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Capítulo 59: Eu tive um palpite

“Você talvez tenha dado seu guarda-chuva para o Syrup daquela vez, Rin?”

   A pergunta de Tohru-kun foi clara como o dia, mesmo em meio à agitação do McDonald’s. Não tenho ideia de qual é o objetivo dele com aquela pergunta. Só consigo piscar, surpresa.

“Ah, não, bem...”

   Tohru-kun está coçando a cabeça com as costas da mão e desviando o olhar. Parece que ele mesmo não sabe por que perguntou isso.

“Espere um momento. Deixe-me me recompor.”

   Com a mão na cabeça, Tohru-kun começa a soltar alguns grunhidos. Eu nem sei o que estou fazendo, mas me pego colocando a mão em seu pulso enquanto faço uma sugestão.

[Kura: O engraçado dessa novel é que ela troca de visão do nada. Agora estamos com a Rin, e isso torna ela muito boa.]

“De qualquer forma, que tal irmos comprar as bebidas juntos?”

“Hã?”

“Podemos estar ficando com sede.”

“Ah, tudo bem então.”

   Saímos de nossos lugares e fomos fazer nossos pedidos. Está se aproximando o horário de pico do jantar, pois a multidão de pessoas esperando para fazer seus pedidos aumentou. Entramos no final da fila e começamos nossa sessão de perguntas e respostas.

“Como você sabia?”

   Em choque, Tohru-kun me olha.

“Hã!? Então aquele guarda-chuva era mesmo seu, Rin?”

“Foi você quem perguntou, por que está surpreso?”

   Eu é que deveria estar surpresa. Como ele descobriu? Olho para Tohru-kun, esperando que ele responda.

“Sua bolsa e carteira.”

“O quê?”

“É da mesma cor do seu guarda-chuva.”

   Uma cena passa pela minha cabeça. O guarda-chuva que usei, a bolsa e a carteira que comprei hoje. São todas do mesmo rosa pastel.

“Então é só isso?”

“Bem louco, né?”

   Tohru-kun dá de ombros.

“E depois, bem... É difícil colocar em palavras, mas conversando com você no café de gatos, algo simplesmente me aconteceu.”

[Kura: Belo detetive, então esses eram os “choques” que ele levava quando via os objetos da Rin.]

   Tohru-kun olha para mim enquanto começa a falar novamente.

“Não sei, só tive um palpite.”

   Ah, entendi agora. Cheguei a uma conclusão estranha.

“Só foi um palpite.”

   Superficialmente, pode parecer um pensamento completamente aleatório, mas, na verdade, é um sentimento profundo que está no fundo do subconsciente. Leva tempo para chegar a uma conclusão adequada. Eu deveria saber, porque acontece comigo.

   Mesmo sem palavras, me pego imaginando o que Tohru-kun está sentindo. E me pego tendo um palpite também. Tenho certeza de que, no fundo, nossos corações estão conectados, fazendo com que nos entendamos melhor. Estamos juntos há tanto tempo, então esse tipo de sentimento é natural. Enquanto penso nisso, meu peito gradualmente começa a ficar quentinho e aconchegado, como se eu estivesse respirando fundo.

“Meu pai tem alergia a gatos, sabia?”

   Mesmo agora, parece que foi ontem.

“Naquela época, eu dei o guarda-chuva para o Syrup.”

   Lembro-me do desamparo e da melancolia que senti quando criança.

“Fui para casa, mas não podia simplesmente deixar o Syrup lá... então voltei para buscá-lo.”

     Tudo o que eu queria era salvar aquela pequena vida.

“E então, você estava lá.”

     A chuva parou de repente, como se estivesse trazendo esperança. Mesmo agora, ainda me lembro disso.

“Você estava assistindo?”

   Tohru-kun coça levemente o rosto enquanto eu aceno, sorrindo do fundo do meu coração.

“Sim.”

   Foi a primeira vez que contei isso a ele. Não é como se eu estivesse tentando esconder, simplesmente nunca veio à tona. Acho que queria manter isso como meu segredinho. Não havia rima ou razão para isso, eu só queria manter aquela preciosa lembrança guardada no meu coração. E Tohru-kun encontrou aquele tesouro com as pistas que lhe foram dadas. Meu peito estava todo revirado. Não havia como eu controlar isso.

“O que você quer beber?”

“Huh?”

   Antes que eu tenha percebido, éramos os próximos na fila a sermos atendidos.

“Hum, vou querer chá oolong.”

“Okay.”

“Ah, eu pago.”

“Tudo bem, Rin.”

“Não, qual é.”

“Espere.”

   Esta é a sua vontade inabalável. Sinto a palma da mão de Tohru-kun sobre a minha.

“Este é o meu agradecimento por todos esses 10 anos.”

   Valeu, uh. Tohru-kun começa a fazer o pedido para o funcionário.

“Obrigada.”

“Sem problemas.”

   Voltamos aos nossos lugares e eu coloco um canudo na boca. Por algum motivo, me sinto bastante inquieta.

“Mesmo agora, eu me lembro.”

   Tohru-kun começa a falar sem ser solicitado.

“Naquele dia... quando segurei Syrup pela primeira vez, ele estava tremendo e com muito frio.”

   Tohru-kun não está mentindo. Com isso, o gelo no copo de Tohru-kun começa a tremer.

“Fui ao veterinário e eles disseram que, se eu o resgatasse mais tarde, havia uma grande chance de ele ter morrido.”

“Sério...?”

   Eu não sabia disso. Mesmo tendo se passado 10 anos, ainda me sinto tremendo.

“Então você literalmente foi o salvador dele, Tohru-kun.”

“Não, você foi a salvadora dele, Rin.”

“Eh?”

   Não entendo bem o que ele quer dizer, pois meu piscar faz meu campo de visão tremer.

“Se você não entregasse seu guarda-chuva para Syrup naquela... talvez fosse tarde demais.”

   Tohru-kun olha diretamente para mim enquanto continua.

“Obrigado.”

   Com essas palavras, ele me expressa sua pura e genuína gratidão.

“É isso que quero dizer com meu agradecimento pelos 10 anos.”

“Você realmente acha que é o suficiente?”

   Deixo escapar um sorriso sarcástico por um momento, mas Tohru-kun continua me encarando enquanto continua falando.

“É por isso que, a partir de agora, vou me certificar de retribuir por tudo o que você fez. De agora em diante, ficaremos juntos.”

   Entrelaçado em suas palavras há um duplo sentido, também implicando que... Isso pode ser apenas um palpite, mas tenho a sensação de que o que ele disse é a prova disso. Sinto o calor de Tohru-kun em minha mão.

“Você não deveria me atacar de surpresa desse jeito.”

“Desculpe.”

“Ah, sério.”

[Kura: E esse sorrisinho romântico no seu rosto? :) ]

   Com a mão livre, pego o copo de papel. Sinto a temperatura bem mais fria do chá oolong nos meus dedos.

“Mas, pensando bem, é um milagre.”

“O que você quer dizer?”

“Tudo isso é hipotético, mas digamos que Syrup não estava lá naquele dia. Isso significa que nós... talvez nunca tivéssemos nos cruzado.”

   Ele diz isso com tanta indiferença, mas o impacto daquelas palavras me choca. Tento imaginar. E se Syrup não estivesse lá naquele dia? Então conhecer Tohru-kun, sair com Tohru-kun e até comer aqui no McDonald’s, nunca teriam acontecido.

   Pensando nisso, sinto uma brisa fria soprando no meu peito. Que sensação é essa? É tão... dolorosa.

“Rin?”

“Hum?”

“Você está bem? Está olhando para o nada?”

“Ah, uhh... não é nada.”

   Coloquei meu canudo na boca, tentando enganar Tohru-kun. Enquanto o chá oolong acalma minha garganta seca, sinto-me mais espaçosa, como se estivesse vestindo um pijama grande.

   Mas, por dentro, ainda sinto aquele vento soprando contra mim. Mais do que a chuva daquele dia e o chá que estou bebendo, aquele vento é tão gelado.

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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