu conhecimento, ela respondia a cada questão em um ritmo incrível. Observando-a de perto, era impossível que Amane não se sentisse inspirado a acompanhá-la.
“Você diz isso, mas não parou de escrever nem uma vez durante todo o tempo. Muito admirável, Amane-kun.”
“E você também foi ótima, Mahiru. Muito, muito admirável mesmo.”
[Del: Que isso? É competição de elogios agora? | Kura: Então… Acho que são elogios formais kkkk.]
Era importante elogiar um ao outro, então Amane estendeu a mão e deu um cafuné leve, porém firme, na cabeça dela. As bochechas de Mahiru inflaram levemente, e ela olhou para ele com um olhar adoravelmente emburrado que, sem palavras, transmitia sua chateação.
“…Você bagunçou meu cabelo.”
“Você vai tomar banho depois daqui, não é?”
“Bem, vou, mas… Então eu vou bagunçar o seu também, Amane-kun.”
Mahiru, sempre disposta a retribuir as brincadeiras, imediatamente estendeu a mão em direção à cabeça dele. Ele poderia tê-la impedido facilmente se quisesse, mas se o fizesse, ela só acabaria emburrada de novo. Então Amane obedientemente se inclinou para frente, deixando-a fazer o que quisesse.
As mãos dela bagunçavam os cabelos dele com força, como se estivesse acariciando um cachorro grandão. Estava bagunçando um pouco, mas o amor de Mahiru ainda transparecia. Qualquer bico que ela tivesse feito momentos antes havia desaparecido, substituído por um sorriso radiante e feliz enquanto ela brincava alegremente com os cabelos escuros dele.
“Hm… quando você joga a franja para esse lado e deixa o cabelo um pouco mais volumoso, você fica completamente diferente, Amane-kun.”
De alguma forma, a brincadeira de bagunçar os cabelos de Mahiru havia se transformado em um penteado sério. Ela começou a ajustar os cabelos dele com um olhar concentrado, mudando a risca de sempre, penteando a franja em novas direções.
Normalmente, Amane deixava o cabelo como estava, apenas o arrumando cuidadosamente para emoldurar os olhos quando saía. Mas o que Mahiru estava fazendo agora dava mais volume aos cabelos dele, para um visual mais leve e arejado. Ele não conseguia ver por si mesmo, mas, a julgar pelo toque dela, provavelmente lhe dava uma impressão mais casual e descontraída do que o normal.
“Posso tentar, mas vamos deixar para o meu próximo dia de folga. Vou praticar um pouco antes disso.”
“Praticar?”
“Se eu vou atender ao seu desejo, pelo menos preciso descobrir a melhor maneira.”
“…A melhor maneira de fazer o quê?”
“A melhor maneira de te fazer ir às nuvens?”
Mudar um pouco para animar as coisas não vai fazer mal, pensou Amane. Ele imaginou que seria legal mostrar um lado diferente de si mesmo para fazê-la se apaixonar por ele novamente e mais uma vez. Na verdade, como Mahiru sempre queria vê-lo com novos visuais e estilos, ele estava apenas atendendo ao desejo dela.
“Meus pés já estão muito além das nuvens, sabia?”
“O quêêê? Mesmo assim, vou praticar.”
“Só não exagere, por favor.”
“Vou me esforçar ao máximo.”
“Você não está me ouvindo.”
“Bem, eu posso ser teimoso.”
“Bobinho. Não se orgulhe disso,” ela o repreendeu. Mahiru bagunçou o cabelo dele novamente, mas não foi o suficiente para fazê-lo parar. O toque suave da mão dela fez seu corpo e coração cosquilharem.
[Moon: Caso alguém não saiba, vem do verbo “Cosquilhar”, ou seja, fazer cócegas! | Kura: Obrigado Moon.]
Aceitando a adorável pequena provocação com um sorriso, Amane encostou o rosto no ombro dela. Mahiru sussurrou um suave e afetuoso “Meu Deus...” antes de passar os braços em volta das costas dele, puxando-o para perto como se quisesse saborear seu calor.
✧ ₊ ✦ ₊ ✧
“Boa noite, então. Até amanhã.”
