Mestre Espadachim das Estrelas Coreana

Tradução: Kurayami

Revisão: Enigma


Sessão 5

Capítulo 43: Animais e Seus Medos

"Cough... cough." 

Um cavaleiro de meia-idade, encostado impotente na parede, tossia sangue.

Apenas manchas de sangue vermelho-escuro ficaram para trás enquanto ele lentamente deslizava para o chão.

Embora o suor frio escorrendo por seu rosto pesasse sobre seus olhos, o cavaleiro se esforçava para recuperar a compostura.

Mesmo que tudo estivesse chegando ao fim, ele era aquele que tinha a obrigação de testemunhar o final.

Tum, tum...

O som de alguém caminhando chegou aos seus ouvidos.

A visão turva, um zumbido nos ouvidos e, em algum lugar, os gritos de alguém se misturavam.

Os passos, misturados a esses sons, eram silenciosos — mas imensamente sinistros.

"Você veio?"

"…No fim, você chegou até aqui."

Uma mansão agora manchada de sangue vermelho fresco.

O cavaleiro, carregando o dever de proteger aquele lugar, ergueu o olhar para o homem que caminhava pelo corredor.

O que ele podia ver nos últimos momentos de sua vida.

Não era nada além de morte.

"A ordem do Lorde vem em primeiro lugar... Cof, dizer que a honra vem em segundo não significa que você deve obedecer ordens cegamente."

"…"

A luz azulada da lua entrava pela janela do corredor.

O homem que estava ali, em silêncio sob aquela luz, apenas escutava as últimas palavras do cavaleiro cuja vida lentamente se esvaía.

"Os cavaleiros do antigo Conde Gaidar não eram assim."

"…É por isso que todos pereceram."

Na visão que se apagava pouco a pouco, surgiu uma espada reluzente iluminada pelo luar.

Era uma luz bela demais para pertencer àquele lugar.

"Essa luz também... acabará se apagando."

"…"

Com essas palavras, o cavaleiro sob o luar azul ergueu a espada bem alto.

Por causa da luz da lua atrás dele, seu rosto não podia ser visto — mas ainda assim era possível imaginar sua expressão.

"…Godin. Entregue esta mensagem ao Conde Gaidar."

Na vitória, o conquistador permanece acima, enquanto o derrotado jaz abaixo.

"Diga a ele que estarei esperando por ele no inferno."

Shhhk—

Tudo dependia da decisão do vencedor.

Sangue vermelho escorria pelo corredor branco.

"…Transmitirei a mensagem."

Uma mansão que, instantes atrás, estava cheia de gritos.

Agora, apenas o silêncio dominava o lugar, iluminado pela luz azul da lua.

Por onde o luar tocava, ecos vermelhos de morte permaneciam.

 

✦  ✦  ✦

 

Havia um garoto apoiando o rosto no parapeito da janela da carruagem, olhando para fora com uma expressão azeda.

"Quando vamos chegar?"

"Já estamos quase lá."

"Você disse isso há um tempo atrás."

"…"

Vlad se sentía enganado.

Considerando que a casa de Potree supostamente ficava dentro de Sturma, mesmo que levasse algum tempo, ele esperava chegar em no máximo meio dia.

No entanto, ao contrário do que Vlad esperava, eles haviam deixado Sturma há um dia inteiro.

Para Vlad, que já estava enjoado de carruagens, aquilo parecia um castigo.

"A essa altura, toda a minha família já deve ter se mudado para a vila de verão. É a época em que a grama dos prados ganha vida."

"Se íamos para a vila, você deveria ter me dito desde o começo."

"…Desculpa."

Mas como o fato já estava consumado, não havia o que fazer.

A família de Potree já havia se mudado para uma vila fora da cidade, não dentro de Sturma.

Enquanto Potree explicava que o tempo passado lá seria muito mais divertido, Vlad estava irritado porque dois dos preciosos sete dias de férias haviam sido gastos apenas viajando.

"Oh…"

"A paisagem não é bonita? Eu queria te mostrar isso."

Mas aquele sentimento durou pouco.

De fato, como Potree disse, os olhos de Vlad foram tomados por uma cena completamente diferente logo após cruzarem uma colina.

