Volume 2

Capítulo 30: Recuperação.

Adrien estava grogue pelos ferimentos e pela exaustão. Não estava tão mal quanto Harkin, mas seu corpo ainda assimilava todas as modificações que a Arkan havia provocado — e a luta contra Kraven definitivamente não tinha sido a melhor forma de “assentar” aquilo. Mesmo fraco, ainda conseguia ouvir as preocupações dos sobreviventes. Seu amigo precisava de tratamento urgente, e o tempo estava ficando curto; as instalações da nave o manteriam vivo por enquanto, mas o risco crescia a cada segundo longe de médicos de verdade.

— Quanto tempo pra chegarmos? — ele perguntou.

— Senhor, demoramos dois dias pra chegar. Estamos quebrando todos os protocolos estabelecidos por vocês dois.

— Quanto… tempo?!

— Mais algumas horas em velocidade máxima, se a nave aguentar.

— Mantenha a velocidade… ela tem que aguentar… Garantam que vamos chegar antes do tempo dele acabar… Eu preciso dormir um pouco.

Adrien deslizou onde estava, ao lado da maca de Harkin, e começou a apagar. Um dos homens correu até ele, preocupado; outro perguntou:

— Ele tá vivo?

— Fora de perigo. Só precisa descansar.

— Precisamos levar eles de volta pra casa, ouviram as ordens dele. Tentem contato com o Porto de Ramod Nat’aivel; avisem pra prepararem o pronto-socorro. O capitão precisa de tratamento imediato.

Assim, o Vogel seguiu, a lataria vibrando como se fosse se desmontar, mas sustentando firme uma velocidade que extrapolava — e muito — os limites estabelecidos. Era isso ou ninguém sobreviveria.

Na capital, Eldravel, a família Empera se reunia na sala interna, com a presença de Morgana, aflita, mas ainda mantendo a postura. Jeanne foi a única a perceber o peso real daquilo.

— O que houve, Morg? Eu não te vejo assim desde a última guerra.

— A luz de Kinan sumiu.

— Como assim? Isso não é impossível? O que isso quer dizer?

— Quer dizer que ou ele saiu do domínio de Savithar… ou ele tá morto.

— Seria possível sair do domínio do sol?

— Não.

— Deve haver alguma explicação, amiga. Não vamos nos precipitar.

Quase como uma deixa, os irmãos de Harkin entraram na sala, sem entender por que haviam sido chamados, perguntando o que tinha acontecido.

— O Porto de Ramod Nat’aivel recebeu um contato de emergência da embarcação de Harkin. Não sabemos muito, mas há dois feridos a bordo, e pediram pra preparar uma equipe médica no hospital do porto.

— Quem se machucou? — Leona perguntou.

— Harkin e Adrien. O irmão de vocês é quem está gravemente ferido.

As palavras pesaram. Eles nunca tiveram grande afeto entre si, mas a relação vinha, aos poucos, criando raízes — e isso doeu mais do que esperavam. Gordon foi o primeiro a falar:

— Essa missão não era de reconhecimento… e secreta? Como o moleque conseguiu se machucar assim?

— Acho que a parte do “não sabemos muito” não foi clara o suficiente, Jeanne.

A frase de Morgana não foi gentil, mas todos entenderam. Era o filho dela. Perguntas agora não eram o que ela precisava.

— Solomon, você pode reunir as crianças?

— Claro, mamãe. Iremos todos pra Ramod?

— Sim. Peguem Serafina, Okini e Pietro. Não sei se os filhos deles vão querer ir, mas perguntem mesmo assim.

— É possível que sim. Drake começou a ver o tio como uma espécie de rival. Vou ser breve: Leona, Armin está com os irmãos?

— Não. Ele está na academia.

— Eu busco ele então — disse Gordon. — É caminho. Preciso pegar Dominus.

— Ótimo. Vou buscar Ivan, Natasha e Yuri. Eles vão comigo; aproveito e pego Vladmir, Ophelia e Luize. — Leona já se aprontava.

— Então é isso. Se nossas mulheres, maridos e filhos vão junto, Drake, Camila e Stein não têm escolha.

— Reúnam toda a família. Seu irmão pode estar em perigo. Vamos todos estar com ele.

Jeanne disse isso aos filhos e, antes que saíssem, completou:

— Eu e Morgana vamos tentar falar com o pai de vocês. Ele tá em reclusão, mas esse é um excelente motivo pra interromper o treino.

— E quem vai tratar o moleque? — Gordon perguntou.

— Markus foi atrás do general Lucaren assim que recebeu as informações do porto. Eles estarão lá quando o Vogel chegar.

— Então não temos tempo a perder. Mesmo que Morgana e o papai pudessem transportar todos, ainda demoraria pra chegarmos lá.

— Não se apresse, Solomon — disse Morgana. — Lucaren é quem deve chegar a tempo. Nós não somos necessários imediatamente. Temos tempo. Não corram… e não esqueça de pegar Gabriela e Páris, por favor.

— Ok.

E, com calma, eles saíram sem fazer mais alarde. Morgana e Jeanne seguiram em direção ao centro da acrópole. Era um péssimo momento para a ausência de Eiden, mas gostando ou não, elas iriam interrompê-lo e trazê-lo de seu refúgio.

 

Lucaren, um jovem de óculos, vestindo uma armadura que lembrava um jaleco reforçado, pele bronzeada e cabelos desgrenhados, se aproximava do hospital do porto ao lado de Markus.

— Por que raios Vossa Alteza pediu especificamente por mim, Markus?

— Você não estava no último encontro, mas já deve saber do meu irmão e da missão dele.

— Avelinne me contou sobre a reunião e sobre seu irmão. Os detalhes eu vi no memorando… a missão fracassou?

— Recebemos um sinal da nave que ele construiu. Eles vão chegar aqui em breve. Ele não tá bem — não sabemos o estado real, mas no sinal disseram “estado grave”. Como você é o melhor médico do império, minha mãe mandou chamar você.

— Quão grave estamos falando?

— A ponto de quebrarem todos os protocolos da nave pra transformar uma viagem de dias em horas.

— Essa tecnologia não é meu forte, mas já deu pra entender. Vou mandar prepararem o centro cirúrgico por precaução. O hospital daqui não é o melhor, mas é o que temos.

— Ok. Em que posso ajudar?

— Limpe a área. Quanto menos pessoas, melhor. Com exceção dos pacientes, tirem todos daqui. Não quero ninguém que não precise estar aqui atrapalhando meu trabalho.

Markus começou a preparar os arredores. Seus homens repassaram as ordens do general e organizaram o ambiente para a chegada do jovem príncipe.

Quando tudo estava quase pronto, um grande estrondo ecoou nas docas, quase como uma explosão. O barulho colocou todos em alerta; um grupo de resposta foi acionado, e uma legião começou a se preparar para enfrentar um possível inimigo. Se não fosse a reação rápida de Markus, teriam afundado o Vogel ali mesmo. A “explosão” era a nave quebrando a barreira do som na chegada. Após a segunda divisão limpar o caminho, o Vogel avançou até a entrada do hospital.

A destruição era visível no casco. Não havia inimigos em perseguição, mas o overdrive quase destruíra a nave de dentro para fora. Entre fumaça e estalos, parecendo prestes a explodir, ela pousou diante do hospital. A escotilha se abriu, revelando uma tripulação bem menor do que Markus esperava.

— Adrien! — ele disse, correndo para ajudar o jovem sentinela, que mancava ao sair.

— Eu não! Ajude ele! — Adrien apontou para Harkin, que vinha numa maca. A pele estava pálida, mas ele ainda respirava; abdômen e peito cobertos de sangue.

— Que porra aconteceu?!

— Depois te explico, Markus. Agora ajuda ele!

— Esse é o meu departamento — disse Lucaren. — Deixa eu examiná-lo.

Aproximando-se, ele viu o estado deplorável de Harkin e entendeu o desespero de Adrien.

— Levem esse garoto para a sala cirúrgica imediatamente. Se não agirmos agora, ele vai morrer.

Sem perder tempo, as equipes entraram em ação, carregando-o pela maca e sumindo corredor adentro. Adrien se virou para Markus:

— Quem é ele?

— O general da divisão médica.

Adrien sorriu ao ouvir isso. Sempre ouvira falar de quão lendário era Lucaren; saber que o amigo estava em boas mãos trouxe um alívio imediato.

— Deixo o resto com você, Markus… eu já tô cansado demais.

Ele apagou no ombro do general, que imediatamente chamou a equipe médica:

— Tragam alguém pra cuidar dele agora!

— Isso é impossível, senhor — disse um médico se aproximando. — Não existe ninguém no nível de Lucaren. Mas, pelo que estou vendo, eu consigo assumir. Ele não tá gravemente ferido. Se me der licença, preciso examiná-lo.

— Obrigado.

Os dois desapareceram no interior do centro médico. Markus então se virou para a nave atrás dele. O Vogel estava marcado de ponta a ponta, como se tivesse atravessado uma guerra.

Um dos homens que ajudara a retirar os feridos estava sentado no chão, encarando o vazio. Os olhos viam o chão, mas pareciam muito além. Markus se aproximou e se agachou diante dele.

— Você está bem, filho?

O rapaz tentou se endireitar, mas Markus o impediu.

— Descanse. Você mereceu. O que aconteceu? Consegue falar?

— Sim, senhor. Escapamos da ilha por pouco. Usamos a velocidade máxima da embarcação… ela quase se desfez no trajeto. Estamos todos drenados. O capitão vai ficar bem?

— Eu não sei. Mas ele está com o melhor. Descanse, garoto. Vai ser difícil daqui pra frente.

Markus se levantou e entrou no hospital para acompanhar os dois.

Enquanto isso, à distância, Sputnik dirigia com Pietro, Okini e Serafina. O veículo fazia parte de uma carreata de carros levando a família imperial em direção ao hospital.

Serafina estava visivelmente abalada, lágrimas presas no canto dos olhos, o rosto marcado pela tensão. Pelo retrovisor, o mordomo percebeu seu estado e tentou confortá-la.

— Eu sei que a situação não é fácil, madame, mas o mestre Harkin é um guerreiro sem igual. Ele vai sair dessa.

Okini mexeu as orelhas ao ouvir isso, virou-se para a amiga e pousou a mão sobre a dela.

— Vai ficar tudo bem, amiga. O babaca é duro na queda.

Serafina esboçou um sorriso sofrido e agradeceu aos dois.

— É só um aperto no peito… é a primeira vez que eu passo por isso.

— Eu te entendo, Sera — disse Pietro. — Já vi ele quase morto antes, depois de uma briga com um nobre de Nerio. Aquelas cicatrizes todas… eu tava lá. Ele é tipo uma barata. Não sabemos o que aconteceu, mas eu sei que ele vai ficar bem.

Ele continuou olhando pela janela. Serafina notou o aperto firme da mão dele. Todos estavam tensos, sem poder fazer nada além de seguir em frente — juntos, em silêncio.

Algumas horas depois, a família estava quase toda reunida. Eiden, Morgana e Jeanne ainda não haviam chegado, mas o restante aguardava do lado de fora da sala de cirurgia, em silêncio tenso.

Stein permanecia encostado num canto do corredor, olhando fixamente para Serafina, abalada, sentada ao lado da porta. Okini a abraçava, enquanto Pietro permanecia à frente dela, em vigília.

— Não cria uma cena aqui — Drake falou baixo, aproximando-se do irmão. — Agora não é hora pra isso.

— Vai ficar do lado deles agora, é?

Os dois se encararam por alguns instantes, afastados o suficiente para não chamar atenção.

— Gostando ou não, esse cara não é o que a gente pensava. Esse tempo treinando com Markus me fez refletir… talvez a gente estivesse errado, irmão.

Stein cruzou os braços e se apoiou na parede. Soltou uma bufada curta antes de responder:

— Família ou não, eu ainda detesto esse cara. Mas talvez ele tenha ajudado a gente. Eu fui um merda esse tempo todo… e isso é o máximo que eu vou admitir.

Camila estava próxima de Armin, seu primo mais velho, filho de Leona e Vladimir — um jovem baixo, de músculos bem definidos, cabelo castanho-escuro como o do pai e olhos verde-azulados. Os dois observavam os irmãos à distância.

— Eu mal interagi com Harkin nesse ano que ele passou aqui… quem diria que ele faria os próprios irmãos refletirem.

— Um milagre — Camila respondeu. — E isso é preocupante.

— Não pense em política agora, minha querida prima. Isso pode acabar sendo melhor pra você do que imagina.

— Se ele sair vivo… quem sabe.

A conversa foi interrompida quando Lucaren saiu da sala de cirurgia, coberto de sangue, e avistou Ophelia conversando com Leona.

— Ophelia! É de você que eu preciso agora. Vamos imediatamente pra sala cirúrgica.

— O quê?! — a mulher alta e elegante, semelhante a Camila, mas de cabelos vermelhos, se assustou com o chamado repentino.

— Esse garoto tem uma prótese, e eu preciso da sua ajuda como engenheira. Varen não está aqui, e você é a segunda melhor mente do império. Vamos, se apresse.

Ela o seguiu sem hesitar. As portas se fecharam atrás deles, e uma sensação de pânico começou a se espalhar pela sala de espera. Serafina não conseguiu conter o choro.

Morgana entrou no corredor naquele momento. Okini se levantou, dando espaço para ela. A rainha vermelha abraçou Serafina com firmeza.

— Ele vai ficar bem, menina. Eu conheço minha cria. Mas chore… chore até seu coração ficar em paz.

Serafina se agarrou às vestes de Morgana, desabando em lágrimas no ombro da mulher mais poderosa do mundo.

Mais horas se passaram. Nesse intervalo, Eiden chegou junto de Jeanne. O clima seguia pesado; nenhuma resposta havia vindo ainda. Mesmo assim, a presença dos dois trouxe algum alívio.

Morgana estava com os olhos inchados, lágrimas secas marcando o rosto, ainda abraçada a Serafina, que já não tinha mais forças para chorar.

— Adrien está vindo pra cá com Gabriela… sinto muito por Kinan.

Eiden disse isso ao se aproximar. Morgana agradeceu com um gesto silencioso e voltou sua atenção para a nora.

Como se respondesse às palavras dele, Gabriela surgiu no corredor, empurrando Adrien numa cadeira de rodas. Ele estava enfaixado, abatido; o olhar baixo denunciava que ainda estava preso ao que acontecera na ilha.

— Como você tá? — a voz de Serafina saiu grave ao perguntar.

— Relativamente bem… apesar de tudo. Mas tô preocupado com ele. Os ferimentos dele foram bem piores que os meus.

Antes que a conversa continuasse, a porta da sala de cirurgia se abriu. Ophelia saiu primeiro. Em seguida, Lucaren apareceu. Ele olhou para a sala cheia, mas sem pacientes à vista.

— Isso vai além do que eu imaginava. Quando disseram que esse garoto era um gênio, eu não esperava tamanha complexidade. A arma dele não é nada comparável ao que vi agora.

Ela disse isso a Solomon, mas o olhar firme de Jeanne a fez abaixar a cabeça imediatamente. A reprimenda silenciosa da sogra foi suficiente para deixar claro que havia falado fora de hora.

Ignorando o clima pesado, Lucaren se posicionou diante de todos.

— Essa foi a cirurgia mais difícil que eu já fiz na minha vida. Só pra vocês saberem.

Eiden o encarou, surpreso, aguardando.

— O corpo do garoto é completamente anormal. Quem quer que tenha causado esse golpe tinha, no mínimo, força equivalente à de um general. Teria matado qualquer outro. Mas o corpo dele aguentou até chegar aqui… e, enquanto operávamos, ele começou a se reparar sozinho.

Os olhares se arregalaram. Lucaren percebeu que quase ninguém sabia disso — com exceção de Adrien e Pietro — e continuou:

— A sorte foi Ophelia estar aqui. Existe uma rede de pequenas máquinas operando em cada parte do corpo dele.

O choque foi geral.

— Enfim… conseguimos reparar os danos porque, basicamente, eu reconstruí todos os órgãos do abdômen dele. A tecnologia ajudou muito. A boa notícia é que ele está vivo… e vai ficar bem fisicamente.

Um alívio pesado percorreu a sala. A tensão não desapareceu, mas deixou de sufocar.

— E a má notícia? — Eiden perguntou.

Lucaren respirou fundo.

— Ele está em coma. Não sei dizer como ainda, mas ele não respondeu aos estímulos. Pode acordar hoje… ou pode nunca acordar. A atividade cerebral indica que ele ainda está lá, mas vou precisar examiná-lo melhor pra entender a causa.

Ele fez uma breve pausa.

— Eu sei que isso é difícil de ouvir. Mas, pelo menos… ele está vivo.

As palavras de Lucaren pesaram sobre a família. Mesmo quem não era próximo sentiu o impacto. Serafina já não tinha mais lágrimas para chorar; estava abalada demais para qualquer outra reação. Ela apenas ficou diante do médico e perguntou:

— Eu posso vê-lo?

— Pode, sim. — Ele chamou uma enfermeira e a trouxe para perto. — Por favor, acompanhe essa jovem até o quarto do paciente.

A enfermeira segurou a mão de Serafina e a conduziu pelo corredor. Morgana não disse nada; apenas seguiu atrás. Okini foi junto Pietro ficou para trás. Adrien pegou a mão de Gabriela e pediu que o acompanhasse também.

— É a primeira vez que vejo a Rainha Vermelha em silêncio — comentou Gordon, em voz baixa.

— É a primeira vez que ele pode não voltar — Adrien respondeu.

— Isso vai gerar uma bagunça sem fim.

— Preparem-se para a guerra — disse Eiden aos filhos e a Lucaren. — Não agora, mas precisamos estar prontos.

— Acho que o senhor está sendo precipitado — Lucaren ponderou. — Uma guerra seria um exagero, não acha?

Eiden permaneceu em silêncio por um instante, observando os filhos, que se assustaram tanto quanto o general.

— O mundo esteve em equilíbrio até agora — Adrien falou. — Agora Nerio está mais fraco do que nunca…

— O que você quer dizer com isso? — perguntou Markus.

— Kinan está morto. Ele se sacrificou para segurar os inimigos que encontramos. Eu estou mais forte, mas aqueles demônios estavam acima de nós. Eu e Harkin só conseguimos segurá-los por causa dos nossos atributos mágicos, mas a diferença de força era absurda. Quando Harkin foi ferido, tentei ajudar e fui pego. Kinan enfrentou os dois e criou uma abertura. Nós escapamos graças a ele. Não me lembro direito do final… acho que ele invocou o poder do Lorde Celestial. Depois que embarcamos, tudo virou um flash.

O relato caiu pesado. Amigos poderosos, um sacrifício desse tamanho — era informação demais para processar.

— Os outros países vão interpretar isso como uma união entre o Império e Nerio — disse Solomon, pensativo. — A ilha ficava perto das fronteiras. O sacrifício de Kinan… ninguém vai acreditar em um inimigo misterioso.

— Ninguém é louco o bastante para atacar o Império — Leona retrucou.

— Não se garante nisso — Gordon respondeu. — As Cidades Livres esperam uma oportunidade para expandir há séculos.

— Não importa agora — Eiden cortou. — Precisamos nos preparar. Cada um de vocês trabalhe em sua área. Eu vou falar com Morgana; ela precisa de apoio agora. Também vou procurar os generais e o conselho. O mundo está prestes a mudar.

— E eu preciso preparar aqueles próximos a Harkin — disse Jeanne. — Prometi cuidar dos desejos dele se algo acontecesse. Preparem-se, meus filhos. Eu não quero que vocês sintam o que seu pai e Morgana estão sentindo agora.

Ela saiu, visivelmente abalada, na mesma direção dos que acompanhavam Serafina.

— Sinto muito, vó, mas preciso ir com eles — disse Pietro.

— Não se preocupe, meu neto. Vá em paz. Eles precisam de você. Eu sei que não está fácil… ele é seu amigo. Seja forte por eles.

Ela apertou o ombro dele com firmeza e o dispensou.

— Leve Adrien. Obrigado pelo relatório, garoto. Agora descanse; você também está ferido.

Pietro empurrou a cadeira de rodas, e os dois desapareceram pelo corredor.

— Quanto ao resto de nós — disse Eiden — temos muito trabalho pela frente.

— Você não precisa se culpar, pai — Markus falou, andando ao lado dele.

— Como imperador, fiz o que precisava ser feito. Como pai… me sinto um lixo da pior categoria. Mas ainda preciso ser o imperador. Posso me odiar depois que o Império estiver seguro.

Era informação demais e tempo de menos. Sem espaço para processar, a família se dispersou: alguns seguiram para o quarto de Harkin, outros para lidar com assuntos de Estado.

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