“Sim. Boa noite, Amane-kun. Até amanhã.”
Depois de um abraço de boa noite, Amane, relutantemente, soltou Mahiru e começou a se preparar para dormir.
Ele ainda não tinha tomado seu banho (noturno), então, depois de escovar os dentes, foi para o que seria o segundo banho do dia. O banho da manhã era só para tirar o suor. O banho da noite, por outro lado, era para se limpar adequadamente e relaxar.
[Kura: Dois banhos… Eu tomo bem uns três. É Normal?]
Mahiru provavelmente estava tomando banho na mesma hora, embora, ao contrário dela, Amane não demorasse tanto, então provavelmente terminaria primeiro.
As meninas realmente se esforçam bastante, né…
Havia muito mais trabalho na higiene feminina do que na masculina. Havia banhos de corpo inteiro, massagens, esfoliação e, mesmo depois de sair da banheira, ainda havia hidratação, cuidados com a pele e com o cabelo. Pelo que Amane tinha visto, tudo parecia uma rotina bem complexa.
Ele não estava com vontade de ir tão longe. Sua rotina consistia apenas em uma lavagem normal e um pouco de hidratante. Desde que começara a se preocupar mais com a aparência, ele pelo menos usava alguns produtos básicos de cuidados com a pele, embora não fosse tão exigente quanto Mahiru. Se funcionasse para a sua pele, estava bom para ele.
Ainda assim, comparado há como era antes, era um progresso considerável, e ele achava que merecia um pouco de crédito por isso.
“Espero ter ficado um pouco mais estiloso.”
O reflexo que o encarava no espelho era certamente mais brilhante do que o que ele se lembrava de antes. Seu corpo também havia ganhado um pouco de forma — não musculoso, de forma alguma, mas tonificado o suficiente para que alguma definição aparecesse sob a pele. E graças a uma postura melhor, a confiança emanava de seu corpo, algo que ele nunca sentira em si mesmo antigamente.
“...Talvez eu devesse perguntar à Kido qual é o tipo da Mahiru, afinal?”
[Kura: Hum?]
Impressionar Mahiru não era o objetivo de Amane ao se exercitar, mas considerando que ela havia recentemente se tornado uma apreciadora de músculos graças à interferência de certa pessoa, ele não pôde evitar querer adaptar seu treino para atender aos gostos dela.
Ela já parecia bastante satisfeita com sua aparência atual, mas se ela tivesse um ideal em mente, bem... ele não se importaria de tentar alcançá-lo.
Mas se ela dissesse que gostava de caras com físico de fisiculturista, eu teria que traçar uma linha aí.
Um físico como aquele exigia controle alimentar rigoroso e treino implacável, o que era completamente irreal para um estudante prestes a entrar no último ano do ensino médio e enfrentar os exames. Se esse fosse o tipo ideal de Mahiru, ele não teria escolha a não ser desistir nesse aspecto.
[Kura: Olha, o Jeff pode te ajudar.]
Espero que ela esteja satisfeita com “razoavelmente em forma,” pensou ele ao sair do banho, com a pele ainda quente. Seguindo o conselho de Mahiru, “Hidrate-se imediatamente após sair do banho,” ele aplicou loção no rosto para reter a umidade. Graças aos ensinamentos dela, sua pele permanecia lisa, limpa e sem espinhas. Entre isso e a dieta mais saudável que ela o ajudou a seguir, Amane devia muito a Mahiru.
Assim que terminou de hidratar a pele, tudo o que restava era secar o cabelo, escovar os dentes e ele estava pronto para encerrar o dia.
Amane nunca foi de ficar muito tempo no banho, então, quando terminou sua rotina e se aconchegou sob as cobertas, o relógio marcava pouco mais de dez horas da noite. Ele poderia estudar um pouco mais antes de dormir, mas seu corpo já estava em pleno relaxamento. Noites como essa eram melhor aproveitadas adormecendo ainda quentinho do banho, antes que o calor se dissipasse.
Se eu quiser estudar, posso muito bem acordar cedo e fazer isso, disse a si mesmo, sabendo perfeitamente que isso não ia acontecer. Concentrando-se, em vez disso, no calor reconfortante que despertava uma agradável sonolência, ele deixou sua mente vagar.