Um prado imenso com uma vista completamente aberta.

Até mesmo Vlad, que estava encostado na janela de forma mal-humorada, não conseguiu evitar abrir a boca de surpresa diante daquela visão que via pela primeira vez.

"Uau…"

Vlad não conseguiu evitar ficar maravilhado com a paisagem diante dele.

Era o período em que a primavera estava dando lugar ao verão.

Sob o clima agradável, tudo estava cercado por um mar de grama verde balançando ao vento.

Com quase nenhuma árvore bloqueando a vista, Vlad sentiu como se tivesse entrado em meio a um oceano verde que se estendia até o horizonte.

"O prado daqui vai até os arredores de Varna. Normalmente monstros aparecem de vez em quando, mas depois da subjugação de monstros do Lorde Josef neste inverno, não há mais com o que se preocupar."

"Sério?"

"Sim. Sabe aquela subjugação que você fez da última vez."

"Ah, aquela."

Existe intenção por trás de toda ação.

A subjugação que Vlad realizou no inverno passado, quando encontrou Josef pela primeira vez, havia sido justamente para garantir a segurança daquele prado.

"Então quer dizer que eu também tenho uma pequena parte nessa paisagem."

Vlad se sentiu estranhamente orgulhoso, como se tivesse ajudado a criar aquele prado verde.

"Quero gritar."

"Eu entendo. Às vezes eu sinto o mesmo."

No mundo verde intenso do lado de fora da carruagem, Vlad queria saltar para fora e correr livremente, sentindo o ar revigorante.

"Iyayaaaaa~!"

"…Sim. Eu entendo perfeitamente."

O grito do garoto ecoou alto no meio do prado.

[Kura: Não esperava isso kkkkk.]

Vlad, que viveu toda a sua vida em lugares escuros e apertados, apenas queria expressar sem restrições as emoções intensas e novas que o invadiam.

 

✦  ✦  ✦

 

Uma vila que revelava sua presença em cores diferentes, como uma boia flutuando sobre o mar verde.

Alguém acenava para a carruagem à sua frente.

"Ele é o mordomo da minha família."

"Ah, o mordomo."

Como ele acenava com tanta animação, Vlad pensou que fosse um membro da família, mas na verdade era o mordomo.

"A casa é tão grande assim para precisar de um mordomo?"

"Na minha família temos dois mordomos."

"…Sério?"

Embora a família Kanoor não fosse nobre, tinha certa influência em Sturma. Inicialmente, Vlad havia se aproximado de Potree pensando nisso, mas a riqueza da família Kanoor superava a imaginação de um garoto que cresceu nos becos.

"Faz tempo, mordomo!"

"Também estou feliz em vê-lo novamente, jovem mestre."

Cães sempre pareciam se agarrar aos donos independentemente do tamanho. E agora, a aparência de Potree combinava perfeitamente com essa imagem.

As pernas do velho mordomo tremiam enquanto ele tentava erguer o rechonchudo Potree.

"Onde está meu pai?"

Sendo o mais novo da família Kanoor, Potree parecia ser muito querido dentro da casa, a julgar pelas ações do mordomo.

No entanto, apesar de Vlad — por quem esperavam ansiosamente — estar bem ali, ninguém além do mordomo saiu para receber o convidado.

"Bem, isso é porque…"

Com um sorriso sem graça, o mordomo pediu compreensão a Vlad.

"O chefe da família está recebendo convidados inesperados, então pode demorar um pouco. Gostaria de conhecer primeiro o famoso rancho da nossa família?"

Convidados inesperados.

Observando a expressão constrangida do mordomo, Vlad respondeu casualmente:

"Tudo bem."

Era quase rude fazê-lo esperar por causa de outros convidados, mas Vlad realmente não se importava.

"Obrigado pela compreensão."

Vendo a reação de Vlad, o rosto do velho mordomo se iluminou com um grande sorriso.

[Muito bem. Generosidade costuma ser retribuída um dia.]

'...Eu não disse isso com essa intenção.'

Vlad respondeu em silêncio dentro de sua mente enquanto ouvia a voz.

Quando foi a última vez que ele recebeu hospitalidade de verdade?

Mesmo que tardia, aquela situação parecia um sonho comparada ao passado.

E se ele esperasse ser tratado bem apenas pelos pequenos feitos em Deomar, acabaria se tornando rígido e mesquinho no futuro.

Por isso, o garoto decidiu agir com o máximo de ousadia possível em tudo.

"Em vez disso, quero começar vendo onde ficam os cavalos. Eu tinho grandes expectativas."

"Claro que sim. Os realmente caros serão apresentados pelo chefe da casa, mas não faz mal dar uma olhada nos outros antes."

'Em vez disso, preciso descobrir onde ficam os suprimentos.'

Ele podia fazer concessões, mas não toleraria prejuízo algum.

Foi assim que o garoto viveu toda a sua vida.

 

✦  ✦  ✦

 

Hiiiiiing—

Fwoosh—

Toc! Toc! Toc!

"…"

"…"

Vacas, cavalos, ovelhas e até o cão-pastor — todos os animais do rancho entraram em pânico e fugiram ao ver Vlad.

"…Isso é um pouco sério."

Enquanto Potree e Vlad já esperavam alguma reação assim, o velho mordomo, vendo aquela cena pela primeira vez, ficou tão chocado que seu rosto empalideceu.

"Você, por acaso... visitou a igreja?"

"O padre Andrea pode garantir minha identidade."

"Ah... peço desculpas."

[Kura: Bom, lá se foi o objetivo de tentar montar em vacas.]

O mordomo estava insinuando que Vlad poderia estar amaldiçoado, mas não teve escolha a não ser baixar a cabeça quando ouviu aquele nome.

Mesmo tendo experiência lidando com animais, ele nunca tinha visto cavalos, ovelhas e até um cão pastor fugirem daquele jeito.

'Parece que até montar em uma vaca é impossível agora.'

Quer o velho mordomo estivesse chocado ou não, Vlad apenas encarava o cercado vazio com sentimentos confusos.

Gott havia brincado dizendo que ele poderia ao menos montar em uma vaca, mas diante daquela situação, até isso parecia impossível.

Vlad se sentiu desanimado.

"…"

Potree, vendo o estado abatido de Vlad, fez uma promessa com simpatia.

"Vamos ver todos os animais do nosso rancho. Deve haver pelo menos um que combine com você."

Ele prometeu mostrar todos os animais do rancho — de combate, montaria, trabalho ou abate.

"Ainda assim, deve existir pelo menos um que me aceite, certo?"

"Claro!"

No entanto, fazer uma promessa não significa que ela sempre possa ser cumprida.

Mesmo assim, eles procuraram diligentemente pelo rancho inteiro, esperando encontrar algum animal que acompanhasse Vlad.

Infelizmente, todas as criaturas pareciam ocupadas demais tentando evitá-lo, e o pobre mordomo acabou se esforçando demais.

"Mesmo assim... não imaginei que seria nesse nível..."

Embora Vlad já tivesse se preparado para algo assim, ver aquilo acontecer diante de seus olhos era extremamente frustrante.

Até a pequena esperança que ele tinha se despedaçou.

De que adiantava usar aura se ele nem conseguia montar em um cavalo?

"Enquanto os outros fazem cargas magníficas de cavalaria, eu estarei correndo atrás deles, comendo poeira..."

"Mesmo assim, há alguns de excelente linhagem que meu pai trouxe."

Mas para trazê-los seria necessário a permissão do chefe da casa.

A expectativa que havia crescido dentro de Vlad murchou miseravelmente, e ele não teve escolha senão voltar para a mansão com passos pesados.

Enquanto o sol se punha no horizonte, pintando o céu daquele dia, os ombros caídos de Vlad foram tingidos de vermelho.

 

✦  ✦  ✦

 

Toc-toc-toc—chiik—

"…"

Vlad entrou no restaurante e ficou em silêncio ao ver a cena diante de seus olhos.

Carnes assavam sem parar na grelha, cuidadas pelos servos.

O calor vindo do forno dissipou a melancolia que ainda restava no coração de Vlad.

Ele havia reclamado da longa viagem de carruagem, mas naquele momento realmente achou que tinha valido a pena.

Valera a pena vir.

"Bem-vindo! Peço desculpas por não ter recebido pessoalmente um convidado tão estimado!"

Vlad ficou parado como uma estátua diante das carnes girando, os olhos girando como se fossem bolinhas.

Olson Kanoor, o chefe da família Kanoor e pai de Potree, parecia satisfeito com a reação genuína de Vlad e bateu nas costas do garoto com sua grande mão.

"Prazer em conhecê-lo. Sou Vlad, escudeiro da família Bayezid."

"Eu sei, eu sei! Rumores sobre você já se espalharam por toda Sturma!"

Olson Kanoor sorriu amplamente ao ver Vlad se curvar usando o cumprimento que aprendera com a Condessa Oksana.

De fato, a disciplina do Mestre Espadachim havia sido evocada depois de muito tempo.

As pessoas de Sturma, sabendo que o garoto estava na cidade, contavam histórias sobre Vlad com orgulho.

O nascimento de uma nova estrela era sempre motivo de celebração.

'Potree fez pelo menos um bom amigo!'

Observando o garoto robusto diante dele, Olson quase teve a impressão de que ele devia estar faminto.

Durante todo esse tempo, ele havia se preocupado porque Potree parecia ter dificuldades para se adaptar à mansão Bayezid, mas agora suas preocupações pareciam desaparecer.

"Sente-se aqui! Quero muito ouvir histórias sobre a disciplina do Mestre Espadachim depois de tanto tempo!"

Vlad, confiando em seus instintos dos becos, tentou deduzir o temperamento de Olson.

Havia sinceridade em seu olhar e em sua postura, e sua risada carregava confiança.

Ele parecia alguém extrovertido — o tipo de pessoa considerado um bom homem e que gosta de receber convidados.

Em outras palavras, parecia ter a personalidade certa para administrar negócios.

"Hoje convidados estimados vieram à nossa casa, então como dono deste lugar estou muito feliz!"

Ao ouvir isso, Vlad lembrou que havia outros convidados além dele.

'Ele vai fazer todos sentarem juntos?'

Sem conhecer bem as regras da nobreza ou das famílias ricas, Vlad presumiu que Olson resolveria isso como anfitrião.

"Além disso, todos aqui são da família Bayezid, o que torna a ocasião ainda mais alegre!"

'Bayezid?'

Vlad inclinou a cabeça ao ouvir aquilo.

Quando Olson o guiou até seu lugar, Vlad finalmente viu quem eram os outros convidados.

"…"

Cavaleiros.

Indivíduos habilidosos e disciplinados.

Antes, Vlad talvez tivesse erguido a cabeça sem pensar, mas agora que conhecia um pouco do mundo, ele podia sentir a pressão que emanava deles.

Entre eles, um homem sentado no centro observava Vlad como se fosse o dono daquele lugar.

Um rosto familiar de cabelos negros.

O homem sorriu para Vlad.

"Faz tempo, não é? Como você tem passado?"

Um homem que se parecia com seu lorde — mas com um sorriso confiante no lugar do olhar severo.

"…Não esperava encontrá-lo aqui. Lorde Rutger."

O homem sentado ali era Rutger Bayezid, o filho mais velho da família Bayezid.

"Espero que hoje você possa comer comigo. Seria um desperdício recusar uma comida dessas."

Quando Rutger terminou de falar, os cavaleiros ao seu lado começaram a exalar uma aura feroz.

Era compreensível.

Afinal, Vlad havia recusado anteriormente a boa vontade do seu lorde.

"…"

Apontando o polegar para o porco assado girando atrás dele, Rutger sorriu provocativamente.

Vlad não pôde deixar de pensar por que havia recusado comer amendoins naquela ocasião.

De um homem com uma presença tão intimidante.

"…Hoje deve estar tudo bem."

Mesmo parecendo um pouco pressionado, Vlad não abaixou a cabeça.

Ele segurou firmemente o garfo à sua frente e encarou Rutger sem vacilar.

"Eu também estava esperando por isso."

"…É mesmo?"

Rutger sorriu profundamente ao olhar para o garoto que o encarava com seus ferozes olhos azuis.

 

Traduzido por Moonlight Valley

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