Mestre Espadachim das Estrelas Coreana

Tradução: Kurayami

Revisão: Enigma


Sessão 5

Capítulo 42: Mãe Substituta

Em uma noite iluminada pela lua, um campo vazio se estendia diante dele.

Vlad estava ali sozinho, gotas de suor escorrendo por seu rosto.

"Ha!"

Vlad treinava, forçando-se mais do que qualquer outro escudeiro.

"Heuk, heuk."

Uma única gota de suor em seu queixo refletiu o luar.

No entanto, antes que a gota tocasse o chão, ele rapidamente a limpou com a mão.

A palavra "esforço" era magnífica, bela e radiante, mas Vlad não queria demonstrá-la aos outros.

Porque não queria que vissem seu eu fraco — a imagem de si mesmo vagando sem rumo depois de ter largado tudo.

Talvez aqueles momentos em que poderia parecer frágil.

"Heup!"

Desde o pequeno terreno vazio no beco dos fundos até o campo de treinamento que agora usava entre os escudeiros, Vlad, como sempre, procurava um lugar onde não houvesse ninguém para balançar sua espada.

[Se ao menos suas costas estivessem um pouco mais retas…]

"…Endireitar minhas costas? Ficar ereto?"

Mesmo assim, Vlad corrigiu sua postura enquanto ouvia o conselho da voz, que agora conseguia interpretar um pouco melhor do que antes.

A voz e Zayar lhe disseram que não havia atalhos para progredir rapidamente.

Disseram que apenas a maestria obtida por meio da repetição e da experiência acumulada ao longo do tempo podia ser confiável.

"Hu…"

Que bênção era poder se preparar com todas as forças para as possibilidades do amanhã.

Para o garoto, comparado à vida nos becos — onde ele sequer conseguia prever o futuro — aquilo parecia o paraíso.

Vlad estava plenamente consciente de que aquele momento era como sua “era de ouro”.

[Vamos encerrar por hoje.]

"Já?"

[A cota diária já foi cumprida.]

A voz compreendia bem os sentimentos de Vlad.

Por isso, fazia o possível para controlá-lo, para que ele queimasse lentamente.

Para evitar que se consumisse rápido demais e acabasse se esgotando.

[O aquecimento final é o mais importante. Se você se machucar agora, tudo pelo que trabalhou até aqui será em vão.]

"Entendi."

Seguindo o conselho da voz, Vlad assumiu a postura final que Zayar lhe ensinara, relaxando os músculos.

Embora lamentasse não ter treinado com Zayar por causa do erro que cometeu ontem, ele não negligenciava os esforços para continuar avançando.

Estar sempre preparado era a única maneira de aproveitar as oportunidades.

[Vamos entrar.]

"Hmm."

O garoto, com o corpo inteiro encharcado de suor, caminhou em direção à mansão para escapar do ar noturno cada vez mais frio.

"…"

No entanto, naquela noite ele não era o único acordado.

Mesmo não podendo ouvir a voz de Vlad à distância, o cavaleiro de um olho só também observava o campo vazio.

Criar uma pessoa era a tarefa mais difícil.

Algumas coisas podem crescer bem apenas com amor, mas, no caso dos humanos, reprimendas severas também são necessárias.

Só assim é possível impedir que se desviem do caminho.

Depois de ver o garoto entrar, o cavaleiro de um olho só deixou seu posto.

Era uma noite em que os dois homens, cada um desconfortável em sua própria posição, carregavam muitas preocupações.

[Kura: Essa cena não temos no Manhwa.]

 

✦  ✦  ✦

 

"Certo."

Josef respondeu dentro do escritório bem iluminado.

"…Obrigado."

Embora fosse um pouco desrespeitoso, Vlad não conseguiu evitar sentir pena da sombra nos olhos de Josef, que não desaparecia não importa o quanto a luz brilhasse sobre ele.

Na verdade, ele havia ficado doente por alguns dias logo após retornar de Deomar.

"Eu estava pensando em lhe dar um tempo de descanso. Além disso, já que você veio por conta própria, não há motivo para não enviá-lo."

Mesmo tendo obtido permissão de Josef, Vlad ainda o observava cautelosamente, com uma expressão um pouco tensa.

Isso porque havia uma atmosfera estranha entre eles, especialmente pelo fato do cavaleiro de um olho só não reagir, apesar de Vlad tentar fazer contato visual.

"…"

Josef percebeu o clima desconfortável entre os dois, mas não disse nada.

Mesmo sendo a pessoa de mais alta posição ali, havia uma relação de respeito que precisava ser mantida.

"…Mesmo durante as férias, um cavaleiro nunca deve largar a espada."

O cavaleiro de um olho só foi o primeiro a quebrar o silêncio que se prolongava sutilmente.

Embora seu olhar estivesse levemente desviado, era claro que Zayar falava com Vlad.

"Veremos quando você voltar."

Quando se trata de treinamento, se você deixa de praticar por um dia, você percebe; se deixa por uma semana, os outros percebem.

Zayar sabia que Vlad provavelmente entenderia isso sem que ele precisasse dizer, mas naquela situação nenhuma outra palavra lhe vinha à mente.

Ele nunca havia criado ninguém antes, nem mesmo um escudeiro como Vlad.

"Entendido."

Agora, finalmente encarando Zayar, que o reconhecia, Vlad respondeu em voz alta.

"Ainda assim, é melhor não esperar muito dos cavalos. Seu problema pode ser difícil de resolver até mesmo para a família Kanoor."

"…Sim."

No entanto, o senso de expectativa de Vlad foi quebrado novamente pelas palavras seguintes de Josef.

"Apenas descubra até que ponto os cavalos o rejeitam. Se houver algum que o rejeite menos, descubra de onde ele veio."

Josef sabia muito bem que Vlad não conseguia montar em cavalos — e que aquilo não era culpa dele.

Embora fosse um caso muito específico, às vezes cavalos rejeitavam certas pessoas.

Pessoas com um forte cheiro de sangue.

Pessoas sob uma maldição especial.

Ou cavaleiros com um ímpeto excessivamente forte.

'…Em primeiro lugar, cavaleiros com um ímpeto forte normalmente conseguem controlá-lo por conta própria.'

Por enquanto, no caso de Vlad, era melhor deixar todas as possibilidades abertas.

Assim como Alicia, ele era alguém cujo caminho ainda era imprevisível.

"Vá. Vejo você em uma semana."

"Entendido."

"Não precisa trazer presente quando voltar."

"…Sim."

Ouvindo as palavras ambíguas de Josef sobre trazer ou não um presente, Vlad deixou o escritório com uma expressão confusa.

"Família Kanoor..."

Josef franziu levemente a testa enquanto olhava para a porta por onde Vlad havia saído.

"Se as coisas correrem bem, eles podem acabar se encontrando."

"Os dois são figuras bastante chamativas."

Enquanto olhava para a porta, Josef pensava nas possibilidades que poderiam surgir naquele lugar.

"Bem, se for algo urgente, ele descobrirá sozinho."

"Ele não vai achar estranho?"

Diante da pergunta de Zayar, Josef apenas abaixou a cabeça para os documentos, como se não tivesse mais nada a considerar.

"Se houver algo que ele queira, ele simplesmente virá perguntar. Ele não gosta de manipular pessoas pelas costas."

Zayar apenas assentiu diante da resposta de Josef.

Talvez Josef estivesse certo.

Afinal, eles eram as duas pessoas que melhor se conheciam no mundo.

 

✦  ✦  ✦

 

"O que eu tinha em mente surgiu em um momento perfeito."

Na sala de recepção da residência de Oksana, onde até a luz do sol parecia alaranjada, Vlad mais uma vez ficou parado rigidamente.

Servos que se movimentavam apressadamente experimentavam roupas em Vlad sem parar.

Como já tinha visto aquela cena todas as vezes que vinha ali, Vlad sabia que ficar parado era a melhor opção.

"…"

Vlad havia acabado de sair do escritório de Josef quando foi imediatamente agarrado por uma criada, como se ela estivesse esperando por ele.

Como ela se apresentou como criada da Condessa Oksana, ele nem pôde resistir e acabou sendo arrastado como um travesseiro apertado.

E agora, encontrava-se naquela situação.

"A cor combina muito bem com você. Eu pensei que talvez você a usasse com uma armadura de couro, mas ficou ainda melhor do que imaginei."

"…Obrigado."

Oksana observava o manto preto sobre os ombros de Vlad com um sorriso satisfeito.

Vlad tocou cautelosamente o manto enquanto observava o sorriso dela.

Era um manto feito de lã quente, com calor suficiente para ser usado como saco de dormir durante acampamentos.

Não era apenas decorativo; Oksana claramente havia pensado na utilidade.

"De fato, com um físico tão robusto, qualquer coisa combina com você. Valeu a pena colocá-lo."

Enquanto admirava a combinação de cores que havia ficado ainda melhor do que esperava, Oksana bateu palmas suavemente.

O esplêndido cabelo loiro do garoto era um grande destaque que elevava ainda mais o visual.

"Você vai passar as férias com a família Kanoor?"

"Sim."

Ele havia acabado de receber permissão de Josef. Como ela soube tão rápido?

Vlad, que ainda não havia percebido completamente o poder da Condessa que supervisionava toda a mansão, apenas pensou que deveria se comportar de forma ainda mais correta a partir de agora.

"Quando você é convidado para a casa de alguém, deve apresentar uma aparência muito mais adequada. São maneiras e atitudes que não desonram seus pais."

"…"

O garoto não tinha pais para desonrar.

"Então, não me desonre."

"…Eu nunca faria isso."

Oksana talvez não fosse a mãe de Vlad, mas disse que assumiria essa responsabilidade.

O apoio que ela oferecia ia muito além de um simples patrocínio.

"Sou verdadeiramente grata pelo que aconteceu em Deomar."

"Eu apenas fiz o que precisava ser feito."

"Não, foi mais do que isso."

Oksana não faria tudo isso apenas porque gostava do garoto.

Talvez fosse porque o garoto diante dela era uma grande ajuda para seu filho.

Se ela fazia tanto por um simples escudeiro, Vlad imaginava como Josef — que compartilhava sangue com ela — deveria se sentir.

"Então, depois dessas férias, vou arrumar um tutor particular para você. Você só deve cometer esse tipo de erro uma vez. Certo?"

"…Peço desculpas."

Embora Oksana falasse agora com um sorriso suave, Vlad provavelmente teria se ajoelhado pedindo desculpas se soubesse que ela havia quase perdido o equilíbrio ao ouvir sobre o ocorrido com Alicia.

"Se você aspira se tornar um cavaleiro, é uma posição equivalente à de um nobre. Portanto, precisa aprender o comportamento adequado."

"Entendo."

Qualquer pessoa que veja jovens com potencial, mas que ainda não são suficientemente preparados, inevitavelmente sente vontade de ajudá-los.

E os sentimentos de Oksana estavam sendo transmitidos ao garoto de várias formas.

"Muito bem. Agora vá."

"Obrigado, Lady Oksana."

Demorou bastante até que Vlad fosse finalmente autorizado a sair da sala de recepção.

E quando estava prestes a sair, Oksana falou com um tom firme.

"Ah, e quando sair, leve também as coisas que preparei ali ao lado."

Vlad virou a cabeça na direção das cestas colocadas ao lado.

"Estes são…"

"Limões. Josef trouxe desta vez."

Oksana sorriu ao ver a expressão confusa de Vlad.

"É falta de educação visitar a casa de alguém de mãos vazias."

"…Muito obrigado por tanta consideração."

Vlad havia encontrado muitas pessoas que queriam tirar algo dele.

Mas quando alguém tentava lhe dar algo, ele ficava completamente indefeso.

Assim, só pôde agradecer e sair carregando cestas de frutas nas duas mãos.

"Ha…"

Vlad soltou um pequeno suspiro ao sair do quarto de Oksana, onde sempre recebia mais do que esperava.

Caminhando lentamente pelo corredor, ele observou seu reflexo na janela.

Vestido com roupas luxuosas, usando um elegante manto e carregando cestas de frutas, ele sentiu uma estranha sensação de desconforto.

Aquilo não combinava com ele.

 

Traduzido por Moonlight Valley

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