Volume 1 – Arco 1
Capitulo 9: A Mulher-Onça!
Trancado no quarto, Dante estava fazendo flexões, com cinco anilhas de vinte quilos nas costas.
Sem camisa, vestido apenas com um calção preto, suas mãos fundiam-se ao chão, e os músculos dos braços estavam todos retesados, delineados como cordas de aço.
Do rosto jorrava suor, mas seu semblante mantinha uma expressão determinada.
— 2997... 2998... 2999... 3000.
Dante virou-se lentamente, deixando que as anilhas escorressem de suas costas até o chão. Com um movimento firme, ergueu-se de pé. Levantando os braços, sentiu o Nitro pulsando por todo o seu corpo.
Flexionando os músculos, liberou a energia acumulada, gerando uma onda de força que lançou mochila, livros e revistas contra o teto.
O brilho vermelho irradiou pelas paredes azuis do quarto, atravessando a janela e iluminando o exterior como uma aurora ardente.
— Finalmente consigo liberar essa energia vermelha sem depender de nenhum gatilho. Agora é só descobrir como usá-la! Já sei... — disse o jovem, sorrindo cheio de entusiasmo.
Pegando a revista do seu herói, Dante folheou rapidamente até a página onde Ares demonstrava uma de suas técnicas mais icônicas: Esvanecer, uma onda de energia vermelha capaz de incinerar um muro de aço, segundo a descrição na revista.
Com os olhos brilhando de empolgação, ele colocou a revista sobre a cama. Determinado, Dante posicionou-se diante da parede do quarto que dava para a rua, decidido replicar a habilidade do seu ídolo.
Apontando a palma da mão direita contra a parede, Dante bradou:
— Esvanecer! — Nada aconteceu.
— Esvanecer! — Ele repetiu, mas novamente nada aconteceu.
Franzindo a testa, com a frustração crescendo, várias veias saltaram em seu rosto. Com muita raiva, começou a gritar:
— Esvanecer! Esvanecer! Esvanecer!
Foi quando alguém bateu na porta. Relaxando a postura, Dante percebeu que estava gritando alto demais. Apressou-se para abrir.
Do outro lado, Nana, sua mãe, estava com uma expressão aborrecida. Vestia uma camisola rosa e pantufas combinando.
— Meu filho, que gritaria é essa? Já é meia-noite! Você precisa ir para a escola amanhã!
Sem jeito, Dante coçou a cabeça e respondeu:
— Foi mal, mãe! Acho que me empolguei um pouco.
— Vá dormir! Amanhã você tem aula! — repetiu ela com rispidez antes de se despedir.
Depois que Nana saiu, Dante foi tomar banho, pois estava fedendo como um porco. Ao sair, vestiu um calção vermelho e uma blusa branca.
Deitando-se no colchão, seus pensamentos o impediram de fechar os olhos. Não alcançar seu objetivo o deixava profundamente frustrado. Mesmo querendo continuar o treinamento, seus músculos doloridos o mantinham preso à cama, sem forças para se levantar.
Cerrando os punhos e agarrando o lençol branco, murmurou para si mesmo:
— Eu vou conseguir. Ficarei mais forte e, algum dia, serei tão poderoso quanto Ares!
[...]
Em uma noite de lua cheia. O brilho prateado refletido nas calçadas projetava as sombras de postes, árvores e prédios.
Na escuridão, uma figura misteriosa saltava pelos telhados dos prédios amarelos de três andares.
Vestida em um traje que imitava a pele de uma onça-pintada, com a sigla PP bordada no lado direito do peito, a silhueta feminina parecia incansável.
Com pelo menos um metro e noventa de altura, ela impressionava pela agilidade. Suas acrobacias eram precisas, desafiando a gravidade, e quando corria, sua figura se transformava em um borrão amarelo, quase impossível de acompanhar.
Do alto do prédio, no limite extremo do parapeito, a figura permanecia imóvel, equilibrando-se em uma quietude quase sobre-humana.
Seus olhos estavam fixos no movimento lá embaixo; ela parecia aguardar o aparecimento de sua presa, como uma verdadeira onça.
Enquanto isso, as irmãs draconianas caminhavam pelos becos, tentando se esconder da Piece Patrol. Foi então que a pessoa vestida de onça caiu de joelhos bem à sua frente, pronta para atacar.
— No nosso planeta, dizem que há o dia da caça e o dia do caçador. Vocês caçaram o meu filho... agora é minha vez de caçar vocês! — declarou a pessoa, com a voz carregada de um tom amedrontador. — Quem será minha primeira presa?
As irmãs ficaram em estado de prontidão, pois nada sabiam sobre o ser que estava à sua frente. Com uma das pernas para trás e a outra à frente, mantinham os braços em posição defensiva, prontas para reagir a qualquer movimento.
— Você disse "filho", então está falando de um homem? — perguntou Sirithy, a draconiana vermelha. — Até agora, não caçamos nenhum homem! Apenas nos defendemos de um com cabelos que pareciam os anéis de Saturno.
— Fala como se fossem o retrato da perfeição! Se enxerga, garota! Vocês parecem lagartixas! Seu maior erro foi provocar uma mãe onça como eu!
