O Anjo da Porta ao Lado Me Mima Demais Japonesa

Tradução: DelValle

Revisão: Mon, Kurayami


Vol 11.5 – Volume 11.5

Capítulo 3: Sempre Compartilhe o que Você Ama

   Amane tinha hobbies, mas nunca se dedicou totalmente a apenas um deles em particular. A única exceção era seu amor por Mahiru — embora chamar isso de hobby fosse risível. Seus sentimentos não penderiam simplesmente para um lado da balança; eles a destruíram completamente, fazendo o prato se espatifar no chão com uma força tremenda. Dizer que isso era um hobby lhe renderia olhares de descrença e certamente deixaria Mahiru tão envergonhada que sairia correndo. A paixão era muito diferente em tipo e grau para ser chamada de passatempo.

[Del: Que jeito de descrever a intensidade hein. Saeki-san já cozinhou aqui. | Moon: Ela já tá cozinhando a um tempo akkaak | Kura: Só observe a master chef.]

   Portanto, no momento, não havia nada que Amane pudesse apontar claramente e dizer: “Este é o meu hobby.” Ainda assim, uma certa atividade o mantinha ocupado recentemente.

   E Essa atividade era... fazer ovos temperados.

[Del: Sabe, com toda sinceridade, quando ali disse que o Amane não tinha um hobby, eu literalmente pensei: “Hum, e fazer ovos?” | Kura: Que vício hein? kkkkkk.]

   Mas não descarte isso como apenas deixar ovos cozidos de molho em tempero.

   O tempo de cozimento, é claro, variava dependendo do ovo, mas o sabor também. Mesmo com o mesmo molho base, o resultado mudava com as mudanças na concentração, no teor de sal, na presença de dashi e no tempo de molho. Acabou que era surpreendentemente complexo para uma tarefa aparentemente tão simples.

   Amane sempre se dedicou de corpo e alma a fazer as coisas de que gostava e, como era um autoproclamado entusiasta de ovos, dedicava-se à preparação de ovos temperados com grande entusiasmo.

   Dito isso, ele sabia que não devia prepará-los em grandes quantidades todos os dias. Mesmo que pudesse comer todos, já conseguia imaginar Mahiru lhe dizendo, com um olhar um tanto severo, que uma dieta desequilibrada lhe fazia mal. Então, limitou-se, preparando pequenas porções de vez em quando, apenas o suficiente para seu próprio prazer.

[Kura: Proteína mano Amane, proteína…]

   Ultimamente, vinha experimentando para descobrir o quão perto conseguia chegar do seu sabor ideal com seus temperos favoritos. Seu humor aumentava sempre que encontrava uma combinação que lhe caísse perfeitamente.

   Aparentemente, aquele bom humor transparecia em seu rosto. Quando terminou de lavar a louça e voltou para o sofá, foi recebido por Mahiru, que não parecia exatamente desconfiada, mas inclinou a cabeça para ele, curiosa.

“...Você parece um pouco bobo?” perguntou ela.

“Hã? ...Não, eu não diria que estou?”

   Amane não tinha nada a esconder, mas não sentia necessidade de contar a ela. Mas, mais do que isso, admitir que estava todo agitado por causa de ovos temperados soava infantil e constrangedor, então ele negou. Infelizmente, isso só pareceu despertar a desconfiança de Mahiru.

   Embora não fosse um olhar acusatório, ela o encarou enquanto perguntava novamente em um tom suave, porém inflexível: “Mesmo?”

“É, mesmo. Acho que não estou.”

“...É o que você diz.”

“...E eu não estou tentando esconder nada nem nada do tipo.”

   Sentindo, por instinto e experiência, que tentar fugir do problema só pioraria as coisas, Amane decidiu que era melhor levantar a bandeira branca logo.

“Então, o que é?”

“Ah, bem, não é nada demais...”

“Continue.”

“Ultimamente, tenho andado obcecado em fazer ovos temperados.”

“Eu sei. Notei um recipiente com alguns na geladeira.”

“Certo, e finalmente descobri minha proporção favorita de marinada. Está de molho agora. Eu estava imaginando comer um daqueles ovos perfeitamente temperados, macios e derretidos por dentro, com uma tigela de arroz fumegante, e... é, acho que fiquei um pouco animado pensando no café de amanhã.”

   Dizer isso em voz alta fez Amane se sentir bobo por ficar animadinho com uma coisa tão trivial, mas ainda era melhor do que tentar fugir da verdade.

   Os ovos que ele tanto esperava foram deixados marinando antes de Mahiru chegar, o que significava que atingiriam seu sabor máximo no café da manhã do dia seguinte.

   A fornada anterior atingiu o pico de sabor em apenas um dia, então, com essa mistura ligeiramente ajustada, Amane planejou apreciá-los depois de deixá-los de molho por um período semelhante.

   Deixá-los descansar por mais tempo certamente aprofundaria o sabor, e a gema endureceria à medida que a umidade fosse liberada, tornando-se densa e cremosa, o que era delicioso por si só. Mas Amane preferia suas gemas derretidas e líquidas para poder saborear sua riqueza. Para ele, a primeira mordida tinha que ter aquele centro sedoso e dourado.

[Moon: Nisso eu concordo, gema líquida é a melhor que tem…]

“Claro, ovos temperados combinam muito bem com lámen, mas nada supera o arroz branco, na minha opinião. Se importa se eu usar o arroz bom que estamos guardando?”

   O arroz que costumavam comer não era nada ruim — na verdade, era mais caro e tinha um sabor excelente. Ainda assim, era para consumo diário, cuidadosamente escolhido por Mahiru por seu equilíbrio entre sabor e custo. Não era o tipo de variedade ultra premium.

   Por mais delicioso que fosse, combiná-lo com seus ovos temperados de primeira qualidade parecia um desperdício. Para ovos tão perfeitos, só o melhor arroz serviria. E então, Amane decidiu que era hora de recorrer ao estoque especial que eles estavam guardando para uma ocasião especial: arroz que custava vários milhares de ienes por quilo.

“Não posso?”

“P-pode, não tem problema.”

“Aaaeeeeee! Ah, talvez eu devesse acordar cedo e cozinhar na panela de barro. Nossa panela elétrica de arroz faz um arroz bom, mas o arroz de uma panela de barro tem um sabor diferente.”

[Moon: Fatos!]

   O arroz cozido em uma panela de barro tinha um sabor diferente e um toque mais doce. A chama direta lhe dava uma qualidade que a panela elétrica de arroz não conseguia igualar. Permitia que cada grão retivesse sua umidade, resultando em um brilho rechonchudo, lustroso, quase delicioso.

   Amane não estava desacreditando a panela elétrica de arroz, mas quando se tratava de extrair fragrância, doçura e profundidade de sabor, ela ainda não se comparava à panela de barro. Por outro lado, a panela de barro tinha suas próprias desvantagens: não era possível deixá-la sem supervisão e, sem um controle cuidadoso do calor e da água, o arroz poderia ser facilmente estragado. Cada uma tinha seus pontos fortes e fracos.

   Graças às lições de Mahiru, ele conseguia preparar uma panela decente de arroz agora, embora na maioria dos dias ainda dependesse inteiramente da panela elétrica. Mas, com a permissão dela, ele decidiu que, no dia seguinte, seria ele quem cozinharia.

   Ele virou os olhos para ela. Ela piscou várias vezes em silêncio antes de soltar um suspiro longo e medido.

“...Me sinto muito aliviada agora.”

“Oi? Espera, você estava suspeitando de algo estranho?”

“Não, nada disso. É mais... uma sensação de segurança, eu acho. Ver você agir tão como você mesmo me tranquiliza.”

“...Você está secretamente tirando sarro de mim?”

