Nitro: As Pegadas do Herói Brasileira

Autor(a): Lucas Aguiar Ferreira


Volume 1 – Arco 1

Capitulo 7: Dispersar e Controlar!

 

No alto de um prédio bege, cinco pessoas encapuzadas de roxo olhavam para um prédio com revestimento de vidro, que refletia a luz intensa do meio-dia.

Um deles era tão alto que o manto sobre sua silhueta dava para cobrir um carro, e seu torso era largo como o de um bodybuilder. Suas mãos verdes eram do tamanho de um crânio humano.

O outro, ao lado dele, era bem magro, parecia que o manto estava pendurado em uma cabideira. Suas mãos eram roxas, e suas unhas eram como lâminas de punhais.

O que ficava no centro tinha estatura média e uma silhueta quase atlética. No lugar das mãos, havia patas de pássaro com garras negras afiadas.

Ao lado dele, havia uma pessoa com silhueta feminina, e seus cabelos roxos eram tão grandes que ficavam para fora do manto. Suas mãos eram de uma mulher humana.

O último era baixinho, a ponto de o manto encostar no chão e o capuz cobrir até o pescoço. Suas mãos eram pequenas e tinham uma couraça verde sobre elas.

A luz do sol brilhava sobre eles e os transformava em sombras vivas, como se cada um fosse a própria morte.

O encapuzado que ficava no centro falou, e seu tom de voz era grave e tenebroso:

— Vejam, meus amigos, esse prédio é uma verdadeira imoralidade! Seres superiores como nós colaborando com humanos imundos que, mesmo sendo fracos, mancharam suas mãos com o sangue inocente do nosso povo. E hoje vamos começar a acordar nossos irmãos hipnotizados por esses vermes.

— Você fala muito bem, garotinho — falou o gigante musculoso, com os braços cruzados. — Devia se tornar político!

— Que horas vamos começar a matar? — perguntou o baixinho, com a língua para fora, se estendendo até o peito.

— Eu quero retalhar um por um com as minhas unhas! — falou o magro, levantando as lâminas das unhas na altura do rosto.

— Humanos são bons fantoches! — disse a pessoa com silhueta de mulher, com uma voz de bruxa imponderada.

O homem de silhueta atlética estendeu suas garras em direção ao prédio e disse:

— Opha, invoque seus monstrengos e ordene que ataquem o prédio!

O magro, inconformado, correu para a frente do homem de silhueta atlética, com a voz alterada:

— Vai mandar um bando de monstros acabar com a minha diversão? Eu posso retalhar todos em menos de vinte minutos!

De repente, o ar começou a se distorcer, e um eco quase aerodinâmico surgiu, assustando todos, exceto o grandalhão.

Ao redor da silhueta do homem de porte atlético, o ar estava distorcido.

— Não me atrapalhe, Jammall! Criaturas burras como você devem ficar de boca fechada e agir apenas quando forem ordenadas! Lembre-se: você é menos que um cachorrinho para mim!

O homem magro, Jammall, ajoelhou-se com o rosto virado para o chão.

— Me perdoe, mestre Phoenix!

Jammall se levantou e voltou para o lado de Phoenix, o homem de porte atlético.

Phoenix apontou a garra para a pessoa com silhueta de mulher e falou:

— Opha, invoque seus monstrengos como ordenei!

Orpha caminhou lentamente, ficando à frente de Phoenix e de frente para o prédio de revestimento de vidro.

Ela levou a mão direita lentamente à cabeça e retirou seu capuz, revelando sua face humana, de olhar penetrante e violeta, boca larga coberta por um vermelho intenso, e chifres cinzas como os de um nelore.

Ela juntou os dedos das mãos, formando um triângulo, e uma energia roxa sombria verteu de seu corpo como uma névoa.

— Libertem os fantoches do caos… Triângulo Necromante!

De repente, uma luz triangular vinda das mãos de Opha abriu um enorme portal roxo.

As pessoas que estavam no prédio se assustaram com aquele triângulo roxo que surgiu do nada e deixaram de fazer seus afazeres para olhar fixamente para ele.

De repente, um braço enorme e marrom saiu do portal, fazendo humanos e alienígenas gritarem.

Um monstro com chifres semelhantes aos de um touro colocou seu torso para fora, carregando na outra mão uma enorme tora de madeira em forma de porrete.

As pessoas começaram a correr em desespero, umas derrubando as outras; até mesmo humanos e alienígenas foram pisoteados.

O torso saiu por completo do portal, caindo dentro do prédio, quebrando o revestimento de vidro e afundando quatro andares de piso.

O estrondo da destruição ecoou por toda a rua, fazendo as pessoas olharem para o triângulo e verem mais dois monstros com aparência de touro saindo do portal de uma vez só, caindo sobre o prédio, que estava coberto por uma nuvem de poeira.

A estrutura de vidro se desintegrou, transformando-se em uma cachoeira de vidro caindo sobre as pessoas na rua.

Phoenix batia as garras como se fossem palmas de quem se admirava, em meio à nuvem de poeira e aos gritos de agonia. O grandalhão, de braços cruzados, não disse uma palavra.

Os olhos de Opha brilhavam, e, lambendo os beiços, ela dava um sorriso sádico.

Phoenix parou de bater as garras, relaxou-as e deu as costas para o povo em desespero.

— Vamos embora! Já demos uma pequena amostra da nossa justiça!

Todos seguiram Phoenix e saltaram do prédio, desaparecendo nas sombras dos becos.

[...]

 

O vapor subia do chão como uma névoa dentro de uma sauna, a luz do sol da tarde que batia no asfalto transformava o chão em uma grande frigideira, ate parecia quem jogaram álcool no fogo do hell embaixo do chão.

 Humanos e alienígenas apressavam os passos para não serem torrados vivos, disputando por um lugar dentro dos ônibus e metrôs  como se custasse suas vidas.

Dentro do metro que partia da cidade Central, onde ficava a escola, até o bairro de Dante parecia uma caixa de fosforo com tantos palitos coloridos que não dava nem pra fechar.

Dante e Dingo estavam espremidos no metrô como dois biscoitos dentro da embalagem.

— Por favor, usem desodorante! — reclamou Dingo. — Esse cheiro humano tá me dando náusea cósmica!

Na frente dele havia uma mulher parda, bem acima do peso, com um short jeans tão apertado que parecia estar travando uma guerra silenciosa contra as costuras. A camiseta amarela estava a ponto de pedir demissão.

Dingo, por ser baixinho, ficava exatamente na altura do arsenal traseiro dela, e seu rosto estava colado na barra de apoio.

— Essa mocreia vai me esmagar com esse para-choque traseiro! — murmurou.

A mulher virou o rosto devagar, com um olhar demoníaco, e deu um tapa na cabeça dele.

— Me respeita, seu graveto extraterrestre! Não tá vendo que o metrô tá lotado?!

Passando a mão na cabeça, Dingo rebateu:

— Lotado? Se você descer cabe mais cinquenta pessoas dentro e ainda sobra espaço!

Foi o bastante.

Ela virou com tanta força que derrubou três pessoas com o quadril, espumando de raiva. Tentou pegar Dingo, mas ele era baixo, fino e se meteu na multidão como um ninja magrelo. Sem conseguir persegui-lo, ela engoliu a raiva a seco e bufou.

Enquanto isso, Dante estava completamente imóvel, segurando na barra, encarando a janela com um olhar distante.

Não era tristeza, muito menos frustração, mas aquelas palavras de Jade soaram como um enigma que ele tentava decifrar em seus pensamentos, mas parecia que ele estava perdido em meio a uma névoa densa que não se via nem o chão.

As palavras ecoavam na sua mente como disco quebrado

— Um amador como você que não sabe a diferença de dispersar e controlar não tem moral pra tirar a minha atenção por tanto tempo!

— O que ela quis dizer com dispersar e controlar?

O metrô parou.

As portas abriram e a multidão saiu em avalanche. Dingo foi levado junto no fluxo como um pedaço de papel flutuando. Teletransportou-se para fora e caiu de cara no chão.

A mulher passou por cima dele sem hesitar.

— AAAH! — gritou Dingo.

Ela seguiu o caminho como se estivesse pisando em folhas secas.

Dingo se levantou com as duas mãos na lombar:

— Essa retroescavadeira ambulante não tinha outro caminho pra passar, não?!

Ele correu até Dante:

— Dante, você viu? Aquele elefante passou por cima de mim!

Dante não respondeu. Seus olhos estavam distantes, como se alma tivesse saído do corpo e ido para outro mundo.

Dingo estranhou:

— Não vai me dizer que ainda está triste porque a Jade te ignorou.

Dante voltou para o corpo no mesmo instante e virou o rosto para Dingo com um olhar assustador.

— Triste uma ova, seu boboca! Eu só estava pensando!

— Que milagre! — debochou Dingo com um sorriso cínico.

— Milagre é tu sobreviver depois do chute que eu quero te dar!

Dingo colocou os antebraços no rosto esperando a pancada, mas Dante colocou a mão no seu ombro.

— Vai ficar para depois Dingo! Eu estou cansado!

Dingo abaixou os braços lentamente o temendo mudar de ideia, mas quando olhou para o rosto dele e viu seu semblante quase sereno, relaxou os braços.

— Você tem razão, ruivo! Hoje eu estourei o meu limite de teletransportes, e estou com o meu corpo tremendo.

Os dois caminham lado a lado para fora do terminal, o ruivo segurando a mochila com a mão direita escorada nas costas, e Dingo segurando-a com as duas mãos como se fosse um bebê.

Depois de uns dez minutos andando por uma calçada velha e rachada, dois caminhos estavam a sua disposição, uma rua pela direita e outra pela esquerda.

Batendo os punhos, os dois dão as costas um para o outro e seguem caminhos Opostos, com Dingo indo pela esquerda e Dante pela direita.

Dante estava assobiando olhando para o céu e uma voz ecoava pela rua tirando a atenção do ruivo.

— Olha o espetinho! Bem assado! O sabor é de cair os dentes, comam logo essa droga para eu poder comprar o feijão para minha família! Olha o espetinho, bem assado, você vai morrer quando morder algo tão gostoso.

Dante olhando para o homem de chapéu de palha com a testa franzida, se lembrou que ele era a mesma pessoa que ele salvou daqueles valentões. Ele se aproximou dele e disse:

— Iai coroa, aqueles idiotas te incomodaram de novo?

Ye, que estava sorridente vendendo o seu espetinho, mudou de repente o semblante, e uma veia quase saltou da sua testa. Ye olhou para Dante com um olhar esbugalhado e cheio de vasos sanguíneos.

— Coroa é seu pai, seu ruivinho malcriado!

Dante se assustou com a grosseria do homem, e sentiu ofendido.

— Que é isso tio, é assim que o senhor me paga depois que eu salvei a sua vida?

— Salvou a minha vida hein...com um sorriso de deboche repetiu.

Olhando atentamente para Dante, Ye observa que o ar envolta dele estava distorcido, a mesma sensação que olhar por uma lente embasada, além disso alguns fios dos cabelos do ruivo estavam levantados, pela força eletrostática.

— E quem vai salvar você, garoto?

Dante arregalou os olhos com uma expressão de espanto.

— Como assim, me salvar?

— Você não percebeu que ao redor do seu corpo o ar está se distorcendo?

Dante levantou o antebraço direito a altura do rosto e viu que pequenos redemoinhos de vento estavam ao redor do seu braço.

— Mais que parada sinistra é essa? Será esse o meu poder?

Ye coloca a palma na mão direita no rosto, e arrastando para baixo em um gesto de estresse.

— Garoto, isso não tem nada ver com o seu poder! Sua energia apenas está vazando do seu corpo como um cano furado.

