Volume IV – Arco 13
Capítulo 122: Aliança
O prédio em chamas na frente de Suzaki contrastava com sua aura irradiando em azul. Mesmo com a visão turva e o gosto de sangue na boca, não tirava os olhos do homem de espada flamejante caminhando em sua direção.
— Seu irmão não recebeu o melhor tratamento do seu pai. Com você, tendo nascido depois da Guerra do Sangue, posso imaginar como deve ter sido. Mas, diferente de você, acredito que esse mundo tenha alguma solução.
— Eu sou resultado deste mundo — gritou Suzaki — então cala sua boca.
Batendo sua lâmina no chão, uma onda de eletricidade correu do corpo dele até rastejar para Ryoma que saltou do prédio para uma árvore, depois subiu para outro telhado, quando notou a energia o perseguindo pela construção.
Os raios acenderam a árvore em chamas e mastigaram a fachada do prédio, subindo labaredas até se extinguir no telhado. Ryoma olhou para baixo e não encontrou Suzaki. Subindo por trás do prédio, o súdito atacou o Supremo, mas foi afastado com um chute.
“Eu podia ter certeza de que ele estava exausto, essa quantidade de energia repentina só pode ser…”, interrompeu a reflexão, questionando:
— Quando foi que você despertou o Genkai?
— Pode ter lutado mais batalhas para pensar que essa é só mais uma, mas eu não sou qualquer um. Não trate isso como uma conversa de bar.
O telhado rachou com alguma força puxando algo de dentro do prédio. Ryoma sentiu a fivela de seu cinto puxar, quando vários metais brotaram do chão, com uma velocidade capaz de cortar sua pele. Ele desviou para o lado, ziguezagueando até ficar na distância de acertá-lo.
No momento do ataque, ele notou um sorriso no rosto do oponente. Os objetos foram atraídos para Ryoma num instante. O Supremo abriu as pernas e fez uma redoma de fogo com o corte circular. Quando a fumaça dissipou os metais estavam no chão, e Suzaki no telhado do outro prédio.
Alguns metais chegaram a grudar em sua lâmina, até caírem:
“Esse ferro grudou na minha espada como um ímã. Foi assim que ele controlou tudo isso? Só funciona com metais? Está usando isso pra me manter distante”, caminhou até a beirada do telhado.
Suzaki arremessou sua arma de duas pontas a centímetros da face de Ryoma que nem precisou desviar. A arma fincou-se no telhado. A energia descarregada pela lâmina fizeram os metais ganharem vida novamente. O Supremo aproveitou para se lançar novamente em direção ao príncipe renegado.
Assim que aterrissou para o ataque, Ryoma viu Zeta ser atraído como ímã para o telhado de onde saltou, na direção de sua espada. Os objetos o envolveram antes de reagir, no meio deles fios de metal se entrelaçaram nele até separá-lo de sua espada e prendê-lo no solo.
Longe de sua lâmina, o metal esfriou. Suzaki recuperou sua arma e foi ao encontro do Senshi indefeso. Ajoelhando-se no chão, ele agarrou o peito, completamente exausto:
— Como eu disse, eu não sou qualquer um.
— Você não é de errar seus arremessos — forçava os fios com os braços — não estava usando essa técnica antes.
— Eu sempre fiz isso com minha arma. No começo achei que fosse uma ligação por conta do iro e do relâmpago infundido no fulgur — reparava nas lâminas — mas depois do Genkai comecei a sentir a mesma vibração em outros metais.
— Um imã humano.
— A eletricidade é como uma cola entre eu e os metais — ondas de choque deslizavam entre os dedos — um mundo invisível, que somente eu tenho acesso.
— Agora é você quem está falando demais — provocou Ryoma — deve te custar muito. Aposto que não pode usar isso por muito tempo.
— Não preciso de mais tempo para te matar — trouxe sua lâmina para perto.
— Sinto informar — sua aura vermelha cresceu — mas seu tempo acabou.
As chamas da árvore queimada se espalharam pelo prédio onde estavam. O calor acumulou-se no corpo de Ryoma, dilatando os fios. Suzaki catou sua lâmina às pressas e arremessou contra o Senshi, que alcançou sua espada antes do ataque. Com um golpe ele repeliu a lâmina, que rodopiou para o lado.