“Claro que não, bobinho,” Mahiru fez beicinho.

“Hmm.”

   Talvez ela não estivesse zombando dele, mas (a julgar pelo olhar dela) provavelmente achou isso cativante, ou talvez até fofo. Não que Amane fosse levar essas palavras ao pé da letra. Ele decidiu deixar por isso mesmo, e desta vez foi a vez de Mahiru ficar nervosa.

“Por que você não acredita em mim?” ela então perguntou.

“Bem, você só está... sempre cuidando de mim com esse sorriso enorme no rosto, então...”

“Isso é só porque, sempre que eu olho para você, eu sempre penso em como você é querido para mim.”

“Hmph... Não posso discordar disso. Afinal, sinto o mesmo por você, Mahiru,” assentiu Amane.

   Ele nunca poderia negar isso depois que Mahiru chegou a dizer que ele era querido por ela. Ele também se via constantemente observando-a silenciosamente com um sentimento de adoração. Era mútuo — e simplesmente saber que ela sentia o mesmo por ele era mais do que suficiente para fazê-lo feliz. Nesse caso, ceder graciosamente era a melhor escolha.

   As bochechas de Mahiru ficaram rosadas enquanto ela olhava para o chão. Sempre que ficava envergonhada, geralmente recorria a cabeçadas inofensivas e socos brincalhões, ou a tremer silenciosamente no lugar. Desta vez, parecia que ela havia escolhido a última opção.

   Isso surpreendeu Amane. “Você está corando por causa disso?”

“B-bem, sim...”

“Estou sempre olhando para você enquanto penso no quanto te amo, sabia?”

“E-eu já... sei muito bem que... você me ama.”

“Sério? Tem certeza de que está chegando até você?”

   Os pais de Amane lhe ensinaram que palavras e ações eram tão importantes quanto uma à outra, e ele carregava essa lição no coração. Ele tentava garantir que seus sentimentos sempre fossem transmitidos, para que Mahiru nunca tivesse motivos para se sentir insegura.

   Amane tinha acabado de perguntar se seus sentimentos realmente vinham sendo transmitidos, mas ele já sabia que sim. As próprias reações dela deixavam perfeitamente claro que ela notava e aceitava cada gota de amor dele.

“Chega sim. Muito e muito.”

“Ótimo. Era tudo o que eu precisava ouvir.”

   Mahiru assentiu com tanto fervor que era quase cômico, sua sinceridade era cativante demais para Amane manter a seriedade. Sorrindo suavemente, ele estendeu a mão e afagou sua cabeça delicadamente.

   Ela aceitou o toque, mas seus lábios se moveram um pouco, como se quisesse dizer algo, mas que não conseguisse expressar.

“...Mmm.”

“O que houve?”

“Eu só estou... absorvendo o quanto sou amada.”

“Entendo. Fico feliz que você consiga realmente sentir isso.”

   Amane ficou mais do que satisfeito depois de ouvi-la dizer isso, mas Mahiru parecia descontente ou simplesmente envergonhada demais com a facilidade com que ele concordou. Ela deu um pequeno gemidinho e então pressionou as palmas das mãos levemente contra a coxa dele para dar um empurrãozinho, nervosa.

   Acho que isso completa o pacote inicial de constrangimentos de Mahiru, refletiu Amane, sabendo muito bem que, se o ouvisse dizer tal coisa, as bochechas dela inchariam como um balão rosa. Pegando delicadamente as mãos apoiadas na coxa dele, ele as envolveu nas suas.

“Vamos, anime-se. Podemos comer os ovos temperados juntos amanhã de manhã.”

“...Está tudo bem mesmo?”

“O que você quer dizer?”

“Bem... você não está esperando que eles fiquem exatamente do jeito que você gosta?”

“Estou, sim. E é por isso que quero comê-los com você. Comida boa é para ser compartilhada.”

   Amane não era de guardar as coisas que amava só para si.

