Nisōiro Brasileira

Autor(a): Pedro Caetano


Volume V – Arco 14

Capítulo 127: Luzes

Debaixo do vento gélido noturno, no alto da colina que vigia o complexo de treinamento de mirins internados, Onochi montou a fogueira com os gravetos que havia recolhido pelo caminho, acendendo com ajuda os poderes de seu pupilo.

Yanaho deitou-se ao lado do fogo, de costas para o chão, com olhos nas estrelas. Os quadros de Katsuo ficaram nas mãos de Onochi:

— Era um rapaz muito talentoso. 

— Ele era meu amigo. Eu não sei se fui um para ele. No momento que ele mais precisava eu nem ao menos lembrei dele. Ele nunca negou que eu era o seu melhor amigo. Será que no final pensou em mim?

— Você tinha sua própria batalha. O destino dele e de todos que ficaram naquele deserto estava fora do seu controle. 

— Mas e antes? Meu tempo nos Midori me fez achar que tudo era possível, só que agora o Imichi não estava em lugar nenhum. Foi por isso que tudo aquilo aconteceu. Quando vi o Suzaki pela primeira vez lá, eu devia ter entendido.

— Meu irmão não é garantia de nada. Todos temos falhas.

— Ele foi em Oásis, não foi? —  Onochi ficou em silêncio —  esqueci completamente do perigo que todos estavam correndo. Devia ter avisado ao Katsuo — ergueu suas costas do chão — no começo eu queria ir para guerra, fazer a diferença, encontrar o Suzaki de novo. Mas só agora eu penso que gostaria de ter mais tempo com o Katsuo, como posso ser tão hipócrita?

— Não é hipocrisia — deixou os quadros de lado — isso é luto.

— A gente prometeu viajar pelo mundo, procurando paisagens para que ele pudesse pintar — apertou seus punhos — depois o pai dele veria que ele podia conciliar as duas coisas. Ele devia se tornar o artista que sempre quis ser. Tiraram isso dele.

— Remorso é perigoso. Não podemos resolver essas pendências nunca mais. Se continuar assim, vai cair num vazio interminável sem nenhuma saída. É um sentimento que só te corrói por dentro enquanto não aceitar que não depende de você. 

— Não tenho mais certeza de nada — Yanaho virou a cabeça para Onochi do outro lado da fogueira.

— Eu era muito novo quando os Shiro sumiram. Meu irmão por outro lado, o luto dele eu vi em primeira mão.

— Como ele saiu dessa?

— Encontrando um propósito.

Yanaho virou de costas para a fogueira, e consequentemente para Onochi.

— Uma vez ele me perguntou o por que eu queria ser Senshi — o mirim explicou — Eu disse o de sempre: Fazer minha vida valer a pena. Desde então, Katsuo se aproximou cada vez mais de mim. Demorou um pouco, mas logo eu notei que se tratava de algo que ele tinha dito pra mim logo depois da minha resposta. 

“Acho que isso é tudo o que meu pai queria que eu pensasse”

Yanaho lembrava da fala do amigo, enquanto voltou seus olhos lacrimejando para seu mestre, concluindo: 

— Mesmo contra a vontade, ele se inspirou em mim para ser o grande guerreiro que o pai queria. Produzia os quadros para mostrar à mãe quando voltasse, e além disso… tomou para ele a promessa que eu fiz pro Suzaki. A promessa que hoje ele destruiu ajudando a incinerar aquele cânion maldito. Katsuo não tinha nada a ver com isso. Entende o quanto isso é injusto? Katsuo era alguém que merecia viver. 

— Essa promessa ainda está de pé, Yanaho. 

— Está? Até a próxima pessoa morrer? Quem será o próximo? Esse mundo tão grande segue um um ciclo de dor, um após o outro… eu não sei se consigo… — uma lágrima descia sob a bochecha — se quero ir até o fim por algo assim. 

— Qual é a sua resposta? — se levantou Onochi. 

— Eu sinto falta do meu pai. Sinto falta de não sentir medo. Droga, acho que sinto até mesmo falta de não ser ninguém. 

Onochi pegou os quadros, ficou de pé e andou ao redor da fogueira até sentar ao lado de Yanaho.