— Mas minha energia é vermelha e eu não a liberei!

— A energia toma coloração depois que uma grande quantidade sai de uma vez do seu corpo. Você está liberando energia inconscientemente e logo vai morrer! Por acaso não sentiu uma certa leveza no corpo?

— Senti sim, mas pensei que era por causa da energia.

— De certa forma é por causa dela, mas não para o seu bem! Você estava tendo uma queda brusca de pressão .

— Então o que eu devo fazer? A anã da Jade me falou a mesma coisa mas eu não entendi nada!

— Uma anã chamada Jade?— Ye colocou o dedo no queixo e olhou para o céu como se tivesse tentando lembrar de alguma coisa.

Dante da um empurrão de leve no homem, com uma expressão séria.

— Deixa se suspense, tio! Me diz logo o que eu preciso fazer para controlar essa energia?

Ye cruza os braços e virando o rosto fazendo uma provocação retórica.

— Será que eu falo? Não tenho certeza!

Dante com um olhar sério percebe que o mestre está querendo alguma coisa e cruzando os braços também falou:

— Tá legal coroa, desembucha o que você quer?  Desde que não seja nada pervertido eu estou disposto a fazer.

Ye fica vermelho igual morango com a pergunta do jovem ruivo.

— Que é isso garoto? Eu sou um homem casado! O que eu quero não tem nada haver com safadeza, eu apenas desejo que você se torne o meu discípulo!

Com um olhar Dante julgou até a alma do homem do espetinho.

— Meu mestre? O que um homem que vende espetinho numa rua deserta como essa pode me ensinar.

Ye relaxou os braços e abaixou a cabeça dando a impressão que estava triste, mas em segundos depois ele levantou a cabeça com um sorriso, e andou para o meio da rua que estava às costas de Dante.

— Chegou uma boa oportunidade de mostrar a você o que um homem que vende espetinho e capaz.

De repente uma kombi em alta velocidade surgiu.  Muita fumaça saia dos pneus, parecendo desgovernada.

 Dante arregalou os olhos e estendeu a mão direita em direção dele.

— Você não precisa me provar nada, seu velho suicida!

Com um sorriso no rosto, Ye falou:

— Relaxa jovem, e observe como se usa o Nitro!

Dante ouviu aquele nome pela primeira vez, e não sabia o que o homem do espetinho estava falando. Até que uma energia verde verteu do corpo do Ye, que estendeu a palma da mão esquerda para o lado com os olhos virados para Dante.

A Kombi avançou em alta velocidade, como se cortasse o vento, e o homem do espetinho estava com a palma da mão  estendida para ela.

A kombi se chocou com Ye, e um estrondo ecoou como um trovão pela rua. Dante que tinha fechado os olhos minutos antes do impacto abriu pensando que veria o cadáver dele estirado no chão em pedaços.

Quando a fumaça se dispersou, o sorriso do mestre surgiu como o nascer do sol, o seu chapéu de palha saiu voando revelando seus cabelos loiros.

O corpo estava intacto e a palma da sua mão estava aberta, o para-choque estava amassado para dentro, e o vidro do para-brisas rachado.

Dante de boca aberta com os olhos esbugalhados, presenciou algo sobrenatural.

Ye arrancou o motor da kombi e o lançou no asfalto. Ele caminhou até o chapéu de palha e o colocou na cabeça.

— Se isso tiver convencido você me procure amanhã no segundo quarteirão na casa 44, eu estarei te esperando.

Um vento soprou e Ye desapareceu junto do vento.

As pessoas saíram da Kombi desesperadas, e chorando pois suas vidas condenadas foram salvas por anjo que foi embora com a brisa do vento.

Os olhos de Dante brilharam de admiração, que até uma lágrima escorreu.

Cerrando os punhos ele disse para si mesmo.

— Não posso perder essa oportunidade, talvez treinando com esse cara um dia eu posso me tornar um oficial de Piece Patrol.

 

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