Envolto em seu pijama aconchegante, um calor suave o preenchia da cabeça aos pés.
Ele sabia por experiência própria que, se deixasse a mente vagar e evitasse despertar emoções fortes, o sono o venceria num instante.
...Preciso acordar cedo amanhã para preparar o almoço.
O motivo de ter ido para a cama mais cedo do que o habitual era porque era a sua vez de preparar as marmitas. Ele sempre se sentia mal por deixar tudo para Mahiru, então, de vez em quando, preparava o almoço para os dois.
Ele não preparava nada complicado, mas Mahiru sempre parecia tão genuinamente feliz quando ele cozinhava para ela que isso o fazia querer encher a marmita com as coisas que ela mais gostava, só para ver aquele sorriso de novo.
Tamagoyaki doce, bolinhos de arroz com ameixa e atum, salsichas em formato de polvo e então…
Há algum tempo, ele havia feito uma marmita para Mahiru inspirada nas que seus pais costumavam preparar para ele, e ela ficou absolutamente encantada. Ela até disse que queria comer de novo, e essa lembrança ficou gravada em sua memória desde então.
Ultimamente, ele vinha se baseando principalmente em sobras ou acompanhamentos congelados que podia aquecer e embalar rapidamente, então os almoços deles não tinham a mesma cara de bentôs de verdade. Amanhã, ele decidiu que faria algo que realmente parecesse e tivesse a aparência de um.
Com esse pensamento, ele imaginou o sorriso radiante de Mahiru e adormeceu lentamente, mergulhando em um suave mar de contentamento.
[Kura: Esse é o Homem, com H maiúsculo.]
✧ ₊ ✦ ₊ ✧
“Bem, acho que minha rotina é normal. Estudar um pouco, relaxar um pouco e pegar leve, sabe?”
Quando Amane resumiu como costumava passar seus dias de folga, Watanabe o olhou com uma expressão que praticamente dizia “Você está falando sério?”
“Sério? Imaginei que você fosse um daqueles caras que se enterram nos livros o dia inteiro.”
“Quer dizer, sim, eu estudo, mas não de forma obsessiva. Estudo normalmente, e já virou hábito. Você não acha mesmo que eu sou algum tipo de nerd dos estudos, acha?”
“Não um nerd completo, mas você definitivamente passa a impressão de ser um ‘aluno exemplar’.”
“…Isso é para ser um elogio?” perguntou Amane, secamente. “Eu não sou tão sério, sabe? Não sou um daqueles caras que sacrificam todo o tempo livre só para estudar o dia inteiro, todos os dias.”
Era óbvio que Amane estudava tudo o que precisava e não era do tipo que achava isso desagradável, mas também não era tão rígido a ponto de dedicar cada minuto livre aos estudos. Quando se sentia cansado, fazia pausas, saía para se divertir, lia livros e relaxava com Mahiru. Ele se certificava de manter um equilíbrio saudável entre trabalho e lazer.
Por que todo mundo acha que eu sou uma espécie de máquina de estudar sem parar...? Pensou ele, lançando um olhar exasperado para Watanabe.
Watanabe coçou a cabeça e murmurou: “Bem, eu meio que tive que me convencer disso, senão me sentiria péssimo comigo mesmo...” um comentário que só aumentou a confusão de Amane.
Enquanto inclinava a cabeça, tentando decifrar o significado, Watanabe resmungou: “Então você é naturalmente bom em administrar seu tempo, hein... Droga, cara,” antes de levar a mão à testa e se afastar derrotado.
Ao vê-lo partir, Amane sentiu uma pontada de culpa por ter, sem querer, ferido o ego do rapaz. E então, por trás dele, ouviu uma voz familiar chamar: “Sabe, Amane...”
Ao se virar, encontrou Itsuki o observando com uma expressão que só poderia ser descrita como complexa.
“...Você não mentiu para ele, mas também não contou toda a verdade, não é?”
“O que te faz pensar isso? Na verdade, estou estudando menos do que o estudante médio que se prepara para os vestibulares.”
[Kura: Itsuki ouvindo tudo kkkkk.]
Pelo que ele tinha visto online, muitas pessoas passavam a maior parte do tempo acordadas estudando. Nesse padrão, a carga de trabalho de Amane não era nada extraordinária. Ele não era de comparar esforços, mas se estivessem falando de horas puras, ele definitivamente estava entre os que estudavam menos.
“Você disse a ele que ia pegar leve, mas por favor, me diga que você está fazendo os serviços domésticos.”
“O quê, você acha que eu ia jogar tudo nas costas da Mahiru como um idiota egoísta? Ela definitivamente me ajudava a limpar antigamente, eu admito! Mas agora eu faço tudo sozinho!”
Amane não negaria que havia dependido demais de Mahiru quando se conheceram. Ele devia a ela mais do que jamais poderia pagar e, honestamente, mesmo que se curvasse com a testa no chão, ainda não seria um agradecimento suficiente. Mas, com o tempo, ele aprendeu a cuidar das coisas sozinho, aos poucos, até conseguir administrar todo o apartamento por conta própria. Ele havia conquistado a aprovação de Mahiru.
Quer dizer, Itsuki me viu no meu pior momento. Eu entendo por que ele duvidaria de mim.
Era natural que ele se perguntasse se Amane realmente conseguiria se virar sozinho agora. Mesmo assim, Amane queria deixar claro que havia se acostumado a morar sozinho. Mesmo sem Mahiru por perto, ele conseguia manter o lugar limpo e organizado sem problemas. Mas, quanto à culinária, ele não ia afirmar que se comparava ao nível de Mahiru. Nem de longe.
“E quanto e como você supostamente ‘relaxa um pouco’…?”
“Como eu disse ao Watanabe, eu não sou tão obcecado por estudos quanto você pensa. Eu faço pausas e às vezes revezamos nos quizes que fazemos, então não é como se eu fosse um demônio dos estudos disfarçado de homem. Além disso, ajuda o fato de eu não odiar estudar.”
“E quanto aos seus jogos e mangás?”
“Hmm, eu ainda acompanho algumas obras em andamento, mas quanto a jogos… não tem havido nada que eu queira jogar ultimamente. E os que eu tenho acumulados são meio difíceis de jogar quando a Mahiru está por perto.”
“Oh-ho? Suspeito.”
“São jogos de terror.”
“Tch.”
“Não estale a língua... O que você esperava?”
[Kura: Eu sei kkkkk, mas não vou falar.]
“Bem, obviamente, algo um pouco mais... ah-hn! e ooh-la-la!”
[Kura: Que isso rapaz kakakakaka.]
“É mesmo? Não tem como eu comprar um jogo desses, mesmo se quisesse, e se por acaso eu conseguisse, a Mahiru ia começar a me questionar imediatamente como eu consegui.”
“Ohh, então a Shiina-san ficaria com ciúmes, é?”
“Não, ela só ia me interrogar sobre por que eu achava que era certo ter algo que eu legalmente não deveria ter ainda — e onde eu consegui.”
“Ah...”
A Mahiru podia até ser namorada dele, mas nunca tentou controlar os interesses ou hobbies de Amane. Mesmo que ele resolvesse dar vazão ao seu estresse desse jeito, ela provavelmente só daria um sorriso irônico e diria: “É assim que os cavalheiros são,” e deixaria por isso mesmo — isso, claro, se ele tivesse idade suficiente para isso.
“A Mahiru não faria alarde por uma coisa dessas.”
“Espera, você está falando por experiência própria?”
“Claro que não! Perguntei a ela há um tempão como ela reagiria se eu tivesse algo assim.”
“Ah, que chato. Eu estava esperando uma história mais interessante.”
“Você sabe que não é minha obrigação te entreter, né…?”
[Del: “(...) Eu pensei que você poderia ter comprado algum tipo de livro esquisito.” “Eu te garanto que é impossível… aliás, e se fosse verdade?” “Eu perguntaria por que você está de posse de algo que alguém da sua idade não tem permissão para ter. Não posso deixar de me perguntar se você está interessado em tais coisas. Eu não vou me importar, mas acho que você tem que se formar do ensino médio antes que você possa ter um.” - Cap 1, Vol 5.5 | Moon: OU… Otonari no tenshi mangá After the rain, capítulo 21. “O que tem de errado em gostar do que você gosta? parte 2” | Kura: Rapaz, vocês estão com a memória boa.]