Todas ficaram boquiabertas com a comparação infeliz feita pela mulher-onça. Velltra, a draconiana azul, cerrou os punhos e rangeu os dentes, tomada pela fúria.
— Você vai pagar por essa comparação desrespeitosa!
Sem hesitar, Velltra avançou. Com o punho direito erguido na altura do ombro, desferiu um soco no rosto da mulher-onça. O impacto foi tão forte que ecoou pelo ambiente.
— O que achou do meu soco? — disse Velltra com um sorriso largo.
A mulher-onça não se moveu um centímetro. Com a cabeça firme no lugar, ela retirou a mão de Velltra de seu rosto com um tapa displicente e, soltando uma breve gargalhada, respondeu:
— Acho que uma lagartixa bate mais forte!
Velltra não teve nem tempo de se enfurecer. A mulher-onça, com um movimento rápido, desferiu um poderoso soco com o punho esquerdo, acertando o rosto da draconiana.
O golpe lançou Velltra pelo ar, fazendo-a colidir violentamente contra uma parede. O impacto foi tão brutal que arrancou o único chifre que lhe restava.
As draconianas olharam para Velltra e ficaram assustadas ao perceber que seus olhos estavam revirados e que o único chifre que restava havia se quebrado.
Surpresa, Sirithy levou a mão direita à boca e murmurou para si mesma:
— Incrível! Essa pessoa derrubou a Velltra com um único golpe! Nem mesmo nossa irmã mais velha é capaz de fazer isso!
Franzindo a testa e batendo os punhos, a draconiana amarela deu um passo à frente.
— Você vai pagar por ter batido na minha irmã! — gritou ela, prestes a correr, mas foi detida pela draconiana verde, que segurou seu ombro e a puxou para trás.
A draconiana preta tomou a dianteira, e logo a verde se juntou a ela.
— Não interfiram! Kaerza e eu lutaremos com ela! — declarou Nayriss com uma expressão séria e determinada.
Sirithy, ao ver que Nayriss também estava se preparando para lutar, ficou profundamente preocupada.
— Se até a Nayriss está entrando nessa luta, significa que essa inimiga não é alguém comum. Estamos correndo um perigo real! — pensou, com o coração acelerado.
Movendo-se sorrateiramente, Sirithy agarrou o braço esquerdo de Zyrala, a draconiana amarela.
— Venha! Precisamos fugir! — sussurrou ela.
Obedecendo à irmã, Zyrala seguiu seus passos. No entanto, quando ambas pensaram que escapariam, uma garra disparou como uma bala, cravando-se na parede bem próxima ao nariz de Sirithy. Ela ficou paralisada, em estado de choque.
A mulher-onça, com o dedo indicador direito estendido em direção a elas, estava com uma leve fumaça saindo da ponta da garra. Sua voz fria cortou o ar:
— Mais um passo, e eu não terei misericórdia.
Sirithy abraçou a irmã pelas costas, e ambas se sentaram no chão, observando em silêncio. Kaerza e Nayriss estavam na linha de frente, seus olhares fixos na figura que permanecia de braços cruzados.
— Pelo visto, vocês são as mais fortes! — disse a mulher-onça com um tom irônico. — Não vou me segurar. Venham com tudo!
As duas avançaram como vultos, um negro e outro verde. A mulher-onça, saltando para trás, começou a se defender dos ataques incessantes. Os golpes ecoavam como trovões pelo ambiente. Movendo os braços em círculos, ela bloqueava a chuva de socos desferida pelas irmãs, embora com visível dificuldade.
Kaerza, aproveitando uma brecha, desferiu um poderoso chute com a perna direita no torso da adversária. A mulher-onça, ágil, agarrou a canela dela e a girou com força, tentando acertar Nayriss. A draconiana verde, rápida, abaixou-se até que as costas quase tocassem o chão, desviando do ataque com destreza.
Sem hesitar, a mulher-onça girou Kaerza para cima e a lançou contra Nayriss, como se fossem projéteis. Segurando a perna esquerda de Nayriss, ela começou a girar as duas simultaneamente.
Um pequeno tornado se formou no centro do beco, levantando poeira e deixando Sirithy e Zyrala impressionadas.
— Nunca imaginei que nossas irmãs mais velhas pudessem ser humilhadas assim... — sussurrou Sirithy, com uma expressão angustiada.
Por outro lado, Zyrala assistia à cena com os olhos brilhando de fascínio. Seu sorriso empolgado contrastava fortemente com a angústia de Sirithy.
A mulher-onça jogou as duas em direito opostas, Kaerza cai bolando pelo chão até a rua, e Nayriss cai bolando ao chão e para em cima de Velltra, que ainda estava desmaiada.
Com os braços cruzados nas costas, a mulher-onça parecia ensinar as draconianas mais velhas sobre luta.
— Vocês não lutam nada mal, mas falta ordem! Nunca vencerão um inimigo astuto confiando apenas em força bruta.
Nayriss levantou-se e, franzindo a testa, avançou contra a mulher-onça, tentando socá-la novamente.