   Claro, a própria Mahiru era uma exceção, e Amane jamais permitiria que outra pessoa a tivesse. Mas quando se tratava de qualquer outra coisa que amava, ele preferia, sem sombra de dúvida, compartilhar com as pessoas próximas. E se essa pessoa fosse a mulher que ele amava? Mais um motivo para compartilhar.

   Havia uma alegria especial em deixar a pessoa mais querida saber o que ele prezava, e em vê-la achar isso maravilhoso também. Só isso já era felicidade suficiente.

   Além disso, com o paladar aguçado de Mahiru, sua habilidade na cozinha e seu vasto conhecimento, o feedback dela só o ajudaria a melhorar. Não havia absolutamente nenhum motivo para não compartilhar seus ovos com ela.

“Não se preocupe — eu anotei a receita, então posso fazer de novo, okay?” disse Amane.

“...Essa é outra coisa que eu amo em você,” respondeu Mahiru.

“Sério? Obrigado.”

“Eu te amo,” ela sussurrou novamente.

“...Aconteceu alguma coisa hoje? Aconteceu alguma coisa, né?”

   Mahiru estava dizendo “eu te amo” com tanta frequência que Amane começou a se preocupar que ele pudesse tê-la deixado desconfortável de alguma forma. No entanto, tudo o que ela fez foi balançar suavemente os cabelos loiros de um lado para o outro, como se nada estivesse errado.

“Eu estava pensando, do fundo do meu coração, como sou feliz por quem eu amo ser você, Amane-kun.”

“Isso me deixa muito feliz. Eu me sinto da mesma forma. Sou grato por ser um homem que você pode amar, Mahiru.”

   Amane ainda não estava totalmente convencido de possuir qualidades dignas do profundo amor de Mahiru. Mas guardou esse pensamento para si. Se ele expressasse isso, Mahiru certamente o encararia antes de começar um sermão, salpicado de comentários que soavam suspeitosamente como confissões de amor.

   O que ele sabia com certeza era que Mahiru o amava de verdade. E, à sua maneira, Amane queria ser alguém sincero não apenas com Mahiru, mas também com os outros. Ele imaginou que essa provavelmente era uma das razões pelas quais Mahiru o amava em primeiro lugar.

“…Amane-kun, você consegue ser tããão distraído às vezes. Na verdade, não só às vezes — com bastante frequência.”

“Hã, sobre o quê?”

“Ah, muitas coisas.”

   Mahiru virou a cabeça com um beicinho. Amane não a pressionou por respostas, sabendo que ela só ficaria nervosa e sairia correndo. Em vez disso, ele simplesmente acariciou a pequena mão que segurava, desfrutando do seu calor.

 

-DelValle: Não vai ter como, vou ter que aprender a lidar com ovos. Capítulo muito fofo, mas aqui vai uma informação:

Sim, o arroz fica muito bom na panela de barro e isso faz parte do costume tradicional japonês. No Japão, essas panelas são chamadas de donabe e são valorizadas por produzirem um arroz saboroso e macio devido a retenção da umidade e do calor com sua porosidade. É normalmente preparado em comemorações e semelhantes.

-Moonlakgil: Sinceramente, um capítulo curto, mas que transmite aquele quentinho no coração. Uma sensação de querer dar pulinhos, não sei explicar. Simplesmente Eles ✨. E sim, teremos que nos acostumar com o fato, tá até na wiki oficial se procurar “Personagem: Fujimiya Amane (...) | Coisa Favorita: Mahiru, ovos” akakakka

-Kurayami: Bem, o que posso falar desse cap? Ele foi bastante divertido, mas… O Amane é muito viciado em ovos cara kakakakaka, temos 12 palavras que são “ovo”.

 

Traduzido por Moonlight Valley

Link para o servidor no Discord

Entre no nosso servidor para receber as novidades da obra o quanto antes e para poder interagir com nossa comunidade.

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora