Nitro: As Pegadas do Herói Brasileira

Autor(a): Lucas Aguiar Ferreira


Volume 1 – Arco 1

Capitulo 8: Um Homem em Chamas e o Mapa Rabiscado de um Idiota!

 

 

 

Um vulto negro corria sobre a pista, deixando rastros de fogo no asfalto. A velocidade era tão assustadora que parecia que todos os automóveis ao seu redor estavam em câmera lenta.

Dois pneus, uma armadura preta cintilante e as iniciais de PP cravadas no tanque. Essa era a incrível moto da Piece Patrol.

Zuuuuuuuuummmm… o som extravagante da moto ecoava como um grito de emergência. O homem que a montava segurava firme o guidom; seu capacete preto cobria a cabeça, e seus olhos, visíveis através da viseira, brandiam determinação.

O moletom de couro preto, refletindo a luz do sol, fundia-se à armadura da moto como se ela fosse uma extensão do seu corpo.

A moto desacelerou bruscamente. Uma densa fumaça se espalhou pela rua como névoa, e pessoas e alienígenas correram com expressões aterrorizadas.

Três monstros taurinos estavam agarrados a um prédio, demolindo suas estruturas com golpes de porretes que ecoavam como explosões de bomba.

O motoqueiro parou a moto e, levando as mãos ao capacete, retirou-o sobre a cabeça, revelando ser o assistente Kyros. Seus olhos estavam arregalados, cheios de ódio, e a testa franzida denunciava frustração.

— Quem foi que largou esse bando de boi alienígena?

Um dos monstros taurinos levantou o porrete de madeira e o desferiu contra a parede do prédio. O som do impacto foi como o de uma bola de demolição.

O chão vibrou com tanta força que Kyros se desequilibrou, tremendo como uma vara verde, mas conseguiu se manter de pé.

— Macacos me mordam! Se eu levar uma porrada dessas, não vai sobrar nem a gosma!

Kyros estendeu a mão direita para o lado.

— Parece que vou ter que lutar a sério desde o princípio!

Uma energia azul verteu de seu corpo, espalhando-se por inteiro.

— Afoguem-se com seus tentáculos infernais…

De repente, uma mão revestida por uma luva preta repousou sobre o ombro de Kyros. Ele virou o rosto no mesmo instante.

— Não precisa liberar o seu Nitro, Kyros. Pode deixar que eu cuido disso!

Fenícios estava atrás dele, com um sorriso aberto e um olhar confiante. Diferente do padrão da Piece Patrol, não vestia uniforme: usava uma camiseta laranja, calça vermelha justa e alpercatas marrons.

— Comandante… como o senhor chegou aqui?

Tomando a frente de Kyros, Fenícios respondeu de costas para ele:

— Hoje é meu dia de folga. Por acaso, eu estava por perto. Ando meio entediado… um exerciciozinho não vai me fazer mal nenhum.

— Mas, comandante, sua liberação é sem dúvida mais destrutiva que a minha!

Virando o rosto de lado, Fenícios abriu um sorriso com os olhos fechados.

— Não seja tolo, Kyros. Não vou precisar liberar meu Nitro para matar essas criaturas fracas.

Kyros arregalou os olhos de espanto ao ouvir o comandante chamar aqueles monstros destruidores de criaturas fracas.

Fenícios relaxou os braços. De repente, um vapor subiu do chão. Um queimado surgiu na bochecha direita de Kyros, como se ele tivesse encostado em algo extremamente quente.

Ao olhar para o chão ao redor do comandante, Kyros arregalou ainda mais os olhos: o asfalto borbulhava como água fervente, e um vapor escuro subia para o ar como a chama de um vulcão.

Flexionando os joelhos, pronto para saltar, Fenícios encarou os monstros taurinos e sorriu.

Quando saltou em alta velocidade na direção deles, uma aura laranja o envolveu. Parecia um meteoro cortando os céus.

Um dos monstros taurinos ergueu o porrete, pronto para desferir mais um golpe no prédio, mas uma bicuda flamejante atingiu seu rosto em alta velocidade, afundando-o e lançando-o para fora do prédio a mais de dez metros de distância.

O monstro caiu do céu e, ao atingir o asfalto, criou uma pequena cratera.

Fenícios pousou diante dos outros taurinos, de braços cruzados, coberto por uma energia laranja que lembrava chamas vivas.

— Vocês já causaram muito estrago por aqui. Querem se render pacificamente ou vou ter que sacrificá-los?

Os dois avançaram ao mesmo tempo, porretes erguidos. Fenícios desapareceu diante dos olhos deles como uma faísca gerada por atrito.

Os monstros olharam para os lados, confusos.