Amane lançou um olhar interrogativo para Itsuki. Por que esse cara tem que ficar tão decepcionado por nada ter acontecido? pensou.
Itsuki, é claro, apenas sorriu.
Se tivesse havido algum tipo de discussão, Itsuki provavelmente teria dado muita risada. Infelizmente, Amane confiava nele o suficiente para ter certeza disso. E se Itsuki continuasse insistindo, bem… Amane estava seriamente considerando contar para Chitose exatamente que tipo de “itens” seu namorado escondia no quarto.
Por sorte, esse momento nunca chegou.
“Do que vocês dois estão falando?” Antes que Itsuki pudesse dizer qualquer coisa, Mahiru voltou para a sala de aula e espiou na direção deles.
“Nada importante,” disse Amane casualmente. “Só que esse cara sempre pensa baixo.”
“…Não tenho certeza do que isso significa, mas tudo bem?” Mahiru respondeu educadamente.
“Não concorde com ele, Shiina-san!” Itsuki gritou, com a voz carregada de pânico. “Vocês vão começar um grande mal-entendido!”
Era estranhamente satisfatório ver Itsuki tão desesperado, mas Amane manteve isso em segredo.
Mahiru, por sua vez, apenas ofereceu um sorriso calmo e gentil, sem se preocupar nem um pouco com a angústia de Itsuki.
“A Chitose-san me contou algumas coisas interessantes sobre você.”
“Espera, calma aí. O que exatamente ela te contou, Shiina-san?!”
“Ah, quem pode dizer?” Mesmo que Mahiru usasse um sorriso gentil e inofensivo, a contração nas bochechas de Itsuki só piorava a cada segundo. Para qualquer outra pessoa, parecia perfeitamente genuíno e inocente. Mas para Itsuki, aquele mesmo sorriso devia parecer uma arma carregada.
Agora um pouco pálido, Itsuki saiu correndo da sala de aula, sem dúvida para encontrar Chitose e interrogá-la sobre o que ela havia dito.
Amane, surpreso e chocado, olhou para ele incrédulo enquanto ele saía.
O que diabos ele tinha feito para estar em tanto pânico?
“...A propósito, sobre o que vocês duas falaram?” Amane perguntou a Mahiru.
[Kura: Nem queira saber…]
“Apenas coisas comuns do dia a dia. A Chitose-san evitou qualquer coisa muito pessoal. O Akazawa-san provavelmente apenas... interpretou à sua maneira. Ele deve ter algo na consciência.”
“Mahiru, você é meio assustadora às vezes.” Provavelmente fora apenas uma brincadeira sem graça, mas para alguém com a consciência pesada, suas palavras foram como um golpe certeiro.
[Del: A Mahiru sendo desnecessariamente maléfica com o coitado kkkkkk, ainda mais depois do tal assunto.]
Até mesmo Mahiru parecia alheia à intensidade do seu golpe, e Amane sentiu uma gota de suor frio escorrer pelas costas.
Talvez seja melhor não sufocá-la com tanto afeto a ponto de ela começar a odiar, hahah... pensou Amane. Ele não podia se permitir ficar no lado ruim dela.
-DelValle: Nossa, mas realmente, esse capítulo é a definição de Slice of Life / Cotidiano hein kkkkkk. E ainda tivemos vários pacotinhos de companheirismo, papo dos manos, tarefas, um cadin apimentado, afeto e romance. Agora, o Itsuki gemendo no final foi desnecessário… Mas é isso, foi um cap grande até, mas de fato faltava um capítulo desse, curti!
-MoonLakGil: Gostosinho de ler, adorei! Apesar de longo, é, bom, confortável, mas normalmente quando a Saeki manda caps assim é porque vem coisa por ai… Hehe…
-Kurayami: Grande? Um pouco… Mas que cape minha gente!! Muito bom ver o Amane e sua rotina. Good Bye.
Traduzido por Moonlight Valley
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