Mestre Espadachim das Estrelas Coreana

Tradução: Kurayami

Revisão: Enigma


Sessão 5

Capítulo 50: De Volta às Sombras

Peter estava sentado em silêncio, olhando para a caixa de madeira colocada à sua frente.

Uma caixa de madeira robusta.

Ela possuía padrões intrincados que poderiam ser descritos tanto como magníficos quanto sinistros.

"A família do Conde Rabnoma era a única no oeste capaz de manter o juramento."

"Entendo."

Muitos sacerdotes, incluindo Andrew, estavam com as mãos unidas diante de Peter.

Isso porque sabiam que estavam colocando um grande fardo sobre o senhor daquela terra.

"…Eu enviarei cavaleiros com vocês. Cumprirei o juramento da melhor forma possível."

Peter levantou-se de seu assento, dirigindo-se aos sacerdotes.

Ele prometeu fornecer o melhor suporte que pudesse oferecer.

Disse que faria o possível para mover os vestígios do dragão, que eram a prova do juramento.

"Obrigado, Conde."

"Fiquem à vontade para permanecer como hóspedes até estarem prontos."

Observando os sacerdotes partirem com as cabeças abaixadas, Peter soltou um pequeno suspiro.

"De fato, tomei a decisão correta."

"Eles não tinham outra escolha."

Rabnoma, governante do oeste e guardião do juramento, havia caído.

E dentro da mansão em ruínas dos Rabnoma, os sacerdotes estavam a caminho para recuperar o antigo juramento, destinado ao herdeiro legítimo.

"..."

Sentindo-se frustrado diante do inevitável, Peter voltou seu olhar para fora da janela por um momento.

Felizmente, ali, em meio à atmosfera pesada daquele lugar, havia uma visão bem-vinda.

"Faz tempo desde que vi aquela bandeira."

Uma carruagem se movia.

Adornada com uma pequena bandeira.

Era uma bandeira que Peter havia visto muitas vezes em sua juventude.

"Acho que podemos descansar um pouco."

"Deve estar exausto."

Peter assentiu à resposta de Lagmus.

Ele faria o mesmo.

Ele compreendia completamente os sentimentos do garoto.

Um garoto carregando um estandarte que apenas cavaleiros que são senhores de si mesmos poderiam portar estava deixando a mansão.

Retornando para sua terra natal.

Para fazer o que precisava ser feito.

✦  ✦  ✦

Mais uma vez, hoje, havia um garoto vagando pelos becos de Shoara.

Enquanto a maioria dos moradores dos becos apertava seus estômagos famintos, o garoto havia nascido em condições ainda piores que as deles.

Pele negra como a noite.

Nascido como alvo de desprezo e discriminação, o garoto de pele negra era alguém que não podia deixar de ser ignorado até mesmo nos cantos mais sombrios de Shoara, conhecida como os Becos.

"...Nem tem lugar pra trabalhar por aqui."

Ned, o garoto de pele negra.

Ele precisava se levantar assim que abria os olhos, e uma vez de pé, pelo menos deveria comer algo, mas ultimamente encontrar comida em qualquer lugar de Shoara era difícil.

'Não era tão ruim assim antigamente…'

Ned moveu os olhos em silêncio, observando cada canto do beco.

Aqueles que viviam de mendigar estavam completamente impotentes e apenas olhavam ao redor, e até os que tinham trabalho só conseguiam suspirar ao ver seus rostos ficando mais magros, mesmo trabalhando a noite inteira.

Todos estavam sangrando.

Para o obcecado por dinheiro que ansiava por ouro.

"Aqueles eram bons tempos..."

Suspirando de forma precoce para sua idade, o olhar de Ned naturalmente se voltou para um certo prédio.

Quando as pessoas estão em dificuldade, tendem a lembrar dos bons tempos.

'Agora, se eu tentar bater carteira ali, talvez nem saia vivo.'

O prédio para o qual Ned olhava era o "Sorriso da Rosa".

Antes, havia um chefe rude e uma madame gentil.

Mas agora, todos que estavam lá estavam mortos ou foram vendidos.

As risadas alegres das prostitutas, sempre acompanhadas de música agradável, foram substituídas por gritos de dor e berros de brutamontes.

Mesmo que Ned fosse pego tentando roubar ali agora, não haveria nenhum garoto loiro para salvá-lo.

'Hmm?'

Enquanto lamentava o passado e suspirava pelo presente, Ned viu algumas pessoas fora do comum.

Um homem gorducho que parecia ter dinheiro e um homem de aparência afiada que parecia um mercenário.

Ned estalou levemente a língua ao vê-los indo direto para a rua onde ficava o Sorriso da Rosa, como se fossem aliviar seus desejos acumulados.

"...Acho que vou tentar."

O homem que parecia mercenário devia ser guarda-costas, mas Ned achou que valia o risco.

Desde que não morresse ao ser pego, tudo bem.

Ele não podia depender do irmão mais velho para sempre.

"..."

A fome e a impaciência turvavam o julgamento do garoto.

Seguindo os dois homens lentamente, Ned se escondia habilmente entre os destroços espalhados.

'Agora.'

Mas Ned não era habilidoso o suficiente como batedor de carteira para viver disso.

"..."

O mercenário, percebendo o garoto negro se aproximando por trás, levou naturalmente a mão ao cabo da espada.

A tensão aumentava, mas Ned não percebia.

Sua falta de visão ampla era sua fraqueza.

Ned se aproximava do homem gordo.

O mercenário se preparava para sacar a espada.

No meio do desastre iminente, mais um fim estava prestes a acontecer nos becos.

"Ainda é burro como sempre, hein?"

Snap!

De repente, alguém surgiu entre eles.

Um homem que apareceu de um ponto cego e desapareceu como o vento.

"Oof!"

Ned segurou a parte de trás da cabeça, sentindo dor, e olhou para o homem que passava rapidamente.

Cabelos loiros familiares.

Até o jeito de andar parecia conhecido.

"O que foi isso?"

Mas Ned não conseguiu associar aquele homem ao garoto que vendia velas no passado.

Ele parecia confiante demais para isso.

"Ah, perdi."

O garoto, que perdeu a presa de hoje mas ganhou o amanhã, apenas resmungou.

Em direção ao homem loiro que havia batido em sua cabeça.

✦  ✦  ✦

Enquanto o entardecer dava lugar à noite, algumas lojas acendiam luzes suaves.

Entre elas, um lugar se destacava.

Entre as lojas de flores, havia um lugar onde os homens se reuniam em maior número.

Antes era o Sorriso da Rosa, mas agora outro lugar chamava a atenção.

"Ei, aqui!"

"Da próxima vez é minha!"

"Quem pagar mais manda! Marcella! Me serve uma bebida!"

"..."

Homens com olhos gananciosos gritavam enquanto uma mulher retocava sua maquiagem.

Ela já teve cabelos negros lindos.

Mas com o tempo, o brilho havia se perdido.

Mesmo com maquiagem e joias, sua beleza desvanecente não podia ser escondida.

Ainda assim, os homens jogavam moedas por ela.

"Marcella, se estiver pronta, precisamos ir."

Uma mulher mais velha com um cigarro falou atrás dela.

A fumaça era densa.

"Precisamos pegar mais um pra pagar a dívida. Senão, você não sai daqui até apodrecer."

A mulher sorriu de forma cruel.

"..."

Marcella não respondeu.

Raiva, tristeza, medo.

Ela sabia que qualquer emoção seria usada contra ela.

"…Vamos ver quanto tempo isso dura."

A mulher segurou seu queixo.

Marcella apenas sorriu.

"Viva bastante, madame."

"…"

A mulher saiu irritada.

Marcella voltou à maquiagem.

Mesmo com aparência vazia, ela não chorou.

Ela sabia que havia subido alto demais.

E os becos adoravam ver quedas.

"…Ainda assim, isso já é impressionante."

Marcella riu suavemente.

Mesmo destruída, ainda era uma vencedora.

"Saia!"

O grito a fez levantar.

Ela se preparou.

"Marcella!"

"Minhas moedas!"

Os homens gritaram.

Ela apenas observou.

"…"

Garrafas e copos à frente.

Ela não sabia fazer bebida.

Mas isso não importava.

"1 ouro!"

"2!"

"3 juntos!"

Marcella fechou os olhos.

As moedas não chegariam até ela.

Ela ainda estava presa pela dívida.

A madame sorria.

"Então..."

"100 moedas de ouro."

Uma voz ecoou.

"…O quê?"

"100 ouro."

Alguém subia as escadas.

"…!"

Marcella tremeu e fechou os olhos.

O som trouxe memórias dolorosas.

Creak...

Ela tentou manter a calma.

Mas não conseguia.

"…100 ouro mesmo?"

A madame perguntou.

Todos estavam chocados.

O homem continuou andando.

"Posso pedir algo?"

"…Sim, mas..."

A tensão era enorme.

'Parece rico…'

Sua roupa era de qualidade.

Devia ser nobre ou cavaleiro.

"…Quer o menu?"

"Não precisa."

Ele olhou para Marcella.

A madame estranhou.

Não havia desejo.

Só tristeza.

"…Senti falta disso."

Ele começou a falar.

"linguiça grelhada, black pudding, batata, pão branco…"

Todos ficaram confusos.

'Ele é louco?'

Mas Marcella entendeu.

Eram memórias.

"…Prepare o que Jorge comia. Marcella."

Era o prato dele.

Marcella não queria abrir os olhos.

Parecia um sonho.

"…Ah."

Ela abriu os olhos chorando.

Cabelos loiros brilhando.

"Eu disse que voltaria. Marcella."

Ele retirou o capuz.

Uma luz dourada surgiu.

Não era o ouro sujo daquele lugar.

Era a cor do garoto daquele dia.

[Kura: A partir desse momento a "era de ouro" da obra vai começar! Lhe convido a entrar no server para discutirmos sobre :) ]

 

Traduzido por Moonlight Valley

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