— Ei… por que vocês não olham para cima?

Ao erguerem o olhar, viram o comandante agarrado à parede como uma aranha. Empurrando o teto com os pés revestidos pela energia laranja, ele ganhou impulso e, esticando a perna direita, chutou a cabeça de um deles, esmagando-o contra o chão.

Saltando novamente como uma bala, desferiu um chute no queixo do outro, cravando-o de cabeça na parede.

Executando um mortal no ar, Fenícios aterrissou de pé e voltou a cruzar os braços.

— Acredito que vocês não vão morrer só com esses golpes. Vamos… me mostrem que são diferentes de animais.

O taurino caído no chão ergueu a cabeça. Sangue roxo escorria de sua boca. Finçando as mãos no asfalto, levantou-se cambaleando.

Ao olhar para cima, viu o outro se debatendo preso ao teto. Num salto, agarrou a perna direita dele. O teto arrebentou, e o monstro despencou, levando as mãos ao pescoço.

O que estava de pé desferiu um golpe de porrete no outro, fazendo-o mugir de dor.

Levantando-se com pressa, o atingido revidou com um tapa violento no rosto do agressor. Os dois se agarraram, disputando força.

— Não querendo me meter em briga de família… mas meu tempo é curto! Ou vêm logo, ou eu vou!

Os dois cessaram a briga e correram na direção de Fenícios, que saltou para trás, voando para fora do prédio.

Os monstros saltaram atrás dele. Fenícios aterrissou no chão, e os dois taurinos também, reunindo-se ao monstro que havia sido lançado do prédio anteriormente.

Fenícios abriu um sorriso. Seus olhos brilhavam como tochas.

— Agora sim… vocês estão onde eu queria.

Os monstros avançaram com os porretes estendidos. Olhos vermelhos, espuma escorrendo pela boca — a fúria era evidente.

Atacaram em sincronia. Fenícios se movia com agilidade absurda, desviando dos golpes como se tudo estivesse em câmera lenta.

Um deles abriu a boca no limite e disparou um raio púrpura. Fenícios estendeu a mão e segurou o ataque, lançando-o contra o chão a vinte metros de distância.

A explosão púrpura ergueu uma enorme cortina de poeira, cobrindo quase toda a rua.

Kyros, segurando a moto para que não fosse arrastada pelas ondas de choque, observava tudo com os olhos esbugalhados.

Outro monstro saltou sobre Fenícios e, segurando o porrete com as duas mãos, desferiu um golpe vertical. O impacto rachou o asfalto e soou como uma explosão colossal.

A fumaça se dispersou. O monstro ergueu o porrete, esperando encontrar a carcaça esmagada do comandante…, mas não havia nada.

— Um golpe forte…, mas com essa velocidade, se torna inútil.

Os três cercaram Fenícios e, abrindo a boca ao limite, dispararam os raios púrpura ao mesmo tempo. As energias se chocaram, formando um pilar de luz que explodiu, levantando ainda mais poeira.

Os monstros começaram a rir com timbres diabólicos — até ouvirem o som de palmas.

Quando a fumaça se dissipou, Fenícios surgiu intacto, protegido por uma esfera laranja de energia.

— Agora chegou a minha vez de atacar.

A energia que vertia de seu corpo tornou-se chamas de fogo que não o queimavam.

Chute Flamejante da Fênix!

Fenícios disparou como uma bala. Envolto em fogo, atravessou os três taurinos ao mesmo tempo, transpassando seus torsos e deixando crateras em chamas, que os consumiram até virarem cinzas.

Erguendo o punho para o alto, o comandante comemorou a vitória. As pessoas que antes estavam em desespero agora aplaudiam e gritavam em agradecimento.

— Você é o melhor! — disse um homem branco de óculos e suéter verde.
— Agora sou seu fã! — gritou um gordinho loiro de camiseta vermelha.

Fenícios subiu em cima de um carro e falou:

— Eu, comandante Fenícios, larguei meu dia de folga para salvar vidas. E sabem de uma coisa? Não me arrependo. Suas vidas valem mais que meu descaso. Enquanto eu estiver vivo, vou proteger todos vocês. Isso é ser um herói.

A multidão entrou em delírio. Pessoas vibravam, comemoravam, exaltavam sua vitória.

Fenícios sorria largo, apreciando a homenagem — como um deus que recebe adoração.

[...]

O azul foi desaparecendo dando lugar a escuridão da noite. Uma constelação de estrelas espalhadas pelo céu, vistas da superfície pareciam pequenos diamantes, e a luz cheia que brilhava na extensão celeste era tão grande que parecia estar dentro da terra.

Deitado na cama repousando a cabeça sobre as mãos, Dante olhava para teto branco como se ele fosse uma tela que reproduzia seus pensamentos. Sua cabeça estava latejando, e estava como um balão sobrecarregado a ponto de explodir.

As palavras ‘Dispersar’ e ‘Controlar’ ecoavam na cabeça como os sussurros de uma assombração. A cena do velho do espetinho, coberto por uma energia verde, parando uma kombi desgovernada com uma mão, sem sair do lugar, se repetia em sua mente, como a cena de um filme vista centenas de vezes.

— Como aquele velho acabado fez aquilo? — pensou o Ruivo com uma expressão séria, e de testa franzida tentava forçar o cérebro a raciocinar, mas era como se buscasse informações em uma folha de papel em branco.

De repente Dante sentiu uma dor no estômago como se uma bola de demolição caísse em cima dele.

Em posição fetal, com as mãos sobre o estômago, os olhos estavam esbugalhados e a boca estava aberta literalmente comendo vento.

— Que fome! Parece que meu estômago foi pras costas!

Bolando na cama ele caiu de quatro patas no chão, se agarrando na prateleira das revistas ele se levantou e andou passo por passo até a porta com a vista se apagando assim como sua consciência.

Saindo do quarto, ele se jogou numa cadeira de ferro branca ao redor de uma mesa de marfim, e suplicou como se fosse seus últimos momentos de vida.

— Mãe me dá comida! Eu estou morrendo!

A mãe de Dante, com seus cabelos prateados amarrados, e um avental bege sobre um vestido rosa, veio de testa franzida segurando um prato com arroz, feijão e peito de frango.

Colocando sobre a mesa ela desferiu um cascudo na cabeça do ruivo.

— Pega, menino! A influência daquele peste de marte está te fazendo mal! Está falando igualzinho a ele.

Dante pegando a colher que já estava na mesa, começou a mandar comida pra dentro como se estivesse a meses sem comer.

— Mastiga a comida, garoto! Ninguém vai tirar a comida de você!

Dante colocou a colher na mesa e sentado abraçou a cintura da mãe.

— Calma, Dona Nana! A senhora tá muito estressada! Ficar desse jeito não vai fazer o Dingo deixar de ser um idiota!

— Para ele deixar de ser um idiota é deve nascer de novo!

Dante saltou Nana e começa a comer em desespero apanhando a comida com a colher como se fosse uma pá. Nana colocou um copo de água na mesa, e ele deixando o prato vazio bebê a água de uma vez.

Colocando o copo sobre a mesa, ele relaxou as costas na cadeira colocando a mão direita sobre a barriga.

— Caramba, estou de bucho cheio! Mandou bem na comida, mãe! Salvou a minha vida!

O pai de Dante, com os cabelos prateados bagunçado, vestido com uma camiseta bege e calção de dormir azul caminha até a geladeira com um zumbi, e ao ver Dante abriu um sorriso.

— Iai, filhão, encheu o bucho?

Batendo na barriga de leve com as mãos, o ruivo abriu um sorriso.

— Enchi, agora estou pronto pra próxima aventura!

— Aventura nada! Agora o senhor vai deitar na cama e dormir, amanhã tem aula! —disse Nana com os braços cruzados. — Não é Goller?

Nana olha para o marido com um olhar azul ameaçador, e ele ficando de cabelo em pé agiu rápido.

— Sua mãe tem razão!

Goller levantou os olhos como se uma lâmpada tivesse acendido na sua mente. Ele tocou no ombro de Dante.

— Filho, alguém deixou uma mensagem pra você! Pelos garranchos deve ser uma criança!

Dante franziu a testa. — Uma criança? Mas eu não tenho nenhum parceiro criança?

Goller caminhou até a escrivaninha marrom de madeira, e abrindo a gaveta puxa um papel dobrado. Ele entregou para Dante.

Dante abriu o papel, e bem no topo, havia uma letra toda esgarranchada que parecia letra de médico.

— Que diabos de letras são essas? É quase um hieróglifo egípcio!

Ele aproxima a folha dos olhos, e observando sem nem piscar ele consegue traduzir.

— Ca-mi-nho até meu Do-jo!

Observando o meio da folha Dante observa uma linha que começava de uma casa e seguia na vertical, depois de cinco linhas dobrava na horizontal, seguindo reto por quase uma linha inteira, volta no sentido vertical e lá estava o desenho de um boneco de chapéu fazendo um gesto de paz e amor com os dedos.

Sabendo que foi o homem do espetinho que o enviou a carta, de testa franzida e uma expressão de nojo, o ruivo se questionava:

— Afinal, esse cara é um gênio ou um idiota!

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