As chamas subiram separando os dois. Ryoma correu na direção da espada de duas pontas.
“Droga, o kazedamu, os metais… estou no meu limite. Ainda preciso ir para o norte impedir a evacuação. Preciso lidar com esse cara depois.”, refletiu gerando linhas de energia em sua mão esperando por sua espada de duas pontas.
Por um instante, sua arma não veio. Ele puxou as linhas mais forte, até que, de repente, sua lâmina saiu da fornalha cortando o fogo, agora acompanhada. Ryoma vinha segurando sua empunhadura e acelerando até seu inimigo.
A arma parou no ar. Pelas linhas de energia, Suzaki emitiu eletricidade, forçando Ryoma a soltá-la no meio do caminho. Enquanto rolava pelo chão, o telhado cedeu, derrubando ambos. Zeta se apoiava na sua espada como uma bengala. As chamas era a única coisa que o separava do Senshi de pé na sua frente.
— Impressionante para alguém tão jovem. Diria que dos Ao, você foi meu melhor oponente — colocava as mãos na cintura — admito que nos momentos mais intensos, até esqueci a necessidade de capturá-lo com vida.
— Quando percebeu que o calor acaba com meu poder de atração? — se levantou Suzaki.
— Desde quando aqueles metais grudaram na minha espada — mostrava a arma — se sua eletricidade é a cola, o meu fogo é o óleo.
Ryoma correu em direção ao súdito que se arrastava com o quadril no chão, quando em um último movimento ele juntou suas mãos novamente, desferindo um Kazedamu forte o suficiente para apagar as chamas na espada inimiga.
O sopro arrasou o andar do prédio, atirando Ryoma para fora e Suzaki para a rua na direção oposta. Cuspiu sangue no chão se levantando tonto, usou sua arma como bengala. Recobrando o equilíbrio tentou erguer sua arma com a mão esquerda, porém fraquejou aos ferimentos se ajoelhando novamente, reparou na torre central balançando:
“Algo não está certo lá dentro….”, se pôs a correr até o coração de Oásis. “Eu nunca precisei usar dois kazedamu nestas circunstâncias. Preciso me reagrupar.”
Do lado de fora de Oásis, o ataque aos muros foi generalizado. Mayuri tomou a frente da Guarda Pacificadora, aumentando seu campo gravitacional para atrair as armadilhas no terreno. Para impedir, a aliança atirava nas armadilhas antecipadamente.
Saindo atrás da fumaça das explosões, vieram a Guarda Pacificadora, carregando um aríete para usar no portão. Os Senshis os encontraram no meio do caminho. No começo, o exército vermelho ganhou terreno contra seus inimigos, porém os dois súditos que ficaram no deserto abriram caminho.
Seth coletava porções do exército para deslocar pelos flancos. Já Mayuri atacava os Senshis de frente. Assistindo a tudo, protegido pelo cinturão de Kishis estava Junichi, de pé em uma duna com vista para seu grande prêmio que era a cidade.
— Quanta resistência inútil. Antes do anoitecer nós vamos…
O raciocínio do general foi interrompido pela explosão das casas no interior da muralha e na torre.
— Eles ficaram loucos? Estão destruindo a própria cidade?!
Debaixo dos pés, Junichi sentiu a terra puxá-lo, como uma maré selvagem. Ele se virou para o exército atrás dele, enfiado entre duas dunas e há algumas centenas de metros um verdadeiro maremoto de areia se aproximando dele.
— Eu não mandei nenhum de vocês se afastarem de mim — gritou aos Kishis — Que tipo de insubordinação é essa?
— Senhor — um guarda Kuro chamou por ele — os Kishis que partiram já estão na muralha. Estes foram todos que sobraram.
O general olhou de volta para a onda e viu um pequeno grupo surfando por cima dela. Quando ela acertou o contingente, também desmanchou a duna onde ele estava de pé. Ele tentou se locomover, mas sua perna de pau afundou no deslizamento, provocando sua queda violenta até o chão.
A avalanche não passou despercebida pelas tropas já avançadas, porém estavam longe e ocupadas demais para interferir. Junichi rolou pelo chão até parar aos pés de Yasukasa.
