Nitro: As Pegadas do Herói Brasileira

Autor(a): Lucas Aguiar Ferreira


Volume 1 – Arco 1

capitulo 11: Desafiando Limites!

 

 Em meio ao barulho infernal de vaias e gritos dos alunos na quadra, o pequeno marciano andava cabisbaixo, como se estivesse atravessando um lugar escuro e silencioso.

Continuava ensaiando como voltaria a falar com seu amigo. Um suor frio descia por seu rosto, e ele juntou as palmas das mãos, como se estivesse em súplica, tentando encontrar a desculpa certa por não ter falado com ele o dia inteiro.

— E aí, ruivo, tudo em cima? Como vai essa sua cabeça de tomate?

Percebendo o perigo, ele balançou a cabeça.

— Assim não! Se eu falar isso, o extrato de tomate vai sair da minha cabeça!

Mesmo em meio aos gritos ensurdecedores, o marciano continuou andando pela quadra, até que...

— Qual é o seu problema, cara?

Uma voz feminina desfez a escuridão silenciosa que consumia os pensamentos do marciano. Desnorteado, ele olhou para os lados e se espantou com a multidão ao seu redor.

— O que vocês estão olhando, seu bando de desocupados?! — falou com um tom irritado. — Por acaso eu tenho uma melancia na cabeça?

Com os olhos esbugalhados, o ruivo ficou surpreso com a reação do amigo, que, além de interromper sua luta, ignorou completamente a presença de Jade.

Os alunos apontaram para trás, e, quando o marciano direcionou o olhar, ficou em estado de choque ao ver a baixinha de cabelo verde, testa franzida e punhos cerrados, com um olhar mortífero que dizia claramente: Eu vou te matar.

Dingo gelou até o fundo da alma e sentiu seu espírito saindo pela boca. Com a língua travada, ele não conseguiu falar, apenas aguardou sua morte iminente.

— Então você também está procurando briga comigo?

A baixinha cerrou o punho direito, preparando um soco bem concentrado. Apavorado, Dingo escutou o som da contagem regressiva da sua vida: 3... 2... 1...

Antes do golpe ser desferido, Dante segurou firme o braço da baixinha com a mão esquerda. Seus olhos vermelhos ardiam como fogo.

— Ei, garota, eu sou o seu adversário! Deixa o meu amigo em paz!

Os olhos de Dingo brilharam ao ouvir o ruivo chamá-lo de amigo. Até lágrimas escorreram dos seus olhos.

Dante tomou a frente do amigo, estufando o peito.

— Eu sei que você enfrentou muito medo só para me proteger. Eu não vou deixar ninguém te machucar!

Dingo, que até então não tinha entendido o que estava acontecendo, fez uma expressão confusa, olhando para os lados. Viu a multidão, o amigo e a baixinha, todos no meio da quadra com expressões ameaçadoras. Seus olhos se arregalaram, e sua boca quase caiu até o chão.

Suas pernas começaram a tremer, e o suor que descia de seu rosto parecia uma cachoeira. Ele pensou:

— Minha nossa, não acredito que esse ruivo sem cérebro arranjou encrenca com a tricampeã mundial de artes marciais! E eu quase me jogo no caixão junto com ele!

Tremendo, o marciano levou a mão esquerda à boca e tentou se afastar lentamente.

Dante segurou seu braço, e o marciano verde ficou branco como papel.

— Não se preocupe, meu amigo. Eu posso enfrentá-la sozinho! — disse Dante com um sorriso sereno no rosto.

Dingo, com a língua travada, apenas fez um sinal de "sim" com a cabeça e se juntou à plateia.

Dessa vez, a expressão de Dante não estava mais nebulosa. Seus olhos brilhavam cheios de confiança, como se seu verdadeiro eu tivesse despertado de um profundo sono.

Franzindo a testa, a baixinha cruzou os braços e arqueou um canto da boca.

— O que deu em você? Ficou todo animadinho depois que o seu amigo veio me encarar?

Mordendo os dedos da mão esquerda, Dingo lamentava a impressão que deixou na campeã.

— Meu pai do céu... Ela pensou que eu chamei ela pra briga. Logo eu, que sou o marciano mais medroso!

Dante, com um semblante quase sereno, deu um sorriso antes de soltar sua última provocação:

— Pelo menos eu tenho um amigo. O dinheiro da sua família conseguiu comprar algum pra você?

Mesmo mantendo uma expressão impassível, as palavras do ruivo perfuraram o coração da baixinha como uma lança, mais dolorosas do que qualquer golpe que ela já havia sentido.

Bateu os punhos, forçando um sorriso falso, enquanto seus olhos violentos pareciam ter escurecido. Observando primeiro Dante, depois Dingo, tomou uma decisão.

Apontando para Dante com o dedo indicador direito, declarou em um tom firme que deixou todos perplexos:

— Depois que eu espancar você até cair todos os seus dentes, eu vou esmagar aquele seu amigo verde!

Escondido na plateia, Dingo quase desmaiou, mas se segurou para não cair.

— Acabou pra mim! Vou ter que voltar pra Marte! — pensou, em desespero.

Cerrando os punhos, Dante sorriu, seus olhos brilhando de confiança.

— Vou te mostrar uma coisa. Espero que você não corra de medo.

Inclinando a cabeça para frente, o ruivo alinhou os antebraços um pouco acima da cintura, com os punhos cerrados para cima.

Em seguida, flexionou os joelhos, afastando as pernas, e começou a rosnar, concentrando toda a força do seu corpo.

Observando o que ele fazia, a campeã franziu a testa e balançou a cabeça em um gesto de reprovação.

— Você anda assistindo muito anime, cabeça de tomate!

De repente, uma luz vermelha começou a cobrir o corpo do jovem enquanto ele urrava. A energia se espalhava pelo ar como fumaça, tornando-se cada vez mais intensa.

Dingo, admirado, via aquela força emanando do amigo, seus olhos brilhando diante da cena. No entanto, ao cerrar os punhos com força, demonstrava insegurança.

Escondida no meio da multidão, Luna exibia um sorriso largo, seus olhos vermelhos refletindo a aura incandescente de Dante. Ela não conseguia esconder a felicidade de vê-lo tão intenso quanto o fogo.

— Esse é o Dante que eu conheço! Vamos, dá uma lição nessa convencida!

A energia ao redor de Dante tornou-se tão intensa que cobriu completamente seu corpo. No momento em que ele estufou o peito e bradou, a energia explodiu em chamas vermelhas, iluminando toda a quadra com um brilho escarlate.

Jade, observando fixamente aquela chama ardente, manteve a testa franzida e os braços cruzados, questionando-se em silêncio sobre o que estava testemunhando.

— O nitro desse cabeça de tomate é vermelho?! Impossível! Apenas uma pessoa neste mundo tem o nitro vermelho! Mas como posso negar se estou vendo com meus próprios olhos? Parece que esse colégio fedido guarda alguns segredos...

Dante surgiu entre as chamas vermelhas, que continuavam a brotar intensamente do seu corpo. Com um sorriso largo, ele apontou para Jade e disse:

— Agora podemos continuar a nossa luta!

Ela ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços enquanto observava a cena patética à sua frente.

— Não vai me dizer que você nem sabe controlar o Nitro?

— Controlar? Não faço ideia do que você está falando!

Levando a mão direita ao rosto, a baixinha tentou esconder seu olhar de decepção.

— Presta bem atenção, cabeça de tomate! É assim que se controla o Nitro!

Com uma expressão séria, Jade estendeu o braço direito para o lado, e uma aura verde-escura cobriu todo o seu corpo instantaneamente.

O chão da quadra começou a tremer, e os alunos que antes vibravam com a luta correram de medo, restando apenas Luna e Dingo.

Dante olhou para a baixinha musculosa, agora envolta pela aura verde-escura, e sorriu sinceramente, reconhecendo-a em pensamento como uma verdadeira rival.

De repente, tanto a aura de Jade quanto a de Dante desapareceram, deixando os dois confusos.

Dante, fazendo força com os músculos, tentou liberar seu Nitro mais uma vez.

— Por que não está saindo mais? Será que acabou?

Jade arregalou os olhos, erguendo as sobrancelhas com uma expressão assustada.

— Alguém muito poderoso dissipou nossos poderes... Quem será essa pessoa?

Uma voz fina e firme surpreendeu os jovens:

— Vocês pensam que aqui é a casa de vocês, seus adiantados?!

A diretora Lúcia, vestida com um paletó amarelo, saia e saltos pretos, surgiu próxima aos jovens, com a cara fechada.

Ao vê-la, Jade arregalou os olhos e começou a suar como uma cachoeira. Parecia apavorada, a ponto de sair correndo sem olhar para trás.

A diretora caminhou lentamente até os jovens, e Jade sentiu a imagem dela ficando maior a cada passo, tirando completamente seu fôlego.

Por outro lado, Dante, muito tranquilo, abraçou a diretora com um sorriso largo.

— Vovó Lúcia, não precisa ficar zangada!

Jade, ao ouvir Dante chamá-la de "vovó", questionou, incrédula:

— Espera aí, cabeça de tomate... Você chamou essa pessoa de vovó?!

Com um sorriso safado, Dante respondeu à baixinha:

— Sim! Eu estudo nesse colégio desde sempre e sou o aluno que mais visitou o escritório da diretora.

Balançando a cabeça em sinal de decepção, Lúcia afastou Dante com as mãos.

— Menino, isso não é algo de que você deva se orgulhar!

Olhando para Jade com um olhar ameaçador, a diretora caminhou em sua direção.

A garota, antes tão corajosa, agora tremia e estava pálida, quase chorando.

— Vai continuar com suas malcriações, menina, ou devo tomar minhas providências?

Jade segurou o próprio traseiro, abaixando a cabeça.

— Não! Eu jamais desobedeceria a senhora!

Nesse momento, Jade entendeu as palavras de Dema quando ele afirmou que, nessa escola, seria diferente. — Velho cabeça de coco, por que não me avisou que o único ser que me trata como uma menina qualquer... é justamente quem manda aqui?!

— Muito bem. Agora volte para a sala!

Sem pronunciar uma palavra, a baixinha seguiu de cabeça baixa em direção à sala de aula.

Olhando para Dingo e Luna, a diretora cruzou os braços para trás e os confrontou:

— E vocês? Também estão fazendo malcriações? Dingo, você sabe que sua mãe é muito rigorosa!

Dingo caiu de joelhos, em lágrimas, juntando as mãos como se estivesse suplicando.

— Tenha piedade, diretora! Eu não fiz nada! Não fala nada pra minha mãe!

Com a expressão fechada, Lúcia advertiu:

— Então vá imediatamente para a sua sala!

Dingo se levantou depressa e correu de volta para a sala.

A diretora então olhou friamente para Luna, que entendeu o recado na hora.

— Eu sei... Já tô indo!

Luna correu de volta para a sala, deixando apenas Lúcia e Dante na quadra.

Olhando para Dante, de braços cruzados e com uma expressão séria, a diretora, com uma voz firme, diz:
— Dante...

O ruivo interrompeu a diretora, já sabendo o que ela ia dizer.
— Eu sei... Para a diretoria!

Dante caminha em direção à diretoria, e a diretora, dando um suspiro de cansaço, segue atrás, balançando a cabeça.

Os dois entram em uma sala amarela, e a luz refletida pelo vidro da janela, que ficava em frente à porta, fez Dante cobrir os olhos com a mão direita.

Lúcia tomou a frente e se sentou em uma poltrona preta que ficava atrás de um birô marrom, em frente à janela, onde se podia contemplar o jardim de rosas do colégio: vermelhas, azuis, brancas e até rosas de vidro procedentes de outros planetas.

Lúcia apontou para uma das cadeiras pretas que ficavam de frente para ela. Na parede do lado esquerdo, havia retratos de três pessoas:

Um homem magro, de grande bigode e semblante sério, vestindo um traje de couro, em um galpão escuro sob a luz da lua.
Um menino de cabelos pretos, com um sorriso largo, em cima de uma bicicleta em uma rua pela manhã.
E um menino ruivo, de óculos de fundo de garrafa e semblante chateado, parado em uma calçada no final da tarde.

— Dante, sente-se aqui!

Obedecendo às ordens da diretora, o ruivo se sentou de frente para ela e, olhando nos olhos dela, sentiu um olhar de preocupação.

— Vovó, não precisa se preocupar, eu e a baixinha estávamos apenas aquecendo os músculos!

— Dante, se eu não tivesse intervindo naquele momento, você estaria morto ou aleijado!

Dante arregalou os olhos e abriu a boca, sofrendo um grande impacto no coração com as palavras da diretora.
— Acho que a senhora está exagerando, vovó!

— Eu não estou exagerando! Essa baixinha é tricampeã de artes marciais, Jade A Deusa, e detalhe: ela venceu todos os seus adversários sem usar o Nitro!

Dante ficou com o rosto paralisado ao saber que aquela baixinha era tão famosa. Ao invés de ficar triste, o brilho nos olhos do ruivo se intensificou. Cerrando os punhos, sentiu o sangue ferver.

— Então o que eu preciso fazer é apenas ficar mais forte do que ela!

Balançando a cabeça, com os olhos pesados, a diretora pensou:
— Esse menino não entendeu nada do que eu disse! Como são parecidos!

Olhando para os quadros, a diretora viu a figura dos três refletida no jovem Dante e deu um sorriso.

 

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