Volume 1
Capítulo 24: Novos melhores amigos…
Após explorar quase todos os cantos da nave, Nimbus percebeu que ainda não sabia onde dormiria. Com a mente inquieta, decidiu procurar Lonios em seu camarote.
Agora, andar pela nave já era um pouco menos intimidador. Ele se perguntou se dividiria o quarto com seu mestre, e, ao chegar, bateu na porta pesada.
Lonios abriu, encarando o garoto com um sorriso.
— Então ele foi gentil e não te colocou para trabalhar hoje. Você tem sorte, garoto, é a segunda vez que escapa — disse, saindo do camarote e fechando a porta metálica com firmeza.
Nimbus assentiu, sem saber o que responder.
— Me acompanhe. Vou te mostrar o ginásio de treino. Vai passar muito tempo lá, pode acreditar.
Os dois desceram para o segundo andar, onde ficava o ginásio. Quando entraram, Nimbus ficou impressionado.
O espaço era amplo, com paredes e teto de metal, como o restante da nave. Devia ter uns quinze metros de comprimento por dez de largura. Em um canto, um túnel atraía sua curiosidade.
Em outro, prateleiras exibiam pesos, e na extremidade oposta, dois tablados de madeira se destacavam. Armas decoravam as paredes, e algumas estavam armazenadas em prateleiras bem organizadas.
— Esse é o ginásio da Brand — explicou Lonios, apontando ao redor. — Não são permitidos treinamentos com armas fora daqui. Entendeu?
— Sim, senhor — respondeu Nimbus, com firmeza.
— Muito bem. Vê aquele túnel? — Lonios apontou para o espaço entre os tablados. — Ali é o túnel de combate à distância. Treinamos com arco ou outras armas de arremesso.
Ele então indicou os tablados.
— Esses são para lutas com armas. Veja como são elevados. São feitos de casca de bambu com areia por baixo, então, se cair, a queda será suave.
Depois apontou para a área de exercícios físicos.
— Ali ficam os pesos para mantermos a forma. Não fazemos muito esforço físico dentro da nave, então é importante. Dá para correr em volta do ginásio ou levantar pesos. Depois eu te mostro como treinar ali.
Lonios virou-se para as prateleiras de armas.
— Como armas não podem ser portadas dentro da Brand, temos várias de treino ali. Use-as sempre que precisar.
Nimbus ficou maravilhado com a estrutura e a organização do local, tão impressionado quanto quando o engenheiro explicara os geradores.
— Vamos começar o treinamento de hoje — anunciou Lonios, desembainhando sua espada.
Nimbus mal teve tempo de reagir antes que o golpe viesse em sua direção. Desembainhou sua espada no último instante, aparando o ataque com esforço.
— Muito bom! Vejo que não perdeu o ritmo, mesmo parado por duas semanas — comentou Lonios, sorrindo.
O que Lonios não sabia era que Nimbus vinha treinando todos os dias, praticando golpes contra oponentes imaginários, exatamente como fora ensinado.
Preferiu guardar essa informação e apenas aceitou o elogio, feliz por sentir que o mestre começava a perdoá-lo por ter entrado clandestinamente na nave.
— Mestre, não era para lutarmos nos tablados? — perguntou Nimbus, ofegante.
— Tem razão. Não vamos quebrar as regras no seu primeiro dia — respondeu Lonios, com um sorriso, enquanto guiava o garoto até o tablado.
O treino que se seguiu foi intenso. Lonios não poupou Nimbus, levando-o ao limite.
Cada golpe parecia ser uma forma de punição velada pelo garoto ter desobedecido às ordens iniciais. No final, ambos estavam exaustos, mas satisfeitos.
Depois, Lonios conduziu Nimbus ao alojamento da tripulação, no terceiro subnível. Apontou para a parte de baixo de um beliche, que seria sua cama.
— Esse será seu lugar. Tem um baú no pé da cama para guardar seus pertences.
Nimbus olhou para o espaço. Seu "inventário" resumia-se à espada e à muda de roupa que vestia.
Ao redor, dezenas de beliches lotavam o ambiente, deixando apenas um corredor estreito de pouco mais de um metro entre as camas.
Algumas estavam ocupadas por homens dormindo. Nimbus notou que não havia nenhuma mulher ali.
Apesar da simplicidade, sentiu-se aliviado por finalmente ter um lugar para descansar. Uma pequena vitória em meio à imensidão de desafios que a Brand representava.
Lonios, sem muitas palavras, deixou Nimbus no alojamento e partiu apressado, provavelmente para cumprir alguma obrigação como cavaleiro.
O garoto, exausto após o treino, caiu na cama e adormeceu rapidamente. Algumas horas depois, foi acordado por um som de movimentação.
O ambiente estava mais barulhento, e, de repente, sentiu a estrutura de sua cama balançar.
Alguém estava subindo para ocupar a parte de cima do beliche. O local agora estava cheio de homens se preparando para dormir.
Quando Nimbus olhou para cima, viu um garoto pendurado, observando-o de cabeça para baixo. Ele era loiro, de olhos azuis vivos, e magro, quase esguio.
— Ei, você é o escudeiro clandestino? — perguntou o garoto, com um sorriso curioso.
Nimbus demorou um instante para responder, encarando aquele rosto despreocupado.
— Sou. Todo mundo já sabe?
— Você é famoso — respondeu o garoto, com uma leve risada. — Não é qualquer um que consegue entrar numa nave e ficar escondido por duas semanas.
Nimbus se recostou, cruzando os braços com um suspiro.
— Nem se for por acaso?
— Se foi por acaso, você tem uma sorte absurda — disse o garoto, sorrindo tão largamente que quase fechava os olhos. — Eu me chamo Jaime Tiberius, ao seu dispor.
— É um prazer, Jaime. Eu sou Nimbus, escudeiro do Sãr Lonios.
⸸ ⸸ ⸸
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios