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Capítulo 60: Estou aqui
São 21h e chegamos ao ponto em que cada um segue seu caminho.
“Posso andar sozinha daqui.”
Rin se vira para mim enquanto diz isso.
“Muito obrigada por hoje, me diverti muito.”
Ela complementa suas palavras com um lindo sorriso enquanto a luz da rua ilumina seu rosto. Franzo as sobrancelhas em resposta.
Dentro daquelas pupilas cristalinas há uma emoção que definitivamente não grita felicidade nem nada do tipo. É algo que eu, sem dúvida, teria perdido se não fosse seu amigo de infância.
“Eu te acompanho até em casa.”
Essa proposta sai da minha boca antes que eu tenha tempo de processá-la. Rin fecha os olhos delicadamente e balança a cabeça.
“Obrigada pela oferta, mas está tudo bem. Você também está cansado, então deveria ir para casa descansar um pouco.”
“Obrigado pelas considerações, mas estou bem, se me permite dizer. Está ficando tarde, então é melhor eu te acompanhar até em casa.”
“Mas...”
Estendo a mão e meus dedos se entrelaçam aos delicados dela.
“Bem, é o que eu diria para me exibir, mas, sinceramente, eu só quero passar mais tempo com você, Rin.”
As pupilas de Rin se fecham como bolinhas de gude. Antes que eu perceba, ela baixa a guarda.
“Entendo...”
A energia em sua voz revela a frieza que ela tenta impor. Aperto suas mãozinhas com mais força.
“Eu também me sinto da mesma forma, Tohru-kun.”
Palavras não são mais necessárias. E assim, com nossas quatro patas, seguimos para a casa de Rin. Não falamos sobre nada, em vez disso, nós dois continuamos nossa jornada lentamente. As áreas onde moramos ficam bem distantes da estação mais próxima, então não há muitas pessoas. Além disso, é tarde da noite e as chances de cruzar com alguém são muito improváveis.
À distância, ouve-se o estrondo de um trem. De vez em quando, um carro passa pela estrada perto de nós. E bem ao meu lado, ouço o som da respiração de Rin.
Por um instante, todos esses ruídos desaparecem. Aquele doce aroma do além sobe até meu nariz, e minha mente fica entorpecida em resposta.
Balanço a cabeça, dizendo a mim mesmo para parar. Enquanto afasto esses pensamentos malditos da cabeça, Rin está animada cantarolando sem parar. É uma performance que só eu conheço. Sinto a eletricidade fluindo pelos meus nervos novamente. A caminhada habitual de 10 minutos nos leva a 15, quando finalmente chegamos à casa de Rin.
“Obrigada novamente por hoje.”
“Sem problemas, eu também me diverti muito.”
“Você se inspirou bastante para a sua história?”
“Ah, sim, foi perfeito! Acho que vou escrever uma história de 100.000 caracteres sobre cafés de gatos!”
“Você vai mesmo fazer uma história sobre um café de gatos?”
“Isso deve ser o suficiente para uma história completa!”
“Bem, pelo menos você está entusiasmado. Enfim...”
Rin abaixa a cabeça na minha frente.
“Obrigada por tudo… De verdade.”
“Está tudo bem, não precisa se preocupar. Pense nisso como um centésimo de retribuição por tudo o que você fez e faz por mim.”
“Então, como agradecimento, farei alguns brotos de bambu para o seu almoço amanhã.”
“Droga, parece que acabou de descer a um milésimo.”
“Brotos de bambu não deveriam aumentar a taxa de agradecimentos.”
Percebo uma mudança sutil em sua atitude. Eu também já senti essa sensação de desconforto antes. Aqueles traços majestosos estão assumindo uma aparência sombria.
“Ei...”
“Sim?”
“Há... algo errado?”
“Huh?”
“Bem, é que... você não parece estar tão bem.”
Rin pisca, surpresa com a minha pergunta direta. Com um zumbido, a luz acima da minha cabeça acende.
“Ah, eu sei, ter que nos separar faz você se sentir sozinha, né? Tem que ser isso!”
Cruzo os braços enquanto dou um show de grandiosidade. Se eu brincar assim, talvez Rin volte ao normal. A tensão deveria ter sumido, mas...
“Você realmente consegue ver através de mim...”
A seriedade dela me pega de surpresa. Antes que eu consiga pensar no que dizer, Rin abre a boca novamente.
“Tohru-kun, no McDonald’s, lembra quando você disse que havia a possibilidade de nunca nos encontrarmos se o Syrup não estivesse lá?”
“S-sim... eu disse isso.”
Aprendi algo surpreendente hoje. No início do verão do segundo ano, tive um encontro casual na biblioteca da escola. Mal sabia eu que o Syrup foi o catalisador para tudo aquilo. Finalmente consegui ouvir o outro lado da história do nosso encontro de dez anos atrás. Saber disso agora era um grande choque para mim.
“Eu estava imaginando na minha cabeça, se nunca nos tivéssemos conhecido daquela vez... quão diferentes as coisas seriam?”
Olhamos para o céu sem estrelas enquanto Rin revela seus sentimentos.
“Conversar com você, comer todas aquelas comidas deliciosas, até mesmo apenas sair com você... Isso nunca teria acontecido.”
...
“E eu simplesmente comecei a me sentir tão sozinha.”
Parece que aquele sorriso fraco em seu rosto desapareceria na noite se eu tentasse tocá-lo. Tento imaginá-lo na minha cabeça.
E se Rin e eu nunca tivéssemos nos conhecido?
Conversando com Rin, comendo todas aquelas comidas deliciosas e até mesmo saindo com ela. E como leitora, ela apoiou meu sonho todos os dias. Eu sorria quando lia aqueles comentários de apoio dizendo que minha história era boa. E quando meu sonho se tornou realidade, choramos juntos. Todas aquelas memórias insubstituíveis desapareceriam assim.
Ah, ela tem razão. Imaginar isso também me faz sentir solitário. Dói, como se os vasos sanguíneos do meu peito começassem a se aglomerar.
“T-Tohru-kun?”
Antes que eu perceba o que está acontecendo, Rin se aconchega no meu peito. É tão quente e me sinto tão tonto com o cheiro.
“Tudo vai ficar bem, porque eu estarei aqui.”
Digo isso a Rin, como se estivesse fazendo um voto eterno.
“Para todo o sempre, estarei com você.”
Essas foram palavras para tranquilizar Rin e também para distrair-me da minha própria solidão. Aperto meus dois braços e começo a acariciar seus cabelos longos e sedosos, como se estivesse fazendo Rin de fato existir.
“Eu também.”
Rin retribui meu abraço. Talvez ela também sentisse a sensação de solidão que crescia dentro de mim. Por um tempo, compartilhamos o calor um do outro. Eventualmente, nos separamos, percebendo que estamos ambos ao ar livre.
[Kura: Eu protesto!! Onde estão as fotos? Às ilustrações?]
“Ah... fizemos algo tão ousado em público...”
“E-eu sou mais másculo do que você pensa.”
Estico o peito, tentando fingir coragem, mas até um lápis poderia destruir minha fachada.
[Kura: Kakakakakaka, sério, eu não tanco esse jovem.]
“Eu sei bem disso, mas...”
Dizendo isso, Rin aproxima seu rosto do meu.
“Que tal você só mostrar seu lado másculo na minha frente?”
“Claro. Vou me certificar de agir como uma garotinha na frente de todos, menos de você.”
“Que tal eu trazer o caminhão agora?”
“Você está tentando me fazer ir de isekai!?”
Rin coloca a mão sobre a boca enquanto ri. É um sorriso puro, tão brilhante quanto os olhos podem ver.
“Então, tudo bem, te vejo amanhã.”
“É, te vejo.”
E assim, nos separamos. Viro as costas para Rin, que acena, e vou em direção à minha casa. O ar na cidade não está tão bom, mas me sinto incrível, quer dizer, este foi meu primeiro encontro com Rin. Pensando bem, este deve ser o melhor dia da minha vida.
Traduzido por Moonlight Valley
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