Volume 1 – Arco 1
Capitulo 7: O Agente derrotado!
Dante, sentado na carteira da fileira da frente, tinha os olhos perdidos em algum ponto distante. Não dizia uma só palavra.
Atrás dele, Dingo mantinha os olhos fixos no chão, igualmente silencioso, incapaz de encarar a professora.
A cadeira onde Luna costumava sentar estava vazia, e apenas seus amigos e a professora pareciam notar sua ausência.
Na fileira da frente, Dante revivia a imagem de sua amiga sendo sufocada pelo monstro semelhante a uma barata.
Ele se lembrava da própria impotência para salvá-la. Cerrando os punhos, lamentava sua fraqueza.
Atrás dele, Dingo tinha outros pensamentos. Sua mente estava presa à lembrança do marciano adulto que o salvara, eliminando os baderneiros.
Porém, o que não conseguia esquecer era o olhar de julgamento do alienígena, um olhar que o desprezava por sua fraqueza. Com lágrimas escorrendo, Dingo desejava nunca ter nascido.
Spartane observou os dois alunos, cada um de cabeça baixa, distantes um do outro.
Por um momento, pensou em perguntar o que estava acontecendo, mas, segurando firmemente no birô, decidiu não interferir, temendo piorar a situação.
Pouco depois, o sino tocou, marcando a hora de todos irem para casa.
Dante se levantou, ergueu a mochila pela alça superior e a escorou nas costas. Sem esperar pelo amigo, saiu da sala em direção à saída.
Dingo, ao ver o amigo sair sem nem ao menos olhar para ele, pensou que Dante estava aborrecido por tê-lo deixado sozinho. Decidiu, então, deixá-lo em paz.
Colocando sua mochila nas costas ele se teletrasportou direto para a estação conseguindo pegar o primeiro metrô.
Dante, saindo das extremidades do colégio, caminhou em direção da estação de cabeça baixa.
Ele se lembrava daquela estranha energia vermelha que por um estante cobriu o seu corpo na luta contra o monstro barata, e sabia que para se tornar mais forte teria que aprender mais sobre a tal energia.
Mas, ser treinado por alguém o incomodava bastante, desde ontem ele sempre venceu qualquer adversário apenas com suas habilidades natas de luta e agora elas não valiam mais nada.
— Como eu quero ser um Herói como Ele se eu vou precisar da ajuda de alguém para ser mais forte.
Ele se lembrou de quando era criança quando o seu pai o presenteou com uma revista do herói número um, Ares.
Na história, ele era descrito como um homem justo, defensor dos mais fracos, e alguém imensamente poderoso.
Assim como Dante, também era ruivo, e seus olhos vermelhos brilhavam como chamas da justiça.
Quando recebeu aquele presente, os olhos de Dante cintilaram de felicidade. Naquele instante, ele se tornou o fã número um do herói, comprando todas as suas revistas.
Cerrando os punhos e rangendo os dentes, Dante desejava ser como ele. Mas, para isso, teria que aceitar ser treinado — algo que ele detestava.
Chutando uma lata que estava jogada na rua, Dante bateu o pé com força no chão.
— Eu não vou ser treinado por ninguém! Vou ficar mais forte sozinho!
Ele caminhou em direção ao terminal passando por um beco onde dezenas de pessoas estavam paralisadas em pé, apavoradas com os gritos e estrondos que vinham da escuridão daquele lugar.
Sem dar atenção, o jovem passou por todos eles, e foi direto para estação pegando o próximo metro direto para casa.
Enquanto isso, Dingo chegava ao terminal e se deparou com os mesmos jovens que o perseguiram no dia anterior. Quando eles o viram, arregalaram os o Dingo com pânico, saindo correndo.
Enxugando o suor do rosto, Dingo sentiu um alívio ao perceber que não estavam buscando vingança, mas uma preocupação logo tomou conta dele. E se as pessoas começassem a ver ele e sua família como perigosos?
Caminhando pelo seu bairro, o marciano notou que todos o olhavam com desprezo. Acelerou o passo até chegar em sua casa verde, de formato oval.
Colocando a mão na parede, uma entrada se formou à sua frente, fechando-se automaticamente atrás dele quando passou.
O interior da casa de Dingo era simples, como qualquer outra da região. As paredes brancas e pequenas janelas pareciam inofensivas, mas ao olhar ao redor, ele viu cadeiras, mesas e pratos espalhados pelo chão. Desesperado, começou a chamar por sua mãe e irmã.
Foi então que viu uma fotografia no chão, onde ele aparecia segurando uma marciana recém-nascida ao lado de uma mulher marciana e de outra pessoa, cuja cabeça estava cortada da foto.
Olhando para a imagem Com um olhar de tristeza, Dingo permaneceu ali até ouvir gritos femininos, baixos, mas claros.
Estufando os olhos, ele identificou o som como sendo da sua irmã. Cerrando os punhos, saiu de casa correndo, indo em direção ao grito.
[...]
Estrondos, barulhos de algo sendo destruído, e gritos femininos, deixaram os civis que passavam por um beco completamente paralisados.
Uma batalha intensa acontecia dentro daquele beco, e pela intensidade dos golpes eram criaturas perigosas.
Longe dos olhares das pessoas, Jimmy lutava contra as draconianas. Suas roupas estavam rasgadas e tinha arranhões por todo o corpo, sua vista embaçada, e as pernas estavam mais pesadas.
— O que foi humano? Era tão convencido antes de lutar com a gente! Matar alguém fraco assim vai me dar pesadelos! — disse a draconiana preta, kaerza, com um sorriso largo.
— Fraco? Eu estou lutando com três ao mesmo tempo! — disse um jovem com o tom de voz ofegante, e testa franzida.
Velltra, a draconiana azul estava com a mão direita segurando seu chifre direto quebrado, ela rangia os dentes, e espumava pela a boca. De testa franzida com veias expostas por todo o rosto, ela bradou.
— Miserável, você vai me pagar por ter quebrado o meu chifre.
Avançado contra o agente, com toda a velocidade, ela começa a soca-lo sem parar, e seus golpes pareciam uma chuva de socos.
Mesmo conseguindo se desviar da maioria, a draconiana consegue acertar um soco de direita que o jogou a dois metros de bruscos no chão.
Se apoiando em seus braços, Jimmy segura o lado do rosto que foi golpeado, com a mão direita.
— Mais um desse e eu vou perder minha arcaria dentária.
De repente, como um vulto vermelho, a draconiana Sirithy surgiu à frente, com a perna direita completamente erguida, pronta para esmagar a cabeça dele.
Num movimento rápido e impiedoso, ela desceu o calcanhar em alta velocidade, cercando-o de chamas.
Por reflexo, Jimmy girou no sentido oposto três vezes, desviando por pouco do golpe devastador.
Quando a draconiana desferiu o pisão, o impacto foi tão violento que formou uma cratera ao redor.
Jimmy se levantou depressa, assumindo uma posição defensiva.
A draconiana amarela começou a correr ao redor dele em alta velocidade, um borrão que parecia impossível de seguir. Ele tentou socá-la, mas seus golpes só atingiam o ar, como se ela fosse intangível.
— Você é muito devagar, colega! — provocou ela, com um tom de deboche.
Franzindo a testa e rangendo os dentes, Jimmy soltou um brado poderoso. Uma explosão de energia laranja irrompeu de seu corpo, lançando a draconiana amarela contra a parede com tanta força que deixou um grande buraco.
As outras draconianas, alarmadas, correram até sua irmã caída, encontrando-a inconsciente de um pequeno deposito. A draconiana verde a ergueu nos braços, enquanto todas se viravam para Jimmy, seus olhares repletos de fúria.
Ele estava coberto por uma aura flamejante de energia laranja, seus óculos escuros caídos no chão.
— O que é essa energia ao seu redor? — perguntou Velltra, a draconiana preta, em tom colérico.
Jimmy, agora sem paciência respondeu:
— Essa energia chama Nitro. Mas não tenho tempo para explicar como funciona. Vocês vão sentir na pele!
Ele flexionou os braços, os punhos cerrados e voltados para cima, liberando ainda mais Nitro de seu corpo.
— Incinere com o calor das suas chamas, Sol Negro!
Uma onda de calor avassaladora começou a se espalhar, derretendo as paredes do prédio e transformando o beco em um forno.
— Vocês devem estar se perguntando por que 'Sol Negro', se as chamas são laranjas. Deixe-me esclarecer: o Sol sou eu!"
As draconianas começaram a gargalhar, o som ecoando de maneira perturbadora e irritando Jimmy.
— Qual é a Graça ? — ele perguntou, visivelmente irritado. — Não perceberam que serão as lenhas para a minha chama?
A draconiana preta deu um passo à frente, com um sorriso confiante.
— Somos de Mercúrio, humano!
Num piscar de olhos, ela surgiu diante de Jimmy e desferiu um soco com o punho direito diretamente em seu estomago. Os olhos dele reviraram, e, com um filete de saliva escorrendo pela boca, ele caiu Inconsciente.
Sorrindo largamente, Velltra abriu a mão direita, suas garras brilhando à luz laranja que ainda emanava do jovem.
— Agora vamos mata-lo!
Antes que pudesse agir, Kaerza, uma das irmãs, a empurrou para trás com o braço direito. Com um sério e voz ríspida, repreendeu-a:
— Já causou problemas demais por hoje, sua ridícula! Não queremos guerra com essa organização! Nosso único objetivo neste planeta é arranjar homens para procriar. Se matarmos esse jovem, eles nos perseguirão de forma ainda mais violenta, e alguma de nós pode morrer. Vamos embora!
Relutantes, as cinco draconianas deram as costas, deixando Jimmy Inconsciente no beco escuro, cercado por paredes derretidas e o calor ainda pulsando no ar.
[...]
O vento balançava as orquídeas amarelas do jardim. Sentada no batente de pedra, sob a sombra de uma palmeira, a professora Spartane tragava um charuto. A fumaça amarga misturava-se ao ar fresco que fazia as flores dançarem.
Olhando para o céu azul e a fumaça que se dissipava lentamente, Spartane refletia:
— O que será que está acontecendo com Dante e Dingo? Tão sérios e distantes... E ainda tem a ausência da lunariana. Isso tudo deve estar conectado.
Subitamente, ela ouviu passos leves no mato. Seus olhos se arregalaram. Antes que pudesse reagir, uma mulher loira apareceu. Vestia um terno azul e sandálias bege. Seu olhar era firme.
— Fumando de novo, Spartane? Já te avisei que isso faz mal pra sua saúde!
Spartane saltou do banco, amassando o charuto com a mão direita.
— Diretora Lúcia! Que bom ver a senhora!
— Não mude de assunto. Você está ansiosa, não é?
Spartane abaixou a cabeça, cerrando os punhos.
— Ensinar não é fácil, diretora. Queremos ajudar nossos alunos, mas não podemos carregá-los nas costas.
A diretora tocou levemente no ombro de Spartane, sorrindo.
— Seus alunos são mais fortes do que você pensa. Faça sua parte, aja no momento certo. Lembre-se: para eles, você é um tanque de guerra.
Spartane ergueu a cabeça, um brilho de esperança nos olhos.
— Diretora, a senhora é incrível!
— Menos, Spartane! Sou só uma mulher com alguma experiência. Agora, volte ao trabalho. Nosso desafio é transformar esses jovens.
— Mas que desafio pode parar Lúcia K... — Spartane começou, mas foi interrompida abruptamente.
Antes que concluísse a frase, sentiu a mão firme da diretora tampando sua boca. O olhar sério de Lúcia era o suficiente para calar qualquer palavra que Spartane tentasse dizer.
— Nessa escola, eu sou apenas a diretora Lúcia. Nada mais. — Sua voz era baixa, mas carregava uma autoridade inquestionável.
Spartane recuou um passo assim que a diretora retirou a mão. O corpo dela enrijeceu em um reflexo automático, e ela se colocou imediatamente em posição de sentido.
— Perdão, senhora! Foi uma gafe. Prometo que isso não se repetirá! — disse, com a postura impecável, mas o tom carregado de nervosismo.
Lúcia, no entanto, manteve-se firme, mas um leve sorriso desenhou-se em seus lábios.
— Spartane, lembre-se: nosso desafio agora não é mais com violência, mas com aprendizado. Nosso dever é transformar esses jovens em cidadãos responsáveis e bem-sucedidos. Só assim alcançaremos a paz que tanto buscamos.
Sem esperar uma resposta, a diretora deu as costas e começou a caminhar pelo jardim.
Seus passos eram lentos, quase solenes, enquanto o vento balançava as folhas das árvores ao redor.
Ainda em posição de sentido, Spartane acompanhou a figura da diretora se afastando com um sorriso largo no rosto. Quando a diretora já estava quase fora de vista, a professora bradou com toda a força de sua voz:
— Sim, senhora!
A resposta ecoou pelo jardim vazio, misturando-se ao som suave das folhas e ao aroma das orquídeas. Spartane relaxou a postura, mas seu olhar permaneceu firme.
Ela sabia que, apesar do apoio de Lúcia, ainda havia batalhas a serem enfrentadas — batalhas silenciosas, mas igualmente desafiadoras.
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