— Eu era muito novo quando tudo aconteceu, cresci com Imichi sendo minha única companhia. Me apoiei nele por tanto tempo, mesmo que a perda tenha sido muito pior para ele. Ele era meu irmão, meu amigo e até meu mestre. Katsuo devia ter um laço semelhante com você, certo?

Yanaho apenas balançou a cabeça positivamente, Onochi continuou: 

— Não estou em posição de questionar o caminho que vai escolher. Eu vou dar três respostas. Você decide qual vai achar valiosa. Como mestre, digo que promessas só são vazias na medida em que não são cumpridas. Katsuo morreu escolhendo você para ir na contramão deste mundo. A promessa só se esvazia, se você desistir dela.

Yanaho ficou sentado na grama, abraçando as pernas. 

— Como um Shiro, digo que a morte é um “até logo” — encostou em seu ombro, com seu dedo apontado para as estrelas — porque eles estão nos assistindo lá do alto, em cada brilho daquele céu. 

— Meu pai já me disse algo parecido — chutava a terra com a ponta dos sapatos.

— É — Onochi riu — A crença dos Shiro foram mais adotadas pelas camadas mais humildes dos Aka. Os Senshis gostam de encarar a realidade. Eles só esquecem que mais real que o luto é o brilho dos que se foram refletidos em cada um de nós — exibiu um dos quadros na frente de Yanaho.

— Eu ainda não sei o que fazer — pegou a moldura, vendo o céu estrelado refletido no vidro. 

— Seu amigo merecia viver mesmo. Muita gente merece. O problema é que enquanto as cores não se entenderem, eu temo que muitos que merecem viver vão acabar morrendo. O mundo tem pessoas que não vão nos aceitar mesmo no isolamento, porque querem apagar essa luz que brilha em nós. 

— O mundo é grande demais, Onochi — limpou as lágrimas. 

— E por último, como amigo — tirava de um dos bolsos a capa vermelha, colocando sob os ombros do garoto — você deveria carregar isto para onde for, não porque você é um herói, um mirim, nem mesmo porque eu te dei. Deve carregá-la porque essas são suas promessas com Katsuo e as pessoas precisam ver esta luz refletida.

— Mestre eu não queria… 

— Eu falhei com você Yanaho — se colocou na sua frente — eu devia estar ao seu lado no deserto, viajado para os Midori com você. Devia ter me importado mais — apontou para o seu peito — esse é o dom que você me ensinou. Independente de qualquer coisa, não ficar parado e fazer de tudo pelas pessoas que você se importa. 

— Se eu voltar para casa, não vou ser quem você e Imichi querem que eu seja — puxou a capa nos ombros para vê-la. 

— Você me perguntou porque eu fui atrás de você e não do Suzaki. Você é muito mais que uma profecia ou um aluno para mim. É alguém que amo e com quem compartilho minhas promessas. Como era para seu amigo. 

— Não vai me impedir de voltar? — arregalou os olhos. 

— Só peço que fique com a capa — recuou, voltando a ficar de pé acima dele — Quer voltar para Vila da Providência? Tudo bem. Independente da sua escolha, você é a minha para mudar este mundo, porque mesmo que viva sua vida para si mesmo, eu continuaria do seu lado porque mudá-lo para melhor, mesmo que só um pouco, já é o suficiente. Você é suficiente, não se esqueça disso. 

Yanaho olhou para cima. Onochi estava calmo e sorridente. O sol nascente iluminava o seu rosto. Yanaho ficou de pé, retribuiu o sorriso timidamente e voltou a abraçar seu largo mestre, que retribuiu o gesto. 

Dois dias depois Yanaho e Onochi estavam em um cemitério. Muros baixos cercavam um terreno verde salpicado por folhas secas laranjas do outono. Do chão brotavam as lápides, fincadas e alinhadas perfeitamente como outrora os Senshis enterrados ali formavam. No final do terreno, mais buracos cavados. Centenas deles esperando por algo para preenchê-los. 

No meio dos túmulos, um caminho estreito como de um bosque por onde os homens passaram em grupos, cada um segurando um caixão fechado a pregos e coberto por uma capa vermelha. Os mirins assistiam a cena no monte mais próximo, acompanhados por alguns familiares.

— Odeio funerais — Jin quebrou o silêncio dos mirins — Sabia que uma hora isso ia acontecer, mas eu queria que fosse mais tarde.

— Não temos nem mesmo os corpos… — Usagi apertou um par de laços vermelho nas mãos — Ajudaria a aceitar que eles se foram. Na minha cabeça eles ainda estão lá.

— Arata foi morto bem na minha frente — Kazuya respondeu.

Os mirins cercaram Kazuya com seus olhares, mas Yanaho interveio:

— Nada disso importa agora. O que nos resta é guardar as boas lembranças, e aproveitarmos para refletir elas como um brilho encarregados a nós. 

A fala de Yanaho foi acompanhado com o silêncio dos demais. Jin acompanhava os Senshis carregando mais corpos, passando seus olhos um por um, provocou:

— Onde está o professor Tomio? Parece até que ele morreu também. 

— Ele anda afastado de nós, só vi ele no acampamento quando Yanaho sumiu — comentou Emi. 

— Ele vai aparecer — limpava as lágrimas Tsuneo — ninguém perde um amigo sem dar um último adeus. 

Os demais acolhiam Tsuneo, enquanto todos os corpos foram enterrados. Logo os mirins foram convidados a andar pela trilha. Usagi foi na frente, segurando os dois laços. Um par de lápides que não foram escavadas esperava por eles. Os nomes eram Katsuo e Etsuko respectivamente. O mirim mais velho amarrou os dois enfeites nas lápides e se afastou com seus companheiros.

Outros Senshis fizeram o mesmo, Tsuneo viu seu professor fazendo o mesmo para Arata em uma outra fileira de homenageados. Agora era a vez de outro convidado prestar suas homenagens. Para todos os mortos com e sem cadáveres, Ryoma e Chaul passaram em cada uma das lápides deixando uma pequena tocha ainda ardente ao lado delas.

Enquanto assistia à cerimônia, Yanaho podia ouvir dos Titulares conversas sobre o deserto.

— Supremo não parece muito contente.

— Não ficou sabendo? Ele enfrentou o príncipe renegado na capital. 

— Mentira. Eu vi ele com meus próprios olhos em Nokyokai, como viajou tão rapidamente?

— Que pena, porque eu tava lá em Oásis e vi tudo também. Foi dureza, o garoto escapou por pouco. Mas pode ser por outros motivos. Perder esse moleque é o menor dos problemas. A gente tá fazendo fronteira com o inimigo… E sendo vizinhos das culpadas por tudo isso.

— Sério? A Matriarca aqui?

— E você acha que aquelas covardes vão continuar morando do lado do inimigo? Eles mataram dois amigos meus. Se um dia eu voltar para defender aquele deserto amaldiçoado, será cedo demais.

Yanaho olhou para Onochi ao seu lado, que imediatamente reconheceu que seu pupilo havia escutado a conversa. 

— É verdade?

— Espiar a conversa dos outros, principalmente sobre assuntos militares…

— Prometeu que não esconderia mais nada de mim — ergueu o tom de voz.

— Mas esses segredos não são meus para revelar — pausou a fala antes de continuar — Tudo bem, Suzaki estava lá. Aquele homem que você e Imichi encontraram nos verdes, Seth. Ele está manobrando os tais súditos do caos pelo continente.

— Suzaki ajudou a matar Katsuo? — arregalou o olhar ao Shiro.

— Eu queria que fosse tão simples. 

— Eu preciso ir — virou-se de costas. 

— A cerimonia não terminou, onde pensa que vai? — seguiu Onochi.

— Eu ouvi sobre a Matriarca também. Presumo que pela capital invalida, Hoshizora deve estar por aqui também, estou errado?

— Está certo disso, mas — se colocou à frente do aluno — você não sabe onde elas estão exatamente, mas posso te levar lá se me convencer. 

— Eu preciso saber o que aconteceu exatamente, mestre. Qual culpa elas e Suzaki teve nisso tudo. 

— Na guerra há mais responsáveis do que culpados. Eu vou levá-lo, mas pode não encontrar nelas a resposta que deseja. Por mais trágico que seja, seu amigo foi uma vítima dentre tantas, ninguém fez isso pessoalmente. 

Yanaho concordou em silêncio com a proposta de seu mestre. Assim que a cerimônia terminou, os Titulares seguiram o caminho de seu Rei e Supremo, se retirando dali e levando os mirins junto. Com exceção de dois deles, que aproveitavam o dia de folga, a espreita dos túmulos, aguardando por um visitante. 

Da próxima vez que mestre a aluno saíram juntos, Yanaho seguia lada a lado de Onochi, ambos montados em seus cavalos, passeando pelas ruas de Kagutsuchi.

—  Como foi a volta para o acampamento? — perguntou Onochi.

— Meus colegas entenderam que foi um evento isolado. Eu precisei falar com cada um deles para tudo voltar ao normal. 

— E os Senshis?

— Pegaram pesado. Três dias servindo refeições e limpando a sujeira dos outros. Mais dois ainda limpando os cavalos — olhou ao redor, procurando algo entre as casas — Já chegamos? O que estamos procurando?

— Algum Kishi. Ouvi dizer que sempre tem algum nas portas ou nas ruas. A Matriarca e sua família são muito visadas. Me disseram que elas nem saem de casa para comprar comida ou pegar água — respondia Onochi — lembre-se de prestar condolências pela derrota e apoiar a princesa. Ela está passando por um momento delicado. 

— O que fizeram com Hoshizora? 

— Cada Senshi conta uma história diferente. O Supremo me contou que a mente dela possivelmente foi manipulada pela energia Kuro.

— Como o Iori? — arregalou os olhos Yanaho — será que ela… 

— É por isso que estou indo — finalizou Onochi — é muito mais que um pedido seu. 

Após cruzar uma ponte, eles notaram um grupo de homens observando o rio que passava por baixo. Eram homens de armaduras, alguns vestindo vermelho, outros amarelo. O lugar era uma casa modesta, na margem da ponta. Estava fechado e escuro, sem sinal de moradores. 

Os dois amarram os cavalos na esquina, os guardas de vermelho reconheceram Onochi, mas o último homem se colocou entre a porta de entrada e os dois visitantes: 

— Estava demorando para um de vocês aparecer por aqui. Devo admitir que esperava o Shiro mais magro. 

— Você deve ser um dos cavaleiros da Matriarca. Acredito que conheceu meu irmão em Oásis. Sou Onochi, é um prazer — curvou a cabeça. 

— Sou Riki, parente da família real… E cavaleiro também — se levantava — E você veio para?

— Oferecer apoio e toda ajuda ao nosso alcance para pronta recuperação de sua governanta. Pelo que soube, o problema que ela enfrenta se manifestou em outro campo de batalha e…

— Muito bem, nós agradecemos a preocupação. Vou repassar a elas — estendeu a mão para um aperto — era só isso? 

— Eu poderia entrar? — Onochi estendia a mão mas não apertou — Com a minha energia Shiro eu posso investigar melhor o que está havendo com a princesa. 

— A Matriarca me deu ordens para preservar a paz e a privacidade da casa. E mesmo se eu permitisse você entrar, ela não está aqui agora — apontou para trás — e a Princesa Hoshizora precisa de descanso.

— Entendo — apertou a mão finalmente — não era nossa intenção incomodá-los. Quando precisarem, só nos avisarem. 

Os dois fizeram uma reverência mútua para partir. No entanto, apesar de Onochi já ter se virado, o garoto de capa vermelha permaneceu na frente da porta, diante de Riki.

— Diga à princesa que Yanaho está aqui. Ela sabe quem eu sou, vai querer falar comigo. 

— Yanaho — Onochi voltou.

— Quem é você? — Riki interrompeu. 

— Sou um mirim, futuro Senshi das forças do Reino Aka — estendia a mão — ela me conhece.

— Futuro Senshi? — ria Riki — então vamos fazer o seguinte: no futuro eu te dou alguma satisfação. Você ainda não é ninguém. 

As narinas de Yanaho arquearam de raiva. Onochi segurou seu braço, sussurrando: 

— Por favor, acalme-se.

— Espera aí — coçou a barba o cavaleiro — essa cara… a capa, você é o garoto que sobreviveu ao Massacre no Deserto. O que foi julgado pela morte do Patriarca. Eu sabia, nenhum mirim qualquer estaria andando com um Shiro. Faz todo sentido, por isso acha que é mais importante do que realmente é.

— A vinda dele aqui nada tem a ver com o que aconteceu — Onochi sentia o braço de Yanaho escorrendo entre seus dedos gordos — Vamos deixar o passado no passado, cavaleiro.

— Sendo assim, saia daqui imediatamente — apontou para trás deles, os guardas se aglutinaram ao redor — Já matou gente importante demais para uma vida. Tem sorte de eu não considerar a sua visita uma falta de respeito com a honra das filhas de Osíris.

— E vocês honraram se lançando nesta guerra sem mais nem menos? É por pessoas como você que seu povo se mete em confusão o tempo todo! — explodiu Yanaho.

Onochi o puxou para trás. Os Senshis entraram para mediar o conflito.

— O que um garoto sabe sobre o que tínhamos que ter feito? De onde você veio? Quem são seus pais? Pois é, você é ninguém. E vai morrer ninguém se continuar com essa audácia. 

— Os Senshis naquele deserto eram ninguém também? Foi por  isso que usaram o Sol Reluzente no deserto, sabendo o que isso poderia causar a nós? Quer saber, eu vou te dizer quem sou. Eu sou o amigo do mirim que vocês dizimaram a troco de nada!

Os Senshis ameaçaram tomar medidas contra o mirim, quando Riki fez sinal para os Kishis pararem. Todos se acalmaram com o gesto apaziguador do cavaleiro. Onochi se colocou na frente do aluno prestes a se curvar quando a porta da grande casa se abria com uma voz potente feminina:

— Que bagunça é essa? 

— Senhora Matriarca, aquele indivíduo insistiu em falar com você e sua irmã — apontava Riki para o garoto de capa vermelha — a perturbação se deve por eu tentar contornar a situação sem usar armas.

O silêncio perdurou no ambiente, Yanaho mesmo atrás de todos os homens que estavam ao dispor da Rainha, trocou olhares com Yasukasa, que caminhou para frente de seu cavaleiro. A matriarca estava com o cabelo amarrado, uma simples maquiagem e olheiras profundas. 

— Al-alteza eu… meu amigo foi morto na batalha, eu descobri que Suzaki estava lá e…

— Vão embora, agora! — gritou Yasukasa, interrompendo Yanaho. 

— Eu sinto muito mesmo — Onochi fez outra reverência — Pode não parecer, mas nós viemos com a melhor das intenções. Isso serve para o rapaz também. Perdoe-o.  

Com a ordem da matriarca, Yamaho não reagiu novamente, apenas se retirando com a frustração estampada em seu olhar. Riki pediu para os Kishis dispersarem.

— Podia ter mandado os guardas os expulsarem — sugeriu Yasukasa se retirando. 

— Lamento alteza, mas eu reconheço quando a raiva é direcionada a mim — respondeu o cavaleiro —  Esse não é o caso do garoto. Ele está zangado com a guerra e eu respeito isso — olhou diretamente para o mirim partindo com o mestre.

Yasukasa entrava de volta à residência, dando de cara com sua mãe que estava com os braços cruzados na janela do lado da porta: 

— Não precisava ter feito isso. 

— Não mesmo — respondeu subindo as escadas. 

Com alguns degraus acima, a Matriarca pode ouvir grunhidos vindo de um quarto no segundo andar, sua expressão mudou completamente fazendo-a socar a parede de madeira. Do quarto que saia os sons de gemidos, Hoshizora espiava a rua pelas brechas da cortina. Logo depois tapava sua boca, com os joelhos trêmulos, chorando sem parar, enquanto refletia consigo mesma:

“Me perdoem, por favor”.

Cavalgando lentamente, Onochi notava seu aluno cabisbaixo, tentando quebra o gelo dizia:

— Não fique assim, tanto aquele Cavaleiro como a Matriarca e Hoshizora passaram por um inferno naquele exército... é normal que estejam com aquela rusga. 

— Eu os entendo — suspirou fundo — todos nós estamos perseguindo a promessa, cada um do seu jeito e podemos discordar sobre os métodos — apertou as rédeas — o que não entendo, é a indiferença daquele desgraçado do Suzaki. 

— Yanaho você... 

— Se ele estava lá — trincou os dentes — por tudo que Katsuo representou para mim, não posso perdoá-lo! 


Ilustradora: Joy (Instagram).

Revisado por: Matheus Zache e Pedro Caetano.

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