Sessão 6
Capítulo 51: Começo do Amanhecer
[Kura: Aviso importante, se não gosta de cenas fortes ou é menor de 13 anos, eu recomendo que pule os próximos dois capítulos.]
Marcella enxugou rapidamente as lágrimas que escorriam e franziu a testa, encarando o garoto à sua frente.
Era, sem dúvida, um rosto familiar, mas que não deveria estar ali.
"...Saia daqui. Rápido."
Marcella falou com toda a força que tinha, pressionando os lábios com firmeza.
"Eu disse pra sair rápido!"
Havia urgência em sua voz baixa e sussurrada.
As lágrimas ainda permaneciam em suas bochechas, intocadas.
Vlad abaixou a cabeça ao olhar para ela.
Sim, este era o lugar.
Onde meu ninho um dia esteve.
A mulher lutava para conter as lágrimas sob a luz cruel enquanto se comunicava com os olhos.
"..."
Algo brilhou e caiu.
Vlad olhou com tristeza para o brilho cintilante no chão, em meio à jaula de desejos criada pelos homens.
Mesmo que uma flor caia no chão e seja pisoteada, se ainda tiver fragrância, ainda é uma flor.
O garoto, sentindo o cheiro de rosas depois de tanto tempo, levantou-se lentamente do assento.
Agora era hora de enxugar as lágrimas dela.
✦ ✦ ✦
"..."
A madame percebeu a tensão entre o homem loiro e Marcella.
Mas ela também era alguém que sobreviveu nos becos.
Acostumada a esse tipo de situação repentina, a madame discretamente fez um sinal para os homens sentados à mesa ao fundo.
'Tirem ele daqui!'
Os homens, ao receberem o sinal, começaram a se levantar um por um.
Eram mais de dez.
Todos subordinados de Jack, enviados para aquele lugar.
"...Devemos acertar o pagamento."
Mesmo com o clima tenso, o homem loiro se levantou casualmente e apenas olhou para a madame.
Seus olhos azuis estavam tomados por veias vermelhas.
"Antes de te dar 100 moedas de ouro, eu preciso fazer alguns cálculos."
A madame se surpreendeu.
O homem que antes parecia um jovem nobre agora lembrava um lobo faminto.
"...Que cálculos?"
A madame perguntou com cautela, engolindo em seco.
À medida que o homem loiro liberava uma aura opressiva, os homens atrás dele, com olhos cheios de desejo, começaram a recuar pouco a pouco.
Vendo isso, os subordinados de Jack mostraram os dentes e avançaram lentamente.
Era como a véspera de uma tempestade.
"Jack o Maneta."
O homem que lentamente levantou a cabeça falou.
"Tem algo que eu preciso pegar daquele cara."
A madame, surpresa com a menção inesperada de um nome, quis perguntar o que aquilo significava, mas...
De repente, sentindo a intenção assassina atingir seu rosto, não conseguiu fazer nada além de fechar a boca.
Um dos capangas de Jack que se aproximava por trás caiu no chão, mole.
"Fique aí quieta."
Um fio de sangue escorria da espada sem adornos de Vlad.
"Se esses caras não forem suficientes, eu tiro de você também."
O lobo faminto que havia sido libertado da jaula salivava.
Depois de tanto tempo suportando, havia coisas que precisava resolver diante de si.
"Saiam da frente! Saiam!"
"Quem é esse desgraçado?!"
Um lugar onde desejos eram despejados de repente se transformou em um cenário de carnificina.
Os clientes que testemunhavam aquilo começaram a gritar de terror.
"Entrem agora!"
"Onde você aprendeu esses truques inúteis?!"
Desejos em fuga.
Bestas descontroladas.
Observando os capangas de Jack avançando de forma imprudente, Vlad sorriu de leve.
"...Acho que senti falta disso."
Vlad sentiu seu pé afundar novamente no lamaçal sujo, mas não se importava. Porque a estrela que o garoto sonhava todos aqueles anos agora estava em suas mãos, e não mais no alto da forja.
"Quem te mandou, desgraçado?"
"...Quem me mandou?"
Vlad sorriu sem perceber ao ouvir uma frase que não escutava há muito tempo.
E então respondeu.
O nome que carregou no coração por tanto tempo.
"Jorge."
"O quê?"
Com essas palavras, Vlad puxou uma adaga da cintura, a mesma que o homem que o acolheu sempre disse para ele carregar.
"O Jorge me mandou."
A adaga de Jorge, junto com a espada sem adornos, atravessou os pescoços dos homens.
Naquele dia ele havia escapado em silêncio, mas hoje era diferente.
Vlad havia cruzado muitos rios para recuperar seu nome.
Então hoje, neste lugar...
Ele havia retornado com o direito de se chamar pelo próprio nome.
"O Vlad que vocês estavam procurando está bem aqui!"
Marcella cobriu a boca com a mão para conter o grito que escapava.
Ela se lembrou.
De Vlad gritando atrás do cavaleiro sob a luz da lua azul.
"Venham me matar, como naquele dia!"
Vlad atacava sem parar, sem hesitar.
Contra as correntes presas em seus tornozelos.
"É aquele desgraçado, o Vlad!"
"Merda, ele ainda tá vivo!"
Os animais, ouvindo o grito do garoto, avançaram mostrando os dentes.
"Venham, seus desgraçados!"
Com rastros de carmesim, o homem que avançava na frente foi cortado pelo mundo de Vlad.
Um golpe de espada, um grito.
Um grito, uma vida.
Vlad, com os olhos cheios de sede de sangue, abatia os capangas de Jack.
Ele não pouparia nenhum.
Nem mesmo por Marcella, que ainda derramava lágrimas.
Vlad desviava daqueles que corriam contra ele usando os passos ensinados pelos cavaleiros e arrancava orelhas como aprendera nos becos.
Era sujo, mas eficiente.
Nem cavaleiro, nem fera — algo completamente diferente estava em fúria ali.
"Yah!"
Alguns tentaram resistir à ferocidade de Vlad, mas não houve misericórdia.
Vlad agarrou um homem em fuga pela gola e cortou sua garganta com a adaga.
Uma fonte de sangue jorrou fria no chão do Sorriso da Rosa.
"Não, não somos nós!"
"Por favor, nos poupe! Por favor!"
Aqueles atraídos pelo desejo agora estavam colados às paredes, chorando.
Mesmo não sendo o alvo, não conseguiam suportar aquela pressão esmagadora.
"Aaargh!"
Vlad agarrou um dos capangas de Jack escondido entre eles e, sem hesitar, cravou a adaga de Jorge em sua garganta.
Os olhos do homem reviraram.
"Huah! Huah!"
O último sobrevivente, que alcançou a porta, ofegava desesperadamente.
Com as mãos tremendo, girava a maçaneta repetidamente, mas a porta não abria.
Como se alguém estivesse bloqueando do lado de fora.
"...Se você começa uma briga, tem que pagar o preço."
Kwaaang!
A porta foi arrebentada com um chute violento de Vlad.
"Ugh! Cof!"
Cambaleando, o último capanga conseguiu sair, guiado apenas pelo instinto de sobrevivência.
Mas do lado de fora, guardas de Shoara cercavam o Sorriso da Rosa.
"Teria sido melhor terminar lá dentro."
A voz de Vlad veio de trás.
Era calma... e justamente por isso, aterrorizante.
"...Por favor, me poupe!"
"Não."
Vlad pisou no chão, imobilizando o homem, e cortou sua garganta sem piedade.
Ele tentou conter o sangue, mas foi inútil.
"Se tivesse me pego naquele dia, você também não teria me poupado."
Era verdade.
Uma das regras dos becos era: se não matar, você morre.
"Gah... Gak."
No beco silencioso, apenas a adaga de Jorge engoliu o último grito de alguém.
✦ ✦ ✦
Sorriso da Rosa.
Antes símbolo dos becos de Shoara, agora um covil de “ratos do dinheiro”, onde um homem servia mais uma bebida para si mesmo.
"....Mais uma."
Com o gancho no braço esquerdo, quebrou o gelo e empurrou os pedaços para o copo.
"Chefe, já bebeu demais."
"..."
O subordinado ao lado sugeriu cautelosamente que ele parasse, mas Jack o Maneta apenas encarou o copo em silêncio.
O cavaleiro das prostitutas, Jorge.
Desde seu desaparecimento, os becos de Shoara praticamente se tornaram território de Jack, mas ele não comemorava.
Pelo contrário, afundava cada vez mais na bebida.
À medida que ele se deteriorava, o mesmo acontecia com os becos.
"É só isso que eu consigo controlar? Para de falar e serve logo."
"....Sim, chefe."
Observando a bebida cair como lágrimas, Jack, o Maneta, virou a cabeça e olhou seus homens.
Esses idiotas não sabem de nada.
Sabem mesmo?
Que nossas vidas são controladas por quem está acima?
"Uma vida de cachorro."
Mesmo vivendo em um lugar miserável, Jack era ambicioso.
Eu vou subir mais alto.
Não fui feito pra ficar aqui.
Por isso, nunca hesitou em tomar o que era dos outros e construir degraus sobre os corpos dos inimigos.
Os vencedores ficam em cima, os perdedores embaixo.
Ele acreditava nisso.
Mas mesmo tendo perdido… foi Jorge quem morreu.
"Maldito mundo."
Um dia, vai ser comigo também.
Alguém acima vai decidir meu fim.
Assim como Jorge.
"No fim... nada disso tem sentido."
Jack virou o copo de uma vez, tremendo com a embriaguez.
Era uma noite impossível de suportar estando sóbrio.
Bang!
"Chefe! Chefe!"
Todos se viraram ao ver um homem invadindo o local em pânico.
"Chefe! Deu problema!"
"O que foi?"
"Por que essa pressa?"
O homem subiu as escadas correndo, quase sem fôlego.
"Chefe!"
"O que foi?"
Mal conseguindo respirar, ele disse:
"Estamos cercados!"
"...O quê?"
Jack franziu a testa.
"Aqui?"
"Não só aqui..."
O homem engoliu seco.
"O beco inteiro foi cercado. Soldados cercaram tudo."
"....Sai da frente."
Jack empurrou o homem e se levantou.
"Chefe!"
"Você tá bem?"
Se apoiando, ele desceu as escadas.
"...Isso..."
Ao olhar pela janela, ficou atônito.
Os becos estavam mergulhados na escuridão.
Mas não eram as luzes comuns.
Eram tochas.
"Manda abrir a porta!"
A porta foi aberta.
E do lado de fora—
Soldados.
Em formação.
"Hah."
Jack soltou um suspiro.
Frustração... ou admiração?
"Chefe, estamos cercados."
"Eu sei."
Mesmo assim, permaneceu calmo.
"...Acho que as visitas chegaram."
"O quê?"
"Em vez de fazer escândalo, é melhor nos prepararmos para recebê-los."
Diante da destruição iminente, Jack soltou um suspiro de alívio.
Encarar o perigo certo era melhor do que temer o desconhecido.
[Kura: Que os jogos comecem.]
Traduzido por Moonlight Valley
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