— Eu vim recuperar — arrancou o colar de Hoshizora enrolado em seu antebraço — o que você tirou de mim.
— Isso não vale mais nada — Junichi rastejava para longe, quando um portal verde surgiu nas suas costas — fique com isso e eu fico com Oásis!
Yasukasa descia sua arma sob o general que era salvo por um portal que o transportava para longe. Os Kishis comandados por Nobura abriram caminho pela areia, libertando também os Kuro presos pelo ataque dos recém chegados. Em poucos segundos estavam cercados, com o cavaleiro tomando a frente de sua Matriarca.
— Tantos homens — Nagajiyu olhava ao redor — não localizei o Nobura.
— Mutaiyo, leve Hoshi e o Kuro para cidade pelo portão leste, uma carruagem deve levar minha irmã para os Aka — Yasukasa ergueu sua espada — O resto é comigo.
— Como esse Nobura pode controlar tantos homens ao mesmo tempo?! — se espantou Mutaiyo pegando Hoshizora no colo.
— É como falei — dizia Kotaru — Estão possuídos. Mesmo que retenha a sua espada, Nobura não vai.
— Eles estão aqui por minha culpa — olhou para trás, vendo o ataque na muralha — Mas primeiro temos que salvar os que estão ao nosso alcance — apontava para os muros da cidade.
Na entrada principal, os Kishis atiravam contra o aríete das ameias. De flechas até areia quente e óleo, tudo com auxílio dos Senshis em terra. Acima da batalha, os cavaleiros de Yasukasa vociferavam ordens aos seus homens no muro, quando uma luz brilhou nas torres à direita e à esquerda da muralha. Eram portais, trazendo mais inimigos.
— Esses caras não acabam? — Riki ao olhar para a torre direita, sacou sua espada, agora de aço em vez de fulgur.
— Aquele Aka deve estar do outro lado depois da negociação — Tsuruta olhou para a esquerda — Tente não morrer na minha ausência.
— Guarda essa para falar na frente do espelho, idiota.
Separados costa a costa, eles investiram cada um para uma torre, mas quando Riki se isolou, um forte puxão o levou para os braços de uma inimiga conhecida. Seu corpo foi carregado por cima do exército abaixo, parando nas mãos de Mayuri, flutuando no céu.
— Agora sou eu quem estou na ofensiva — sua aura tomou o corpo de Riki ao tempo que seus olhos brilharam em amarelo — e sua dona não tá aqui pra te salvar, fracote.
— Vocês vão perder. Se não for eu, outros vão lutar pelo que ela deixou.
— Eu me pergunto quem seria tão imbecil, depois que virem o que sobrar desta cidadezinha.
Uma única flecha viajou de algum ponto da muralha numa parábola perfeita até parar no campo gravitacional de Mayuri. Encarando a ponta da flecha pairando sobre sua cabeça, ela reparou num saco amarrado à ponta com um pavio prestes a estourar.
A explosão gerou uma nuvem negra que pairou sobre as tropas. Mayuri recuou para perto de uma das torres, quando uma mulher saltou sobre ela. As duas caíram no chão, seu campo expandido afastou sua inimiga e seus próprios guardas.
— Mais uma… — encarou a mulher na sua frente — Você… uma Aka.
A moça tinha estatura baixa, cabelo ondulado soltos na altura dos ombros. Um grupo de homens de Junichi correram para cercá-la, mas três flechas vieram de outro lugar, acertando três de cada vez. Após quatro rajadas, o atirador saltou por cima do aríete, se apresentando nas costas da Senshi.
Seu uniforme era rasgado nas mangas, onde tatuagens marcavam seus braços, puxando um longo e denso arco com três flechas prontas para disparo. Apoiado em seus ombros, estava Riki.
— Esta cidade é nossa agora — declarou a mulher — Vai ter que passar pela gente.
— Vocês estão com Takeda? Cuidado com os olhos deles! — Riki perguntou mas foi silenciado por um gesto do Senshi que o carregava.
— Nós fizemos nosso dever de casa — declarou a Senshi, com sua aura esbranquiçada.
Trincando os dentes, Mayuri encolheu seu campo até três metros ao redor do corpo. A Guarda desviava o caminho dela, entendendo que aquele palco pertencia à súdita. Por outro lado, Tsuruta e Takeda combinavam suas habilidades para afastar os Kuro, até que uma larga plataforma de areia se chocou com o paredão, trazendo Kishis possuídos.
— Reforços seus? — Takeda perguntou, erguendo a mão para atirar.
— Isso… não é possível — abaixou a mão do Senshi Principal — Afaste–se deles, não podemos…
A luz do Sol brilhou sobre eles, cegando Riki, que ouviu os gemidos dos Kishis. Quando sua visão retornou, viu estacas de luz nos peitos de alguns possuídos. O restante, recuava com a visão de um homem que se aproximava na multidão abaixo.
— Riki — gritou Kotaru, pulando por cima dos escudos e subindo no aríete para chegar ao muro — Desculpa pelo atraso.
— Kotaru?! O que você faz aqui? E por que está matando os nossos…
Outra onda de areia se chocou contra as ameias, dessa vez atirando os invasores muro abaixo. O restante dos Senshis pressionaram os possuídos até se afastarem da passagem. Foi então que Yasukasa e Nagajiyu emergiram das areias.
— Matriarca… — percebeu Tsuruta, seus olhos encheram d’água.
— Então você estava viva esse tempo todo — Takeda cruzou os braços.
Antes de dar um passo sequer, Riki levantou sua espada.
— O que fizeram com você?! Acabou de matar nossos homens! E este Kuro, não era nosso prisioneiro?
— Então esse é o Kuro que Yato falou que ajudou? — Takeda apontou para Nagajiyu — o cara é puro osso, hein — brincou.
— Nagajiyu está comigo — interrompeu Kotaru — Quando terminarmos aqui, decidimos o que fazer com ele.
— Fica difícil acreditar nisso depois do que fizeram — apontou para os Kishis mortos — O que significa tudo isso? Você… Eu pensei que…
— Eu sei, Riki — declarou Yasukasa — Mas as desculpas precisam vir depois. Estes Kishis estão perdidos. O homem mascarado os controla e pode matá-los a qualquer momento. Vimos no acampamento do cânion e ainda mais na retaguarda deles.
— Então a Hoshi…
— Ela está com Mutaiyo, vai ficar bem — olhou ao redor, vendo a batalha continuar — Agora temos que proteger o que restou. E tentar livrar estes homens do controle de Nobura!
— Falando nisso — levantava o dedo Nagajiyu com todos os olhos subjugando seu gesto — precisamos saber onde ele está.
O líder do súdito do caos, possuía sua criada conjurando as duas auras dos dois em uma maior. O grupo de Senshis que os atacava pelos lados eram arremessados um por um para fora da torre principal. Entrando no salão principal, ninguém estava presente. Foi então que o candelabro do teto partiu.
Ao seu comando, sua súdita parou o objeto no ar. O Senshi saltou dele para as costas do mascarado, para o golpe final, mas terminou impedido pelo cabo da foice. A claridade da abertura do prédio revelou o rosto do líder dos principais.
— Controle pelo toque, né? Precisa disso para comandar sua equipe?
Nobura não respondeu. Em vez disso, virou-se para Nubi. Três Senshis saíram de vários lados para atacá-la. Oda cerrou os punhos e golpeou no chão. O abalo sísmico rachou o piso, revelando as galerias de túneis do Índice abaixo. Nubi ergueu a si mesma e Nobura para o alto, onde foram recebidos por outro trio que surgiram da bancada do segundo andar.
O primeiro, de franja, não pulou. Já os outros dois saltaram do parapeito. A súdita sob o controle de Alfa subiu pedaços do chão despedaçado para se proteger, mas enquanto o primeiro Senshi ficou retido, porém o segundo atravessou o obstáculo com seu martelo acertando os inimigos para baixo, em direção aos túneis.
Da sacada, o rapaz de franja gritou ao Senshi com martelo:
— Masaki, desça com Date e Tomoe. O resto de vocês vão para a câmara do Conselho.
— Não me diga o que fazer — um Principal de tapa olho protestou antes de mergulhar nos túneis, seguido de uma mulher de cabelo bem curto.
— Vocês ouviram o Kusonoki — Oda dizia aos que ficaram — Temos que separá-los.
Nos túneis, Nobura emergiu dos escombros ao som dos gemidos de dor de Nubi. Encostando em Digama outra vez, a sua expressão de dor sumiu no instante em que o trio de Senshis virou a esquina do corredor.
— O que vai fazer, hein? — o espadachim de só uma vista correu na frente — Derrubar o maldito prédio na gente?! — questionou Date.
De maneira alternada, os lados da parede se moveram para frente ao comando de Nobura, mas o Senshi de tapa-olho era rápido demais para ser esmagado. Escapando do último obstáculo, a foice inimiga esperava por ele, o pregando contra a parede.
Masaki demoliu as paredes com seu grande martelo até parar na frente de Nobura, em quem ele desceu sua arma mirando a cabeça. Tudo que o chefe dos súditos fez foi erguer o antebraço para defender o golpe.
Com uma mão ferida aberta e outra numa tocha presa na parede, Date formou uma esfera de fogo com seu iro e atirou contra o mascarado. Ele repetiu a ação com as outras luminárias do corredor, pressionando a dupla inimiga contra a parede.
Ao comando de seu mestre, Nubi protegeu os dois com uma concha de tijolos no momento em que Masaki subiu seu martelo os lançando de volta para cima. Eles estavam no centro da Câmara do Conselho. Ocupando dois dos lugares dos conselheiros nos cantos da sala, estavam Kusonoki e outro Senshi com uma lâmina em sua boca.
Masaki correu para tomar sua posição, onde juntos o trio sacou uma faca cada, riscando na sua outra arma para criar as fagulhas que se transformaram em múltiplos raios incendiários, convergindo na posição de Alfa e Digama.
Date rastejou para fora do buraco, sendo recebido por mais um membro da equipe com longas veste, com sua aura brilhando em vermelho em suas palmas das mãos, que começaram a transferir sua energia para o espadachim ferido:
— Você é sempre o primeiro a se machucar, qual foi dessa vez?
— Deixa de ser chato Honda. Ele deu sorte, só isso. Eu já fechei a ferida.
— Na adrenalina nada dói — insistiu o médico — mas os seus órgãos vão me agradecer depois.
Escalando o buraco, a mulher do grupo sacou sua espada gerando um filete de energia com o fogo dos outros Senshis e disparou contra o Nobura, que se afastou da súdita para desviar.
— Excelente, Tomoe — elogiou Oda, se colocando à frente de seu grupo — é assim que se comanda, ou você pensou que nós nós éramos um bando de amadores?! — o líder dos Principais caminhou até ele — Daqui a pouco a sua garota vai chegar ao limite, e então? Vai trazer mais alguém ou vai lutar para valer?
De repente, a pressão sobre Nubi tornava sua proteção instável. A torre sacudiu, ao passo que as chamas recuaram ao comando dela até finalmente, sua aura expandir liberando uma energia que arrasou as paredes da sala. A onda de choque jogou os Senshis para longe e deu o último golpe nas fundações do lugar. Nobura tomou a súdita nos braços, fazendo sua fuga.
A grande torre dinástica tombou sobre os prédios em chamas. Seu cume repousou nas ruas separada do restante do monumento. Escalando um dos prédios que não foram incendiados, Nobura olhou para o estrago que fizera. Logo, viu Suzaki se aproximando, sendo perseguido por Ryoma.
— Como ela está? — perguntou Zeta, indo para seu lado — O que aconteceu lá dentro?
Ryoma aterrissou no prédio na frente deles, do outro lado da rua. O sangue escorrendo pela manga da túnica de Suzaki assim como seu rosto enegrecido pela fumaça não escapou da percepção do mascarado.
— Eles ainda estão por aqui — disse o Alfa.
Um a um, os Principais apareciam da nuvem de poeira nascida da queda da torre. Os Senshis nas ruas vibraram ao reconhecê-los, mesmo em meio a batalha. Oda, que subia na cabeça caída da torre que já servia de barricada, fez uma reverência aos seus homens antes de apontar para Nobura no telhado.
— Acho que aquecemos bem, pronto para mais? Eu deixo você escolher o próximo prédio a ser demolido agora.
Apesar de cercado pelos Principais, outro fenômeno arrepiou Nobura. Sua cabeça tombou para o lado, como se para ouvir ecos distantes. Mesmo a alguns quilômetros de distância, o mascarado podia sentir o portão se abrindo na direção oeste.
Vagando pelas areias, um escorpião vislumbrava uma caravana cruzando o portão. O dono cujo animal emprestava sua visão sabia que só havia um destino possível: Midori.
Após testemunhar o começo da fuga, Seth destampou os olhos, agora para ver a Guarda Pacificadora ser engolida por uma armadilha que acabara de explodir. O general trincava os dentes observando as baixas:
— Como é que é? Não é pelo fato de ter me salvado que pode ficar aí parado! Esse seu truque vai nos ajudar em que agora?!
— Oeste — Seth virou o rosto — temos que flanquear as armadilhas para conseguir uma abertura. Uma caravana está partindo daquele portão.
— Isso pode dividir as forças nas muralhas. Estou começando a achar que devíamos ter transportado todos para dentro da cidade.
— Temos que dividir as forças aliadas, não uni-las — abria um portal — Gama fica encarregada daqui e…
— Eu vou com vocês! — disse Junichi encostando em seu ombro.
Reunidos, a autoridade Kuro e Seth atravessaram a fenda, ficando de frente para o portão leste. Outros portais levaram parte da tropa estacionária para junto do fronte. A caravana estacionou pelo caminho ao ver a Guarda Pacificadora descendo a duna em direção a eles, sem um exército para defendê-los.
— Há retiros melhores que meu antigo lar — Seth cruzou os braços — Sugiro reconsiderar a viagem.
Os Kishis embarcados desceram, puxando suas armas, mas estavam em menor número. Seth afugentou alguns com seus tentáculos.
— Como podem ser tão imprudentes? — Junichi sacava sua espada, se aproximando de um deles — Desprotegidos de uma forma tão primária.
Quando o exército terminou de descer a duna, um vento forte castigou o deserto. Um sopro intenso e cortante, cravou uma linha profunda entre os exércitos.
Junichi reparou que sua espada havia sumido das mãos. Kishis apareceram nas ameias com suas flechas e bestas apontadas. O portão se abriu de novo, trazendo mais Senshis, equilibrando os números.
— Mas o que foi… — pensou o general olhando ao redor — E eles ainda possuem reforços?
— Fique atrás de mim — sinalizou Seth, reparando em um chapéu de palha caindo de cima dos portões — É mais rápido que o vento. Ele veio.
Guiando seus olhos verdes esmeraldas para o topo do portão, ele viu o Shiro sentado no muro acima do portão. O feiticeiro abriu um portal nas costas dele, mas a figura de branco já havia sumido.
Correndo no meio dos Kuro, a guarda precisou de alguns segundos para notar sua presença e apontar lanças até ele. Mas naquela altura, Imichi já tinha sua adaga rente ao pescoço do feiticeiro e a espada do general Kuro ameaçando suas costas.
— Seus portais não são mais imprevisíveis para mim.
— Está atrasado, Imichi — provocou Seth.
— Eu diria que chegamos bem a tempo.
— Quem… quem é esse?! — Junichi congelava ao sentir a ponta da espada.
A fala de Imichi foi interrompida pelos tentáculos de Seth que o empurraram para trás. As lanças convergiram na direção do velocista, porém ele já não estava lá.
— Um Shiro?! — Junichi procurava por Imichi até ouvir uma movimentação distante — Eu não acredito!
Seth abriu o portal para o topo da torre da muralha celeste para uma visão privilegiada. Vindo do oeste, cavalos marchavam subindo poeira. Liderados por estandartes verdes, inúmeros homens saudavam Oásis com gritos de guerra e espadas em punhos.
— Espero que não se importe de aparecermos de penetra — Imichi surgiu ao lado de Seth, com o chapéu de palha nas mãos — Eu trouxe uma gente ansiosa para revê-lo.
Ilustradora: Joy (Instagram).
Revisado por: Matheus Zache e Pedro Caetano.
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