A mulher desviava levemente o torso e utilizava movimentos rápidos de pernas típicos do boxe, bloqueando com precisão todos os golpes direcionados ao rosto.
Kaerza não ficou para trás. Levantou-se e uniu-se à irmã, lançando golpes em conjunto. Mesmo assim, seus ataques não passavam de tentativas frustradas.
Os movimentos da mulher-onça eram tão rápidos que parecia que ela sequer se mexia.
Quando as draconianas começaram a perder o ritmo, a mulher-onça aproveitou. Com um único golpe preciso, acertou o estômago de ambas. Nayriss e Kaerza recuaram cinco passos, as bocas entreabertas pela dor lancinante.
Sem fôlego, caíram de joelhos no chão. A força do impacto trouxe à mente delas a imagem de outra draconiana, com chifres de alce e cabelos ondulados que, há tempos, também havia as vencido.
— Continuam cometendo o mesmo erro! — disse a mulher-onça, observando-as com desaprovação. — Já tive inúmeras chances de acabar com vocês, mas confesso que estou com pena. Não gosto de maltratar os mais fracos.
As irmãs tentaram levantar-se novamente, mas seus corpos pesados como chumbo denunciavam o limite de suas forças. Cientes de que não poderiam continuar, aceitaram que aquele era o fim da linha.
A mulher cruzou os braços e deu um passo à frente.
— Antes de dar um fim a vocês, apresento-me: sou Jaguar Sun, comandante da Unidade Secreta de Piece Patrol.
Ao ouvirem aquelas palavras, as draconianas ficaram imóveis, os olhos arregalados e os músculos tensos, como se o próprio ar ao redor delas tivesse congelado.
A oponente diante delas não era apenas uma combatente habilidosa; era uma comandante. Um calafrio percorreu o grupo quando a compreensão se abateu sobre elas: os comandantes da Piece Patrol eram lendários, conhecidos em toda a galáxia.
O pensamento surgiu na mente das irmãs como um clarão. Elas se lembraram daquela mulher alta, com chifres que se curvavam como galhadas de alce, os longos cabelos ondulados balançando com a brisa.
Os olhos vermelhos brilhavam sob a luz do sol alienígena enquanto ela se sentava casualmente nas rochas, as cinco jovens draconianas ao seu redor.
Naquele tempo, a pele delas era de um prateado lustroso, antes de mudar com o contato com a atmosfera terrestre. Mesmo adultas, pareciam pequenas ao lado da grande draconiana, que as envolvia em uma aura de autoridade e conforto.
— Lembrem-se disso, meninas — disse ela com a voz doce, quase maternal, enquanto um sorriso sereno cruzava seu rosto. — Se algum dia vocês encontrarem um comandante de Piece Patrol, tratem-nos com respeito. Não tentem lutar contra eles.
Ela fez uma pausa, deixando o peso de suas palavras se acomodar no coração de cada uma delas.
— Eles são os heróis que salvaram nossa raça da extinção. Nunca se esqueçam de que o poder deles é incomensurável.
A revelação pairou pesada no ar, esmagando qualquer resistência restante. Lentamente, as draconianas levantaram as mãos em sinal de rendição. A coragem dissolvida pelo temor do título que carregava tanto peso.
[...]
Ao amanhecer, poucas nuvens pintavam o céu, enquanto o sol radiante iluminava a cidade e os pássaros entoavam cânticos harmoniosos.
Nos noticiários, a manchete do dia dominava todas as telas e rádios: a Piece Patrol havia capturado as draconianas de Mercúrio.
Na cidade Central, os sorrisos estampados nos rostos dos habitantes, humanos e extraterrestres, podiam ser vistos em cada esquina, celebrando a vitória.
No colégio Galácticos, tudo indicava que seria mais um dia de aula tranquilo. Dante, apoiado na carteira, descansava a cabeça na palma da mão, enquanto Dingo, sentado atrás dele, estava calado, com os olhos fixos no chão, preparado para a aula.
Luna, que chegara cedo, sentou-se mais ao fundo, ainda desconfortável após o terrível incidente recente.
Pela primeira vez, a professora Spartane estava atrasada, algo que nunca acontecia. De repente, a porta da sala se abriu, e um homem de topete loiro entrou, vestindo um traje de luces vermelho com detalhes laranja.
— ¡Hola, alumnos! Yo soy Carlo, y estoy aquí para sustituir su maestra, la linda Spartane, que tuvo que resolver um problema familiar. Pero antes de empezar la clase, permítame presentar su nueva compañera.
Uma menina baixinha de cabelos verdes entrou na sala. Seus músculos, visíveis sob a camiseta branca do uniforme, e as meias cor de rosa, destoantes, chamavam atenção. Com um sorriso travesso, ela ergueu a mão em um gesto de paz próximo ao rosto e disse com um tom infantil:
— Olá, plebe! Sou Jade Kross, a nova colega de classe. Prometo que serei expulsa em menos de uma semana, então vão ter que me aturar por um tempinho.
Enquanto ela falava, Dante fixou seu olhar flamejante nos olhos sombrios e roxos de Jade. Naquele instante, sem palavras, uma rivalidade parecia ter nascido entre os dois.
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